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Explorao de Mo-de-obra Infantil no BrasilBacharelado em Direito-Valdirene LaginskiMonografia apresentada banca examinadora da Faculdade de Direito de Sorocaba, como exigncia parcial para obteno do grau de bacharel em direito, sob a orientao da professora doutora Lcia Helena Amaral Baldy.Agradecimentos.Agradeo a Professora, Doutora Lcia Helena Amaral Baldy, pelo seu esforo e dedicao em tornar esta monografia um trabalho respeitvel e digno de sua orientao. Uma pessoa carinhosa e atenciosa e que merece meu respeito e admirao.Tambm ao meu marido, Carlos Fernandes, pelo incentivo e apoio que vem me dando nos ltimos 10 anos de nossas vidas._______________________________________________________________________________Dedico esta monografia a todas as crianas que no tm o direitode freqentar o banco de uma escola, que no podem segurarum lpis e aprender a escrever o seu nome porque precisamde suas pequenas mos para ajudar na manutenoda famlia e so exploradas da forma maiscruel por empresrios inescrupulosos,que tiram o que de mais bonito hna infncia:O direito de brincar e sonhar com um futuro digno de criaturas to inocentes!_______________________________________________________________________________NDICE

1.Introduo

2.Histrico

3.Conceito de Trabalho Infantil

4.Como a Legislao Brasileira Regula o Trabalho do Menor

4.1.Emenda 20 - Efeitos Jurdicos e Sociais

5.Justificativas do Trabalho Infantil

5.1.Porque h necessidade das crianas trabalharem

5.2.Quais as Atividades mais Desenvolvidas pelos Menores

5.3.Retrato da Explorao Infanto-juvenil no Brasil (tabela)

5.4.Sade em Perigo (tabela)

