Lúcio e as estrelas

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conto infantil

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  • Muito bem, Lcio. Deves saber que essa estrela pertence ao sistema de Arcturus. J podes enviar a tua mensagem, quando quiseres. Lcio fechou os olhos, concentrou-se e enviou os seus pensamentos para a estrela, repetindo mentalmente cada uma das palavras. Todos os habitantes da Terra de Cristal olhavam para a estrela escolhida, espera do brilho azulado. Mas o sinal no vinha. O tempo ia passando e o sinal sem vir As pessoas impacientavam-se e falavam em voz baixa. Ento Cristvo aproximou-se e murmurou-lhe ao ouvido: Lcio, imagina que se encontra l o teu melhor amigo. Sabes que no lhe podes mandar uma carta nem falar com ele. Pensa nele com todo o teu corao, diz-lhe o que quiseres. Do fundo do corao, sem forar a mente. E Lcio assim fez. Foi ento que comeou a sentir um grande calor no peito De repente, as pessoas que olhavam para o cu soltaram uma grande exclamao. Lcio abriu os olhos e viu, fascinado, a sua estrela irradiar uma linda luz azulada e dentro da sua cabea ouvia: Somos os teus amigos de Arcturus. Estamos contentes por te conhecer. A partir de hoje iremos ensinar-te o que ns aprendemos para que, quando chegar a ocasio, tu o ensines aos habitantes da Terra de Cristal. Todos aplaudiram Lcio, que permanecia calado, enquanto escutava os seus novos amigos das estrelas.

    Begoa Ibarrola Cuentos para sentir. Educar las emociones

    Madrid, SM, 2003 (Traduo e adaptao)

    Lcio e as estrelas

    Diz uma lenda que, na Terra de Cristal, vivia um povo que falava com as estrelas. Os ancios ensinavam as crianas desde pequeninas a comunicar com elas, no por palavras, mas atravs do pensamento. Mesmo que gritassem, os habitantes das estrelas no podiam ser ouvidos, por ficarem muito distantes; mas os pensamentos, esses chegavam a todo o lado, porque para o pensamento no h distncia.

  • Na Terra de Cristal, quando uma criana fazia sete anos, celebrava-se sempre uma grande festa. A criana escolhia uma estrela: essa seria a sua estrela. A partir desse dia, devia localiz-la no cu e, noite, comeava a enviar mensagens aos seus habitantes. Devia faz-lo todas as noites, para que os habitantes dessa estrela reconhecessem o "som" dos seus pensamentos, tal como na Terra de Cristal cada pessoa reconhecida pelo som da sua voz. Lcio sentia-se um tanto nervoso: nessa noite teria a sua grande festa e iria escolher a sua estrela. Ia ter de mostrar que aprendera tudo o que os ancios lhe ensinaram. Como te sentes? perguntou-lhe Cristvo, o seu professor. Um pouco nervoso. No sei se serei capaz de faz-lo bem respondeu Lcio. E tambm no sei o que hei de dizer aos habitantes da estrela. Ainda tens tempo para pensar nisso. No primeiro dia, deves apenas apresentar-te, dizer o teu nome e como s. Aconselho-te a no falares muito. Eles tm de familiarizar-se contigo aos poucos. O Sr. Professor ensinou-me a transmitir os meus pensamentos s estrelas, mas no me ensinou a receber os delas. Como vou saber que me ouviram? Perguntas bem, Lcio respondeu o professor. Ensinar-te-ei isso no devido tempo, medida que fores pondo em prtica o que aprendeste at agora. Lembra-te que quando as tuas mensagens l chegarem, vir um sinal luminoso semelhante a um brilho intermitente e a tua estrela vai comear a cintilar com uma luz azulada. E se no responderem?

    Isso significa que a tua mensagem no chegou. Lcio ficou pensativo: via toda a aldeia ali reunida a olhar para o cu espera do brilho azulado e este sem aparecer... O professor, que ouvia os seus pensamentos, sorriu e disse--lhe: Lcio, confia em ti. Se duvidares de ti, essa dvida vai provocar uma grande debilidade na tua mente e assim, fracos, os teus pensamentos no chegaro tua estrela. Porm, se tiveres confiana e no duvidares das tuas capacidades, o teu pensamento ser potente como a luz de um grande foco e chegar sem qualquer impedimento tua estrela. Lcio compreendeu que essa noite to especial iria provar se ele realmente confiava em si prprio! Quando o sol se ps e a primeira estrela despontou no cu, os habitantes da Terra de Cristal foram saindo de casa e dirigiram-se ao local da celebrao. Lcio vestira-se com roupa especial para o evento: una tnica de linho branco que lhe chegava at aos joelhos, uma fita amarela com um desenho bordado atada em volta da testa e, na mo direita, levava uma varinha de cristal de quartzo. hora indicada, o professor, colocando-se junto dele, disse-lhe: Lcio, chegou a hora: fizeste sete anos e preparmos-te para este momento. Esta noite vais escolher a tua estrela e mandar aos seus habitantes a tua primeira mensagem. Sabes

    que as palavras no chegam l, mas os teus pensamentos, se forem suficientemente potentes, chegaro. Diz, j escolheste a tua estrela? Sim, aquela ali!respondeu, indicando com a vara de cristal a estrela que elegera.