violencia nas escolas

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<p> UNESCO 2003 Edio publicada pela Representao da UNESCO no Brasil</p> <p>As autoras so responsveis pela escolha e pela apresentao dos fatos contidos nesta publicao e pelas opinies aqui expressas, que no so necessariamente as da UNESCO e no comprometem a Organizao. As designaes empregadas e a apresentao do material no implicam a expresso de qualquer opinio que seja, por parte da UNESCO, no que diz respeito ao status legal de qualquer pas, territrio, cidade ou rea, ou de suas autoridades, ou no que diz respeito delimitao de suas fronteiras ou de seus limites.</p> <p>edies UNESCO BRASILConselho Editorial Jorge Werthein Cecilia Braslavsky Juan Carlos Tedesco Adama Ouane Clio da Cunha Comit para a rea de Cincias Sociais e Desenvolvimento Social Julio Jacobo Waiselfish Carlos Alberto Vieira Marlova Jovchelovitch Noleto Edna Roland Reviso: DPE Studio Assistente Editorial: Rachel Gontijo de Arujo Diagramao: Fernando Brando Projeto Grfico: Edson Fogaa UNESCO 2003 Abramovay, Miriam Violncias nas escolas/ Miriam Abramovay et alii. Braslia : UNESCO Brasil, REDE PITGORAS, Coordenao DST/AIDS do Ministrio da Sade, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministrio da Justia, CNPq, Instituto Ayrton Senna, UNAIDS, Banco Mundial, USAID, Fundao Ford, CONSED, UNDIME, 2002. 88p. 1. Problemas Sociais-Brasil 2. Violncia 3. Juventude 4.Educao I. Abramovay, Miriam II. UNESCO III. Ttulo. CDD 362BR/2003/PI/H/8</p> <p>Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura Representao no Brasil SAS, Quadra 5 Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9 andar. 70070-914 Braslia DF Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 322-4261 E-mail: UHBRZ@unesco.org.br</p> <p>EQUIPE RESPONSVEL: Miriam Abramovay, Coordenadora (Consultora Banco Mundial) Maria das Graas Rua, Coordenadora (Consultora UNESCO)</p> <p>COLABORAO ESPECIAL: Mary Garcia Castro, Pesquisadora UNESCO</p> <p>ASSISTENTES DE COORDENAO: Diana Teixeira Barbosa Lorena Vilarins dos Santos Soraya Campos de Almeida ASSISTENTES DE PESQUISA : Cludia Beatriz Silva e Souza Cludia Tereza Signori Franco Danielle Oliveira Valverde Fabiano de Sousa Lima Joani Silvana Capiberibe de Lyra Leonardo de Castro Pinheiro Lena Tatiana Dias Tosta Rodrigo Padua Rodrigues Chaves Viviene Duarte Rocha</p> <p>AMOSTRA QUANTITATIVA: David Duarte Lima</p> <p>APOIO ESTATSTICO: Maria Inez M.T. Walter</p> <p>CRTICA E E XPANSO DA AMOSTRA: Milton Mattos Souza</p> <p>NOTA SOBRE AS AUTORAS</p> <p>MIRIAM ABRAMOVAY professora da Universidade Catlica de Braslia, vice-coordenadora do Observatrio de Violncia nas Escolas no Brasil e consultora de vrios organismos internacionais em pesquisas e avaliaes nos temas: juventude, violncia e gnero. Formou-se em Sociologia e Cincias da Educao pela Universidade de Paris, Frana (Paris VII Vincennes), possui mestrado em Educao pela Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo e doutoranda e na Universidade de Bordeaux Victor Segalen, Frana. Coordenou e publicou vrias avaliaes de programas sociais, entre eles do Programa Abrindo Espaos. co-autora de livros sobre juventude, violncia e cidadania, bem como de vrios artigos publicados em revistas, cientficas e especializadas no tema violncia nas escolas. MARIA DAS GRAAS RUA professora da Universidade de Braslia e consultora da UNESCO em pesquisas e avaliaes, principalmente para questes de gnero, juventude e violncia. Bacharel em Cincias Sociais, fez ps-graduao em Cincia Poltica no Instituto Universitrio de Pesquisas do Rio de Janeiro, Brasil. Entre muitos trabalhos, destacase sua tese de doutorado: Polticos e Burocratas no Processo de PolicyMaking: A Poltica de Terras no Brasil, 1945-1984. Foi coordenadora do Grupo de Trabalho de Polticas Pblicas da Associao Nacional de Ps-Graduao e Pesquisa em Cincias Sociais (ANPOCS).</p> <p>SUMRIO</p> <p>Apresentao ..................................................................................................... 11 Introduo .......................................................................................................... 13 Metodologia ....................................................................................................... 17 1. Caracterizao do estudo realizado.......................................................... 17 Pesquisa compreensiva .............................................................................. 17 Pesquisa extensiva ...................................................................................... 17 Desenho amostral ........................................................................................ 19 Critrios e limites de generalizao .......................................................... 19 CAPTULO 1 Violncias nas escolas: revisitando a literatura ........................................... 21 1.1 Os tipos de violncias nas escolas ......................................................... 23 1.2 Variveis endgenas e exgenas ............................................................. 