volume 06 - penas alternativas

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  • N 6/2009

    PENAS ALTERNATIVAS

    Esplanada dos Ministrios Bloco T Edifcio Sede 4 andar sala 434

    e-mail: sal@mj.gov CEP: 70064-900 Braslia-DF www.mj.gov.br/sal

  • PROJETOPENSANDOO DIREITO

    Srie PeNSANDO O DireiTON 6/2009 verso publicao

    Penas Alternativas

    Convocao 01/2007

    Escola de Direito de So Paulo da Fundao Getulio Vargas

    DIREITO GV

    Coordenao Acadmica

    Marta Rodriguez de Assis Machados Mara Rocha Machado

    Fbio Knobloch de Andrade

    Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministrio da Justia (SAL)

    Esplanada dos Ministrios, Bloco T, Edifcio Sede 4 andar, sala 434

    CEP: 70064-900 Braslia DF

    www.mj.gov.br/sal

    e-mail: sal@mj.gov.br

  • CArTA De APreSeNTAO iNSTiTUCiONALA Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministrio da Justia (SAL) tem por objetivo institucional

    a preservao da ordem jurdica, dos direitos polticos e das garantias constitucionais. Anualmente so produzidos mais de 500 pareceres sobre os mais diversos temas jurdicos, que instruem a elaborao de novos textos normativos, a posio do governo no Congresso, bem como a sano ou veto presidencial.

    Em funo da abrangncia e complexidade dos temas analisados, a SAL formalizou, em maio de 2007, um acordo de colaborao tcnico-internacional (BRA/07/004) com o Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que resultou na estruturao do Projeto Pensando o Direito.

    Em princpio os objetivos do Projeto Pensando o Direito eram a qualificao tcnico-jurdica do trabalho desenvolvido pela SAL na anlise e elaborao de propostas legislativas e a aproximao e o fortalecimento do dilogo da Secretaria com a academia, mediante o estabelecimento de canais perenes de comunicao e colaborao mtua com inmeras instituies de ensino pblicas e privadas para a realizao de pesquisas em diversas reas temticas.

    Todavia, o que inicialmente representou um esforo institucional para qualificar o trabalho da Secretaria, acabou se tornando um instrumento de modificao da viso sobre o papel da academia no processo democrtico brasileiro.

    Tradicionalmente, a pesquisa jurdica no Brasil dedica-se ao estudo do direito positivo, declinando da anlise do processo legislativo. Os artigos, pesquisas e livros publicados na rea do direito costumam olhar para a lei como algo pronto, dado, desconsiderando o seu processo de formao. Essa cultura demonstra uma falta de reconhecimento do Parlamento como instncia legtima para o debate jurdico e transfere para o momento no qual a norma analisada pelo Judicirio todo o debate pblico sobre a formao legislativa.

    Desse modo, alm de promover a execuo de pesquisas nos mais variados temas, o principal papel hoje do Projeto Pensando o Direito incentivar a academia a olhar para o processo legislativo, consider-lo um objeto de estudo importante, de modo a produzir conhecimento que possa ser usado para influenciar as decises do Congresso, democratizando por conseqncia o debate feito no parlamento brasileiro.

    Este caderno integra o conjunto de publicaes da Srie Projeto Pensando o Direito e apresenta a verso resumida da pesquisa denominada SISPENAS: Sistema de Consulta sobre Crimes, Penas e Alternativas Priso, conduzida pela Escola de Direito de So Paulo da Fundao Getulio Vargas (DIREITO GV).

    Dessa forma, a SAL cumpre seu dever de compartilhar com a sociedade brasileira os resultados das pesquisas produzidas pelas instituies parceiras do Projeto Pensando o Direito.

    Pedro Vieira Abramovay

    Secretrio de Assuntos Legislativos do Ministrio da Justia

  • Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

    CArTA De APreSeNTAO DA PeSQUiSAEm meados de 2007, a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministrio da Justia (SAL/MJ)

    lanou o primeiro edital do Projeto Pensando o Direito. O objetivo do edital era promover parceria entre o Executivo e a academia, por meio do financiamento de projetos de pesquisa que trouxessem ganho qualitativo s atividades da SAL/MJ, em temas considerados prioritrios.

    Vencedora do edital na rea temtica penas alternativas a Direito GV desenvolveu o SISPENAS, um software que ser em breve implantado no site do Ministrio da Justia e disponvel para consulta pblica. Trata-se de uma ferramenta dinmica de produo de conhecimento que serve ao terico, ao operador do direito, ao formulador de polticas pblicas e a todos aqueles que quiserem tomar parte do debate pblico sobre as reformas do sistema penal.

    O processo de construo dessa ferramenta exigiu pesquisa em fontes legislativas, doutrinrias e jurisprudenciais e um esforo intelectual voltado concepo de uma forma peculiar de sistematizao e organizao das informaes contidas nessas fontes. Esse conhecimento resultou no desenho do sistema e na constituio de um banco de dados dos crimes previstos na legislao penal brasileira, suas respectivas penas e as alternativas pena de priso existentes.

