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Avaliação Nutricional em doentes com enfarte agudo do miocárdio Nutritional assessment in Patients with Myocardial Infarction Miguel Aires da Rocha Garcês Orientado por: Professora Doutora Flora Correia Trabalho de Investigação Hospital de São João Porto 2010

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Avaliação Nutricional em doentes com enfarte agudo do miocárdio

Nutritional assessment in Patients with Myocardial Infarction

Miguel Aires da Rocha Garcês

Orientado por: Professora Doutora Flora Correia

Trabalho de Investigação

Hospital de São João

Porto 2010

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Miguel Garcês 2009/2010

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Miguel Garcês 2009/2010

Agradecimentos

Todo o meu percurso, quer enquanto pessoa quer como estudante, fica marcado

pela presença de outras que de alguma forma contribuíram para aquilo que hoje

sou. Não apenas o Miguel indivíduo, mas alguém mais completo.

Um agradecimento especial,

Aos meus pais. Sem eles esta etapa não era de facto atingida. E creio que todos

sabemos o quanto dispendioso, tanto monetária como emocionalmente é manter

um filho a estudar tantos anos! Pelo carinho, dedicação, devoção digo-vos “meus

velhotes” que vos adoro.

Aos meus irmãos. Sempre presentes, sempre dispostos a ajudar, a brincar, a

chatear… estou aqui sempre para o que for preciso.

Aos meus padrinhos. Duas pessoas fantásticas… sempre dispostas a mimarem-

me! Sei que estão orgulhosos.

À Sara. Aquela pessoa… Obrigado por estares sempre lá. É também graças a ti

que posso orgulhosamente dizer que sou nutricionista. Todos os momentos do

curso foram passados contigo ao meu lado, tanto fossem maus ou bons. Tanta

paciência, tanto carinho. És única… Adoro-te.

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Miguel Garcês 2009/2010

Ao serviço de cardiologia. Aos médicos que o compõem, à D. Olinda e à D. Ana.

À Professora Cristina Arteiro e à Professora Sílvia Pinhão, pela simpatia durante o

estágio.

Ao Professor Bruno. Pela paciência com que sempre trata dos alunos neste

momento tão complicado. Ao Engenheiro Rui Chilro e à Dra. Marta Azevedo pela

disponibilidade e boa disposição com que me ajudaram.

A todos os professores que contribuíram para que a licenciatura de Ciências da

Nutrição seja uma referência.

Aos meus colegas de estágio. Zé Pedro, Carla, Martina, Miguel Afonso, Inês,

Sónia, Jacinta, Sofia, Lara, Ana, Gabriela. Que grandes momentos… muitos e tão

bons deve ser raro! Um abraço especial ao Zé Pedro, um amigo para a vida.

À Professora Flora Correia. Por fim, mas não em último… Obrigado pelo carácter,

personalidade, a destreza, a sabedoria, o carinho, a paciência. Um exemplo a

seguir por tudo aquilo que representa, não apenas como uma excelente

nutricionista, mas também enquanto pessoa. Todo o meu futuro como

nutricionista terá sem dúvida a Professora Flora como base, e agradeço por poder

ter contactado tão de perto com ela.

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Miguel Garcês 2009/2010

Índice

Agradecimentos .................................................................................................. i

Lista de Abreviaturas .......................................................................................... iv

Resumo .............................................................................................................. v

Abstract ............................................................................................................ viii

Introdução .......................................................................................................... 1

Objectivos........................................................................................................... 8

Material e Métodos ............................................................................................. 8

Resultados ....................................................................................................... 10

Discussão ......................................................................................................... 14

Conclusões....................................................................................................... 19

Referências Bibliográficas ................................................................................ 21

Índice de Anexos .............................................................................................. 26

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Lista de Abreviaturas

AVC – Acidente Vascular Cerebral

c-HDL – Colesterol HDL

c-LDL – Colesterol LDL

DC – Doença Coronária

DM – Diabetes Mellitus

dp – Desvio Padrão

DCV – Doença Cardiovascular

DRI – Dietary Reference Intake

EAM – Enfarte Agudo do Miocárdio

FRCV – Factores de Risco Cardiovascular

HTA – Hipertensão Arterial

IMC – Índice de Massa Corporal

n-3 – Ácidos Gordos Polinsaturados ómega 3

n-6 - Ácidos Gordos Polinsaturados ómega 6

OMS – Organização Mundial de Saúde

QFA – Questionário de Frequência Alimentar

p- Nível de significância critico para rejeição da hipótese nula

SCA – Síndrome Coronária Aguda

TG – Triglicerídeos

VET – Valor Energético Total

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Resumo

Introdução: A Doença Cardiovascular (DCV) é a maior causa de incapacidade e

morte prematura no Mundo, sendo o Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) um

evento agudo de DCV.

São vários os Factores de Risco cardiovascular (FRCV) conhecidos, estando os

hábitos de consumo alimentar associados com a incidência desses FRCV.

Efectivamente, o consumo de certos nutrientes, como Ácidos Gordos (AG)

Saturados, AG trans, colesterol e sódio, revelam-se prejudiciais para as DCV,

sendo que o consumo de hortofrutícolas, fibra alimentar, AG mono e

polinsaturados ómega 3 (n-3) é associado a um efeito protector.

Existem ainda micronutrimentos, como os antioxidantes, vitamina D e Potássio,

por exemplo, susceptíveis de exercerem um efeito protector na ocorrência de

DCV.

