viroses de cucurbitáceas - mirtes freitas lima

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  • Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Viroses de cucurbitceas

    95

    Circu

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    Braslia, DFDezembro, 2011

    Autores Mirtes Freitas Lima

    mflima@cnph.embrapa.br Eng. Agr., Ph.D.

    Embrapa HortaliasC.P. 218, Braslia, DF,

    70.351-970.

    ISSN 1415-3033

    As viroses situam-se no grupo das principais doenas que afetam espcies da famlia Cucurbitaceae, principalmente melo (Cucumis melo L.), melancia (Citrullus lanatus Thunb. (Matsui & Nagai), abbora (Cucurbita spp.) e pepino (Cucumis sativus L.), que so culturas economicamente importantes para o mercado interno e/ou externo. Outras espcies tambm afetadas so maxixe (Cucumis anguria L.), chuchu (Sechium edule L.) e bucha (Luffa spp.). Estas doenas podem resultar em perdas na produo e afetar a qualidade dos frutos, principalmente quando a infeco viral ocorre no estdio inicial de desenvolvimento das plantas.

    Os vrus que infectam cucurbitceas causam sintomas muito similares nas plantas infectadas tais como mosqueado, mosaico, deformaes foliares e reduo no desenvolvimento da planta. De acordo com Provvidenti (1996a), a incidncia e a severidade dessas doenas podem variar segundo a interao patgeno, hospedeiro, vetor e meio ambiente. Dessa forma, fatores relacionados ao vrus (grau de virulncia da estirpe; ocorrncia de infeco mista, ou seja, mais de uma espcie de vrus infectando a mesma planta), planta hospedeira (resistncia da cultivar; fase de desenvolvimento da planta quando da infeco), ao inseto vetor (nvel populacional), s condies ambientais (luz; temperatura), assim como tambm a relao entre estes fatores podem influenciar a expresso de sintomas. Os prejuzos observados nas plantas so vrios, entretanto os principais so reduo no desenvolvimento da planta e, consequentemente, reduo na produo.

    Para a correta identificao do patgeno necessrio utilizar tcnicas especficas como testes sorolgicos, testes moleculares e testes biolgicos, sendo a identificao o primeiro passo na definio das medidas de controle a serem adotadas.

    O objetivo desta Circular Tcnica descrever as principais viroses que afetam espcies de cucurbitceas no Brasil, quanto aos sintomas, etiologia, epidemiologia e medidas de controle.

    Principais vrus que infectam cucurbitceas

    Pelo menos dez vrus j foram relatados infectando cucurbitceas no Brasil. Entretanto, sete se destacam como os principais, devido frequncia de deteco em plantios comerciais de cucurbitceas e s perdas que podem causar na produo e na produtividade.

    Dentre esses, o vrus da mancha anelar do mamoeiro, estirpe melancia (Papaya ringspot virus type watermelon PRSV-W), o vrus do mosaico amarelo da abobrinha de moita (Zucchini yellow mosaic virus ZYMV) e o vrus do mosaico da melancia (Watermelon mosaic virus WMV) do gnero Potyvirus (famlia Potyviridae) so os mais importantes.

    Introduo

  • 2 Viroses de cucurbitceas

    O vrus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus CMV) pertencente ao gnero Cucumovirus, (famlia Bromoviridae) e o vrus do mosaico da abbora (Squash mosaic virus SqMV), do gnero Comovirus (famlia Comoviridae) tambm so frequentes em cucurbitceas. Nos ltimos treze anos dois novos patgenos passaram a integrar o grupo de vrus economicamente importantes: o amarelo letal da abobrinha de moita (Zucchini lethal chlorosis virus - ZLCV) do gnero Tospovirus (famlia Bunyaviridae), descrito em 1997 no Brasil (BEZERRA et al., 1999), e mais recentemente, o Melon yellowing-associated virus (MYaV), tentativamente classificado no gnero Carlavirus, famlia Betaflexiviridae, associado doena amarelo do melo (NAGATA et al., 2003).

    Potyvrus

    Os potyvrus abrigam patgenos que causam perdas significativas em espcies de cucurbitceas e que esto agrupados entre os principais problemas fitossanitrios em plantas dessa famlia.

    Vrus deste grupo apresentam partculas filamentosas flexuosas de 680-900 nm de comprimento e 11-13 nm de dimetro (FAUQUET et al., 2005).

    Os potyvrus so transmitidos por vrias espcies de afdeos (pulges) de maneira no-persistente (ZITTER et al.,1996). Neste tipo de transmisso, a aquisio das partculas virais pelo vetor em plantas infectadas, assim como tambm a transmisso para plantas sadias ocorre durante a picada de prova que realizada em perodos de, aproximadamente, 15 a 60 segundos. A picada de prova consiste no ato do inseto experimentar a planta para verificar a adequabilidade desse hospedeiro para a sua alimentao, sendo realizada pela rpida introduo do estilete na planta. Esta rapidez na aquisio e na transmisso das partculas virais pelo inseto torna a relao vrus/vetor altamente eficiente. O vrus tem sua permanncia limitada apenas ao estilete do inseto, e este se torna capaz de transmitir o vrus logo aps a sua aquisio. Neste caso, no h circulao nem perodo de incubao e consequentemente, no h propagao das partculas virais no corpo do vetor. Segundo Provvidenti (1996a; 1996b), o inseto perde a habilidade de transmitir as partculas virais em 2 horas, aps sua aquisio.

