xv salão de iniciação científica e xii feira de iniciação científica

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  • Como apresentar um trabalho num Congresso Cientfico ELABORAO DE RESUMO

    Profa. Dra. Sabrina AbreuInstituto de Letras/UFRGS

    (Conforme indicado ao longo desta apresentao, partes deste seminrio foram retiradas do livro: ABREU, S. Elaborao de Resumo. Porto Alegre: Editora da UFRGS/PROPESq, 2006.Srie Iniciao Cientfica.)

  • ESCREVER AO SABOR DA PENA

    Esta frase me ficou na memria e nem sequer sei de onde ela veio. Para comear, no se usa mais pena.E depois, sobretudo, escrever mquina, ou com o que seja no um sabor. No, no, estou me referindo a procurar escrever bem: isso vem por si mesmo. Estou falando de procurar em si prprio a nebulosa queaos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, aos poucos sobe tona [...].Clarice Lispector (LISPECTOR, C. Aprendendo a Viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. p.178.)

  • Assim como Clarice Lispector, Mario, o Quintana, sobre a arte de escrever, diz:

    Antes de escrever, eu olho, assustado, para a pgina branca de susto.*Mario Quintana

    Mas o que Lispector e Quintana tm a ver com a elaborao de um resumo? Tudo. Se pensarmos que escrever [...] no um sabor- como diz Clarice - e que aquele que tem a tarefa de escrever um texto qualquer fica assustado diante da pgina branca de susto, como brinca Mario, podemos erroneamente acreditar que a arte de escrever uma atividade penosa.Ao contrrio, como os excelentes escritores sabem fazer, Mario e Clarice nos mostram que, antes de dominar a tcnica de se usar este ou aquele instrumento para registrar o que pensamos, para se escrever um bom texto, precisamos procurar em ns mesmos a nebulosa que aos poucos se condensa, i. , necessitamos refletir sobre o que queremos dizer, e diz-lo da forma mais clara possvel.

    *Publicado em Zero Hora, 30 de maio de 2005.

  • E como podemos fazer isso? Respeitando o princpio de cooperao conversacional. Em relao a esse princpio, Abreu (2006)* diz o que segue:

    Segundo Grice (1982), todas as interaes conversacionais so regidas por uma espcie de acordo firmado entre os interlocutores, chamado PRINCPIO DE COOPERAO. O autor considera que, para que se possa conversar a contento, preciso que cada parceiro se identifique temporariamente com os interesses conversacionais transitrios do outro (p. 90), numa espcie de esforo cooperativo mtuo (p. 86).* ABREU, S. Elaborao de resumo. Porto Alegre: Editora da UFRGS/PROPESq, 2006. p.14. Srie Iniciao Cientfica.

  • Como esse princpio rege a elaborao de um resumo? LIVRO DE RESUMOS SITUAO COMUNICATIVA EMISSOR AUTOR DO RESUMO RECEPTOR LEITOR DO RESUMO AMBOS DEVEM RESPEITAR O PRINCPIO DE COOPERAO QUE SE ESTABELECE ENTRE AQUELE QUE TEM ALGO A DIZER E AQUELE QUE SE DISPE A OUVIR (Grice, 1982).

  • E o que se tem a DIZER em um resumo cientfico?Devemos dizer resumidamente tudo o que fizemos em nossa pesquisa, a fim de que o leitor compreenda o que fizemos e por que o fizemos. -Mas, afinal, o que um RESUMO?

    Segundo Abreu (2006)*,

    A maioria dos livros sobre tcnicas de redao, grosso modo, definem o texto resumitivo como aquele que apresenta: a) estrutura textual concatenada, isto , que traz as idias principais daquilo que se est resumindo; b) idias dispostas em ordem lgica, ou seja, com uma relao lgica entre si; ec) formato que respeita um certo nmero de linhas ou uma quantidade de palavras previamente estipulada.* ABREU, S. Elaborao de resumo. Porto Alegre: Editora da UFRGS/PROPESq, 2006. p.17. Srie Iniciao Cientfica.

  • Assim, para que se possa escrever um bom resumo,devemos estar atentos: AO QUE DITO, i., devemos sintetizar, de maneira tima, tudo o que fizemos durante a realizao da nossa pesquisa;A COMO DITO, i., devemos respeitar a forma estipulada para registrar, em um pequeno espao da pgina branca de susto, a nossa experincia cientfica.

  • Partindo desse ponto de vista, esta apresentao est assim organizada:PARTE 1 O DITO, ou Condensando a nebulosa

    PARTE 2 COMO DITO, ou Respeitando os limites para o dito

  • PARTE 1 O DITO, ou Condensando a nebulosa Nesta parte, a questo-chave :

    COMO ORGANIZAR AS MINHAS IDIAS ACERCA DA PESQUISA QUE REALIZEI?

  • Em nossas interaes conversacionais, com relao ao DITO, Grice nos aconselha a indicar a quantidade de informao a ser fornecida, expressar a veracidade dos fatos e dizer s o que importante (1982, p.81-103). QUANTIDADE 1. Faa com que sua contribuio seja to informativa quanto requerido.2. No faa sua contribuio mais informativa do que requerido.

    QUALIDADE1. No diga o que voc acredita ser falso.2. No diga seno aquilo para que voc possa fornecer evidncia adequada.

    RELAO 1. Seja relevante.

