UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA ?· Se o sol se pôr e a noite chegar Tu és quem me…

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO

    JEQUITINHONHA E MUCURI UFVJM

    CLINSCIA RODRIGUES ROCHA ARAJO

    COMPOSIO QUMICA, POTENCIAL ANTIOXIDANTE E

    HIPOLIPIDMICO DA FARINHA DA CASCA DE Myrciaria cauliflora

    (JABUTICABA)

    DIAMANTINA MG

    2011

  • Clinscia Rodrigues Rocha Arajo

    COMPOSIO QUMICA, POTENCIAL ANTIOXIDANTE E

    HIPOLIPIDMICO DA FARINHA DA CASCA DE Myrciaria cauliflora

    (JABUTICABA)

    Dissertao apresentada Universidade

    Federal dos Vales do Jequitinhonha e

    Mucuri, como parte das exigncias do

    Programa de Ps-Graduao em Qumica,

    rea de concentrao em Qumica Orgnica,

    para a obteno do ttulo de Mestre.

    Orientadora: Profa. Dr

    a. Nsia Andrade

    Vilela Dessimoni Pinto/UFVJM

    Co-orientao: Profa. Dr

    a. Elizabethe Adriana

    Esteves/UFVJM

    Co-orientao: Profa. Dr

    a. Angelita Duarte

    Correa/UFLA

    DIAMANTINA - MG

    2011

  • Ficha Catalogrfica - Servio de Bibliotecas/UFVJM

    Bibliotecrio Rodrigo Martins Cruz

    CRB6-2886

    A663c

    Arajo, Clinscia Rodrigues Rocha.

    Composio qumica, potencial oxidante e hipolipidmico da farinha da casca

    de Myrciaria couliflora (jabuticaba) / Clinscia Rodrigues Rocha Arajo.

    Diamantina: UFVJM, 2011.

    119 p.

    Orientador: Nsia Andrade Villela Dessimoni Pinto.

    Dissertao (Mestrado em Qumica) - Faculdade de Cincias

    Exatas, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e

    Mucuri.

    1. Myrciaria couliflora. 2. Resduos vegetais. 3. Lipdios - Metabolismo. 4.

    Atividade antioxidante. 5. Farinha - Composio qumica. I. Ttulo.

    CDD 664.8

  • minha famlia

  • Se o sol se pr e a noite chegar

    Tu s quem me guia

    Se a tempestade me alcanar

    Tu s meu abrigo

    Se o mar me submergir

    A Tua mo me traz tona pra respirar

    E me faz andar sobre as guas

    Tu s o Deus da minha salvao

    s o meu dono, minha paixo,

    Minha cano e o meu louvor

    Aleluia........

    (Se O Sol Se Pr - Trazendo a Arca)

  • AGRADECIMENTOS

    - Ao meu Deus por Jesus Cristo e pelos pensamentos de paz em meu favor. Muito obrigada

    por me permitir viver seus milagres e experimentar de sua proviso em todos os momentos de

    minha vida.

    - Aos meus pais, Nair Rodrigues Rocha e Nilson Cassiano Rocha (sempre presente) meus

    exemplos de fora e perseverana. Muito obrigada por sonharem meus sonhos e se dedicarem

    a eles.

    - Ao meu esposo Fernando. Muito obrigada pelo amor e incentivo sem os quais seria mais

    difcil este caminho. Amo voc!

    - Jnia, Nilsinho e Lincoln pela presena. Amo vocs!

    -A famlia Arajo pelas oraes, apoio e amizade.

    - Renata, D. Dalila e Luciana pelo acolhimento, confiana e ajuda. Agradecer a vocs

    quase impossvel.

    - minha orientadora Dra. Nsia Andrade Vilela Dessimoni Pinto pelo acolhimento, amizade

    e oportunidade de realizao deste trabalho.

    - Dra. Elizabethe Adriana Esteves pela co-orientao, pacincia, dedicao e ensinamentos

    valiosos.

    - Ao Dr. Antnio Flvio Carvalho de Alcntara pela confiana, acolhimento e ensinamentos.

    - Dra. Patrcia Machado Oliveira e Dra. Roqueline Rodrigues Silva de Miranda pelas

    sugestes, ateno e auxlio.

    - Aos amigos dos laboratrios de Biomassas do Cerrado, Nutrio Experimental, Qumica e

    Fertilidade do Solo pela ajuda e disposio. Aprendi muito com vocs e sou eternamente

    grata.

    - Aos amigos do laboratrio de Qumica/UFMG pelo acolhimento e aprendizado.

    - Ao Thiago de Melo pela amizade e contribuio essencial a este trabalho.

    - A todos que contriburam de maneira direta ou indireta para a concretizao deste sonho,

    meus mais sinceros agradecimentos.

  • i

    RESUMO

    ROCHA-ARAJO, C. R. Composio Qumica, Potencial Antioxidante e Hipolipidmico da

    Farinha da Casca de Myrciaria cauliflora (jabuticaba). 2011. 119 p. Dissertao de Mestrado

    (Programa de Ps-Graduao Stricto Sensu em Qumica). Faculdade de Cincias Exatas,

    Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina - UFVJM, 2011.

    Myrciaria cauliflora (jabuticabeira) uma espcie frutfera, nativa do Brasil e bastante

    cultivada em pomares domsticos de Minas Gerais. Porm, pouco se conhece sobre a

    composio qumica e efeitos biolgicos dos resduos de seus frutos. Diante disso, o presente

    trabalho teve como objetivo avaliar a composio qumica, o potencial antioxidante (in vitro)

    e hipolipidmico (in vivo) da farinha das cascas do fruto de Myrciaria cauliflora. Para tanto,

    frutos (jabuticabas) maduros foram despolpados manualmente e suas cascas secas e trituradas

    at a obteno de uma farinha homognea (FCJ). Avaliou-se sua composio centesimal,

    contedo mineral, fenlicos totais, flavonides e antocianinas, assim como sua atividade

    antioxidante in vitro atravs de diferentes mtodos (DPPH, ABTS+

    , FRAP e -

    caroteno/cido linolico). A FCJ foi submetida extrao hidroalcolica e os extratos

    fracionados em Cromatografia em Coluna (CC). Os fitoconstituintes isolados foram

    caracterizados por IV e RMN. O potencial hipolipidmico foi avaliado em grupos de ratos

    machos alimentados com dietas semipurificadas, sendo a dieta Padro (PDR) baseada na

    AIN93M, a dieta Controle (CTRL) semelhante PDR e suplementada com 7% de banha de

    porco, e trs dietas experimentais semelhantes CTRL, porm suplementadas com 7, 10 e

    15% de FCJ (JAB1, JAB2 e JAB3, respectivamente). Nveis sricos e hepticos de colesterol,

    bem como nveis sricos de HDL, triglicerdeos e glicose foram avaliados. A excreo fecal

    de lipdeos foi avaliada tambm. A FCJ foi classificada como fornecedora de alto teor de

    fibras (15,26%). Os teores de fenlicos totais (1895 mg cido glico/100 g), flavonides

    (8,960 g de catequina /100g) e antocianinas (0,6823 g de cianidina-3-glicosdeo/100g) foram

    altos assim como a atividade antioxidante verificada pela captura de radicais-livres DPPH

    (3,184 g de FCJ/g DPPH) e ABTS+

    (1017 mol Trolox/g de FCJ), reduo dos ons Fe+3

    (167,7 mM de Fe2SO4/100g) e capacidade de inibio do branqueamento do -caroteno

    (75,96% de inibio para a concentrao de 1000 mg/L). O cido ctrico, o sitosterol e o

    sitosterol-D-glicopiranosdeo foram isolados, sendo, os dois ltimos, citados pela primeira

    vez nesta espcie. A incluso da FCJ, nas trs propores, reduziu o colesterol total (CT) e os

  • ii

    triglicerdeos (TG) sricos em relao dieta CTRL. A dieta JAB3 elevou os nveis de HDL

    sricos e reduziu os de colesterol heptico em relao CTRL. A dieta JAB3 reduziu a

    glicose srica em comparao JAB2, mas essa diferena no foi significativa em relao

    PDR, CTRL ou JAB1. No houve diferena na excreo fecal de lipdeos entre os grupos

    experimentais. Os resultados obtidos podero servir de auxlio para o melhor aproveitamento

    deste resduo e compreenso de seus efeitos metablicos alm de contribuir para garantir a

    segurana da sua ingesto como alimento.

    Palavras-Chaves: Myrciaria cauliflora, farinha, resduo vegetal, atividade antioxidante,

    metabolismo lipdico, composio qumica.

  • iii

    ABSTRACT

    ROCHA-ARAJO, C. R. Chemical composition, antioxidant and hypolipidemic potential of

    peel flour Myrciaria cauliflora (jabuticaba). 2011. 119 p. Masters Dissertation (Stricto Sensu

    Graduate Program in Chemistry). Faculty of Natural Sciences, Universidade Federal dos

    Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM, Diamantina, 2011.

    Myrciaria cauliflora (jabuticabeira) is a fruit specie, native in Brazil and created mainly in

    domestic gardens in Minas Gerais. However, little is known about its chemical composition

    and biological effects in the fruit residue. In front of this, the present work had as a goal to

    evaluate the chemical composition, antioxidant potential (in vitro) and hypolipidemic (in vivo)

    of Myrciaria cauliflora fruit peel flour (FCJ). For that, mature fruits (jabuticaba) were pulped

    manually and its peel was dried and crushed to obtain a homogeneous flour (FCJ). There had

    been evaluated the proximate composition, mineral content as well as total phenolic,

    flavonoids and anthocyanins as their antioxidant activity in vitro through different methods

    (DPPH, ABTS+

    , FRAP and -caroten/acid linoleic). The FCJ was also subjected to

    extraction with water-alcohol extracts fractionated in column chromatography (CC). The

    phytochemicals isolated were characterized IR and NMR. The lipid-lowering activity was

    evaluated in groups of male rats, fed with semipurified diets, being a PDR diet based on

    AIN93M; a CTRL diet based on PDR, but added 7% of pork lard; and three experimental

    diets similar to CTRL, but added MPF at 7, 10 and 15% (JAB1, JAB2 and JAB3,

    respectively). Serum and liver cholesterol as well as serum levels of HDL, triglycerides and

    glucose were evaluated. Fecal output of lipids was also evaluated. The FCJ was classified as a

    supplier of high-fiber (15,26%). The levels of total phenolic (1895 mg gallic acid/100 g),

    flavonoids (8,960 g de catechin /100g) and anthocyanins (0,6823 g de cyanidin-3-

    glucoside/100g) were high as the antioxidant activity verified to capture of free radicals

    DPPH (3,184 g de FCJ/g DPPH) and ABTS+

    (1017 mol Trolox/g de FCJ), to reduction of

    ions Fe+3

    (167,7 mM de Fe2SO4/100g) and capacity in inhibition of whitening of -caroten

    (75,96% of inhibition of concentration of 1000 mg/L). The citric acid, sitosterol and

    sitosterol- D-glucopyranoside were isolated, being the last two, mentioned in this specie for

    the first time.

  • iv

    The inclusion of the MPF, at the three ratios reduced serum cholesterol and triglycerides

    compared to CTRL. JAB3 diet raised serum HDL cholesterol and reduced liver cholesterol

    compared to CTRL. JAB3 diet reduced serum glucose compared to JAB2, but this difference

    was not significant compared to PDR, CTRL or JAB1. There was no difference in fecal

    output of lipids between the groups. The results obtained may serve as an aid to better

    utilization of residue and to understand the MFP metabolic effects in addition to ensure the

    safety of its intake as a food.

    Keywords: Myrciaria cauliflora, flour, residue vegetal, atividade antioxidant, metabolismo

    lipdico, chemical composition.

  • v

    SUMRIO

    CAPTULO 1. Composio qumica e potencial antioxidante in vitro da farinha da casca de

    Myrciaria cauliflora (jabuticaba)

    1 INTRODUO .......................................................................................... 2

    2 OBJETIVOS................................................................................................. 5

    3 REVISO DE LITERATURA ................................................................. 6

    3.1 Famlia Myrtaceae ........................................................................................ 6

    3.1.1 Espcie Myrciaria cauliflora......................................................................... 7

    3.2 Resduos vegetais ......................................................................................... 8

    3.3 Caracterizao Qumica ............................................................................... 9

    3.3.1 Composio Centesimal................................................................................ 9

    3.3.2 Fenlicos Totais............................................................................................. 12

    3.3.3 Flavonides ................................................................................................... 14

    3.3.4 Antocianinas ................................................................................................. 16

    3.4 Contedo Mineral ......................................................................................... 17

    3.5 Caractersticas Fsico-Qumicas.................................................................... 19

    3.6 Atividade Antioxidante ............................................................................... 20

    3.6.1 Avaliao da Atividade Antioxidante ......................................................... 22

    3.6.1.1 Atividade antioxidante por captura de radical livre DPPH .......................... 22

    3.6.1.2 Atividade antioxidante por captura de radical livre ABTS+

    ....................... 23

    3.6.1.3 Atividade antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP) .................................. 24

    3.6.1.4 Atividade antioxidante por inibio da oxidao lipdica (branqueamento

    do -caroteno) ...............................................................................................

    25

    3.6.2 Antioxidantes em resduos de frutos ............................................................. 25

    4 MATERIAL E MTODOS........................................................................ 28

    4. 1 Equipamentos ................................................................................................ 28

    4.2 Preparo da farinha ......................................................................................... 28

    4. 3 Caracterizao Qumica ............................................................................... 29

    4. 3.1 Composio centesimal................................................................................. 29

    4. 3.2 Fenlicos Totais............................................................................................. 30

    4. 3.3 Flavonides e Antocianinas .......................................................................... 31

    4.4 Contedo Mineral.......................................................................................... 32

  • vi

    4.5 Caractersticas Fsico-Qumicas. .................................................................. 32

    4.6 Atividade antioxidante ................................................................................. 32

    4.6.1 Atividade antioxidante por captura de radical livre DPPH .......................... 33

    4.6.2 Atividade antioxidante por captura de radical livre ABTS+

    ...................... 33

    4.6.3 Atividade antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP) .................................. 34

    4.6.4 Atividade antioxidante por inibio da oxidao lipdica (branqueamento

    do -caroteno) ...............................................................................................

    34

    4.7 Estudo Fitoqumico....................................................................................... 35

    4.7.1 Mtodos cromatogrficos ............................................................................. 35

    4.7.1.1 Cromatografia em camada delgada (CCD)................................................... 35

    4.7.1.2 Cromatografia em coluna (CC) .................................................................... 35

    4.7.2 Testes Qumicos ........................................................................................... 35

    4.7.2.1 Ponto de Fuso ............................................................................................. 35

    4.7.2.2 Mtodos Espectromtricos ............................................................................ 36

    4.7.2.2.1 Infravermelho ................................................................................................ 36

    4.7.2.2.2 RMN de 1H e de

    13C .................................................................................... 36

    4.7.3 Preparo do extrato bruto ............................................................................... 36

    4.7.4 Fracionamento do extrato bruto da FCJ ....................................................... 36

    4.7.5 Fracionamento do extrato em clorofrmio ................................................... 37

    4.7.6 Fracionamento do extrato em AcOEt ........................................................... 39

    4.8 Anlises Estatsticas ..................................................................................... 40

    5 RESULTADOS E DISCUSSO .............................................................. 41

    5.1 Caracterizao Qumica ............................................................................... 41

    5.1.1 Composio Centesimal ............................................................................... 41

    5.1.2 Fenlicos Totais ............................................................................................ 42

    5.1.3 Flavonides e Antocianinas .......................................................................... 44

    5.2 Contedo Mineral ......................................................................................... 46

    5.3 Caractersticas Fsico-Qumicas .................................................................. 47

    5.4 Atividade Antioxidante ................................................................................ 48

    5.4.1 Atividade antioxidante por captura de radical livre DPPH .......................... 48

    5.4.2 Atividade antioxidante por captura de radical livre ABTS+

    ....................... 49

    5.4.3 Atividade antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP) .................................. 50

    5.4.4 Atividade antioxidante por inibio da oxidao lipdica (branqueamento

    do -caroteno) ...............................................................................................