A mudança nos hábitos de vida das populações é responsável pela emergência

destes FRCV, sendo importante a alteração de comportamentos para se

conseguir uma efectiva redução na incidência das DCV no Mundo. Como

comportamentos a adoptar salientam-se a prática de uma alimentação saudável e

equilibrada, a cessação tabágica, a prática e manutenção de exercício físico

activo e o controlo do peso corporal.

Objectivo: O objectivo geral do estudo prende-se com a finalidade de avaliar a

ingestão nutricional de doentes com Enfarte Agudo do Miocárdio, e relacioná-la

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Miguel Garcês 2009/2010

com as recomendações (DRI) da Food and Nutrition Board, Institute of Medicine e

OMS.

Métodos: A amostra foi constituída por 27 indivíduos (22 do género masculino e 5

do feminino), internados no serviço de cardiologia do hospital São João EPE, cujo

motivo de admissão fosse EAM. Foram avaliados do ponto de vista

antropométrico (peso e estatura), bioquímico (Colesterol total, colesterol HDL,

colesterol LDL, triacilgliceróis e glicose), nutricional (Proteínas, Hidratos de

Carbono, Lípidos, AG Saturados, AG Monoinsaturados, AG Polinsaturados (e

destes também os n-3 e n-6 respectivamente), AG trans, Etanol, Cálcio,

Magnésio, Potássio, Selénio, Zinco e Vitaminas A, C, D, E, B12 e Ácido Fólico)

através da aplicação de um Questionário de Frequência Alimentar (QFA). Foram

ainda tidos em conta outros dados anamnésicos de relevo como actividade física

(AF).

Resultados: A amostra tinha uma média de idades de 61,6 (dp=5,01) e 59,2

(dp=8,70) anos para os géneros feminino e masculino, respectivamente. As

mulheres tinham um peso médio de 66,3 kg (dp=7,89) e IMC médio de 27,3 kg/m2

(dp=2,10), ao passo que os Homens tinham um peso médio de 75,4 kg (dp=13,6)

e IMC médio de 26,4 kg/m2

(dp=4,44). A amostra era maioritariamente sedentária

(66,7%) e os FRCV mais frequentes, exceptuando a idade, eram a Dislipidemia

(59,3%), a HTA (48,1%) e Tabagismo (29,6%).

Do ponto de vista nutricional, ambos os géneros tem um consumo médio

excessivo de proteína e gordura (entre esta o colesterol. As mulheres ingerem

também AG Saturados acima do recomendado) e reduzido de Hidratos de

carbono. Os homens consomem bebidas alcoólicas em demasia. Em termos das

vitaminas e minerais analisados, a amostra tem um consumo médio baixo de

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vitaminas A, D e E. Quando analisado o consumo baixo ou adequado dos

micronutrimentos avaliados em proporção da amostra verifica-se que 96,3%tem

um consumo deficiente de vitamina D, 77,8% de vitamina A, 51,9% de vitamina E

e 48,1% no caso do Ácido Fólico. Nos minerais, salientam-se o Potássio, o Cálcio

e o Magnésio com percentagens inferiores às recomendadas em 59,3%, 55,6% e

40,7% da amostra.

Conclusões: Observou-se a prevalência de vários factores de risco para as DCV,

assim como a discrepância tanto no consumo de macro como micronutrimentos

em relação às recomendações quer da OMS quer da Food and Nutrition Board,

Institute of Medicine. Observou-se ainda o estilo de vida sedentário na maioria da

amostra.

Palavras-Chave: Doença Cardiovascular, ingestão nutricional, Enfarte Agudo do

Miocárdio

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Miguel Garcês 2009/2010

Abstract

Introduction: Cardiovascular Disease (CVD) is the leading cause of disability and

premature death in the world, and the Acute Myocardial Infarction (AMI) an acute

event of CVD.

Several cardiovascular risk factors (CVRF) are known, with the habits of food

consumption associated with the incidence of these CVRF. Indeed, the

consumption of certain nutrients such as Saturated fatty acid (FA), Trans FA,

dietary cholesterol and sodium, are proving to be detrimental for CVD, although

the consumption of fruit and vegetables, dietary fiber, monounsaturated and

polyunsaturated omega 3 (n- 3) FA is associated with a protective effect.

There are also micronutrients, such as antioxidants, which may exert a protective

effect on the occurrence of CVD.

The change in lifestyle is responsible for the emergence of these CVRF. It is

important to change behaviour to achieve an effective reduction in the incidence of

CVD in the world. As behaviours to adopt, it is emphasized the practice of a

healthy and balanced diet, smoking cessation, practice and maintenance of

physical activity and body weight control.

Aim: The main objective of the study is assessing the nutritional intake of patients

with Acute Myocardial Infarction, and relate it to the recommendations (DRI) of the

Food and Nutrition Board, Institute of Medicine and WHO.

Methods: The sample was composed of 27 subjects (22 males and 5 females),

admitted to the Cardiology care unit of São João EPE Hospital, Oporto, whose

reason for admission was AMI. They were evaluated in terms of anthropometric

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(weight and height), biochemical (total cholesterol, HDL cholesterol, LDL

cholesterol, triglycerides and glucose), nutritional (Protein, Carbohydrates, Lipids,

AG Saturated, Monounsaturated FA, Polyunsaturated FA, and these also the n-3

and n-6, Trans FA, Ethanol, Calcium, Magnesium, Potassium, Selenium, Zinc and

Vitamins A, C, D, E, B12 and folic acid) through the application of a Food

Frequency Questionnaire (FFQ). It was also taken into account other relevant

anamnestic data, such as physical activity (PA).

Results: The mean age of the sample was 61.6 (sd = 5.01) and 59.2 (sd = 8.70)

years for male and female gender, respectively. Women had an average weight of

66.3 kg (sd = 7.89) and average BMI of 27.3 kg/m2 (sd = 2.10), while men had an

average weight of 75.4 kg (sd = 13.6) and average BMI of 26.4 kg/m2 (sd = 4.44).

