Evoluo do Homem e da civilizao humana.

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    Astrobiologia Mestrado e Doutorado em Fsica e Astronomia

    Prof. Dr. Sergio Pilling Alunos: Caroline Gonalves de Ges

    1. Introduo

    A teoria da evoluo do homem, o traz como sendo o pinculo da criao, ou seja, o homem

    como o ponto mais alto da criao, distinto de todos os outros animais, pois possua uma alma racional,

    criado por uma divindade, O qual o fez sua imagem e semelhana, com isso, o homem jamais poderia ser

    comparado aos outros animais. Essa criao envolve todos os seres vivos, nascia assim, o criacionismo.

    Muito atrelado a esse criacionismo, veio tambm o fixismo, todos os seres vivos foram criados por Deus

    permaneceram assim desde sua criao. Tal pensamento perdurou de Plato a Kant, passando por Descartes.

    Em 1859, Charles Darwin lanou o livro A Origem das Espcies, escrito e fortemente

    embasado em sua viagem no navio Beagle, as relaes geolgicas que existem entre a fauna extinta da

    Amrica meridional, assim como certos fatos relativos distribuio dos seres organizados que povoam este

    continente, impressionaram-me profundamente quando da minha viagem a bordo do Beagle, na condio de

    naturalista. Estes fatos (...) parecem lanar alguma luz sobre a origem das espcies (...) julguei que,

    acumulando pacientemente todos os dados relativos a este assunto e examinando-os sob todos os aspectos,

    poderia, talvez, elucidar esta questo, em 1831 e passou cinco anos (1831 a 1836) navegando pela costa do

    Pacfico e pela Amrica do sul. Durante este perodo, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas

    maiores medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil. Em sua obra, Darwin faz apenas uma citao

    a origem do homem: A luz ser lanada sobre a origem do homem e sua histria, embora no expresse

    suas ideias sobre a origem do homem, sua obra explora evidncias de uma ancestralidade para todos os seres

    vivos, inclusive o homem.

    2. Seleo Natural A seleo natural o processo proposto por Charles Darwin e Alfred Wallace para explicar a

    adaptao e especializao dos seres vivos, ou seja, sua evoluo, em concordncia com as evidncias

    disponveis nos registros fsseis. Outros mecanismos bsicos de evoluo incluem ainda a deriva gentica, o

    fluxo gnico, as mutaes e o isolamento geogrfico. Basicamente o conceito da seleo natural que,

    caractersticas favorveis que so hereditrias tornam-se mais comuns em geraes sucessivas de uma

    populao de organismos que se reproduzem, e que caractersticas desfavorveis que so hereditrias

    tornam-se menos comuns.

    A seleo natural age no fentipo, que so as caractersticas observveis de um organismo, de

    tal forma que indivduos com fentipos favorveis tm mais chances de sobreviver e se reproduzir do que

    Aula 18 - Evoluo do Homem e da civilizao humana.

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    aqueles com fentipos menos favorveis. Como esses fentipos apresentam uma base gentica, ento o

    gentipo associado com o fentipo favorvel ter sua frequncia aumentada na gerao seguinte. Com o

    passar do tempo, esse processo pode resultar em adaptaes que especializaro organismos em nichos

    ecolgicos particulares e pode resultar na emergncia de novas espcies.

    2.1 Mecanismos da Seleo Natural

    I. Deriva Gentica: um processo micro evolutivo, ou seja, ocorre em pequena escala,

    como dentro de uma populao, por exemplo. um evento estocstico em que no

    h como prever a direo da mudana na frequncia allica. Esse mecanismo resulta

    em perda de variao gentica e na fixao de alelos em diferentes loci. Os alelos

    fixados pela deriva podem ser neutros, deletrios ou vantajosos. O efeito desse

    mecanismo maior quanto menor a populao.

    II. Fluxo Gnico: a movimentao de genes de uma populao para a outra, inclui

    vrios tipos de eventos diferentes, como o plen sendo soprado a um novo destino

    ou pessoas se mudando para outras cidades ou pases. Se genes so transportados a

    uma populao onde esses genes no existiam previamente, fluxo gnico pode ser

    uma fonte muito importante de variao gentica.

    III. Mutaes: Qualquer alterao estrutural em um trecho de material gentico e que,

    pode ser transmitida a seus descendentes. Podem acontecer por diversos

    mecanismos: por insero ou remoo; mutao pontual; recombinao gentica,

    entre outros.