    50

    5.5 Anlise estrutural ......................................................................................... 51

  • vii

    5.5.1 Amostra RC4................................................................................................. 51

    5.5.2 Amostra RA4 ................................................................................................ 56

    5.5.3 Amostra RA5 ............................................................................................... 60

    6 CONCLUSO ............................................................................................ 66

    REFERNCIAS ......................................................................................... 67

    CAPTULO 2. Potencial hipolipidmico in vivo da farinha da casca de Myrciaria cauliflora

    (jabuticaba)

    1 INTRODUO .......................................................................................... 79

    2 OBJETIVOS ............................................................................................... 82

    3 REVISO DE LITERATURA ................................................................. 83

    3.1. Metabolismo de lipdeos .............................................................................. 83

    3.1.1 Metabolismo do Colesterol .......................................................................... 83

    3.1.2 Metabolismo dos Triglicerdeos .................................................................. 87

    3.2 Dislipidemias x Dieta ................................................................................... 88

    3.3 Potencial hipolipidmico de frutos e resduos de frutos exticos ................ 94

    4 MATERIAL E MTODOS ...................................................................... 97

    4.1 Animais e condies experimentais ............................................................. 97

    4.2 Dietas experimentais .................................................................................... 97

    4.2.1 Preparo da farinha ........................................................................................ 97

    4.2.2 Preparo das dietas ......................................................................................... 98

    4.3 Desenho experimental .................................................................................. 99

    4.4 ndices e Parmetros Avaliados ................................................................... 99

    4.4.1 Ingesto Alimentar (IA), Ganho de Peso (GP) e Coeficiente de Eficincia

    Alimentar (CEA) ........................................................................................

    100

    4.4.2 Anlises de sangue ....................................................................................... 100

    4.4.2 Anlises hepticas ........................................................................................ 100

    4.4.4 Anlises fecais ............................................................................................. 101

    4.5 Anlises Estatsticas .................................................................................... 101

    5 RESULTADO E DISCUSSO ................................................................. 102

    5.1 Ingesto Alimentar, Ganho de Peso e Coeficiente de Eficincia Alimentar. 102

    5.2 Anlises bioqumicas do sangue .................................................................. 103

    5.3 Anlises do fgado ....................................................................................... 106

    5.4 Anlises das fezes ........................................................................................ 107

    6 CONCLUSES .......................................................................................... 110

  • viii

    REFERNCIAS ......................................................................................... 111

    ANEXO 1 ..................................................................................................... 119

    LISTA DE FIGURAS

    Captulo 1. Composio qumica e potencial antioxidante in vitro da farinha da casca

    Myrciaria cauliflora (jabuticaba)

    Figura 1- Metabolitos secundrios isolados em frutos de Myrciaria cauliflora.... 3

    Figura 2- rvores e frutos de Myrciaria cauliflora .............................................. 8

    Figura 3- Esqueleto bsico dos flavonides ........................................................ 15

    Figura 4- Estrutura das antocianinas ..................................................................... 16

    Figura 5- Estabilizao do radical livre DPPH ..................................................... 23

    Figura 6- Estabilizao do radical ABTS+

    por antioxidante ............................... 24

    Figura 7- Reduo do complexo TPTZ (2,4,6-tri(2-piridil)-1,3,5-triazina) com

    Fe3+

    ........................................................................................................

    24

    Figura 8- Esquema do sequenciamento metodolgico do fracionamento do

    extrato bruto da FCJ ..............................................................................

    37

    Figura 9- Estrutura do sitosterol ........................................................................... 52

    Figura 10- Espectro de absoro na regio do IV de RC4 (KBr) .......................... 53

    Figura 11- Espectro de RMN de 1H de RC4 (CDCl3; 200 MHz) .......................... 53

    Figura 12- Espectro de RMN de 13

    C de RC4 (CDCl3; 50MHz) ............................ 54

    Figura 13- Subespectro DEPT de RC4 (CDCl3; 50MHz) ...................................... 54

    Figura 14- Estrutura do cido ctrico (cido 2-hidroxi-1,2,3

    propanotricarboxlico) ...........................................................................

    57

    Figura 15- Espectro de absoro na regio do IV de RA4 (KBr) ........................... 57

    Figura 16- Espectro de RMN de 1H de RA4 (DMSO-d6; 50MHz) ........................ 58

    Figura 17- Espectro de RMN de 13

    C de RA4 (DMSO-d6; 50MHz) ...................... 58

    Figura 18- Subespectro DEPT de RA4 (DMSO -d6; 50MHz) ............................... 59

    Figura 19- Estrutura do sitosterol- D-glicopiranosdeo .......................................... 61

    Figura 20- Espectro de absoro na regio do IV de RA5 (KBr) ........................... 62

    Figura 21- Espectro de RMN de 1H de RA5 (DMSO-d6; 50MHz) ....................... 62

  • ix

    Figura 22- Espectro de RMN de 13

    C de RA5 (DMSO-d6; 50MHz) ...................... 63

    Figura 23- Subespectro DEPT de RA5 (DMSO -d6; 50MHz) ............................... 63

    Captulo 2. Potencial hipolipidmico in vivo da farinha da casca de Myrciaria cauliflora

    (jabuticaba)

    Figura 1- Estrutura qumica do colesterol livre .................................................... 83

    Figura 2- Principais etapas da sntese de colesterol a partir de acetil-CoA ......... 84

    Figura 3- Composio dos QM, VLDL, LDL e HDL .......................................... 85

    Figura 4- Desenho experimental............................................................................ 99

  • x

    LISTA DE TABELAS

    Captulo 1. Composio qumica e potencial antioxidante in vitro da farinha da casca de

    Myrciaria cauliflora (jabuticaba)

    Tabela 1- Classificao dos compostos fenlicos de acordo com o esqueleto

    bsico .......................................................................................................

    13

    Tabela 2- Classes de flavonides e algumas de suas caractersticas ........................ 15

    Tabela 3- Sinais de carncia em minerais ................................................................ 18

    Tabela 4- Fracionamento do extrato em clorofrmio da FCJ .................................. 38

    Tabela 5- Reunio das fraes obtidas por CCD do extrato em clorofrmio da

    FCJ ...........................................................................................................

    38

    Tabela 6- Fracionamento do extrato em AcOEt da FCJ .......................................... 39

    Tabela 7- Reunio das fraes obtidas por CCD do extrato em AcOEt da FCJ .... 39

    Tabela 8- Composio centesimal (g.100g-1

    ) da FCJ............................................... 41

    Tabela 9- Fenlicos totais (mg de cido glico, GAE/100 g) extrados por

    diferentes solventes pelos reagentes Folin Denis e Folin Ciocalteu ........

    43

    Tabela 10 - Comparao entre teores de fenlicos totais (mg GAE /100 g) extrados

    por diferentes solventes e reagentes (Folin Ciocauteau e Folin Denis) ...

    43

    Tabela 11- Flavonides (g de catequina /100g) e antocianinas (g de cianidina-3-

    glicosdeo/100g) na FCJ ..........................................................................

    45

    Tabela 12- Composio em minerais (mg/100g) na FCJ............................................ 46

    Tabela 13- Slidos Solveis (Brix), Acidez Total (g de cido ctrico

    hidratado/100g de FCJ) e pH da FCJ ......................................................

    48

    Tabela 14- Atividade antioxidante da FCJ por captao de radicais livres DPPH (g

    de FCJ/g de DPPH), captao de radicais livres ABTS.+

    (mol Trolox/g

    de FCJ) e reduo do Fe, FRAP, (mM de Fe2SO4/100 g de

    FCJ)...........................................................................................................

    49

    Tabela 15- Atividade antioxidante por inibio da oxidao lipdica (sistema -

    caroteno/cido linolico) em trs diferentes concentraes de FCJ.........

    51

    Tabela 16- Atribuio dos sinais do espectro de RMN de 13

    C de RC4 (50MHz,

    CDCl3) e comparao com dados da literatura para o sitosterol ............

    55

  • xi

    Tabela 17- Comparao dos sinais do espectro de RMN de 13

    C obtido para a RA4

    (50MHz, DMSO-d6) com dados da literatura para o cido ctrico .........

    59

    Tabela 18- Comparao dos sinais do espectro de RMN de 13

    C obtido para RA5

    (50MHz, DMSO-d6) com dados da literatura para o sitosterol- D-

    glicopiranosdeo .......................................................................................

    64

    Captulo 2. Potencial hipolipidmico in vivo da farinha da casca de Myrciaria cauliflora

    (jabuticaba)

    Tabela 1- Composio das dietas experimentais em g/Kg e densidade calrica (Kcal/Kg)...................................................................................................

    98

    Tabela 2- Ganho de peso (g), ingesto alimentar (g) e coeficiente de eficincia alimentar (%) de ratos alimentados com dietas hiperlipdicas,

    suplementadas com 7, 10 e 15% de farinha de casca de jabuticaba ........

    102

    Tabela 3- Concentraes sricas (mg/dL) de colesterol total, triglicerdeos, HDL e glicose em animais experimentais submetidos a dietas hiperlipidicas

    suplementadas com farinha da casca de jabuticaba em diferentes

    propores ...............................................................................................

    104

    Tabela 4- Peso corporal final (g), Peso do fgado (g), Peso relativo do fgado (g) e Colesterol total (mg/dL) heptico de animais experimentais submetidos

    dieta hiperlipidica suplementada com 7, 10 e 15% de farinha da casca

    de jabuticaba .............................................................................................

    106

    Tabela 5- Peso mido (Pufe), Peso seco (PSfe), % de lipdeos (Lip.fezes) e pH das fezes de ratos submetidos a dietas hipercolesterolmicas com

    adio de farinha da casca de jabuticaba em diferentes propores.......

    108

  • xii

    LISTA DE ABREVIATURAS E SMBOLOS

    AA -Atividade antioxidante

    ABTS+

    -2,2-azinobis (3-etilbenzotiazolina-6-cido sulfnico)

    Acetil CoA -Acetilcoenzima A

    AcOEt -Acetato de etila

    AG -cido graxo (s)

    AGCC -cido graxo (s) de cadeia curta

    AGCL -cido graxo (s) de cadeia longa

    AGCM -cido graxo (s) de cadeia mdia

    AGCML -cido graxo (s) de cadeia muito longa

    Apo -Apolipoprotena ou apoprotena

    AT -Acidez total

    AVC -Acidente vascular cerebral (s)

    CAT -Enzima Catalase

    CC -Cromatografia em coluna

    CCD -Cromatografia em camada delgada

    CDCl3 -Clorofrmio deuterado

    CEA -Coeficiente de eficincia alimentar

    CEPT -Protena transportadora de ester de colesterol

    Colesterolfig -Colesterol no fgado

    CT -Colesterol total

    CTRL -Dieta controle (AIN-93G + 7% de banha de porco)

    DCM -Diclorometano

    DCV -Doena (s) cardiovascular (s)

    DEPT-135 -Distortionless Enhancement by Polarization Transfer ngulo 135

    DPPH -Diphenyl-2-pricrylhydrazyl

    EC50 -Concentrao do extrato capaz de atingir 50% da atividade antioxidante

    mxima.

    EMBRAPA -Empresa brasileira de pesquisa agropecuria

    ERN -Espcies reativas de Nitrognio

    ERO -Espcies reativas de Oxignio

    FABPC -Protena de ligao com cidos graxos no citoplasma

    FCJ -Farinha da casca de jabuticaba

    FDA -Food and Drug Administration

  • xiii

    FeIII

    -TPTZ -(2,4,6-tri(2-piridil)-1,3,5-triazina) com Fe3+

    FeII

    -TPTZ -(2,4,6-tri(2-piridil)-1,3,5-triazina) com Fe2+

    FR -Fator de risco (s)

    FRAP -Ferric reducing

    GAE -cido glico

    GP -Ganho de Peso

    GPx -Enzima glutationa peroxidase

    GSH -Glutationa

    GSR -Enzima glutationa redutase

    HDL -Lipoprotena de alta densidade

    HLD3 -Lipoprotena de alta densidade esfrica e madura

    HMG-CoA -Hidroxi-3-metilglutaril coenzima A redutase

    IA -Ingesto alimentar

    IDL -Lipoprotena de densidade intermediria

    JAB1 -Dieta PDR + 7% de FCJ (AIN-93G + 7% de banha de porco + 7% FCJ)

    JAB2 -Dieta PDR + 10% de FCJ (AIN-93G + 7% de banha de porco + 10% FCJ)

    JAB3 -Dieta PDR + 15% de FCJ (AIN-93G + 7% de banha de porco + 15% FCJ)

    LCAT -Lecitina colesterol acil transferase

    LDL -Lipoprotena de baixa densidade

    LpL -Lipase lipoprotica

    PDR -Dieta padro (AIN-93G)

    Pesofig -Peso total do fgado

    Prelfig -Peso relativo do fgado

    QM -Quilomcrons

    QMR -Quilomcrons remanescentes

    SOD -Enzima Superxido Dismutase

    TG -Triglicerdeo (s)

    VLDL -Lipoprotena de muito baixa densidade

    -Deslocamento qumico

  • Captulo 1

    COMPOSIO QUMICA E POTENCIAL

    ANTIOXIDANTE IN VITRO DA FARINHA DA CASCA

    DE Myrciaria cauliflora (JABUTICABA)

  • 2

    1 INTRODUO

    A grande extenso territorial e as condies climticas diversificadas fazem com que a

    flora brasileira tenha diversos exemplares vegetais considerados importantes matrias-primas

    para fornecimento de insumos e/ou fabricao de produtos finais para os mais diversos usos,

    alm do fornecimento de substncias biologicamente ativas (VILLAR et al., 2006 ). Dentre os

    vegetais, a famlia Myrtaceae ocorre em diferentes biomas nos quais conhecida por sua

    elevada riqueza de espcies, alm do seu importante papel na composio florstica e

    equilbrio ambiental das florestas do Sul e Sudeste brasileiro (ROMAGNOLO e SOUZA,

    2004).

    Pertencente famlia Myrtaceae, Myrciaria cauliflora uma espcie brasileira nativa,

    conhecida como jabuticabeira e distribuda amplamente na mata pluvial atlntica e nas

    submatas de altitude, sendo comum nos Estados de Minas Gerais, So Paulo, Esprito Santo e

    Rio de Janeiro. Essa planta tem despertado grande interesse entre os produtores rurais devido

    a sua alta produtividade, rusticidade e aproveitamento de seus frutos in natura ou pela

    indstria alimentcia. Sua polpa fermentada, por exemplo, produz licor, vinho e vinagre

    (SILVA et al., 2008).

    O fruto de Myrciaria cauliflora, conhecido popularmente como jabuticaba,

    caracterizado como baga globosa de at 3 cm de dimetro, com casca preto-avermelhada,

    polpa esbranquiada, mucilaginosa e agridoce. Porm, tem seu comrcio limitado devido a

    sua alta perecibilidade, uma vez que perde gua, resultando em murchamento, enrugamento

    da casca e perda de peso (MAGALHES e BARROS, 1996).