24 1.3 A literatura nacional ecos, especificidades e silncios.................... 26 1.4 Perspectivas deste estudo ....................................................................... 26 CAPTULO 2 O ambiente da escola ...................................................................................... 29 2.1 O entorno das escolas .............................................................................. 29 2.2 O ambiente escolar .................................................................................. 31 CAPTULO 3 A escola: funcionamento e relaes sociais ................................................. 33 3.1 Funcionamento da escola ........................................................................ 34 3.1.1 Transgresses e punies .............................................................. 34 3.2 Percepes sobre a escola ....................................................................... 36 3.2.1 Relaes entre alunos e professores ........................................... 38 3.2.2 Relaes entre alunos, diretores e outros atores da escola ..... 40</p> <p>RESUMO: Violncias nas escolas</p> <p>CAPTULO 4 Escola, excluso social e racismo .................................................................. 41 4.1 Significados da escola ............................................................................... 42 4.2 A escola como espao de excluso social ............................................. 43 4.2.1 Padres de excluso e discriminao social ............................... 44 4.3 Auto-identificao racial e noes de racismo .................................... 46 CAPTULO 5 As violncias nas escolas: ocorrncias, praticantes e vtimas ................... 49 5.1 Tipos de violncia: a violncia contra a pessoa ................................... 50 5.1.1 Ameaas ........................................................................................... 50 5.1.2 Brigas ................................................................................................ 51 5.1.3 Violncia sexual .............................................................................. 53 5.1.4 O uso de armas ............................................................................... 54 5.2 Violncia contra a propriedade ............................................................... 58 5.2.1 Roubos e furtos ............................................................................... 58 5.3 Violncia contra o patrimnio ................................................................ 60 5.4 Praticantes e vtimas de violncia .......................................................... 62 CAPTULO 6 Repercusses das violncias e solues alternativas .................................. 65 6.1 Repercusses das violncias .................................................................... 65 6.2 Medidas contra as violncias nas escolas: sugestes dos protagonistas .............................................................................................. 68 6.3 Por que uma escola torna-se violenta? .................................................. 71 6.4 Recomendaes para polticas, estrategias e medidas contra violncias nas escolas ............................................................................... 73 6.5 Recomendaes ......................................................................................... 75 Concluses ......................................................................................................... 79 Lista de tabelas ................................................................................................. 83 Lista de quadros ................................................................................................ 85 Bibliografia ........................................................................................................ 87</p> <p>10</p> <p>APRESENTAO</p> <p>Esta publicao consiste em um resumo do livro Violncias das Escolas, lanado pela Representao da Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cultura e a Cincia (UNESCO) no Brasil. Desde que veio a pblico, o livro tornou-se uma referncia no debate sobre o enfrentamento da violncia escolar. Isso ocorre, de um lado, por causa do ineditismo da obra no que diz respeito extenso do mapeamento e da anlise sobre o fenmeno o livro contm resultados obtidos em 13 Unidades da Federao e no Distrito Federal, algo nunca feito no pas. De outro, porque Violncias nas Escolas tornou-se um marco dentro da atuao da UNESCO no Brasil, na medida que chamou a ateno de pesquisadores, acadmicos e formuladores de polticas pblicas para uma problemtica que, quando presente nas escolas, prejudica seu funcionamento, impedindo que ela cumpra sua funo institucional, ensinar crianas e jovens. Paralelamente, os resultados apresentados em Violncias nas Escolas serviram de estmulo mobilizao em vrios segmentos da sociedade governo, organizaes no-governamentais, pesquisadores e educadores , possibilitando a formatao de diversas aes visando ao enfrentamento da violncia escolar, entre as quais destaca-se