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  • Desejo-te

    J. KEN

    NER

    Ele a soluo para todos os desejos dela

    A NOVA SRIE apaixonada e

    sensual da autora que destronou E L JAMES e SYLVIA DAY

    J. KENNER uma autora norte-americana cujas obras esto em todas as listas de bestsellers do seu pas, incluindo as do New York Times e do USA Today. Entre os mais de quarenta romances, novelas e contos que j publicou, a srie Stark Liberta-me, Deseja-me, Ama-me, Possui-me, todos publicados pela Topseller a de maior xito.

    Deseja-me venceu em 2014 o Prmio RITA para Melhor Romance Ertico, atribudo pela Associao Americana de Escritores de Romance.

    A revista Publishers Weekly elogia J. Kenner como uma escritora com um imenso talento para os dilo-gos e para criar personagens originais. A sua escrita abarca vrios registos literrios, incluindo romances erticos plenos de sensualidade, romances femininos de suspense e literatura paranormal.

    O seu livro Carpe Demon: Adventures of a Demon- -Hunting Soccer Mom est a ser adaptado para cine-ma por Chris Columbus, produtor dos filmes de Harry Potter.

    J. Kenner vive no interior do Texas com o marido, duas filhas adorveis e vrios gatos.

    Da autora bestseller de Deseja-me, vencedor do prmio MELHOR ROMANCE ERTICO 2014

    Desejo-teJ. KENNER

    Sei exatamente o momento em que a minha vida se alterou. O preciso instante em que os olhos dele fitaram os meus e eu deixei de ver a inexpressiva familiaridade, mas antes perigo e fogo, desejo e fome. Talvez devesse ter virado costas. Talvez devesse ter fugido. No o fiz. Desejava-o. Mais: precisava dele. Do homem e do fogo que ele ateava dentro de mim.

    H quase oito anos, ainda adolescente, Angelina Raine assistiu morte violenta da adorada irm mais velha. Aps essa trag-dia, Angie, como era conhecida, comeou a passar muito tempo com o seu tio Jahn e com trs rapazes, Evan, Tyler e Cole, por ele apadrinhados. Durante anos, Angelina desenvolveu uma fixao por um deles, Evan, sem ser correspondida. Apesar dos avisos do tio do perigo que correria se se envolvesse com ele, o desejo entre ambos torna-se evidente, e h tentaes s quais impossvel resistir.

    Conhea a escaldante srie Stark

    Deslizou uma mo para me amparar a nuca, man-tendo-me no lugar enquanto movia a outra mo para rasar o polegar pelo meu lbio inferior. De forma automtica, abri a boca, com a respirao em arquejos suaves e trmulos ao mesmo tempo que um calafrio me percorria todo o corpo. J no havia como escon-der dele o que quer que fosse, e no queria faz-lo. O ar entre ns estava carregado de calor e desejo, e, embora eu estivesse completamente vestida sua frente, nunca me tinha sentido to exposta como naquele momento.

    A ponta do seu polegar continuava a atormentar- -me o lbio. Inseriu-a na minha boca, apenas um pouco, e, ainda que uma parte nfima e rebelde de mim quisesse levar a coisa com calma, isso no era possvel. Cerrei os lbios volta do dedo, com a lngua a prov-lo e os lbios a sug-lo.

    Fechei os olhos, absolutamente ciente do peso nos meus seios e do latejar exigente no meu sexo. Gemi, sem conseguir acreditar que pudesse estar to exci-tada quando o nico contacto entre ns era o do seu polegar na minha boca e o da sua outra mo no meu cabelo.

    Se soubesses o que tenho vontade de te fazer agora, fugirias.

    A voz dele era grave, agreste e afiada como uma lmina, e atravessou-me por completo, deixando-me aberta e vulnervel.

    Tentei responder, mas parecia que no conseguia emitir sons. Com uma suprema fora de vontade, ten-tei de novo e l consegui formar palavras.

    No vou fugir.

    9 789898 800404

    ISBN 978-989-8800-40-4

    ISBN 978 -989 -8800-40 -4

    Fico ertica

    Veja o vdeo de apresentao deste livro.

    www.topseller.pt

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    Sei exatamente o momento em que a minha vida se alterou. O preciso instante em que os olhos dele fitaram os meus e eu deixei de ver a inex-

    pressiva familiaridade, mas antes perigo e fogo, desejo e fome.

    Talvez devesse ter virado costas. Talvez devesse ter fugido.

    No o fiz. Desejava -o. Mais: precisava dele. Do homem e do fogo que

    ele ateava dentro de mim.

    E, nos seus olhos, vi que ele tambm precisava de mim.

    Foi esse o momento em que tudo mudou. Sobretudo eu.

    Mas se mudou para melhor ou para pior bom, isso est ainda por

    determinar.

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  • 7

    C A P T U L O 1

    M esmo morto, o meu tio Jahn sabia dar uma festa incrvel.A sua penthouse de Chicago, beira do lago, estava a rebentar pelas costuras com um conjunto ecltico de enlutados, sendo que estes, na sua maioria, tinham bebido tanto vi

    nho na famosa adega de Howard Jahn que qualquer melancolia que

    tivessem trazido fora docemente apagada, e o velrio, cerimnia de

    homenagem ou l o que se quisesse chamar lhe, j no estava mi

    nimamente triste. Polticos confraternizavam com financeiros, que

    se misturavam com artistas e acadmicos, e toda a gente sorria, ria

    e brindava ao defunto.

