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1 Ministério da Agricultura Secretaria de Estado da Agricultura DIRECCÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO ALGARVE REGA LOCALIZADA EM HORTICULTURA Armindo J. G. Rosa Guia do Extensionista - 1995-

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Ministério da Agricultura Secretaria de Estado da Agricultura

DIRECCÃO REGIONAL DE AGRICULTURA DO ALGARVE

REGA LOCALIZADA EM HORTICULTURA

Armindo J. G. Rosa

Guia do Extensionista - 1995-

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O autor é Engº Téc. Agrº, especialista na área de rega. Actualmente é Chefe de Divisão do Desenvolvimento e Gestão da produção na Direcção de Serviços de Experimentação da DRAAG.

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REGA LOCALIZADA EM HORTICULTURA Pág. INTRODUÇÃO…………………………………………………………………….…..5 1 - FUNDAMENTOS DO SISTEMA………………………….………………….…..5 1.1 - Vantagens da rega localizada…………………………………………………..…7 1.2 - Inconvenientes e problemas a resolver……………………………..……….……8 2 - COMPONENTES PRINCIPAIS DUM SISTEMA DE REGA LOCALIZADA . 9 2.1 - Fonte de água sob pressão……………………………………………………...10 2.2 - Cabeçal de rega……………………………………………………………….....13 2.2.1 - Filtros………………………………………………………………………….13 2.2.1.1 - Instalação e utilização dos filtros……………………………………………17 2.2.1.2 - Manutenção e limpeza dos filtros…………………………………………....17 2.2.2 - Adubadores……………………………………………………………………18 2.2.2.1 - Condução da fertirrega ……………………………………………………..22 2.2.2.2 - Cálculos de adubação……………………………………………………….24 2.2.3 - Elementos de regulação e controlo…………………………………………...26 2.3 - Rede de distribuição…………………………………………………………....29 2.3.1 - Dimensionamento da tubagem de distribuição…………………………….....31 2.3.1.1 - Dimensionamento das linhas regantes……………………………………...32 2.3.2 - Comprovação da uniformidade da parcela a regar………...………………....40 2.4 - Emissores……………………………………………………………………….43 2.4.1 - Classificação dos emissores…………………………………………………..45 2.4.2 - Factores que afectam o funcionamento dos emissores……………………….46 2.4.3 - Escolha do emissor…………………………………………………….……..49 2.4.3.1 - Escolha do débito do emissor e tempos de rega diária……………………..50 2.4.4 - Instalação das linhas de rega………………………………………………....52 2.4.5 - Densidade dos gotejadores…………………………………………………...55 2.4.6 - Modos de fixação dos emissores aos tubos…………………………………..58 2.5 - Acessórios de ligação………………………………………………………….59 2.6- Elementos de segurança………………………………………………………..60 2.6.1 - Purgadores e ventosas……………………………………………………....60 2.6.2 - Válvulas de segurança……………………………………………………....60 2.6.3 - Válvulas de retenção………………………………………………………..61 2.7 - Torneiras e electroválvulas…………………………………………………...61

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2.7.1 - Torneiras…………………….……………………………………………….61 2.7.2 - Electroválvulas………………………………………………………………..62 2.8 - Equipamentos e procedimentos para estimar as necessidades de rega…….…...62 2.8.1 - Tensiómetros………………………………………………………………....62 2.8.1.1 - Preparação dos tensiómetros…………………………………………….....63 2.8.1.2 - Instalação dos tensiómetros………………………………………………...64 2.8.1.3 - Número de tensiómetros a utilizar……………………………………….....64 2.8.1.4 - Locais de Instalação………………………………………………………...64 2.8.1.5 - Interpretação das leituras do tensiómetro…………………………………..67 2.8.2 - Tina de Classe A……………………………………………………………...69 2.8.2.1- Estimativa de cálculo da dotação de rega com base na evaporação registada na tina de classe A……………………………………………………………………….69 2.8.2.1.1 - Influência da rega localizada na deminuição da evapotranspiração da cultura………………………………………………………………………………..70 2.8.2.1.2 - Dados orientativos para a rega de algumas culturas hortofrutícolas na Algarve (Campina de Faro)…………………………………………………………………...72 2.9 - Equipamentos para automatização……………………………………………..81 2.9.1 - Válvulas volumétricas associadas a balão e pressostato……………………...82 2.9.2 - Programadores e computadores de rega……………………………………..82 Bibliografia…………………………………………………………………………..86 Fotos………………………………………………………………………………...90

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REGA LOCALIZADA EM HORTICULTURA

INTRODUÇÃO Foi na Alemanha, em finais do século passado, e nos E U A já neste século, que começaram as primeiras experiências utilizando tubos porosos que se enterravam no solo, com a finalidade regar as plantas e diminuir a evaporação. O sistema todavia não se generalizou de imediato pois a tubagem utilizada obstruía-se com facilidade, devido principalmente às raízes das plantas, e resultava difícil detectar e reparar as avarias no sistema enterrado. Os sistemas de rega localizada mais conhecidos são os chamados gota a gota e, tal como os conhecemos hoje, só muito mais tarde, depois da segunda guerra mundial, se começaram a generalizar. As primeiras tentativas bem sucedidas ocorreram em Inglaterra, utilizando microtubos em estufas e jardins. Depois, já na década de sessenta, os técnicos israelitas aperfeiçoaram os sistemas, que a partir dai, coincidindo com o desenvolvimento dos tubos de plástico, se generalizaram um pouco por todo o mundo. Podendo utilizar-se em variadíssimas situações, é em zonas de clima mais seco, como o Algarve, onde a água não abunda e, não raro, tem salinidade elevada, que estes sistemas têm tido maior incremento, sendo hoje vulgar a sua utilização nas culturas hortofrutícolas. Nas nossas condições, nas culturas em estufa, usam-se sistemas com gotejadores ou fitas de rega. Nas hortícolas de ar livre e fruteiras, em especial nos citrinos, além dos sistemas gota a gota é igualmente comum o uso de miniasperssores. 1 - FUNDAMENTOS DO SISTEMA A rega localizada consiste em colocar a água e os adubos junto às plantas, utilizando para o efeito uma rede de tubos, em geral de plástico, distribuídos pelo terreno a regar. Parte destes tubos, as rampas ou tubagem de distribuição, têm inseridos os emissores que humedecem a zona radicular de forma lenta e pontual, infiltrando-se a água no solo, tanto na vertical como na horizontal, o que no caso dos gotejadores dá origem a uma zona húmida com forma de bolbo (figura 1).

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Fig. 1 - Bolbo húmido típico da rega gota a gota A rega localizada tem bastantes vantagens, relativamente a outros sistemas de rega. Por vezes surgem alguns problemas, que não são própriamente inconvenientes, derivando, na maioria das vezes, de uma incorrecta utilização do sistema, pelo que se impõe uma cuidada avaliação do seu funcionamento e utilização, para que possamos tirar dele o máximo proveito. Ao passar de um sistema de rega tradicional para um sistema de rega localizada há que mudar também a forma de actuar. Com estes sistemas vamos ter uma parte da zona de crescimento das raízes permanentemente saturada de água, intercalada com zonas muito secas, não exploradas por elas. Isto implica que as raízes se desenvolvem menos, e nessas manchas húmidas temos que concentrar a aplicação da água e dos elementos nutritivos. Assim as regas devem ser frequentes, diárias ou cada dois três dias, aplicando apenas as quantidades de água correspondentes às necessidades hídricas da cultura, dado a eficiência de rega ser muito elevada. Esta forma de actuar, que permite regar muitas vezes aplicando baixas dotações em cada rega, evita perdas por evaporação e drenagem, estas últimas de temer em especial nos solos arenosos ou pouco profundos, bem como os problemas de asfixia radicular que por vezes surgem nos solos mais pesados, com excesso de água e carência de oxigénio. Um correcto manuseamento da rega localizada implica também uma mudança em relação à adubação, em especial com os adubos azotados. Assim, por principio, sempre que se rega aduba-se. A chamada fertirrigação, ao possibilitar adubar muitas vezes, de forma fracionada, evita a concentração de sais no solo, as perdas por drenagem e possibilita à planta absorver os elementos nutritivos de forma gradual, de acordo com as exigências de cada fase do seu ciclo cultural.

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Acrescente-se ainda que a manutenção do solo, na zona de desenvolvimento radicular, a um nível de quase saturação diminui o esforço da planta no seu trabalho de absorção, de água e nutrientes, devido ao baixo valor de tensão da água retida pelo solo. 1.1 - Vantagens da rega localizada Comparado com outros sistemas, tanto tradicionais como por aspersão, a rega localizada proporciona uma significativa poupança de água, que em alguns casos atinge os 50 % ou mesmo mais, sendo esta talvez a característica que mais contribuiu para o grande incremento que estes sistemas tiveram em regiões como a nossa, onde a água é um bem a preservar visto não existir em abundancia. Todavia muitas mais vantagens se podem obter, instalando um bom sistema de rega localizada, sendo de destacar as seguintes: a) - Vantagens comuns à generalidade dos sistemas - Possibilidade de instalação em qualquer tipo de terreno, tanto no que respeita à topografia como à textura ou espessura do solo. - Facilidade de dosificação da água e adubos a fornecer à cultura. - Possibilidade de realizar regas e adubações a qualquer hora do dia e em simultâneo com outras operações tais como podas, colheitas, tratamentos fitossanitários etc. - Menor tendência ao aparecimento de infestantes, dado que só se molha uma parte do solo. - Redução da mão de obra necessária à utilização e manutenção do sistema de rega. - Permite utilizar equipamentos de bombagem e acessórios, com menores potências e capacidades, visto estes sistemas se caracterizarem por trabalhar com baixas pressões e caudais. - Em consequência das plantas terem, a cada instante, satisfeitas as suas necessidades em água e nutrientes, consegue-se aumentar a quantidade e qualidade das produções. b) Vantagens dos sistemas gota a gota - O vento não interfere no sistema de rega, como na rega por aspersão, e as perdas por evaporação, escorrência ou drenagem são diminutas. - Possibilidade de regar com águas em que o valor da condutividade é mais elevado que o recomendado para os sistemas tradicionais ou por aspersão e em solos com maiores indices de salinidade, devido ao facto do solo, por estar sempre húmido, não atingir na sua solução concentrações tão elevadas. Isso não seria possivel se o solo intercalasse, estados de secura com a quase saturação, ou se a água molhasse a folhagem. - Em solos com pouca permeabilidade e declive acentuado, a gota a gota é preferível à miniaspersão, pois o baixo ritmo de descarga diminui o escorrimento superficial.

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c) Vantagens dos sistemas de miniaspersão - Possibilidade de controlar o diâmetro da área humedecida, actuando sobre a trajectória do miniaspersor, de maneira a aumentar a área regada em função do crescimento das plantas. - Permite incrementar a zona de desenvolvimento das raízes em solos arenosos. - Em climas de inverno chuvoso e verão seco, a planta fica menos sujeita às variações de húmidade nos solo, que em determinadas condições podem conduzir ao atrofiamento de algumas raízes na zona não regada. - Aquando da ocorrência de ventos aumenta a estabilidade das plantas adultas, dado que as raízes se estendem por uma área mais vasta do que na rega gota a gota. - Em situações de árvores com sistema radicular pouco profundo, possibilita a obtenção uma maior área molhada, que em certas situações pode ser vantajosa. - Em dias quentes e de baixa húmidade, os miniaspersores permitem baixar a temperatura e aumentar a húmidade do ar. 1.2 - Inconvenientes e problemas a resolver Embora de pouca monta, em comparação com as vantagens, persistem todavia alguns problemas que devem ser levados em conta na hora de optar pela instalação de um sistema de rega localizada. Deste modo chama-se a atenção para o seguinte: - Ainda hoje o preço é relativamente elevado pelo que não se poderá aplicar a todas as culturas, nomeadamente às extensivas, sendo de aconselhar que se estude préviamente a rentabilidade do sistema, em função da cultura e condições especificas de cada situação. - Os emissores podem obstruir-se por acção de partículas físicas ou devido aos sais, contidos ou ministrados à água, pelo que o um uso incorrecto do sistema pode ocasionar danos irreparáveis, à cultura e ao sistema. - Exigem-se equipamentos de muito boa qualidade e uma vigilância e manutenção atentas, de modo a evitar falhas do sistema. - A utilização de nutrientes, com fósforo ou cálcio, exige cuidados especiais sob pena de obstruir os emissores. - Dificuldades com a utilização de águas turvas ou com algas. - Exige-se que o projecto de instalação seja bem dimensionado pois de contrario será impossível uma correcta homogeneidade na distribuição da água e adubos. - Origina concentrações elevadas de sais nas zonas de separação do solo seco e molhado.

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- Exige-se um bom sistema de filtragem da água e soluções nutritivas a aplicar. - Existe o perigo de proliferação de algumas pragas ou doenças, na zona saturada junto aos emissores. A tubagem e fitas de rega podem ser atacadas por ratos ou grilos. - Nos pomares adultos o uso de rega gota a gota, ao localizar a água e os adubos ao longo de uma estreita faixa, permanentemente humedecida, conduz ao atrofiamento das raízes, diminuindo por consequência a sua resistência e estabilidade, em dias de ventania. - Maiores exigências em relação à qualificação dos utilizadores. 2 - COMPONENTES PRINCIPAIS DUM SISTEMA DE REGA LOCALIZADA. Um sistema de rega localizada consiste num conjunto de equipamentos e acessórios que possibilitam uma distribuição uniforme da água e adubos, a ela incorporados. Estes sistemas funcionam a baixas pressões, entre 0.5 e 2.5 Kg/cm2, aplicando a água ao solo de forma lenta e pontual, formando-se nele um volume de terra húmida com a forma de bolbo, cuja forma depende do débito do gotejador, do tempo de rega e da textura do solo (figuras 2 e 3).

Fig. 2 - Diferentes formas do bolbo húmido, num mesmo solo, e para idênticos tempos

de rega, mas com diferentes débitos do gotejador

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Fig. 3 - Diferentes formas do bolbo húmido em função do tipo de solo Um sistema de rega localizada deve incluir os seguintes elementos: - Fonte de água sob-pressão

- Cabeçal de rega

- Rede de distribuição

- Emissores

- Acessórios de ligação

- Equipamentos de controle e regulação

- Elementos de segurança

- Acessórios diversos

- Equipamento para estimar as necessidades de rega

- Automatismos

2.1 - Fonte de água sob pressão

A água que vai circular na rede de distribuição necessita uma determinada pressão. O valor desta pressão, depois de deduzidas as perdas de carga ou os ganhos, devidos a desníveis do terreno, deve ser igual à pressão exigida para o bom funcionamento dos emissores. Dependendo do tipo de emissor ou do débito pretendido, a pressão pode oscilar, como referimos anteriormente, entre os 0.5 e os 2.5 Kg/cm2. Uma barragem ou um tanque de rega, situados numa zona elevada, são por vezes suficientes para proporcionar a pressão exigida ao sistema de rega.

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Se assim não for temos que instalar uma bomba que forneça a água com as pressões e caudais exigidos para um bom funcionamento do sistema. Neste caso podemos optar por uma electrobomba ou por uma bomba acionada com um motor diesel, caso não disponhamos de energia eléctrica. Em qualquer das situações a escolha deve ser precedida de uma análise cuidada, com vista a obter o máximo rendimento com um mínimo de custos. Em principio, sempre que possivel, é de optar por bombas acionadas eléctricamente. Estas bombas são mais limpas, de fácil manutenção e têm um rendimento bastante elevado. No caso da água a bombear provir de um poço pouco profundo, ou mesmo de um tanque não muito elevado, em geral usam-se bombas de turbina, com impulsor fechado e eixo horizontal (foto 1).

Se a fonte de água é um furo, situação muito comum no Algarve, o mais aconselhável é instalar uma bomba eléctrica submersível (foto 2). Caso não se disponha de energia eléctrica, podemos utilizar uma bomba de eixo vertical (figura 4), a qual pode ser acionada por um motor diesel, ou em caso de emergência, pelo próprio tractor da exploração.

Fig. 4 - Bomba de eixo vertical

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Em qualquer dos casos a bomba a eleger deve ser escolhida de acordo com o caudal e a pressão a que vamos trabalhar. Relativamente à pressão é bom não esquecer que esta é a soma do valor necessário ao funcionamento dos emissores, mais as perdas de carga na rede, mais a diferença geométrica (entre o nível da água e o local de saída). Deve ainda atender-se ao rendimento da bomba, procurando que para os valores (Q - H) escolhidos, o rendimento η seja o mais elevado possivel, já que isso é económicamente representativo, visto que com uma menor potência de motor (W) podemos obter um valor mais elevado de (Q * H), como fácilmente se comprova pela equação seguinte: Q * H W = --------- onde : 270 * η W = Potência, em cavalos vapor (C.V.) Q = Caudal, em metros cúbicos por hora (m3 / h) H = Pressão ou altura manométrica, em metros de coluna de água (m.c.a.) η = Rendimento em % A partir desta fórmula podemos deduzir também os valores de Q, H e η, desde que os restantes sejam conhecidos. Tal facto permite não só o estudo de situações futuras, como ainda verificar se as bombas já instaladas, estão a funcionar de forma correcta. Assim, por exemplo, se o caudal (Q) da bomba fosse de 20 m3/h à pressão (H) de 20 m.c.a. com um motor com 20 C.V. de potência (W), tínhamos um rendimento (η) de apenas 7.4 %, valor considerado demasiado baixo, uma vez que em condições normais se deve aspirar a valores da ordem dos 70 % ou mesmo superiores. As bombas seleccionam-se facilmente quando se dispõe de gráficos com as curvas de funcionamento. Estas curvas relacionam o caudal (Q) e a pressão (H). Para uma escolha mais fundamentada os catálogos devem incluir também as curvas de rendimento (η) para cada ponto (Q * H) escolhido. Igualmente é possivel dispor no mesmo gráfico de uma curva, em geral incluída na sua parte inferior, que nos indica a potência exigida ao eixo da bomba para cada valor (Q * H), (figura 5).

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Fig. 5 - Curvas de funcionamento de uma bomba

2.2 - Cabeçal de rega Neste conjunto incluem-se vários aparelhos e mecanismos que possibilitam a chegada da água aos ramais de rega em condições de ser distribuída pelos emissores. O cabeçal deve pois possibilitar a execução de certas operações como sejam o controle da pressão e do caudal, a filtragem, a incorporação de adubos e o tratamento químico da água, sempre que isso se justifique. Em geral só se utiliza um cabeçal de rega, localizado normalmente à saída do furo ou tanque. No caso da exploração ser dividida em sectores poderá resultar vantajoso a instalação de cabeçais secundários em cada um deles, de modo a melhor controlar algumas operações. No cabeçal poderão ainda instalar-se aparelhos que possibilitem automatizar a totalidade ou parte das operações de rega. 2.2.1 - Filtros

Os filtros são elementos muito importantes num sistema de rega localizada e deles depende, em grande medida, o êxito ou o fracasso de toda a instalação. São eles que retêm as partículas sólidas, misturadas na água de rega, evitando assim o entupimento dos emissores e outros órgãos sensíveis do sistema. Refira-se que os filtros não evitam os entupimentos de ordem química, devidos à aplicação de alguns adubos, ou à má qualidade da água, assunto que será tratado noutro capítulo. As principais características que estes elementos devem reunir são: - Capacidade para filtrar o caudal de água exigido pela instalação

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- Perdas de carga relativamente baixas - Facilidade de limpeza - Intervalos entre limpezas o mais longos possivel - Baixos custos de instalação e manutenção Uma instalação pode necessitar de um ou mais filtros, tudo dependendo da qualidade da água e da maior ou menor sensibilidade dos emissores ao entupimento. Os filtros diferenciam-se entre si, não só pela sua concepção básica, como também pelo tipo de partículas que podem reter, pelos materiais de que são construídos etc., podendo agrupar-se do seguinte modo: a) - Filtros de pré-limpeza A pré-limpeza da água consiste num conjunto de operações e cuidados, com vista a uma primeira separação dos corpos estranhos existentes na água, e realiza-se sempre antes da mesma chegar ao cabeçal de rega. Assim, se a água provem de uma barragem, de um rio, ou de um ribeiro é conveniente instalar um decantador que faça uma primeira separação das areias, calhaus e outros elementos grosseiros. No caso da água se armazenar em tanques é aconselhável fazer a tomada de água um pouco acima do fundo, e de preferência a partir de um depósito rustico cheio de gravilha, ou outro material poroso, com suficiente volume, para deixar correr livremente o caudal exigido pela rede de rega. Este depósito deverá ser protegido com uma rede, com possibilidade de desmontagem para limpeza. Também se recomenda tapar tanques e poços, para evitar a entrada de poeiras e a formação de algas, as quais, são de difícil eliminação e entopem rapidamente os filtros comumente utilizados. b) - Filtros hidrociclone Estes filtros utilizam-se quando há grandes concentrações de areias na água. Basicamente constam de um recipiente concavo em forma de cone invertido (figura 6), com um orifício de entrada e outro de saída da água. No seu interior a água adquire um movimento rotativo, tangencial às paredes, que dá origem a um violento remoinho, o qual obriga as partículas sólidas, mais pesadas, a depositar-se no fundo, onde existe um depósito que se limpa periódicamente. São filtros que, mesmo os de menor capacidade, permitem tratar elevados caudais possibilitando a eliminação de mais de 95% das partículas sólidas arrastadas pela água. Em geral são instalados antes do cabeçal de rega, logo a seguir à bomba. Baseados no mesmo sistema de funcionamento existem também filtros de malha, para instalação no cabeçal de rega, que se caracterizam por ser autolimpantes e actuarem conjugando o efeito de hidrociclone com os de um normal filtro de malha.

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Fig. 6 - Filtro hidrociclone

c) - Filtros de areia São constituídos por um depósito metálico, em geral cilíndrico, em aço inox ou recoberto interiormente por um material anticorrosivo (foto 3). O seu interior é formado por camadas de gravilha e areia, de um ou mais tamanhos, segundo os modelos, actuando a areia como elemento filtrante e a gravilha como suporte. A água a filtrar entra pela parte superior, atravessa as camadas de areia e gravilha, onde ficam retidas as partículas sólidas e sai por uma abertura na parte inferior do depósito. Para limpeza faz-se a água circular em sentido contrário, tendo o cuidado de utilizar água limpa. Por esse motivo é conveniente montar não um mas, no mínimo, dois filtros de areia em paralelo e, à saída de cada um, um filtro de malha. Os filtros de areia são bastante volumosos, pesados, relativamente mais caros que os de malha ou lamelas, além de provocarem elevadas perdas de carga. São no entanto absolutamente necessários no caso de águas com elevados teores em elementos finos, algas ou matérias orgânicas.