    IV. Isolamento Geogrfico (especiao aloptrica): Ocorre quando algo extrnseco para

    o organismo previne dois ou mais grupos de se acasalarem uns com os outros

    regularmente, eventualmente causando especiao nesta linhagem. O isolamento

    pode ocorrer devido a grande distncia ou uma barreira fsica, como um deserto ou

    um rio.

    3. Evoluo dos Hominneos Os primeiros primatas possuam formas arbreas e viviam nas florestas no incio da era

    Cenozoica. Os seres humanos foram os ltimos a aparecerem e sistemas sociais complexos uma

    caracterstica ancestral da linhagem primata. Portanto para entender a evoluo humana antes precisamos

    conhecer os grupos irmos e ancestrais do gnero Homo. Os primatas constituem uma ordem de mamferos

    (Primates) que incluem: os prossmios (lmures e Lris); os trsios, os macacos do Novo Mundo; os macacos

    do Velho Mundo; e por fim os antropides. Assim, os primatas possuem algumas caractersticas que os

    distinguem dos demais e que so facilmente notadas, como:

    Reduo ou perda da clavcula como elemento proeminente da cintura escapular;

    Ligamentos no ombro e no cotovelo que permitem um alto grau de movimentao em

    vrias direes bem como a rotao de membros peitorais;

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    Reteno generalizada de cinco dgitos funcionais nos membros laterais e plvicos.

    Mobilidade aumentada dos dgitos, especialmente do polegar e o hlux que realizam

    oposio aos outros dgitos.

    Garras modificadas em unhas achatadas e comprimidas.

    Desenvolvimento de terminaes sensoriais tteis na regio distal dos dgitos.

    Reduo do focinho e dos aparatos olfatrios e aumento do posicionamento do crnio

    no sentido caudal as rbitas

    Reduo do nmero de dentes, quando comparados aos mamferos primitivos, mas com

    reteno dos padres simples da coroa dos molares bunodontes.

    Aparato visual complexo, com alta acuidade, com grande percepo de cores e com

    tendncias ao desenvolvimento de olhos binoculares, voltados para frente e com

    percepes de trs cores.

    Um crebro relativamente grande se comparado ao corpo e com aumento do Crtex

    cerebral.

    Tendncia ao desenvolvimento de mecanismos de criao do feto

    Presena de somente duas glndulas mamrias com algumas excees.

    Uma cria por gravidez associada a um perodo de infncia prolongada e uma

    adolescncia.

    Uma tendncia posio ereta do tronco, o que leva ao bipedalismo facultativo.

    Porm, muitas das caractersticas citadas anteriormente no so exclusivas dos primatas: por

    exemplo, outros mamferos tambm retm a clavcula, porcos tambm possuem molares bunodontes

    similares aos primatas e cangurus a ungulados tm apenas um filhote por gravidez.

    O aparecimento destas caractersticas est relacionado ao modo de vida arbreo, modificaes

    bsicas nos apndices, profundidade estereoscpica e viso binocular bem como o aumento do crebro que

    coordena percepo visual e a resposta locomotora. Mas, no se deve aferir a fonte das caractersticas dos

    primatas somente ao meio arborcola, pois no so compartilhadas com outros mamferos com modo de vida

    arbreo.

    Todas essas caractersticas so observadas por meio de fosseis, os quais podem nos dizer muito sobre

    como ocorreram s mudanas ao longo do tempo com o homem, e tambm com os outros animais. Os mais

    antigos fsseis aceitos atualmente como membros da linhagem dos hominneos datam do Plioceno Inferior,

    h 4,4 milhes de anos, novos materiais foram descobertos rapidamente nos ltimos anos e fsseis mais

    antigos de hominneos ainda podem ser encontrados. No entanto alguns so fragmentrios e poderiam

    facilmente ser mais relacionados a outros macacos.

    Os fsseis documentam a evoluo em mosaico, permitindo com que possamos visualizar que

    algumas caractersticas comearam a evoluir para condio moderna antes de outras. Mostram-nos tambm

    que os humanos modernos evoluram atravs de muitos passos intermedirios a partir dos seus ancestrais,

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    que apresentam a maioria de seus caracteres anatmicos semelhantes aos macacos. Porm espcimes fsseis

    de hominneos so consideravelmente escassos, e tambm separados demais no tempo e no espao para que

    possamos responder todas as perguntas sobre os detalhes da histria dos hominneos.