    Metablitos secundrios pertencentes classe de fenlicos, antocianinas e flavonides

    (cianidina-3-glicosdeo, delfinidina-3-glicosdeo, miricetina, quercetina e cido glico), alm

    de um depsdeo bioativo (jabuticabin), foram isolados em frutos maduros de Myrciaria

    cauliflora (REYNERTSON et al., 2006) (Figura 1, pg.3). Rufino et al. (2010) constataram

    que o extrato conjunto de polpa e casca de jabuticaba contm vitamina C.

  • 3

    O contedo de compostos fenlicos totais e a atividade antioxidante so

    particularmente altos nas cascas de algumas frutas, mais do que em sua polpa (VIEIRA et al,

    2009; AJILA et al. 2007; GUO et al., 2003). Alm dos potenciais biolgicos atribudos aos

    compostos fenlicos, tais como a atividade antioxidante, propriedades anti-inflamatrias,

    anticarcinognicas (MEYER et al., 1997), a utilizao de resduos agroindustriais justifica-se

    uma vez que subprodutos representam um srio problema para uma produo agrcola

    sustentvel. Indstrias de processamento de alimentos criam grandes quantidades de

    subprodutos que so difceis de eliminar medida que tm alta demanda de oxignio

    biolgico (BERARDINI et al., 2005).

    O+

    OH

    OH

    OH

    OH

    OGlicose

    cianidina-3-glicosdeo

    O+

    OH

    OH

    OH

    OH

    OGlicose

    OH

    delfinidina-3-glicosdeo

    OH

    O

    OH

    OH

    OH

    OHO

    OH

    miricetina

    OH

    OH

    OH

    O

    OH

    cido glico

    O O

    OH OH

    OH

    OH

    cido ascrbico

  • 4

    OH

    O

    OH

    OH

    OH

    OHO

    quercetina

    O

    O

    OH

    OHOH

    OOH CH3

    O

    depsideo bioativo (jabuticabin)

    Figura 1. Metablitos secundrios isolados em frutos de Myrciaria cauliflora.

    Embora sejam poucos os dados encontrados na literatura quanto aos constituintes

    qumicos unicamente da frao da casca de jabuticaba, Santos et al., (2010) quantificaram,

    nesta frao, 6,170 mg de cianidina-3-glicosdeo/g e 35,85 mg cido glico/g de matria seca

    como teores de antocianinas e fenlicos totais, respectivamente. Casca e semente de

    jabuticaba, juntas, representam aproximadamente 50% da fruta (MAGALHES e BARROS,

    1996) e, se aproveitadas, podem agregar-lhe maior valor.

  • 5

    2 OBJETIVOS

    O estudo descrito teve como objetivos produzir uma farinha com a casca de jabuticaba

    (FCJ) e determinar sua composio centesimal e mineral, teor de fenlicos totais, flavonides

    e antocianinas bem como sua atividade antioxidante in vitro atravs da captura de radical-livre

    (DPPH e ABTS+

    ), reduo do ferro (FRAP) e inibio da oxidao lipdica (-

    caroteno/cido linoleico). Alm disso, buscou-se avaliar tambm as caractersticas fsico-

    qumicas (slidos solveis, acidez total e pH) da FCJ e identificar as substncias dela isoladas.

  • 6

    3 REVISO DE LITERATURA

    3.1 Famlia Myrtaceae

    O termo Myrtaceae originrio do grego myron que significa perfume e justifica-se

    pela presena de bolsas secretoras de essncias, tanto no crtice do caule como no parnquima

    das folhas (LANDRUM e KAWASAKI, 1997). Essa famlia compreende cerca de 100

    gneros e 3000 espcies que se distribuem por todos os continentes, exceo da Antrtica,

    mas com ntida predominncia nas regies tropicais e subtropicais do mundo. Pertencente

    ordem Myrtales, a famlia Myrtaceae est bem representada na flora brasileira onde ocorre em

    diferentes biomas (MARCHIORI e SOBRAL, 1997).

    Myrtaceae constitui uma das mais importantes famlias da classe Angiospermae no

    Brasil e se caracteriza por apresentar plantas lenhosas, arbustivas ou arbreas e com folhas

    inteiras de disposio alterna ou oposta e s vezes oposta cruzada, com estpulas muito

    pequenas. As flores em geral so brancas ou s vezes vermelhas, efmeras, hermafroditas, de

    simetria radial, em geral pentmeras, mono ou diclamdeas, muitas vezes com um receptculo

    bem desenvolvido. A corola suprimida s vezes e o clice gamosspalo com deiscncia

    transversal, sendo os estames geralmente muito numerosos. Ovrio spero a semi-nfero at

    nfero, pentacarpelar e pentalocular, com muitos vulos. Seus frutos so baciforme ou

    capsular loculicida e as sementes, muitas vezes, mostrando poliembrionia (LANDRUM e

    KAWASAKI, 1997).

    A famlia Myrtaceae apresenta vegetais importantes sob diversos aspectos: aqueles

    que do frutos comestveis como Psidium guajava (goiabeira), Punica granatum (romeira),

    Eugenia jambosa (jamboeira) e Bertholletia excelsa (castanheira-do-Par), aqueles aromticos

    como Syzygium aromaticum (craveiro-da-ndia), Myrtus communis (murta) e Melaleuca

    leucadendron (cajepute) e aqueles que oferecem madeira de qualidade empregada em

    construo, como Couratari legalis (jequitib-rosa), C. estrellensis (jequitib-vermelho) e

    Lecythis pisonis ou L.ollaria (sapucaia) (MAEDA et al, 1990). Suas espcies so utilizadas

    amplamente na medicina popular e empregadas, principalmente, em distrbios

    gastrointestinais, estados hemorrgicos e doenas infecciosas, podendo sua ao estar

    relacionada s suas propriedades adstringentes. As partes mais utilizadas so as folhas, cascas

    e, tambm, os frutos que so comumente consumidos (CRUZ e KAPLAN, 2004).

  • 7

    3.1.1 Espcie Myrciaria cauliflora

    A espcie Myrciaria cauliflora, pertencente famlia Myrtaceae e ao gnero

    Myrciaria, conhecida popularmente como jabuticabeira e apresenta o Brasil como centro de

    origem e disperso natural, sendo encontrada desde o Par at o Rio Grande do Sul

    (CORRA, 1984). Segundo Mattos (1983), as jabuticabeiras encontradas em Minas Gerais e

    no Rio de Janeiro cujos nomes vulgares so jabuticaba ponhema, jabuticaba paulista e

    jabuticaba-au foram classificadas por Berg (1857) como Myrciaria cauliflora (DC) Berg,

    ao passo que as nativas das regies do Rio de Janeiro e So Paulo e conhecidas popularmente

    como jabuticaba Sabar e jabuticaba-de-cabinho foram denominadas de Myrciaria

    jaboticaba (Vell) Berg.

    Myrciaria cauliflora (DC) Berg arbrea, de porte mdio e apresenta tendncia ao

    engalhamento a menos de um metro do solo (Figura 2, pg. 8). Suas flores desenvolvem-se

    nos ramos (caulifloria), so brancas, pequenas e com ovrio bicarpelar. As folhas apresentam

    a nervura central levemente impressa na epiderme adaxial e saliente na epiderme abaxial.

    Pode frutificar duas vezes ao ano e ter fase reprodutiva com durao de 30 a 50 anos, sendo

    seu fruto (jabuticaba) uma baga globosa de at trs (3) cm de dimetro cujo epicarpo varia de

    roxo-escuro a preto, de polpa macia, esbranquiada, suculenta e agridoce, podendo apresentar

    at quatro sementes. Tal fruto apreciado em todo o pas e consumido in natura ou

    processados na forma de suco, gelia, licor, vinagre e chs medicinais, dentre outros. De

    maneira geral, o perodo de comercializao ps-colheita da jabuticaba curto uma vez que,

    em apenas dois dias aps o recolhimento, sofre uma rpida alterao da aparncia e do sabor

    decorrente da intensa perda de gua, deteriorao e fermentao da polpa (BARROS e

    MAGALHES, 1996).

    Na medicina popular utiliza-se a casca de jabuticaba como adstringente, til contra

    diarria e irritaes da pele, sendo indicada tambm como antiasmtica, anti-inflamatria (nas

    inflamaes dos intestinos) e em casos de hemoptise (REYNERTSON et al., 2006).

  • 8

    Figura 2. rvores e frutos de Myrciaria cauliflora. Fontes: http://ocultivoavida.blogspot.com,

    http://tatinew.wordpress.com. Paisagismo para Pequenos Espaos, p. 114, Ed. Europa.

    3.2 Resduos vegetais

    A palavra resduo derivada do latim residum e traduz-se na diminuio do valor

    de uma matria que passa a ser destinada ao abandono. Segundo Pelizer et al. (2007), resduo

    diferencia-se de lixo, uma vez que, enquanto este no possui nenhum tipo de valor, devendo

    apenas ser descartado, aquele possui valor econmico agregado, sendo possvel seu

    reaproveitamento no prprio processo produtivo.

    http://ocultivoavida.blogspot.com/

  • 9

    No Brasil, resduos de frutas e hortalias so desperdiados geralmente em todos os

    pontos de comercializao at o consumo final, incluindo agricultores, indstrias e

    consumidores. Os alimentos e os seus subprodutos (cascas, sementes e bagaos) que, muitas

    vezes, destinam-se rao animal, poderiam ser utilizados como fontes alternativas de

    compostos bioativos, a fim de suprir as necessidades nutricionais, alm de diminuir o

    desperdcio, reduzir o impacto ambiental e agregar valor aos subprodutos (BERGAMASCHI,

    2010). Segundo Boari-Lima et al., (2008) casca e semente da jabuticaba, juntas, representam

    mais de 50% do peso do fruto, sendo este percentual bastante elevado para ser desperdiado

    quando considerado resduo na fabricao de produtos artesanais ou industriais.

    A gesto de resduos um caminho que vem sendo adotado por vrias empresas para

    preservao dos recursos naturais e a fim de garantir sua sustentabilidade. Partindo desse

    contexto, estudos vm sendo feitos para determinar a melhor forma de reciclar, tratar,

    reaproveitar e reutilizar os resduos vegetais. Quando no possvel ou recomendvel o

    aproveitamento de resduos in natura, tcnicas de tratamento devem ser aplicadas com o

    intuito de proporcionar transformaes qumicas e fsicas proveitosas (MATOS, 2005). O

    interesse pela biotransformao dos resduos vegetais tem aumentado, visto que se constitui

    em um material de baixo custo e fcil acesso. Porm, o aproveitamento de resduos vegetais

    ou agroindustriais como fonte de nutrientes para a alimentao animal e/ou humana ou como

    matria-prima para a extrao de aditivos antioxidantes, depende do conhecimento de sua

    composio (LU e YEAP, 2000).

    3.3 Caracterizao Qumica

    3.3.1 Composio Centesimal

    A composio centesimal de um alimento exprime seu valor nutritivo e a proporo na

    qual a umidade, as cinzas, o extrato etreo, as protenas, as fibras e os carboidratos aparecem

    em 100,0 g deste (MORETO et al., 2002). O conhecimento desta composio fundamental,

    pois permite avaliar a disponibilidade dos nutrientes em um alimento, alm de verificar sua

    adequao nutricional dieta e desenvolver pesquisas sobre as relaes entre dieta e doena

    (LIMA et al. 2007).

  • 10

    O contedo de umidade de um alimento influencia profundamente em sua estrutura,

    aspecto, sabor e susceptibilidade a alteraes. A umidade prpria e caracterstica de cada

    alimento, sendo necessrios procedimentos de secagem caso deseje-se o armazenamento

    destes por longo prazo (FENNEMA, 2000).

    O teor de cinzas ou resduo mineral fixo fornece uma indicao da riqueza da amostra

    em elementos minerais, principalmente ctions de clcio, potssio, sdio, magnsio, ferro,

    cobre, cobalto e alumnio, bem como em nions como o sulfato, cloreto, silicato, fosfato etc

    (SILVA e QUEIROZ, 2009).

    No que diz respeito ao extrato etreo ou lipdeos, constitue-se de gorduras, leos,

    pigmentos, esteris, ceras, resinas e outras substncias gordurosas solveis em ter e passveis

    de sofrerem extrao atravs da passagem contnua deste solvente aquecido por sobre a

    amostra seca (SILVA e QUEIROZ, 2009). Nas frutas, os maiores teores de extrato etreo so

    encontrados nas cascas e sementes e fornecem calorias e cidos graxos essenciais, veiculam

    vitaminas e melhoram a sensao bucal dos alimentos (FENNEMA, 2000).

    As protenas so polmeros complexos sintetizados pelos organismos vivos atravs da

    condensao de aminocidos distintos e so definidas como nutrientes facilmente digerveis,

    no txicos, nutricionalmente adequados, abundantes e de grande influncia sobre os atributos

    sensoriais dos alimentos (FENNEMA, 2000).

    Em 2002, o Food and Nutrition Board (FNB) publicou em relatrio sobre as ingestes

    dietticas de referncia a necessidade de obteno de protenas e aminocidos por intermdio

    da alimentao, bem como a partir das chamadas fontes alimentares no convencionais

    (SHILS et al., 2009). De modo geral, as frutas no so ricas em protenas, apresentam em

    mdia 1%, sendo as cascas mais ricas que as partes comestveis (GODIM et al. 2005).

    Quanto s fibras, so constitudas pelos polissacardeos no amilceos e ligninas de

    vegetais que no so digerveis pelas enzimas digestivas dos seres humanos, embora possam

    sofrer fermentao completa ou parcial no intestino grosso dos mesmos (DEVRIE et al.

    1999). Seus componentes so agrupados em polmeros solveis e insolveis em gua, sendo

    tal classificao originalmente pensada como uma forma simples para prever a funo

    fisiolgica das mesmas (RODRGUEZ, et al. 1993).

    A maioria dos alimentos de origem vegetal contm uma combinao de fibras solveis

    (pectinas, gomas, mucilagens e algumas hemiceluloses) e insolveis (celulose, hemicelulose e

    lignina). As fibras solveis reduzem as contraes sricas da lipoprotena de baixa densidade

    (LDL), aumentam a excreo de cidos biliares, fazendo com que o fgado remova colesterol

    do sangue para sintetiz-los, alm de aumentar o trnsito intestinal e, com isso, diminuir a

  • 11

    absoro do colesterol. As fibras insolveis (lignina, celulose e algumas hemiceluloses)

    aumentam a sensao de saciedade e, com isso, colaboram com a diminuio da ingesto

    calrica durante as refeies, alm de reterem gua e causarem aumento no volume fecal e na

    presso osmtica, diminuindo o tempo de passagem do alimento pelo trato gastrointestinal.

    Indcios sugerem que as fibras podem ser benficas na reduo do risco de lceras duodenais

    e no tratamento dessas leses. Sabe-se tambm que reduzem as concentraes sricas de

    estrognio, agindo de modo a proteger contra o cncer de clon (RIQUE et al. 2002).

    Na ltima dcada, h uma tendncia para encontrar novas fontes de fibras como

    ingredientes para a indstria alimentar, sendo percebida a introduo nos mercados do mundo

    ocidental de produtos a partir de frutas como limo, ma, com alto teor agregado em fibras

    (VERGARA-VALNCIA et al., 2007).

    O Food and Drug Administration (FDA) determinou um valor dirio de 25,00 g de

    fibras para uma dieta de 2.000 calorias, sendo considerado satisfatrio o consumo de 5,000 g

    de fibra em cada refeio (AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION, 2008).

