utiliza†ƒo de sistemas de informa†ƒo geogrfica .utiliza†ƒo de...

Download UTILIZA‡ƒO DE SISTEMAS DE INFORMA‡ƒO GEOGRFICA .UTILIZA‡ƒO DE SISTEMAS DE INFORMA‡ƒO GEOGRFICA

Post on 20-Jan-2019

215 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Diversidade e Gesto 1(1): 88-102. 2017. Volume Especial

Gesto Ambiental: Perspectivas, Conceitos e Casos

88

UTILIZAO DE SISTEMAS DE INFORMAO GEOGRFICA PARA A GESTO DE UNIDADES DE CONSERVAO

Verena Lima Van Der Ven1

Introduo A relao entre o homem e a natureza composta por uma dinmica de apropriao,

considerando que a utilizao dos recursos naturais diretamente ligada ao desenvolvimento de novas tecnologias que so desenvolvidas, modificando o espao em nome da evoluo econmica, social e tecnolgica.

A explorao crescente dos recursos naturais acontece em um ritmo mais acelerado do que a capacidade de reposio dos mesmos gerando, consequentemente, degradao ambiental e levando a difuso de conceitos como poluio e degradao ambiental. Essa realidade levantou a discusso tanto sobre a racionalizao de utilizao dos recursos naturais quanto da proteo ambiental de maneira a preservar a natureza da expanso constante das atividades degradantes oriundas do desenvolvimento econmico e tecnolgico.

No Brasil, o meio ambiente protegido por um arcabouo legislacional especfico e complexo (Lei 6.938/1981 que institui o Sistema Nacional de Meio Ambiente; Lei 7.347/1985 lei da Ao Civil Pblica; Lei 9.433/1997 que institui a Poltica e o Sistema Nacional de Recursos Hdricos; Lei 9.985/2000 que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservao da Natureza; Lei 12.651/2012 que institui o Novo Cdigo Florestal Brasileiro; dentre outros) que abrange os mais diversos nveis de preservao dos recursos naturais, condicionado o seu uso e buscando, sempre que possvel, restries de atividades degradantes e mitigao de impactos negativos ao meio ambiente.

A busca pela preservao dos recursos naturais no Brasil encontrou, na Lei Federal 9.985/2000, uma grande aliada para a criao e gerenciamento de reas protegidas. Essa lei instalou o Sistema Nacional de Unidades de Conservao, dividindo as Unidades de Conservao em grupos distintos e afirmando que, mesmo que esses espaos territoriais tenham sido criados com caractersticas distintas e objetivos diversos, todos possuem a mesma finalidade: conservar a natureza.

Apesar de todo o apoio institucional criao de reas protegidas, gerencia-las tem sido um grande desafio aos gestores, seja pela extenso dessas reas, pela falta de pessoas capacitadas, seja pela falta de recursos, ou pela prtica de atividades extrativistas ilegais. Considerando as dificuldades supracitadas, as Unidades de Conservao carecem de ferramentas e tcnicas que auxiliem sua gesto e monitoramento tais como o Georreferenciamento de pontos de conflito e criao de bancos de dados geogrficos com dados de levantamentos e monitoramentos permitindo anlises rpidas e prticas sobre as Unidades de Conservao.

Como uma possvel ferramenta para auxiliar a soluo dessa problemtica, o Geoprocessamento aparece como pea chave, incluindo, no seu universo, variadas Geotecnologias no escopo dos Sistemas de Informao Geogrfica tais como o Sensoriamento Remoto, GPS - Sistema de Posicionamento Global, Sistema de Banco de Dados Geogrficos, Topografia e WebGIS. Uma vez reunidas, elas possibilitam modelar e analisar, por meio de um sistema computacional, as mais diversas realidades de relacionamento interespacial.

O desenvolvimento da tecnologia da informao possibilitou a disponibilidade de novos mtodos para processamento de informaes cartogrficas, tornando, assim, mais fcil dispor de informaes fsico-territoriais. Cotidianamente, novas tecnologias so desenvolvidas para coleta e manuseio de informaes, permitindo a montagem de alimentao de bancos de dados com uma diversidade infinita de informaes, bancos de dados esses que

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento de Geografia, verenauerj@gmail.com

Diversidade e Gesto 1(1): 88-102. 2017. Volume Especial

Gesto Ambiental: Perspectivas, Conceitos e Casos

89

subsidiam o processo de tomada de deciso proporcionando uma gesto ambiental mais integrada.

No decorrer deste captulo sero apresentadas ferramentas de geoprocessamento e a maneira como as mesmas podem colaborar com a gesto de Unidades de Conservao. Unidades de Conservao no Brasil Histrico

A criao de Unidades de Conservao teve como marco inicial o final da segunda metade do sculo XIX com a disseminao da estratgia de proteo da natureza considerando que, uma vez que a revoluo industrial tomou forma, se tornaram inevitveis e essenciais transformaes culturais, polticas, econmicas, sociais e ambientais. (Vallejo, 2009, p.14)

O modelo que passou a predominar era o de acumulao de capital e para que essa modelo fosse vivel, a expanso tanto de mercados quanto de reas produtivas fizeram-se necessrias tratando os recursos naturais como mercadoria considerando a degradao ambiental um preo a ser pago pelo desenvolvimento. As ideias desenvolvimentistas impulsionadas pelo exponencial crescimento industrial, foram responsveis por promover a degradao irrestrita dos recursos naturais reduzindo, proporcionalmente, os espaos nativos. (Oliveira, 1998, p. 121).

