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  • 400 CUNHA, G.R.et al. - Zoneamento agrcola e poca de semeadura...Revista Brasileira de Agrometeorologia, Passo Fundo, v.9, n.3, (N Especial: Zoneamento Agrcola), p.400-414, 2001

    Recebido para publicao em 15/08/2001. Aprovado em 15/12/2001.

    ISSN 0104-1347

    Zoneamento agrcola e poca de semeadurapara trigo no Brasil

    Agricultural zoning and sowing dates for wheat in Brazil

    Gilberto Rocca da Cunha 1, 2, 3, Joo Carlos Haas1, Jaime Ricardo Tavares Maluf1, Paulo HenriqueCaramori 4,3, Eduardo Delgado Assad 5, Hugo Jos Braga 6, Jurandir Zullo Jr. 7,3, Cludio Lazzarotto 8,

    Srgio Gonalves 9, Marcos Wrege 10, Dionsio Brunetta 11, Srgio Roberto Dotto11, Hilton SilveiraPinto7,3, Orivaldo Brunini 12,3, Vera Magali Radtke Thom6, Srgio Luiz Zampieri6, Aldemir Pasinato 13,

    Mrcia Barrocas Moreira Pimentel13 e Cristina Pandolfo9

    Resumo - Um Programa de Zoneamento Agrcola para o Brasil, subsidiando a poltica de crditoe securidade rural, comeou a ser posto em prtica pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria eAbastecimento (MAPA) a partir da safra de inverno de 1996, com a cultura de trigo no sul doBrasil. Este artigo apresenta uma sntese dos trabalhos sobre zoneamento agrcola para trigo noBrasil elaborados para o MAPA, e as indicaes de pocas de semeadura mais favorveis. Osresultados de estudos sobre regionalizao de riscos climticos para a cultura de trigo, envolven-do a integrao de tcnicas de modelagem e simulao da cultura e ferramentas degeoprocessamento, so apresentados em nvel municipal, com a definio de perodos favorveisde semeadura, a partir de informaes extradas de mapas de risco de geada na florao,deexcesso de chuva na colheita, de seca e de golpe de calor, conforme o estado e a regio do pas.Para o sul do Brasil (RS, SC e PR), destacam-se como limitaes climticas a ocorrncia de geada,em particular na florao (antese), e o excesso de chuva por ocasio da colheita. A geada causaa queima de folhas, o estrangulamento de colmos e, atingindo os primrdios florais, impede aformao de gros. Por sua vez, o excesso de chuvas no perodo de maturao e de colheita,alm de diminuir o rendimento afeta negativamente as caractersticas de qualidade dos gros.Tambm o risco de deficincia hdrica foi levado em considerao nos trabalhos referentes a SP,MS, GO, DF e MG.

    Palavras-chave: riscos climticos, regionalizao, seguro agrcola, crdito rural, triticultura.

    Abstract - A Program of Agricultural Zoning in Brazil aiming to subsidize government credit poli-cies and rural security began during 1996 wheat growing season. The Brazilian Ministry ofAgriculture-Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA) was in charge of theprogram. This paper summarizes the studies on agricultural zoning for the wheat crop in Brazil

    1 Pesquisador da Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS.2 Autor para correspondncia: cunha@cnpt.embrapa.br3 Bolsista do CNPq-PQ.4 Pesquisador do IAPAR, Caixa Postal 481, CEP 86047-902 Londrina, PR.5 Pesquisador da Embrapa Informtica Agropecuria, Caixa Postal 6041, CEP 13083-970 Campinas, SP.6 Pesquisador da Epagri, Caixa Postal 502, CEP 88000-000 Florianpolis, SC.7 Pesquisador do Cepagri/Unicamp, Cidade Universitria Zeferino Vaz, Rua Andr Tosello, 209, CEP 13083-886 Campinas, SP.8 Pesquisador da Embrapa Agropecuria Oeste, Caixa Postal 661, CEP 79804-970 Dourados, MS.9 Pesquisador da UnB-Finatec/Zoneamento Agrcola - MAPA.10 Pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Caixa Postal 403, CEP 96001-970 Pelotas, RS.11 Pesquisador da Embrapa Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970 Londrina, PR.12 Pesquisador do IAC. Caixa Postal 28, CEP 13001-970 Campinas, SP.13 Analista de Sistemas da Embrapa Trigo.

  • 401Rev. Bras. Agrometeorologia, v.9, n.3, (N Especial: Zoneamento Agrcola), p.400-414, 2001

    IntroduoOs problemas da triticultura brasileira so de

    natureza sistmica, envolvendo uma forte interaoentre componentes biofsicos e socioeconmicos,ao longo dos diferentes segmentos da cadeiaprodutiva. No primeiro grupo, enquadram-se acultura propriamente dita (cultivares e suascaractersticas), os estresses biticos causados pordoenas, pragas e plantas daninhas, e os abiticos,ligados ao clima e ao solo. E, no segundo grupo,tem-se as relaes de mercado, as macropolticas(econmica, agrcola etc), a estrutura fundiria e,principalmente, a ao do homem, atuando comoprotagonista principal.

    O xito das solues tecnolgicas para os pro-blemas do agronegcio de trigo no Brasil dependeda eficincia do processo de transferncia detecnologia, que, para alcanar seus objetivos, pre-cisa ser orientado por resultados de estudos queenvolvem diferentes aspectos de regionalizao ede zoneamento agrcola.

