uso do brise soleil na arqui tetura de artigas em .não se pode entender o uso das aberturas,

Download USO DO BRISE SOLEIL NA ARQUI TETURA DE ARTIGAS EM .Não se pode entender o uso das aberturas,

Post on 14-Dec-2018

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

USO DO BRISE SOLEIL NA ARQUI TETURA DE ARTIGAS EM LONDRINA

Camila Gregrio Atem Universidade de So Paulo; Escola de Engenharia de So Carlos, Departamento de Arquitetura Av.

do Trabalhador Sancarlense, 400, CEP 13560-970, So Carlos - SP,fone 16- 2739312 e-mail:catem@sc.usp.br

RESUMO A arquitetura moderna trouxe consigo mudanas radicais no fazer arquitetnico, principalmente no modo de pensar as aberturas, que atravs da pele de vidro ficaram cada vez mais vulnerveis entrada de calor. Este problema se tornou cada vez mais pungente em pases de clima quente, onde esta arquitetura se inseriu. Houve ento a criao de elementos protetores, chamados brise-soleil, que visavam minimizar os ganhos trmicos atravs das janelas. No Brasil estes dispositivos incorporaram-se arquitetura local, tornando-se caractersticos de uma fazer mais regional. Em cidades como Londrina no norte do Paran, a arquitetura moderna chega como um smbolo do progresso e com ela tambm vem este novo tipo de proteo solar, muito mais metdica e tcnica que as antigas varandas e muxarabis, utilizados como sombreadores pelo povo. Este trabalho visa estudar como foi a insero destes novos elementos nesta arquitetura em formao e qual sua eficincia diante do clima de Londrina, visto que as primeiras obras de cunho moderno na cidade foram projetadas pelo arquiteto Vilanova Artigas.

ABSTRACT Modern architecture brought radical changes in architecture, mainly in the way of thinking the openings, that were more and more vulnerable to the entrance of heat through the glass skin. This problem is more pungent in countries of hot climate, where this architecture was insert after some years. There was the creation of shading devices, called brise-soleil, that sought to minimize the thermal gains through the windows. In Brazil these devices were incorporated in the architecture, becoming characteristic of an regional architecture. In cities as Londrina in the north of Paran, the modern architecture arrives as a symbol of the progress and with her it also comes this new type of shading devices, much more methodical and technical that the old balconies and muxarabis, also used as shaders by common people. This work seeks to study how was the insertion of these new elements in this architecture in formation and which its efficiency in the climate of Londrina, because the first works of modern stamp in the city were projected by architect Vilanova Artigas.

1.0 ARQUITETURA MODERNA: O PROBLEMA DA LUZ E DO CALOR No se pode entender o uso das aberturas, do vidro e a insero da proteo solar na arquitetura moderna, sem antes estudar o pensamento da poca em que foram geradas as idias do modernismo: o porqu do uso excessivo do vidro, da busca incessante pela brancura da luz, como se chegou aos conceitos de limpidez, claridade e pureza, que, que se tornaram algumas das razes do problema do excesso de insolao nos edifcios e do seu conseqente superaquecimento.

Tudo comea a partir do sc XVIII com o incio do pensamento racionalista, a afirmao do poder do pensamento e da razo e a sistematizao da cincia. Na arquitetura a medida que os efeitos destes ideias iriam se expandindo, a fora dos mtodos racionais de projeto iriam crescendo. Esse processo iniciado no Renascimento, j exibia considerveis graus de racionalidade no Neoclassicismo. Como efeito claro, observa-se a valorizao dos aspectos tcnicos da construo. (GUADANHIM, 2002).

Curitiba PR Brasil5 a 7 de novembro de 2003

- 1358 -

Mesmo antes que a Revoluo Industrial criasse premissas para uma mudana profunda nas tcnicas construtivas, o neoclassicismo prope grandes superfcies de vidro, um culto claridade e racionalidade, elementos inspiradores da cultura iluminista. A nova luminosidade influenciaria o nascente gosto moderno, e comeariam processos de decomposio formal, tpicos do cubismo e movimento de vanguarda (BARNAB, 2000).

Em fins do sculo XIX comeam as reflexes sobre a luz universal que refletiriam um inconsciente coletivo. As pessoas desejavam a transparncia, a claridade e a luz valores simblicos que pretendiam livrar o mundo da escravido do passado e procurar uma nova expresso arquitetnica que pudesse representar o esprito da poca. O tema da luz refletia, neste perodo, o desejo das pessoas resolverem o impasse criado pela Revoluo Industrial, com a criao de guetos operrios, onde no se tinha condio mnima de habitabilidade: ar, luz e saneamento. A higiene era a palavra de ordem para as novas habitaes coletivas, que deveriam ter acima de tudo, ar e sol para a batalha contra a tuberculose.