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d) - Filtros de malha e lamelas Os filtros de malha são os mais conhecidos e utilizados, na nossa região, aparecendo no mercado os mais variados modelos (foto 4). Têm o inconveniente de ser pouco efectivos quando a água contem matéria orgânica muito fina, microorganismos e partículas de dimensões coloidais. O corpo em material anticorrosivo, leva no seu interior um cartucho, composto por uma ou mais redes de malha, formando cilindros concêntricos de aço inox ou material plástico. Se existirem várias malhas, elas têm diferentes diâmetros, de maneira a que a separação das partícula se processe por fases, circulando a água de modo a atravessar primeiro as mais largas. As redes utilizadas têm geralmente malhas com diâmetros entre 30 e 200 mesh. A unidade de medida "mesh" representa a densidade de malhas por polegada quadrada, sendo portanto as malhas tanto mais finas quanto maior o número de "mesh". Assim um filtro com elevado número de "mesh", retém partículas mais pequenas que outro com poucas mesh, mas em contrapartida suja-se mais rapidamente que este. A escolha de filtros com mais ou menos malhas, depende de vários factores, entre eles e em especial o gotejador, pelo que deverá ser consultada a firma fornecedora sobre a densidade de malhas (nº de mesh) mais aconselhável para cada situação. Na falta de mais informação, refira-se que as malhas devem ter 1/10 do tamanho dos orifícios dos emissores, ou seja se os gotejadores tiverem orifícios de 1mm de diâmetro, o filtro deverá ser formado por malhas com 0.1 mm (155 mesh) (Quadro I). Na rega localizada em geral não se utilizam filtros com mais de 155 mesh. Filtros com 200 ou mais "mesh", sujam-se rapidamente, exigindo por isso limpezas frequentes . Em geral só se usam malhas mais apertadas em casos muito específicos e com águas bastante limpas. Por vezes é vantajoso que além dos filtros do cabeçal, se coloquem filtros de menor capacidade, com malhas mais apertadas, à entrada de cada sector, o que nos dá maiores garantias e evita limpezas tão frequentes dos filtros principais. No nosso mercado aparecem também os chamados filtros de lamelas, em que a rede de malha é substituída por discos de plástico com ranhuras, (foto 5). O seu uso é idêntico ao dos filtros de malha.

QUADRO I

Relação entre o nº de "mesh" e a dimensão das malhas em mm

Nº de “mesh”

Dimensão das malhas (mm)

Nº de “mesh”

Dimensão das malhas (mm)

Nº de “mesh”

Dimensão das malhas (mm)

10 1.50 50 0.3 155 0.10 20 0.80 75 0.2 200 0.08 30 0.50 120 0.13 450 0.022

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2.2.1.1 - Instalação e utilização dos filtros Na maioria dos casos é necessário recorrer a mais que um tipo de filtro, para uma eficaz limpeza da água de rega, sendo frequente a combinação de filtros de areia com filtros de malha e, por vezes, também sistemas de pré filtragem. Os princípios básicos a ter em atenção na escolha dos filtros são os seguintes: - Com águas de profundidade utilizar filtros de malha

- Com águas se superfície fazer uma dupla filtração, usando filtros de areia seguidos

de filtros de malha.

- No caso das águas com argilas e limo muito fino, que não ficam retidas nos filtros de

malha e só em pequenas quantidades nos de areia, será necessário instalar sistemas de

pré-filtragem para decantação das águas.

- Em águas onde seja grande a concentração de areias, antes do cabeçal, instalar um

filtro hidrociclone.

- Realizando a fertirrigação é aconselhável instalar o adubador entre o filtro de areia

e o de malha, ou instalar um pequeno filtro de malha à saída do adubador.

Resumindo, a ordem de instalação dos filtros será: 1º - Sistemas de pré filtragem

2º - Filtros hidrociclone

3º - Filtros de areia

4º - Filtros de malha

5º - Filtros de malha a seguir ao adubador

A utilização de um ou mais filtros deve ser ponderada, caso a caso e de acordo com as necessidades, dado que a instalação de vários tipos de filtros, se desnecessária, só servirá para encarecer a instalação e provocar perdas de carga na rede. Na escolha dos filtros devemos ainda ter em atenção que os caudais indicados para cada filtro são geralmente referidos para águas limpas. O mesmo se passa em relação à perda de carga, entre a entrada e a saída do filtro. Assim sendo, como norma de segurança, deve trabalhar-se não com o caudal máximo, calculado para águas limpas, mas sim com um caudal não superior a 50% desse valor. Deste modo em vez de um filtro único, que no caso de grandes caudais seria bastante volumoso, o ideal será adquirir dois ou mesmo mais filtros, com capacidade para filtrar o dobro do caudal previsto, o que como também já referimos, tem a vantagem de possibilitar a limpeza dos filtros com água limpa.

2.2.1.2 - Manutenção e limpeza dos filtros Filtros sujos afectam a pressão e o caudal disponíveis na rede de rega, podendo em casos extremos levar à rotura das malhas em alguns tipos de filtros, bem como a uma diminuição da qualidade da água.

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A frequência das limpezas depende do grau de sujidade das águas, do volume de água a filtrar, do próprio filtro pois, como já vimos, as malhas muito apertadas sujam-se mais rapidamente, etc.. Na prática, e caso os factores acima referidos sejam constantes ao longo do tempo, podemos ao fim de certo período aferir qual o número de dias ou horas, ao fim dos quais se faz a lavagem dos filtros. Para maior seguridade o ideal será colocar manómetros, à entrada e à saídas dos filtros, fazendo a limpeza sempre que a diferença de pressões, descontadas as perdas de carga relativas ao próprio filtro, seja superior a 300 g/cm2. Na grande maioria dos casos a limpeza faz-se por inversão do sentido da corrente, pelo que nestes casos será útil a instalação de dois ou mais filtros em paralelo, para que a lavagem se faça sempre com água limpa. Nos filtros de malha ou lamelas, ao fim de algum tempo, além destas limpezas de rotina, é conveniente fazer uma limpeza mais profunda lavando manualmente as redes ou discos, se necessário, com o auxilio de uma escova. Refira-se também que estas operações de limpeza se podem automatizar, utilizando para o efeito filtros autolimpantes, já pensados com essa finalidade ou instalando no sistema válvulas eléctricas que podem ser comandadas a partir de programadores de rega mais ou menos sofisticados. 2.2.2 - Adubadores

Vimos já que uma das vantagens da rega localizada reside na possibilidade de efectuar a fertilização em simultâneo com a rega. Com esse objectivo instalam-se no cabeçal, ou em distintos sectores de rega, adubadores que permitem incorporar à água de rega os elementos nutritivos de que as plantas carecem. Estes equipamentos possibilitam ainda a incorporação de fungicidas, nematodicidas, herbicidas, ácidos para limpeza do sistema, etc. bastando para tal que sejam solúveis na água de rega. Daqui resultam numerosos benefícios tais como: - Distribuição uniforme e controlada de elementos nutritivos e outros produtos

incorporados à água

- Reduzida acumulação de sais no terreno, devido às baixas doses de adubo aplicadas

em cada rega

- Rapidez na assimilação dos elementos nutritivos pelas plantas

- Menores encargos em mão de obra devido ao facto destas operações serem

simultâneas à rega

- Possibilidade de dosificar adubos, ácidos, pesticidas etc, em proporção com o volume

de água

Com vista a uma escolha cuidada, do equipamento mais adequado a cada situação, a instalação destes elementos, deve ser precedida de um estudo prévio que tenha em atenção um conjunto de factores, de que destacamos: - Prevenir a ocorrência de corrosão do equipamento de rega

- O método de incorporação dos adubos na água de rega

- O volume de solução fertilizante a incorporar

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- A concentração da solução fertilizante

- A capacidade dos depósitos ou tanques de fertilização

- A precisão necessária das doses a injectar

- A pressão na rede de rega

- A existência ou não de electricidade

Os adubadores podem dividir-se nas seguintes classes:

- Tanques de fertilização

- Adubadores tipo Venturi

- Injectores ou dosificadores

a) - Tanques de fertilização

São constituídos por um depósito hermeticamente fechado, no interior do qual se coloca a solução nutritiva. Este depósito pode ser metálico, plástico ou em fibra de vidro e deve estar preparado para resistir a pressões até 5 a 6 kg/m2, bem como à corrosão, dos produtos (adubos, ácidos etc.) utilizados (foto 6). A instalação do adubador faz-se em paralelo, com a tubagem principal da rede de rega, mediante uma ligação designada por "by- passe". Na maioria dos modelos existem dois tubos na parte superior. Um deles, que desce até ao fundo do despósito, proporciona a entrada da água tangencialmente às paredes, provocando um movimento de rotação que ajuda a dissolver os adubos. O outro tubo, que serve para saída da solução nutritiva, penetra apenas alguns centímetros no interior do depósito. A saída de mais ou menos adubo consegue-se fechando, mais ou menos a torneira do "by-passe", intercalada entre a entrada e a saída do adubador. Alguns fabricantes fazem acompanhar o adubador de um gráfico onde, entrando com a diferença de pressão, entre a entrada e a saída do depósito, dada por manómetros ai instalados, se calcula a quantidade de solução fertilizante incorporada à água de rega. A colocação de um corante ou adubos que vão colorir a solução nutritiva e um tubo de plástico transparente à saída, também ajudam a reconhecer o momento em que todo o adubo foi incorporado à água de rega. Outro processo mais rigoroso consiste em medir a condutividade da água e ir verificando, até que as medições efectuadas depois da saída do adubador voltem ao valor inicial. Estes adubadores são fáceis de utilizar mas são pouco rigorosos, dado que a concentração de adubo na água de rega vai diminuindo ao longo da mesma, não sendo por isso possivel uma aplicação uniforme dos adubos. Funcionando pelo mesmo princípio, diferenças de pressão, existem também adubadores, mais rigorosos e sofisticados, formados por dois depósitos. Um deles é idêntico ao já referido. O outro, que se coloca dentro dele, é constituído por um saco flexível. Neste caso a saída do adubo é provocada pela força da água, que circulando entre os dois depósitos, vai empurrando de cima para baixo, o adubo contido no interior do saco flexível, obrigando então à saída da solução nutritiva. Estes modelos vêm providos de uma "cabeça" com ponteiro regulável, que permite marcar com rigor a quantidade de adubo a incorporar na água de rega (foto 7).

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b) - Adubadores Venturi Nos adubadores que utilizam o principio de Venturi, a água entra num tubo, que sofre um estrangulamento, imediatamente antes do ponto de ligação à tubagem de aspiração da solução fertilizante. Este estrangulamento, dá origem a uma elevação da pressão à entrada e a um abaixamento à saída, que provoca a sucção do liquido contido no depósito. A sucção dos adubos pode ser doseada, variando o diâmetro do estrangulamento, e é tanto maior quanto mais elevado o caudal que passa no venturi. Os modelos mais simples e económicos, não têm depósito incorporado, e consistem numa peça compacta, em forma de cruzeta, que se intercala na tubagem principal, reunindo numa só unidade todos os elementos de regulação e controlo necessários para provocar o efeito de Venturi (foto 8). Os modelos que permitem maior rigor dispõem de um depósito para os adubos, onde se insere depois o Venturi, com dispositivos que possibilitam estabelecer diferentes concentrações de adubo na água de rega (foto 9). Como inconvenientes, apontam-se o facto de provocarem elevadas perdas de carga e exigirem, para um funcionamento correcto, caudais relativamente elevados. Também se aponta a exigência de adubos líquidos, ou sólidos bem dissolvidos e sem impurezas, sob pena de se entupirem com frequência, impedindo a sucção.

c) - Injectores ou dosificadores

Estes adubadores utilizam o sistema de bombas injectoras, mediante as quais se pode regular com precisão o caudal da solução nutritiva a injectar na rede de rega. Ao contrário dos tanques de fertilização e de alguns modelos venturi, os injectores de adubo, não trazem depósito incorporado, podendo adaptar-se a qualquer recipiente, resistente à acção corrosiva dos produtos a utilizar, e cuja capacidade depende do volume da solução a injectar.

Dentro das bombas injectoras temos as que funcionam com pequenos motores eléctricos e permitem injectar a solução fertilizante a débito constante, independentemente do débito na rede principal. Nestes casos as bombas são em geral de membrana, exigindo baixas potências pois, ainda que a pressão de injecção entre 5 e 15kg/cm², tenha que ser sempre superior à da rede, os caudais são baixos e variam entre os 20 a 250 l/h (foto 10). Nestes adubadores, é possivel regular o caudal com a bomba em marcha, actuando sobre um parafuso que roda sobre uma escala graduada. Possibilitam ainda adubar com elevada precisão e são fáceis de automatizar. Têm como principal inconveniente, para lá do custo elevado, a exigência de energia eléctrica para o seu funcionamento. Outros sistemas utilizam a própria pressão da água, para accionar hidraulicamente bombas de pistons, que promovem a injeccção dos adubos (foto 11). De entre os aparelhos que funcionam por acção da água sob pressão, damos preferência aos que injectam a solução em função do caudal. Nestes casos a solução fertilizante é injectada proporcionalmente ao caudal da rede, obtendo-se a cada momento a mesma concentração de adubo independentemente das oscilações que possam ocorrer, no caudal ou na pressão, da rede de rega. Dependendo do modelo estes adubadores, que

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funcionam com caudais desde 2,5 a 20 m3/h, injectam a solução fertilizante a concentrações que oscilam entre os 0.5 a 10% do caudal principal, podendo em alguns casos o mesmo aparelho apresentar várias possibilidades de variar a concentração. Se o caudal for superior aos limites do doseador , podemos fazer uma ligação em “by-pass”, mas perde-se a proporcionalidade directa e diminui a % de solução injectada, em função do caudal na tubagem principal.

O custo destes aparelhos é também algo elevado e provocam perdas de carga, no sistema, bastante acentuadas.

Noutros modelos (figura 7) o caudal de injeccção é proporcional à pressão da água no tubo de alimentação do motor hidráulico, regulando-se o caudal por ajuste da pressão, numa válvula reguladora ai instalada. Se se desejar um caudal de injeccção constante, independente da pressão, teremos que instalar um acessório denominado regulador de caudal. Nestes modelos a perda de carga é menor mas em contrapartida necessitam expulsar para o exterior um pequeno caudal de água, que se perde, encharcando a zona envolvente. Os injectores hidráulicos apresentam a vantagem de poderem funcionar em locais que não disponham de energia eléctrica.

1 - Válvula de controle da pressão 6 - Válvula de saída de ar 2 - União rápida 7 - Válvula maual de controle da injecção 3 - Filtro 8 - Válvula de descarga da água 4 - Paragem automática 9 - Válvula de retenção 5 - Cabeça de sucção

Fig. 7 - Injector de Fertilizantes "Amiad"

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2.2.2.1 - Condução da fertirrigação Para fertirrigação exige-se que os adubos, a injectar na rede de rega, sejam perfeitamente solúveis e que ao mistura-se sejam não só compatíveis entre si mas também com os sais contidos na água de rega. Como norma recomenda-se que não se misturem distintos adubos e produtos químicos sem que antes se haja comprovado a não existência de incompatibilidade e a solubilidade adequada (quadros II e III). A incorporação dos fertilizantes à água de rega faz-se a partir de soluções concentradas, denominadas soluções mãe, que depois se injectam na rede de rega. Os adubos são sais e como tal vão contribuir para o aumento da condutividade da água. Quer isto dizer que eles, nas concentrações em que os aplicamos, podem em certos casos salinizar as águas com efeitos negativos para a cultura, tanto mais quanto mais elevada a condutividade da mesma. O ideal seria que os adubos não aumentassem mais de 1 mmho/cm a CE da água. Por esse motivo recomenda-se fracionar o mais possivel a distribuição dos adubos, procurando que, na água que chega às plantas, a soma da CE da água mais a CE do adubo não exceda os 2-3 mmho/cm (1.28 - 1.92 g/l). O fracionamento dos adubos resulta ainda mais vantajoso no caso dos azotados e, de certo modo, dos potássicos em solos arenosos onde, de outro modo, as perdas seriam elevadas, dado o fraco poder de retenção deste tipo de solos. O pH da água é outro valor onde a influência dos adubos utilizados se faz sentir. Como norma a fim de evitar precipitações, em especial do cálcio (carbonatos, hidróxidos, fosfatos) que podem obstruir os orifícios de saída da água, o ideal será que o valor do pH na água de rega se situe entre os 6 - 6.5 .

QUADRO II

Compatibilidade entre alguns adubos utilizados em fertirrigação ------------------------------------------------------------------ ADUBOS (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10) ------------------------------------------------------------------ Nitrato de Potássio (1) # Nitrato de Cálcio (2) + # Fosfato monoamónio (3) + * # Sulfato de magnésio (4) + * + # Ácido Nítrico (5) + + + + # Ácido Fosfórico (6) + * + + + # Nitrato de magnésio (7) + + + + + + # Nitrato de amónio (8) + + + + + + + # Oligoelementos ** (9) + + + + + + + + # Quelatos de Ferro (10) + + * ? + * + + + # -----------------------------------------------------------------

+ - Podem misturar-se

* - Não se devem misturar, excepto em soluções muito diluídas

? - Não dispomos de dados seguros

** - Excepto ferro (solúveis)

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QUADRO III

Características de alguns adubos utilizados em fertirrigação ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Concentração (%) Solubilidade (g/l) Fertilizante -------------------------------------------------------------- pH CE mmhos/cm N P2 O5 K2 O S MgO Ca a 0º C a 20º C (1g/l) (1g/l) ----------------------------------------------------------------------------------------------------- Nitrato de amónio 33.5 1185 5.6 0.94 Sulfato de amónio 21.0 700 5.5 2.14 Fosfato monoamonio 12.0 60.0 227 384 4.9 0.80 Nitrato de cálcio 15.5 19.0 1020 1220 5.8 1.11 Nitrato de Potássio 13.0 46.0 130 316 7.0 1.26 Uréia 46.0 667 1033 5.8 0.01 Sulfato de potássio 50.0 17.0 74 111 7.1 1.41 Sulfato de magnésio 12.0 16.0 600 700 Nitrato de magnésio 11.8 15.7 279 5.43 0.86 Ácido Nítrico (59%) 13.1 2.65 3.33 Ácido fosfórico (75%) 54.0 2.85 1.84 -----------------------------------------------------------------------------------------------------

Os maiores problemas surgem quando se pretende incorporar o fósforo em água duras, com elevados teores de cálcio. Por esse motivo sempre que possivel, quando se faz a adubação de fundo, aconselha-se incorporar 50 a 80 % das necessidades da cultura em fósforo. Como este elemento tem fraca mobilidade no solo, não há grandes perdas por lexiviação e ao mesmo tempo podemos usar adubos fosfatados tradicionais, incomparavelmente mais económicos que os exigidos na fertirrigação. A parte restante aplica-se geralmente sob a forma de fosfatomonoamonio ou acido fosfórico, ambos de reação acida, tendo sempre o cuidado de nunca os misturar com outros que contenham cálcio e, se for caso disso, acidificando a água (pH 6-6,5) com acido nítrico ou sulfúrico durante o tempo em que ocorre a aplicação do fósforo. Por esse motivo é recomendável, com estes adubos, concentrar a sua aplicação numa parte da rega, ou realizar a adubação fosfatada numa rega semanal, concentrando ai as aplicações da semana, com o que a concentração do adubo na água de rega será maior, o que incrementara a sua acção acidificante.

Também em casos de águas ricas em bicarbonatos de cálcio e magnésio, assim como sulfato de cálcio, podem ocorrer problemas de precipitação, devido aos iões destes elementos serem superiores à solubilidade permitida para o pH e temperatura da água. Refira-se também que a precipitação de sulfato de cálcio (gesso), em águas ricas em cálcio, pode ocorrer quando se aplica o sulfato de amónio, mas estes problemas resolvem-se igualmente por acidificação da água.

As quantidades de ácido a aplicar para acidificar a água de rega, dependem muito da sua acidez inicial, que por sua vez é condicionada pela sua concentração em cálcio e magnésio. Assim é de toda a conveniência realizar medições do pH a fim de estabelecer para cada caso uma tabela de acidificação, como a que apresentamos na figura 8. Para controlar a acidez, da solução e da água de rega, existem hoje medidores de pH, a preços acessíveis e fáceis de operar, pelo que em muitos casos não será necessário recorrer ao laboratório para esta operação.

Refira-se que a aplicação de ácidos exige a tomada de precauções, dado serem produtos corrosívos, que podem causar queimaduras e danificar as peças metálicas da rede de rega.

A obstrução dos emissores pode ainda ocorrer por acção de algas ou bactérias, cuja actividade é estimulada pelos resíduos de adubo que possam ter ficado retidos no interior da tubagem. Assim é recomendável programar a rega de modo a que a adubação

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ocorra, sempre que possivel, na fase intermédia, regando primeiro só com água, até estabilizarem as pressões, depois faz-se a injeccção do adubo, reservando por último 10 a 15 minutos, para de novo regar só com água, a fim de limpar os restos de adubo que possam ter ficado na tubagem ou nos emissores. Este modo de proceder também se recomenda quando é possivel efectuar regas prolongadas e se usam tanques de adubação, onde não é possivel estabelecer com precisão o tempo de fertilização. Nestes casos deve procurar-se que todo o adubo passe à água de rega no período intermédio, reservando-se a parte final para uma limpeza completa de toda a instalação, ainda que isso implique rega mais prolongada, dado que é a única forma práctica de assegurar que todo o adubo foi aplicado à cultura.

Fig. 8 - Tabela de acidificação de uma água de rega proveniente de um furo existente no

CEHFP.

2.2.2.2 - Cálculos de adubação Quando se trabalha com adubadores proporcionais ou com bombas injectoras é possivel calcular antecipadamente, com rigor, imensos dados que nos irão auxiliar a utilizar da melhor maneira estes aparelhos. Para facilidade dos cálculos, podemos socorrer-nos de fórmulas que se podem encontrar em numerosas revistas da especialidade. As questões a resolver são variadas assim como variados são os caminhos que se podem tomar para a sua resolução. Sem querer esgotar o tema, vamos apontar algumas pistas, escolhendo de entre as situações que no dia a dia se deparam, algumas das que consideramos mais importantes e frequentes. Partindo da fórmula : - Ca = Cs * Ads/Vs, podemos calcular qualquer destes valores, se considerarmos que:

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- Ca = concentração de adubo na água de rega (g/l) - Cs = concentração da solução mãe na água de rega (%) - Ads = quantidade de adubo a dissolver na solução mãe (g) - Vs = volume da solução mãe, "água + adubo" (l) Deste modo temos que: . Cs = Ca * Vs / Ads . Ads = Ca * Vs / Cs . Vs = Cs * Ads / Ca Exemplos 1) Supondo que desejamos uma concentração de 2.5 g/l de adubo na água de rega e

temos um adubador que injecta 1 l de solução mãe por cada 100 l (1%) de água de

rega. No caso de querermos dissolver 25 kg de adubo, calcular qual o volume da

solução mãe?