    Apesar da plasticidade apresentada pelo trigo,em termos das caractersticas climticas das dife-rentes regies de cultivo no mundo (PASCALE,1974), essa cultura tem o seu rendimento e atmesmo a sua viabilidade econmica fortementeinfluenciados pelas condies de clima. Esse as-pecto , particularmente, importante no Brasil, ondea cultura de trigo se estende em uma ampla regio,abrangendo zonas temperadas, subtropicais e tro-picais. Segundo MOTA (1989), os principais pro-blemas climticos para o trigo no Brasil so: ex-cesso de umidade relativa em setembro/outubro,geada no espigamento, chuva na colheita e granizo(na regio temperada); umidade relativa elevada,geada e seca no espigamento, bem como chuva na

    colheita (na regio subtropical); umidade relativaelevada no vero e temperatura do ar elevada du-rante o perodo de enchimento de gros (na regiotropical).

    O rendimento de uma lavoura de trigo, mate-maticamente, pode ser obtido pelo produto entre onmero de gros por unidade de superfcie e o va-lor mdio da massa de um gro. Nesse particular,vrios estudos (FISCHER, 1985 e SAVIN &SLAFER, 1991, por exemplo) tm demonstradoque o nmero de gros por unidade de superfcie o componente dominante para explicar variaesde rendimento em trigo. Outro aspecto fundamen-tal para o entendimento da formao do rendimen-to em trigo foi a identificao da existncia de umperodo crtico que se concentra num curto espaode tempo que antecede antese (FISCHER, 1985);mais propriamente no subperodo delimitado pelosestdios de incio de formao da espigueta termi-nal e de antese.

    O perodo crtico para a definio do rendimen-to potencial em trigo (espigueta terminal-antese)se caracteriza como a etapa de crescimento daespiga no interior do colmo (pr-espigamento). Emlavouras, o comeo desse importante subperodoquase que, invariavelmente, coincide com o incioda elongao dos colmos, na ocasio em que h aelevao do ponto de crescimento acima da su-perfcie do solo. Ainda cabe destacar que a maiorparte dos avanos obtidos no aumento do rendi-mento potencial de trigo no mundo, via programasde melhoramento gentico, foram alcanados gra-as s mudanas ocorridas nessa etapa de cresci-mento da espiga, principalmente envolvendo modi-ficaes no padro de partio de assimiladosfotossintticos, com maior direcionamento para asespigas (SLAFER et al., 2001).

    elaborated under MAPA request for indications of more favorable sowing dates. The regionalanalysis of climatic risks for wheat used a combination of modelling and simulation techniquesand geoprocessing tools. As result, risk maps for frost at anthesys, rainfall excess at harvest,water deficiency, and heat weave were generated. Therefore, lower risks sowing dates were selectedfor each county based on information presented in the maps. In the southern states of Brazil (RS,SC, and PR) late frost, and the rainfall excess at harvest were highlighted as the main climatefactor imposing wheat crop failure. The main frost injury to wheat are burning of leaves, damageto lower stem, death of growing point, and floret sterility that aborts formation of grains. Theexcess of rainfall in the repining period, besides decreasing the yield it affects negatively thecharacteristics of grain quality. The risk of water deficit was also taken in consideration in thereferring studies for SP, MS, GO, DF, and MG states.Key words: climatic risks, regional analysis, crop insurance, credit policy, wheat crop.

  • 402 CUNHA, G.R.et al. - Zoneamento agrcola e poca de semeadura...

    O ambiente, principalmente o clima, noinfluencia apenas o rendimento fsico da cultura detrigo, mas tambm as suas caractersticas dequalidade industrial. Este fato tem sido destacadopor diversos autores, como BOLLING (1974),LINHARES & NEDEL (1989), PETR (1991) eGUARIENTI (1996), entre outros; chegando-se concluso de que o clima pode definir reas para aproduo de trigo com diferentes nveis deprobabilidade de obteno de determinados padresde qualidade industrial.

    Prejuzos ao rendimento fsico e ao padro dequalidade industrial dos gros, por eventos de na-tureza climtica adversa, particularmente, quandocoincidem com os perodos crticos do desenvolvi-mento, tm sido freqentes na histria da triticulturano Brasil. Esse fato decorre do impacto da varia-bilidade climtica extrema sobre a cultura, fazen-do com que, em cada local, exista um nvel de ris-co inerente s suas caractersticas climticas e sensibilidade dos materiais cultivados.

    Uma tentativa pioneira, visando delimitar asregies para produo de trigo no Brasil, com baseem informaes de clima e de solo, foi realizadapor KALCKMANN et al. (1965). Nesse trabalho,os autores classificaram as regies geogrficas, sobponto de vista da produo de trigo na poca, daseguinte maneira: (I) regies boas produtoras detrigo; (II) regies potencialmente boas produtorasde trigo; (III) regies que contribuem, em pequenaescala, para a produo de trigo; (IV) regies quepodero ser produtoras, desde que sejam criadascultivares com exigncias diferenciadas; e (V) re-gies das quais no se pode esperar produo detrigo.

    MOTA (1969) apresentou uma caracterizaoclimtica do Brasil para a cultura de trigo, com basenas exigncias das cultivares testadas no pas atento. Destacou que existem dife