    3.1. Australopitecneos

    Os fsseis mais antigos de hominneos so os australopitecneos, que foram descritos em algumas

    localidades na frica do Sul e tambm na frica Oriental. O primeiro espcime conhecido, fsseis

    fragmentrios da Etipia e Qunia, foram chamados de Ardipithecus ramidus (4,4 milhes de anos, Plioceno

    Inferior) e Australopithecus anamensis (4,2-3,9 milhes de anos) (figura 1)

    Fig. 1: esquerda: Ardipithecus ramidus; direita Australopithecus anamensis.

    Fonte: ateaysublevada.over-blog.es; www.archeolog-home.com.

    O material fssil inicial mais amplo e tambm informativo, da Tanznia e Etipia, foi chamado de

    Australopithecus afarensis, o mais conhecido dos australopitecneos j que inclui o espcime

    excepcionalmente completo conhecido como Lucy e mostra que eram bpedes (figura 2). A. Afarensis

    possui algumas caractersticas bem determinadas como o tamanho de seu crebro em relao ao seu corpo

    era semelhante ao de um chimpanz, suas mandbulas mantinham a forma ancestral (acentuado

    prognatismo), base craniana achatada, dentes caninos relativamente grandes, braos compridos em relao s

    pernas e ossos recurvados nos dedos das mos e dos ps.

    Em sua evoluo os australopitecneos aproximaram-se mais da forma humana em relao ao modo

    de locomoo do que quanto as mandbulas e crebros. Os machos de A. afarensis pesavam cerca de 1,5 vez

    mais do que as fmeas, mantendo o dimorfismo. Os A. afarensis podem ter sido uma das espcies que

    compe o ancestral direto dos humanos atuais, no entanto eles tambm podem ter sido consanguneas de

    nossos ancestrais, mas sem estar na linha que levou a ns.

    Desse modo, o A. afarensis, no humano em maioria de seus aspectos, deu o primeiro passo

    importante para a condio humana. No existem evidencias anatmicas ou arqueolgicas de que o A.

    afarensis confeccionava algum tipo de ferramenta de pedra ou de ossos.

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    Fig. 2: Lucy, o modelo mostra que A. Afarensis eram bpedes. Fonte: http://sodere.com/profiles/blog/list?tag=Lucy

    Outros australopitecneos fsseis, datando de 3 a 2,5 milhes de anos, so identificados como: o A.

    Africanus (figura 3) e o A. Garhi. O A. africanus foi o primeiro australopitecneo descrito, em 1924, e

    muito mais bem-conhecido. Ele apresenta caractersticas um pouco mais humanas que Lucy e tem sido

    considerado como um passo seguinte a ele na evoluo humana.

    Fig. 3: A. africanus, um dos australopitecneos melhor conhecidos.

    Todos os australopitecneos mencionados at agora so do tipo grcil, apresentando ossos e

    mandbulas relativamente leves. Em torno de 2,5 a 2 milhes de anos, no leste e no sul da frica, os

    australopitecneos divergiram nas formas grcil e robusta. Com isso surgiram duas espcies, o Paranthropus

    robustus e o P. boisei, apresentando mandbulas, crnios e molares muito mais fortes e mais capazes de

    comer alimentos mais duros do que as formas grceis (figura 4).

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    Fig. 4: esquerda o cranio de um P. Robustus e direita de um Homo sapiens, mostra a diferena entre as mandbulas, crnios e molares. Fonte: historum.com

    3.2. Gnero Homo

    Os fsseis mais antigos referidos ao gnero Homo so da Tanznia, Etipia e frica do sul se

    estendem entre 1,9 at 1,6 milhes de anos atrs (Plioceno Superior e Pleistoceno Inferior). Podem incluir

    duas espcies, mas geralmente so referidos ao Homo habilis. Os espcimes mais antigos so muito

    semelhantes ao Australopithecus africanus, e os mais novos so classificados na forma de posterior de Homo

    erectus.