The sample was mostly sedentary (66.7%) and more frequent CVRF, except age,

were dyslipidemia (59.3%), Hypertension (48.1%) and smokers (29.6%).

From a nutritional standpoint, both genders have an excessive average

consumption of protein and fat (such as cholesterol. Women also eat Saturated FA

above recommended) and reduced carbohydrates. Men drink alcohol too much. In

terms of vitamins and minerals analyzed, the sample has a low average intake of

vitamins A, D and E. When examining the proportion in the sample of low or

adequate micronutrients intake it appears that 96.3% have an inadequate intake of

vitamin D, 77.8% vitamin A, 51.9% vitamin E and 48.1% in the case of folic acid. In

minerals, is accentuated the low consumption of potassium, calcium and

magnesium with percentages lower than recommended in 59.3%, 55.6% and

40.7%, respectively of the sample.

Conclusions: It was observed the prevalence of several risk factors for CVD, as

well as the discrepancy in the consumption of both macro and micronutrients in

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relation to the recommendations of the WHO and the Food and Nutrition Board,

Institute of Medicine. Physical inactivity was observed in the most of the sample.

Keywords: Cardiovascular disease, nutritional intake, Myocardial Infarction

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Miguel Garcês 2009/2010

Introdução

A Doença Cardiovascular (DCV) é a maior causa de incapacidade e morte

prematura no Mundo, contribuindo com aproximadamente 17 milhões de mortes

anualmente. Destas, aproximadamente 80% ocorre em países desenvolvidos, o

que tem contribuído sobremaneira para a escalada dos custos de saúde(1-2). A

patologia base da DCV é a aterosclerose, a qual se desenvolve ao longo de

muitos anos, e cujos sintomas tendem a surgir, geralmente, na meia-idade(3).

A Síndrome Coronária Aguda (SGA) engloba um grupo de eventos agudos de

doença coronária, que incluem a angina instável, Enfarte Agudo do Miocárdio

(EAM) com supradesnível do segmento ST (SST) e EAM sem SST(4). Como EAM

entende-se a morte celular dos miócitos cardíacos como resultado de isquemia

prolongada, a qual é o resultado de um desequilíbrio de perfusão entre o que é

gasto e fornecido(5).

Em 1948, com o intuito de identificar quais os factores de risco mais comuns e

atribuíveis como contribuidores para as DCV, o Framingham Heart Study, sob a

direcção do National Heart Institute, dos EUA, seguiu durante um largo período de

tempo um grupo de participantes que ainda não tinha desenvolvido qualquer

sintoma de DCV(6).

Ao longo dos anos, a monitorização da população do estudo Framingham Heart

Study permitiu elencar os maiores factores de risco Cardiovascular (FRCV) –

HTA, dislipidemia, tabagismo, obesidade, diabetes e inactividade física – assim

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como a possibilidade de efeitos adversos de outros factores como os

triacilgliceróis, colesterol LDL, idade, género e questões psicossociais(1, 6).

Um FRCV é uma condição mensurável que está associada a um aumento do

risco de desenvolver uma DCV. A associação é maioritariamente estatística e,

significa que se um indivíduo tem um factor de risco, ou mais, está mais

susceptível ao desenvolvimento de DCV. No entanto, isto não significa que irá

irreversivelmente contrair a doença ou, pelo contrário, que se não tiver nenhum

dos factores de risco major conhecidos não desenvolverá a mesma. Apenas

significa que se encontra mais predisposto para esta, a sua probabilidade é

maior(7).

Entre Fevereiro de 1999 e Março de 2003 decorreu o estudo INTERHEART. Este

grande estudo caso-controlo, internacional, padronizado, foi concebido com o

intuito primário de avaliar a importância dos factores de risco para a doença

coronária em todo o mundo. A amostra consistiu em 15152 casos e 14820

controlos de 52 países, representando todos os continentes habitados.

Os objectivos específicos são determinar a força da associação entre vários

factores de risco e o EAM na população do estudo e verificar se essa associação

depende da região geográfica, origem étnica, sexo ou idade. Um objectivo

secundário é estimar o PAR (Risco Atribuível à População) para factores de risco,

e suas associações na população em geral e em vários subgrupos. Este projecto

centrou-se na associação de nove factores de risco ou protecção passíveis de ser

medidos (tabagismo, lípidos, hipertensão e diabetes auto-relatadas, obesidade,

dieta, actividade física, consumo de álcool e factores psicossociais) e o primeiro

evento de EAM.

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O estudo mostrou que os nove factores de risco, potencialmente modificáveis, são

responsáveis por uma esmagadora maioria (mais de 90%) da proporção do risco

do primeiro evento de EAM. O efeito destes factores é consistente em homens e

mulheres, em diferentes regiões geográficas, étnicas e grupos, tornando o estudo

aplicável mundialmente(8).

Assim, e de acordo com o Framingham Heart Study e o estudo INTERHEART, os

FRCV mais associados com a DCV são: obesidade(9), hipertensão(10),

dislipidemia(11), diabetes(12), inactividade física(13-14) e tabagismo(15-16). Existem

outros factores, que apesar de não serem considerados como major, contribuem

para o aumento da incidência de DCV, como por exemplo o stresse(17-18).

