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  • Universidade do Minho

    Escola de Direito

    ANURIO PUBLICISTA DA ESCOLA DE DIREITO

    DA UNIVERSIDADE DO MINHO

    Tomo II, Ano de 2013 TICA E DIREITO

    ESCOLA DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO MINHO

    DEPARTAMENTO DE CINCIAS JURDICAS PBLICAS

    BRAGA 2014

  • ANURIO PUBLICISTA DA ESCOLA DE DIREITO

    DA UNIVERSIDADE DO MINHO

    Tomo II, Ano de 2013 TICA E DIREITO

  • Ttulo:

    Anurio Publicista da Escola de Direito da Universidade do Minho Tomo II, Ano

    de 2013 tica e Direito

    Coordenao:

    Joaquim Freitas da Rocha

    Edio:

    Departamento de Cincias Jurdicas Pblicas

    Escola de Direito da Universidade do Minho

    Campus de Gualtar

    4710-057 Braga

    Telefone: 253 601 800 / 253 601 801

    Fax: 253 601 809

    e-mail: sec@direito.uminho.pt

    URL: http://www.direito.uminho.pt

    ISBN: 978-989-97970-3-1

    Data: Maro de 2014

    (*) Esta publicao segue as regras do novo acordo ortogrfico, salvo indicao contrria em alguns textos.

  • ndice

    ANA TERESA CARNEIRO Entre as duas faces de Janus: o recurso

    extraordinrio de reviso, em particular, as alneas a) e b) do n. 1

    do art. 449. do Cdigo de Processo Penal

    ANTNIO CNDIDO DE OLIVEIRA Competncias prprias e

    delegadas das freguesias: uma desigualdade inaceitvel

    CLUDIA FIGUEIRAS A preveno do conflito tributrio:

    a importncia de uma tica tributria (?).

    FERNANDO CONDE MONTEIRO tica e direito penal

    (Reflexes epistemolgicas sobre as relaes entre tica e

    direito penal em face do direito positivo portugus) ..

    ISABEL CELESTE M. FONSECA A reviso do Cdigo do Procedimento

    Administrativo: pontos (mais) fortes e pontos (mais) fracos .

    JOANA COVELO DE ABREU O procedimento europeu de injuno

    de pagamento: soluo simplificada de cobrana de

    crditos transfronteirios? ...

    JOO SRGIO RIBEIRO A diretiva relativa cooperao administrativa

    no domnio da fiscalidade ...

    JOAQUIM FREITAS DA ROCHA Contributo para um conceito de

    democracia plena ..

    PEDRO CRUZ E SILVA Uma anlise (tambm crtica) do novo princpio

    da boa administrao no projecto de reviso do

    Cdigo do Procedimento Administrativo

    SOPHIE PEREZ FERNANDES O Tribunal de Justia e o respeito pela

    identidade (constitucional) nacional dos Estados-Membros .

    TIAGO LOPES DE AZEVEDO O direito das contraordenaes e o

    princpio da proibio da reformatio in pejus: em especial, a Lei-Quadro

    das Contraordenaes Ambientais, o Cdigo dos Valores Mobilirios e

    o Regime Geral das Instituies de Crdito e Sociedades Financeira .

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  • Colaboram nesta publicao

    Ana Teresa Carneiro

    Antnio Cndido de Oliveira

    Cludia Figueiras

    Fernando Conde Monteiro

    Isabel Celeste M. Fonseca

    Joana Covelo de Abreu

    Joo Srgio Ribeiro

    Joaquim Freitas da Rocha

    Pedro Cruz e Silva

    Sophie Perez Fernandes

    Tiago Lopes de Azevedo

  • O direito das contraordenaes e o princpio da proibio da reformatio

    in pejus: em especial, a Lei-Quadro das Contraordenaes Ambientais,

    o Cdigo dos Valores Mobilirios e o Regime Geral das Instituies de

    Crdito e Sociedades Financeiras

    Tiago Lopes de Azevedo

    Sumrio: Introduo. I. O princpio sancionatrio da proibio da reformatio

    in pejus. 1. Natureza jurdica. 2. Aproximao histrica. 2.1. No direito

    portugus. 2.2. No direito comparado. II. O direito sancionatrio contra-

    ordenacional. 1. Natureza jurdica. 2. O direito internacional e o direito contra-

    ordenacional. III. A proibio da reformatio in pejus no direito sancionatrio

    contraordenacional. 1. Regra geral: o art. 72.-A do Regime Geral das Contra-

    ordenaes. 2. Exceo: A Lei-Quadro das Contraordenaes Ambientais, o

    Cdigo dos Valores Mobilirios e o Regime Geral das Instituies de Crdito e

    Sociedades Financeiras. 3. Doutrina existente divergente. 4. Posio defendida.

    4.1. Manuteno de garantias de defesa do arguido. 4.2. Procura da verdade

    material. 4.3. Celeridade processual. 4.4. Posio seguida. Bibliografia.

    Introduo

    O direito das contraordenaes tem andado esquecido da Academia.

    Urge laborar neste singular ramo de direito sancionatrio uma orientao sis-

    temtica, doutrinariamente sedimentada e no votada ao abandono e disposi-

    o de evidentes convenincias econmicas estaduais sem ligao a verdadeiras

    finalidades sancionatrias (1).

