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Juliette perde a mãe aos onze anos de idade num incêndio misterioso em uma oficina ao lado da casa de sua avó. Ela, seu pai e sua irmã ficam abalados com o acontecimento e nunca mais visitam a velha casa, localizada em uma praia deserta, no alto de um grande penhasco. Sete anos depois, sua avó os convida, insistentemente, para irem visitá-la. O pai da garota decide aceitar e ir com as duas filhas, pois vê uma boa oportunidade para superarem o trauma deixado pela morte de sua mulher. O que eles não podem imaginar é que a volta àquele lugar trará à tona verdades sobre o passado de Juliette e sua mãe. Em meio a fatos estranhos, surge uma suspeita perturbadora: a de que Loreta Brown, avó de Juliette, tenha sido a causadora do incêndio que levou sua mãe, e, ao que tudo indica, queira levá-la também. Mas... para onde?

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  • Venha comigo

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  • AlexAndro Gruber

    Venha comigo

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  • AlexAndro Gruber

    Venha comigo

    So Paulo, 2013

    COLEO NOVOS TALENTOS DA LITERATURA BRASILEIRA

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  • 2013IMPRESSO NO BRASILPRINTED IN BRAZIL

    DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIO NOVO SCULO EDITORA LTDA.

    Alameda Araguaia, 2190 11 andar CJ 1111CEP 06455-000 Barueri SP

    Tel. (11) 3699-7107 Fax (11) 3699-7323www.novoseculo.com.br

    atendimento@novoseculo.com.br

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Gruber, Alexandro Venha comigo/ Alexandro Gruber. -- Barueri, SP : Novo Sculo Editora, 2013. -- (Coleo novos talentos da literatura brasileira)

    13- 12354 CDD-869.93

    ndice para catlogo sistemtico:1. Fico : Literatura brasileira 869.93

    Copyright 2013 by Alexandro Gruber

    Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa (Decreto Legislativo n. 54, de 1995)

    Coordenao EditorialDiagramao

    CapaReviso

    Letcia TefiloClaudio Braghini JuniorMonalisa MoratoPatrcia AlmeidaDaniela Georgeto

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  • Para tia Wanda,Minha eterna mestra.

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  • 7Agradecimentos

    Agradeo primeiramente s minhas queridas professo-ras Milene Marczal, Terezinha K. Golenia e, principalmente, incomparvel Elisngela Bankersen, pelo seu fundamental apoio, sua maravilhosa opinio e todo o seu entusiasmo, que me ajudaram a realizar este sonho. Agradeo tambm ao seu marido, tambm professor, Algacir Nedochetko, e ao profes-sor Lus Golenia, que tanto me ajudaram e instruram.

    Obrigado tambm s minhas mais que amigas Juliane Lotek, Natielly Gruber, Vanessa Waselkiu Majolo, Eva Raia-ne de Mattos e, como no poderia deixar de ser, minha irm de corao Francisca Loana de Lima, que faz meus dias serem mais felizes. Adoro vocs e todas as minhas colegas do curso de Formao de Docentes, no qual vimos uns aos outros crescendo aos poucos.

    Para finalizar, meus mais sinceros agradecimentos minha eterna tia Wanda, para a qual dedico este livro, por me mostrar que existem pessoas boas no mundo, e tambm a toda minha famlia, em especial minha me, Anita Mihalski Gruber, por fazer de tudo e mais um pouco para que eu tives-se uma vida melhor. Seu esforo valeu a pena. Obrigado, me!

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  • 9Prlogo

    Junho, 1995

    Ela sabia que naquela noite o teto seria o infinito e negro manto celeste que se estendia sobre suas cabeas. Bem acima, a lua era o lustre natural rodeado de velas vivas, as quais as pessoas insistiam em chamar de estrelas. Estava aco-modada nos assentos naturais e macios da grama, de frente para uma mesa feita de pano. E os garons eram as belas r-vores frutferas que vigiavam o casal. ngela Brown adorava os jantares de gala que a me natureza gostava de oferecer a seus filhos.

    Seu futuro marido deu-lhe um suculento morango na boca, que ela mordiscou e depois mastigou lentamen-te, sentindo o sabor adocicado da fruta a espalhar-se por sua lngua, tentando saborear cada milmetro dela, assim como fazia com os segundos que passavam to rpidos naquela noite.

    Ele, ento, inclinou-se sobre ela, que vestia apenas um suti vermelho na parte de cima de seu corpo, e, abaixando-

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    -se, deu um beijo em sua barriga que ostentava orgulhosa-mente seus oito meses de gravidez. ngela sorriu e, apesar de seu companheiro retribuir-lhe o sorriso ao se levantar, notou em sua expresso que, na verdade, ele estava triste. No pde deixar de sentir uma imensa raiva por isso. Faltavam apenas algumas semanas para sua filha nascer, tinham uma bela casa, um belo carro, at um cachorro; e agora estavam fazendo um piquenique no meio da noite sem ningum para perturb-los (especialmente os caras chatos da ltima escavao na fri-ca). E mesmo assim podia perceber pela tenso no ar que ele estava a um passo de estragar aquele momento com sua me-lancolia. J devia ter imaginado, pelos dois anos de namoro, que isso aconteceria. Ele sempre teve medo de aproveitar a felicidade, porque dizia que ela era como as guas da chuva: se no escorriam pelos ralos, evaporavam para o cu quando menos se esperava. Sempre que ouvia isso, ela s podia imagi-nar que esse comportamento devia ser algum tipo de trauma adquirido na infncia. Precisava conversar com a me dele sobre esse assunto.