    So Paulo, novembro de 2009.

    Mara Rocha Machado

    Coordenadora Acadmica

  • Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

  • Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

    PROJETO PENSANDO O DIREITO

    Escola de Direito de So Paulo da Fundao Getulio Vargas

    DIREITO GV

    Marta Rodriguez de Assis Machado, Mara Rocha Machado, Fbio Knobloch de Andrade, Priscilla Soares de Oliveira, Yuri Luz,

    Carolina Cutrupi Ferreira e Fernanda Emy Matsuda

    SISPENAS:

    Sistema de Consulta sobre Crimes, Penas e Alternativas Priso

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    Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

    9

    SUmriO

    1. INTRODUO .... 11

    2. DESENVOLVIMENTO .... 15

    2.1 Construo do banco de dados e elaborao do sistema .... 15

    1.2.1 Definio dos benefcios e sistematizao das regras dos benefcios .... 18

    2.2 Observaes adicionais ou especficas .... 19

    2.2.1 Sobre os dois tipos de margens penais: tipos e margens penais simples e tipos compostos (com margens penais calculadas) .... 20

    2.2.2 Causas de diminuio ou aumento genricas .... 21

    2.2.3 Sobre as circunstncias atenuantes e agravantes .... 21

    2.2.4 Sobre o concurso de majorantes e minorantes .... 22

    2.2.5 Sobre a localizao do tipo, a alterao de sua redao e sua insero no Cdigo Penal .... 22

    2.2.6 Definies terminolgicas em relao ao Nome do tipo .... 23

    2.2.7 Crimes preterdolosos .... 23

    2.2.8 Construo das regras de aplicao dos benefcios .... 24

    2.2.9 Benefcios cuja concesso depende da pena cominada em concreto .... 24

    2.2.10 Vedaes especficas .... 25

    2.2.11 Artigos de leis penais suspensos liminarmente ou revogados .... 27

    2.3 Caractersticas do SISPENAS: possibilidades de consultas e simulaes .... 27

    2.3.1 Categorias .... 27

    2.3.2 Cadastro de informaes .... 27

    2.3.3 Possibilidades de consulta .... 27

    2.3.4 Simulaes .... 28

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    Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

    3. CONCLUSO .... 31

    3.1 Caractersticas dos tipos penais .... 31

    3.2 Composio temporal da legislao penal em vigor .... 32

    3.3 Caractersticas das penas .... 34

    3.4 Alcance dos benefcios cadastrados no sistema .... 38

    4. REFERNCIAS .... 41

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    Esta pesquisa reflete as opinies dos seus autores e no do Ministrio da Justia

    1. iNTrODUOEste texto tem por objetivo explicitar a forma de elaborao e divulgar as possibilidades

    de utilizao do SISPENAS. No decorrer da introduo, partiremos do diagnstico sobre o dficit de informaes pblicas sobre o sistema penal brasileiro, para apresentar uma sntese do contexto e objetivos que guiaram a produo do SISPENAS. Tendo em vista que o detalhamento do procedimento metodolgico adotado para construir o banco e para equacionar os critrios e benefcios constitui o contedo principal do presente documento, optamos por apresent-lo no desenvolvimento (item 2). Para concluir, apresentaremos informaes quantitativas sobre tipos, penas e benefcios produzidas a partir da utilizao do SISPENAS1.

    a) Contextualizao do tema e relevncia da pesquisa

    O diagnstico que estava base do edital de pesquisa voltado a esta rea temtica o de que a legislao brasileira, e particularmente a legislao penal, tornou-se to complexa que conhecer o direito positivo no uma tarefa fcil. E esse desconhecimento prejudica fortementea elaborao de polticas pblicas. Nesse ambiente, sucessivas mudanas legislativas aumentam a complexidade dos arranjos normativos e suas conseqncias so difceis de serem previstas antes de sua entrada em vigor. Em suma, tal dficit de informao dificulta em muito a conformao de programas legislativos consistentes e em harmonia com o conjunto do ordenamento jurdico.

    Esse diagnstico do sistema penal no recente nem se circunscreve realidade brasileira. Pierre Landreville, autor de um importante relatrio sobre as alternativas priso no Canad, utiliza o termo controlabilidade para se referir ao que considera ser uma das deficincias mais evidentes da justia penal: a ausncia de coordenao sobre suas prprias operaes. Esse quadro traduz-se na ausncia de produo de informaes e de compartilhamento de resultados, bem como na falta de mecanismos de planejamento.

    Essa questo de controlabilidade est no corao de nossas preocupaes porque freqentemente as leis so modificadas ou criadas, acrescentamos novas medidas ou programas, sem jamais saber o que ocorre com elas. No se sabe se elas alcanaram seus objetivos, se melhoramos ou pioramos a situao2 (1986, p. 17).

    1 Os dados apresentados nesse documento substituem as informaes constantes em publicaes anteriores, tendo em vista a atualizao recente do banco de dados e a modificao de alguns critrios. Ver MACHADO e MACHADO,