A relação entre a obesidade e a DCV era, até recentemente, entendida como

indirecta pois, seriam as co-morbilidades a si associadas que actuavam como

FRCV – dislipidemia, diabetes mellitus não insulino dependente, hipertensão,

entre outras, e não a obesidade directamente. No entanto, estudos sugerem que

um aumento do IMC está associado a um aumento do risco de DCV, ou que, pelo

contrário, uma redução de peso em doentes obesos mostra-se eficaz na redução

do risco de doença coronária e na prevenção de DCV(19-20).

Logo, e partindo do pressuposto que os FRCV são resultados de estilos de vida

inapropriados e modificáveis(8), a alteração de comportamentos é necessária para

a redução da incidência de DCV na população. Assim, é importante a cessação

tabágica, a prática e manutenção de actividade física, manter um bem-estar

mental e praticar uma dieta equilibrada e saudável(3).

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Miguel Garcês 2009/2010

Efectivamente, desde a segunda metade do século XX, os padrões de consumo

alteraram-se, devido à maior disponibilidade alimentar. Estas alterações na dieta

e nos estilos de vida contribuíram para o surgimento epidémico das doenças

crónicas, entre as quais as cardiovasculares, e para a demarcação destas como

maiores contribuidores de mortalidade e morbilidade, substituindo as infecções e

as deficiências nutricionais como causas líder(2, 21).

A relação entre a dieta e as DCV é explicada pelo facto de esta poder afectar a

maioria dos FRCV modificáveis(22). Além disso, normalmente más práticas

alimentares são normalmente associadas com outros comportamentos menos

saudáveis como a inactividade física e hábitos tabágicos(23).

De entre os padrões de consumo mais susceptíveis de contribuírem para o

aumento das DCV, e dos nutrientes associados a estes padrões, salientam-se: a

relação entre a ingestão de gordura saturada, a qual promove um aumento no c-

LDL(24). É ainda conhecido, que os ácidos gordos saturados com 12-16 átomos de

carbono são os principais responsáveis por este efeito(24); a ingestão elevada de

ácidos gordos trans, que provoca alterações adversas no perfil lipídico e na

função endotelial(25); o consumo elevado de sódio(26), que está

concomitantemente associado à elevação da pressão arterial, sendo esta um

FRCV major(27). Um estudo na população Japonesa mostra que uma redução

média do consumo de sódio de 77 mmol/dia reduz a pressão sistólica em 1,9

mmHg (IC. 95% , 1,2 a 2,6 mmHg) e a pressão diastólica em 1,1 mmHg (IC. 95%

, 0,6 a 1,6 mmHg)(28); consumo elevado de alimentos ricos em colesterol pois,

este é um determinante do colesterol sérico(29), apesar de que o seu efeito é baixo

quando comparado com os ácidos gordos saturados e trans(29);

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Miguel Garcês 2009/2010

Estudos vêm demonstrando que modificações na composição lipídica da dieta,

nomeadamente na quantidade e qualidade dos ácidos gordos ingeridos, podem

promover alterações nos níveis séricos de colesterol, conduzindo a uma

diminuição no risco de DCV(30-32). Mais, preconiza-se que tanto o colesterol HDL

(c-HDL) como o LDL (c-LDL) séricos são dois bons predictores de risco

cardiovascular(33). Assim, ao c-HDL é atribuído um efeito protector e inversamente

proporcional à ocorrência de DCV(34) e, o c-LDL é tido como um factor de risco

major para a DCV(35).

Relativamente aos alimentos, grupos de alimentos ou nutrientes que se associam

a um efeito protector de DCV evidenciam-se: o aumento do consumo de

hortofrutícolas(36-37); fibra alimentar(38-39); ácidos gordos monoinsaturados(40);

ácidos gordos polinsaturados n-3(41), Vitamina D, Ácido Fólico e Potássio.

A deficiência em vitamina D parece estar também associada a um risco

aumentado de DCV. Pois, níveis baixos de 25-hidroxivitamina D têm sido

relacionados com os FRCV Obesidade, HTA e DM, assim como a eventos de

DCV como AVC e falha cardíaca congestiva(42-43).

O provável efeito protector do ácido fólico relatado pela OMS, e supra citado,

parece estar relacionado com o efeito desta vitamina do complexo B na

concentração de homocisteína sérica, baixando-o(44), sendo esta, segundo alguns

autores, um factor independente de risco cardiovascular.(44-45)

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Miguel Garcês 2009/2010

O Potássio (K+) é essencial para a manutenção da saúde cardiovascular, e o

estado de normocalémia é vital para a prevenção de sequelas potencialmente

graves, principalmente em indivíduos numa situação de risco. Esta associação

surge devido à importância deste ião na repolarização cardíaca, sendo um estado

de hipocalémia altamente arritmogénico. Ainda, a deficiência em potássio está

clinicamente associada e arritmias, que incluem as taquiarritmias ventriculares,

potencialmente fatais. Ainda, a depleção neste ião, ou a baixa ingestão alimentar,

desempenham um papel central na regulação da pressão arterial quer em

indivíduos hiper ou normotensos(46).

Em relação ao consumo de hortofrutícolas, uma meta-análise com

aproximadamente 278459 indivíduos, dos quais 9143 com doença coronária (DC),

demonstrou que o aumento da ingestão de hortofrutícolas de 3 ou menos peças

para 5 ou mais peças é associado a uma diminuição do risco de DC em 17%(37,

47).

O papel dos antioxidantes como factores protectores da DCV ainda não está

muito bem esclarecido, sendo os resultados de diversos estudos inconclusivos

para se poderem afirmar o seu efeito protector, não se justificando para já a

suplementação destes(48).

Ainda, as vitaminas C e E, são descritas como não tendo qualquer efeito protector

de DCV, na medida em que, a suplementação destas no Physicians Health Study

mostrou-se ineficaz na redução da incidência de evento CDV, em comparação

com um placebo(49).