    Os fsseis de H. habilis esto mais prximos a condio humana atual, tanto acima quanto abaixo do

    pescoo. Esses fsseis esto associados a ferramentas de pedras e seu crebro maior, cerca de 600 a 750

    cm3. Sua mandbula continua um pouco prgnata em comparao com a nossa, no entanto suas mandbulas e

    dentes so menores. O dimorfismo sexual era semelhante ao dos humanos atuais, sendo os machos 1,20

    vezes maiores do que as fmeas, em mdia (figura 5). Embora seus membros conservem propores

    semelhantes s dos macacos, sugerindo assim uma capacidade para escalar, a estrutura da perna e do p

    indicam que sua locomoo bpede era mais prxima da humana do que aquelas dos australopitecneos. A

    espcie H. habilis est associada ao uso de ferramentas de pedra e com osso de animais, que apresentam

    marcas de cortes e outros sinais de atividade de hominneos.

    Fig. 5: Imagem de uma H. habilis, mostra que sua mandbula continua um pouco prgnata. Fonte: www.avph.com.br

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    O Homo erectus do Pleistoceno Mdio em diante apresentam caractersticas humanas relativamente

    modernas: seu crnio arredondado, a face menos prognata que nas formas anteriores, seus dentes so

    menores e a sua capacidade craniana maior, alcanando em mdia 1.000 cm3 (figura 6). O H. erectus se

    classifica em Homo sapiens mais tarde em sua histria. Grandes partes dos cientistas especialistas em

    evoluo humana acreditam que habilis, erectus e sapiens so uma nica linhagem evolutiva.

    O H. erectus foi o primeiro homindeo que saiu da frica e colonizou a sia, a leste, h cerca de 1,5

    milhes de anos, e a Europa, em data incerta. Na Europa ele evolui para os neandertais humanos fsseis

    encontrados ali entre 200 mil e 400 mil anos. Alguns especialistas classificam de H. ergastes os espcimes

    africanos, e usam H. erectus para as formas asiticas e talvez europeias. J outros usam H. erectus para os

    espcimes africanos tambm.

    Por toda a sua extenso os H. erectus so associados com ferramentas de pedras, denominadas

    cultura acheuliana, que so mais diversificada e tambm mais sofisticadas que as ferramentas de Olduwan de

    H. habilis.

    Fig. 6: Homo erectus. Fonte: www.independent.co.uk

    A denominao: humanos anatomicamente modernos referem-se aos seres humanos atualmente

    existentes, os Homo sapiens. Estes diferem dos que j foram citados por uma srie de detalhes da anatomia

    do crnio. Nossos crebros apresentam forma diferente dos de H. erectus, e nossas faces so mais achatadas.

    Fig. 7: Aumento da capacidade craniana mdia desde A. robustus at H. sapiens. Fonte: www.icesi.edu.co

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    A capacidade craniana mdia aumentou se compararmos com os outros hominneos (figura 7). Assim, como aumentou durante toda a histria de sapiens, de cerca de 1.175 cm3 h 0,2 milhes de anos at o seu nvel mdio moderno de 1.400 cm3. Os espcimes do Pleistoceno Mdio, chamados sapiens arcaicos, so diferentes em aspectos relativamente menores do sapiens anatomicamente moderno, que os sucederam no Pleistoceno Superior

    Os Neanderthals (Homo sapiens neanderthalensis, ou de acordo com alguns autores, Homo

    neanderthalensis) a populao de Homo sapiens, chamados de arcaico mais bem conhecida. Apresentavam

    ossos densos, crnios grossos e testa salientada, andavam totalmente eretos, tinham crebros to grandes ou

    mesmo maiores (at 1.500cm3) do que os nossos, e tambm apresentavam uma cultura relativamente

    elaborada, incluindo uma grande variedade de ferramentas de pedras (cultura Mousteriana) e provavelmente

    praticavam enterros ritualizados de seus mortos.

    Os sapiens modernos surgiram mais cedo na frica, a cerca de 170.000 mil anos atrs, do que em

    outras partes, so indistinguveis em anatomia dos humanos de hoje. Este se sobreps aos Neandertais no

    Oriente Mdio durante grande parte da histria dos mesmos, no entanto o substitui de maneira abrupta na

    Europa h cerca de 40.000 mil anos. Provavelmente h cerca de 12.000 mil anos, ou antes, os humanos

    modernos tinham se espalhado do nordeste da sia atravs do estreito de Bering, para o noroeste da Amrica

    do Norte, e da rapidamente para todas as Amricas. Por volta de 40.000 mil anos iniciou-se a cultura

    Paleoltica Superior, sendo o Aurignaciano o mais antigo de vrios sucessivos estilos culturais na

    Europa. A cultura tornou-se mais do que utilitria em relao s artes, a auto-ornamentao, e possveis

    crenas mticas ou religiosas tornam-se mais evidentes a partir de 35.000 mil anos atrs em diante. A

    agricultura, que possibilitou o aumento enorme da densidade populacional e iniciou a transformao dos

    humanos na Terra, tem cerca de 11.000 mil anos.