    J os acares so os carboidratos existentes nos alimentos e classificados em

    monossacardeos (glicose, frutose), dissacardeos (sacarose, lactose, galactose, maltose) e

    polissacardeos (maltodextrinas, amidos, gomas, pectinas e celuloses). A maioria dos acares

    naturais encontra-se na forma de oligo e polissacardeos, apresentando estruturas, tamanhos e

    formas diferentes, alm de exibirem uma grande variedade de propriedades fsicas e qumicas

    (FENNEMA, 2000).

    A existncia de, pelo menos, duas funes orgnicas (C=O e COH), somadas s

    diferenas de reatividade dos grupos hidroxilas na mesma molcula, permite aos acares

    possibilidades de transformaes qumicas (SHILS et al., 2009).

    A glicose e a frutose, por apresentarem uma funo aldedica e uma cetnica livre,

    respectivamente, esto capacitadas a reduzir ctions como cobre e prata, transformando-se,

    simultaneamente, em produtos mais oxidados. Os dissacardeos apresentam tambm poder de

    reduo, porm equivalente a 50% do somatrio da capacidade de reduo dos

    monossacardeos, uma vez que a ligao glicosdica formada imobiliza uma funo carbonila.

    Os acares oxidveis so conhecidos como acares redutores e o mecanismo de xido-

    reduo est relacionado com a formao de uma funo fortemente redutora em meio

    alcalino, denominada de enediol ou redutona (DEMIATE et al., 2002).

    Acares redutores esto envolvidos nas reaes de escurecimento no enzimtico

    (reao de Maillard), sendo teis quando seus produtos tornam o alimento mais aceitveis

    pela cor e sabor produzidos ou prejudiciais quando promovem perdas de protenas e outros

  • 12

    nutrientes utilizveis (BOBBIO e BOBBIO, 2001). As redutonas apresentam as atividades

    antioxidantes na rancificao de lipdeos, uma vez que podem ceder um tomo de hidrognio

    aos peroxiradicais, retardando a formao de compostos com cheiro caracterstico de rano

    (BRIO et al., 2011).

    Frutas diferentes variam na maneira como acumulam acares, sendo seu teor e

    composio influenciados por condies ecolgicas e entre as variedades de uma espcie

    (DAVIES e HOBSON, 1981).

    3.3.2 Fenlicos Totais

    Compostos fenlicos incluem uma diversidade de estruturas que apresentam, pelo

    menos, um anel aromtico contendo grupamentos hidroxilas. Compostos fenlicos so

    oriundos do metabolismo secundrio dos vegetais e esto presentes na forma livre ou ligados

    a acares e protenas (ANGELO e JORGE, 2007). Tais compostos podem ser classificados

    segundo o tipo de esqueleto principal e/ou ocorrncia no reino vegetal. Quanto ao tipo de

    esqueleto principal (Tabela 1, pg. 13), C6 correspondente ao anel benznico e Cx cadeia

    substituinte com x tomos de carbono. No que diz respeito ocorrncia, estes podem ser

    distribudos amplamente ou de distribuio restrita. Dentre os distribudos amplamente esto

    os derivados dos cidos benzico e cinmico, cumarinas, flavonides, taninos e ligninas,

    enquanto que, dentre os de distribuio restrita esto os fenis simples, antraquinonas,

    xantonas e naftoquinonas (SIMES, 2003).

    As frutas, principais fontes dietticas de polifenis, apresentam variaes quantitativas

    e qualitativas na composio destes constituintes em funo de fatores intrnsecos (cultivar,

    variedade e estgio de maturao) e extrnsecos (condies climticas e edficas). As

    principais fontes de compostos fenlicos so frutas ctricas (limo, laranja e tangerina), cereja,

    uva, ameixa, pra, ma, mamo, pimenta verde, brcolis, repolho roxo, cebola, alho e tomate

    (MELO et al., 2008). O tipo de composto, o grau de metoxilao e o nmero de hidroxilas so

    alguns dos parmetros que podem estar relacionados com sua atividade antioxidante. A

    possvel atividade antioxidante dos compostos fenlicos pode ser decorrente de sua

    capacidade em seqestrar radicais-livres, atuando como agentes redutores ou quelantes de

    metais de transio e agindo tanto na etapa de iniciao como na propagao do processo

    oxidativo (GMEZ-RUIZ et al., 2007).

  • 13

    Tabela 1. Classificao dos compostos fenlicos de acordo com o esqueleto bsico (Simes et al., 2007)

    Esqueleto Bsico Classe de Compostos fenlicos

    C6 Fenis simples e benzoquinonas

    C6-C1 cidos fenlicos

    C6-C2 Acetofenonas e cidos fenilacticos

    C6-C3 Fenilpropanoides: cidos cinmicos e compostos

    anlogos, fenilpropenos, cumarinas, isocumarinas e

    cromonas

    C6-C4 Naftoquinonas

    C6- C1- C6 Xantonas

    C6- C2- C6 Estilbenos e antraquinonas

    C6- C3- C6 Flavonides e isoflavonides

    (C6- C3)2 Lignanas

    (C6- C3- C6)2 Diflavonides

    (C6)n Melaninas vegetais

    (C6- C3)n Ligninas

    (C6- C1)n Taninos hidrolisveis

    (C6- C3- C6)n Taninos condensados

    A anlise dos compostos fenlicos influenciada por sua natureza, mtodo de

    extrao empregado, tamanho da amostra, tempo e condies de estocagem, padro utilizado

    e presena de interferentes, tais como ceras, gorduras, terpenos e clorofilas (NACZK e

    SAHIDI, 2004).

    Os mtodos de avaliao do teor de compostos fenlicos no so especficos e podem

    superestim-los. Entretanto, so bastante utilizados pela praticidade e simplicidade. Dentre os

    mtodos de quantificao de fenlicos totais, o mtodo espectrofotomtrico baseia-se na

    absoro de energia radiante na regio do ultravioleta (ANGELO e JORGE, 2006).

    Quanto extrao, a solubilidade dos fenlicos varia de acordo com a polaridade do

    solvente utilizado, o grau de polimerizao dos fenlicos e suas interaes com outros

    constituintes dos alimentos, sendo o metanol, etanol, acetona, gua, acetato de etila, propanol,

    dimetilformamida e suas combinaes os solventes mais utilizados para a extrao destes

    compostos (SOUZA et al. 2007).

    Quanto aos reagentes, estes mtodos podem ser classificados em Folin Denis e Folin

    Ciocalteu. O uso de sulfato de ltio, a presena de cido hidroclordrico e o longo tempo de

    aquecimento para a preparao do reagente de Folin-Ciocalteu so as principais diferenas

    entre estes dois reagentes. Para ambos os testes, o nmero de hidroxilas ou de grupos

    potencialmente oxidveis so os responsveis pelo controle da intensidade de cor formada.

    Porm h uma dificuldade em encontrar um padro especfico e conveniente, devido

    complexidade das substncias fenlicas presentes e as diferenas de reatividade entre estas

  • 14

    substncias e os reagentes, sendo, o cido tnico e a catequina os mais utilizados (ANGELO e

    JORGE, 2006).

    Os impactos positivos referentes ao consumo de compostos fenlicos incluem a

    inibio da oxidao da LDL, com consequente reduo do risco de doenas cardacas

    (PIETTA, 2000), alm da inibio dos processos inflamatrios e de propriedades antialrgicas,

    antivirais, antibacterianas, antifngicas, antitumorais e anti-hemorrgica (MEYER et al, 1997).

    3.3.3 Flavonides

    Dentre os polifenis, os flavonides esto presentes em relativa abundncia e, mesmo

    diante das diversas formas estruturais, a maioria de seus representantes possui 15 tomos de

    carbono em seu esqueleto bsico, constitudo por dois aneis aromticos ligados por uma cadeia

    de trs carbonos (Figura 3, pg. 15) (AHERNE e OBRIEN, 2002). Segundo Behling et al.

    (2004), os flavonides podem ser encontrados na forma livre, como, por exemplo, a quercitina,

    naringenina e miricetina. Porm, mais frequente encontr-los na forma glicosilada, unidos a

    molculas de acar como ramnose, rutinose (trs molculas de glicose) ou ainda em mistura

    de glicosdeos como ramno-glucosdeos, formando os derivados flavonides glicosilados. De

    maneira dependente da posio, nmero e combinao das molculas, os flavonides so

    divididos em seis subgrupos principais: Flavonas (apigenina, luteonina, etc), flavonis

    (quercetina, miricetina etc), catequinas (epicatequina, galocateqina, etc), flavanonas

    (naringenina, hesperitina etc), antocianinas (cianina, pelargonina etc) e isoflavonas (genistena,

    daidzena etc) (Tabela 2, pg. 15) (VOLP et al., 2008).

    A explicao para a existncia de uma grande diversidade estrutural dos flavonides

    d-se pelas modificaes que podem sofrer, tais como: hidroxilao, metilao, acilao e

    glicosilao entre outras. Os flavonides so freqentemente hidroxilados nas posies 3, 5, 7,

    3, 4 e 5, sendo que alguns desses grupos hidroxilas podem ser metilados, acetilados ou

    sulfatados. As ligaes glicosdicas ocorrem geralmente nas posies 3 ou 7 (LOPES et al.,

    2000).

  • 15

    O

    R1

    R

    R4

    R3 R5

    R6

    R2

    O

    2

    3

    7

    5

    1

    4

    5'

    4'

    3'2'

    A C

    B

    Figura 3. Esqueleto bsico dos flavonides. Fonte: Adelmann, 2005.

    Os flavonides absorvem radiao eletromagntica na regio do ultravioleta (UV) e

    visvel e, dessa maneira, defendem os vegetais frente grande parte da radiao solar. Alm

    disso, os flavonides podem representar uma barreira qumica de defesa contra

    microrganismos (bactrias, fungos e vrus), insetos e outros animais herbvoros, bem como

    contribuir para a polinizao atraindo insetos e orientando-os at o nctar (MARCUCCI,

    1998).

    Tabela 2. Classes de flavonides e algumas de suas caractersticas (Simes et al., 2007)

    Classe Caracterstica

    Flavonas, flavonis e seus O-

    heterosdeos

    Co-pigmentao em flores, proteo

    contra raios ultravioleta nas folhas

    C-heterosdeos -

    Antocianos Pigmentao do vermelho at o azul

    Chalconas Pigmentao amarela

    Auronas Pigmentao amarela

    Di-hidro-flavonis Presentes freqentemente em tecidos de

    madeiras

    Flavanonas Podem apresentar sabor amargo

    Di-hidro-chalconas Podem apresentar sabor amargo

    Flavanas, leucoantocianidina

    e proantocianidinas

    Substncias adstringentes com

    propriedades tanantes

    Isoflavonides Propriedades estrognicas e/ou

    antifngicas

    Neoflavonides -

    Biflavonides Propriedades antifngicas

    Outras estruturas -

    Estudos epidemiolgicos tm mostrado uma correlao entre o aumento do consumo

    de flavonides e os riscos reduzidos de doenas cardiovasculares e certos tipos de cncer

    (ARTS e HOLLMAN, 2005). A dificuldade encontrada nessas investigaes tem sido a

  • 16

    estimativa do consumo de flavonides devido aos dados limitados sobre estes em alimentos

    (KNEKT et al., 1997).

    3.3.4 Antocianinas

    As antocianinas, subgrupo dos flavonides, tiveram sua nomenclatura (do grego

    anthos = flores; kianos = azul) proposta em 1835 por Marquat, referindo-se a pigmentos azuis,

    violetas e vermelhos encontrados em flores. Todavia, antocianinas so tambm encontradas

    em razes e folhas e agem como atraentes de insetos e de pssaros, com o objetivo de

    polinizar e dispersar as sementes, alm de inibirem o crescimento de larvas de alguns insetos

    (SIMES, 2007). Essas substncias (Figura 4) so encontradas na forma de glicosdeos

    hidrolisveis em acares e agliconas (antocianidinas) e se diferenciam pelo nmero de

    grupos hidroxi e o grau de metilao destes no anel lateral, pelo nmero e natureza dos

    acares, bem como das cadeias alifticas ou aromticas esterificadas com os mesmos

    (BOBBIO e BOBBIO, 2003).

    O

    OH

    OH

    R1

    OH

    R2

    Acar

    2

    3

    7

    5 4

    5'

    4'

    3'

    A

    B8

    6

    Figura 4. Estrutura das antocianinas. Fonte: Simoes, 2007.

    A cor das antocianinas resultante da excitao da molcula pela luz visvel, sendo

    que seu aumento em substituintes permite uma cor mais intensa. As tonalidades apresentadas

    pelas antocianinas oscilam entre vermelho, laranja e roxo, de acordo com o pH, concentrao,

    tipo de solvente, temperatura, estrutura do pigmento, alm da presena de substncias nos

    vegetais capazes de reagir com elas de maneira reversvel ou irreversivelmente. Em pH

    prximo a 1,000, as antocianinas mostram maior fora tintrea por estarem principalmente na

    forma no ionizada (TEIXEIRA et al., 2008).

  • 17

    O acar presente nas molculas das antocianinas confere a elas maior estabilidade da

    cor e solubilidade quando comparadas com as antocianidinas. Acredita-se que tal efeito seja

    devido diminuio da atividade da gua, uma vez que, seu ataque nucleoflico ocorre na

    posio C-2. Outro fator importante na estabilidade da cor a copigmentao inter ou

    intramolecular que consiste na ligao entre a antocianina e outra molcula denominada de

    copigmento (flavonides no antocinicos, compostos fenlicos, cidos alifticos etc) e,

    ainda, que estes outros compostos, por si mesmo no sejam coloridos, aumentam a cor das

    antocianinas por produzir deslocamento batocrmico, ou seja, para maior comprimento de

    onda (GONNET, 1998).

    A indstria alimentcia, visando atender a um pblico disposto a consumir alimentos

    isentos de adicionais sintticos, encontra nas antocianinas um importante substituinte aos

    corantes artificiais. A principal desvantagem destas, frente aos corantes sintticos, deve-se

    mudana de colorao decorrente de reaes qumicas com os produtos alimentcios. Alm

    dos atributos da colorao, o interesse no uso das antocianinas tem sido intensificado devido a

    seus possveis benefcios sade (TEIXEIRA et al., 2008).

    Relatos cientficos apontam o uso de antocianinas no controle da presso arterial,

    como agentes hipoglicemiantes, antiinflamatrios e promotores de aumento na acuidade

    visual alm de demonstrarem ao favorvel na preveno da hipercolesterolemia. As

    antocianinas so tambm agentes promissores na preveno de doenas degenerativas como o

    cncer, mal de Alzheimer e doenas cardiovasculares devido a suas propriedades

    antioxidantes (CHEN et al., 2006).

    3.4 Contedo mineral

    Ainda que no exista uma definio para mineral, em alimentos e nutrio, este

    termo se refere aos elementos distintos de carbono (C), hidrognio (H), oxignio (O) e

    nitrognio (N) presentes nos mesmos. Historicamente, os minerais tm sido classificados

    como principais ou traos, dependendo de sua concentrao. Esta classificao surgiu

    quando os mtodos analticos ainda no permitiam medir com preciso as baixas

    concentraes dos elementos, o que justifica o termo trao. Hoje, os mtodos e aparatos

    modernos permitem medidas precisas de praticamente todos os elementos da tabela peridica.