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Miguel Garcês 2009/2010

No entanto, outros dados sugerem que os antioxidantes podem inibir a oxidação

do LDL actuando como antiaterogénicos(50). Esta concepção é apoiada por

estudos em animais que mostram que os antioxidantes podem retardar a

progressão da aterosclerose e, dados epidemiológicos e clínicos indicam um

papel protector dos antioxidantes da dieta contra a doença cardiovascular,

incluindo a vitamina E, β-caroteno e vitamina C(50).

Com vista a prevenir a incidência global de doenças crónicas, como as DCV,

relacionadas com os padrões alimentares, tanto a Organização Mundial de Saúde

(OMS)(21) como a Comissão Europeia, através do projecto Eurodiet(51),

desenvolveram um conjunto de directrizes alimentares e nutricionais com o intuito

de melhorar os padrões de consumo e de estilo de vida da população (tabela 1).

Componente Nutricional Recomendação Eurodiet Recomendação OMS

Lípidos (VET1) ˂ 30% 15 – 30%

AG Saturados ˂10% ˂10%

PUFA 6-10%

n-3 PUFA 2g ácido linolénico + 200mg

de cadeia longa 5-8%

n-6 PUFA 4-8% 1-2%

MUFA - Por diferença2

Trans ˂2% ˂1%

Colesterol - ˂300 mg/dia

Hidratos de Carbono (VET1) ˃55% 55-75%

Açúcares livres ≤4 Ocasiões diárias3 ˂10%

Proteína (VET1) - 10-15%

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Fruta e vegetais (g/d) ˃400 ≥400

Folato proveniente da

alimentação (µg/d) ˃400 -

Fibra alimentar (g/d) ˃25 (ou 3g/MJ) Da alimentação

Sódio (como NaCl, g/d) ˂6 ˂5 (2g de sódio)

1 – Valor energético total 2 – Diferença de: total de lípidos – (AG saturados + PUFA + trans). PUFA = Ácidos Gordos Polinsaturados e, AG = Ácidos Gordos 3 – Uma ocasião inclui qualquer episódio de consumo de alimentos ou bebidas no dia. Esta ingestão limitada é compatível com os limites impostos por muitos estados membros ao total de açúcar ingerido e a preocupação dos Nórdicos em limitar a ingestão de açúcar das crianças e de alguns adultos com baixo aprovisionamento energético a não mais que 10% do valor energético total diário. Tabela 1 – Recomendações nutricionais preconizadas pela OMS e pelo projecto EURODIET.

(21, 51-52)

Objectivos

O objectivo geral do estudo prende-se com a finalidade de avaliar a ingestão

nutricional de doentes com Enfarte Agudo do Miocárdio, e relacioná-la com as

recomendações (DRI) da Food and Nutrition Board, Institute of Medicine e da

OMS.

Material e Métodos

No estudo foram apenas incluídos os doentes cujo motivo de internamento no

serviço de cardiologia do Hospital de São João EPE, era EAM.

Por conseguinte, foram avaliados inicialmente 33 doentes, sendo que apenas 27

(22 do género masculino e 5 do género feminino) constituíram de facto a amostra.

O motivo da desistência dos restantes 6 prendeu-se com o facto de não

pretenderem concluir o Questionário de Frequência Alimentar (QFA) devido ao

carácter exaustivo deste.

Para a caracterização da amostra, foram tidos em consideração tanto parâmetros

antropométricos, como bioquímicos, além da aplicação do Questionário de

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Frequência Alimentar (QFA), validado para a população Portuguesa(53), com

posterior análise pelo software “Food Processor”, e pesquisa de antecedentes

pessoais de FRCV, já diagnosticados. Os parâmetros nutricionais analisados

foram: Proteínas, Hidratos de Carbono, Lípidos, Ácidos Gordos Saturados, Ácidos

Gordos Monoinsaturados, Ácidos Gordos Polinsaturados (e destes também os

ómega 3 e 6, n-3 e n-6 respectivamente), Ácidos Gordos trans, Etanol, Cálcio,

Magnésio, Potássio, Selénio, Zinco e Vitaminas A, C, D, E, B12 e Ácido Fólico.

Os parâmetros antropométricos medidos foram: Peso e Estatura, com posterior

cálculo de IMC, através da divisão do peso em quilogramas pelo quadrado da

estatura em metros, e posterior classificação dos mesmos pelos critérios da

OMS(54). O peso e estatura dos doentes faz parte do processo/registo clínico dos

mesmos e, era anotado pelo corpo de enfermagem do serviço.

Os parâmetros bioquímicos analisados foram: Colesterol total, colesterol HDL,

colesterol LDL, triacilgliceróis e glicose. Os restantes parâmetros e dados

anamnésicos de relevo foram obtidos quer pela análise do processo clínico de

internamento individual quer por entrevista clínica. Salienta-se que se considerou

por actividade física a prática e manutenção de exercício físico por períodos

superiores a 30 minutos.

O tratamento estatístico deste estudo foi realizado através do programa SPSS ®

para Windows, versão 17.0 (Statistical Package for the Social Sciences, SPSS

Inc., Chicago). Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a

normalidade das distribuições das variáveis cardinais e o teste t de Student para

comparar as médias das variáveis independentes.

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Resultados

A amostra é constituída por 27 indivíduos, 5 do género feminino e 22 do

masculino. Na tabela 2 pode-se visualizar a caracterização antropométrica da

amostra, assim como a distribuição da idade da mesma no momento de

internamento.