    A transmisso experimental desses vrus facilmente obtida por frico do extrato de planta infectada (transmisso mecnica) em folhas de plantas de cultivares suscetveis previamente polvilhadas com abrasivo (carborundo).

    Vrus da mancha anelar do mamoeiro, estirpe melancia (Papaya ringspot virus type watermelon PRSV-W)A mancha anelar do mamoeiro estirpe melancia a principal doena de origem viral afetando espcies de cucurbitceas, em regies de clima tropical e subtropical, como o Brasil. O vrus pode infectar todas as espcies de cucurbitceas. O PRSV-W foi inicialmente identificado como sendo uma estirpe do vrus do mosaico da melancia (Watermelon mosaic virus WMV), tendo sido denominado vrus do mosaico da melancia 1 (PROVVIDENTI, 1996b). Mais tarde, foi classificado como uma estirpe do vrus da mancha anelar do mamoeiro, estirpe melancia, baseado em testes sorolgicos e biolgicos.

    A infeco por PRSV-W restrita s cucurbitceas, nas quais pode tornar-se limitante produo em cultivares suscetveis. O vrus pode infectar 40 espcies de plantas distribudas em 11 gneros (PROVVIDENTI, 1996b).

    Sintomas iniciais da doena so observados nas folhas mais novas da planta, ocorrendo amarelecimento entre as nervuras. Posteriormente, surgem sintomas de mosaico verde escuro e verde mais claro, bolhosidade e deformao foliar (Figura 1A-D). No caso de deformao, pode ocorrer estreitamento do limbo foliar e a folha pode ficar reduzida s nervuras. Plantas com severa infeco ficam com o desenvolvimento comprometido, devido ao atrofiamento e enfezamento. A produo e a qualidade dos frutos tambm so severamente afetadas e os frutos podem ser malformados e/ou apresentar mudana de colorao.

    Na natureza, a transmisso do PRSV-W feita por 24 espcies de afdeos (pulges) pertencentes a 15 gneros (PURCIFULL et al., 1984), com destaque para Aphis spp., Aulacorthum solani, Macrosiphum euphorbiae e Myzus persicae (PROVVIDENTI, 1996b). No h relatos de que o PRSV-W seja transmitido por sementes. Este vrus pode ser encontrado em infeces mistas com outros vrus como o WMV e o ZYMV e ainda com o CMV. O PRSV-W pode sobreviver em cucurbitceas

  • 3Viroses de cucurbitceas

    Figura 1. Sintomas causados por Papaya ringspot virus type

    watermelon (PRSV-W) em abobrinha cv. Caserta (A) e (B) e em

    melo (C) e (D).

    infectadas que permanecem no campo de um ano para o outro.

    Vrus do mosaico da melancia (Watermelon mosaic virus WMV).O WMV encontrado em regies cultivadas com cucurbitceas em todo o mundo, entretanto, mais comum em regies de clima temperado (KUROSAWA et al., 2005). O vrus foi relatado na dcada de 80 infectando abobrinha no Estado de So Paulo e, na dcada de 90, foi detectado em meles de estados produtores da regio Nordeste, onde continua a ser identificado com frequncia (KUROSAWA et al., 2005). A sua ocorrncia em lavouras de cucurbitceas menor que a do PRSV-W (MOURA et al., 2001; YUKI et al., 2000; LIMA et al., 1997).

    Ao contrrio do PRSV-W, o WMV pode infectar diversas espcies de plantas, incluindo 27 famlias, dentre as quais leguminosas, malvceas, quenopodiceas e ornamentais, alm de cucurbitceas (ZITTER et al.,1996).

    Os sintomas induzidos por WMV em plantas infectadas so bastante semelhantes aqueles causados pelo PRSV-W como mosqueado, mosaico, rugosidade e deformao foliar (Figura 2A-D). Plantas afetadas pela doena apresentam ainda reduo na produtividade e na qualidade dos frutos.

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    Figura 2. Sintomas causados por Watermelon mosaic virus (WMV) em melo (A) e (B) e em abobrinha cv. Caserta (C) e (D).

    Este vrus transmitido por cerca de 38 espcies de afdeos, sendo M. persicae e Aphis spp. os principais vetores (PURCIFULL et al., 1984). No conhecida a sua transmisso pela semente. Pode sobreviver em campo, em plantas de cucurbitceas infectadas do plantio anterior ou em espcies hospedeiras alternativas de quenopodiceas ou malvceas.

    Vrus do mosaico amarelo da abobrinha de moita (Zucchini yellow mosaic virus ZYMV)Este vrus foi detectado no Brasil no incio da dcada de 90 (KUROSAWA et al., 2005), ocorrendo em diversas regies produtoras do Pas (SILVEIRA et al., 2009; MOURA, et al.,2001; YUKI et al., 2000; LIMA et al., 1997). O vrus considerado economicamente importante nestas culturas, em vrios pases (LECOQ et al., 1991), podendo causar severas perdas na produo. No Brasil, o ZYMV tem sido encontrado em lavouras de cucurbitceas, com frequncia crescente nos ltimos anos. O vrus infecta principalmente espcies de cucurbitceas e tem sido relatado infectando as espcies mais representativas deste grupo de plantas.

    Folhas de plantas infectadas exibem inicialmente, descolorao internerval e, com o avano da doena, surgem sintomas de mosaico, caracterizado por reas verdes e reas amar