    No entanto, os termos principais e traos continuam sendo usados. Dentre os principais,

    esto o clcio (Ca), fsforo (P), magnsio (Mg), sdio (Na), potssio (K) e cloro (Cl)

  • 18

    enquanto os elementos traos compreendem o ferro (Fe), iodo (I), zinco (Zn), selnio (Se),

    cromo (Cr), cobre (Cu), flor (F) e chumbo (Pb) (FENNEMA, 2000).

    Os minerais so necessrios para o desempenho das funes normais celulares, uma

    vez que, regulam a ativao de diversas enzimas, o equilbrio cido-base, a presso osmtica,

    a atividade muscular e nervosa. Alm disso, facilitam a transferncia de compostos essenciais

    atravs das membranas, auxiliam a formao dos ossos, composio da hemoglobina,

    expresso gnica, metabolismo de carboidratos e, em alguns casos, fazem parte dos elementos

    constituintes dos tecidos do organismo. Os elementos minerais encontram-se inter-

    relacionados e em equilbrio na fisiologia humana, no podendo ser considerados como

    elementos isolados com funes circunscritas (SHILS et al., 2009).

    Estudos em humanos mostram que o consumo ideal de elementos como Na, K, Mg,

    Ca, mangans (Mn), Zn, Cu e I pode reduzir os fatores de risco individuais, incluindo aqueles

    relacionados s doenas cardiovasculares. Em 1997, foi reconhecido que alguns elementos

    como, por exemplo, o Se poderiam desempenhar um papel protetor na diminuio do risco de

    cnceres. O Ca, Mg e P apresentam ntima relao com a formao de ossos e dentes,

    coagulao do sangue e manuteno do rtmo cardaco normal. Ca e Mg so necessrios ao

    sistema nervoso e muscular. Fe, Cu e cobalto (Co) esto interligados sntese de hemoglobina

    e formao de clulas vermelhas do sangue. O I um componente essencial do hormnio

    da tireide, enquanto que o Zn, molibdnio (Mo) e Mn ativam enzimas que catalisam reaes

    metablicas (SHILS et al., 2009; WALL, 2006; BURTON, 1979).

    As necessidades humanas de minerais essenciais oscilam entre uns poucos

    microgramas a 1,000 g/dia (Anexo 1, pg. 119). Em baixas ingestes, aparecem os sinais de

    carncia (Tabela 3). Inversamente, uma ingesto demasiandamente elevada pode conduzir

    toxicidade. Para a maioria dos minerais, o intervalo de ingesto adequado e seguro amplo,

    de maneira que tanto a carncia como a toxicidade so relativamente raras, supondo que se

    consumam uma dieta variada (FENNEMA, 2000).

    Tabela 3. Sinais de carncia em minerais (Jnior et al.,2002; Fennema, 2000; Azeredo et al., 1998).

    continuao

    Mineral Carncia

    Clcio

    Hipertenso, osteoporose, osteomalcia, ansiedade, otoesclerose, parestesias,

    insnia e nos casos graves: tetania.

    Fsforo Osteomalacia e problema de minerao ssea.

    Magnsio Diminuio da secreo e resistncias ao paratormnio, resistncia vitamina

  • 19

    D. Espasmos neuromusculares espontneos, crises epilticas, vertigem,

    fraqueza muscular, tremor, depresso, psicose e arritmias cardacas.

    Ferro Anemia, prejuzos sobre a funo cognitiva, imunidade, capacidade de trabalho

    e habilidade de regulao da temperatura corporal. Parto prematuro e baixo

    peso corporal do beb ao nascimento.

    Zinco Retardo de crescimento, maturao sexual tardia, impotncia sexual,

    hipogonadismo, diarria, leses cutneas, deficincias imunolgicas, distrbios

    comportamentais, diminuio do paladar e apetite e atraso na cicatrizao.

    Cobre Anemia, leucopenia, neutropenia, artrite, arteriopatia, perda da pigmentao,

    miocardiopatia, efeitos neurolgicos, intolerncia a glicose, aumento dos nveis

    sricos de colesterol e arritmias cardacas.

    Mangans Distrbios no metabolismo, ossos e cartilagens frgeis, degenerao dos discos

    espinhais, cncer, diminuio da fertilidade, diminuio do crescimento e

    prejuzo para as funes cerebrais.

    Potssio Fraqueza muscular e apatia mental. concluso

    3.5 Caractersticas Fsico-Qumicas

    Slidos solveis (SS) so utilizados para indicar o grau de maturao de frutos e

    auxiliar o controle dos processos que os envolvem, bem como a qualidade de seus produtos

    finais, uma vez que representam a quantidade de substncias hidrossolveis, tais como

    acares, cidos, vitamina C e algumas pectinas. O teor de slidos solveis pode variar com

    fatores climticos (quantidade de chuva, temperatura e luminosidade), em razo da atividade

    fotossinttica, acmulo de carboidratos bem como em funo do solo, estgio de maturao,

    variedade do vegetal etc. Slidos Solveis so determinados com a utilizao de refratmetro

    e, normalmente, expressos em graus brix (Brix) que corresponde a 1,000 g de slidos em

    100,0 g de suco de fruta (ALVES, 1996).

    O Instituto Adolfo Lutz (2005) caracteriza a acidez total como o somatrio das

    concentraes dos cidos presentes na amostra. Este parmetro importante na apreciao do

    estado de conservao de um produto alimentcio, uma vez que os processos de decomposio

    do alimento (hidrlise, oxidao ou fermentao) alteram a concentrao dos ons de

    hidrognio e, por conseqncia, sua acidez em funo do incremento de cidos orgnicos,

    gerados no metabolismo dos frutos. So importantes do ponto de vista do odor dos produtos,

    alm de serem responsveis pelo sabor agri dos frutos.

  • 20

    Vrios so os fatores que tornam importante a determinao do pH em um alimento,

    sendo possvel citar a influncia na palatabilidade, no desenvolvimento de microrganismos,

    bem como na escolha de aditivos necessrios formulao uma vez que pequenas variaes

    em seus valores so facilmente detectveis em testes organolpticos (CHAVES, 1993).

    3.6 Atividade Antioxidante

    Atualmente existe um grande interesse por antioxidantes devido, principalmente, s

    descobertas sobre o efeito dos radicais sobre o organismo. A oxidao parte fundamental na

    vida aerbica e, radicais so produzidos naturalmente e/ou por alguma disfuno biolgica,

    bem como por fatores ambientais (poluio do ar, fumaa, radiao solar etc.) e/ou alimentos

    inadequados. Quando produzidos naturalmente, estes encontram se envolvidos na produo

    de energia, fagocitose, regulao do crescimento celular, sinalizao intercelular e sntese de

    substncias biologicamente importantes. Porm, quando em excesso, os radicais livres so

    prejudiciais, uma vez que promovem a peroxidao dos lipdeos das membranas, agresses s

    protenas dos tecidos, s enzimas, carboidratos e DNA (BARREIROS e DAVID, 2006).

    Dessa forma, radicais-livres encontram-se relacionados a vrias patologias, tais como

    artrite, choque hemorrgico, doenas do corao, catarata, disfunes cognitivas e cnceres,

    podendo ser a causa ou o fator agravante do quadro geral. Dentre os radicais, aqueles cujos

    eltrons desemparelhados encontram-se centrados nos tomos de oxignio ou nitrognio so

    denominados de espcies reativas de oxignio (ERO) ou espcies reativas de nitrognio

    (ERN), respectivamente (YOUNG e WOODSIDE, 2001).

    O excesso de radicais no organismo combatido por antioxidantes produzidos pelo

    corpo ou absorvidos da dieta. Antioxidante qualquer substncia que, quando presente em

    baixa concentrao comparada do substrato oxidvel, regenera o substrato ou previne

    significativamente a oxidao do mesmo. Os mecanismos de ao dos antioxidantes

    englobam a ao de enzimas como a catalase (CAT), superxido dismutase (SOD), glutationa

    redutase (GSR) e glutationa peroxidase (GPx), alm de molculas antioxidantes como cido

    rico, glutationa (GSH), albumina, grupos proticos, bilirrubina, vitaminas (cido ascrbico,

    -tocoferol), carotenides e compostos fenlicos, dentre outros (FERNANDEZ-PANCHON

    et al., 2008)

    Os antioxidantes podem atuar inibindo a autoxidao, a fotoxidao ou a oxidao

    enzimtica. Na autoxidao podem bloquear reaes em cadeia ou impedir que estas ocorram.

  • 21

    Os bloqueadores da reao em cadeia so divididos em doadores e receptores de eltrons,

    sendo que os doadores de eltrons competem pelo radical peroxil (ROO), resultando na

    diminuio da velocidade da reao. Os receptores de eltrons competem com o oxignio

    triplete pelo radical, reduzindo a formao do radical ROO

    (MENDONA, 2009; ARAJO,

    2004).

    Na fotoxidao, os carotenides e tocoferis atuam como supressores fsicos. A

    transferncia de energia de uma molcula primria excitada para o supressor resulta em

    dissipao de energia luminosa ou trmica. Na oxidao enzimtica, fenlicos e flavonides

    inibem a ao da lipoxigenase (MENDONA, 2009). Os antioxidantes podem tambm

    complexar com metais e atuar de forma preventiva, uma vez que estes no interagem com os

    radicais (ARAJO, 2004).

    A eficcia de um antioxidante est relacionada com numerosos fatores, dentre eles,

    energia de ativao, constantes de velocidade, potencial de oxidao-reduo, solubilidade e

    sua maior ou menor facilidade de destruio ou perda durante uma reao. Idealmente, o

    radical-livre resultante no deve iniciar novos radicais, nem ser susceptveis a uma oxidao

    rpida por uma reao em cadeia. Neste sentido, os antioxidantes fenlicos ocupam uma

    posio privilegiada, pois seus intermedirios radicalares so relativamente estveis, devido

    deslocalizao por ressonncia e a carncia de posies adequadas para o ataque pelo

    oxignio molecular. Alm disso, demonstram ser antioxidantes mais efetivos que as vitaminas

    C e E por reatividade frente a outros antioxidantes, capacidade de quelar metais de transio,

    solubilidade e interao com as membranas (HOSSAIN e RAHMAN, 2011).

    Em alimentos, os radicais promovem oxidaes que podem ser prejudiciais quando

    ocasionam a degradao oxidativa das vitaminas, pigmentos e lipdeos, com perda do valor

    nutritivo e desenvolvimento de odores desagradveis. A oxidao de cidos graxos

    insaturados definida como uma cascata de eventos bioqumicos que gera, principalmente,

    radicais hidroxilas (HO), alcoxilas (RO

    ) e ROO

    (BENZIE et al. 1999). O teor de

    antioxidantes em alimentos de origem vegetal e, portanto, sua capacidade antioxidante

    associada, depende de sua variedade, grau de maturao, aspectos ps-colheita como as

    condies de armazenamento, tempo, temperatura, atmosfera e processamento

    (SRIVASTAVA et al., 2007).

    Antioxidantes so muitas vezes adicionados aos alimentos para evitar oxidaes nos

    mesmos. No entanto, os antioxidantes sintticos, comumente utilizados, como o butil-

    hidroxianisol (BHA), butil-hidroxitolueno (BHT) e terc-butil-hidroquinona (TBHQ) so

    limitados por normas legais por serem suspeitos de apresentar efeitos txicos e cancergenos.

  • 22

    Diante disso, nos ltimos anos, mais ateno tem sido dada aos antioxidantes naturais

    presentes em alimentos, principalmente nos frutos, por causa de sua suposta segurana, valor

    nutricional e teraputico (BARREIROS e DAVID, 2006). A utilizao destes antioxidantes de

    forma correta depende do conhecimento de sua estrutura, do seu modo de ao e da funo no

    alimento. A estrutura influencia nas propriedades fsicas, como volatilidade, solubilidade e

    estabilidade trmica. Alm da relao estrutura-funo, fatores como o estado fsico do

    alimento, condies de armazenamento e atividade de gua, afetam sua eficincia (ARAJO,

    2004).

    3.6.1 Avaliao da Atividade Antioxidante

    Um grande nmero de mtodos tem sido desenvolvido com a finalidade de avaliar a

    atividade antioxidante (AA) de alimentos. Todavia, devido complexidade da composio de

    cada tipo de alimento e tendo em vista que antioxidantes no atuam separadamente, a

    determinao da atividade antioxidante individualmente parece ser menos efetiva do que a

    avaliao do estado antioxidante total (PRIOR e CAO, 1999). Segundo Huan et al. (2005),

    duas ou mais tcnicas so necessrias para determinar a atividade, uma vez que nenhum

    mtodo tratado isoladamente pode refletir exatamente a capacidade antioxidante total de uma

    amostra.

    Dentre os mtodos mais utilizados para a determinao da atividade antioxidante

    possvel enumerar o -caroteno/cido linolico (baseado na inibio da peroxidao lipdica),

    ABTS+

    e DPPH (baseados na captura do radical orgnico) e FRAP (baseado no poder de

    reduo do Fe) (PRIOR e CAO, 1999).

    3.6.1.1 Atividade Antioxidante por Captura de Radical livre DPPH

    O mtodo DPPH tem sido considerado um dos mais representativos na avaliao da

    capacidade de remoo de radicais-livres. Este mtodo fotocolorimtrico baseado na

    reduo do radical-livre DPPH (1,1-difenil-2-picrilhidrazil) em presena de antioxidante, com

    consequente passagem da colorao violeta para a amarela (Figura 5, pg. 23) (RUFINO et

    al., 2007(a)).

  • 23

    Estudos monstram que a interao entre DPPH e antioxidante depende da

    conformao estrutural deste. O nmero de molculas reduzidas de DPPH est relacionado

    com o nmero de grupos hidroxilas disponvel no composto antioxidante. O ensaio DPPH

    tornou-se bastante popular no estudo de antioxidantes naturais, sendo considerado simples,

    rpido, preciso e com boa reprodutibilidade dos resultados, alm de no envolver condies

    drsticas de temperatura e oxigenao. Outra caracterstica que permite, dentre outras

    maneiras de expresso dos resultados, a determinao do valor EC50 (mg.L-1

    ), definido como

    a concentrao de extrato natural suficiente para atingir 50% a atividade antioxidante mxima,

    estimada em 100% (LUZIA e JORGE, 2010).

    N N

    O2N

    O2N

    NO2. N N

    RO2N

    O2N

    NO2+ R'

    Cor: violeta escura Cor: violeta-clara

    Figura 5. Estabilizao do radical-livre DPPH. Fonte: Rufino et al., 2007 a.

    3.6.1.2 Atividade Antioxidante por Captura de Radical livre ABTS+

    O ensaio ABTS baseado na eliminao do radical ABTS+

    , 2,2-azinobis (3-

    etilbenzotiazolina-6-cido sulfnico) pelos antioxidantes presentes na amostra (ZULUETA et

    al., 2009). O radical ABTS+

    apresenta colorao verde-azulada e valores de absorbncia

    mxima em 645, 734 e 815 nm. Entretanto, compostos antioxidantes presentes no meio

    reacional capturam tais radicais, o que se traduz em perda de colorao e, consequentemente,

    em reduo na absoro, correspondendo, quantitativamente, concentrao de antioxidantes

    presentes (Figura 6, pg. 24) (RE et al., 1999).

    O mtodo ABTS apresenta como vantagens o fato de ser barato, rpido, fcil de usar e

    estvel ao pH. Todavia, pode-se listar como desvantagens a necessidade de um passo extra

    para gerar radicais-livres de ABTS+

    , alm da no padronizao, sendo, portanto, difcil de

    comparar valores entre os laboratrios (SNCHEZ-MORENO, 2002).

  • 24

    O3-S S

    N

    N

    C2H5

    N

    S

    N

    SO3-

    H5C2

    .

