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  • VILA SANO NO EIXO DA DESTRUIO

    I - INTRODUO

    O ano de 1980 pode ser considerado como o marco inicial da exploso

    demogrfica na regio sudeste paraense, embora haja iniciativas propiciadoras desde

    o ano de 1970, com os projetos de colonizao ao longo da rodovia Transamaznica

    que motivaram o fluxo migratrio rumo a este territrio.

    O principal fenmeno da poca foi a descoberta de ouro nas terras do senhor

    Gensio Camargo, que depois de transformadas em um grande garimpo passam a ser

    denominadas de Serra Pelada. Rapidamente ouvido falar no Brasil inteiro e vrias

    partes do mundo.

    Para a Serra Pelada migraram pessoas de diversas situaes econmicas e de

    diversos interesses. Pessoas com dinheiro para investir na extrao do ouro, outras

    com interesses de desenvolver a atividade comercial com venda de alimentos,

    mquinas e equipamentos, medicamentos, e uma grande maioria para trabalhar

    diretamente na extrao mineral, o verdadeiro garimpeiro.

    Os que vieram para trabalhar eram originrios do Nordeste brasileiro,

    principalmente do Estado vizinho, o Maranho. A tradio e formao cultural destes

    trabalhadores era trabalhar na terra para garantir a produo de subsistncia e

    reproduo familiar.

    Como o garimpo funcionava normalmente apenas no perodo de estiagem, ou

    seja, do ms de maio at outubro, muitos trabalhadores voltavam para suas terras

    para cuidar de suas lavouras, e boa parte ficava na regio trabalhando em terras de

    latifundirios, as chamadas fazendas, integravam-se aos que lutavam pela conquista

    de terra ou se aglomeravam em vilas, povoados e cidades.

    Neste processo de constituio de vilas e povoados, e aglomerao nestes e

    em cidades que se d a expanso da cidade de Marab e a criao das cidades de

    Eldorado dos Carajs, Curionpolis e Parauapebas, ainda pertencentes ao municpio de

    Marab.

    neste perodo que a Companhia Vale do Rio Doce CVRD, avana no estudo

    de viabilidade econmica de vrias jazidas de cobre, ouro, mangans e nquel, dentre

    estes destaca-se o que vem ser denominado de Projeto Salobo, para extrao de

    cobre, no municpio de Marab.

    Com a presso provocada pelos trabalhadores com a ocupao dos latifndios

    na regio, a gerao de conflitos por parte dos latifundirios com a contratao de

    jagunos, a expulso de trabalhadores das terras conquistadas e assassinatos destes, o

    Estado procura defender a situao dos fazendeiros.

    Atravs do ITERPA Instituto de Terras do Par, na regio entre Serra Pelada,

    o Garimpo das Pedras e o Projeto Salobo, o Estado promove a delimitao de uma

    rea denominada Gleba Ampulheta, destinada aos trabalhadores rurais que quisessem

    para l se deslocarem.

    So dados direitos de ocupao, em reas de 50 hectares, para famlias de

    agricultores que tiveram como desafio enfrentar as grandes dificuldades de falta de

    estrada, de transporte, assistncia tcnica, crdito, educao, servios de assistncia

    sade, e conviver com o isolamento, a opresso e humilhao da Vale.

  • II SOBRE O PROJETO SALOBO

    A jazida de Cobre (Cu) do Salobo est localizada na margem direita do igarap

    Salobo, aproximadamente a 15 km de sua foz no rio Itacainas, na Floresta Nacional do

    Tapirap-Aquiri, no municpio de Marab, com coordenadas geogrficas: Longitude

    4030W de GW e 5037W de GW; Latitude 544S do Equador e 551S do Equador.

    Esta jazida contm significativos teores de Cobre(Cu), Ouro(Au) e Prata(Ag),

    sendo na poca de concluso dos estudos de viabilidade econmica a nica jazida

    conhecida onde ocorre mineralizao com teores relativamente altos de Cobre, com

    variaes de 1 a 2%.

    O estudo de viabilidade econmica concludo em 1988, apontava uma

    produo de 225.000 toneladas/ano(t/a) de concentrado, contendo 85.000 t/a de

    Cobre, 3 t/a de Ouro e 13 t/a de Prata. J em 1994, com os estudos concludos, os

    nmeros apontavam uma outra realidade: 530.000 t/a de concentrado, contendo

    200.000 t/a de Cobre, 8 t/a de Ouro e 28 t/a de Prata.

    O Plano de Lavra da empresa indica a extrao de 784 milhes de toneladas

    secas de minrio, em 33 anos de operao, para uma remoo mdia de 54 milhes de

    toneladas de estril, por ano, para um total de 1,78 trilhes de toneladas. No final do

    projeto, 33 anos depois do incio, ser formada uma cava com 2.700m de

    comprimento, 1.400m de largura, com 525 m de profundidade. No foi dimensionada

    a quantidade de milhes de toneladas de rejeitos txicos a serem produzidos.