.Vs = ? .Cs = 1 % = 1 / 100 = 0.01 .Ads = 25 Kg = 25.000 g .Ca = 2.5 g/l - Vs = 25.000*0.01/2.5 - Vs = 100 l RESPOSTA - A solução mãe terá um volume de 100 l, ou seja, os 25 Kg de adubo devem ser misturados com água até perfazer 100 l.

2) Calcular a quantidade de adubo a incorporar em cada litro de solução mãe, para

que a água de rega fique com 2 g/l de adubo. Dispomos de uma bomba eléctrica,

regulada para injectar 200 l/hora, de solução mãe na água de rega e o caudal de rega

é de 20.000 l/hora.

.Ads = ?

.Ca = 2 g/l

.Vs = 1 l

.Cs = é um valor que podemos obter a partir do volume de solução mãe injectado na água de rega.

Assim temos que, em cada hora, 200 l de solução mãe são misturados em 20.000 l de água de rega. donde: 200 l ---------------- 20.000 l x ---------------- 100 l x = 1 l Daqui se conclui que cada 100 l de água de rega recebem 1 l de solução mãe, ou seja, o nosso valor Cs = 1 % = 0.01.

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.Ads = 2*1/0.01

.Ads = 200 g RESPOSTA - Cada litro de solução mãe deve conter 200 g de adubo. 3) Dissolvemos 30 Kg de adubo em água, até perfazer 200 l de solução mãe. Supondo

que o caudal de rega é de 20 m3/hora e que a bomba doseadora lhe injecta 150 l/hora

de solução mãe, saber qual a concentração do adubo na água de rega.

.Ca = ? .Ads = 30.000 g .Vs = 200 l .Cs = poderia também ser calculado aplicando a fórmula Cs = q * 100 / Q em que: q = caudal da bomba injectora (l/h) Q = Caudal na rede de rega (l/h) Deste modo teríamos: .Cs = (150/20.000)*100 .Cs = 0.75 % = 0.0075 .Ca = 0.0075*30.000/200 .Ca = 1,125 g/l RESPOSTA - A concentração do adubo na água de rega é de 1.125 g/l Outras questões se poderão colocar referem-se ao calculo do tempo de fertilização. Podemos então aplicar a fórmula Tf = Ads*60/Q*Ca e daqui deduzir os outros valores, de modo que teremos: . Ads = Tf*Q*Ca/60 . Q = Ads*60/(Tf*Ca) . Ca = Ads*60/(Tf*Q) Onde Tf = Ao tempo de fertilização (min) e os outros elementos mantêm os significados já referidos anteriormente.

2.2.3 - Elementos de regulação e controlo Para que o sistema de rega possa funcionar correctamente é necessário que todos os emissores debitem idênticos caudais, sendo correcto admitir diferenças não superiores a 10%. Assim sendo torna-se necessário controlar as pressões e caudais, nos cabeçais principal e secundários, bem como em diferentes sectores da rede de rega considerados estratégicos. Neste trabalho vamos referir alguns dos elementos que permitem regular ou controlar esses valores, destacando apenas aqueles que consideramos indispensáveis. Ainda que possam ser utilizados isoladamente, para facilidade de exposição e porque são também parte integrante do cabeçal, passamos a referi-los desde já.

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Manómetros São pequenos aparelhos que permitem medir a pressão em diferentes pontos da rede de rega (foto 12). No mercado aparecem diversos modelos mas para rega localizada, trabalhando com baixas pressões, é conveniente escolher aparelhos que tenham sensibilidade para a medição de valores da ordem dos 100 g/cm² ou menos. Se utilizamos manómetros com escalas de 0 - 10 Kg/cm² ou mesmo de 0 a 6 Kg/cm², teremos grande dificuldade em determinar com precisão valores de 0.5 a 1 Kg/cm², valores de pressão entre os quais trabalham muitos dos sistemas de rega localizada. Assim será melhor escolher aparelhos com escala de 0 a 4 Kg/cm² ou menos, onde valores de 0.5 Kg/cm² representam já uma ampla parcela da escala, permitindo assim um rigor aceitável. Também se recomenda a utilização de manómetros com glicerina na zona de deslocação do ponteiro, a qual funcionando como amortecedor evita os choques bruscos do mesmo, especialmente em pontos onde quedas ou subidas repentinas da pressão, poderão danificar rapidamente estes aparelhos. O número de aparelhos a instalar numa rede de rega é variável com a sua dimensão e esquematização. Deverão todavia colocar-se manómetros em todos os locais onde seja necessário conhecer com rigor a pressão a cada momento. Também se pode optar por instalar vários pontos de medição onde, dispondo de um único manómetro munido de uma agulha própria para o efeito, se faz a verificação dos valores da pressão. Na maioria dos casos aconselha-se instalar manómetros, ou pontos de medição, nos seguintes pontos: À saída da bomba - de modo a conhecer a pressão no inicio da rede de rega a

cada momento.

Antes e depois dos filtros - de maneira a possamos saber não só as perdas de

carga, provocadas por estes elementos, mas também o seu grau de sujidade.

À entrada e saída dos adubadores - estes manómetros possibilitam saber a

cada momento não só as perdas de carga, provocadas pelos mesmos, mas também se a

pressão é a indicada para o seu correcto funcionamento. Estes dados são

especialmente importantes no caso de adubadores em que a concentração dos

elementos nutritivos adicionados à água de rega se calcula com base na diferença de

pressão, entre a entrada e a saída da água.

Eventualmente poderão colocar-se manómetros noutros locais, tudo dependendo da rede em questão. Válvulas reguladoras da pressão

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São aparelhos que se intercalam no circuito com a finalidade de regular a pressão na rede de rega (foto 13). Estas válvulas, além de evitarem que a pressão exceda os valores desejados, permitem de forma automática, mante-la constante, a partir do ponto em que se encontram instaladas, ainda que a montante possam ocorrer oscilações, dentro de valores acima do valor escolhido. São constituídas por um corpo, metálico ou plástico, em cujo interior actua um pistom que se imobiliza por acção de uma mola. A água atravessa a válvula e, quando a pressão aumenta, vence a resistência da mola obrigando ao deslocamento do pistom o que por sua vez diminui o tamanho do orifício de entrada da água na válvula. Desta forma reduz-se também a pressão de saída da água. Quando a pressão equilibra a força da mola, pára o movimento do pistom. Existem muitas marcas e tipos, vindo uns modelos já regulados de fábrica, e outros em que se pode regular a pressão que se deseja obter depois da válvula. Deve ponderar-se se se justifica ou não a sua instalação dado que acarretam sempre importantes perdas de carga. Reguladores de caudal Os reguladores de caudal são constituídos por uma pequena peça, em metal ou em plástico, onde se insere uma membrana de borracha com um orifício, cujo diâmetro aumenta ou deminui de acordo com a pressão da água, de maneira a manter um caudal constante (foto 14). Estes acessórios, de pequeno diâmetro, em geral instalam-se à entrada de cada linha de rega e vêm regulados para um caudal fixo que não se pode modificar. Estão indicados para terrenos inclinados. Controle dos caudais A eficiência da rede de rega depende em muito dos meios disponíveis para controlar a quantidade de água aplicada em cada rega. Em muitas ocasiões o agricultor não actua com suficiente rigor, pois toma como base para os seus cálculos, o caudal horário que se presume seja bombeado para a rede. Estes dados por sua vez são fruto de um teste de caudal, na maior parte dos casos bastante rudimentar e efectuado uma única vez, aquando da abertura do furo ou instalação da bomba. Outro método expedito, consiste em estimar o caudal com base no débito do emissor. Neste caso sabendo o numero total de emissores instalados na parcela a regar, calcula-se o tempo de rega, para que passe o volume de água desejado. Este método é todavia também pouco rigoroso, e nem sempre possivel de aplicar, dado que os emissores podem ter débitos irregulares, devido à pressão da rede nem sempre corresponder aos

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valores previstos, por haver entupimentos ou mesmo por deficiências de fabrico e, noutras ocasiões, desconhece-se mesmo o seu débito real. Em rega localizada exige-se maior precisão, dado que as regas são em geral curtas e frequentes, implicando na maioria dos casos a aplicação de adubos ou pesticidas, segundo doses bastante precisas onde a falta de rigor pode ocasionar perdas ou danos avultados. Nestas condições, em que se exige elevado rigor no controle da rega, será necessário considerar a instalação de contadores de água, semelhantes aos utilizados nas redes domésticas de abastecimento de água (foto 15). Em muitos casos bastará instalar um contador, no cabeçal de rega, a partir do qual se faz todo o controle da água a aplicar. No caso de na rede existirem vários sectores, será necessário instalar tantos contadores quantos os sectores a regar em simultâneo. No mercado encontram-se vários tipos de aparelhos, a maioria dos quais, apresenta um grau de rigor que pode ir até às décimas do litro, suficiente portanto para o fim em vista. A escolha do modelo irá assim depender fundamentalmente das necessidades de cada um, pelo que se poderá escolher desde os adaptados para funcionar com caudais baixos, da ordem dos 2 m3/h, até aos que possibilitam medições de 50 m3/h ou mais. Para o caso de redes onde o volume de água a aplicar seja controlado por meios automatizados, além dos mecanismos normais o contador terá ainda que dispor de um emissor de impulsos ligado ao programador da rega. 2.3 - Rede de distribuição Em rega localizada praticamente só se aplicam tubos de plástico, principalmente de polietileno e, em menor escala, os de PVC rígido. Estes materiais, que começaram por ter larga aplicação a partir dos anos 50, contribuíram decisivamente para a vulgarização dos sistemas de rega localizada. A sua crescente utilização em substituição, de outros tipos de tubagem, deve-se a uma série de características, de que se salienta:

- A baixa densidade - A boa resistência química - A simplicidade de instalação - A possibilidade de aplicar acessórios de outros materiais - A boa flexibilidade - O bom comportamento ao golpe de aríete - As baixas perdas de carga - Os baixos custos de manutenção, quando enterradas - Os preços do tubo são mais baratos que os metálicos ou de fibrocimento - Têm melhor resistência à corrosão e boa estabilidade.

Do que acima foi dito resulta que estes tubos permitem a incorporação de adubos, ácidos, pesticidas etc., sem perigo de danificar a tubagem.

Além disso, ao conduzirem mal o calor, protegem melhor a água que transportam contra as variações de temperatura, verificando-se que a água gela com mais dificuldade numa tubagem de plástico do que numa metálica. Por outro lado, ao serem mais elásticos e flexíveis, quando a água gela podem dilatar-se mais e absorver o aumento de volume,

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que a água experimenta ao congelar, pelo que em zonas onde este problema se ponha têm a vantagem de se poderem enterrar a menores profundidades que as tubagens clássicas, o que pressupõe alguma economia, resultante de um menor trabalho a realizar. No que se refere à dilatação térmica há que atender ao facto dos plásticos terem um coeficiente de dilatação várias vezes superior ao dos metais, factor a ter em conta na hora de projectar uma instalação.

O PVC rígido, por exemplo, tem um coeficiente da ordem dos 0.6 - 0.8 mm/metro de longitude/10ºC de variação da temperatura. Logo, num tubo com 100 m de PVC , ao passar de 10ºC a 30ºC, há uma dilatação de 12 a 16 cm. Nos tubos de PE o alongamento ainda é maior, deformando-os, o que obriga por vezes a instalar elásticos ou outros artifícios que mantenham as linhas de rega esticadas, de modo a que a água não seja aplicada em zonas fora do alcance das raízes.

Sempre que se interrompe bruscamente o fluxo da água, provoca-se uma sobpressão na tubagem, denominada golpe de aríete, que em casos extremos pode levar à sua rotura. Este fenómeno que depende principalmente da velocidade do fluido em movimento, da sua compressibilidade e da natureza do tubo, é em geral pouco grave em tubos de plástico, especialmente se se trabalha com velocidades da água até 2 m/s.

Ao serem hidraulicamente lisos os tubos de plástico, em igualdade de outras condições, têm uma capacidade de transporte de água claramente superior, mantendo essas faculdades durante muitos anos, ao contrario de outros materiais que, sendo lisos de inicio, passado algum tempo deixam de o ser devido a incrustações que se formam no seu interior.

Convém também referir que o regime de condução da água sobpressão é condicionado pelo diâmetro interior do tubo, pela perda de carga unitária, pela velocidade e pelo caudal da água, resultando que em comparação com as tubagens tradicionais os tubos de plástico apresentam as seguintes vantagens:

- Uma menor perda de carga, para igual diâmetro e caudal - Transportam mais água, para igual diâmetro e perda de carga - Para um dado caudal e perda de carga necessitam-se tubos de menor diâmetro

Os tubos de plástico PE comercializam-se em rolos de 50 a 200 m, dependendo do diâmetro, e os de PVC em varas de 6m, sendo o seu manejo e transporte bastante facilitados pela leveza do material.

Os tubos de PE, mediante a adição de 2 a 3 % de negro de fumo, adiquirem boa resistência à radiação, sendo todavia aconselhável, sempre que possivel, protege-los da luz para lhe aumentar a vida útil. Assim para além da protecção, sempre recomendável, quando se armazenam será em muitos casos conveniente enterrar a tubagem no solo, a profundidades de pelo menos 0.70 m e se possivel, em especial nos terrenos pedregosos, colocando os tubos entre duas camadas de areia. Deste modo protegemos a rede de rega não só dos danos provocados pela luz como ainda de possíveis acidentes provocados por pedras, trabalhos de mobilização do solo, deslocações de máquinas etc., uma vez que a tubagem se encontra devidamente resguardada. Esta operação todavia também tem alguns inconvenientes como seja a dificuldade de reparação, no caso de rupturas, e o facto de ser uma operação sempre dispendiosa. Em geral numa rede o mais comum é

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enterrar a tubagem principal e a totalidade ou parte da secundaria, deixando à superfície as linhas regantes. Os tubos plásticos podem unir-se entre si recorrendo a acessórios do mesmo material ou tradicionais, tais como o ferro ou o latão, os quais serão tratados mais adiante. 2.3.1 - Dimensionamento da tubagem de distribuição. A água de rega é encaminhada para as plantas por intermédio de uma rede de distribuição que deverá ser desenhada e calculada de tal modo que todos os emissores, duma mesma parcela, debitem aproximadamente a mesma quantidade de água, sendo recomendado, pela maioria dos especialistas, que as diferenças de caudal entre emissores não exceda os 10 %, em relação ao seu caudal nominal. De acordo com o volume de água a transportar e a pressão ou carga necessária ao funcionamento da rede assim se utilizam tubos de diferentes diâmetros e resistentes a pressões mais ou menos elevadas. (Quadro IV). Os tubos de maior diâmetro, 2 " ou mais, em geral só se utilizam na tubagem principal e ramais secundários. Estes tubos devem resistir a pressões nunca inferiores a 4 Kg/cm2. As linhas regantes, na maioria dos casos, utilizam tubos com diâmetro compreendido entre a 1/2" e os 3/4", sendo em geral suficiente tubo de 2 Kg/cm2, muito embora se possam utilizar tubos de 4 Kg/cm2, como forma de segurança a aumentos de pressão que possam ocorrer na rede de rega.

QUADRO IV

Dimensões de alguns tubos de polietileno para rega localizada, produzidos em fabricas da Região Algarvia

------------------------------------------------------------ Tubo resistente a pressões de 2 kg/cm² ------------------------------------------------------------ Diâmetro Diâmetro Diâmetro Peso Comprimento Nominal Exterior Interior (Apróx.) dos rolos ( " ) (mm) (mm) (g/m) (m) ------------------------------------------------------------ 1 " 33 28 225 50/100 1 1/4" 42 37 290 50/100 1 1/2" 50 44 415 50/100 2" 62 56 520 50/100 2 1/2" 75 69 635 6 3" 90 83 865 6 4" 110 102 1240 6 ------------------------------------------------------------

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Tubo resistente a pressões de 4 kg/cm² ------------------------------------------------------------ Diâmetro Diâmetro Diâmetro Peso Comprimento Nominal Exterior Interior (Apróx.) dos rolos ( " ) (mm) (mm) (g/m) (m) ------------------------------------------------------------ 16 mm 16 13 60 200/400 1/2" 17 14 70 100/300 5/8" 20 17 90 100/300 3/4" 25 20 165 100/200 1 " 33 27 265 50/100 1 1/4" 42 36 345 50/100 1 1/2" 50 43 480 50/100 2" 62 53 760 50/100 2 1/2" 75 64 1120 50/100 3" 90 78 1440 50/100 4" 110 96 2080 50 ------------------------------------------------------------ Tubo resistente a pressões de 8 kg/cm² ------------------------------------------------------------ Diâmetro Diâmetro Diâmetro Peso Comprimento Nominal Exterior Interior (Apróx.) dos rolos ( " ) (mm) (mm) (g/m) (m) ------------------------------------------------------------ 1/2" 17 13 90 100/300 5/8" 20 15 130 100/200 3/4" 25 19 195 100/200 1 " 33 25 340 50/100 1 1/4" 42 31 590 50/100 1 1/2" 50 38 775 50/100 2" 62 47 1200 50/100 2 1/2" 75 56 1820 50/100 3" 90 72 50/100 4" 110 50 Microtubo 3 1.5 " 3 2.0 " 6.5 4.5 ------------------------------------------------------------

No dimensionamento da tubagem de distribuição duma rede de rega é necessário desenhar e efectuar cálculos hidráulicos, de alguma complexidade, cuja resolução não está ao alcance da maioria dos técnicos não iniciados na matéria. Por esse motivo não vamos tratar esta questão, excepto no que se refere ao dimensionamento das linhas regantes, remetendo este assunto para os especialistas na matéria os quais, hoje em dia, dispõem de programas informáticos que lhe permitem resolver com rapidez e facilidade a maioria dos problemas . 2.3.1.1 - Dimensionamento das linhas regantes Ainda que o dimensionamento da tubagem de uma instalação tenha sido inicialmente efectuado, com o passar do tempo há alterações que é necessário efectuar sempre que se modificam as dimensões das parcelas a regar. Noutras ocasiões a rede não está dimensionada, mas o agricultor tem possibilidade de regular os caudais e as pressões à entrada das parcelas, bastando por isso dimensionar as linhas de rega, para se obter uma correcta distribuição de água. Nestas situações os cálculos a efectuar são mais simples, e por outro lado, nem sempre se justificará, ou será possível, recorrer a especialistas. Por esse motivo vamos referir

33

alguns casos prácticos que poderão auxiliar na resolução de problemas de menor complexidade, onde não seja necessário um rigor tão elevado. A maioria dos especialistas, como atrás referimos, admite que um sistema está bem dimensionado quando a diferença de débito entre gotejadores, numa dada parcela, não excede em mais de 10 % o valor nominal. Em termos prácticos isso pressupõe que a diferença de pressão, entre o inicio e o final duma linha de gotejadores, não deve ser superior a 20 % do valor da pressão à entrada da linha. No caso presente, e dado que pretendemos generalizar o exemplo a diferentes situações, tomamos como limite de diferença de pressão, entre o início e o final das linhas, o valor de 10 %. Deste modo ficamos com alguma margem de segurança, para erros motivados pela simplificação dos cálculos, dado que não entramos em linha de conta com muitos dos factores que provocam perdas de carga. Dado que a maioria dos sistemas de rega localizada trabalham a baixas pressões, com valores da ordem de 1 Kg/cm² ou mesmo menos, vamos fazer os nossos cálculos com base neste valor. 1 - Cálculo do valor correspondente aos 10% de diferença de pressão ( ∆∆∆∆H )

admissível, entre o início e o final das linhas.

- Considerando sistemas trabalhando à pressão ( H ) de 1 Kg/cm² - 1 Kg/cm² = 10 m de coluna de água ( CA ), logo: - Se em 100 m CA podemos ter uma diferença de 10 m ( 10% ) em 10 m CA " " " " " X X = 1 m = ∆H Assim, se no inicio da linha a pressão ( H ) for de 10 m ( 1 Kg/cm² ), podemos ter uma diferença de pressão (∆H) de 1 m, entre o inicio e o final da linha. Neste caso se a pressão ( H´ ) no final da linha for 9 m ( 0.9 Kg/cm² ) as diferenças de débito, entre todos gotejadores da linha, ficam dentro dos valores máximos admissíveis, para um funcionamento uniforme. H´= H - ∆H _______________________________________________ H = 1 Kg/cm ² TUBO H´= 0.9 Kg/cm ² ∆H = 0,1 Kg/cm 2 ______________________________________________ H = Pressão à entrada da linha H´= Pressão no final da linha ∆H = Diferença de pressão admissível

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2 - Cálculo da perda de carga num tubo de comprimento conhecido - No ponto 1 vimos que a diferença de pressão admissível para H = 10 m era igual a ∆H = 1 m. - Necessitamos agora saber qual o comprimento de tubo da linha regante que, vamos supor, era de 30 m. - O passo seguinte é saber qual a perda de carga, em metros por metro de tubo ( m/m ). A perda de carga, ao longo da linha regante, é igual à diferença de pressão admissível entre o início e o final da linha. Assim podemos ter uma diferença de 1 m, ou seja, perder 0.1 Kg/cm² em 30 m, que é o comprimento do tubo, logo: - Se em 30 m de tubo podemos perder 1 m de carga em 1 m " " " " X X = 0.033 m Vemos pois que a perda de carga máxima admissível, por cada metro de tubo, são ∆H = 0.033 m/m. 3 - Cálculo do diâmetro de tubo mais aconselhável, tendo em conta o caudal, de

modo a não ultrapassar a perda de carga máxima admissível. - Consultando a figura 9, no seu lado esquerdo, procuramos o valor 0.033 m/m, correspondentes à nossa perda de carga e traçamos uma linha recta horizontal ( RH ) que corta as linhas correspondentes aos diferentes diâmetros de tubos propostos. - No ponto de encontro da recta ( RH ), com as linhas que representam os diâmetros interiores dos tubos ( 13, 14.5, 16, 17, 20, 22 e 25 mm φ ), traçamos rectas verticais para baixo e encontramos, na linha horizontal inferior, o caudal máximo admissível que pode passar por cada tubo, sem exceder a perda de carga pretendida.

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φ interior do tubo ( mm )

0.10

0.090.08

0.07

0.06

0.05

0.04

0.03

0.02

0.010

0.0090.008

0.007

0.006

0.005

0.004

0.003

0.002

0.001

50 70 100 200 300 400 500 1000 2000 3000 5000

Fonte: Adaptado de " Veschambre et Vaysse " - Memento goutte a goutte.