    O3-S S

    N

    N

    C2H5

    N

    S

    N

    SO3-

    H5C2+ Antioxidante

    K2SO5

    Cor: verde-escuro Cor: verde-clara

    Figura 6. Estabilizao do radical ABTS+

    por antioxidante. Fonte: Rufino et al., 2007 b.

    3.6.1.3 Atividade antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP)

    O mtodo FRAP (Ferric Reducing Antioxidant Power) permite determinar a reduo

    do ferro em fluidos biolgicos e solues aquosas de compostos puros. Este mtodo

    aplicado tambm em estudos da eficincia antioxidante em extratos de alimentos e bebidas

    (RUFINO et al., 2006 b).

    Em pH baixo, quando um complexo frrico (FeIII

    -TPTZ) reduzido (FeII-TPTZ), uma

    cor azul intensa, com um mximo de absoro a 593 nm se desenvolve (Figura 7). A reao

    inespecfica e qualquer semi-reao que tenha um potencial redox menos positivo, sob as

    condies de reao, ir conduzir a reduo do complexo e, assim, o desenvolvimento da cor,

    desde que um redutor (antioxidante) esteja presente (BENZIE e STRAIN 1996).

    O ensaio FRAP oferece resultados rpidos e reprodutveis, apresentando como

    desvantagem o fato de que a curva padro deve ser realizada com um antioxidante que seja

    solvel em gua como o cido ascrbico e o Trolox (APAK et al., 2004).

    N+

    N+

    N

    NN

    N+

    N+

    N+

    N

    N

    N N+

    Fe (II)

    N+

    N+

    N

    NN

    N+

    N+

    N+

    N

    N

    N N+

    Fe (III)+antioxidante

    - e

    Figura 7. Reduo do complexo TPTZ (2,4,6-tri(2-piridil)-1,3,5-triazina) com Fe3+

    . Fonte: Rufino et al., 2006 b.

    [Fe (III) (TPTZ)2 ]3+

    . Cor: azul-clara [Fe (II) (TPTZ)2 ]3+

    . Cor: azul-escura

  • 25

    3.6.1.4 Atividade Antioxidante por Inibio da Oxidao Lipdica (branqueamento do -

    caroteno)

    O sistema -caroteno/cido linolico foi desenvolvido por Marco (1968), sendo

    modificado posteriormente por Miller (1971). Este sistema utiliza-se do cido linolico, do -

    caroteno e do monopalmitato de polioxietileno sorbitan (Tween 40), sendo, este ltimo, o

    agente emulsificante capaz de aumentar a estabilidade cintica da emulso. O cido linolico

    em presena de oxignio forma ROO, que reage com o -caroteno, resultando na perda de

    colorao da soluo que passa de amarelo intenso a amarelo claro. A adio de uma amostra

    que contenha antioxidantes pode competir com o -caroteno pela reao com radical ROO e

    contribuir para retardar a queda de absorbncia. Portanto, os antioxidantes presentes na

    amostra podem ser monitorados facilmente pelo branqueamento da cor da soluo. Trata-se

    de um ensaio espectrofotomtrico que avalia a atividade de inibio de radicais-livres gerados

    durante a peroxidao do cido linolico. Este mtodo utilizado amplamente por no

    recorrer a altas temperaturas e, com isso, permitir a determinao do poder antioxidante de

    compostos termossensveis (JAYAPRAKASHA e PATIL, 2007; AMIN et al., 2006).

    3.6.2 Antioxidantes em resduos de frutos

    Nos ltimos anos, a crescente tendncia na preferncia dos consumidores por

    alimentos saudveis, promotores da sade e/ou associado ao tratamento de enfermidades tem

    proporcionado maior mpeto explorao de fontes naturais de antioxidantes em substituio

    aos antioxidantes sintticos. A atividade biolgica de antioxidantes naturais est

    correlacionada ao tratamento e reduo do risco de patologias do cncer (IKKEN et al.,

    1999), arteriosclerose, malria, artrite reumatide, doenas neurodegenerativas e processos de

    envelhecimento. Alm disso, tem sido percebido a atuao destes sobre doenas como

    diabetes mellitus, alergias, inflamaes, cardiopatias, lceras ppticas, retinopatias diabeticas,

    inibio da agregao plaquetria e inibio do aumento da presso arterial, assim como

    agentes hepatoprotetores, antibacterianos e antivirais (HOSSAIN e RAHMAN, 2011; ITO et

    al., 1998).

    Guo et al. (2003) observaram maior atividade antioxidante pelo mtodo FRAP nas

    cascas de todos os 26 frutos avaliados em suas fraes casca e polpa. Dentre estes, cascas de

  • 26

    rom (82,11 mmol/100 g), hawthorn (29,25 mmol/100 g), kiwi (11,13 mmol/100 g) e uva

    rosa-vermelha (11,02 mmol/100 g) apresentaram as maiores atividades de reduo do Fe+3

    .

    Ubando-Rivera et al. (2005) atriburam maior concentrao de polifenis em cascas

    de Citrus aurantifolia (limo mexicano) e Citrus latifolia (limo persa) a alta atividade

    antioxidante desses frutos quando avaliados frente a captura de radicais-livres (DPPH e

    ABTS+

    ) e inibio da oxidao lipdica. Segundo estes autores, as farinhas de cascas de

    limo mexicano e limo persa apresentam alta atividade antioxidante de captura de radical

    ABTS+

    , uma vez que seus resultados foram semelhantes aos obtidos para o padro Trolox.

    Li et al. (2006) confirmaram maior atividade antioxidante em cascas de rom (Punica

    granatum) do que na polpa deste fruto. Para estes autores, a justificativa est no fato de que a

    casca de rom apresenta quase 10 vezes mais o teor de fenlicos do que sua polpa, alm de

    apresentar maior quantidade de flavonides e protocianidinas. Tais autores reafirmam tambm

    que a mistura de solventes mais eficaz na recuperao de antioxidantes do que os solventes

    de maneira individual, uma vez que os extratos das fraes deste fruto apresentaram maior

    atividade de reduo do Fe+3

    em mistura de metanol, etanol, acetona e gua.

    Okonogi et al. (2007) indicaram as cascas de Punica granatum (rom), Nephelium

    lappaceum (rambutam) e Garcinia mangostana (mangosto) como de alta atividades

    antioxidantes pela captura dos radicais DPPH e ABTS+

    , com 0,003, 0,006 e 0,023 mg/mL

    para EC50, respectivamente, e 4,590, 3,070 e 3,000 mM de Trolox/mg de extrato seco para o

    teste ABTS+

    , respectivamente.

    Gonzlez-Montelongo et al. (2010) afirmaram que casca de Musa acuminata (banana)

    apresenta alta atividade antioxidante, podendo ser uma fonte barata de compostos bioativos.

    Tais autores avaliaram os extratos de casca de banana em diferentes solventes e temperaturas

    quanto atividade antioxidante e, classificaram-na como de melhor atividade na captura de

    radiciais-livres (DPPH e ABTS+

    ) quando comparada inibio da peroxidao lipdica.

    Guimares et al. (2010) afirmaram que cascas de Citrus paradisi (grapefruta), Citrus

    limon (limo), Citrus aurantiifolia (lima) e Citrus sinensis (laranja) apresentam maior

    atividade antioxidante do que os seus sucos frente captura de radical livre DPPH,

    correspondentes. Estes autores avaliaram cascas e sucos liofilizados e extrados em metanol,

    frao polar de cascas e sucos, quanto ao seqestro de radicais DPPH. Foi verificado como

    EC50 5,150, 3,770, 1,720 e 4,990 mg/mL, respectivamente, para as fraes casca de

    grapefruta, limo, lima e laranja e 12,78, 11,15, 15,96 e 5,550 mg/mL para as fraes suco,

    respectivamente, sendo que, os menores valores indicam a necessidade de menor quantidade

    destes para promover mesma reduo de 50% na concentrao inicial de radiais DPPH.

  • 27

    Contreras-Caldern et al.(2011) avaliaram diferentes frutos colombianos quanto

    atividade antioxidante (FRAP e ABTS+

    ) em suas fraes comestveis e no comestveis.

    Dentre os 14 frutos avaliados em suas pores casca e polpa, apenas Passiflora mollissima e

    Passiflora tarminiana (maracujs-banana) apresentaram maior atividade antioxidante na

    frao polpa. Todas as outras 12 espcies de frutos avaliados (palma, macadmia, naranjilha,

    tomate pssego, algarrobo, boroj, cassabanana, coastal sapote, cupuau, maracuj gigante,

    pejibaye e umar) apresentaram maior atividade antioxidante de captura de radical livre e

    reduo do Fe+3

    nas cascas quando comparadas poro comestvel.

    Hassan et al. (2011) atriburam aos compostos fenlicos a alta atividade antioxidante

    de captao de radicais-livres (DPPH) da casca do fruto Mangifera pajang (bambangan). Para

    estes autores, cascas de bambangan secas, pulverizadas e extradas em metanol 50%

    apresentam IC50 equivalente a 44,50 g/mL.

    Ainda sobre resduos de frutas, Broinizi et al. (2007) afirmaram que possvel

    identificar atividade antioxidante no bagao de Anacardium occidentale (caju) quanto

    avaliado frente inibio da oxidao lipdica e captura do radical DPPH livre. Este

    subproduto mostrou elevado contedo de compostos fenlicos totais e capacidade

    antioxidante que permitem a perspectiva de um melhor aproveitamento dos resduos

    resultantes do processamento do pednculo de caj.

    Luzia e Jorge (2010) avaliaram o extrato metanlico de sementes de Citrus limon

    (limo) em diferentes concentraes quanto atividade antioxidante pelo mtodo DPPH. Para

    eles, as sementes de limo apresentam-se como uma alternativa de antioxidante natural para

    alimentos industrializados, uma vez que detm boa capacidade de captura de radicais-livres e

    EC50 (69,94 g/mL) no muito diferente do padro cido glico EC50 (64,73 g/mL).

  • 28

    4 MATERIAIS E MTODOS

    4.1 Equipamentos

    - Agitador tipo vrtex Biomixer/Modelo QL-901

    - Balana analtica Shimadzu/Modelo AX200

    - Banho-maria DeLeo/Tipo B.30.TU8C

    - Centrifugao Centribio/Modelo 80-2B

    - Destilador de nitrog./protena MA-036/Plus

    - Espectrofotmetro de absoro atmica Varian

    /Modelo AA-50

    - Espectrofotmetro de UV- Visvel Shimadzu/Modelo UVmini-1240

    - Espectrmetro Perkin-Elmer 283B

    - Espectrmetros Bruker modelos DX-200 (200MHz) linha AVANCE

    - Estufa Biopar/Modelo S1005D

    (a)

    - Estufa com renovao e circulao de ar forado Q314M(b)

    - Extrator de lipdio Modelo Q308G26 com 6 provas

    - Forno eltrico tipo mufla Fornitec/Modelo F1-DM

    (a)

    - Forno eltrico tipo mufla Fornitec/Modelo F3-DMT

    (b)

    - Fotmetro de chama Analyser/Modelo 910M

    - Fusimetro Mettler FP80 SNR H22439

    - Liquidificador industrial Metvisa

    /Tipo LQ-6

    - Mesa agitadora Marconi/Modelo MA-570

    - Peagmetro digital PHTek/Modelo PHS-3B

    - Refratmetro de mo Qumis/Modelo Q767

    4.2 Preparo da farinha

    Frutos maduros de Myrciaria cauliflora foram coletados na cidade de Diamantina na

    regio noroeste do Estado de Minas Gerais, Brasil, em latitude de 181458S e longitude de

    433601 oeste de Greenwich, em novembro de 2009. Os frutos foram levados

    imediatamente ao laboratrio de Tecnologia de Biomassas do Cerrado da UFVJM, onde

    foram selecionados excluindo-se aqueles ainda verdes ou com rachaduras. Em seguida, foram

    lavados e higienizados com hipoclorito de sdio (200,0 mg/L) por imerso de 10 min. Aps

  • 29

    esse procedimento, os frutos foram despolpados manualmente sendo separada a casca da

    polpa e sementes. As cascas foram submetidas secagem (40 5 oC/7 dias) em estufa com

    renovao e circulao de ar forado(b)

    , sendo trituradas posteriormente em liquidificador e

    peneiradas (80 mesh) para a obteno de uma farinha homognea. A farinha obtida foi

    acondicionada imediatamente em sacos plsticos, sendo estes revestidos com papel pardo a

    fim de evitar a degradao dos componentes pela incidncia de luz e, posteriormente,

    armazenada a -18 oC.

    4.3 Caracterizao Qumica

    4.3.1 Composio centesimal

    O teor de umidade na farinha da casca de jabuticaba (FCJ) foi quantificado conforme

    metodologia (925.09) descrita pela Association of Oficial Analytical Chemists (AOAC,

    2005). Amostras de 5,000 g da farinha foram submetidas secagem em estufa(a)

    a 105 C at

    peso constante, sendo o resultado expresso em porcentagem de umidade na matria seca.

    O teor de cinzas da FCJ foi determinado por incinerao de amostras de 1,500 g a 550

    C em forno eltrico tipo mufla(a)

    durante seis horas (AOAC, 2005/mtodo 923.03), sendo o

    resultado tambm expresso em porcentagem de cinzas na FCJ.

    A quantificao do extrato etreo em amostras de 1,000 g de FCJ foi realizada pela

    extrao contnua e exaustiva em extrator de lipdio e por meio de ter etlico (AOAC,

    2005/mtodo 920.85). O resultado foi expresso em porcentagem de extrato etreo.

    O teor de protena em amostras de 0,5000 g de FCJ foi avaliado pelo mtodo Kjeldahl,

    em trs etapas: digesto com cido sulfrico concentrado (H2SO4) para a obteno de sulfato

    de amnia, (NH4)2SO4, adio de hidrxido de sdio concentrado (NaOH) e aquecimento para

    liberao de amnia (NH3) dentro de um volume conhecido de soluo de cido brico

    (H3BO3), com conseqente formao do borato de amnia (NH4H2BO3) e, por ltimo,

    titulao com soluo de cido clordrico (HCl). O resultado foi multiplicado pelo fator de

    converso utilizado para alimentos em geral (6,25) e expresso em porcentagem de protena

    (AOAC, 2005/mtodo 920.87).

    A porcentagem de fibra bruta na FCJ foi quantificada por mtodo gravimtrico. Aps

    digesto em meio contendo H2SO4 e NaOH, o material foi filtrado em funil de bchner e

  • 30

    lavado com gua destilada quente, para a retirada de toda acidez. Procedeu-se a secagem at

    peso constante (Van de Kamer e Van de Ginkel, 1952).

    Os acares totais, redutores e no redutores foram calculados conforme Somogyi-

    Nelson. Amostras de 5,000 g de FCJ foram extradas em etanol 70%. O doseamento dos

    acares totais foi precedido por hidrlise cida a quente em banho-maria com HCl

    concentrado (25,00 mL do filtrado + 0,500 mL de HCl), durante 30 min e neutralizao com

    soluo de carbonato de clcio (CaCO3), sendo o volume completado com gua destilada para

    50,00 mL (DEMIATE et al., 2002).