    Respeitando os seus desejos, no tinha havido um funeral formal.

    Apenas uma reunio de amigos e famlia, comida e bebida, msica

    e alegria. O Jahn ele detestava o nome Howard levara uma

    vida vibrante, algo que se tornava evidente ento, aps a sua morte.

    Eu sentia tanto a sua falta, caramba, mas no tinha chorado.

    No gritara nem arengara. No fizera coisa alguma, na verdade, ex

    ceto avanar pelos dias e pelas noites numa nvoa de emoes, com

    a mente entorpecida. O corpo anestesiado.

    Suspirei e dedilhei o pendente da minha pulseira de prata. Ele

    tinha me oferecido a minscula motocicleta apenas um ms antes,

    e o presente fizera me sorrir. Eu j no falava de ter vontade de an

    dar de moto desde antes do meu 16. aniversrio, e j se tinham

    passado anos desde que montara uma, abraada a um rapaz, com

    os braos a apertar lhe a cintura e o cabelo ao vento.

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  • J . K e n n e r

    8

    Mas o tio Jahn conhecia me melhor do que qualquer outra pes

    soa. Para l da princesa, via a rapariga que se ocultava no interior.

    Uma rapariga que construra muros por necessidade mas que con

    tinuava desesperada por se libertar. Que ansiava por enfiar um par

    de calas de ganga bem surradas, agarrar num velho bluso de ca

    bedal e perder um pouco a cabea.

    Por vezes, ela at fazia isso. E havia vezes em que a coisa no

    acabava nada bem.

    Apertei o pendente com fora enquanto a memria do Jahn a

    dar me a mo a prometer que guardaria os meus segredos me

    acometia, trazendo me lgrimas aos olhos. Ele devia estar ao meu

    lado, raios, e as vagas de riso e conversa que enchiam aquele espao

    estavam a deixar me um pouco agoniada.

    Apesar de saber que era o que o Jahn queria, s a custo no

    desatei a bater nas pessoas que me abraavam e murmuravam de

    licadamente que ele agora estava num stio melhor e que era mara

    vilhoso que tivesse tido uma vida to plena. Isso era c uma treta

    Ele ainda nem tinha 60 anos. Homens enrgicos na casa dos 50

    no deviam cair fulminados por um aneurisma, e o universo no

    tinha suficientes citaes de cartes Hallmark para me fazer pensar

    o contrrio.

    Nervosa, ia passando o peso de um p para o outro. Havia um

    bar do outro lado da sala, e eu tinha me posto o mais longe possvel

    dele, pois estava vida por sentir o ardor da tequila. Queria soltar

    me, explodir atravs da dormncia que me envolvia como um ca

    sulo. Correr. Sentir.

    Mas isso no ia acontecer. Naquela noite, no haveria lcool a

    passar me pelos lbios. Afinal, eu era a sobrinha do Jahn, o que

    me transformava numa espcie de anfitri; por conveno, tinha de

    ficar na penthouse. Apesar dos seus quase 400 metros quadrados,

    sentia as paredes cobertas de obras de arte a oprimirem me.

    Queria subir a correr pela escada de caracol at ao ptio do ter

    rao e saltar da varanda para o cu cada vez mais escuro. Queria

    voar sobre o lago Michigan e o mundo inteiro. Queria partir coisas,

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  • D e s e j o - t e

    9

    gritar, resmungar e praguejar contra o maldito universo que tinha

    levado um homem bom.

    Merda. Inspirei fundo e olhei para o magnfico caderno de aspe

    to antigo dentro do expositor de vidro e cromo ao qual tinha estado

    encostada. O exemplar encadernado a couro era uma cpia excecio

    nalmente bem conseguida de um caderno de Da Vinci descoberto

    havia pouco tempo. Conhecido como Bestirio, continha 16 pginas

    de esboos de animais e estava aberto a meio, revelando um extraor

    dinrio esboo que o jovem mestre fizera o seu estudo do famo

    so, ainda que nunca encontrado, escudo do drago. O Jahn tinha

    tentado adquirir o caderno original, e lembro me de quo zangado

    ficara ao perd lo para o Victor Neely, outro negociante de Chicago

    com um esplio que rivalizava com o seu.

    Na altura, eu tinha acabado de entrar para a Universidade

    Northwestern, para uma licenciatura em Cincias Polticas, com

    plementada por cadeiras de Histria da Arte. No sou especialmen

    te talentosa, mas toda a vida desenhei e sou fascinada por arte e,

    em particular, por Leonardo da Vinci desde que os meus pais me

    levaram a um museu pela primeira vez, tinha eu 3 anos.

    Eu achava que o Bestirio era assombroso e tinha ficado to ir

    ritada quanto o meu tio, que no s o perdera mas ainda vira sal

    a ser lhe posto na ferida quando a comunicao social alardeara a

    incrvel nova aquisio do Neely.