vigicia saude situacao hanseniase

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fala sobre a epidemiologia da Hanseníase no Brasil.

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  • APRESENTAO

    hansenase apresenta tendncia de estabilizao dos coeficientes de de-teco no Brasil, mas ainda em patamares muito altos nas regies Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Essa informao fortalece o esforo pelo alcance

    da meta do PAC (Mais Sade/MS), que prope reduzir a doena em menores de 15 anos, mas se contrape existncia de regies com aglomerao de casos e indcios de transmisso ativa. Essas concentram 53,5% dos casos detectados em apenas 17,5% da populao brasileira, residentes em extensas reas geogrficas, sede de muitas tenses, o que adiciona maior complexidade a intervenes efetivas. Determinantes sociais e histricos, associados ocupao da Amaznia Legal e manuteno de iniqidades sociais na regio Nordeste ajudam a explicar o acmulo de pessoas infectadas, em se tratando de doena de longo perodo de incubao. A intensificao da vigilncia epidemiolgica nas reas mais endmicas e manuten-o de aes efetivas naquelas com estabilizao da endemia, depende de grande mobilizao social, incluindo a vontade poltica de todos os gestores, compromisso e motivao dos tcnicos e controle social.

    Aps duas dcadas de implantao dos esquemas de tratamento poliquimiote-rpico, com apoio da OMS/OPAS, ONGs filiadas ILEP, MORHAN e ampliao dos servios de sade que compem o SUS, essa desacelerao na produo de novos casos era esperada. Todavia, os coeficientes mdios de deteco em um nmero significativo de municpios corroboram o tratamento da hansenase como um pro-blema de sade pblica, considerado prioritrio pelo Ministrio da Sade.

    O governo atual enfrenta demandas assistenciais, resultantes da poltica de con-trole do isolamento compulsrio, setenta anos depois. A meta de eliminao da hansenase, com base no indicador de prevalncia pontual, foi substituda pelo indi-cador de deteco de casos novos. O foco a ateno integral e uma ao integrada em regies, estados e municpios envolvidos nos clusters identificados, para reduzir as fontes de transmisso.

    O alcance das metas propostas para 2011 depende da melhoria dos resultados de indicadores pactuados nas instncias gestoras do SUS, quais sejam, a cura de todos os casos diagnosticados precocemente, a vigilncia de contatos, especialmen-te nos casos menores de 15 anos, avaliao e monitoramento das incapacidades fsicas apresentadas pelos casos j diagnosticados tardiamente, entre outros. Isso somente ser possvel com a expanso do acesso s oportunidades de diagnstico, tratamento e vigilncia.

    O momento oportuno. No vamos acompanhar passivamente o movimento de queda lenta da doena. Conclamamos o apoio da sociedade brasileira para um esforo concentrado das trs instncias do SUS na busca da efetividade mxima das aes de controle em andamento.

    A

    MINISTRIO DA SADE

    2008Vigilncia em Sade: situao epidemiolgica da hansenase no Brasil

  • SnteSe deScritiva de dadoS de hanSenaSe em agoSto de 2008

    A Coordenao do Programa Nacional de Controle da Hansenase (PNCH) assume como objetivo de sade pblica o controle da doena (WHO, 2008) e privilegia, neste aspecto, o acompanhamento epidemiolgico por meio do coeficiente de deteco de casos novos, op-tando pela sua apresentao por 100.000 habitantes para facilitar a comparao com outros eventos. O coeficiente de deteco de casos novos funo da incidncia real de casos e da agilidade diagnstica dos servios de sade. Em 2007, no Brasil, o coeficiente de deteco de casos novos alcanou o valor de 21,08/100.000 habitantes e o coeficiente de prevalncia, 21,94/100.000 habitantes.

    O grfico 1 apresenta a evoluo do coeficiente de deteco de casos novos no Brasil e regies de 2001 a 2007. Observa-se, no perodo, uma maior ocorrncia de casos nas re-gies Norte e Centro-Oeste, seguidas da regio Nordeste. A regio Norte apresentou nos sete anos acompanhados um coeficiente mdio de 69,40/100.000 habitantes, com valo-res situados entre 54,25/100.000, o mais baixo, registrado em 2007, e 78,01/100.000, o mais alto, correspondente ao ano de 2003. Na regio Centro-Oeste, o coeficiente apresen-tou um valor mdio de 60,77/100.000 habitantes, variando de 40,65/100.000, em 2007, e 68,69/100.000, em 2003. A mdia do coeficiente, para o perodo, referente regio Nordeste foi de 35,48/100.000 habitantes, sendo o valor anual mais baixo de 31,53/100.000, em 2007, e o mais alto, de 38,75/100.000, registrado em 2004. Na regio Sudeste, o coeficiente ascen-deu de 14,06/100.000 habitantes, em 2001, para 15,32/100.000, em 2002, e decresceu at 9,75/100.000, em 2007, e na regio Sul, onde foram registrados os valores mais baixos do pas, o coeficiente passou de 7,44/100.000, em 2001, a 8,50/100.000, em 2002, decrescendo at 2007, quando alcanou 6,45/100.000 habitantes. O valor mdio do indicador para o Brasil no perodo foi de 26,26/100.000 habitantes, tendo os valores ascendido de 26,61/100.000, em 2001, para 29,34/100.000, em 2003, e decrescido at 21,08/100.000, em 2007.