    Amostras dos extratos (hidrolisado, para acares totais; no hidrolisado para acares

    redutores) foram desproteinizadas por diluio em gua destilada e acrscimo de 1,200 mL

    solues de hidrxido de Brio [Ba(OH)2] 0,3000 N e 1,200 mL de sulfato de zinco (ZnSO4)

    a 5%. Posteriormente, foram aquecidas com reativo cprico* (1,000 mL) e adicionadas de

    reativo arseno-molbdico** (1,000 mL). As amostras foram lidas a 510 nm em

    espectrofotmetro e o resultado calculado utilizando-se de uma curva analtica construda a

    partir de uma soluo de glicose (0,1000 mg/mL) com intervalo de 0 a 0,1200 mg. O teor de

    acares no redutores foi calculado pela equao 1:

    Acares no redutores = Acares totais - Acares redutores (1)

    4.3.2 Fenlicos Totais

    Os fenlicos totais em amostras de 1,000 g de FCJ foram determinados conforme o

    mtodo descrito por Zielinski e Kozlowska (2000) utilizando-se dos reagentes Folin Denis e

    Folin Ciocalteu. Os extratos foram obtidos em diferentes solventes (gua, metanol, metanol

    80%, metanol 60%, etanol, etanol 80%, etanol 60%, acetona, acetona 80% e acetona 60%)

    atravs da agitao por 4 h a 180 rpm, ao abrigo da luz, em agitador orbital e centrifugao

    por 5 min a 1400 rpm. Em seguida o material foi filtrado em papel de filtro n 4 com o auxlio

    do funil de buckner.

    *Reativo cprico = Preparado no momento da anlise pela mistura de 25,00 mL de Reativo A com 1,00 mL de reativo B. Reativo A: 25,00

    g de carbonato de sdio anidro, 20,00 g de bicarbonato de sdio, 25,00 g de tartarato duplo de sdio e potssio, 200g de sulfato de sdio

    anidro e gua destilada para completar o volume para 1000 mL.Reativo B: 15g de sulfato de cobre diludo em 100 mL de gua destilada e acrscimo de 5 gotas de cido sulfrico concentrado.

    **Reativo arseno-molbdico = Preparado pelo acrscimo a 25,00 g de molibdato de amnia dissolvido em 450,00 mL de gua destilada de

    3,00 g de arseniato de sdio em 25,00 mL de gua destilada e 21,00 mL de cido sulfrico concentrado. A mistura foi levada para banho-maria a 56 C por 30 minutos.

  • 31

    Amostras de 1,000 mL dos extratos foram acrescidas de 9,000 mL gua destilada e

    1,000 mL de reagentes Folin-Ciocalteu ou Folin Denis. Aps 5 min de repouso acrescentou-se

    10,00 mL de Carbonato de Sdio (Na2CO3) 7%. A soluo foi diluda para 25,00 mL com

    gua e homogeneizada. Aps repouso por 60 minutos, fez-se a leitura da absorbncia em 725

    nm. A curva analtica foi obtida utilizando concentraes diferentes de cido glico (20,00,

    40,00, 60,00, 80,00 e 100,0 mg/L). Os resultados foram expressos em mg de cido glico/100

    g de FCJ (mg GAE/100 g de FCJ).

    4.3.3 Flavonides e Antocianinas

    O teor de flavonides foi determinado por leitura em espectrofotmetro a 510 nm.

    Amostras de 1,000 mL de extrato metanlico a 80% foram acrescidas de 4,000 mL gua

    destilada, 0,3000 mL de nitrito de sdio (NaNO2) 0,7300 mol/L, 0,3000 mL de cloreto de

    alumnio (AlCl3) 0,7500 mol/L e 2,000 mL de NaOH 1mol/L, sendo o volume completado

    para 10,00 mL com gua destilada aps repouso por 10 min. A quantificao foi realizada

    com o auxlio de curva analtica de catequina e os resultados expressos em mg de catequina/g

    de FCJ de acordo com Zhishen et al. (1999).

    As antocianinas foram quantificadas pelo mtodo do pH diferencial (Kuskoski et al.,

    2006). Amostras de 3,000 g de FCJ foram extradas com gua destilada, agitadas e filtradas

    em papel de filtro aps repouso por 24 h a 5 C, ao abrigo da luz. Alquotas dos filtrados

    (0,2000 mL) foram acrescidas de 1,800 mL de soluo tampo cloreto de potssio pH 1,0

    (0,025 M), sendo, em seqncia, lidas a 510 e 700 nm. Amostras de 0,2000 mL das solues

    em pH 1,0 foram adicionadas a 1,800 mL de acetato de sdio pH 4,5 (0,40 M) e lidas em

    espectrofotmetro (510 e 700 nm). O teor de antocianinas foi calculado e expresso como

    cianidina-3-glicosideo/g FCJ, conforme a equao 2.

    Antocianina monomrica = (A x PM x DF)/ x 1 (2)

    Onde A = (A510 nmA700 nm)pH 1.0 - (A520 nmA700 nm)pH 4.5; PM = 449 g/mol; DF =

    fator de diluio; 1 = caminho ptico cm; = 26900 L/mol/cm.

  • 32

    4.4 Contedo mineral

    O contedo mineral existente na FCJ foi avaliado no laboratrio de Fertilidades do

    Solo e no Laboratrio Integrado de Pesquisa Multiusurio dos Vales do Jequitinhonha e

    Mucuri (LIMPEMVALE) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

    Para a anlise de minerais, amostras de 0,2000 g de FCJ foram incineradas em forno

    eltrico tipo mufla(b)

    a 550 oC por 6 h. As cinzas obtidas foram dissolvidas em 10,00 mL de

    soluo de HCl 0,1000 mol/L (SILVA, 1999).

    As anlises de clcio, magnsio, ferro, zinco, cobre, potssio e mangans foram

    realizadas em espectrofotmetro de absoro atmica calibrado em condies especficas de

    comprimento de onda, fendas e mistura dos gases para cada elemento. O fsforo foi

    quantificado em fotmetro de chama.

    Foram construdas curvas analticas utilizando-se de solues padres cujas

    concentraes variaram de acordo com as amostras.

    4.5 Caractersticas Fsico-Qumicas

    Os teores de Slidos Solveis (SS), Acidez Total (AT) e potencial Hidrogeninico

    (pH) foram quantificados de acordo com metodologia da AOAC (2005), restituindo s

    amostras, o percentual de umidade perdido durante a secagem.

    O teor de SS foi quantificado por leitura em refratmetro e os resultados expressos em

    Brix.

    Para a determinao do pH e da AT, as amostras foram acrescidas de 40,00 mL de

    gua destilada, homogeneizadas e filtradas, sendo o pH avaliado por leitura em peagmetro

    digital. A AT foi determinada por titulao das amostras com NaOH 0,1000 mol/L, at pH

    8,1, usando fenolftalena como indicador. Os clculos levaram em considerao o peso das

    amostras utilizadas e o volume gasto de NaOH. Foi utilizado o cido ctrico com referncia.

    4.6 Atividade Antioxidante

    Preparou-se um extrato hidroalcolico a partir de 10,00 g de amostra e 40,00 mL de

    solvente (metanol/gua destilada 1:1). Aps 60 min sob repouso temperatura ambiente, o

  • 33

    extrato foi centrifugado por 15 min com posterior recolhimento do sobrenadante. O processo

    foi repetido sobre o resduo da primeira extrao, com 40,00 mL de acetona 70%

    (acetona/gua destilada 7:3) como extrator, conforme Larrauri et al., 1997.

    4.6.1 Atividade Antioxidante por Captura de Radical-livre DPPH

    A atividade antioxidante da FCJ por captura de radical DPPH livre foi determinada

    conforme Rufino et al., (2007 a) em amostras de diferentes diluies (500,0, 1.000 e 1.500

    mg/L) do extrato obtido anteriormente. Em ambiente escuro, alquotas de 0,1000 mL de cada

    diluio foram adicionadas a 3,900 mL do radical DPPH* 0,0600 mmol/L e homogeneizadas

    em vrtex. O declnio da absorbncia a 515 nm correspondeu reduo do radical DPPH.

    Para o clculo do EC50 que reflete o esgotamento de 50% dos radicais-livres, utilizou-se a

    equao y = - ax + b, traada com os valores de absorbncia para cada diluio, sendo y =

    absorbncia inicial do controle/2. As leituras foram realizadas aps a estabilizao da

    absorbncia, verificada no tempo de 60 min. Foi traada tambm a curva analtica a partir da

    soluo inicial de DPPH 0,0600 mmol/L com concentraes variando de 10,00 a 60,00 M.

    4.6.2 Atividade Antioxidante por Captura de Radical livre ABTS+

    Para a avaliao da atividade antioxidante por captura do radical ABTS+

    livre**,

    amostras de 500,0, 1.000 e 1.500 mg/L foram preparadas a partir do extrato inicial. Em

    ambiente escuro, alquotas de 30,00 L foram adicionadas a 3,000 mL do radical ABTS+

    e

    homogeneizadas em vrtex. Aps 6 min da preparao da mistura, realizou-se a leitura em

    espectrofotmetro a 734 nm. O clculo da atividade antioxidante foi realizado, substituindo,

    na equao da reta traada para as absorbncias obtidas, a absorbncia equivalente a 1.000

    M do padro trolox (obtida pela reta da curva analtica com concentraes variando de 100,0

    a 2000 M). O resultado obtido corresponde diluio da amostra (mg/L) equivalente a 1.000

    M de trolox sendo expresso em M trolox/g de FCJ (Rufino et al., 2007 b).

  • 34

    4.6.3 Atividade Antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP)

    Diferentes diluies (500,0, 1.000 e 1.500 mg/L) foram preparadas a partir do extrato

    hidroalcolico obtido anteriormente. Em ambiente escuro, foram adicionados 90,00 L de

    cada diluio a 270,0 L de gua destilada. A soluo foi acrescida de 2,700 mL do reagente

    FRAP***, homogeneizada em vrtex e aquecida em banho-maria a 37 C por 30 min.

    Realizou-se leitura a 595 nm utilizando o reagente FRAP como branco. Solues aquosas de

    Fe2SO4 com concentraes entre 500,0 e 2000 M foram utilizadas para obteno da curva

    analtica de calibrao. A anlise foi realizada conforme Rufino et al. (2006 b) e os resultados

    foram expressos em M Fe2SO4/g de FCJ.

    4.6.4 Atividade Antioxidante por Inibio da Oxidao Lipdica (branqueamento do -

    caroteno)

    A partir do extrato hidroalcolico anteriormente obtido, amostras de trs diluies

    diferentes foram preparadas: Amostra A (500,0 mg/L); B (1.000 mg/L) e C (1.500 mg/L).

    Em 0,4000 mL de cada diluio, foram adicionados 5,000 mL de soluo sistema (-

    caroteno/cido linolico)**** com posterior homogeneizao e aquecimento em banho-maria

    (40 C). Realizou-se leituras espectrofotomtricas (470 nm) aps 2, 60 e 120 min de

    experimento. Os resultados foram expressos em porcentagem de inibio da oxidao. A

    reduo da absorbncia do sistema sem antioxidante (soluo sistema -caroteno/cido

    linolico) foi considerada como 100% de oxidao. Todo o procedimento foi realizado

    conforme Rufino et al. (2006 a).

    *Radical DPPH = Preparado no dia da anlise pela dissoluo de 2,40 mg de DPPH em lcool metlico completando o volume para 100,00

    mL. A soluo foi homogeneizada de transferida para frasco de vidro mbar.

    **Radical = Preparado no dia da anlise a partir da reao de 5,00 mL da soluo estoque de ABTS com 88L de soluo de persulfato de potssio 140 mmol/L. A mistura foi mantida no escuro, temperatura ambiente, por 16 horas. Em seguida, foi diluda em 1,00 mL de lcool

    etlico at obter uma absorbncia de 0,70 nm 0,05 nm a 734 nm.

    ***Reagente FRAP = 25 mL de tampo acetato 0,3 M + 2,5 mL de soluo de TPTZ 10 mM e 2,5 mL de uma soluo aquosa de cloreto frrico 20 mM, devendo ser usado imediatamente aps sua preparao.TPTZ = Preparado por dissoluo e homogeneizao de 3,12 g de

    TPTZ em HCl 40 mM com volume suficiente para completar 1,00 L. A soluo foi transferida para frasco de vidro mbar e mantida sob

    refrigerao. ****Soluo sistema -caroteno/cido linolico = Preparada pela mistura de 40 L de cido linolico com 530,00 L de Tween 40, 50,00 L

    de soluo -caroteno e 1,00 mL de clorofrmio, com homogeneizao e posterior evaporao do clorofrmio com auxilio de oxigenador.

    Em seguida adicionou-se gua tratada com oxignio at a obteno de uma absorbncia entre 0,6 nm e 0,7 nm a 470 nm. Soluo -caroteno = 20,00 mg de caroteno + 1,00 mL de clorofrmio, mantido protegido da luz com papel alumnio e preparado para uso imediato.

  • 35

    4.7 Estudo fitoqumico

    4.7.1 Mtodos cromatogrficos

    4.7.1.1 Cromatografia em camada delgada (CCD)

    Foram empregadas placas de vidro recobertas por Slica gel 60 G Vetec, 0,25 mm de

    espessura, ativada a 100 C.

    4.7.1.2 Cromatografia em coluna (CC)

    Na cromatografia em coluna (CC) foram empregadas colunas de vidro de dimetros e

    tamanhos variados e eludas sob presso atmosfrica. A proporo utilizada entre amostra e

    fase estacionria foi, em geral, de 1:30. Como fase estacionria, utilizou-se de slica gel 60

    Merck (70-230 Mesh). Os extratos foram dissolvidos em quantidades suficientes da fase

    mvel e, ento, depositados na coluna at sua absoro completa no suporte, seguida por

    eluio no solvente apropriado (hexano, clorofrmio, acetato de etila, etanol e metanol

    (Vetec e Synth

    ) e/ou misturas binrias destes. Como reveladores utilizou-se a radiao no

    ultravioleta ( 254 e 365 nm), vapores de iodo e/ou vanilina preparada pela mistura na

    proporo 1:1 de uma soluo de 1,000 g de vanilina solubilizada em 100,0 mL de etanol com

    outra soluo de 3,000 mL de cido perclrico solubilizado em 100,0 mL de gua. As

    cromatoplacas borrifadas com vanilina foram levadas a estufa por 10-15 minutos a 120 C.

    4.7.2 Testes Qumicos

    4.7.2.1 Ponto de fuso

    As temperaturas de fuso foram determinadas em fusimetro no laboratrio Qumica

    Orgnica do Departamento de Qumica da UFMG.

  • 36

    4.7.2.2 Mtodos espectromtricos

    4.7.2.2.1 Infravermelho

    Os espectros na regio do infravermelho foram obtidos com o uso de pastilhas de KBr

    em espectrmetro Perkin-Elmer 283B do Departamento de Qumica ICEx/UFMG.

    4.7.2.2.2 RMN de 1H e de

    13C

    Os espectros de RMN de 1H, RMN de

    13C e subespectros DEPT-135 foram obtidos em

    espectrmetros Bruker modelos DX-200 (200MHz) linha AVANCE do Departamento de

    Qumica ICEx/UFMG. Os deslocamentos qumicos foram registrados em unidade e as

    constantes de acoplamento dadas em Hz, sendo o tetrametilsilano (TMS) empregado como

    padro de referncia interna. Clorofrmio deuterado (CDCl3) e dimetil sulfxido deuterado

    (DMSO-d6) foram utilizados como solventes.