    3.3. Surgimento dos Humanos anatomicamente modernos

    Fig. 8: O mapa mostra como teriam evoludo os humanos anatomicamente modernos. Eles teriam evoludo em locais

    distintos, devido s variaes do ambiente. Fonte: http://www2.assis.unesp.br/darwinnobrasil/humanev2b.htm

    Atualmente existem duas hipteses de quando e onde se originaram os humanos anatomicamente

    modernos. Por volta de 500 mil anos, populaes humanas descendentes de H. erectus estabeleceram-se na

    sia (e tambm na Austrlia) e na Europa, alm da frica. Alguns taxonomistas referem-se a todas essas

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    formas regionais como Homo sapiens arcaico, j outros as classificam como espcies diferentes, como por

    exemplo, o H. neanderthalensis na Europa, a alguns ainda as chamam de subespcies de H. erectus. Por

    volta de 30 mil e 40 mil anos atrs, os humanos anatomicamente modernos estavam completamente

    estabelecidos na frica, na Europa e na sia, e seus fsseis mais antigos so africanos e tm mais de 100 mil

    anos.

    Alguns paleoantroplogos sugerem que os humanos anatomicamente modernos evoluram de modo

    independente na sia, na Europa e na frica, essa a chamada hiptese multirregional (figura 8).

    J outros propem que eles se originaram somente na frica e da emigraram para a sia e a Europa,

    substituindo os povos indgenas que tinham pouco ou nenhum intercruzamento, essa a hiptese vindos da

    frica (figura 9).

    Fig. 9: Ilustrao da teoria vindos da frica. Os humanos anatomicamente modernos teriam sua origem na frica, e

    depois emigraram para os outros continentes. Fonte: http://www2.assis.unesp.br/darwinnobrasil/humanev2b.htm

    Quando falamos da evoluo dos Hominneos devemos compreender que ela envolve grandes

    modificaes que podem ser compreendidas em trs categorias quando analisamos os fsseis, existe tambm

    uma quarta categoria que mais difcil de estudar em fsseis e diz respeito s mudanas no comportamento

    social. So assim, divididas em quatro principais classes de mudanas:

    1) Bipedalismo: A evoluo da locomoo ereta sobre duas pernas resultou em vrias

    mudanas em nosso corpo, sendo essas adaptaes visivelmente claras na anatomia dos ossos fsseis

    de pernas e ps, e tambm nas vrtebras, no comprimento dos braos e na posio de nossos crnios

    sobre a coluna vertebral (figura 10).

    Fig. 10: Evoluo da locomoo ereta sobre duas pernas. Fonte: indalimentacion.blogspot.com

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    2) Aumento do crebro: H 5 milhes de anos atrs, nossos ancestrais macacos

    provavelmente tinham um crebro de tamanho semelhante ao dos chimpanzs atuais, com cerca de

    350 a 400 cm3, j os crebros humanos atuais tem cerca de 1.350 cm3.

    Fig. 11: Modificao do tamanho do crebro.

    Fonte: http://universoracionalista.org/da-serie-primatas-cerebros-grandes-demais/

    3) Mudana nas mandbulas e nos dentes: Tanto os chimpanzs quanto os nossos ancestrais

    macacos so mais prgnatos do que ns, apresentam suas mandbulas projetando-se adiante de suas

    faces. As mandbulas retraram-se para a face durante a evoluo humana, tornando-as mais ampla.

    As mandbulas de nossos ancestrais macacos e dos chimpanzs quando vistas de cima ou de baixo,

    tem forma semicircular, j em ns, o semicrculo foi empurrado para trs, para uma forma mais

    semelhante a um retngulo. Nossos dentes tambm se tornaram menores, especialmente os caninos

    (figura12).