As ideias de explorao dos recursos naturais em detrimento do desenvolvimento industrial, comeou a ser alvo de contestaes assim como os direitos ilimitados do homem sobre a natureza. Um movimento de valorizao do campo e da vida rural comeou a ser observado, inclusive pela prpria aristocracia, que fugia com frequncia dos centros urbanos caticos e poludos. Aps a revoluo industrial movimentos de proteo de reas naturais ficaram mais fortes, buscando locais para preservao e uso pblico (Vallejo, 2009, p.3).

A partir desse movimento de busca por preservao de reas naturais, os Estados Unidos foram pioneiros com a criao da primeira rea com status de Parque Nacional no mundo, o Parque Nacional de Yellowstone em 1872 que passou a ser uma regio de uso restrito, impassvel de ser colonizada, ocupada ou vendida. Esta rea foi criada a partir de uma perspectiva preservacionista que buscava salvar locais de grande beleza cnica da expanso urbana industrial, considerando que toda e qualquer interveno humana sobre esses espaos era vista de forma negativa uma vez quem, para os preservacionistas, a natureza deveria ser mantida intocada das aes degradantes da humanidade (Diegues, 1993, p.27)

O modelo preservacionista que focava na dicotomia homem X natureza se espalhou pelo mundo embasado na premissa de que toda e qualquer forma de presena do homem devastadora para a natureza. Um grande ponto que passvel de contestao nesse modelo, que o mesmo no considera as populaes tradicionais existentes, que viviam de maneira simbitica com o meio ambiente em seu entorno no se sobrepondo a ele como agente controlador ou possuidor, mas sendo parte integrante na natureza circundante. Dentre tais comunidades, pode-se citar os pescadores artesanais, populaes extrativistas, e ndios, principalmente, em pases de terceiro mundo. Tal postura acabou gerando conflito pois trata todo e qualquer homem simplesmente como vetor de degradao ambiental sem analisar a relao de cada povo com o ambiente que habita (Vallejo, 2009, p.11).

Nesse ponto importante visitar os conceitos de Conservao e Preservao. A conservao relacionada o uso racional dos recursos naturais adotando tcnicas de manejo em busca da sustentabilidade do meio que est sofrendo interveno. Preservao, por sua vez, mais restrita, buscando apenas a proteo do ambiente de qualquer dano ou degradao, restringindo o seu uso mesmo que de maneira planejada.

Ao analisar reas que so sensveis ou importantes ambientalmente, as mesmas devem ser consideradas como Unidades de Preservao e, atravs de inmeros critrios, so

Diversidade e Gesto 1(1): 88-102. 2017. Volume Especial

Gesto Ambiental: Perspectivas, Conceitos e Casos

90

determinadas como Unidades de Conservao de Proteo Integral ou Unidades de Conservao de Uso Sustentvel de acordo com as prerrogativas estabelecidas no Sistema Nacional de Unidades de Conservao (SNUC)

Baseado nesse modelo de natureza intocada, o Brasil veio a criar os seus trs primeiros parques nacionais entre 1935 e 1939, Parque Nacional do Itatiaia, Parque Nacional da Serra dos rgos e Parque Nacional do Iguau que eram administrados pelo Ministrio da Agricultura. Considerando o momento poltico, econmico e social pelo qual passava o pais (transio entre a primeira repblica e a Era Vargas), 20 anos se passaram at que fossem criadas novas reas protegidas em 1959, quando foram anunciados mais trs parques nacionais, Araguaia, Ubajara e Aparados da Serra, parques esses, de acordo com seus decretos de criao, destinados a proteger belezas cnicas excepcionais

A criao de Unidade de Conservao no Brasil foi, desde ento, progredindo a passos curtos considerando a turbulncia poltica pela qual passava o pas com a presena da ditadura militar. Entre 1960 e 1964 foram criados os Parques Nacionais de Braslia, da Chapada dos Veadeiros, das Emas, Capara, Monte Pascoal, Tijuca, Sete Cidades e So Joaquim. Em 1967 foi criado o Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal IBDF (Decreto Lei n 289 de 1967), que passou a ser responsvel pela administrao das Unidades de Conservao (Figura 1).

Figura 1 Unidades de Conservao criadas entre 1935 e 1964

A partir de 1970, os avanos puderam ser observados destacando-se a criao da

REBIO de Poo das Antas, que s foi possvel por estar prevista no Cdigo Florestal de 1965. Tambm, nessa poca, comearam a criaes das Unidades de Conservao na Regio Norte, com reas enormes, como o Parque Nacional da Amaznia.

Foi no incio da dcada de 80, com o Brasil passando por um processo redemocratizao e final da ditadura militar, que a criao das Unidades de Conservao passou a avanar em passos largos, com a criao 33 Unidades entre 1980 e 1984.

Recommended

View more >