    O grfico 2, que mostra os coeficientes de deteco de casos novos registrados nos es-tados em 2007, evidencia o comprometimento da regio da Amaznia Legal em relao hansenase. Com uma populao correspondente, em 2007, a 12,9% da populao do Brasil, a regio concentrava 38,9% (15.532) dos casos novos detectados no pas. O estado de Mato Grosso apresentou em 2007 o coeficiente de deteco de casos novos mais elevado do pas, 100,27/100.000 habitantes, seguido, nesta ordem, dos estados de Tocantins, 93,01/100.000, Rondnia, 74,03/100.000, Maranho, 68,47/100.000, Par, 62,17/100.000, e Roraima, onde foi registrado o valor de 55,38/100.000 habitantes. Todos esses seis estados, onde foram re-gistrados os maiores coeficientes de deteco de casos novos, pertencem Amaznia Legal. Completando a relao dos estados da regio, o Acre ocupava a oitava posio no Brasil, com o coeficiente de deteco de 39,52/100.000, o Amazonas a 16, com 21,86/100.000, e o Amap ocupava a 18 posio, com o coeficiente de 19,95/100.000 habitantes. A regio da Amaznia Legal apresenta barreiras fsicas e sociais que dificultam o acesso aos servios de sade, e tem aspectos demogrficos e referentes produo social do espao geogrfico que a fazem historicamente vinculada evoluo da endemia no Brasil.

    Fonte: SINAN/SVS-MS

    GRFICO 1 Coeficientes de deteco de casos novos de hansenase por 100.000 habitantes, regies e Brasil, 2001 - 2007.

    Regio Norte Regio Nordeste Regio Sudeste Regio Sul Regio Centro-Oeste Brasil

    90,00

    80,00

    70,00

    60,00

    50,00

    40,00

    30,00

    20,00

    10,00

    0,002001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    Coef

    icie

    nte

    de D

    etec

    o

    100.

    000

    PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DE HANSENASE2

  • Fonte: SINAN/SVS-MS

    GRFICO 2 Coeficiente de deteco de casos novos de hansenase por 100.000 habitantes, estados da Federao, Brasil, 2007.

    Rio Grande do Sul 1,71

    Santa Catarina 3,65

    So Paulo 5,24

    Distrito Federal 10,60

    Minas Gerais 11,28

    Rio Grande do Norte 12,06

    Paran 13,07

    Alagoas 13,74

    Rio de Janeiro 14,07

    Amap 19,95

    Bahia 20,88

    Amazonas 21,86

    Mato Grosso do Sul 23,85

    Paraba 23,86

    Mato Grosso 100,27

    Tocantins 93,01

    Rondnia 74,03

    Maranho 68,47

    Par 62,17

    Piau 47,01

    Acre 39,52

    Pernambuco 35,76

    Esprito Santo 35,14

    Gois 30,17

    Cear 30,16

    Sergipe 26,26

    0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00

    Roraima 55,38

    No grfico 3 apresentada a evoluo dos coeficientes de deteco de casos novos na po-pulao total e segundo o sexo. Observa-se que os valores mdios dos coeficientes, no perodo de 2001 a 2007, foram de 28,94/100.000 habitantes para o sexo masculino e de 22,63/100.000 para o sexo feminino. Os valores para o sexo masculino variaram de 23,64/100.000 no ano de 2007 a 32,02/100.000 em 2003, e para o sexo feminino, de 17,78/100.000 em 2001 a 25,59/100.000 em 2003. A evoluo deste indicador no perodo acompanhado apresentou valores relativos ao sexo masculino superiores queles referentes ao sexo feminino nos sete anos observados, em propores que variaram de 20,1% em 2003 a 24,8% em 2007.

    A distribuio de casos novos de hansenase em pessoas de 15 anos e mais de idade segundo o nvel de escolaridade, referente ao ano de 2007, mostrada no grfico 4. Legal-mente, no Brasil, a idade indicada para o ingresso no nvel fundamental de educao de sete anos e, facultativamente, seis anos, e as duraes mnimas obrigatrias para o ensino fundamental e para o ensino mdio so, respectivamente, de oito anos e de trs anos. A edu-cao de jovens e adultos destinada aos que no tiveram acesso ou continuidade de estudo nos nveis fundamental e mdio.

    Fonte: SINAN/SVS-MS

    GRFICO 3 Coeficientes de deteco de casos novos de hansenase por 100.000 habitantes, na populao total

    e segundo distribuio por sexo, Brasil, 2001 - 2007.

    Mulheres Homens Geral

    35,00

    30,00

    25,00

    20,00

    15,00

    10,00

    5,00

    0,002001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    Coef

    icie

    nte

    de D

    etec

    o

    INFORME EPIDEMIOLGICO 2008 3

  • Embora a situao da educao no Brasil venha melhorando, dados do IBGE referentes PNAD de 2005 mostram que o pas contava com cerca de 14,9 milhes de analfabetos de 15 anos ou mais de idade, o correspondente a 11% desta populao, e que 14,4% dos estu-dantes de 18 a 24 anos de idade ainda cursavam o ensino fundamental. Em relao esco-laridade, 8,7% dos casos novos de hansenase informados em 2007 foram registrados como analfabetos e 53,4% como tendo ensino fundamental incompleto. Com ensino fundamental completo foram registrados 8,6% dos casos, 5,9% possuam ensino mdio incompleto, 6,5%, ensino mdio completo, 0,8%, ensino superior incompleto e 1,3%, ensino superior completo. Considerando a faixa etria observada, 15 anos e mais de idade, a concentrao de casos em analfabetos e naqueles com nveis de esco