vamos combater a dengue!

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Cartilha educacional para crianas sobre preveno de dengue. Material criado pela Newsday Consultoria para a Petrobras e empresas parceiras em 2008.

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Como pde acontecer? perguntou Marina. No me lembro de ter tido dengue antes.

Talvez os sintomas da primeira dengue que voc pegou no tenham sido muito fortes, e voc achou que era s uma gripe... explicou o mdico. A pessoa no pega dengue duas vezes com o mesmo tipo de vrus, mas pode pegar de outros tipos.

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Entendi... Marina fazia uma cara engraada quan-do pensava muito.

Os sintomas da dengue hemorrgica so os mes-mos da dengue comum...

Sei, sei disse Marina, impaciente. Febre alta, dor de cabea, perda do apetite, manchas na pele, en-jo, vmito, tonturas, cansao, dor no corpo e uma moleeeza...

Pois disse o mdico, mas voc percebe que dengue hemorrgica quando acaba a febre e surgem dores abdominais e vmitos que no param, pele fria e plida, sangramentos no nariz e na boca, sonoln-cia, muita sede, boca seca, respirao difcil...

Ainda bem que tratamos a tempo!

Bolacha! Eu tive den-gue hemorrgica! disse Marina, feliz com a visita

do amigo.

? E como que se pega essa dengue... como mes-mo o nome?

Hemorrgica, Bolacha, h-e- m-o-r-r--g-i-c-a! soletrou Marina.

Minha professora explicou que a dengue sempre transmitida pela picada de um mosquito chamado Aedes aegypti, e no de uma pessoa para outra.

preciso fazer alguma coisa para evitar que as pes-soas fiquem com dengue! disse a menina, decidida.

Fazer o qu? perguntou Bolacha.

Marina arregalou os olhos e Bolacha percebeu que ela estava tendo mais uma de suas idias brilhantes...

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Ai, Marina, essa no! No me venha com essas...

Ela nem deixou o menino falar.

J sei! Vamos fazer um plano de combate! Primeiro preciso anotar tudo o que sabemos sobre a dengue.

Sua irmzinha Amanda brincava ali por perto, com seu cachorro Otelo.

Olha, Bolacha. Depois da picada do mosquito, os sintomas da dengue costumam aparecer em cinco ou seis dias. O Dr. Paulo disse que no existe vacina contra a doena, nem tratamento para acabar com ela. O que se pode fazer tratar dos sintomas... e devemos beber muito lquido!

Isso, Marina! Mas se no tem como combater a doena, o jeito combater o mosquito, pra que ele no contamine as pessoas!

Bolacha estava certo!

Pra comear, precisamos de mais informao sobre como combater o mosquito! disse Marina.

Mas quem que vai nos informar tudo sobre o mosquito da dengue? perguntou Bolacha.

Otelo cochichou algo no ouvido de Amanda. S ela entendia o que o cozinho falava. Ouviu com ateno e falou bem alto:

Gente, o Otelo teve uma idia!

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Marina e Bolacha caram na risada. Amanda ficou furiosa. Otelo estava tran-qilo, certo de que sua boa idia era mesmo tima...

At que Marina de repente parou de rir e disse ao Bolacha:

Ei, por que no? Otelo tem razo! Ningum melhor do que o prprio mosquito da dengue pra nos contar tudo sobre a doena!

T bom, t bom respondeu Bolacha. Mas como vamos encontrar esse mosquito?

O cozinho j sabia o que fazer. Cochichou pra Aman-da, que contou aos amigos.

Otelo conhece umas pulgas, que conhecem um besouro, que conhece uma liblula que sabe onde o mosquito est morando. Ele est mais perto do que a gente imagina!

E se ele no quiser falar conosco? perguntou Bolacha.

Ah, pode deixar que agora quem teve uma idia fui eu! disse a pequena Amanda, batendo o dedinho na cabea.

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Tudo estava pronto para a entrevista.

Marina preparou as per-guntas e Bolacha se encarregou dos equipa-mentos de filmagem.

Otelo descobriu onde o mos-quito morava.

E Amanda apareceu com umas roupas estranhas.

Aqui est a minha idia! Vamos l disfarados de mosquitos! explicou Amanda.

No que deu certo? Chegando ao local indicado por Otelo, disseram:

Boa tarde! Somos da TV Dengosa e viemos entrevis-tar o Mosquito, que ficou to famoso neste vero!

Vocs so da TV? Podem vir! disse uma voz que vinha de dentro de uma tampinha de garrafa no meio do lixo jogado num terreno baldio ao lado da casa do Bolacha.

Quando o mosquito apareceu, as crianas se espantaram.

Vejam! O mosquito da dengue...

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Antes que Marina fizesse a

primeira pergunta, a Mosquita foi logo dizendo:

Sou uma mosquita! O mosquito macho s come

frutas. a fmea que precisa de sangue, para pr os ovos. Por isso, a dengue trans-mitida por mosquitos do sexo feminino, como eu!

Voc s ataca os pobres? perguntou Marina.

Claro que no, meus queridos! respondeu a Mosquita. Alcano todas as classes sociais, sem preconceito de cor, raa, credo, religio...