14.5 2013 17 22 25

Caudal ( Q ) l / h

∆ H (m / m) 16

Fig. 9 - Perdas de carga, em m/m, nos ramais de distribuição - Exemplo: Diâmetro do tubo Caudal Máx. 13 mm 420 l/hora 17 mm 850 l/hora 4 - Cálculo do Nº máximo de gotejadores a instalar no tubo, de acordo com o seu

débito horário.

- Tomando como exemplo gotejadores de 4 l/h, a instalar em tubos de 13 e 17 mm de diâmetro.

36

- Para calcular o número de gotejadores vamos dividir o caudal máximo admissível pelo débito do gotejador. O resultado dá-nos o nº máximo de gotejadores a instalar na linha, sem ultrapassar as perdas de carga superiores a 10 % da pressão à entrada da linha. Logo: 420 l / 4 l/h = 105 gotejadores 850 l / 4 l/h = 212 " Assim no tubo de 13 mm φ podemos instalar 105 gotejadores e no tubo de 17 mm φ 212 gotejadores de 4 l/h. 5 - Cálculo do intervalo entre gotejadores - Para este cálculo dividimos o comprimento do tubo pelo nº máximo de gotejadores a instalar na linha. O resultado obtido indica-nos o intervalo mínimo, a que devem ser instalados os gotejadores, de modo a não ultrapassar perdas de carga superiores a 10 % da pressão à entrada da linha. Logo : 3000 cm / 105 gotejadores = 28.6 cm 3000 cm / 212 " = 14.2 cm Assim temos que no tubo de 13 mm φ os gotejadores podem colocar-se, no mínimo, a 28.6 cm enquanto que no tubo de 17 mm φ o intervalo entre eles poderia ir até um mínimo de 14,2 cm. No caso de optarmos por instalar os gotejadores mais afastados não haveria problema, a nível hidráulico, pois neste caso teríamos menos gotejadores, logo o caudal deminuia, pelo que o funcionamento do sistema não seria prejudicado. EXEMPLO: - Os mesmos gotejadores de 4 l/h colocados a 50 cm, teríamos: 3000 cm / 50 cm = 60 gotejadores 60 gotejadores * 4 l/h = 240 l/h Vemos pelo exposto que o caudal obtido, 240 l/h, é inferior aos 420 l/h e 850 l/h, valores máximos admissíveis, respectivamente, para os tubos de 13 e 17 mm φ. Para outros exemplos o processo seria idêntico, tendo sempre em atenção o seguinte: a) - Não ultrapassar nunca o caudal máximo admissível, tendo em conta o diâmetro e o comprimento do tubo.

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b) - Mantendo o caudal e o diâmetro do tubo, se necessitamos diminuir o intervalo entre gotejadores, temos que utilizar gotejadores de menor débito. c) - Mantendo o caudal e o diâmetro do tubo, se vamos utilizar gotejadores de maior débito, é necessário aumentar a distancia entre eles. d) - Se queremos aumentar o caudal, diminuir a distancia entre gotejadores ou aumentar o seu número, torna-se necessário utilizar tubos de maior diâmetro. Nos quadros V, VI e VII apresentam-se vários exemplos com dados relativos aos temas expostos. Nestes exemplos tomamos como referência um valor da pressão ( H ), à entrada das linhas, de 1 Kg/cm² e o supomos um terreno plano ou com uma inclinação favorável não superior a ± 3 % .

QUADRO V

Caudal máximo admissível ( l/h), de acordo com o diâmetro interior e comprimento do tubo das linhas regantes, sem provocar perdas de carga

superiores a 10 % da pressão à entrada das linhas. ------------------------------------------------------------------ Comprimento Diâmetro interior do tubo (mm) do ------------------------------------------ ∆H tubo 13 14 15 16 17 19 20 m/m ------------------------------------------------------------------ 20 m 520 620 750 920 1080 1500 1700 0.050 -------------------------------------------------------- 30 m 420 480 600 720 850 1150 1300 0.033 -------------------------------------------------------- 35 m 375 450 550 660 780 1050 1200 0.028 -------------------------------------------------------- 40 m 350 440 520 620 730 980 1100 0.025 -------------------------------------------------------- 45 m 330 390 470 580 680 900 1020 0.022 -------------------------------------------------------- 50 m 310 370 450 540 650 850 1000 0.020 -------------------------------------------------------- 55 m 290 350 420 500 600 800 930 0.018 -------------------------------------------------------- 60 m 270 320 400 480 560 780 860 0.016 -----------------------------------------------------------------

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QUADRO VI

Nº máximo de gotejadores a inserir nas linhas regantes, de acordo com o seu diâmetro interior e comprimento, sem provocar perdas de carga

superiores a 10 % da pressão à entrada das linhas. ----------------------------------------------------------------- Comprimento Débito Diâmetro do tubo (mm) do do ---------------------------------------------- tubo gotejador 13 14 15 16 17 19 20 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 260 310 375 460 540 750 850 ------------------------------------------------------- 4 l/h 130 155 187 230 270 375 424 ------------------------------------------------------- 20 m 5 l/h 104 124 150 184 216 300 340 ------------------------------------------------------- 6 l/h 86 103 125 153 180 250 283 ------------------------------------------------------- 8 l/h 65 77 93 115 135 187 212 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 205 240 300 360 425 575 650 ------------------------------------------------------- 4 l/h 102 120 150 180 212 287 325 ------------------------------------------------------- 30 m 5 l/h 82 96 120 144 170 230 260 ------------------------------------------------------- 6 l/h 68 80 100 120 141 191 216 ------------------------------------------------------- 8 l/h 51 60 75 90 106 143 162 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 175 220 260 310 365 490 550 ------------------------------------------------------- 4 l/h 87 110 130 157 182 248 275 ------------------------------------------------------- 40 m 5 l/h 70 88 104 124 146 196 220 ------------------------------------------------------- 6 l/h 58 73 86 103 121 163 183 ------------------------------------------------------- 8 l/h 43 55 65 77 91 122 137 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 155 185 225 270 325 425 500 ------------------------------------------------------- 4 l/h 77 92 112 135 162 212 250 ------------------------------------------------------- 50 m 5 l/h 62 74 90 108 130 170 200 ------------------------------------------------------- 6 l/h 51 61 75 90 108 141 166 ------------------------------------------------------- 8 l/h 38 46 56 67 81 106 125 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 135 160 200 240 280 375 430 ------------------------------------------------------- 4 l/h 67 80 100 120 140 187 215 ------------------------------------------------------- 60 m 5 l/h 54 64 80 96 112 150 172 ------------------------------------------------------- 6 l/h 45 53 66 80 93 125 143 ------------------------------------------------------- 8 l/h 33 40 50 60 70 93 107 -----------------------------------------------------------------

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QUADRO VII

Distância mínima (cm) entre gotejadores, de acordo com o diâmetro interior e comprimento do tubo, sem provocar perdas de carga superiores

a 10 % da pressão à entrada das linhas. ----------------------------------------------------------------- Comprimento Débito Diâmetro do tubo (mm) do do ---------------------------------------------- tubo gotejador 13 14 15 16 17 19 20 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 7.7 6.5 5.4 4.4 3.7 2.7 2.4 ------------------------------------------------------- 4 l/h 15.4 12.9 10.7 8.7 7.4 5.4 4.7 ------------------------------------------------------- 20 m 5 l/h 19.3 16.2 13.4 10.7 9.3 6.7 5.9 ------------------------------------------------------- 6 l/h 23.3 19.5 16.0 13.1 11.2 8.0 7.1 ------------------------------------------------------- 8 l/h 30.8 25.9 21.5 17.4 14.8 10.7 9.5 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 14.7 12.5 10.0 8.4 7.1 5.3 4.6 ------------------------------------------------------- 4 l/h 29.5 25.0 20.0 16.7 14.2 10.5 9.3 ------------------------------------------------------- 30 m 5 l/h 36.6 31.3 25.0 20.9 17.7 13.1 11.6 ------------------------------------------------------- 6 l/h 44.2 37.5 30.0 25.0 21.3 15.7 13.9 ------------------------------------------------------- 8 l/h 58.9 50.0 40.0 33.4 28.3 21.0 18.6 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 22.9 18.2 15.4 12.9 11.0 8.2 7.3 ------------------------------------------------------- 4 l/h 46.0 36.4 30.8 25.5 22.0 16.2 14.6 ------------------------------------------------------- 40 m 5 l/h 57.2 45.5 38.5 32.3 27.4 20.4 18.2 ------------------------------------------------------- 6 l/h 69.0 54.8 46.5 38.9 33.1 24.6 21.9 ------------------------------------------------------- 8 l/h 93.0 72.7 61.6 52.0 44.0 32.8 29.2 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 32.3 27.1 22.3 18.6 15.4 11.8 10.0 ------------------------------------------------------- 4 l/h 65.0 54.4 44.7 37.1 30.9 23.6 20.0 ------------------------------------------------------- 50 m 5 l/h 80.7 67.6 55.6 46.3 38.5 29.5 25.0 ------------------------------------------------------- 6 l/h 98.0 82.0 66.7 55.6 46.3 35.5 30.2 ------------------------------------------------------- 8 l/h 131.1 108.7 89.3 74.7 61.8 47.2 40.0 ----------------------------------------------------------------- 2 l/h 44.5 37.5 30.0 25.0 21.5 16.0 14.0 ------------------------------------------------------- 4 l/h 89.5 75.0 60.0 50.0 42.9 32.1 28.0 ------------------------------------------------------- 60 m 5 l/h 111.1 94.8 75.0 62.5 53.6 40.0 34.9 ------------------------------------------------------- 6 l/h 133.3 113.2 90.9 75.0 64.5 48.0 42.0 ------------------------------------------------------- 8 l/h 182.0 150.0 120.0 100.0 85.8 64.2 56.1 -----------------------------------------------------------------

40

2.3.2 - Comprovação da uniformidade da parcela a regar Em geral a pouca uniformidade das instalações deve-se a vários factores em simultâneo e, se muitas vezes, o problema tem origem em erros de desenho, dado que o agricultor nem sempre recorre a técnicos qualificados, não é menos verdade que tal situação também pode ocorrer, ou agravar-se, devido à fraca manutenção da instalação. Em qualquer dos casos é importante comprovar a uniformidade dos diferentes sectores de rega uma vez que isso influi na eficiência da rega. O ideal seria que a eficiência fosse de 100 % de maneira a possibilitar que todas as plantas recebessem iguais quantidades de água, o que na práctica não acontece. Estudos realizados por Vermeiren propõem calcular a "Eficiência de Aplicação" (E), da água rega, em função do "Coeficiente de Uniformidade" (CU) de aplicação da água de rega e da "Eficiência de Armazenamento" (Ks) da água no solo, aplicando a fórmula seguinte: E = CU * Ks Para aplicação desta fórmula indicam-se no quadro VIII os valores de Ks, propostos por Vermeiren, en função do tipo de solo.

QUADRO VIII

Coeficientes de armazenamento da água no solo (Ks) --------------------------------------------------------------- Tipo de solo (Ks) ------------------------------------------- Areia grossa 0.87 Arenoso 0.91 Limoso 0.95 Argilo-limoso ou argiloso 1.00 ------------------------------------------- --------------------------------------------------------------- Os valores do Coeficiente de Uniformidade, das parcelas ou sectores de rega, num sistema de rega localizada podem ser determinados no campo, tendo por base a expressão proposta por Keller: CU = 100 * q25 / qn Sendo: q25 - A média dos caudais de 25% dos caudais medidos mais baixos Qn - A média dos caudais de todos os emissores testados

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Antes de iniciar as operações, com vista ao cálculo do CU, é conveniente assegurar-mo-nos que o sistema funciona sem problemas, para o que se devem verificar os filtros e comprovar se o caudal médio no sector é aproximadamente igual ao caudal teoricamente calculado. Depois temos que escolher os pontos de medição dos caudais, para o que podemos seguir o recomendado por Vermeiren, e que consiste no seguinte: 1) - Escolher um sector de rega que seja representativo 2) - Eleger quatro linhas de rega, sendo a primeira situada no início da

tubagem secundaria a as segunda, terceira e quarta situadas, respectivamente, a 1/3, 2/3 e no final da mesma tubagem secundária (figura 10).

3) - Em cada uma das linhas escolhidas, escolhem-se quatro locais, sendo o

primeiro no início e os restantes, respectivamente, a 1/3, 2/3 e no final, num total de 16 pontos.

4) - Nos pontos escolhidos elegemos dois emissores contíguos e, em cada um

deles, mede-se o respectivo caudal.

inicio 1/3 2/3 ultima das linhas das linhas das linhas linha

1º emissor

1/3 dos emissoressector de regarepresentativo

2/3 dos emissores

ultimo emissor

Fig. 10 - Escolha das linhas de rega a utilizar para medição dos caudais Em função do valor obtido podemos depois avaliar o Coeficiente de Uniformidade de acordo com a seguinte classificação: ----------------------------------------- 90% a 100% Excelente 89% a 80% Bom 79% a 70% Aceitável < 70% Inaceitável -----------------------------------------

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Exemplo: - Supondo que, numa instalação de rega, temos um sector onde medimos os caudais em 16 pontos, de acordo com o indicado anteriormente, tendo obtido os valores indicados no quadro IX.

QUADRO IX

Valores médios dos caudais medidos no sector a testar --------------------------------------------------------------------------------------------- 1º Emissor 1/3 Emissor 2/3 Emissor Ultimo Emissor --------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª linha 4.8 4.5 4.4 4.9 --------------------------------------------------------------------------------------------- Linha a 1/3 2.9 4.3 4.9 4.7 --------------------------------------------------------------------------------------------- Linha a 2/3 4.0 4.0 4.4 3.8 --------------------------------------------------------------------------------------------- Ultima Linha 3.1 3.0 3.9 3.7 --------------------------------------------------------------------------------------------- podendo então determinar: a) - O Coeficiente de Uniformidade (CU) Com base nos valores do quadro IX determina-se o valor do caudal médio (média dos 16 pontos), Qn = 4.08, e o valor do caudal médio de 25% dos caudais medidos mais baixos, q 25 = 3.17. Depois, determinamos o CU, aplicando a fórmula, Cu = q 25 / Qn * 100. CU = 3.17 * 100 / 4.08 CU = 77,6 % O resultado obtido mostra que, neste sector, o CU é aceitável uma vez que se situa entre os valores 70% e 79% . b) - A eficiência de aplicação de água à cultura (E), num solo arenoso e num argiloso. Conhecido o Coeficiente de Uniformidade (CU = 77.6), do quadro VIII tiramos os valores dos Coeficientes de armazenamento da água em solo arenoso (ks = 0.91) e em solo argiloso (Ks = 1.00), calculando depois a Eficiência de aplicação da água em ambos os solos, E = CU * Ks . - Em solo arenoso E = 77.6 * 0.91 E = 70.6 % - Em solo argiloso E = 77.6 * 1.00 E = 77.6 %

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Para uma avaliação mais cuidada da Uniformidade da parcela, poderiamos também determinar o coeficiente de uniformidade de pressões, aplicando fórmulas e procedimentos idênticos aos já referidos. Todavia, atendendo ao trabalho em questão, optamos por não incluir estes cálculos uma vez que nos parecem apresentar menor interesse práctico. 2.4 - Emissores Os emissores são os elementos que possibilitam a distribuição da água às culturas, sendo por isso mesmo, dos componentes mais importantes da instalação. Para que possamos tirar o máximo partido dos emissores, sejam eles miniaspersores, gotejadores ou fitas de rega, é necessário que reúnam, entre outras, as seguintes características: - Trabalhem a baixas pressões, debitando caudais reduzidos, mas constantes e pouco sensíveis às variações de pressão - Não se entupam com facilidade - Sejam compactos, de modo a não dificultar os trabalhos - Que sejam baratos, mas com elevada uniformidade de fabrico, de modo a permitir uma distribuição homogênea da água e adubos pelas parcelas a regar Os caudais, nos gotejadores e fitas, podem variar dos 0.5 l/h aos 10 l/h, mas os débitos mais utilizados situam-se entre os 2 a 4 l/h. Nos minisapersores, os débitos são em geral mais elevados, oscilando, dum modo geral, entre os 35 l/h e os 120 l/h. Alguns gotejadores trabalham a pressões inferiores a 1 Kg/cm² e, no caso das fitas de rega há modelos que dificilmente suportam valores superiores a 0.6 - 0.7 Kg/cm². Todavia sempre que possivel é aconselhável trabalhar com valores da ordem de 1 Kg/cm², em particular nos terrenos acidentados, onde os altos e baixos do solo e as perdas de carga ao longo das linhas de rega, são suficientes para que se perca a uniformidade de distribuição da água. Nestas condições, para manter a uniformidade, o uso de muito baixas pressões, obrigaria a encurtar os ramais de rega, ou então, a aumentar o diâmetro do tubos o que originaria sempre um encarecimento da instalação. No caso dos miniaspersores as pressões de funcionamento são sempre superiores a 1 Kg/cm², sendo os valores em redor dos 2 a 2.5 Kg/cm², os mais correntemente utilizados. A sensibilidade às variações de pressão está relacionada com o regime de funcionamento hidráulico do gotejador, sendo os que trabalham em regime laminar mais sensíveis que os que trabalham em regime turbulento e estes últimos mais que os autorreguláveis. Num emissor a pressão e o caudal estão relacionados pela expressão Q = K * H

x onde:

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Q = Caudal do emissor (l/h) K = Constante H = Pressão (mca) x = Expoente característico do gotejador Sendo "x" um factor que permite caracterizar cada emissor, e definir o seu regime de escoamento, podemos estabelecer a seguinte classificação: - Quase laminar (x = 0.7 a 0.75). Estão nestas condições os gotejadores de circuito longo e condução rectilinea, caso dos microtubos, em que as perdas de carga se obtêm por fricção sobre as paredes. - De transição (x = 0.65). São exemplo desta situação os gotejadores de circuito longo e condução em ziguezague em que a perda de carga se obtém por fricção sobre as paredes e por turbulência na conduta em ziguezague. - Turbulento (x = 0.45 a 0.50). Alguns modelos de fitas de rega e miniaspersõres enquadram-se neste grupo. - Ciclónico (x = 0.4). Caso de certos gotejadores que trabalham em regime ciclónico. - (x = 0). No caso dos gotejadores autoreguláveis em que o caudal é constante, ou varia pouco, dentro de determinados valores de pressão. Ainda que nalguns casos, os folhetos com informação técnica relativa aos emissores e revistas da especialidade o possam referir, na maioria das vezes esta informação é omitida, o que impede o técnico de rapidamente classificar o emissor, de modo a decidir se ele se adequa à situação pretendida. Nestas situações, em que não dispomos do valor de x, podemos determina-lo, medindo os caudais Q1 e Q2, obtidos mediante a aplicação ao emissor das pressões H1 e H2, com o que se obtém: Log (Q1/Q2) x = ----------------- Log (H1/H2) Para conseguir pequenos caudais são necessários orifícios de saída também pequenos, portanto a fabricação deve ser muito precisa, dado que pequenas diferenças no diâmetro dos orifícios podem dar lugar a importantes variações de caudal. Os diâmetros variam de 0.3 a 1 mm, podendo em alguns modelos ir até aos 5.5 mm. Quanto maiores são os diâmetros menores os riscos de obstrução, porém o caudal é em geral também mais elevado. Por norma os miniaspersõres têm orifícios de saída maiores e, nalguns casos, podem desmontar-se para limpeza. Querer ao mesmo tempo orifícios de saída pequenos e emissores que não se obstruam com facilidade, são duas características de difícil resolução e que se contrapõem. Por

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esse motivo existem no mercado uma variedade imensa de modelos, que são o reflexo da maneira mais ou menos engenhosa de controlar estes problemas. Relativamente ao preço dos gotejadores, a experiência tem demonstrado que os sistemas mais baratos, em geral são menos rigorosos e entopem-se com facilidade, pelo que os gastos de manutenção das instalações se elevam consideravelmente. Assim é nossa convicção que não se deve valorar em demasia esta característica, ainda que tenha sempre de ter-se presente a rentabilidade da cultura a regar, antes de se decidir por um ou outro sistema. 2.4.1 - Classificação dos emissores A existência de um número elevado de modelos, com características por vezes muito distintas, deu origem a diferentes maneiras de classificar os emissores podendo, consoante os autores, tomar-se como referência os aspectos hidráulicos ( de que já falámos), os riscos de obstrução, o modo de fixação etc. Assim "Veschambre e Pierre Vaysse" técnicos do CTIFL de França no livro "memento

goutte a goutte" distinguem apenas três tipos de emissores: * Gotejadores, de débito inferior a 10 l/h, constituindo peças independentes das linhas de rega sobre as quais estão inseridos (fotos 16 a 18). * Fitas, com orifícios que debitam valores da mesma ordem dos gotejadores, mas que são elas mesmas parte integrante das linhas de rega, não podendo delas ser separadas (foto 19). * Difusores (Miniaspersores), de débito superir a 10 l/h, que realizam uma micro-asperssão localizada (foto 20). Dentro dos miniaspersores J. Beltrão, num trabalho sobre rega localizada considera ainda que estes emissores podem ser dinâmicos (miniaspersores propriamente ditos) ou estáticos (microaspersores) Já " José A. M. San Juan" no livro "Riego por Goteo", recorre a uma classificação bastante mais completa, onde se considera: * O regime de funcionamento hidráulico - De regime laminar (percurso longo e pequeno caudal) - De regime parcialmente turbulentos (percurso longo e grande caudal, gotejadores de orifício) - Totalmente turbulentos (labirínticos, de saídas múltiplas) * A forma como tem lugar a perda de carga - Percurso longo - Percurso curto

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- Fitas perfuradas * A forma de fixação - Em linha (corta-se o tubo e coloca-se o gotejador) - Em derivação (o emissor é cravado ao tubo) * O modo de distribuição da água - Simples (uma saída) - Múltiplo - Fitas de paredes porosas * O risco de obstrução - Grande: φ< 0.7 mm - Mediano: 0.7 < φ < 1.5 mm - Débil: φ > 1.5 mm * A forma de limpeza - Desmontáveis - Não desmontáveis - Autolimpantes * A sua regulação da pressão - Normais - Autorreguláveis Neste caso, por se tratar de um trabalho especifico sobre rega gota a gota, não vêm referidos os miniaspersores. 2.4.2 - Factores que afectam o funcionamento dos emissores Os emissores são fabricados para debitarem um dado caudal, em geral variável, com a pressão de trabalho a que estão sujeitos. Todavia, em condições de trabalho, esse valor sofre sempre uma serie de oscilações que podem ter origem no próprio emissor ou em condições externas. a) Defeitos de fabrico Na práctica é impossível o fabrico de objectos exactamente iguais, admitindo-se por isso determinadas margens de erro, dentro das quais os defeitos se consideram aceitáveis. Assim a concepção, consoante se trate de modelos mais ou menos difíceis de executar, é um factor que pode influir no produto final .