Feminino (n=5) Masculino (n=22)

Mínimo Máximo Média dp Mínimo Máximo Média Dp

Idade

(anos) 56 68 61,6 5,01 40 80 59,2 8,70

Peso (kg) 58 77 66,3 7,89 54 100 75,4 13,6

Estatura

(cm) 145 160 153,3 7,64 157 179 168,9 6,37

IMC

(kg/m2) 25 30,1 27,3 2,10 19,8 34,6 26,4 4,44

Tabela 2 – Caracterização antropométrica e idade da amostra

Nas tabelas 3 e 4, encontram-se descritos os FRCV mais frequentes e a sua

frequência na população avaliada e, a descrição da frequência da prática de

actividade física. O gráfico 1 relaciona a quantidade de FRCV dos doentes

mediante a prática, ou não, de actividade física. O sedentarismo e a idade dos

doentes não foram tidos em conta para o cálculo.

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FRCV Dislipidemia Diabetes Fumador Obesidade HTA

SIM 59,3% 25,9% 29,6% 14,8% 48,1%

NÂO 40,7% 74,1% 70,4% 85,2% 51,9%

Tabela 3 – FRCV mais frequentes na amostra e a percentagem de ocorrência de cada um.

Actividade Física Frequência

(%)

0* 66,7

Uma vez por semana 3,7

Duas vezes por semana 14,8

Diariamente 14,8 Tabela 4 – Prática de actividade física. *sedentarismo

22,20%

50%

27,80%

33,30%

11,10%

55,60%

0,00%

10,00%

20,00%

30,00%

40,00%

50,00%

60,00%

1 2 3

Número de FRCV

Não

Sim

Gráfico 1 – Relação entre a prática de actividade física e o número de FRCV na população em estudo.

NOTA: a idade não foi tida em conta como FRCV

No gráfico 2, podemos observar a percentagem do valor energético total diário

dos diferentes macronutrimentos e das bebidas alcoólicas para os diferentes

géneros. No caso dos lípidos, estes são divididos em ácidos gordos saturados,

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ácidos gordos monoinsaturados, ácidos gordos polinsaturados e, estes últimos

em ácidos gordos polinsaturados ómega 3 e ómega 6 (n-3 e n-6,

respectivamente). O consumo de colesterol alimentar da amostra foi, em média,

cerca de 356,38 gramas (dp=142,52 gramas) e de 344,08 gramas (dp=98,16

gramas) para os géneros feminino e masculino, respectivamente. Entre os sexos,

a diferença para as médias de consumo de Proteína e bebidas alcoólicas teve

significado estatístico (p<0.05 e p<0.001, respectivamente).

31,71%9,76%

14,93%7,02%

,56%4,24%

7,88%

47,69%32,04%

10,34%14,83%

6,87%0,67%

4,65%0,99%

16,12%44,29%

19,27%

,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00

ProtHC

FATSATFAT

MONOFATPOLIFAT

w 3w 6

AlcoolProtHC

FATSATFAT

MONOFATPOLIFAT

w 3w 6

Alcool

Fem

inin

oM

ascu

lino

Gráfico 2 – Percentagem do Valor Energético Total (VET) dos diferentes macronutrimentos e álcool

por géneros. NOTA: divisão da percentagem do VET dos lípidos em saturados, monoinsaturados,

polinsaturados, n-3 e n-6. O VET médio é de 2881.17 kcal para os homens (dp=616.01 kcal) e de

2545.99 kcal para as mulheres (dp=661.22 kcal)

O gráfico 3 representa o consumo médio, da amostra, de determinados

micronutrimentos, de acordo com as DRI da Food and Nutrition Board, Institute of

Medicine(55), e o respectivo desvio padrão (dp).

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Gráfico 3 – Percentagem média de consumo global de alguns micronutrimentos da amostra, em

relação às DRI.

O gráfico 4 apresenta a proporção de doentes com consumo adequado ou baixo

de alguns micronutrimentos, em relação às recomendações (DRI), da Food and

Nutrition Board, Institute of Medicine(55).

77,8%

11,1%

96,3%

51,9%

3,7%

48,1%

55,6%

59,3%

22,2%

40,7%

22,2%

88,9%

3,7%

48,1%

96,3%

51,9%

44,4%

40,7%

100,0%

77,8%

59,3%

0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% 120,0%

vit A

vit C

vit D

vit E

vit B6

Ac. Fólico

Cálcio

Potássio

Selénio

Zinco

Magnésio

Adequado

Baixo

Gráfico 4 - Percentagem de doentes com consumo adequado ou baixo de alguns

micronutrimentos, em relação às DRI.

112,6% dp 33,7

139,3% dp 43,0

99,7% dp 26,9

100,6% dp 56,0

106,6% dp 52,7

169,0% dp 53,3

97,9% dp 39,1

46,1 %dp 27,9

74,7% dp 114,8

220,2% dp 115,8

225,5% dp 69,5

0,0

50,0

100,0

150,0

200,0

250,0

Vit A Vit C Vit D Vit E Vit B6 AcFólico

Ca K Se Zn Mg

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Discussão

A presença de mais homens do que mulheres no serviço de internamento de

cardiologia, vítimas de EAM pode ser explicada com a maior probabilidade destes

poderem desenvolver doença coronária, AVC ou outra DCV como resultado da

aterosclerose. Este efeito pode ser devido às hormonas masculinas –

androgénios, que aumentam o risco, ou às hormonas femininas – estrogénios,

cuja protecção contra a aterosclerose ainda não é completamente percebida. É

provável que ambos desempenhem um papel neste facto, mas é atribuído à

condição protectora dos estrogénios o factor predominante(7).