a criao do Observatrio de Violncias na Escola Brasil, iniciativa conjunta da UNESCO e da Universidade Catlica de Braslia. De modo geral, a tnica dessas aes tem sido buscar compreender o fenmeno, por meio de estudos e pesquisas, bem como desenvolver propostas de ao que mudem o quadro de degradao das relaes humanas e sociais predominante em alguns colgios. O objetivo maior disseminar uma cultura de paz, construda por meio de estratgias como a mediao, a qual tem como propsito prevenir e estimular uma convivncia harmoniosa. No caso das escolas, a mediao visa promover a mudana do clima dos estabelecimentos de ensino a partir do dilogo e da superao de conflitos por meio de solues apresentadas pelos atores envolvidos. O presente resumo tambm um dos resultados da mobilizao gerada pelo livro Violncias nas Escolas, levando a UNESCO-Brasil e11</p> <p>RESUMO: Violncias nas escolas</p> <p>o Rede Pitgoras a se unirem para trazer a professores, diretores e demais membros da equipe escolar e alunos este material. Trata-se de uma obra que pretende fomentar a discusso, estimular a reflexo e, por que no, respaldar estratgias inovadoras para de lidar e superar a violncia escolar. Neste resumo so apresentadas as principais linhas tericas que norteiam o debate contemporneo sobre as violncias na escola e os principais resultados obtidos na pesquisa, permitindo que o educador compreenda a problemtica em sua complexidade. Desse modo, aborda tanto a violncia engendrada na sociedade, fora dos muros escolares, mas que prejudica alunos, professores e demais membros da equipe pedaggica como o caso da ao dos grupos ligados ao trfico de drogas , quanto trata de dinmicas especficas do cotidiano dos estabelecimentos escolares, as quais tambm podem se constituir em modalidades de violncia simblica e/ou institucional. Ao trazer essas informaes e esses resultados aos educadores, a UNESCO e o Rede Pitgoras acreditam que esto cumprindo um papel relevante no sentido de instrumentaliz-los para lidar com um tema que certamente faz parte de seu dia-a-dia, gerando sentimentos de perplexidade, insegurana e, at, impotncia. O objetivo maior dar aos atores que integram a comunidade escolar condies para que sejam superadas as situaes de violncia, altamente prejudiciais ao desenvolvimento pleno de milhes de crianas e jovens que, todos os dias, freqentam os bancos escolares. Afinal, a sociologia nos ensina que um ambiente pedaggico pacfico e estimulante condio prvia para a aprendizagem e o processo educativo como um todo. Por isso mesmo, superar as violncias nas escolas um investimento de seguro retorno em favor do padro de qualidade. necessrio que cada instituio escolar brasileira enfrente as violncias escolares com firmeza e altivez pedaggica. A paz se constri to cedo quanto possvel porque no demais repetir a Constituio da UNESCO se a guerra nasce nas mentes dos homens, tambm nelas se pode e deve construir a paz. Em outras palavras, por intermdio de uma educao de qualidade que consiga mobilizar o potencial criativo de crianas e jovens e assegurar o desenvolvimento pleno de sua auto-estima, que haveremos de formar mentes voltadas para a construo de uma cultura de paz. Cristovam BuarqueRede Pitgoras12</p> <p>Jorge WertheinRepresentante da UNESCO no Brasil</p> <p>INTRODUO</p> <p>Em todo o mundo ocidental moderno, a ocorrncia de violncias nas escolas no um fenmeno recente. Este, alm de constituir um importante objeto de reflexo, tornou-se, antes de tudo, um grave problema social. Desde os primeiros estudos realizados sobre o assunto, nos Estados Unidos, na dcada de 1950, diversas das dimenses desse fenmeno passaram por mudanas e os problemas decorrentes assumiram maior gravidade. Algumas dessas notveis transformaes foram: o surgimento de armas nas escolas, inclusive armas de fogo, a disseminao do uso de drogas e a expanso do fenmeno das gangues, influenciando a rotina das escolas eventualmente associadas ao narcotrfico. Outra grande mudana resulta do fato de que as escolas e suas imediaes deixaram de ser reas protegidas ou preservadas e tornaram-se, por assim dizer, incorporadas violncia cotidiana do espao urbano. Ademais, as escolas deixaram, de certa forma, de representar um local de amparo, seguro e protegido para os alunos e perderam grande parte dos seus vnculos com a comunidade. Como no poderia deixar de ser, mudou tambm o foco de anlise do fenmeno em comparao aos primeiros estudos. Inicialmente, a violncia na escola era tratada como uma simples questo de disciplina. Mais tarde, passou a ser analisada como manifestao de delinqncia juvenil, expresso de comportamento anti-social. Hoje, percebida de maneira muito mais ampla, sob perspectivas que expressam fenmenos como a globalizao e a excluso social, os quais requerem anlises que no se restrinjam s transgresses praticadas por jovens estudantes ou s violncias das relaes sociais entre eles. A sociedade brasileira, por sua vez, vem-se deparando com um aumento das violncias nas escolas, sendo diversos os episdios envolvendo agresses verbais, fsicas e simblic...</p>