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1

APRESENTAO

A 7 Semana Institucional da Justia do Trabalho do Paran trouxe uma

inovao em relao apreciao das teses apresentadas pelos magistrados. Ao

invs de comisses temticas, um nico frum, convertido em plenria, deliberou

sobre as teses. Os protagonistas foram os magistrados e magistradas da Justia do

Trabalho do Paran. Adotou-se novo formato na votao das teses, aprovado por

unanimidade pelo Conselho Administrativo da Escola. Cada voto teve muita fora no

mbito de seu segmento (Juzes Substitutos, Juzes Titulares e Desembargadores),

porm a aprovao ocorreu apenas quando, ao menos, 2 segmentos chancelaram a

tese.

Procurou-se, na verso 2017 da Semana Institucional, estimular a

abordagem dialtica frente s teses, por meio da figura do magistrado debatedor,

cuja incumbncia era "apresentar crticas tese apresentada". A experincia foi

bastante produtiva, na medida em que, por fora da atuao crtica do magistrado

debatedor, diversas teses foram aperfeioadas.

Durante a 7 Semana Institucional foram apresentadas 15 teses, divididas

em duas grandes temticas. A primeira, relativa Reforma Trabalhista promovida

pela Lei n 13.467/2017; a segunda, referente a temas institucionais. A primeira foi,

ainda, dividida em duas partes: direito material e direito processual do trabalho, que

foram campo de extenso debate entre os magistrados. Das 15 teses apresentadas,

6 referiram-se ao Direito Processual do Trabalho, 8, ao Direito Material e 1, a tema

institucional.

Das 6 teses relativas a Direito Processual do Trabalho, apenas uma foi

aprovada com a redao original. As demais, ou foram aprovadas com outra

redao, aprovada parcialmente, ou rejeitadas, ou, ainda, no obtiveram qurum

para aprovao (no aprovadas).

Das 8 teses de Direito Material do Trabalho, apenas 4 foram apreciadas,

sendo 3 aprovadas com redao original, e uma rejeitada. As demais teses no

2

foram apreciadas por falta de tempo.

A nica tese que abordava tema institucional tambm no foi apreciada

por falta de tempo.

Saliente-se que conforme o art. 11 do Regulamento apenas as "teses

aprovadas pela Assembleia Geral representaro a posio oficial dos Juzes do

Trabalho da 9 Regio".

Observe-se que alm das teses aprovadas, publicam-se nessa edio

tambm as teses rejeitadas, as no-aprovadas e tambm aquelas que no foram

apreciadas por falta de tempo. Entende-se que a Semana Institucional da

Magistratura do Trabalho, por ser um espao de construo do conhecimento,

necessita de transparncia, como, a rigor, tudo que pblico. Nesse sentido, as

teses rejeitadas, e as no-aprovadas por falta de qurum, tambm permitem, de

alguma forma, a compreenso dos entendimentos dos Magistrados do Trabalho do

Paran.

Estimamos boa leitura.

Arion Mazurkevic Eduardo Millo Baracat

Diretor da Escola Judicial Coordenador Acadmico da Escola Judicial

3

Teses Aprovadas

DIREITO PROCESSUAL

I) Autor: Arion Mazurkevic

EMENTA:

Item a) LEI PROCESSUAL NO TEMPO. PETIO INICIAL. APLICAO DO

PRINCPIO TEMPUS REGIT ACTUM. OS NOVOS REQUISITOS DA PETIO

INICIAL PREVISTOS NA LEI N 13.467/2017, QUE DEU NOVA REDAO AO 1

DO ART. 840 DA CLT, SOMENTE SERO EXIGVEIS A PARTIR DAS

RECLAMATRIAS TRABALHISTAS AJUIZADAS A PARTIR DA VIGNCIA DA

REFERIDA LEI.

Resultado: Aprovada pelos trs segmentos.

Favorveis Contrrios Abstenes

Desembargadores 19 0 0

Juzes titulares 66 1 9

Juzes substitutos 59 0 2

Totalizao 144 1 11

FUNDAMENTAO

O 1 do art. 840 da CLT, com redao dada pela Lei n 13.467/2017, passar

a vigorar, a partir de 11/11/2017, com a seguinte redao (negritei):

1o Sendo escrita, a reclamao dever conter a designao do juzo, a

qualificao das partes, a breve exposio dos fatos de que resulte o dissdio, o

pedido, que dever ser certo, determinado e com indicao de seu valor, a

data e a assinatura do reclamante ou de seu representante.

De acordo com o art. 1.046 do CPC, aplicado subsidiariamente ao processo do

trabalho por fora do art. 769 da CLT, "Ao entrar em vigor este Cdigo, suas

disposies se aplicaro desde logo aos processos pendentes".

Trata-se da aplicao do princpio tempus regit actum que veda a

retroatividade da lei processual.

Evidentemente, portanto, as peties iniciais de aes ajuizadas antes de

11/11/2017 no devero observar os requisitos estabelecidos pela Lei n

13.467/2017, que deu nova redao ao 1 do art. 840 da CLT, dentre os quais a

indicao do valor do pedido.