    Como atividades de implantao do projeto esto sendo executadas:

    desmatamento de reas onde vai ser feito a lavra, onde sero construdos escritrios e

    alojamentos, barragens de captao de gua e reteno de rejeitos, paiol de minrios,

    para passagem de estradas para escoamento do minrio, para passagem de linhas de

    transmisso de energia, sendo que a rea a ser desmatada at o final do projeto

    chegar ao total de 3.600 hectares.

    Placas sinalizando implantao de linhas de transmisso de energia

  • Est previsto o consumo anual de 9.345t de explosivos (nitrato de amnia,

    espoletas e dinamites), 13.440.000 litros de leo diesel, 2.680.000 litros de

    lubrificantes. Na produo do concentrado, para chegar a 30% do minrio de Cobre,

    pelo processo de flotao sero adicionados reagentes (produtos qumicos): 2.153

    t/ano de amil xanato de potssio, 269 t/ano de poliglicol ter, 3,4 t/ano de

    poliacrilamida e 4.710 t/ano de cal.

    previsto que 5% do amil xanato de potssio usado no processo de flotao

    fique com o rejeito na forma de dixantgeno, e 95% fique no concentrado.

    Os rejeitos gerados no processo de transformao do minrio sero contidos

    em reservatrio que ser criado com a construo de uma barragem de terra

    compactada no vale que drena para o rio Cinzento, ao sul da mina.

    A barragem de rejeitos produzir um efluente lquido proveniente das

    descargas do extravasamento, podendo arrastar partculas (finos) a ponto de alterar a

    qualidade das guas a jusante da barragem, no rio Cinzento. Na gua extravasada

    podem ocorrer nveis elevados de Ferro e Cobre.

    As nascentes do igarap Salobo e toda poro superior de sua bacia de

    drenagem, onde sero implantados a barragem e o reservatrio de acumulao de

    gua e a barragem de conteno de finos, sofrero interveno direta do projeto.

    O divisor de guas constitudo pelo plat delimitado entre as cotas 300 e

    400m e que separa a bacia do igarap Salobo do rio Cinzento, onde sero implantados

    a usina de transformao e todo o complexo de apoio a mina, sofrero interveno

    direta do projeto.

    A encosta voltada para a bacia do rio Cinzento, onde sero implantadas a

    barragem de rejeitos e a respectiva barragem de conteno, tambm sofrer

    interveno direta do projeto.

    Constituem impactos irreversveis: desmatamento; alterao do padro

    topogrfico pelo enchimento dos vales com a deposio de estril; alterao do

    padro topogrfico e interceptao dos lenis de gua na abertura da cava de

    exausto.

    Madeira dos desmatamentos para linhas de transmisso

  • Um aspecto importante a considerar e que deve ser bem acompanhado a

    provvel contaminao das guas com cobre, no igarap Salobo, podendo atingir o rio

    Itacainas.

    Para construo de uma estrada, de mais ou menos 80 km de extenso, que

    servir para escoar o minrio extrado no projeto, at a pra ferroviria, a implantao

    de linhas de transmisso de energia, e a implantao de infra-estruturas nas

    proximidades da mina, foram contratadas vrias empresas.

    Implantao de linha de transmisso

    As empresas Construtora Norberto Odebrecht, Construtora OAS, CAENCO,

    TRATERRA e ALUSA, contratadas pela Vale implantaram seus alojamentos a 7 Km da

    Vila Sano. A rea de alojamentos chegou a concentrar at 7.000 homens que

    prestam servios para as diversas empresas, quase todos vindos de outras regies em

    busca de oportunidades de sobrevivncia, sendo da Vila Sano pouqussimos os

    contratados.

    III SOBRE A VILA SANO

    Foto parcial da Vila Sano

  • Trata-se de uma Vila de moradores iniciada em 1984, em rea cedida por um

    dos maiores posseiros de terra da regio, senhor Odilon Rocha de Sano, que tem

    mantido o domnio sobre a maioria das pessoas, principalmente no perodo de

    eleies municipais, para manter seu cargo de vereador na Cmara Municipal de

    Parauapebas.

    ... aqui era pra t grande esta vila, mas o dono da terra segurou, e aquela

    laquera. E uma humilhao, de vez em quando do dono da terra que promete

    lote. Eu no t achando futuro aqui, eu s t aqui porque eu j apliquei

    (entrevistado).

    Quando o entrevistado interrogado sobre os principais problemas da vila,

    desabafa:

    os problemas daqui que eu sei, completamente s ele que diz que dono da

    terra, amarrou, e o pessoal com aquela nsia de possuir um lote quando queriam

    fazer uma invaso, ele ia pegava a polcia e botava o povo pra fora.

    A Vila constituda de 163 lotes com o tamanho de 10x30 metros, em fase de

    expanso, com mais 94 lotes recentemente cedidos pelo senhor Odilon com tamanhos

    de 6x25 metros. A populao hoje estimada em 1200 pessoas, formadas por

    agricultores da regio e pessoas que chegaram nos ltimos trs anos.

    Tem uma escola onde trabalham dezessete professores e estudam 360

    alunos, de educao infantil e ensino fundamental, educao de jovens e adultos, e

    ensino mdio, em carter modular. Sendo o ltimo bastante p