Contudo, estudos sugerem que mulheres com síndromes isquémicos agudos,

como o EAM, tendem a ser mais velhas que os homens com estes sintomas, e

são mais propensas a ter história de hipertensão, diabetes, angina e falha

cardíaca congestiva. Além disso, têm menor probabilidade de serem fumadoras e

de sofrerem de um novo enfarte(56).

Da avaliação antropométrica da amostra, conclui-se que tanto o género masculino

como o feminino se encontram, em média, na classe de IMC de excesso de peso

(isto é, ≥25.0 e <30.0 kg/m2)(54), com um valor médio de 27,3 kg/m2 (dp=2,10) e de

26,4 kg/m2 (dp=4,44) para os géneros feminino e masculino, respectivamente.

Diversos estudos mostram a correlação entre o excesso de peso e obesidade e a

prevalência de DCV(57-58).

O efeito a longo termo dos factores de risco nas DCV, e o consequente índice de

mortalidade associado a estas, são consequência da exposição prévia a factores

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de risco comportamentais, tais como alimentação inadequada, prática insuficiente

de actividade física e hábitos tabágicos. O excesso de peso, a obesidade central,

a elevada pressão arterial, dislipidemia e diabetes estão entre os factores

biológicos mais associados ao aumento de risco de DCV. As práticas alimentares

inadequadas incluem o elevado consumo de gordura saturada, sal e hidratos de

carbono refinados, e o baixo consumo de frutos e vegetais(32).

Esta exposição, que ocorre desde a infância, faz com que a aterosclerose, a base

das DCV, surja mais tarde na idade adulta assim como as complicações agudas a

si associadas. Por esse facto, a idade avançada surge como um factor de risco,

quer através desta aterogenicidade quer através do surgimento de outras co-

morbilidades tidas como factores de risco e também elas associadas ao avançar

da idade(59-60). Assim, da idade da amostra (61,7, dp de 5.01 anos, para as

mulheres e 59,2, dp de 8.70 anos, para os homens) entende-se como sendo um

factor de risco independente para a DCV.

Entre os FRCV mais frequentes, salientam-se a Dislipidemia (59,3%), que se

manifesta pela elevação do colesterol total, do colesterol LDL (c-LDL) e dos

triacilgliceróis, e a diminuição do colesterol HDL (c-HDL)(61), e a Hipertensão

arterial (48,1%). A Obesidade (IMC≥30 kg/m2) é o FRCV menos frequente

(14.8%), no entanto a prevalência de excesso de peso (IMC≥25.0 e <30.0 kg/m2)

é de 44,4% (logo, a prevalência de excesso de peso/obesidade é 59,2%).

Verifica-se que a maioria dos doentes era sedentária (66,7%), e sabe-se que a

inactividade física é classificada como um factor de risco independente para

DCV(13-14). A prática regular de exercício físico tem um efeito favorável em muitos

dos FRCV estabelecidos. Por exemplo, o exercício físico promove a perda de

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peso e pode diminuir a pressão arterial. Ainda, pode reduzir o c-LDL e o colesterol

total logo, atenuar os efeitos adversos que poderão surgir destes e, aumentar o c-

HDL(62). Nos doentes diabéticos, a prática regular de actividade física afecta

favoravelmente a capacidade do corpo na absorção de glicose, ajudando para o

controle do nível sérico desta(62-63).

No nosso estudo observa-se que os indivíduos da amostra que praticavam

actividade física eram quem tinha, em percentagem maior número de FRCV,

apesar da literatura referir o oposto, como em cima enunciado. Este resultado

pode ser explicado pelo reduzido número de indivíduos da amostra que praticava

actividade física.

Pela análise dos padrões de consumo médios da amostra, conclui-se que esta

apresenta um consumo energético acima do recomendado quer para homens

quer para mulheres, de acordo com as EER (Estimated Energy Requerements) do

Food and Nutrition Board, Institute of Medicine(55). Ainda, relativamente à

distribuição por macronutrimentos e a contribuição para o Valor Energético Total

(VET) diário da nossa amostra, comparativamente às recomendações da OMS,

verifica-se que:

- Proteína – consumo acima do recomendado para ambos os géneros, sendo a

diferença mais relevante nas mulheres. A diferença por género para as médias de

consumo tem significado estatístico (p<0,05).

- Hidratos de Carbono – ingestão abaixo do recomendado para ambos os

géneros;

- Gordura – consumo acima do recomendado para ambos os géneros. As

mulheres têm ainda um consumo acima da recomendação de gordura saturada;

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Comparando o consumo da nossa amostra com as recomendações da OMS, os

dois géneros têm uma ingestão baixa de n-3 e n-6; A gordura polinsaturada total

encontra-se dentro do recomendado e o colesterol acima da recomendação para

ambos os géneros;

- Bebidas alcoólicas – Os homens têm um consumo bastante mais acentuado que

as mulheres, tendo esta diferença significado estatístico (p<0,001); Diversos

estudos relacionam o benefício entre o consumo moderado de bebidas alcoólicas

e a DCV. Contudo, a quantidade consumida em média pela amostra masculina

representa mais um FRCV do que um factor protector(7).

Um estudo numa população feminina da cidade do Porto mostrou que o consumo

de Cálcio e vitamina D era inferior ao recomendado em 58,1% e 96%,

respectivamente, em mulheres com idade superior ou igual a 70 anos, no caso do

Cálcio e entre 60 a 69 anos em relação à vitamina D, corroborando os resultados

atingidos na nossa amostra(64).