Item b) HONORRIOS DE SUCUMBNCIA. A REGRA PREVISTA NO ART. 791-A

DA CLT, INTRODUZIDA PELA LEI N 13.467/2017, QUE PREVIU A INCIDNCIA

DE HONORRIOS DE SUCUMBNCIA, SOMENTE SE APLICA AOS

PROCESSOS CUJAS AES FORAM AJUIZADAS A PARTIR DA VIGNCIA

DESSA LEI.

4

Resultado: Aprovada por dois segmentos: Desembargadores e Juzes titulares.

Favorveis Contrrios Abstenes

Desembargadores 17 0 2

Juzes titulares 38 29 2

Juzes substitutos 12 46 3

Totalizao 67 75 7

FUNDAMENTAO

O art. 791-A, caput e 3 da CLT, com redao dada pela Lei n 13.467/2017

dispe:

ART. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa prpria, sero devidos

honorrios de sucumbncia, fixados entre o mnimo de 5% (cinco por cento) e o

mximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidao da

sentena, do proveito econmico obtido ou, no sendo possvel mensur-lo,

sobre o valor atualizado da causa".

(...)

3 Na hiptese de procedncia parcial, o juzo arbitrar honorrios de

sucumbncia recproca, vedada a compensao entre os honorrios.

De acordo com o art. 791-A da CLT acima transcrito, o juzo fixar honorrios

de sucumbncia, observando o mnimo de 5% e o mximo de 15% sobre o valor

que resultar da liquidao da sentena, do proveito econmico obtido, ou, no

sendo possvel mensur-lo, sobre o valor atualizado da causa.

Esses dispositivos devero ser interpretados em consonncia com o art. 840,

1, da CLT que estabeleceu que a petio inicial dever indicar os valores dos

pedidos.

Com efeito, no caso de procedncia parcial dos pedidos, somente ser

possvel ao juzo arbitrar os honorrios de sucumbncia devidos ao advogado da

reclamada quando souber o valor dado ao pedido rejeitado.

Ora, tendo em vista o princpio tempus regit actum que se aplica s regras

processuais previstas na Lei n 13.467/2017, ante a incidncia subsidiria do art.

1.046 do CPC, por fora do art. 769 da CLT, somente ser exigvel do reclamante

petio inicial com a indicao do valor do pedido a partir de 11/11/2017, ou seja,

vigncia da nova lei.

Ou seja, por via de consequncia, somente se poder aplicar o disposto no art.

791-A da CLT, naqueles processos em que for exigvel a indicao do valor do

pedido na petio inicial, ou seja, a partir de 11/11/2017.

Ademais, a nova lei processual no pode surpreender a parte. Era certo que

nas aes ajuizadas at 11/11/2017 o autor da ao no estava sujeito

sucumbncia, muito menos sucumbncia parcial. Logo, no pode ser

surpreendido por uma condenao que no estava sujeito quando exerceu o direito

5

constitucional de ao. Nesse sentido, pontua com preciso Jos Affonso

Dallegrave Neto:

"At o surgimento da indigitada Reforma Trabalhista, ao reclamante no recaa

qualquer condenao de verba honorria de sucumbncia recproca. Nos casos

de insucesso em seus pleitos, ainda que de todos os pedidos formulados na

ao trabalhista, o reclamante no respondia por honorrios advocatcios da

parte ex-adversa. Com outras palavras: a Lei 13.467/17 introduziu novo

paradigma para este tema. E assim o fez dentro de um sistema complexo e

coordenado, que se inicia com a exigncia de indicar o valor dos pedidos na

petio inicial, conforme a nova regra do art. 840, 1, da CLT.

Logo, importa que se compreenda que a condenao dos honorrios de

sucumbncia constitui consectrio ou reflexo da rejeio dos pedidos valorados

na petio inicial. H trs novidades relacionadas entre si: pedidos lquidos;

valor da causa; e honorrios de sucumbncia recproca. Assim, pelo novo

sistema a Reclamatria dever conter pedidos com valores mensurados, que

somados revelam o valor da causa, os quais serviro de base de clculo dos

honorrios de sucumbncia a serem fixados em sentena.

Com efeito, se no momento do ajuizamento da ao aplicava-se a regra antiga,

a qual prescindia de quantificao dos pedidos e exigia valor da causa apenas

para fixar o rito, no poder a sentena, ainda que publicada ao tempo da lei

nova, surpreender as partes com a novidade dos honorrios de sucumbncia

recproca. Qualquer tentativa de forar essa aplicao retroativa s aes

ajuizadas sob a gide da lei velha ser ilcita, por flagrante ofensa ao

regramento de direito intertemporal e aos valores por ela tutelados (segurana

jurdica, vedao da aplicao retroativa da lei nova in pejus). Nesse sentido

colhem-se as atentas observaes de Medina, Wambier e Alvim:

'Muito embora acentuem os processualistas enfaticamente que a lei processual