    Fig. 12: As mudanas nas mandbulas e nos dentes, provavelmente ocorreram devido a variao da alimentao. Fonte: netnature.wordpress.com

    4) Mudanas no comportamento social, cultural e no dimorfismo sexual: Nossa vida social e

    cultural o principal modo pelo qual nos diferimos dos outros macacos, no entanto nos fsseis esse

    desenvolvimento s pode ser acompanhado indiretamente. Ao observamos os macacos no-humanos

    notamos que os machos pesam cerca do dobro das fmeas, em mdia, nos gorilas e orangotangos, e

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    cerca de 1,35 vez mais nos chimpanzs. J nos humanos o dimorfismo sexual menor, onde os

    machos pesam, em mdia, cerca de 1,20 vez mais do que as fmeas. A linguagem a principal

    inovao subjacente cultura humana atual, no entanto difcil estudar a origem da linguagem,

    indcios muito indiretos provem da anatomia das mandbulas e das gargantas e tambm da riqueza

    simblica dos objetos associados com os fsseis.

    4. Civilizao A palavra civilizao deriva do latim civita que designa cidade e civile (civil) o seu habitante.

    Civilizao um complexo conceito da antropologia e histria. Numa perspectiva evolucionista o

    estgio mais avanado de determinada sociedade humana, caracterizada basicamente pela sua fixao ao

    solo mediante construo de cidades.

    Pode ser definido ainda, como, o estgio de desenvolvimento cultural em que se encontra um

    determinado povo. Assim, segundo Samuel P. Huntington, um cientista politico americano, as

    identidades culturais e religiosas dos povos sero a principal fonte de conflito no mundo ps-Guerra Fria,

    teoria bem explicada e muito embasada em seu livro Choque de civilizaes. Nele, Huntington divide

    o mundo em nove principais civilizaes dividas pela sua cultura. Na figura 13, est o mapa das

    civilizaes segundo Huntington, onde as cores, evidentemente, marcam uma civilizao: vermelho

    escuro: Civilizao snica; vermelho: Civilizao nipnica; laranja: Civilizao hindu; amarelo:

    Civilizao budista; verde: Civilizao islmica; azul escuro: Civilizao ocidental; roxo: Civilizao

    latino-americana; azul claro: Civilizao ortodoxa; marrom: Civilizao subsaariana; cinza: antigas

    colnias do Reino Unido.

    Fig. 13: O mundo divido pelas civilizaes culturais, segundo Huntington. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Choque_de_civiliza%C3%A7%C3%B5es

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    5. Sinergia O homem para sobreviver ele precisa da natureza, relacionar-se com ela, j que dela provm s

    condies que lhe permitem perpetuar-se enquanto espcie: no se pode, portanto, conceber o homem sem a

    natureza.

    A atividade dos animais, em relao natureza, biologicamente determinada; a sobrevivncia, da

    espcie se d atravs de sua adaptao ao meio. O animal limita-se imediaticidade das situaes, atuando

    de forma a permitir a sobrevivncia de si prprio e a de sua prole, e isso se repete a cada gerao.

    O homem tambm atua sobre a natureza em funo de suas necessidades e o faz para sobreviver

    enquanto espcie. No entanto, diferentemente de outros animais, o homem no se limita imediaticidade das

    situaes com que se depara; ultrapassa limites, j que produz universalmente (para alm de sua

    sobrevivncia pessoal a de sua prole), no se restringindo s necessidades que se revelam no aqui e agora. O

    homem atuante sobre a natureza, faz parte dela, est intimamente inserido nela. A relao homem-natureza

    faz-se importante para ele mesmo, visto que, no o homem no pode viver sem a natureza. Porm, faz parte

    da natureza humana, as modificaes por ele realizada no meio em que se insere.

    Referencias

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_natural

    http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/VC1aModesSpeciation.shtml

    http://www.coladaweb.com/biologia/evolucao/evolucao-humana

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Fluxo_g%C3%AAnico

    http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/15279/a-teoria-da-evolucao-

    humana#ixzz3iQhAalJ8

    http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/CharlesDarwin.php

    http://www.ib.usp.br/evosite/evo101/VC1bAllopatric.shtml

    Ges, C.G; Aleixo-Silva, R. Aula Evoluo Molecular e co-evoluo. 2014

    Reis, T.M.M; Oliveira, J.S; Ges, C.G. Aula Evoluo Humana (adaptada). 2014