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No caso dos emissores onde, como já referimos, os orifícios de saída da água são deminutos, pequenas diferenças no diâmetro ou ligeiras imperfeições, ainda que reduzidas em valor absoluto podem representar um valor percentual bastante elevado. Estes problemas podem assumir maior gravidade no caso dos gotejadores ou miniaspersores autocompensantes, onde o fluxo de água é regulado, por intermédio de uma pequena anilha, ou membrana, em material elástico. Pelo exposto se pode ver como é importante haver, posteriormente ao processo de fabrico, um controle de qualidade que possa atestar se a maioria dos gotejadores estão dentro das margens de tolerância aceitáveis, garantindo assim que o material utilizado corresponde ao que efectivamente necessitamos. Estes dados, em certos casos, são referidos pelo fabricante e com frequência aparecem também em revistas técnicas da especialidade. b) Temperatura Também a temperatura afecta o funcionamento do emissor: - Nuns casos o gotejador pode trabalhar em regime laminar, o qual como é sabido, depende da viscosidade do líquido. Como a viscosidade da água varia com a temperatura, o caudal também se vê afectado. - Por outro lado o material usado para fabricar os gotejadores, fitas ou miniaspersores, pode ser afectado pelas mudanças de temperatura que originam alterações no diâmetro dos orifícios de saída da água, produzindo como consequência alterações ao nível dos caudais. Esta incidência é maior nos emissores autocompensantes. c) Obstrução dos emissores Os entupimentos, ao impedirem a saída da água, são a principal causa da inútilização de muitos sistemas de rega localizada. Por vezes a obstrução é parcial e resulta duma redução do diâmetro no orifício do emissor mas, não raras vezes, o entupimento é total. Em qualquer dos casos tais anormalias, caso se prolonguem, conduzem à diminuição da produção ou mesmo à perda da cultura, a curto ou médio prazo. Estas obstruções produzem-se pelas seguintes causas: - Partículas sólidas que a água leva em suspensão, algumas das quais, por serem mais finas que a malha dos filtros, atravessam todo o sistema de filtragem. Geralmente è matéria orgânica, células de microorganismos ou óxidos de ferro. - Bactérias produzidas no interior dos tubos, ou então nos depósitos de armazenamento da água. - Depósitos químicos devidos à própria constituição da água ou a precipitados dos adubos que se introduzem na rede de rega.

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- Areias e algas, no caso de má escolha dos elementos filtrantes. - Crostas que se formam no interior de algumas tubagens. Tem-se verificado que os entupimentos diminuem consideravelmente se os orifícios de saída da água forem colocados na parte superior do tubo. Deve-se isto ao facto de muitas partículas, com dimensão suficiente para bloquear as saídas tenderem a depositar-se no fundo, podendo depois sair pela extremidade final das linhas de rega, mediante purgas periódicas. Infelizmente, na práctica, esta operação nem sempre é fácil de executar. Quando as águas contêm certos elementos, como o cálcio e o magnésio, por si sós, ou devido a reacções com os adubos aplicados, podem-se formar precipitados que vão entupir os gotejadores, as fitas e, até os miniaspersores, em que os orifícios de saída da água têm maior diâmetro. Mesmo as fitas porosas, que não têm orifícios, são afectadas por estes elementos, em especial se não estão enterradas ou debaixo de um plástico de "paillage", em virtude da água ao evapora-se deixar os precipitados, que a pouco e pouco vão diminuindo a sua porosidade. Também as águas muito sujas com algas, areias, argilas etc., podem ocasionar entupimentos e danos nos emissores. Nas fitas porosas temos observado que algumas argilas mais finas, que passam pelos filtros, se depositam no interior, formando uma película impermeável que impede a saída da água. Por vezes proliferam ainda microorganismos, (bactérias, fungos) que entopem os emissores. Os problemas de entupimento físico dos emissores, de origem mineral ou orgânica, solucionam-se instalando filtros adequados, de acordo com o já referido quando tratamos este tema. Os entupimentos devidos aos microorganismos podem tratar-se aplicando cerca de 200 cc de hipoclorito de sódio a 10% por cada m3 de água. No caso das obstruções de origem química com base no cálcio, o ideal será actuar preventivamente, acidificando a água, de maneira a que o pH da água, tal como anteriormente já foi referido, não seja superior a 6-6.5 . A rega com frequência ou a utilização de "paillage" na cobertura do solo, mantêm durante mais tempo os gotejadores húmidos o que dificulta também, dentro de certa medida, a formação dos depósitos de calcário. Se a obstrução já ocorreu, antes de iniciar nova cultura, pode empregar-se o ácido nítrico na proporção de 3 a 4 l por cada m3 de água, deixando actuar durante cerca de 30 minutos, com água a correr a baixa pressão, destapando depois as pontas dos tubos com a água correr à pressão normal, para que arraste o resto das impurezas. Se os emissores forem desmontáveis podemos ainda retira-los dos tubos e deixa-los submergidos numa solução fortemente acidificada, idêntica à anteriormente referida, durante o tempo suficiente para desfazer os depósitos que têm agarrados. Se as obstruções são devidas à existência de ferro utiliza-se o ácido sulfúrico nas doses de 0.5% a 1% ou o permanganato de potássio a 0.6 mg/l, por cada mg/l de ferro.

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No caso das algas, recomenda-se evitar a exposição da água à luz solar tapando os reservatórios ou, caso isso não seja viável, adicionando à água sulfato de cobre na proporção de 0.5 a 1 g/m3. Refira-se no entanto que estes produtos, todos eles, se deverão aplicar o menos possível, pois não só implicam custos como vão em geral diminuir a qualidade da água para as plantas. Se mesmo assim os emissores, depois de testados, dão debitarem caudais dentro de valores aceitáveis, teremos que substituir os emissores defeituosos, caso seja viável, ou a totalidade dos emissores na hipótese dessa operação não ser possivel, o que é frequente, quando se útilizam fitas de rega. 2.4.3 - Escolha do emissor Ao escolher estes elementos devemos ter em atenção os diversos factores que nos permitem selecionar a melhor opção para cada situação. No caso concreto da nossa região os dois factores que, em nossa opinião, desde logo vão condicionar a escolha do tipo de emissor a utilizar, prendem-se com o facto da cultura se realizar ao ar livre ou em estufa. Assim, nas culturas hortícolas em estufa onde, em especial no inverno, o excesso de humidade atmosférica pode ter nefastas consequências ao nível do controle de algumas doenças, em que à cabeça sobressaem as botritis, salvo casos pontuais, será aconselhável o uso de sistemas com fitas de rega ou gotejadores. Além disso, e dado que a fase mais difícil ocorre à plantação, quando as jovens plantas ainda não dispõem de um bom sistema radicular, o uso destes sistemas permite estabelecer uma franja húmida ao longo da linha de cultura que facilita o seu desenvolvimento inicial. Relativamente às fitas de rega é de registar o facto da sua manutenção não ser fácil dado que, com o uso, se entopem com frequência tornando difícil a obtenção de caudais uniformes ao longo das linhas de rega. Todavia, alguns modelos apresentam-se no mercado bastante mais baratos que os gotejadores o que permite, em muitos casos, utilizar as fitas uma única campanha, não se pondo então estes inconvenientes. Chama-se ainda a atenção para as fitas vulgarmente designadas por "Manguinha" (foto 21), ainda hoje utilizadas por alguns agricultores, mas que não devem ser confundidas com as fitas antes referidas. Esta forma de regar não permite uniformidade e dificulta a rega, impossibilitando que se façam regas curtas e frequentes, devido ao seu débito demasiado elevado. Já no caso das estufas de floricultura, onde temos culturas em vasos, será mais aconselhável o uso de gotejadores com saídas múltiplas, tipo esparguete, que se podem mover e deslocar para a posição mais conveniente. Também se poderão utilizar microtubos, mas têm o inconveniente de se entupir com facilidade e do caudal ser muito sensível às variações de pressão, sendo por isso de evitar em terrenos inclinados ou quando as plantas a regar se encontrem a diferentes níveis. Estes emissores também se recomendam em culturas tais como a bananeira ou outras, que ficam vários anos no terreno, durante os quais, vão alterando de posição relativamente ao local de plantação.

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Nas culturas ao ar livre a rega localizada aplica-se tanto em hortícolas como em fruticolas, podendo então utilizar-se os sistemas de rega gota a gota ou os miniaspersores. À partida não podemos dizer que a escolha de uma ou outra opcção seja mais vantajosa em relação à outra, desde que ambas sejam bem utilizadas, podendo em situações semelhantes obter-se bons resultados com gotejadores ou com miniaspersores. A escolha muitas vezes depende de factores alheios ao sistema, nomeadamente os económicos ou a qualidade da água. Assim se a filtragem for menos perfeita é preferivel utilizar miniaspersores, uma vez que são menos sensíveis à obstrução física interna e, por outro lado, a maioria dos modelos são fáceis de limpar. Têm todavia problemas no caso de haver caracóis ou insectos, que se instalam ou depositam os ovos junto à saída da água ou sobre a cabeça do miniaspersor impedindo deste modo a saída da água ou impossibilitando a sua distribuição de modo uniforme. Também em situações onde seja necessário molhar a maioria ou a totalidade da área a regar, caso de culturas hortícolas muito densas ou em solos muito arenosos, onde a água saída do gotejador tem dificuldade em se deslocar lateralmente, penetrando mais em profundidade, o uso dos miniaspersores pode ser recomendável. Nestas condições podem resultar mais económicos visto que, para obter idênticas percentagens de solo húmido, teríamos que aplicar um maior número de gotejadores o que iria encarecer o sistema. Já em situações de solos muito inclinados sujeitos a forte escorrência, zonas muito ventosas, quando as águas são de má qualidade, quando seja prioritário poupar água e evitar o aparecimento de infestantes, ou, em situações em que seja de evitar molhar a folhagem, será recomendável o uso de gotejadores ou fitas de rega. No caso das fruteiras, citrinos ou outras, é também práctica corrente, e recomendável, que de início se regue com gotejadores, colocando um ou dois junto ao tronco da planta, e mais tarde se instalem miniaspersores.

2.4.3.1 - Escolha do débito do emissor e tempos de rega diária

A decisão sobre o débito do gotejador a utilizar, não pode ser dissociado da cultura a regar, mas depende principalmente da textura do solo a regar. Assim vemos que a partir de um certo débito, maior ou menor consoante o tipo de solo (figura 11), a que chamamos débito limite, começa a formar-se junto ao emissor uma zona saturada de água. Caso se exceda o débito limite, para um dado solo, pode acontecer que se forme uma poça de água junto ao gotejador . Se a isso se juntar um tempo de rega excessivo, em especial nos solos mais leves, podem também ocorrer perdas de água de certa gravidade, por drenagem, para camadas mais fundas fora do alcance das raízes. Todavia, regar com débitos superiores ao valor limite, pode também ser aproveitado, de forma positiva, para aumentar a mancha húmida à superfície de um solo arenoso. O positivo desta situação resulta do facto de tal acção possibilitar, com menos gotejadores, a obtenção de faixas húmidas ao longo das linhas de rega. Nestas condições as regas devem ser sempre curtas mas frequentes, por forma a evitar as perdas por drenagem.

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---------------------------------------------------------------------------------------------------- TEXTURA Grosseira Média Fina Granumelotria 200-300 u 100-200 u. < 100 u Condu. hidráulica Elevada Média Fraca Potencial hídrico Fraco Médio Elevado Débito limite (ql) 2-3 l/h 1-2 l/h 1 l/h ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Débito inferior a ql -------------------- Débito ligeiramente superior a ql -------------------- Débito muito superior a ql -------------------- Fig. 11 - Previsão da zona húmida a partir de uma aplicação pontual de água, segundo a

textura do solo e o débito do gotejador, para uma mesma duração da rega. O movimento da água no solo depende ainda de outros factores como a frequência da rega, a estrutura do solo etc,. Assim, se possivel, o ideal será efectuar um pequeno ensaio de campo, colocando sobre o solo a regar, durante algumas horas, uma ou duas linhas de emissores, por forma a determinar o movimento da água e selecionar os emissores mais adequados. Em termos práticos aconselha-se o seguinte: - Horticultura - Gotejadores de 1 a 4 l/h - Fruticultura - Gotejadores de 4 a 8 l/h

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Recomenda-se ainda que para os solos pesados (argilosos) e culturas densas se escolham os débitos mais baixos reservando-se os débitos mais elevados para os solos leves (arenosos) e culturas espaçadas. No caso dos miniaspersores os débitos podem variar, segundo os modelos, de 10 l/h a mais de 150 l/h e o raio de alcance do jacto entre 0.5 e 5.0 m. Todavia, por razões agronómicas e de dimensionamento das redes de rega, recomenda-se regar com débitos não superiores a 40 l/h procurando que, se possivel, o jacto não molhe o tronco das árvores. Relacionando o débito dos emissores com a água a aplicar à cultura podemos estimar depois o número de horas a regar diariamente. Na prática recomenda-se tomar como referência o mês de maior consumo de água, projectando a rede com uma margem se segurança que permita em caso de necessidade, aplicar mais 30 % de água. Assim, ao nível do cabeçal de rega, para regas diárias, o sistema não deverá funcionar mais de 18 h/dia, o que deixa livres 6 horas para utilizar em situações de emergência. A prática tem também demostrado que o tempo de rega de cada sector deve ser projectado de maneira a situar-se entre os seguintes valores: - Horticultura - Com gotejadores - 1 a 2 horas/dia Com miniaspersores - 0.5 a 1 hora/dia - Fruticultura - Com gotejadores - 3 a 8 horas/dia Com miniaspersores - 0.5 a 1.5 horas/dia Esta números, que são orientativos, terão depois que ser confrontados com outros factores tais como o declive do solo, a textura e estrutura, o tempo disponível etc., pelo que poderão variar para valores por vezes um pouco diferentes dos indicados. 2.4.4 - Instalação das linhas de rega Na instalação das linhas de rega vamos atender à cultura e ao tipo de emissor. Gotejadores

Em termos práticos, para a instalação dos gotejadores, podemos tomar como base duas soluções: - Na primeira vamos estabelecer ao longo da linha de cultura, uma faixa uniformemente humedecida. Deste modo é possivel plantar diferentes culturas, a diferentes compassos, utilizando o mesmo sistema de rega, com a certeza de que a água vai chegar às plantas mesmo no período pós plantação. Este sistema é vulgarmente utilizado em hortícolas sob abrigo e, com menos frequência, ao ar livre. Em fruticultura tem o inconveniente de, em zonas muito ventosas, poder produzir a queda de árvores, em especial se são de porte elevado. Este problema deve-se ao facto da rega gota a gota provocar um certo atrofiamento do sistema radicular, com desenvolvimento superficial ao longo da linha, o que diminui a base de fixação da

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planta ao solo. Este sistema de colocação tem todavia a vantagem de facilitar a execução dos trabalhos agrícolas. - Na segunda solução procura-se criar um conjunto de pontos húmidos em redor da planta, de forma a que esta desenvolva o sistema radicular em redor da copa, conseguindo-se assim uma melhor fixação ao solo. È pois um sistema que se adapta bem a árvores de fruto, em especial em situações em que sejam de temer os acidentes anteriormente referidos. Do exposto se conclui que a escolha de uma ou outra solução, dependerá de cada situação especifica, devendo a opcção por uma ou por outra ter em atenção cada situação em particular. Na práctica podem utilizar-se várias combinações podendo, a titulo de exemplo, citar-se: - Uma linha continua junto à linha de cultura. Adapta-se a hortícolas, vinhas, fruteiras etc, e tem possibilidade de variar os intervalos entre emissores em função do tipo de solo ou da idade das arvores a regar. No caso das fruteiras, após a plantação, podemos começar por colocar um ou dois gotejadores junto ao tronco, para terminar mais tarde com gotejadores ao longo de toda a linha de rega. - Duas linhas continuas junto à linha de cultura. Em geral só terá justificação em fruteiras instaladas em solos mais arenosos, podendo na practica, considera-se uma continuação extrema da situação anterior, em que uma única linha não seja suficiente para humedecer a totalidade da área que queremos regar. - Uma linha continua junto à linha de plantas, utilizando gotejadores de saídas múltiplas ou microtubos. Pode ter interesse em fruteiras, bananeiras, floricultura em vasos etc. Permite deslocar os pontos de rega, bem como aumentar o seu número, em função do desenvolvimento da cultura. - Uma linha continua colocada entre duas linhas de cultura. O seu uso só tem algum interesse em horticultura, pois permite alguma economia ao nível do sistema de rega. Todavia as linhas duplas, em especial no inverno, dificultam o arejamento da cultura, não sendo por isso de aconselhar. Em fruticultura dificilmente terão aplicação. Outras soluções se poderiam referir ( linhas em zig-zag, linhas com gotejadores tipo cauda de porco etc ) mas, ou são de difícil execução, ou têm tendência a dificultar os trabalhos, razão pela qual as situações já apontadas são na maioria dos casos as preferidas por técnicos e agricultores. Na figura 12 apresentam-se alguns exemplos de instalação das linhas de rega com gotejadores. Finalmente queríamos ainda chamar a atenção para a distancia a respeitar, entre os emissores e a planta. A titulo orientativo, e tendo em atenção principalmente as hortícolas, podemos referir que o emissor poderá ficar a cerca de 5 cm das plantas em solos arenosos, 30 cm nos solos francos e 50 cm nos solos argilosos. Em qualquer dos casos a planta deve estar dentro do circulo de húmidade que se vê à superfície. No caso das fruteiras o problema é diferente, pois devemos atender a que as raízes que absorvem

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a água são as mesmas que fixam a planta à terra, razão pela qual os gotejadores devem ficar o mais afastado possivel do tronco. Assim no caso de plantas jovens o gotejador deve ficar colocado nunca a menos de 30 a 50 cm do tronco. À medida que a planta cresce, os gotejadores que se tenham que acrescentar, serão colocados ainda mais afastados de modo a que o sistema radicular possa acompanhar o desenvolvimento da copa, evitando sempre a concentração de gotejadores junto ao troco.

Fig. 12 - Exemplos de instalação de linhas de rega com gotejadores

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Miniaspersores

Com miniaspersores, cada emissor vai regar uma área mais ampla, que fica ao dispor das raízes, facilitando a absorção e a fixação ao solo. Tal como no caso dos gotejadores também aqui podemos optar por diferentes soluções, destacando-se entre outras as seguintes: - Um miniaspersor de 360º junto a cada árvore, de modo a formar um circulo completo. Para aplicação em fruticultura tem o inconveniente de molhar o tronco, facto que pode ter desvantagens no caso de plantas sensíveis è humidade nesse local. Todavia o facto de utilizar um único emissor por planta torna o sistema mais económico. - Um microaspersor de 280 a 300º junto a cada árvore, formando um circulo incompleto. Em teoria com estes emissores evita-se regar o tronco. Na práctica isso nem sempre acontece, devido umas vezes ao vento outras à deficiente colocação do emissor, pelo que a vantagem que se poderia esperar é muito relativa. - Dois microaspersores de 180º, um de cada lado da árvore, formando dois semi círculos. Se houver cuidado na colocação dos emissores evita-se molhar o tronco da árvore com todas as vantagens dai decorrentes. O principal inconveniente reside no encarecimento da instalação motivada pelo uso de dois emissores. - Um miniaspersor de 360º, entre cada duas arvores, formando um circulo ao meio da linha. Neste caso não se molha o tronco mas de início, quando as árvores são jovens, a água dificilmente chegará às raízes da planta. Para obviar a este inconveniente alguns modelos vêm equipados com um redutor de raio, permitindo sem molhar o tronco, colocar nos primeiros anos o miniaspersor junto ao tronco. Noutras ocasiões podemos também, de início, colocar um ou dois gotejadores junto ao tronco. Mais tarde colocaremos então o miniaspersor no local definitivo, entre cada duas árvores seguidas. - Linhas de miniaspersores, cobrindo faixas ou a totalidade do solo. Será o caso da rega de hortícolas de ar livre, onde os miniaspersores devem ser instalados de modo a conseguir uma sobreposição dos círculos húmidos que assegure a rega de toda a área ocupada pela cultura. 2.4.5 - Densidade dos gotejadores O maior ou menor número de emissores / ha vai depender de uma série de factores de onde se destaca a própria cultura, as exigências dos dispositivos de rega, a textura e estrutura do solo e os factores económicos entre outros. Segundo "Keller e Karmeli", especialistas deste tipo de questões, não é preciso molhar a totalidade do solo sendo suficiente humedecer apenas cerca de 33 % do volume de solo ocupado pelas raízes, no caso de culturas muito espaçadas entre si, como é o caso das fruteiras, e cifras um pouco maiores no caso de culturas mais densas, como as hortícolas. "Goldberg" fixou este valor em 50 % e os técnicos da "Reed Irrigation Systems" aconselham valores da ordem dos 40 % do volume disponível.