5.5.O Efeito do Trabalho Precoce

6.Papel do Estado na Educao do Menor

6.1.Programas Governamentais e Privados

6.2.Programa Bolsa Cidad

6.3.Crtica ao Programa Bolsa Cidad

7.Atuao dos Sindicatos no Combate ao Trabalho Infantil

8.O Menor e o Aprendizado

9.O Trabalho do Menor em Sorocaba e Regio

10.Os Dez Anos do Estatuto da Criana e do Adolescente

11.Concluso

12.Bibliografia

_______________________________________________________________________________

^1 -INTRODUOO trabalho infantil um problema que deve ser analisado por uma tica ampla, enfocando a responsabilidade de todos os segmentos governamentais, privados e, principalmente, da sociedade, colocando como prioridade medidas especiais com a finalidade dar um novo impulso erradicao do trabalho de menores. E, uma medida significativa emerge, por exemplo, da Emenda Constitucional n 20, de 16.12.1998, que alterou a idade do menor para o ingresso no mercado de trabalho, passando, assim de 14 para 16 anos, sendo, pois, essa uma das mais significativas medidas j adotadas pelo governo federal no sentido de proporcionar maior proteo s crianas. Importante tambm foi a criao do Programa Bolsa-Escola que proporciona uma renda s famlias carentes que mantm seus filhos na escola. Essa preocupao governamental manifesta-se inquestionvel pelos nmeros elevadssimos de menores trabalhando nas mais diversas atividades econmicas do pas.Para se ter uma idia da dimenso e gravidade do problema basta observar os nmeros apontados pelas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) divulgado em maro de 1997, que mostra a existncia de cerca de 3,5 milhes de crianas trabalhando no Brasil. Com esta viso genrica, o trabalho infantil deve ser abolido com extrema rapidez, de modo que essas crianas possam voltar escola e assim garantir um futuro melhor.Nesse caminho, trilhado pelo governo brasileiro, que devem espelhar-se a sociedade que fecha os olhos diante dessa forma cruel de trabalho, e o empregador, que explora a mo-de-obra infantil, pois, assim, seguro afirmar que estamos vivendo uma fase de um novo conceito de desenvolvimento econmico com um pas que trata as crianas como crianas e as prepara para que um dia possam governar esta nao com dignidade e respeitabilidade, porque sem educao no h progresso.^2 -HISTRICODe incio oportuno salientar que a proteo ao trabalho do menor de ordem biolgica, moral, social e econmica. O trabalho prematuro ou em condies imprprias, acarretam leses irreparveis nas crianas, prejudicando a sua formao presente e o desenvolvimento futuro.A utilizao do menor como fora de trabalho no recente, data de eras antigas, o que se confirma pelos relatos histricos que nos do notcias desse fato. Na antiguidade, o trabalho desenvolvido pelos menores tinha um carter eminentemente familiar, consistindo em pequenos servios isentos de quaisquer fins lucrativos, mas, objetivando essencialmente a aprendizagem.Segadas Viana[1]registra que o trabalho infantil vem de muito tempo, diz ele que talvez seja no Cdigo de Hamurabi, que data de mais de 2.000 anos antes de Cristo, que encontraremos medidas de proteo aos menores, que trabalham como aprendizes.Na poca das Corporaes de Ofcio, o aprendiz passou a desenvolver uma atividade produtiva e, com o advento da Revoluo Industrial, ficou ao desamparo do sistema da poca. Nesse perodo, o trabalho do menor passou a ser executado sem qualquer proteo relativa preservao de sua sade fsica, sendo o trabalho desenvolvido em minas, subsolos, no havendo nenhuma diferena entre os servios prestados por este e os adultos.A Revoluo Industrial deu nfase ao problema, pelo que a legislao dos diversos pases passou a regulamentar o emprego da referida mo-de-obra, em termos de coibir os eventuais abusos que pudessem ser praticados contra a mesma[2].No Brasil, a primeira tentativa a respeito foi o projeto do decreto elaborado por Jos Bonifcio de Andrada e Silva, no ano de 1825, vedando o trabalho insalubre e fatigante para os escravos, menores de 12 anos[3].Iniciou-se a nossa legislao, no entanto, com o Decreto n 1.313, de 17 de janeiro de 1891, que entre outros dispositivos, estabelecia o horrio de trabalho de 7 horas, no mximo, por dia, para os menores do sexo feminino, entre 12 a 15 anos, aos do sexo masculino, na faixa de 12 a 14 anos, e fixava tambm uma jornada de nove horas para os meninos de 14 a 15 anos de idade. Admitia, ainda, menores aprendizes, a partir de 8 anos de idade, e proibia o trabalho dos menores nos servios de limpeza em mquinas em movimento.At o advento da Consolidao das Leis do Trabalho CLT, em 1943, vrios dispositivos regularam a idade mnima para o trabalho infantil, destacando-se o Cdigo de Menores da Amrica Latina, de 1927, e o Decreto n 17.343/A, editado em 12 de outubro, que veio a regulamentar, de maneira ampla, o trabalho dos menores, vedando o trabalho infantil at aos 12 anos de idade e proibindo o trabalho noturno aos menores de 18 anos. Depois desse diploma seguiram-se as legislaes que atingem at os dias atuais.Segadas Viana, em sua obra Instituies do Direito do Trabalho[4], focalizando o menor brasileiro e seu trabalho tambm no campo expe: No Brasil, aos escravos de maior ou menor idade, no era assegurada proteo legal, e seus senhores empregavam os menores no somente em atividades domsticas, como nas indstrias rudimentares ento existentes, como na olaria, sendo habitual seu trabalho nos campos desde pequena idade.Vendidos a outros senhores, logo que seu desenvolvimento fsico lhes permitia trabalhar, eram transportados para regies distantes e no tinham, ao menos, o amparo materno. Isto no , entretanto, de espantar quando se verificava na Inglaterra, em inqurito realizado em 1814, que havia menores de 5 e 6 anos trabalhando nas fbricas. E, em nosso Pas, o aprendizado nas fbricas de tecidos era admitida desde os 8 anos de idade, durante trs horas dirias.Em 1912, a situao era a que nos descrevia Deodato Maia: As crianas ali viviam na mais detestvel promiscuidade; so ocupadas nas indstrias insalubres e no classificadas, perigosas; faltam-lhes ar e luz; o menino operrio, raqutico e doentinho, deixa estampar na fisionomia aquela palidez cadavrica e aquele olhar sem brilho que denunciam o cansao e a perda gradativa de sade. No comrcio de secos e molhados a impresso no menos desoladora: meninos de 8 a 10 anos carregam pesos enormes e so mal alimentados[5].A OIT - Organizao Internacional do Trabalho - em conferncias realizadas, procurou resguardar a sade do menor atravs de normas que disciplinam o trabalho por ele desenvolvido. Por ocasio da primeira Conferncia Internacional do Trabalho, quando se fundava a OIT em 1919, os participantes tiveram a iniciativa de estabelecer na Conveno n 5, o limite da idade mnima de 14 anos para o trabalho na indstria, e na Conveno n 6, proibio do trabalho noturno na indstria para menores de 18 anos. A Conveno n 138, da OIT recomenda que a idade mnima para o trabalho seja de 15 anos e, hoje, a Conveno n 182, estabelece a proibio das piores formas de trabalho Infantil aos todos os menores de 18 anos.E a jurisprudncia ptria no olvida a realidade nacional e, adaptando a lei ao que ocorre no Pas, vem decidindo de forma a minorar esse problema que, ainda, atinge um sem nmero de crianas.^3 -CONCEITO DE TRABALHO INFANTILNa conceituao da Organizao Internacional do Trabalho (OIT), trabalho infantil se caracteriza pela utilizao de mo-de-obra de pessoas com menos de 15 anos de idade, que o limite inferior internacionalmente estabelecido. As atividades exercidas por estas crianas so as mais variadas no conceito da organizao.As razes, se analisar a situao em nvel mundial, so diversas, incluindo legislao ineficiente, o que ocorre em alguns pases, e na sua m aplicao. Porm, bvio que crianas trabalham para atender necessidades bsicas de sobrevivncia. Nenhuma criana trabalha por prazer ou brincadeira, pois, embora ainda pequenas, j tm conscincia dos males que esse trabalho precoce ir acarretar.Mas, para que se possa falar em erradicao preciso primeiro que se identifiquem essas necessidades e se proporcione a estas crianas as oportunidades certas de supri-las. Segundo a OIT, um primeiro passo proteger os direitos dessas crianas no que ta