No incio do sculo XX as idias de universalismo comeam a surgir. O individual d lugar ao universal. A casa torna-se mquina de morar, sua beleza centrava-se na funcionalidade. A luz que adentrava os ambientes tambm era tratada desta forma: ... a racional e cartesiana luz dos funcionalistas no nasce da escurido, e no tem nenhuma necessidade de seu oposto para existir e se afirmar, isto propicia autonomia, se afirma como uma natural e necessria condio para uma arquitetura que pretende a prefigurao de uma sociedade pacfica, livre de contradies e conflitos internos(FUTUGAWA, 1994 apud BARNAB, 2000).

O rompimento com a janela possibilitou uma luminosidade nunca antes concebida. Um grande passo para esta mudana radical de todos os antigos processos de construo foi o surgimento da ossatura independente; agora paredes e estruturas estavam desconectadas, foi o surgimento do esqueleto. A partir dele, aparece a pele do edifcio, que chegaria ao extremo de se tornar totalmente transparente.

A transparncia eliminou as distines entre interior e exterior, a luz desejada invadiria todo o espao uniformemente. O edifcio no era mais massa, perdendo sua capacidade de inrcia diante do calor, seus jogos de luz e sombra, a capacidade de filtrar e evitar o ofuscamento luminoso, fazendo com a que a luz e o calor, nem sempre desejados, entrassem por todos os cantos dos ambientes.

No uso da luz natural pela arquitetura moderna, identificam-se aspectos positivos, como o surgimento de uma nova postura para a iluminao do espao interior e sua integrao com o exterior, o aumento da luminosidade dos ambientes e a higienizao dos edifcios. H, porm, aspectos negativos como a tendncia uniformidade e monotonia luminosa nos espaos internos, a tendncia de dar s fachadas o mesmo tratamento, desconsiderando a orientao solar, o alto contraste entre vidro e caixilharia, a perda dos jogos de luz e sombra, presentes na arquitetura do passado, a substituio da qualidade pela quantidade luminosa e a gerao de ofuscamentos nos espaos internos, bem como a elevao de sua carga trmica devido desconsiderao de realidades climticas diferentes, pela pretenso de universalidade do modelo de utilizao da luz natural.

Este ltimo fator se deve ao fato do pensamento universalista comear, aps alguns anos, a se espalhar pelo mundo, ou seja, por outros stios, com situaes climticas e luminosas diferentes dos locais onde o moderno havia se implantado, os pases de clima temperado. As idias sobre a abertura total dos edifcios, porm, continuavam as mesmas. Isto foi especialmente agravado nos pases quentes, onde a busca pela sombra e pelo vento era constante nas construes vernaculares. Subitamente uma imensido de luz invadia os ambientes criando desconforto, em relao luz e principalmente em relao ao calor.

Foi preciso ento, introduzir elementos que sombreassem as aberturas exageradas, no entanto estes deveriam estar de acordo com os princpios modernos de modulao, padronizao, industrializao e principalmente que fizessem parte da composio abstrata e funcional moderna. Surge o brise-soleil, dispositivo criado com funo especfica de barrar os raios solares. Junto a isso viria a preocupao esttica, j que tais elementos conferiam grande influncia no aspecto final da edificao.

- 1359 -

2.0 ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA: IDENTIFICAO COM O BRISE As idias modernas de universalidade romperam os limites europeus, como citado acima e se incorporaram em outros pases como o Brasil, trazendo primeiramente a idia de internacionalismo, de uma arquitetura igual para todo o homem, com traos racionais e puros.

Gregori Warchavchik, um dos precursores das novas idias no Brasil, escreve em seu manifesto de 1925 Acerca da arquitetura moderna: Observando as mquinas do nosso tempo, automveis, vapores, locomotivas, etc. nelas encontramos a par da racionalidade da construo, tambm uma beleza de formas e linhas e ainda: A beleza da fachada tem que resultar da racionalidade do plano da disposio interior, como a forma da mquina determinada pelos mecanismos que sua alma...Abaixo as decoraes absurdas e viva a construo lgica, eis a divisa que deve ser adotada pelo arquiteto moderno. O autor destas afirmaes trazia assim uma nova forma de pensar a arquitetura no Brasil, influenciando toda uma gerao de arquitetos.

No Brasil, onde at aquele momento se desenvolvia uma tentativa de resgate de uma arquitetura nacional, a arquitetura neocolonial, a modernidade vem primeiramente como um rompimento com o passado, com as razes. O objetivo era um grande estrondo que acordasse a sociedade, como o manifesto de Warchavchick.

Alguns anos mais tarde , porm, o olhar comea a mudar, certos resqucios do movimento anterior entram em contato com a modernidade. A modernidade nas artes buscava cada vez mais o ser brasileiro, influenciando diretamente a arquitetura. No se falava mais em volta ao passado, mas respeito ao ambiente mesolgico onde se instalava a nova arquitetura. At mesmo Lucio Costa no auge de seus pensamentos racionalista mais intensos, em Razes da nova arquitetura (1934), onde reitera o manifesto de Warchavchic exaltando a mquina, o ar condicionado e a nova esttica, ressalta diferenas na aplicao dos princpios modernos num pas tropical quando diz que a pele de vidro deve ser usada