VOCÊ TEM MEDO DO ESCURO? - Teatro ?· O medo diz quem somos, como agimos, ... pergunta VOCÊ TEM MEDO…

Download VOCÊ TEM MEDO DO ESCURO? - Teatro ?· O medo diz quem somos, como agimos, ... pergunta VOCÊ TEM MEDO…

Post on 29-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • VOC TEM MEDO DO ESCURO?OU UM ESTUDO SOBRE O MEDO

    encenao MARCIO MEIRELLES (BRASIL)

    TEATRO VIRIATO (VISEU, PORTUGAL)

    26 e 27.MAR.15

  • parceiroparceiro

    mecenas do projeto

    estrutura financiada por

    Uma iniciativa

    FOTOGRAFIAS Jos Alfredo

  • K CENA PROJETO LUSFONODE TEATRO JOVEM

    PORTUGALCABO VERDEE BRASILUNIDOS PELOTEATRO JOVEM

    Pelo quarto ano consecutivo, o Teatro Vi-

    riato promove o K Cena Projeto Lusfono

    de Teatro Jovem, com vista a reunir vrios

    jovens de diferentes nacionalidades, rea-

    lidades culturais e contextos ligados pela

    Lngua Portuguesa. O objetivo passa por

    fomentar a valorizao e o reconhecimen-

    to da Lngua Portuguesa e do teatro como

    veculos para o desenvolvimento da identi-

    dade lusfona e de enriquecimento pessoal

    e interpessoal.

    Para isso, o Teatro Viriato conta com o Teatro

    Vila Velha (Salvador-Bahia, Brasil) e o Insti-

    tuto Cames/Centro Cultural Portugus

    - Plo do Mindelo (Cabo Verde) enquanto

    parceiros dinamizadores desta iniciativa de

    teatro jovem.

    Em 2015, as trs peas, trabalhadas pelos

    encenadores Graeme Pulleyn (Portugal),

    Marcio Meirlles (Brasil) e Joo Branco (Cabo

    Verde), tm como tema comum O Medo.

    Apesar do tema comum, a abordagem de

    todos os grupos mesma histria ditada

    pelas suas vivncias especficas e do seu

    pas, a que no so alheios. Escolhas que

    refletem o carter singular do projeto, mas

    tambm a riqueza da lusofonia.

  • VOC TEM MEDO DO ESCURO?OU UM ESTUDO SOBRE O MEDO

    Dramaturgia, texto-colagem, encenao, conceito de

    figurino, espao cnico e luz Marcio Meirelles

    Composio, arranjos e direo musical Ana Bento

    Encenador residente Graeme Pulleyn

    Assistente de direo Roberto Terra

    Figurinos Elenco

    Desenho de luz Marcio Meirelles e Paulo Matos

    Montagem de luz e som Equipa tcnica do Teatro Viriato

    Apoio coreogrfico Francisca Mata

    Elenco Ana Arinto, Carla Gomes, Carolina Dias, David

    Almeida, Dolores Nunes, Emanuel Santos, Guadalupe

    Calheiros, Ins Chaves, Joo Martins, Jorge Ferreira, Mauro

    Bastos, Pedro Santos, Snia Teixeira e Stefanie Martins

    encenao MARCIO MEIRELLES (BRASIL)

    TEATRO VIRIATO (VISEU, PORTUGAL)

    26 e 27.MAR.15

  • A construo deste espetculo para o K

    CENA comeou na vdeo conferncia com

    os participantes quando se definiu que

    este ano no faramos a adaptao de ne-

    nhum livro, nem montaramos um texto

    teatral, mas sim trabalharamos sobre um

    tema: o medo.

    Quando precisaramos de sair s ruas para

    enfrenta-lo e descobrir como se mon-

    ta esta sensao que nos define? Temos

    medo de qu? Seria o mesmo que pergun-

    tar quem somos?

    O medo diz quem somos, como agimos,

    para onde vamos ou no vamos.

    Estamos num mundo controlado por

    quem sabe manipular o medo. preciso

    que se entenda isso, para que sejam des-

    montadas as suas estruturas. S ento

    seremos mais livre, seremos algum alm

    dos limites impostos ou modelados pelo

    medo.

    Da este ESTUDO SOBRE O MEDO uma

    busca, uma experincia. Desenvolve-

    mos um dilogo no facebook do grupo K

    CENA, com os participantes do projeto,

    inclusive os de Cabo Verde e os outros en-

    cenadores e colaboradores, Graeme Pul-

    leyn, Joo Branco, Ana Bento, Ana Azeve-

    do, Janaina Alves, Roberto Terra e alguns

    ex-participantes do projeto no Brasil (que

    os novos ainda esto por vir em julho).

    Depois resolvi investir numa pesquisa que

    venho desenvolvendo com a universidade

    LIVRE do Teatro Vila Velha - a dramaturgia

    do facebook que consiste em transfor-

    mar os posts e comentrios num texto a

    ser reencenado, j que o facebook uma

    encenao em si mesma, uma represen-

    tao de ns mesmos por avatares que

    no somos ns mas servem assim como

    os personagens que construmos em cena

    para fazermos atravs deles os nossos

    prprios discursos.

  • Com ideias em fragmentos, dilogos

    que no se completam, uma potica da

    urgncia e da economia, com falhas se-

    mnticas e estruturais, uma dramaturgia

    do sculo XXI. Copiei os posts, os seus co-

    mentrios, os links e colei.