No estudo “epiporto”, foi descrita a prevalência da inadequação da ingestão de

macro e micronutrimentos numa amostra representativa da população da cidade

do Porto. Aqui, foi descrito o aporte desajustado de Ácido Fólico, Vitamina E e

Magnésio, tanto para Homens como para Mulheres(65). Resultados estes

semelhantes ao encontrado na nossa amostra. Curiosamente, o consumo de

proteína e hidratos de carbono no estudo citado é também idêntico ao alcançado

na nossa amostra, sendo um pouco diferente a média de consumos de gordura

(maior na nossa amostra) e de etanol (maior no “epiporto”)

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Ainda, quando se verifica a diferença do consumo de macronutrimentos entre os

géneros, observa-se que a diferença entre Homens e Mulheres é semelhante nos

dois estudos.

Quando se compara os diferentes tipos de Ácidos Gordos verifica-se que, em

média percentual do valor energético total diário, a amostra deste estudo tem

maior consumo. Isto prende-se com o facto de que a ingestão média de gordura

total ser maior aqui para ambos os géneros do que no estudo epiporto(65).

Para se compararem os resultados, o intervalo de idades citado do estudo

“epiporto” foi o 50-64 anos, o qual inclui a média de idades da nossa amostra.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) no relatório intitulado DIET, NUTRITION

AND THE PREVENTION OF CHRONIC DISEASES, categoriza alimentos e

nutrientes como factores protectores, de risco ou neutros e a associação dos

mesmos com a força de evidência existente (ver anexo). Aqui, referem-se

algumas das vitaminas e dos minerais analisados, entre eles Potássio (“diminui o

risco, evidência forte”), suplementos de vitamina E (“neutro, evidência forte), ácido

fólico (“diminui o risco, evidência provável”), Cálcio (“diminui o risco, evidência

insuficiente”), Magnésio (“diminui o risco, evidência insuficiente”), Vitamina C

(“diminui o risco, evidência insuficiente”)(21).

A maior incidência de DCV em todo o mundo é, em parte, reflexo do aumento do

predomínio de FRCV. A mudança nos hábitos de vida das populações é

responsável pela emergência destes FRCV, e as mudanças culturais são de tal

forma que a presença de vários factores de risco num indivíduo é comum.

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Para conter a crescente onda de DCV no mundo é necessário atacar os factores

que as causam, como os FRCV. Estas causas incluem a obesidade, o

sedentarismo e padrões de consumo menos saudáveis(66).

É importante manter um aporte adequado de determinados compostos com reais

benefícios na saúde cardiovascular, como o caso do Potássio, Vitamina D e Ácido

Fólico. O papel dos antioxidantes na diminuição do risco de DCV ainda não é

consensual, sendo necessário mais estudos para confirmar o seu efeito.

É necessária a modificação de comportamentos que provocam maior

susceptibilidade para a incidência de DCV no mundo, sendo importante a

alteração alimentar, a prática de actividade física, a cessação tabágica e o

controlo do peso corporal(3).

Este trabalho apresenta, à partida, algumas limitações. O facto de a amostra ser

reduzida pode fazer com que a representatividade não seja a mais segura.

Depois, seria importante fazer a avaliação nutricional de um grupo saudável, isto

é, sem qualquer FRCV conhecido, excluindo a idade (para poder ser comparável

com a amostra) e relacioná-lo com a amostra em questão.

Finalmente, são necessários mais estudos para se averiguar a relação efectiva

entre os antioxidantes e a diminuição no risco de DCV.

Conclusões

Este estudo permitiu fazer a avaliação e caracterização da ingestão nutricional em

doentes com EAM. Verificou-se a disparidade entre o que efectivamente é

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consumido e as recomendações dietéticas da Food and Nutrition Board, Institute

of Medicine, assim como da OMS e do projecto Eurodiet. Assim, a ingestão de

Vitaminas A, D e E, Cálcio, Magnésio e Potássio é deficiente. Relativamente aos

macronutrimentos (proteína, gordura, hidratos de carbono), AG saturados (nas

mulheres), colesterol e AG n-3 e n-6, também existe uma diferença para o

recomendado. Os homens tinham, ainda, um consumo excessivo de etanol.

Observou-se, ainda, a presença de vários factores de risco (como DM, HTA,

Dislipidemia, Excesso de Peso/Obesidade) que se relacionam com a ingestão

nutricional(22). Esta amostra apresenta, também, uma elevada proporção de

indivíduos sedentários, isto é, com actividade física nula (66,7%) e com hábitos

tabágicos.

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Anexos

Índice de Anexos

Factores Comportamentais e risco de DCV ..................................................... 27

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Factores Comportamentais e risco de DCV

Resumo da evidência sobre factores comportamentais e o risco de DCV

Evidência Risco Diminuido Sem relação Risco aumentado

Forte Actividade Física Regular Suplementos de

Vit. E Ácidos Miristico e Palmítico

Ácido linoleico Ácidos gordos trans

Peixe e óleo de peixe (EPA e

DHA) Consumo elevado de sódio

Fruta e vegetais (incluindo

sementes) Excesso de peso

Potássio Consumo elevado de álcool

(para AVC)

Consumo baixo a moderado de

etanol (para a doença coronária)

Provável Ácilo α-linoleico Ácido esteárico Colesterol alimentar

Ácido oleico Café não filtrado

Fibra alimentar

Nozes (sem sal)

Cereais integrais

Estanóis/Esteróis vegetais

Folato

Possível Flavonóides

Ácido Láurico

Produtos de soja Má nutrição fetal

Suplementos de β-caroteno

Insuficiente Cálcio Hidratos de Carbono

Magnésio Ferro

Vitamina C

Adaptado de WHO (2003) DIET, NUTRITION AND THE PREVENTION OF CHRONIC DISEASES(21)

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