    Ao perceber que de nada adiantaria ignorar a expresso triste de seu noivo, ela perguntou:

    O que foi, querido? Est preocupado com alguma coisa?

    Ele no respondeu de imediato. Seus olhos miravam o cu ao longe, distante e profundo, e sobre o brilho plido da lua ela pde jurar ter visto uma lgrima brilhar no canto do seu olho direito. ngela segurou sua mo, encorajando-o a falar, at que, por fim, ele se virou, encarando-a com o rosto mais infeliz que ela se lembrava ter visto algum dia.

    Eu no devia fazer isso ele falou balanando a ca-bea , mas vou fazer porque te amo fez uma pausa extre-

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    mamente longa antes de continuar. ngela, peo que me oua, por favor, sem interromper ele suspirou ao mesmo tempo em que ela sentiu um sbito temor. Eu vou lhe con-tar tudo...

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    1

    Quinta-Feira

    Julho, 2013

    Por qu? Richard Clare lanou seu olhar rapidamente pelo retro-

    visor de seu carro, que revelou a imagem da garota sentada no banco traseiro, com os braos cruzados e a expresso sria. Ju-liette tinha o comportamento rebelde desde criana (ele ainda se lembrava do dia em que, com dois anos, ela atirou uma tigela de cereal na sua cabea). Os cabelos da jovem tinham o mesmo tom louro dos de sua me, s que curtos, fazendo com que a beleza deles contrastasse com o excesso de maquiagem em seu rosto e a sombra negra embaixo dos olhos azuis vivs-simos, que tambm eram uma herana materna.

    Ele suspirou. J conversamos sobre isso! a quinta vez que voc

    me faz a mesma pergunta. Portanto, vou lhe dar a mesma resposta, e desta vez peo que preste ateno ele assumiu

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    um tom srio e falou como um locutor que transmitia uma notcia pelo rdio. Gostaria de informar senhorita Juliette Bellatrix Brown Clare que sua av, Loreta Alcyone Brown, solicita sua presena, assim como de toda sua famlia, em sua respectiva residncia para as frias de vero, pois alega que no recebe suas visitas h exatos sete anos. Obrigado pela ateno. Entendeu?

    Mantendo sua ateno na estrada pela qual conduzia seu Porsche prata, Rick no percebeu quando sua filha re-virou os olhos em visvel desinteresse, como se dissesse: T nem a.

    Como a casa da vov? perguntou Nicolle, que na ltima visita tinha apenas trs anos e, por isso, pouco se lembrava do lugar. maneira?

    Se voc acha que um celeiro maneiro, aquela casa uma manso.

    Julie! retrucou seu pai. Que foi? ela deu de ombros, fingindo no entender

    sua reprovao. No d ouvidos a ela, Nick Richard falou para a

    garotinha de dez anos. Ela tinha os cabelos louros presos em um rabo de cavalo. Julie est revoltada porque vai ter que passar o vero sem aquelas ms influncias, as quais chama de amigos.

    Nicolle soltou um risinho ao lado dela. Juliette sabia que sua irmzinha no fazia aquilo para irrit-la, e sim para cair na graa de seu pai. Muito provavelmente, Nick sequer concordava com a afirmao de que seus amigos eram ms influncias. A pequena adorava quando Meg a ensinava a to-car guitarra (embora ela mesma no soubesse muito bem) e o jeito que Ronny empinava a moto quando o viam passar

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    em frente de casa (Richard no deixava que ele as visitasse, e mais de uma vez ligou para os policiais para avisar que havia um louco que no parava de se exibir com sua motocicleta, ameaando a segurana dos outros motoristas). Porm, en-tre ela, seus amigos e papai, Nicolle sempre estava do lado do homem da casa. Sequer podia culp-la. Porque o ltimo vero que visitaram sua av, tambm foi o ltimo vero da vida da me delas, ngela Brown. Desde ento, o advoga-do Richard Clare dedicou-se a tentar suprir a ausncia dela da melhor forma possvel. E, assim, a pequena Nick acabou apegando-se demais a ele. Os dois faziam tudo juntos e, s vezes, Julie no podia deixar de se sentir como se no fizesse parte daquela famlia. Especialmente quando ele falava mal de seus amigos.

    Eles no so ms influncias coisa nenhuma falou ela, mas seu pai no lhe deu ateno.

    Sentindo uma imensa saudade de seus colegas de col-gio e frustrada por seu pai sequer ter permitido que Meg fos-se com eles, tentou distrair-se olhando a paisagem, que, para seu desespero, revelou dezenas e mais dezenas de rvores e mata nativa, fazendo com que ela sentisse vontade de chorar.

    Precisamos ir mesmo para l? reclamou melanco-licamente, deixando-se cair ainda mais no banco, enquanto fechava os olhos e massageava a tmpora com os dedos.

    Seu pai sorriu torto, mas tentou passar um ar otimista. Querida, no vai ser to ruim... ele fez uma pausa,

    parecendo refletir. Pense na areia e no mar s para ns, sem poluio, carros

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