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O que parece comprovado é um aumento de produção quando se rega mais de 50 % do solo ocupado pelas raízes pelo que, por segurança, iremos recomendar que se procure respeitar este valor na maioria dos casos. Fruticultura No caso de pomares adultos regados gota a gota, em que os sistemas radiculares se entrecruzam, poder-se-à com base no quadro X e para a profundidade de 30 cm, calcular a percentagem ( P ) de área de solo humedecida, aplicando a fórmula, proposta por "J. Beltrão", num trabalho intitulado a Rega em Citricultura, apresentado na Feira N. de citricultura - Silves / 85. 100 * n * π * d ² P = --------------------- 4 * a * b em que: n - número de gotejadores por árvore a - distancia entre linhas de árvores b - distancia entre duas árvores seguidas na linha d - diâmetro transversal do bolbo humedecido pelo gotejador a 0.30 m de profundidade

QUADRO X Diâmetro médio do bolbo humedecido (d) pelo gotejador às pofundidades

Z, de 0 e 30 cm. --------------------------------------------------------------------- Débito Textura/Profundidade do ---------------------------------------------------------- gotejador Lo Mo MEPo Po MPo L30 M30 MEP30 P30 MP30 --------------------------------------------------------------------- 1 l/h 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.3 0.6 0.8 1.1 1.3 2 l/h 0.3 0.4 0.5 0.6 0.8 0.5 0.8 1.0 1.2 1.6 4 l/h 0.4 0.6 0.7 0.8 1.0 0.7 1.0 1.3 1.4 2.0 6 l/h 0.5 0.7 0.9 1.0 1.3 0.9 1.2 1.6 1.7 2.2 8 l/h 0.6 0.8 1.1 1.2 1.5 1.2 1.6 1.8 2.0 2.5 12 l/h 0.8 1.0 1.3 1.5 2.0 1.5 2.0 2.3 2.5 3.0 ---------------------------------------------------------------------

Textura - L (ligeira), M (mediana), MEP (medianamente pesada), P (pesada) e MP (muito pesada) Profundidade - Z = 0 m (o) ; Z = -0.3 m (30) O número de gotejadores por arvore, teoricamente, pode também ser calculado a partir da mesma fórmula: P * 4 * a * b n = ---------------------- 100 * π * d ²

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Na práctica, muitas vezes, há tendência a colocar menos gotejadores do que os teoricamente necessários. Isto explica-se pelo facto de assim se diminuir o custo das instalações. Contudo, ao instalar poucos gotejadores, podemos estar igualmente a reduzir em demasia o sistema radicular. O número de gotejadores por árvore é sempre mais elevado nos solos arenosos do que nos solos argilosos e também maior nos pomares adultos do que nos jovens. Em muitas instalações da nossa região é vulgar aplicar 2 gotejadores por árvore em pomóideas e prunóideas, 2 a 4 nos citrinos e 1 gotejador por cepa nas vinhas, podendo depois o número de gotejadores aumentar à medida que a árvore se desenvolve. Como se poderá verificar, pela aplicação da fórmula anterior, este número é em geral inferior ao requerido, variando com as características do solo, idade e compasso de plantação, factores que nem sempre são levados em consideração na altura das decisões. Quando as árvores são jovens, e não ocupam a totalidade da área disponível, podemos igualmente usar o mesmo método para estimar o nº de gotejadores, tomando como referência a % de solo efectivamente ocupado pelas raízes e diminuindo o nº de gotejadores na mesma proporção. Horticultura

Em horticultura, em especial quando as plantas são jovens e ainda não desenvolveram o sistema radicular, a fórmula de cálculo proposta anteriormente têm pouco ou reduzido interesse. Na verdade, em especial nas culturas em linha, quando o gotejador não fica junto ao pé da planta, pode acontecer que muito embora o nº de gotejadores teoricamente calculado humedeça o volume teórico de 40 - 50 % de solo a 30 cm, não humedeça a zona superficial junto ao colo. Como nessa altura as raízes se encontram concentradas somente nesse local, a planta não poderá receber a água necessária ao seu desenvolvimento, definhará, podendo mesmo morrer em curto espaço de tempo. Nestas condições importa menos saber se a percentagem de solo húmido, é ou não superior ao recomendado. O importante, como anteriormente já referimos, é estabelecer ao longo da linha de cultura, uma faixa uniformemente humedecida. Deste modo é possivel plantar diferentes culturas, a diferentes compassos, utilizando o mesmo sistema de rega, com a certeza de que a água vai chegar às plantas mesmo no período pós plantação. Para isso é importante que à superfície as manchas húmidas provocadas pelos gotejadores se entrecruzem. Se possivel aconselha-se efectuar um ensaio prévio no local, e procurar que a separação entre os emissores da linha possibilite a sobreposição da mancha húmida à superfície. De acordo com a figura 13, o ideal é que d> l > d/2 sendo: * d - diâmetro da mancha húmida * l - intervalo entre emissores

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Fig. 13 - Esquema de colocação dos gotejadores de modo a obter d > l > d/2 Em função do tipo de solo e do débito do gotejador, a consulta do quadro IX, no seu lado esquerdo, permite igualmente e de modo imediato, estabelecer o intervalo entre emissores, teoricamente mais aconselhável. Em termos práticos aconselha-se que os orifícios de saída da água fiquem intervalados de 20 a 40 cm nos solos leves e 40 a 70 cm nos mais pesados. 2.4.6 - Modos de fixação dos emissores aos tubos Actualmente, na maioria dos sistemas gota a gota, tanto os emissores em linha como em derivação, ou já vêm incorporados ao tubo, caso dos gotejadores, ou fazem mesmo parte dele como acontece com as fitas de rega. Nestas condições os fabricantes têm em atenção os espaçamentos mais usuais, segundo o tipo de solo e débito do emissor, sendo vulgar encontrar tubos com emissores instalados a distancias múltiplas de 30; 45; ou 50 cm, sendo então possivel obter espaçamentos de: - 30; 60; 90; 120 cm - 45; 90 cm - 50; 100; 150 cm etc. optando então o agricultor pela solução mais adequada às suas exigências. Igual procedimento se seguirá no caso das fitas de rega. Todavia podem também em alguns casos ser instalados em casa, aproveitando alguns tempos mortos, como sejam os dias de chuva que possam ocorrer na exploração. Nestas condições apenas terá interesse a instalação de gotejadores em derivação, visto a montagem manual de gotejadores em linha ser pouco práctica, podendo acontecer, caso a instalação seja defeituosa, que o gotejador esguiche pelo local de união entre o

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gotejador e o tubo. Este problema pode igualmente suceder, se não tomarmos cuidado, ao manejar as linhas de rega, especialmente de verão quando os tubos ficam moles, e o ajuste entre o tubo e o gotejador é menos forte. Para a montagem de gotejadores em derivação, primeiro estende-se o tubo que deve ficar bem esticado, fixando-o a uma superfície rígida onde préviamente se marcaram os intervalos entre os gotejadores. Depois, com um furador ou vazador próprio, abrem-se os orifícios de diâmetro ligeiramente mais pequeno que o do gotejador, fixando-se estes a seguir. Esta operação, embora fácil, exige dois cuidados que se não observados, podem comprometer todo o trabalho. Em primeiro lugar os furos devem ser abertos de modo a que todos os gotejadores sejam instalados do mesmo lado do tubo, por forma a permitir que os orifícios de saída da água fiquem virados para cima. Em segundo lugar é necessário que não carreguemos o furador com muita força, para evitar abrir dois furos, um de cada lado do tubo, o que inutilizaria a tubagem. No caso de outras disposições, gotejadores múltiplos e microtubos, a operação de instalação deve realiza-se no campo de modo a colocar o emissor no local ou zona préviamente escolhida. Na disposição tipo "rabo de porco", a mais lenta de realizar, parte da operação, colocação do gotejador no troço de tubo, pode ser feita em casa, deixando para o campo apenas a operação de ligar o troço de tubo à linha de rega. 2.5 - Acessórios de ligação Para unir entre si os diferentes elementos que constituem a rede de rega podem utilizar-se peças de distintos materiais (ferro galvanizado, latão, PVC, polietileno). Deste modo é possivel fazer derivações, ligar à tubagem elementos tais como filtros e adubadores, unir entre si tubos de iguais ou diferentes diâmetros, saltar desníveis etc. No mercado aparecem inúmeros acessórios de ligação, podendo a título de exemplo destacar-se os seguintes: - uniões, curvas, tês, cruzetas, casquilhos, bucais, porcas de redução, tomadas em carga, tampões (foto 22). De início começou por se utilizar acessórios em ferro galvanizado e latão os quais se unem, entre si e os diferentes elementos do sistema, por intermédio de peças roscadas, macho ou fêmea. Noutras ocasiões, em especial nas peças de latão, podem também aparecer acessórios com uma parte roscada e outra com estrias, que possibilitam a penetração em tubos de polietileno, recorrendo ao calor, sendo depois fixadas a estes por meio de abraçadeiras. Estes materiais, não obstante possibilitarem uma boa união entre os elementos do sistema, têm o inconveniente de poderem ser corroidos pelos adubos, ácidos e outros produtos, que por vezes é necessário incorporar à água de rega. Por esse motivo muitas instalações utilizam acessórios de plástico, caso do PVC, que não têm este problema, e podem ser roscados, colados, ou mistos. No primeiro caso os acessórios unem-se, entre si e os elementos do sistema, por meio de roscas. Para os acessórios lisos podem utilizar-se colas especiais para PVC e, nos acessórios mistos, as

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peças são coladas de um lado e roscadas no outro. Este processo não permite todavia a posterior separação das peças, o que em certas ocasiões pode ser um inconveniente. Podem ainda utilizar-se acessórios de ligação em polietileno. Todavia com este plástico não é possivel o uso de colas, dado que ele não a aceita. Por outro lado é em geral demasiado brando e macio para permitir a existência de roscas, razão pela qual, salvo casos pontuais, não é vulgar nem seguro utilizar acessórios roscados em polietileno. Neste material o mais vulgar é que os acessórios venham com estrias, de ambos os lados, sendo depois unidos aos tubos de polietileno por meio de calor e abraçadeiras. Um dos inconvenientes destes acessórios de polietileno prende-se com o facto de se quebrarem com relativa facilidade, não oferecendo por isso garantias de durabilidade e a sua posterior substituição é difícil especialmente se os tubos estão enterrados. Mais modernamente têm também aparecido acessórios, quer em PVC quer em polietileno, em que se aproveita a própria pressão da água para, com o auxilio de anilhas de borracha, conseguir a estanquicidade entre os acessórios e os tubos. Nestes casos deve evitar-se a exposição do tubos ao sol e procurar que fiquem bem apoiados, de maneira a evitar dilatações, quer pelo calor quer pela pressão da água, que possam ocasionar a fuga desta. 2.6 - Elementos de segurança Como o próprio nome indica são elementos que se intercalam no sistema com a finalidade de proteger a rede de acidentes tais como roturas na tubagem, ou recuos da água que vão contaminar a fonte de captação,

2.6.1 - Purgadores e ventosas Em pontos elevados da instalação e outros locais tais como filtros, curvas, adubadores etc., onde se pode acumular o ar, é conveniente a instalação de elementos que permitam a sua saída e, no caso das ventosas, também a entrada de ar durante o enchimento e vazamento das tubagens e depósitos (foto 23). A sua instalação é importante, pois a existência de ar pode afectar e fazer variar as pressões e caudais e, em casos extremos, provocar a ruptura da tubagem. O seu corpo pode ser metálico ou de plástico e no seu interior encontra-se uma bóia. Se circula água, esta empurra a bóia para cima fechando a saída. Quando se acumula o ar, a pressão baixa e a bóia cai, deixando escapar o ar. 2.6.2 - Válvulas de segurança Destinam-se a proteger a instalação de possíveis roturas, deixando sair a água, quando a pressão é excessiva. O seu corpo é geralmente de aço ou bronze, e tem uma saída tapada com um tampão calibrado para abrir quando a pressão ultrapassa o valor préviamente escolhido (foto 24).

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2.6.3 - Válvulas de retenção Podem intercalar-se na tubagem principal ou no cabeçal, com a função cortar a coluna de água e evitar o seu recuo. Deste modo reduz-se o golpe de aríete, produzido quando se abre ou fecha o circuito, e evita-se que os adubos ou outros produtos incorporados à rega, vão contaminar a fonte de captação da água. O corpo destes mecanismos, em bronze, latão ou outro material resistente, leva no seu interior uma peça móvel que se abre quando a água se desloca no sentido da saída (foto 25). Quando cessa o movimento da água, esta peça fecha o circuito e impede o seu recuo. 2.7 - Torneiras e electroválvulas São as componentes do sistema que permitem abrir ou fechar o circuito da água de modo a reparti-la, consoante as necessidades, pelos diferentes sectores a regar.

2.7.1 - Torneiras No mercado aparecem diferentes modelos, mais ou menos sofisticados consoante as necessidades. No caso da rega localizada os modelos vulgarmente designados por torneira de cunha são dos mais utilizados. Constam essencialmente de um corpo onde uma peça móvel perfeitamente ajustada, sobe ou desce por acção de um parafuso, abrindo ou fechando o circuito da água. Estas torneiras são em geral de latão e quando novas vedam perfeitamente. Todavia à medida que vão sendo utilizadas começam a aparecer pequenas folgas que deixam escapar parte da água. Outro problema que por vezes acontece prende-se com as pequenas partículas sólidas, principalmente areias, que se podem acumular nas zonas de encaixe, impossibilitando uma boa estanquicidade. O uso destas torneiras é de desaconselhar em sectores onde se preveja a utilização frequente de ácidos ou soluções fortemente acidificadas, devido ao efeito corrosivo que têm sobre o metal de que são feitas. As torneiras de esfera são outro tipo também com larga utilização. Neste caso o corpo móvel tem a forma de uma esfera lisa que se move horizontalmente dentro de um corpo fixo que contém vedantes em material sintéctico para melhorar a estanquicidade. Geralmente o corpo é metálico e a esfera em aço inox mas também é possivel encontrar torneiras de boa qualidade totalmente construídas a partir de misturas de materiais plásticos de grande dureza. As areias e outros pequenos corpos sólidos, contidos na água de rega, que possam ter passado pelos filtros, podem riscar a esfera e o vedante, o que diminui a estanquicidade do conjunto. Em águas com muito calcário, quando as torneiras ficam inactivas por longos períodos, este pode acumular-se nas zonas por onde circula a água e impedir ou dificultar a abertura ou fecho das torneiras. Nestas condições será conveniente desmontar as torneiras e limpar o calcário acumulado utilizando uma solução ácida preparada com 1/4 de litro de ácido clorídrico dissolvido num litro de água. Para evitar estragos é

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conveniente estar atento e retirar as peças logo que estejam limpas, lavando-as de seguida com água limpa.

2.7.2 - Electrovalvulas As electrovalvulas são válvulas eléctricas, utilizadas para automatizar o sistema de rega, em que a abertura e fecho é comandada por um solenóide de baixo consumo, o que permite em certos casos que sejam alimentadas por uma pilha. Nestas válvulas existe uma membrana, de borracha ou material sintético, que cerra o circuito e sobre a qual actua uma mola. A abertura ou fecho é conseguido por acção de um electroiman que permite vencer a força da mola (foto 26). 2.8 - Equipamentos e procedimentos para estimar as necessidades de rega Vamos considerar neste capítulo os tensiómetros e a tina de classe A, visto serem os equipamentos que, no centro de Experimentação Horto Frutícola do Patacão, tomamos como referência para estimar e aferir as dotações de água a aplicar às culturas.

2.8.1 - Tensiómetros São aparelhos que dão informações acerca do grau de secura ou de humidade num solo regado, baseadas na leitura do valor da tensão da água no solo. Dado que medem directamente a energia que as raízes devem empregar para utilizar a água retida pelo solo, podem constituir excelentes auxiliares do agricultor, fornecendo indicações de razoável precisão quanto ao momento e quantidades de água a fornecer às plantas. Em muitos casos substituem com vantagem os métodos tradicionais que determinam a humidade no solo com base em análises gravimétricas, uma vez que se eliminam os trabalhos de recolha das amostras, as determinações em laboratório etc. Os tensiómetros funcionam satisfatoriamente dentro dum intervalo de valores compreendido entre 0 e 80 cb, valores estes que são adequados para a vegetação em boas condições da maioria das culturas regadas, sendo por isso óptimos auxiliares na rega em horticultura, floricultura e fruticultura. Um tensiómetro é constituído por um tubo, com possibilidade de ser hermeticamente fechado, que na parte inferior tem uma cápsula de porcelana porosa e na parte superior um manómetro graduado de 0 a - 100 centibares (cb), que mede a tensão da água no solo (foto 27). O funcionamento do aparelho é baseado na depressão criada no interior do tubo, cheio de água e fechado, pela água ao ser sugada pelo solo. Assim partindo de um solo húmido, a terra à medida que vai perdendo humidade , por osmose através da cápsula de porcelana porosa, absorve água do interior do tubo, criando uma depressão. Esta depressão é acusada pelo ponteiro do manómetro, o qual sobe, tanto mais quanto maior a secura do solo. Ao regar o solo fica húmido e a água nele contida é sugada para o interior do tubo, circulando agora em sentido contrario, devido à depressão ai existente.

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O ponteiro do manómetro começa então a descer, podendo mesmo chegar ao zero se o nível de água aplicada for tal que sature o solo. Depois da rega, o solo, à medida que seca, perde de novo água, cria-se nova depressão no interior do tubo, repetindo-se o ciclo ao regar de novo. 2.8.1.1 - Preparação dos tensiómetros Antes de instalar um tensiómetro é importante fazer uma preparação cuidada de modo a evitar erros e leituras menos correctas. Assim é importante começar por garantir a saturação da cápsula de porcelana porosa, bem como a eliminação de bolhas de ar que possam existir na água, o que nem sempre é fácil, aconselhando-se por isso o uso de água destilada ou fervida para o enchimento dos tubos dos aparelhos. Em termos prácticos a preparação de um tensiómetro consiste no seguinte: 1) - Colocar o tensiómetro vazio, num balde com água destilada, de maneira a que a extremidade com a cápsula porosa fique mergulhada uns 15 a 20 cm. Para que a água possa penetrar através da cápsula e introduzir-se no interior do tubo, este deve ficar destapado, sendo conveniente que a operação demore no mínimo umas 12 horas. 2) - Retirar o tensiómetro, enche-lo com água destilada, e suspende-lo verticalmente fora de água, sempre sem rolha, durante cerca de duas horas, tendo o cuidado de evitar que a água se esgote totalmente. 3) - Despejar o aparelho e repetir a operação indicada em 1. 4) Repetir a operação 2, durante 30 minutos. 5) - Com a cápsula porosa mergulhada em água, atestar o aparelho, e com uma bomba de vácuo (que se pode adquirir junto ao aparelho) aspirar as bolhas de ar que possam existir. 6) - Retirar o aparelho, tapá-lo, secar a cápsula com um papel absorvente e colocá-lo em situação de forte evaporação (perto de uma fonte de calor). Nestas condições deve então registar-se uma forte subida da tensão, que pode chegar aos 60 a 80 cb. Caso isso não se verifique, repetir a operação 3. 7) - Colocar o aparelho verticalmente num balde com água, a uma altura ligeiramente superior à da cápsula. Após alguns minutos registar o valor obtido, o qual deve corresponder ao de um meio em estado de saturação. Em caso de não utilização imediata, ou após um período de utilização, os tensiómetros devem ficar guardados num recipiente cheio com água destilada. Para evitar a perda de porosidade a cápsula de porcelana não deve ser manuseada com os dedos nem contactar com objectos gordurosos.

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2.8.1.2 - Instalação dos tensiómetros Com água e um pouco de terra fina, sem pedras ou elementos grosseiros, prepara-se uma espécie de "papa" não muito espessa. Com o auxilio de um tubo de ferro, com diâmetro sensivelmente igual ao do tensiómetro, onde préviamente se marcou a profundidade desejada, abre-se um orifício no solo. Depois, rodando ligeiramente para ambos os lados, retira-se o tubo com cuidado de maneira a evitar a queda de torrões ou elementos grosseiros para o interior do orifício. Em seguida molha-se a cápsula porosa na "papa" de lama e enche-se o fundo do buraco com a lama restante até 4 a 5 cm de altura e, com cuidado, rodando ligeiramente, vai-se introduzindo o tensiómetro até a capsula de porcelana tocar no fundo e a lama jorrar à superfície. Esta operação é especialmente importante e deve merecer a máxima atenção, em especial nos solos arenosos, dado que se não for bem executada o aparelho pode "desferrar", perdendo a água, devido à entrada de ar para o interior do tensiómetro. 2.8.1.3 - Número de tensiómetros a utilizar Não é possivel indicar um número exacto porque as condições variam. Em muitos casos pode ser suficiente um único local de instalação mas o ideal é haver no mínimo dois locais para instalação de tensiómetros por cada parcela a regar. Em cada local de instalação podem ainda ser necessários tensiómetros a diferentes profundidades. Assim para plantas com raízes superficiais, até 40 cm, caso das hortícolas, bastará um tensiómetro. Para fruteiras, em que as raízes activas vão além dos 40 cm, já será aconselhável usar tensiómetros a 2 níveis, e além de 120 cm poderá mesmo ser necessário instalar aparelhos a três profundidades. 2.8.1.4 - Locais de instalação Os tensiómetros devem ser instalados na zona de desenvolvimento das raízes activas, próximo de um emissor, de modo a que cápsula de porcelana porosa fique situada, numa zona do bolbo húmido, compreendida entre a parte mais saturada de água e a zona mais seca da periferia (figura. 14).

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Fig. 14 - Esquema de instalação de tensiómetros

O ponto ideal é todavia difícil de determinar com rigor, sendo por isso importante escolher a melhor localização, atendendo por um lado ao afastamento lateral em relação ao emissor de rega e por outro à profundidade de instalação da cápsula porosa. Ensaios por nós realizados mostraram que os tensiómetros, quando instalados a pouca profundidade, junto aos gotejadores, têm tendência a registar baixos valores de tensão da água no solo, ainda que a água aplicada tenha sido diminuta. Nestas condições, para manter os registos do tensiómetro dentro dos valores normalmente recomendados, as regas tenderão a ser muito curtas e frequentes, podendo os valores registados sofrer alterações bruscas, devido ao facto da pouca água aplicada ser rapidamente absorvida pelo solo seco das zonas mais afastadas do gotejador. Afastando os tensiómetros do gotejador ou, quando instalados a maior profundidade, aumentamos a sensibilidade de medida, observando-se então que após uma rega, ainda que copiosa, o ponteiro do tensiómetro não desce bruscamente, demora mais tempo a responder, sendo os valores registados, por norma, bastante mais altos que os obtidos nas condições anteriormente referidas. Depois, segue-se uma subida igualmente lenta e gradual até ao momento de efectuar nova rega. Nestas condições, para manter os registos dentro dos parâmetros recomendados, haverá tendência para efectuar regas mais copiosas e menos frequentes, correndo-se então o risco de após as regas, nas zonas mais perto dos gotejadores, ocorrerem períodos em que o solo apresenta elevada saturação. Assim, se os tensiómetros forem instalados nestas condições, o ideal será trabalhar com valores de referência mais elevados. Refira-se ainda que o afastamento do ponto de rega aumenta a sensibilidade da medida mas aumenta também a hipótese de "desferrar", caso o intervalo entre regas seja de tal modo elevado que permita a subida tensão acima de valores da ordem dos 70 a 80 cb.