S aqui no Brasil?

Pra mim no existem fronteiras! Estou em mais de cem pases! S no ano passado foram mais de cem milhes de ca-sos de dengue no mundo!

E voc no pega a doena?

No, eu posso carregar o vrus da dengue sem ficar doente.

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Bolacha incentivou a Mosquita a falar mais e mais...

Conte mais um pouco de voc... Como a sua vida?

A Mosquita abriu um largo sorriso. Todo mundo gosta de falar de si mesmo! Ela contou tudo.

Ns botamos os ovinhos em recipientes de gua parada e eles se grudam na parede interna desses re-cipientes. Em dois dias o embrio se desenvolve, para passar forma de larva. A durao dessa fase larvria depende da temperatura e outras condies ambien-tais, podendo durar cinco dias. Depois, fica mais dois dias como pupa, uma espcie de casulo, antes de se tornar um mosquito adulto. Mas ficando fora da gua os ovos podem resistir por mais de um ano.

Voc acha que as pessoas esto sabendo evitar a dengue? arriscou Bolacha.

A Mosquita caiu na conversa e revelou:

Hehehe, as pessoas usam repelentes e inseticidas pra no serem picadas pelos mosquitos, mas h muitos criadouros por a! Assim, todo dia surgem novos mosquitos adultos.

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Orgulhosa com a entrevista, a Mosqui-

ta continuou falando:

Eu s ponho meus ovos em lugares de gua parada e limpa. Garrafas, tonis, vasos de flores, pneus velhos, caixas dgua, calhas, lajes, tudo o

que puder ficar com gua parada pode ser criadouro de mosquitos, a menos que seja eliminado. Se as pessoas limparem as calhas pra no ficarem entupidas e no acumular gua, tratarem as pisci-nas com cloro, vedarem as caixas dgua, colocarem areia no prato do vasinho de planta, mantiverem o lixo em sacos fechados e protegidos da chuva, o mosqui-to no vai conseguir se desenvolver nesses lugares.

E voc tambm pe ovos naquela gua que se acumula em plantas como as bromlias, no ? perguntou Amanda.

. Se as pessoas tomassem cuidado com essas coi-sas, ia ser muito mais difcil para ns comentou a Mosquita, sem desconfiar de nada.

A que hora voc gosta de se alimentar? falou Bola-cha, mudando de assunto.

Ah, eu ataco sempre de dia. De manh ou no final da tarde.

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Otelo resolveu participar tambm e perguntou:

Por que as pessoas ainda no conse-guiram acabar com a dengue?

Olha, esta guerra no se ganha em poucos dias, um cuidado permanente! E ns, mosquitos, somos muito persistentes.

Nessa guerra com os homens, voc tem medo de alguma coisa? perguntou Marina.

S de uma coisa. Se todos passarem a tomar cuida-do com os focos, eu t lascada, porque vo eliminar os meus criadouros!

A Mosquita respirou fun-do e pediu:

Mas no divulguem essa parte, t?

Tudo bem... disseram as crianas, cruzando os dedos atrs das costas.

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Rapidamente, as crianas se despediram da Mosqui-ta e foram saindo.

Quero ver essa entrevista na TV. Me avisem. Tchau despediu-se a Mosquita.

Voc vai ver sim, voc vai ver... disse Otelo, piscan-do para Marina.

Colocar a entrevista na TV, no rdio e nos jornais foi muito mais fcil do que se pensava. As declaraes da Mosquita eram informaes importantes para o combate dengue.

Marina, Bolacha e Amanda apareceram nos telejor-nais de todo o pas e em programas de entrevistas.

E o cozinho Otelo colheu sua glria junto cachor-rada da regio:

Esses meninos no teriam feito nada sem mim dizia ele, latindo feliz.

Ai, Otelinho, voc o mximo! repetiam, em coro, as cadelinhas...

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Os resultados foram rpidos. As pessoas entende-ram direitinho que a melhor ao contra o mosquito eliminar os criadouros.

Marina e Bolacha falavam com todo mundo para procurar focos da dengue nas casas e nas ruas.

E ensinavam a todos o que fazer:

Coloque areia em pratinhos de xaxins e vasos. No deixe acumular gua em bromlias e outras plantas.

No deixe gua em pneus, tijolos, entulhos e ma- teriais de obras, cacos de vidros nos muros, lajes e calhas.

Garrafas, copos, vasilhas para gua de animais, tampinhas e latas usadas devem ser guardadas com a boca para baixo.

Fure os recipientes plsticos que forem para o lixo. Todo o lixo deve ser guardado e mantido em local protegido da chuva at sua coleta.

As lixeiras devem ficar sempre bem fechadas.

Mantenha sempre vedadas as caixas dgua, cis- ternas, poos e outros lugares que guardam gua.

Feche com telas (trama de 1 milmetro) todos os ralos da casa.

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Quando a Mosquita viu que tinha falado demais, j era tarde.

Mas no tinha perdido as esperanas e j planejava o prximo ataque.

Essa palhaada de preven-o no vai durar mu