    Reflexo desta avidez tributria, que atravessa de fio a pavio o poder legis-

    lativo, precisamente o abandono cada vez mais frequente de um dos princ-

    pios que julgvamos estar devidamente sedimentado na ordem jurdica portu-

    guesa. Mas no est. Alis, o acolhimento da reformatio in pejus vai surgindo em

    reas onde o direito das contraordenaes parece tomar uma nova vida na

    Lei-Quadro das Contraordenaes Ambientais, no Cdigo dos Valores Mobili-

    rios e no Regime Geral das Instituies de Crdito e Sociedades Financeiras.

    Concentramo-nos no problema, que se pretende aprofundar, o qual se

    expe na possibilidade legal que o rgo jurisdicional de recurso tem em agra-

    (1) Em jeito de desabafo, no nos inibimos de referir: j tempo de a Academia pensar

    seriamente numa teoria geral do ilcito contraordenacional.

  • Anurio Publicista da Escola de Direito da Universidade do Minho

    170

    var a sano aplicada em Primeira Instncia aos arguidos contraordenacionais

    nas referidas reas, quando s o referido sujeito processual recorreu ou o pr-

    prio Ministrio Pblico recorreu no exclusivo interesse do arguido.

    Tentaremos, sistematicamente, partir da origem do princpio da proibi-

    o da reformatio in pejus e posteriormente enquadr-lo devidamente no direito

    sancionatrio contraordenacional e direito internacional, sempre com o auxlio

    da jurisprudncia e doutrina que no nosso entender se mostram mais fiis

    ideia de direito sancionatrio. O direito molda-se com preciso se contar com

    uma doutrina e jurisprudncia mais fiel aos princpios nucleares.

    I. O princpio sancionatrio da proibio da reformatio in pejus

    1. Natureza jurdica

    So vrias as razes apontadas por estudiosos para a consagrao da

    proibio da reformatio in pejus.

    Alguns autores entendem que a proibio da reformatio in pejus advm do

    princpio civilstico do dispositivo, na medida em que apenas os sujeitos pro-

    cessuais tm a possibilidade de fixar o thema decidendum, ficando tal possibili-

    dade vedada ao tribunal superior. Este tribunal no tem a possibilidade de

    agravar a sano para alm do pedido dos sujeitos processuais (2).

    Para OTTORINO VANNINI, a proibio da reformatio in pejus tem como base o

    interesse do sujeito processual que recorreu. Tendo em conta que o recurso, nes-

    te caso, interposto no exclusivo interesse do acusado, ento esse mesmo recur-

    so no pode aplicar sanes contrrias ao interesse do referido recorrente (3).

    Segundo outra doutrina, a proibio da reformatio in pejus visa fomentar

    precisamente a interposio de recursos, para que haja maiores probabilidades

    de um melhor julgamento da causa, atravs de um novo reexame crtico, em

    que o acusado no tem receio de lhe vir a ser aplicada uma sano mais gra-

    ve (4).

    (2) Cfr. SABATINI, Guglielmo, Reformatio in pejus, in Novissimo Digesto Italiano, vol XIV,

    [s. n.], 1957, p. 1122.

    (3) VANNINI, Ottorino, Manuale di diritto processuale penale italiano, Milano: A. Giuffr,

    1965, p. 242.

    (4) Assim, PISANI, Mario, Il divieto della reformatio in peius" nel processo penale italiano,

    Giuffr, 1967, p. 58.

  • Tomo II Ano de 2013 tica e Direito

    171

    Constatamos ainda que para outros autores, o receio do acusado em

    recorrer e a sua inrcia em interpor o respetivo recurso so apenas o reflexo de

    uma deciso a quo justa. Assim, a proibio da reformatio in pejus serviria apenas

    para ajudar a que esses condenados justamente apresentassem recurso, aumen-

    tando por isso quer a pendncia processual nos tribunais superiores, quer a

    possibilidade de ser aplicada uma sano mais leve e injusta (5).

    Um outro fator que nos parece igualmente relevante relativo relao

    entre a proibio da reformatio in pejus e o tipo de Estado in casu.

    J defendemos noutra sede que h uma relao entre o tipo de Estado, os

    servios que esse estado presta e as contrapartidas que este exige, designada-

    mente ao nvel das garantias processuais aos seus administrados (6). Pensamos

    que h uma relao crescente entre os servios que a comunidade solicita ao

    Estado, a prestao desses servios e a contraprestao ao nvel das garantias

    processuais dos sancionados. V.g., h maior regulao sancionatria porque a

    sociedade o exige? Consequentemente, o legislador cria mais obstculos a um

    efetivo recurso por parte das entidades reguladas? H possibilidade de recurso

    em matria de direito ou s em matria de facto? E, para o que nos interessa, h

    lugar reformatio in pejus ou esta vedada aos rgos jurisdicionais superiores?

    2. Aproximao histrica

    sabido que o direito romano no contemplava o princpio da reformatio

    in pejus. Segundo alguma doutrina, este princpio tem a sua origem no sculo

    XVIII, suportado pela t