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Em culturas regadas gota a gota, a nossa experiência bem como diversa informação recolhida em literatura da especialidade, leva-nos a aconselhar que se instalem os tensiómetros, perpendicularmente à linha de rega, afastados 15 a 30 cm do gotejador. Relativamente à profundidade a que deve ser instalada a cápsula porosa recomenda-se, no caso de culturas anuais, como as hortícolas, com raízes superficiais, a colocação de um tensiómetro a 15 - 20 cm de profundidade. Este tensiómetro servirá para orientação das regas a aplicar à culturas, podendo instalar-se outro a maior profundidade, 40 a 50 cm, para orientação quanto a possíveis perdas de água por infiltração, para camadas mais profundas fora do alcance das raízes. Convém referir que caso o tensiómetro de baixo, indique sistematicamente valores de tensão inferiores aos indicados pelo colocado mais acima, isso quer dizer que estamos a aplicar regas demasiado copiosas. O ideal será conseguir que as leituras, em ambos os tensiómetros, sejam aproximadamente iguais, mas com registos no tensiómetros de baixo ligeiramente mais elevados. Este objectivo nem sempre se consegue às primeiras tentativas mas à medida que se adquire experiência torna-se fácil. No caso das fruteiras a escolha da profundidade ideal é mais delicada. Convêm verificar, se possivel com um corte feito nas próximidades dum ponto de rega qual a zona que contem mais raízes. Quando elas são superficiais coloca-se a cápsula porosa a 25 - 30 cm de profundidade. Se as raízes são mais abundantes em profundidade coloca-se a capsula porosa a 40 - 50 cm de profundidade, aumentando também a distancia lateral em relação ao ponto de rega. Também aqui poderá ser interessante a instalação de um tensiómetro a maior profundidade, em local abaixo da zona de maior desenvolvimento radicular, para controle da água que eventualmente se infiltre para as camadas inferiores, onde as raízes não abundam. Muito do que acabamos de referir é também influênciado pelo tipo de solo, o qual condiciona o local de instalação dos tensiómetros. Assim, nos solos arenosos, onde a água apresenta uma maior velocidade de infiltração, com pouco deslocamento horizontal e o bolbo húmido, junto ao ponto de rega, apresenta a forma alongada de um "fuso", os tensiómetros devem ser colocados mais perto do ponto de rega. Já nos solos pesados, onde a água se desloca mais na horizontal e menos na vertical, formando um bolbo com a forma de uma "cebola", se aconselha a instalação dos tensiómetros um pouco mais afastados do gotejador. Deste modo, tomando como referência os valores anteriormente indicados, quer em relação ao afastamento lateral quer em relação à profundidade, para instalação dos tensiómetros, aconselhamos que se escolham os valores mais baixos para solos arenosos e os mais altos para os solos pesados, tipo argiloso. Caso tenhamos disponibilidade, o ideal será para cada tipo de solo ou situação, efectuar um pequeno ensaio de campo com vista a determinar a localização mais correcta para instalação dos tensiómetros, podendo então procede-se do seguinte modo: - Após uma rega abundante colocam-se tensiómetros a distancias diferentes do ponto de rega (ex. 15, 20, 25 cm). Espera-se cerca de 12 horas e fazem-se as leituras dos aparelhos. Os valores da humidade observados devem ser no máximo os da capacidade de campo, ou seja acima dos 200 - 300 mb, senão isso significa que a zona saturada está muito estendida.

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- Param-se as regas até os tensiómetros indicarem 150 a 200 mb acima da capacidade de campo. - Logo que este nível seja obtido, recomeçam-se as regas, aumentando-as progressivamente, até que o tensiómetro mais próximo comece a reagir. Se os três aparelhos reagirem ao mesmo tempo, pode-se estabelecer a distancia maior. Se o tensiómetro mais afastado se mostrar pouco sensível, e o mais próximo, ao contrário, um valor muito baixo, é preferível escolher uma distancia intermédia. Se só o aparelho mais próximo indicar uma reação, mesmo aumentando a quantidade de água, isso demonstra que a difusão lateral é fraca e a água tende a infiltrar-se verticalmente, o que põe em causa a rega localizada para esse tipo de solo. 2.8.1.5 - Interpretação das leituras do tensiómetro Para obter bons resultados com a rega, tomando como referência os valores das leituras observadas nos tensiómetros, é conveniente evitar que o solo seque demasiado, efectuando regas curtas e frequentes, o que não é difícil, quando se dispõe de sistemas de rega localizada. Assim, após a rega, a água reparte-se pelo solo formando um bolbo húmido que, como já referimos, pode adquirir diferentes formas em função do tipo de solo. Em qualquer dos casos, após uma rega, junto ao emissor observa-se sempre uma zona muito saturada em água. No caso de dotação excessiva essa zona tende a aumentar e, ao contrário, se a dotação é baixa tende a diminuir (figura 15). Deste modo os tensiómetros colocados na periferia dessa zona podem detectar a evolução da humidade no bolbo húmido possibilitando um eficaz controle das regas.

Fig. 15 - Evolução do bolbo húmido em função da dotação de rega

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Regra geral as leituras devem efectuar-se diáriamente, de preferência sempre à mesma hora logo pela manhã, pois é nessa altura que o movimento da água nas plantas e no solo é quase nulo, existindo por isso condições muito próximas de um equilíbrio. Após alguns dias de registos nestas condições é possivel observar a evolução da tensão da água no solo, podendo então manifestar-se várias tendências: - Os valores não variam significativamente. Nestas condições os períodos de rega devem manter-se como programado. - Os valores sobem, seja brusca seja progressivamente, dia após dia, o que significa uma diminuição da zona húmida. Nestes casos é necessário aumentar os períodos de rega. - Os valores baixam, seja brusca seja progressivamente, dia após dia, o que significa que a zona húmida tende a aumentar. Nestas condições é necessário reduzir os períodos de rega. A partir destas observações temos depois que decidir qual o momento mais oportuno para efectuar as regas, operação que pode ainda ser condicionada por factores tais como o tipo de solo, o clima, o método de rega etc., devendo por isso esta operação ser decidida pelo agricultor de acordo com as suas próprias condições. A experiência e a investigação fornecem também indicações gerais, muito uteis, que ajudam a interpretar os resultados das leituras dos tensiómetros: - 0 a 10 cb - O solo está saturado, podendo as raízes das plantas sofrer uma falta de oxigenação. Nestas condições não é necessário regar. Se se teima em regar é certo que a água aplicada se perderá. - 10 a 20 cb - Valores adequados à rega localizada. Na maior parte dos casos, em condições satisfatórias, a rega não será necessária. Em dias quentes, especialmente nos solos tipo arenoso, se a leitura oscilar entre os 13 - 15 cb, convirá regar reduzindo ligeiramente a dotação, ou regar com a dotação programada se a leitura se situa nos 15 - 20 cb. - 30 a 60 cb - Valores desta ordem indicam que o solo tem pouca humidade. As plantas não morrem mas o teor de humidade no solo é insuficiente para a rega localizada. Assim é necessário regar, sendo mesmo aconselhável, aumentar progressivamente os períodos de rega. - > 70 cb - Leituras acima deste valor indicam falta de água nos solo. È recomendável, em rega localizada, regar muito antes do aparelho acusar valores desta grandeza. Nestas condições, não só as plantas podem começar a sentir os efeitos da seca, como o próprio tensiómetro pode dar resultados menos correctos, correndo mesmo o risco de "desferrar". Tendo em conta a nossa própria experiência (*), no manejo de tensiómetros, recomendamos que se tomem como referência, dotações e intervalos de rega préviamente estabelecidos, regando com mais frequência nos solos tipo arenoso e nos

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meses de elevada evapotranspiração, podendo diminuir-se um pouco esta frequência nos solos tipo argiloso e nos meses frios, onde a evapotranspiração é menor. No caso da rega localizada o nosso objectivo será manter as leituras dentro dos limites de 10 a 25 cb, podendo a titulo orientativo, indicar-se os seguintes valores: 10 a 20 cb - Valores adequados à rega de Fruteiras 10 a 15 cb - valores adequados à rega de Hortícolas (*) nota: - Os folhetos publicados pela DRAAG, referentes à rega de diversas culturas hortícolas contêm dados que podem ser tomados como referência. 2.8.2 - Tina de Classe A A Tina de Classe A é um recipiente circular, com 120.7 cm de diâmetro e 25 cm de altura, que permite medir a evaporação numa região em que se encontre instalada. De construção simples, podem fabricar-se localmente, com chapa de alumínio ou de ferro zincado. No campo a tina é depois colocada, horizontalmente, sobre um estrado em madeira, de estrutura aberta, que se instala no solo deixando uma abertura, entre este e o fundo da tina, por onde circula o ar (foto 28). É importante que a tina esteja sempre limpa e cheia até 5 cm, por debaixo do bordo superior; não devendo nunca permitir-se que o nível da água desça mais de 7.5 cm abaixo do referido bordo. Para efectuar as leituras utiliza-se, em geral, um parafuso micrométrico instalado num pequeno cilindro, colocado no interior da tina com a finalidade de evitar a turbulência da água à superfície. As leituras, se feitas diáriamente, sempre à mesma hora, dão-nos valor da evaporação em mm, relativa ao dia anterior, com base na qual é depois possivel estimar as necessidades hídricas de diferentes culturas. A utilização dos dados assim estimados, sempre que possivel, deve ser complementada pelas indicações dos tensiómetros, o que permite comparar os resultados e corrigir as dotações de água a aplicar às culturas.

2.8.2.1 - Estimativa de cálculo da dotação de rega com base evaporação registada na tina de classe A

A partir dos valores da evaporação obtidos numa tina de classe A é possivel estimar a quantidade de água a aplicar a diferentes culturas. Primeiro, com os dados da evaporação é feita uma estimativa da evapotranspiração de referência (Eto), que se obtém com base na seguinte relação: Eto = Epan * Kp Eto - Representa a evapotranspiração de uma cultura de gramíneas verdes de altura uniforme, (8 a 15 cm) com crescimento activo cobrindo um solo bem abastecido de água. Em mm/dia ou mm/período.

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Epan - Evaporação na tina de classe A. Representa a perda de água por evaporação na superfície de uma tina. Em mm/dia ou mm/período Kp - Coeficiente especifico relativo à tina de classe A. Representa a relação entre a evaporação da cultura de referência (Eto) e a perda de água por evaporação na superfície de água livre de uma tina. Os valores deste coeficiente variam com a extensão e o estado da vegetação que cobre o solo em redor da tina, assim como com as condições de humidade e de vento. Pode variar entre 0.55 e 0.85. A partir do início do Projecto Luso-Alemão (1981) iniciaram-se registos dos valores da Evaporação numa tina classe A, instalada ao ar livre no posto meteorológico, do Patacão. No quadro XI apresentam-se os valores médios recolhidos ao longo de 4 anos, referentes a um período, em que estudamos este método de medição da evaporação, onde podémos ainda verificar, que nas nossas condições, os valores do coeficiente Kp variavam de 0.85 a 0.65, sendo os valores mais elevados registados nos meses de Outono/Inverno e mais baixos na Primavera/Verão.

QUADRO XI

Valores Médios da Evaporação (mm) registada no Centro de Experimentação Horto-Frutícola do Patacão ao longo de 4 anos.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Mês JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Epan 1.7 2.1 3.2 4.5 5.7 7.0 8.3 8.7 6.5 4.5 2.2 1.8 ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ A rega é depois estimada aplicando a fórmula: Etc = Eto * Kc Etc - Evapotranspiração da cultura. Este valor representa a quantidade de água a aplicar à cultura. Neste valor incluem-se a perda de água devida à transpiração da cultura, mais a evaporação do solo e da superfície húmida da vegetação. Kc - Coeficiente cultural. Representa a relação entre a evapotranspiação da cultura e a evapotranspiração da cultura de referência, Eto, quando ambas se encontram em espaços amplos, em condições de crescimento óptimas. Este valor é função da espécie cultivada e do seu estado de desenvolvimento, apresentando geralmente valores inferiores a 1. Os valores de Kc são determinados experimentalmente e vêm publicados em diversa documentação, com destaque para as publicações da FAO ( Estudos FAO: Rega e Drenagem nºs 24 e 33). Todavia a sua aplicação directa nem sempre é aconselhável uma vez que foram estudados em condições por vezes muito diferentes daquelas em que vão ser utilizadas. Por isso é recomendável, sempre que possivel, que se façam estudos de maneira a adapta-los às condições locais. 2.8.2.1.1 - Influência da rega localizada na diminuição da evapotranspiração da cultura

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É conhecido de todos que de um solo com muita humidade à superfície, se evapora mais água que num solo seco, resultando dai uma evapotranspiração também maior. Na rega localizada, quer gota a gota quer por microaspersão, a área de solo molhado é claramente menor que pelos métodos clássicos (alagamento, aspersão etc.). Assim na práctica a evapotranspiração é menor quando se utilizam técnicas de microirrigação. Nestas condições os valores de Etc não vão além de 70 a 90 % dos valores normalmente aceites. Esta diminuição de Etc é tanto maior quanto menor for a densidade dos distribuidores de água e humidificação do solo em superfície. Actualmente, principalmente em estufas utiliza-se também a cobertura do solo com plástico ("paillage") o que condiciona igualmente a evaporação à superfície e a humidade do solo. Tendo em conta estes factores, "Veschambre et Vaysse" indicam alguns coeficientes, que se introduzem na formula de cálculo, com a finalidade de corrigir a dotação de rega a aplicar às plantas tendo em conta esta poupança de água e que, com caracter orientativo, se referem no quadro XII.

QUADRO XII

Valores do coeficiente de poupança de de água (p) ------------------------------------------------------------------------------------------- Tipo de cultura e sistema de rega (p) ------------------------------------------------------------------------------------------- Com microasperssores 0.90 Pomares clássicos com gotejadores 0.80 (1500 a 2000 gotejadores / ha) Pomares de alta densidade com gotejadores 0.90 (mais de 2500 gotejadores / ha) Tomate em estufa (regado gota a gota) 0.75 Tomate. berinjela, pimento; com solo nu 0.85 ao ar livre (regado gota a gota) Morangos, pimentos, melão; com "Paillage" 0.70 plástica (regado gota a gota) Citrinos 0.70 ------------------------------------------------------------------------------------------- Assim, se a cultura a regar utiliza um sistema de rega localizada, será recomendável introduzir na fórmula de cálculo este coeficiente (p), resultando então a seguinte equação: Etc = Epan * Kc * p p - Coeficiente de poupança de água. Este valor está ligado à práctica da rega localizada, que provoca uma diminuição na evapotranspiração da cultura.

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2.8.2.1.2 - Dados orientativos para a rega de algumas culturas hortofrutícolas no Algarve (Campina de Faro) Ensaios realizados há já alguns anos no Centro de Experimentação hortofrutícola do Patacão, onde estudamos a temática da rega, permitiram a elaboração de dados orientativos para a programação da rega em algumas culturas hortícolas. Aplicando os mesmos princípios, tomando como referência os coeficientes culturais estudados para outras regiões semelhantes à nossa foi também possivel estimar as dotações de rega para diversas fruteiras, ainda que nesta área o rigor seja menor, pois existe menos experimentação do que em horticultura. Há vários factores que devem ser tomados em consideração no cálculo da quantidade de água a aplicar às culturas. Um deles é a própria cultura, havendo espécies mais exigentes que outras, donde resultam diferentes consumos de água, para idênticos períodos culturais (figura 16). Por outro lado há espécies que gostam de solos húmidos e outras de solos mais secos (quadro XIII).

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Fig. 16 - Consumos de água registados em algumas culturas realizadas no CEHFP

QUADRO XIII

Exigências de algumas culturas relativamente à humidade do solo ------------------------------------------------------------------------------ Grupo Culturas ------------------------------------------------------------------------------ 1 Cebola, Pimento, Batata 2 Couve, Tomate, Ervilha, Banana, Vinha 3 Feijão, Melancia, Citrinos, Ananas 4 Milho, Beterraba, Oliveira ------------------------------------------------------------------------------ 1 - Maior humidade no solo 4 - Menor “ “ “ Dentro da mesma espécie temos ainda que atender ao estado de desenvolvimento da cultura (figura 17). Em geral na primeira fase o consumo é baixo, sobe bastante na fase de plena produção e volta a diminuir na fase final do ciclo cultural.

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Fig. 17 - Consumos de água ao longo do período cultural A época do ano é outro factor de grande influência sobre os consumos de água pela planta. Para uma mesma espécie temos consumos baixos nos meses frios, em que a evaporação é fraca, e consumos elevados nos meses quentes, quando a evaporação é alta (figura 18).

Valores médios da evaporação ao ar livre numa tina Classe A

mês J F M A M J J A S O N DEpan (mm) 1.7 2.1 3.2 4.5 5.7 7.0 8.3 8.7 6.5 4.5 2.2 1.8

Fig. 18 - Evaporação ao Ar Livre registada, ao longo do ano, no CEHFP

Para estimar a quantidade de água a aplicar em cada rega podemos tomar como referência a evapotranspiração da cultura ou a humidade do solo. Como já foi referido, ao falar da tina de classe A e dos tensiómetros, no primeiro caso os cálculos são feitos com base na formula: - Rega = Eto * Kc * p , em (l/m²); no segundo caso, deixamos o solo secar até um valor préviamente estabelecido, aplicando depois uma quantidade de

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água que reponha a que foi consumida pela cultura. Na práctica os dois métodos completam-se, podendo o agricultor tomar como referência os valores calculados com base na evaporação, servindo depois os tensiómetros para os acertos e correcções que seja necessário efectuar. Como também já foi referido, calcular com exactidão a dotação de rega exige o conhecimento e a determinação no local de inúmeros dados (evaporação, velocidade do vento, humidade, valores de Kc e p, etc). Todavia, em grande parte dos casos estes dados não existem e, estuda-los no local, não está ao alcance da grande maioria dos agricultores e técnicos não especialistas nestas areas. Por esse motivo julgámos pertinente a elaboração dos quadros XIV a XXII (Hortícolas) e quadros XXIII a XXVI (fruteiras) onde se indicam valores médios das quantidades de água a aplicar a algumas das principais culturas regadas, cultivadas na nossa região. Refira-se todavia que os dados ai inseridos são meramente orientativos, não podendo por isso, “em caso algum”, ser tomados como rígidos ou como "receita", aplicando-se em especial às culturas realizadas nas zonas em redor de Faro, regadas com sistemas tipo gota a gota. Na verdade cada exploração é sempre um caso particular, não sendo por isso possivel esquecer que: - As condições climáticas variam de local para local - Os valores da evaporação, que servem de base aos cálculos, são uma média de vários anos, registadas no Centro de Experimentação Horto-fruticola do Patacão, pelo que poderão ocorrer situações diferentes de ano para ano, muito em especial se o local a regar se situar fora da referida zona. - A densidade de plantação, o uso de "paillage", o sistema de rega, a qualidade da água etc, influem nos cálculos da dotação e da frequência das rega. Assim sendo, estes valores devem ser alterados, sempre que deles resultem carências ou excessos de água para a cultura. A título orientativo recomendamos: * Aumentar os valores dos quadros, até um máximo de 30 %, se: - O tempo decorre mais quente e ventoso que o normal. - O solo se apresenta persistentemente seco na camada dos 10 a 40 cm de profundidade. - O tensiómetro indicar, por períodos de 6-7 dias, valores acima dos 20 a 25 centibares. * Diminuir os valores dos quadros, até um máximo de 20 %, se: - O tempo decorre mais frio e húmido que o normal. - O solo se apresenta persistentemente encharcado na camada dos 10 a 40 cm de profundidade.

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- O tensiómetro indicar, por períodos de 6-7 dias, valores inferiores a 9 a 10 centibares. No caso das fruteiras, ao utilizar estes dados, recomenda-se ainda que se tomem em consideração também os seguintes aspectos: - Os valores indicados têm por base coeficientes culturais retirados de literatura da especialidade, mas não foram ainda suficientemente testados nas nossas condições, pelo que devem ser utilizados com as devidas precauções. - As tabelas destinam-se à rega de pomares, cobrindo mais de 60 % da área cultivada, e nalguns casos, somente para situações de solo limpo de infestantes, pelo que os valores devem ser alterados, sempre que se registem situações diferentes, de acordo com o seguinte: a) Solo com infestantes aumentar a rega em 20 a 25 % b) Pomares cobrindo até 20 % da área cultivada, reduzir a rega em 25 a 30 % c) Pomares cobrindo 20 a 60 % da área cultivada, reduzir a rega em 10 a 15 % d) Nas nossas condições a situação normal será a de clima seco. Em situações prolongadas de dias com muita humidade, tomar como referência a tabela de clima húmido.