  • O DITO = sntese do trabalho cientficoUm trabalho cientfico reflete o que se disse no projeto de pesquisa, o qual, entre outras partes*, apresenta: problema, justificativa, objetivos, referencial terico e metodologia. Problema de pesquisa - geralmente surge de um tema controverso, ainda no satisfatoriamente abordado ou respondido, que se torna objeto de pesquisas cientficas.** Justificativa - a exposio da causa, das razes por que o tema eleito pertinente na rea de conhecimento.**Objetivo - aquilo que se pretende alcanar ou solucionar em relao ao tema escolhido.** Referencial terico - o conjunto de obras especializadas que j trataram do tema da pesquisa.** Metodologia - o conjunto de procedimentos e diligncias estabelecidas para a realizao da pesquisa.**

    *Furast apresenta outros elementos para a formulao de um projeto de pesquisa. No entanto, em funo dos objetivos desta apresentao, s esto listadas as partes imprescindveis para a proposio do resumo. Para maiores detalhes sobre as partes de um projeto cientfico, veja Furast (2002, p. 27-31). ** Adaptado de: ABREU, S. Elaborao de resumo. Porto Alegre: Editora da UFRGS/PROPESq, 2006. p.21-22. Srie Iniciao Cientfica.

  • Sintetizando o que deve ser dito... Em suma, precisamos reduzir o contedo do trabalho cientfico que estamos desenvolvendo a partir de um plano de reduo das partes. Como vimos, com base no projeto inicial da pesquisa, no texto resumitivo no pode faltar: o assunto que abordamos na pesquisa; a exposio das razes por que o assunto pertinente; o que se pretendeu alcanar em relao ao assunto escolhido; o referencial terico em que o assunto discutido se insere; e os procedimentos metodolgicos adotados. E COMO DIZER?

  • PARTE 2 COMO DITO, ou Respeitando os limites para o dito Nesta parte, a questo-chave :

    COMO DIZER, COM APENAS 300 PALAVRAS, TUDO O QUE FIZ NA MINHA PESQUISA?

  • Em nossas interaes conversacionais, com relao a COMO DITO, Grice nos aconselha a dizer de MODO claro o que queremos dizer e diz-lo de maneira tima (1982, p.88).MODO - Supermxima: - Seja claro!

    Evite obscuridade de expresso. Evite ambigidades. Seja breve (evite prolixidade desnecessria). Seja ordenado.

  • Orientaes do SIC para elaborao do resumo

    O resumo dever conter breve introduo sobre o assunto, descrio dos materiais e mtodos utilizados, sntese dos resultados (parciais ou finais) e concluses. O espao destinado ao resumo corresponde a 1800 caracteres ou a 300 palavras, na proporo de um texto de 20 linhas em editor padro (fonte Times New Roman, tamanho 10).

  • Partes do resumo O resumo, ento, estruturado a partir de partes definidas numa progresso lgico-semntica, quais sejam:

    objetivos (o qu, para qu, qual o ponto de partida?); mtodos (como?); resultados (o que encontramos?); e concluses (qual o ponto de chegada?).

    No seu resumo, cada uma das partes que constitui o resumo deve estar no texto de forma equilibrada, a fim de que todos os aspectos de sua pesquisa possam estar contemplados.*

    * Adaptado de: ABREU, S. Elaborao de resumo. Porto Alegre: Editora da UFRGS/PROPESq, 2006. p.27. Srie Iniciao Cientfica.

  • Objetivos*

    Aqui voc deve dizer, clara e exatamente, o que fez, que metas foram estabelecidas para a pesquisa. Diga tambm, de forma genrica, qual objetivo devia ser alcanado. Exemplo:

    EFEITO IN VIVO DO CIDO L-PIROGLUTMICO SOBRE PARMETROS DE ESTRESSE OXIDATIVO EM CREBRO DE RATOS JOVENS. Bernardo Remuzzi Zandon, Carolina Didonet Pederzolli, Katia Bueno Deckmann, Caroline Paula Mescka, Bethnia Andrade Vargas, Mirian Bonaldi Sgarbi, Carlos Severo Dutra Filho (orient.) (UFRGS).Problema/Objetivos: O cido L-piroglutmico (PGA) o principal intermedirio do ciclo g -glutamil, que est relacionado sntese e degradao da glutationa. Altos nveis de PGA no lquido cefalorraquidiano, sangue e outros tecidos ocorrem na deficincia de glutationa sintetase (GSD), erro inato do metabolismo de carter autossmico recessivo. Essa desordem clinicamente caracterizada por anemia hemoltica, acidose metablica e disfuno neurolgica severa. No entanto, os mecanismos do dano neurolgico permanecem ainda no esclarecidos. Estudos prvios realizados em nosso laboratrio mostraram que o PGA in vitro diminui a capacidade antioxidante cerebral, porm no afeta a lipoperoxidao. No presente estudo, investiga-se o efeito da administrao aguda de PGA sobre parmetros indiretos de lipopeproxidao e estresse oxidativo com o objetivo de avaliar o efeito do PGA in vivo sobre os mesmos.

    * Adaptado de: ABREU, S. Seminrio temtico: elaborao de resumo. Propesq 2003 e 2004. In:

  • Mtodos*

    Aqui voc deve indicar como executou sua pesquisa, i.: se foi uma pesquisa qualitativa, de que maneira voc coletou e analisou os dados qualitativos (observao/entrevistas, etc.); ou se foi uma pesquisa quantitativa, de que maneira coletou os dados. Apresente em linhas gerais o mtodo utilizado para a execuo da pesquisa.Exemplo:Metodologia - Foi administrada a dose de 1, 0 g/kg de peso corporal de PGA a ratos de 15 dias de

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