    Depois iniciei a formatao, edio,

    transformao de meios da internet para

    o word, do word para a cena. A encenao

    segue a esttica proposta pela internet,

    uma encenao fragmentada de discur-

    sos pessoais ou apropriados de algum e

    ressignificados a partir da apropriao.

    A entram outros textos, entrevistas, ar-

    tigos citaes, encontros ou reencontros

    com autores que se ligam numa rede uni-

    versal de pensamento e reflexo sobre o

    mundo em que vivemos. Links, canes

    sonoridades, o pulso do ritmo musical

    brilhantemente conduzido por Ana Bento

    que inscreve aes e falas em uma mes-

    ma pauta como instrumentos integrados

    e a luz desenhada com a colaborao de

    Paulo Matos no palco nu do viriato. tudo

    que temos para avanar em nosso estudo.

    Mas temos muito mais que isso, temos 14

    jovens, com seus espritos vigorosos e seus

    corpos com figurinos feitos de fragmentos

    de discursos quotidianos vermelhos como

    olhos cheios de temor que ainda tentam

    no teatro formular as suas questes e

    buscar as suas respostas, como formular a

    pergunta VOC TEM MEDO DE ESCURO?

    Pergunta que fazemos a ns mesmos e ao

    mundo ou expandindo a questo quando

    o desconhecido est sendo fabricado dia-

    riamente para nos manter controlados? E

    como perder esse medo e romper o con-

    trole?

    O quanto logramos com este projeto?

    Ser que este espetculo ir desaverme-

    lhar-nos os olhos e libertar-nos do medo?

    S o tempo o vai dizer, mas o nosso tempo

    agora j nos diz alguma coisa, ouvir.

    MARCIO MEIRELLES (BRASIL)

  • NA PRIMEIRA PESSOA

    O medo era para mim como falar para uma

    parede e ser atingida com o eco das minhas

    palavras como se este fosse feito de agulhas.

    Ento decidi fazer do medo o meu porto de

    abrigo. No que quisesses, mas precisava de

    um. Um lugar onde apesar de temer a minha

    prpria sombra, me sentisse segura. s vezes

    tenho medo de no saber explicar bem as

    coisas, como o caso. Por mais palavras que

    use, gestos, comparaes, parece que nun-

    ca suficiente. E isto serve tambm como

    uma metfora para a vida. Quantos como

    eu tm medo de falhar? De tentar e dar o

    nosso mximo para nunca conseguir? Como

    se a vida fosse um mar de probabilidades e

    o nosso barco se afundasse? Quantos como

    eu temem no concretizar os seus sonhos?

    Quantos temem nunca fazer o suficiente? E

    so por vezes objetivos to simples. Por ve-

    zes o sorriso a melhor forma de um obje-

    tivo cumprido, de um sonho realizado. E so

    tambm os sorrisos que por vezes me tiram o

    medo. por isso que me escondo por detrs

    de paredes que no existem, para que nin-

    gum d conta se no conseguir. Mas pare-

    cem tambm no dar quando consigo.

    ANA ARINTO (participante)

    Eu aprendi que a coragem no a ausncia

    do medo, mas o triunfo sobre ele. Estes l-

    timos anos tm sido cruciais para descobrir

    mais sobre mim, a cada dia, cresci e aprendi

    que nem tudo aquilo que pensava que era

    o mais correto afinal no o era verdadeira-

    mente. Defini gostos e preferncias, tudo

    com a ajuda de um grande amigo: o Medo.

    Defini-o como amigo pois estes so aqueles

    que no s nos ajudam, como tambm nos

    confrontam com a realidade, ajudando-nos

    a progredir a cada dia. Eu tenho medo de no

    viver a vida, de no aproveitar as coisas boas

    ou mesmo de deixar de progredir a partir de

    um certo ponto, abandonando a caminha-

    da que constantemente percorro. O Ho-

  • mem no aquele que no sente medo, mas

    aquele que conquista por cima do medo.

    CAROLINA DIAS (participante)

    O que o medo? Talvez no haja uma de-

    finio exata do que o medo... Para mim,

    o medo no tem uma definio exata. Tal-

    vez, o maior medo de todos ns seja perder

    a nossa familia e os que mais gostamos...O

    medo algo abstrato, algo relativo... Eu? Te-

    nho medo, tenho medo de desiludir os meus

    pais, tenho medo que a solido me encontre,

    tenho medo de perder a minha familia, mas

    sobretudo, tenho medo de perder a pessoa

    que mais amo.

    STFANIE MARTINS (participante)

    Quem sou eu? Dei comigo a pensar numa

    daquelas noites terriveis onde o sono no

    aparece... Afinal, quem sou eu? Aos olhos

    dos meus amigos, serei o rapaz sorridente

    que estar sempre l para os socorrer... Aos

    olhos da sociedade, talvez serei mais um que

    provavelmente ter um futuro risonho pela

    frente. E aos meus olhos? Quem sou eu? Eu,

    tal como todos, sou mais uma mera pessoa a

    juntar s todas j existentes. Sou mais uma

    que tem virtudes e defeitos. Sou mais uma

    que tem medos... apesar de o meu medo no

    ser da morte... Mas medo de no viver o su-

    ficiente... E tu? J pensas-te? Quem sou eu?

    ALEX FERREIRA (participante)

    J se perguntaram o quanto o medo impor-

    tante para a humanidade? Nos ltimos dias

    parei para refletir. O medo impe respeito,

    revela a verdade, um sentimento justo, im-

    placvel, omnipotente e sublime. O medo

    vai p