TABELAS ORIENTATIVAS PARA A REGA DE CULTURAS HORTÍCOLAS EM ESTUFA E AR LIVRE

QUADRO XIV

Rega localizada do tomateiro em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.50 0.60 0.95 1.30 1.60 1.95 2.25 2.30 1.65 1.15 0.60 0.50 2ª Fase 0.60 0.75 1.20 1.65 2.10 2.50 2.90 2.95 2.10 1.45 0.75 0.65 3ª Fase 0.75 0.90 1.50 2.00 2.55 3.05 3.55 3.60 2.60 1.80 0.95 0.80 4ª Fase 0.80 1.00 1.60 2.15 2.80 3.30 3.85 3.95 2.85 1.95 1.05 0.90 5ª Fase 0.75 0.90 1.50 2.00 2.55 3.05 3.55 3.60 2.60 1.80 0.95 0.80 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores 1ª - da plantação à floração do 1º cacho médios da evaporação numa Tina Classe A 2ª - da floração do 1º cacho à floração do 3º cacho durante 4 anos 3ª - da floração do 3º cacho à floração do 4º cacho 4ª - da floração do 4º cacho a meio das apanhas 5ª - do meio das apanhas até final

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QUADRO XV

Rega localizada do tomateiro ao ar livre (água a aplicar em litros/m²/dia) ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.60 0.75 1.15 1.60 2.05 2.55 3.00 3.15 2.35 1.60 0.80 0.65 2ª Fase 0.80 1.00 1.50 2.10 2.70 3.30 3.90 4.10 3.05 2.10 1.05 0.85 3ª Fase 1.00 1.20 1.85 2.60 3.30 4.10 4.80 5.05 3.80 2.60 1.30 1.05 4ª Fase 1.20 1.50 2.30 3.25 4.10 5.05 5.95 6.25 4.70 3.20 1.60 1.30 5ª Fase 1.00 1.20 1.85 2.60 3.30 4.10 4.80 5.05 3.80 2.60 1.30 1.05

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores 1ª - da plantação à floração do 1º cacho médios da evaporação numa Tina Classe A 2ª - da floração do 1º cacho à floração do 3º cacho durante 4 anos 3ª - da floração do 3º cacho à floração do 4º cacho 4ª - da floração do 4º cacho a meio das apanhas 5ª - do meio das apanhas até final

QUADRO XVI

Rega localizada do melão em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia) ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.50 0.60 0.90 1.30 1.65 2.05 2.40 2.50 1.90 1.30 0.65 0.50 2ª Fase 0.85 1.10 1.65 2.35 2.95 3.65 4.30 4.50 3.40 2.30 1.15 0.90 3ª Fase 0.70 0.90 1.40 1.95 2.45 3.00 3.55 3.75 2.80 1.90 0.95 0.75 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores 1ª - da plantação ao vingamento dos 1ºs frutos médios da evaporação numa Tina Classe A 2ª - do vingamento dos 1ºs frutos ao início das colheitas durante 4 anos 3ª - do início das colheitas até final

QUADRO XVII

Rega localizada do melão ao ar livre (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.60 0.70 1.10 1.55 1.95 2.40 2.80 2.95 2.20 1.50 0.75 0.60 2ª Fase 0.90 1.15 1.75 2.50 3.15 3.85 4.55 4.80 3.60 2.45 1.20 0.95 3ª Fase 1.15 1.40 2.20 3.05 3.90 4.80 5.60 5.90 4.45 3.05 1.50 1.20 4ª Fase 0.90 1.15 1.75 2.50 3.15 3.85 4.55 4.80 3.60 2.45 1.20 0.95 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por 1ª - da sementeira ou plantação ao vingamento dos 1ºs frutos base valores médios da 2ª - após vingamento dos 1ºs frutos e durante a floração feminina evaporação numa Tina Classe A 3ª - durante o engrossamento dos frutos até ao início das colheitas durante 4 anos 4ª - durante as colheitas

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QUADRO XVIII

Rega localizada do pepino em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.50 0.60 0.90 1.30 1.65 2.05 2.40 2.50 1.90 1.30 0.65 0.50 2ª Fase 0.60 0.70 1.10 1.55 1.95 2.40 2.80 2.95 2.20 1.55 0.75 0.60 3ª Fase 0.65 0.80 1.20 1.70 2.15 2.70 3.15 3.30 2.50 1.70 0.85 0.70 4ª Fase 0.70 0.90 1.40 1.95 2.45 3.00 3.55 3.75 2.80 1.90 0.95 0.75 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores 1ª - da plantação ao início da floração médios da evaporação numa Tina Classe A 2ª - do início da floração até cerca de 1-1.5 m de altura durante 4 anos 3ª - do 1-1.5 m de altura até ao início das colheitas 4ª - durante as colheitas

QUADRO XIX

Rega localizada do pimento em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.40 0.50 0.75 1.10 1.35 1.70 2.00 2.10 1.55 1.10 0.50 0.45 2ª Fase 0.65 0.80 1.20 1.70 2.15 2.70 3.15 3.30 2.50 1.70 0.85 0.70 3ª Fase 0.80 1.00 1.55 2.15 2.75 3.40 3.95 4.20 3.15 2.15 1.05 0.85 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios da 1ª - da plantação ao início da floração evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos 2ª - da floração ao início das colheitas 3ª - durante as colheitas

QUADRO XX

Rega localizada do pimento ao ar livre (água a aplicar em litros/m²/dia) ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.60 0.75 1.15 1.60 2.05 2.55 3.00 3.15 2.35 1.60 0.80 0.65 2ª Fase 1.00 1.20 1.85 2.60 3.30 4.10 4.80 5.05 3.80 2.60 1.30 1.05 3ª Fase 1.20 1.50 2.30 3.25 4.10 5.05 5.95 6.25 4.70 3.20 1.60 1.30 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios da 1ª - da plantação ao início da floração evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos 2ª - da floração ao início das colheitas 3ª - durante as colheitas

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QUADRO XXI

Rega localizada da beringela em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.40 0.50 0.75 1.10 1.35 1.70 2.00 2.10 1.55 1.10 0.50 0.45 2ª Fase 0.60 0.70 1.10 1.55 1.95 2.40 2.80 2.95 2.20 1.50 0.75 0.60 3ª Fase 0.70 0.90 1.40 1.95 2.45 3.00 3.55 3.75 2.80 1.90 0.95 0.75 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios da 1ª - da plantação ao início da floração evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos 2ª - da floração ao início das colheitas 3ª - durante as colheitas

QUADRO XXII Rega localizada do feijão verde em estufa (água a aplicar em litros/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase 0.30 0.35 0.55 0.75 0.95 1.20 1.40 1.45 1.10 0.75 0.40 0.30 2ª Fase 0.55 0.70 1.10 1.50 1.90 2.35 2.75 2.90 2.20 1.50 0.75 0.60 3ª Fase 0.75 0.95 1.45 2.05 2.60 3.20 3.75 3.95 2.95 2.05 1.00 0.80 4ª Fase 0.70 0.90 1.40 1.95 2.45 3.00 3.55 3.75 2.80 1.90 0.95 0.75 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios 1ª - da sementeira à germinação da evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos 2ª - da germinação ao início da floração 3ª - do início da floração ao início das colheitas 4ª - durante as colheitas

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TABELAS ORIENTATIVAS PARA A REGA DE FRUTEIRAS

QUADRO XXIII Rega localizada de citrinos (água a aplicar em l/m²/dia)

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fase de Mês Desenvol- ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ vimento JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase a) 0.45 0.55 0.90 1.20 1.55 2.15 2.50 2.65 2.00 1.40 0.60 0.50 2ª Fase a) 0.50 0.65 1.10 1.55 1.95 2.60 3.10 3.25 2.45 1.70 0.75 0.60 3ª Fase a) 0.60 0.70 1.20 1.70 2.15 2.85 3.40 3.55 2.65 1.80 0.80 0.65 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1ª Fase b) 1.00 1.20 1.95 2.75 3.50 4.55 5.35 5.60 4.20 2.90 1.35 1.10 2ª Fase b) 0.85 1.05 1.75 2.45 3.10 4.05 4.80 5.00 3.80 2.60 1.20 0.95 3ª Fase b) 0.85 1.05 1.75 2.45 3.10 4.05 4.80 5.00 3.80 2.60 1.20 0.95 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fases de Desenvolvimento Nota: Os dados do quadro têm por base 1ª - árvores jovens cobrindo menos de 20 % da área total valores médios da evaporação numa 2ª - árvores cobrindo de 20 % a 60 % da área total Tina Classe A durante 4 anos 3ª - árvores cobrindo mais de 60 % da área total a) - solo limpo de ervas b) - solo com infestantes

QUADRO XXIV

Rega localizada de nogueiras (água a aplicar em l/m²/dia)

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mês Situação ------------------------------------------------------------------------------------------- MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Húmido / Vento Ligeiro a Moderado a) 1.15 1.90 2.75 3.50 3.95 3.90 2.90 2.00 ---- Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado a) 0.95 2.00 3.25 4.20 4.65 4.60 3.30 2.30 ---- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Húmido / Vento Ligeiro a Moderado b) ---- 2.45 3.45 4.65 5.10 5.35 3.85 2.30 1.20 Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado b) ---- 2.70 3.95 5.25 5.80 6.10 4.40 2.55 1.30

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- a) solo limpo de ervas Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios da evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos b) solo com infestantes

QUADRO XXV

Rega localizada de amendoeiras, ameixeiras, pereiras, damasqueiros, pessegueiros, nespereiras (água a aplicar em l/m²/dia)

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mês Situação -------------------------------------------------------------------------------------------- MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Húmido / Vento Ligeiro a Moderado a) 1.05 1.90 2.55 3.35 3.70 3.40 2.55 1.75 ---- Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado a) 1.05 1.90 2.90 3.78 4.20 4.35 2.90 2.25 ---- --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Húmido / Vento Ligeiro a Moderado b) ---- 2.00 3.05 4.20 4.65 4.90 3.45 2.15 1.20 Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado b) ---- 2.55 3.60 4.85 5.30 5.60 4.00 2.40 1.30

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- a) solo limpo de ervas Nota: Os dados do quadro têm por base valores médios da evaporação numa Tina Classe A durante 4 anos b) solo com infestantes

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QUADRO XXVI

Rega localizada de vinhas (chuvas pouco frequentes) superfície do solo seca (água a aplicar em l/m²/dia)

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Mês Situação ----------------------------------------------------------------------------------------------- MAR. ABR. MAI. JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Húmido / Vento Ligeiro a Moderado a) ---- 1.35 1.90 2.55 2.85 2.90 2.00 1.05 0.50 Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado a) ---- 1.20 2.05 2.95 3.25 3.40 2.40 1.35 0.50 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Clima Seco / Vento Ligeiro a Moderado b) 0.50 1.20 2.05 2.95 3.25 3.15 2.00 1.20 0.50 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- a) - Vinhas Adultas, em regiões de geadas ligeiras; primeiras Nota: Os dados do quadro têm por folhas em princípios de Abril, vindima em começos de base valores médios da evaporação Setembro; a meio do periodo vegetativo a cobertura do numa Tina Classe A durante 4 anos solo deve rondar os 30/35 %. Solo limpo de infestantes b) - Vinhas Adultas, em regiões de clima seco e quente; primeiras folhas em finais de Fevereiro ou principio de Março, vindima meados de Julho; a meio do período vegetativo a cobertura do solo deve rondar os 30/35 %. Solo limpo de infestantes

2.9 - Equipamento para automatização

São vários os equipamentos disponíveis no mercado que possibilitam ao agricultor controlar de forma automatizada grande parte das operações de rega e fertilização, tornando mais fácil, cómoda e eficiente, a utilização dos sistemas de rega. Assim, dependendo do tipo de equipamento, é possivel hoje em dia automatizar várias operações tais como: - Tempo ou volume de rega e fertilização - Dia e horas em que se rega ou aduba - Arranque e paragem da bomba principal - Manutenção da rede sob pressão Para estas tarefas o operador pode dispor de equipamentos simples como sejam as válvulas volumétricas, que permitem controlar um dado volume de água, aos mais sofisticados, como os programadores e computadores de rega que permitem em simultâneo controlar várias operações. Com a vulgarização da electrónica, os programadores e computadores de rega, começam também a estar acessíveis razão pela qual julgamos que as redes de rega deverão ser pensadas de modo a incluir também equipamentos e acessórios para automatização do sistema.

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2.9.1 - Válvulas volumétricas associadas a balão e pressostato Estes aparelhos são constituidos por um corpo que na parte superior tem uma escala graduada, em l ou m3 , sobre a qual roda uma peça que permite a abertura do circuito e a prévia programação do volume de água a fornecer em cada rega (foto 29). A paragem da rega é obtida por intermédio de um mecanismo hidráulico, existente no interior do corpo da válvula, que se move por acção da passagem da água, fechando automáticamente o circuito após a passagem do volume pré-programado. Este facto possibilita a semi-automatização da rega, facilitando o trabalho, pois não é necessário preocuparmo-nos com o momento de fechar o circuito de rega. Todavia e dado que a válvula não permite ligar e desligar a bomba de rega será necessário que à mesma esteja associado um sistema que evite a subida da pressão na rede de rega, após o fecho do circuito, para além de valores suportáveis pela tubagem. Tal acção pode ser obtida por intermédio de um tanque elevado que mantenha a rede em carga dentro de valores conhecidos ou por meio de um conjunto formado por balão e pressostato (foto 30). Com este equipamento a bomba desliga sempre que a pressão na rede excede o valor marcado no pressostato e volta a ligar quando a pressão desce abaixo do valor também préviamente estabelecido. Das válvulas disponiveis no nosso mercado podemos encontrar desde modelos com a escala de 0 a 1 m3 até outras mais robustas que permitam programar regas de 0 a 50 m3 . O caudal horário máximo e mínimo é também variável com o tipo de aparelho. Em geral os modelos mais pequenos permitem marcar com rigor valores multiplos de 50 - 100 l ao passo que nas válvulas maiores não é possivel programar com rigor regas inferiores a multiplos de 500 l ou 1 m3. Registe-se ainda que em alguns modelos junto com a válvula vem um contador de água, constituindo ambos um corpo único (foto 31). 2.9.2 - Programadores e computadores de rega Actualmente existem no mercado dispositivos, alguns deles com recurso a computadores, com programas específicos para a rega que possibilitam estabelecer um número quase inesgotável de funções necessárias à completa automatização duma rede de rega (foto 32). Assim a eleição do programador, adequado a cada situação, dependerá das características da instalação e do grau de automatização que se queira alcançar. Em qualquer caso deve ser feita por um técnico especializado, depois de conhecidas as necessidades de cada caso concreto, de maneira a que possamos optar por equipamentos capazes de resolver um maior ou menor número de funções, com a disponibilidade de saídas e estações que mais nos interessem. Sem querer esgotar o tema, e atendendo a que cada sistema vem acompanhado de informação, onde são explicitadas as diferentes possibilidades e modo de programação, de maneira a adapta-lo a cada situação especifica, iremos resumir, o mais sintéctico possivel, algumas das operações mais comuns e com possibilidade se serem efectuadas por estes equipamentos.

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Assim, dependendo do tipo de equipamento, é possivel estabelecer programas de rega, mais ou menos complexos, por intermédio dos quais podemos efectuar e controlar diversas operações, sendo de destacar pela sua importância, entre outras, as seguintes: - Dotação de rega A maioria destes equipamentos permite programar préviamente a quantidade de água a aplicar durante um certo período tempo. Nos aparelhos mais simples, sabendo o caudal horário que passa em cada sector de rega, estabelece-se depois um tempo de rega de modo a aplicar o volume de água pretendido. Outros programadores vêm já equipados com entradas para ligação de contadores de água, adaptados para o efeito, e que possibilitam programar exactamente qual o volume de água a aplicar a cada sector ou parcela. Neste caso há que instalar contadores volumétricos com emissor de impulsos, um por cada saída de água ( ou fertilizante) a controlar. Em equipamentos mais sofisticados, comandados por computador, é ainda possivel introduzir fórmulas que permitem ao aparelho efectuar a cada momento o cálculo da quantidade de água a aplicar, em função de diferentes factores, tais como a evapotranspiração da cultura ou a humidade do solo. Nestas circunstâncias terão que existir sondas externas, ligadas ao equipamento, (piranómetros, Tinas de evaporação, electrotensiómetros etc.) que forneçam ao computador informação para os cálculos a efectuar. - Frequência da rega Nestes sistemas de controle da rega, mesmo os mais simples, é possivel programar um elevado número de operações, com vista a estabelecer a frequência de rega mais adequada a cada situação e que permitem tirar o máximo proveito da água e adubos a aplicar, tais como: - Intervalo entre regas em função dos dias da semana, (Ex: Segundas, Quintas, Domingos) ou a partir de intervalos fixos (Ex: Rega diária, Rega cada 3 dias, Rega semanal) - Número de ciclos de rega por dia - Hora de início de cada ciclo de rega Os programadores mais evoluídos permitem ainda estabelecer o início de cada rega a partir de um nível pré-establecido de humídade do solo. Nestes casos uma saída permite a ligação a um electrotensiómetro, o qual pode bloquear a rega caso o solo esteja mais húmido que o esperado.

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- Fertilização Tal como no caso da dotação de rega, é igualmente possível programar a quantidade de fertilizante a aplicar à cultura. Dependendo dos sistemas, é possivel estabelecer não só o tempo, ou o volume de fertilizante a aplicar, como também a hora de início da fertilização, dentro de um dado ciclo de rega mas independente do início deste. Nestes casos a fertilização pode ser programada de maneira a que no início e final do ciclo de rega, dos diferentes sectores, não seja injectado adubo à água de rega. É igualmente possível pôr a funcionar os agitadores, das soluções fertilizantes, alguns minutos antes de ter início a injecção das mesmas. Noutros casos é ainda possível efectuar a fertilização proporcionalmente ao volume de água a fornecer à cultura, de modo a não ultrapassar nunca as concentrações recomendadas. Em equipamentos mais sofisticados os fertilizantes podem ser fornecidos separadamente, a partir de três ou mais tanques com sistemas de injecção independentes que permitem fertilizar a partir de qualquer um dos depósitos, podendo ainda estabelecer-se o valor do pH e da CE da solução nutritiva a fornecer à cultura. Nestes casos, em geral, um dos depósitos contém um ácido, ou uma base, para controle do pH da água de rega, sendo os elementos nutritivos aplicados, não em função de um dado volume ou tempo de fertilização, mas com base na concentração de sais, préviamente escolhida. - Arranque e paragem da bomba principal É outra função que o programador pode controlar, sempre que não disponhamos da fonte de água sob-pressão. A automatização nestes casos pode mesmo contribuir para economizar na conta da energia eléctrica se se der o caso de ser possível estabelecer um horário de rega fora das horas de ponta, quando a energia é mais cara. - Limpeza de filtros A automatização da limpeza dos filtros é geralmente estabelecida a partir um período de tempo (Ex: cada 2 dias) ou de um dado volume de rega (Ex: cada 50 m3) préviamente estabelecidos, sendo a duração da lavagem, por norma, programada também em tempo (Ex: durante 1 minuto). Noutros casos a ordem de lavagem é estabelecida a partir de um diferencial de pressão, situação em que a abertura das válvulas para limpeza ocorre quando a pressão ultrapassa o valor escolhido. Dado que por cada filtro se ocupa uma saída do programador, na automatização da limpeza de filtros, pode resultar mais práctico instalar um programador independente, adaptado a este tipo de funções.

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- Controlos e alarmes Na maioria dos programadores é possivel obter a cada momento certo tipo de informações, como sejam os valores acumulados da água ou dos adubos fornecidos a cada sector. No caso de terem existido falhas é também possivel, em alguns programadores, saber os valores em falta ou os efectivamente aplicados. Também é possível em muitos sistemas obter informações tais como: o caudal instantâneo, as válvulas activas, o número de regas efectuadas ao longo do dia ou no dia anterior, o número de regas acumuladas, o valor do pH e da CE, se houve falha da corrente etc. Alguns programadores dispõem ainda de saídas adicionais para ligação de sensores ou alarmes, sendo frequente a ligação de: - Um pressostato de máxima, de maneira a que quando se produza uma avaria na electroválvula o programador passe ao sector seguinte, dando continuação ao programa e, evitando a roptura da rede. - Um pressóstato de mínima que detecta dois tipos de avaria. a) - Roptura de alguma tubagem que alimenta o sector a regar b) - Funcionamento em vazio do grupo impulsor Noutras ocasiões estes alarmes funcionam a partir de parâmetros pré-establecidos, acima e abaixo de um valor base. Em geral é programado também um tempo de espera, para estabilização dos sensores, actuando o alarme somente quando o desvio ao valor base se prolonga para além dum período de tempo superior ao indicado. Estes alarmes podem actuar em situações tais como: - Falta de corrente eléctrica - Descontrole dos valores de pH ou CE - Descontrole dos caudais de rega ou fertilização Assim, quando ocorre uma avaria nos elementos controlados por estes sensores ou alarmes, o programador pode inclusive interromper o programa até que o regante corrija a anomalia registada. Na maioria dos casos uma luz ou um sinal sonoro chamam a atenção do regante e no écran do aparelho aparece indicado o tipo de avaria, sendo mesmo possível saber quando e onde ocorreu.

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ARMINDO R. e C.PACHECO: A rega localizada do pimenteiro ao Ar livre. - Elementos para a Campina de Faro. Folhetos de divulgação. DRAAG - IPLA - 1987 FARO. ARMINDO R. e C.PACHECO: A rega localizada do pepino em estufa. - Elementos para a Campina de Faro. Folhetos de divulgação. DRAAG - IPLA - 1987 FARO. ARMINDO R. e C.PACHECO: A rega localizada da berinjela em estufa. - Elementos para a Campina de Faro. Folhetos de divulgação. DRAAG - IPLA - 1987 FARO. ARMINDO R. e C.PACHECO: A rega localizada do feijão verde em estufa. - Elementos para a Campina de Faro. Folhetos de divulgação. DRAAG - IPLA - 1987 FARO. ARMINDO R. e C.PACHECO: Gotejadores e fitas de rega para horticultura. Folhetos de divulgação. DRAAG - IPLA - 1987 FARO. ARMINDO R. e C. PACHECO: Pimento. - Automatização da rega, numa cultura de pimento em estufa, com tensiómetros de contactos eléctricos. Ensaio nº 511. DRAAG - DDI - Faro 1990. ARMINDO R. / A. MARREIROS / C. PACHECO: Melão - Influência da frequência da rega na rachamento do melão. Ensaio nº 500. DRAAG - DDI - Faro 1990. ARMINDO R. : A rega em horticultura protegida na região do Algarve. Cadernos Agro-Pecuarios - Horticultura, Ano II nº 5. Junho 1992. MARIA F. e ARMINDO R. : Fertirrigação em horticultura . Revista o Algarve e o Campo - Revista informativa da DRAAG - Horticultura. DRAAG - Faro 1994. RODRIGUEZ SUPPO F. : Riego por goteo. AGT Editor, S.A.- México 1982. DOORENBOS J.e PRUITT W.O. : Las necessidades de água de los cultivos. Estudio FAO: RIEGO Y DRENAJE. Nº24 - Roma 1976. DOORENBOS J.e KASSAM A.H. : Efectos del água sobre el rendimiento de los cultivos. Estudio FAO: RIEGO Y DRENAJE. Nº33 - Roma 1979 El uso efectivo de los sistemas de Micro-Irrigacion en los citricos. Por: Dpto. técnico Plastro. Revista:- Riegos y Drenajes XXI. Nº 73, pág.29-32 - Barcelona Maio 1993. RINCONS SÁNCHES / SIRONI J.S. / DOMINGOS M.R : Obstrucciones en sistemas de riego localizado. Revista:- Riegos y Drenajes XXI. Nº 73, pág.17-32 - Barcelona - Maio 1993. JUAN VALERO / MARTIN DE S.OLALLA F.J. Y FABRERO CORTES J : La programacion de riegos.(l) Los objectivos y los metodos. Revista:- Riegos y Drenajes XXI. Nº 66, pág.19-27 - Barcelona - Setembro 1992.

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Foto 1 - Bomba de eixo horizontal com impulsor fechado

Foto 2 - Bomba eléctrica submersível

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Foto 3 - Filtros de areia

Foto 4- Filtros de malha

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Foto 5 - Filtros de lamelas

Foto 6 - Tanque de fertilização

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Foto 7 - Modelo de adubador funcionanado por diferenças de pressão

Foto 8 - Adubador Venturi sem depósito incorporado

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Foto 9 - Adubador Venturi com depósito incorporado

Foto 10 - Bomba de eixo horizontal com impulsor fechado

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Foto 11- Bomba hidráulica “Dosatron” para injecção de adubos

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Foto 12 - Manómetro utilizado para medir a pressão da água na rede de rega

Foto 13 - Vegálvula reguladora da pressão na rede de rega

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Foto 14 - Reguladores de caudal

Foto 15 - Contador de água

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Foto 16 - Gotejadores

Foto 17 - Gotejadores

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Foto 18 - Gotejadores

Foto 19 - Fitas de rega

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Foto 20 - Difusores

Foto 21 - “Manguinha” de rega

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Foto 22 - Acessórios de ligação

Foto 23 - Purgadores e ventosas

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Foto 24 - Válvulas de segurança

Foto 25 - Válvulas de retenção

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Foto 26 - Electroválvula

Foto 27 - Tensiómetro

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Foto 28 - Tina de classe A instalada num posto meteorológico ao ar livre

Foto 29 - Válvula volumétrica e contador de água

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Foto 30 - Sistema de balão e pressostato

Foto 31 - Válvula volumétrica com contador incorporado

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Foto 32 - Programador de rega, ligado a computador, instalado no CEHFP