    4.7.3 Preparao do extrato bruto

    Quatro amostras de 200,0 g de FCJ (total 800,0 g) foram colocadas em erlenmeyers de

    1,000 L e adicionadas de etanol 80% at que todo o material fosse submergido. A extrao foi

    realizada a temperatura ambiente (18 a 24 C) por 7 dias. A mistura foi filtrada em algodo e,

    posteriormente, a soluo hidroalcolica da FCJ foi concentrada em evaporador rotativo

    (Rotavapor Fisatom) temperatura de aproximadamente 60 C. Aps a evaporao do

    solvente, obteve-se o extrato hidroalcolico da FCJ (extrato bruto) e o material vegetal foi

    resubmetido adio de etanol 80% e ao processo de extrao por duas outras vezes.

    4.7.4 Fracionamento do extrato bruto da FCJ

    Uma amostra de 106,6 g de extrato bruto da FCJ foi submetido a fracionamento por

    CC de slica gel em hexano, clorofrmio, acetato de etila (AcOEt), etanol (EtOH) e metanol

  • 37

    (MeOH) sendo, a passagem destes solventes efetuada at no mais ser percebida por CCD a

    eluio de substncias. Aps a retirada do solvente em evaporador rotativo, as fraes, foram

    reunidas e denominadas de Extrato hexnico, Extrato em clorofrmio, Extrato em AcOEt,

    Extrato em EtOH e Extrato em MeOH (Figura 8).

    Figura 8. Esquema do sequenciamento metodolgico do fracionamento do extrato bruto da FCJ.

    4.7.5 Fracionamento do extrato em clorofrmio

    O extrato em clorofrmio foi fracionado em CC, sendo utilizados hexano,

    diclorometano (DCM), AcOEt, EtOH, MeOH e/ou misturas destes em polaridades crescentes.

    As amostras obtidas, resultantes da reunio de 390,0 fraes de 250,0 mL eludas das colunas

    e concentradas em evaporador rotativo, foram enumeradas de maneira seqencial (Tabelas 4).

  • 38

    Depois de confirmado mesmo perfil cromatogrfico por CCD, utilizando-se iodo

    como revelador as fraes obtidas foram reunidas em 20 grupos (Tabela 5).

    Tabela 4. Fracionamento do extrato em clorofrmio da FCJ

    Eluente Frao

    n-hexano 1-24

    n-hexano: DCM (9:1) 25-53

    n-hexano: DCM (8:2) 54-94

    n-hexano: DCM (7:3) 95-133

    n-hexano: DCM (1:1) 134-171

    n-hexano: DCM (7:3) 172-202

    DCM 203-225

    DCM: AcOEt (7:3) 226-256

    DCM: AcOEt (1:1) 257-306

    DCM: AcOEt (3:7) 307-327

    AcOEt 328- 354

    AcOEt: MeOH (1:1) 355-377

    MeOH 378-390

    Tabela 5. Reunio das fraes obtidas por CCD do extrato em clorofrmio da FCJ

    Reunio Frao

    RC1 1-27

    RC2 28-35

    RC3 36-43

    RC4 44-51

    RC5 52-57

    RC6 58-98

    RC7 99-136

    RC8 137-152

    RC9 153-173

    RC10 174-205

    RC11 206-229

    RC12 230-237

    RC13 238-248

    RC14 249- 256

    RC15 257-271

    RC16 272-308

    RC17 309-329

    RC18 330-356

    RC19 357-379

    RC20 380-390

    Dentre as reunies obtidas RC4 formou cristais e foi submetida recristalizao em

    metanol a quente e a anlises por Infravermelho, RMN 1H e RMN

    13C aps comprovada

  • 39

    pureza mediante CCD. As demais reunies no foram trabalhadas por se tratarem de misturas

    complexas em pequenas quantidades.

    4.7.6 Fracionamento dos extratos em AcOEt

    O extrato em AcOEt foi fracionado tambm em CC, sendo utilizados DCM, AcOEt,

    MeOH e/ou misturas destes em polaridades crescentes. As amostras obtidas, resultantes da

    reunio de 312,0 fraes de 250,0 mL eludas das colunas e concentradas em evaporador

    rotativo, foram enumeradas de maneira seqencial (Tabelas 6).

    Tabela 6 . Fracionamento do extrato em AcOEt da FCJ

    Eluente Frao

    DCM: AcOEt (7:3) 1-45

    DCM: AcOEt (3:7) 46-156

    AcOEt 157-233

    AcOEt: MeOH (1:1) 234-285

    MeOH 286-312

    Depois de confirmado mesmo perfil cromatogrfico por CCD, utilizando-se iodo

    como revelador as fraes obtidas foram reunidas em 13 grupos (Tabela 7).

    Tabela 7. Reunio das fraes obtidas por CCD do extrato em AcOEt da FCJ

    Reunio Frao

    RA1 1-45

    RA2 46-53

    RA3 54-69

    RA4 70-90

    RA5 91-116

    RA6 117-156

    RA7 157-173

    RA8 174-196

    RA9 197-233

    RA10 234-258

    RA11 259-286

    RA12 287-299

    RA13 300-312

  • 40

    Dentre as reunies obtidas, RA4 e RA5 foram submetidas a anlises por

    Infravermelho, RMN 1H e RMN

    13C por apresentarem cristais e comprovada pureza mediante

    CCD. As demais reunies no foram trabalhadas por se tratarem de misturas complexas em

    pequenas quantidades.

    4.8 Anlises Estatsticas

    Todas as anlises, exceto testes fitoqumicos, foram realizadas em trs repeties e os

    resultados expressos em mdias desvios padres (PIMENTEL-GOMES, 1987). Para

    fenlicos totais foi utilizada a anlise de varincia (ANOVA) para avaliar as diferenas entre

    os diferentes solventes e entre os dois reagentes analisados, sendo o teste de comparao

    mltipla de Tukey adotado como nvel de significncia p < 0,05 em software Statistica

    verso 7.0 (Statsoft Inc., 2004).

  • 41

    5 RESULTADOS E DISCUSSO

    A FCJ obtida apresentou colorao vermelha-arroxeada e granulometria fina (80

    mesh).

    5.1 Caracterizao Qumica

    5.1.1 Composio Centesimal

    O teor de umidade da FCJ (14,45%) (Tabela 8) encontra-se abaixo do valor mximo

    (15,00%) estipulado para umidade em farinhas pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria

    (ANVISA, 2005). Farinhas com umidade acima de 15,00% tendem a formar grumos que as

    impedem de fluir uniformemente e manter a proporo de seus ingredientes em uma mistura,

    alm de apresentarem menor tempo de vida til uma vez que a gua um componente

    essencial para as reaes qumicas e enzimticas bem como para o desenvolvimento de

    microrganismos, como fungos (SILVA, 1991).

    Tabela 8. Composio centesimal (g/100 g) da FCJ

    Composio Teor

    Umidade 14,45 0,63

    Cinzas 4,263 0,10

    Extrato etreo 5,296 0,63

    Protenas 5,236 0,54

    Fibras 15,26 1,52

    Acares totais 55,50 0,74 Acares redutores 11,31 2,74 Acares no redutores 44,19 1,56

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro.

    Os valores obtidos para o extrato etreo (5,296%), protenas (5,236%) e cinzas (4,263

    %) na FCJ (Tabela 8) diferenciam-se dos anteriormente encontrados (0,68, 1,10 e 2,88 g/100

    g, respectivamente) em cascas liofilizadas de jabuticaba na variedade Paulista. Quando

    comparados com os teores de extrato etreo (0,21 e 0,53 g/100 g), protenas (0,44 e 1,12

    g/100 g) e cinzas (2,90 e 2,84 g/100 g) quantificados na polpa e sementes de seus frutos,

  • 42

    respectivamente, foi possivel sugerir maior proporo destes constituintes na frao da casca

    da jabuticaba (BOARI-LIMA et al. 2008). Discrepncias entre os valores apresentados na

    composio qumica para estas anlises podem ser explicadas pelas diferenas de cultivares,

    tratos culturais, clima, solo, maturao, armazenamento e processamento da amostra.

    A porcentagem de fibra da FCJ (15,26%) (Tabela 8, pg. 41) permite a classificao

    deste resduo, conforme a ANVISA (1998), como fornecedor de alto teor de fibras. Por outra

    classificao, estabelecida por Mattos e Martins (2000), esta farinha considerada como fonte

    de muito alto teor em fibras. Segundo esses autores, os alimentos podem ser classificados

    em teor muito alto em fibras (mnimo 7,000 g fibras/100,0 g), alto (4,500 a 6,900 g

    fibras/100,0 g), moderado (2,400 a 4,400 g fibras/100,0 g) e baixo (inferior a 2,400 g

    fibras/100,0 g). A American Dietetic Association (1993) recomenda uma ingesto de 20,00 a

    30,00 g dirias de fibras para adultos quando em uma dieta rica em carboidratos e pobre em

    gorduras. Nessas condies, 100,0 g de FCJ atende em torno de 76,30% dessas

    recomendaes. Estudos relacionam as fibras preveno de doenas como diverticulite,

    cncer de clon, obesidade, problemas cardiovasculares, diabetes e reduo dos nveis sricos

    de lipdeos (SALGADO et al., 2008).

    O elevado teor de acares totais (55,50 %) (Tabela 8, pg. 41) encontrado na casca de

    jabuticaba deve-se provavelmente ao acar da polpa que permaneceu aderido frao casca.

    O teor de acares redutores apresentado pela FCJ (11,31 %) baixo quando comparado com

    a porcentagem de acares totais. Diante disso, foi possvel prever um sabor menos adocicado

    para a casca de jabuticaba uma vez que os acares redutotes so os principais responsveis

    pela doura dos alimentos, devido provavelmente, concentrao de frutose presente, uma

    vez que este acar cerca de 170,0 vezes mais doce do que a sacarose (TREPTOW et al.,

    1998).

    5.1.2 Fenlicos Totais

    As maiores quantidades de fenlicos totais extradas pelo metanol 80%, etanol 80%,

    etanol 60% e acetona 80% pelo reagente Folin Denis no diferiram (p>0,05) entre si (Tabela

    9, pg. 43).

    O maior teor de fenlicos totais pelo reagente Folin Ciocalteu foi obtido com o etanol

    80% como solvente extrator (Tabela 9, pg. 43) embora no diferente significativamente

    (p>0,05) dos demais solventes.

  • 43

    A acetona pura promoveu menor extrao de compostos fenlicos por ambos os

    reagentes (Tabelas 9).

    O reagente Folin Denis mostrou-se mais efetivo que o reagente Folin Ciocalteu para a

    quantificao de fenlicos totais da FCJ (Tabela 10). exceo de metanol puro, acetona

    pura e acetona 80%, todos os demais solventes utilizados promoveram extraes em

    quantidades diferentes (p0,05) entre os dois reagentes utilizados.

    Tabela 9. Fenlicos totais (mg de cido glico, GAE/100 g) extrados por diferentes solventes pelos reagentes

    Folin Denis e Folin Ciocalteu

    Solvente Folin Denis Folin Ciocalteu

    gua 1080,7bc

    2,34 274,39a 14,35

    Metanol 401,89cd

    1,17 311,10a 30,87

    Metanol 80% 1895,4a 5,27 414,27

    a 38,69

    Metanol 60% 1082,6bc

    2,93 251,55a 7,39

    Etanol 922,65bcd

    1,76 242,06a 7,39

    Etanol 80% 1405,8ab

    6,44 443,20a 8,26

    Etanol 60% 1292,7ab

    9,95 348,50a 19,56

    Acetona 156,35d 2,93 135,12

    a 2,61

    Acetona 80% 880,22bcd

    14,64 403,16a 4,78

    Acetona 60% 1198,9abc

    2,93 305,05a 3,91

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro. Mdias seguidas de letras diferentes em

    mesma coluna diferem entre si (p 0,05) pelo teste Tukey.

    Tabela 10. Comparao entre teores de fenlicos totais (mg GAE /100 g) extrados por diferentes solventes e

    reagentes (Folin Ciocauteau e Folin Denis)

    Solvente Folin Ciocalteu Folin Denis

    gua 274,39b

    14,35 1080,7a 2,34

    Metanol 311,10a 30,87 401,89

    a 1,17

    Metanol 80% 414,27b

    38,69 1895,4a 5,27

    Metanol 60% 251,55b

    7,39 1082,6a 2,93

    Etanol 242,06b

    7,39 922,65a 1,76

    Etanol 80% 443,20b

    8,26 1405,8a 6,44

    Etanol 60% 348,50b 19,56 1292,7

    a 9,95

    Acetona 135,12a 2,61 156,35

    a 2,93

    Acetona 80% 403,16a 4,78 880,22

    a 14,64

    Acetona 60% 305,05b 3,91 1198,9

    a 2,93

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro. Mdias seguidas de letras diferentes em

    mesma linha diferem entre si (p 0,05) pelo teste Tukey.

    A maior extrao de compostos fenlicos da FCJ em metanol 80%, etanol 80%, etanol

    60% e acetona 80%, pelo reagente Folin Denis sugere a maior solubilidade destes compostos

    nas polaridades estabelecidas nestas solues alm da maior efetividade do reagente Folin

    Denis na quantificao destes compostos da FCJ. Este resultado uma caracterstica peculiar

  • 44

    dos fitoqumicos da casca de jabuticaba e indica a existncia de polifenis com polaridades

    diversificadas na FCJ. recomendado o uso de combinaes destes solventes de modo a

    permitir maior eficincia na quantificao destes contituintes.

    O teor de fenlicos totais da FCJ extrados pelo etanol e reagente Folin Ciocalteu foi

    89,91% menor quando comparado com o obtido por Santos et al. (2010) que quantificaram

    2400 mg GAE/100 g de extrato seco obtido por incubao e agitao de casca de jabuticaba

    em mesmo solvente e reagente. Todavia essa diferena menor e equivalente a 61,58%

    quando comparado com o reagente Folin Denis e mesmo solvente e, equivalente 21,02%

    quando comparada com o reagente Folin Denis e metanol 80%. Essa diferena se deve,

    possivelmente, diluio dos compostos fenlicos da FCJ, uma vez que o solvente no foi

    evaporado aps a extrao destes para a obteno de um extrato seco, como no estudo citado,

    o que sugere valores de fenlicos subestimados para a FCJ.

    O teor de fenlicos totais quantificado na FCJ em metanol 80% e pelo reagente Folin

    Ciocalteu (414,3 mg GAE/100 g) se assemelha ao obtido (440,0 mg GAE/100 g) para o

    extrato em metanol 50% de casca e polpa liofilizadas de jabuticaba (RUFINO et al., 2010).

    Embora a FCJ no tenha sido avaliada para o teor de fenlicos totais em metanol 50%, esses

    resultados indicam a presena de maior quantidade de fenlicos totais na casca de jabuticaba

    quando comparada com sua polpa. Alm disso, esses resultados permitem sugerir que a

    secagem utilizada para a obteno da FCJ (40 5 oC/7 dias) no promoveu mudanas

    bioqumicas dos compostos fenlicos.

    Os fenlicos totais da farinha da casca de jabuticaba em metanol 80% e reagente Folin

    Ciocalteu, se assemelham ao teor obtido (452,6 mg GAE/100 g) para a farinha do arilo da

    Copaifera langsdorffii (copaba) em mesmas condies de anlise (ESTEVES et al., 2011).

    Porm, nossos resultados para o teor de fenlicos na FCJ em metanol 80% e reagente Folin

    Denis permitem indicar a FCJ como fornecedora de maiores quantidades destes compostos

    quando comparada com a farinha do arilo de Copaifera langsdorffii e de outros resduos

    vegetais, como a casca do fruto de Swartzia langsdorfii (318,0 mg GAE/100) e a semente do

    fruto de Eugenia dysenterica (1190 mg GAE/100 g), ambos em extrato etanlico (ROESLER

    et al., 2007).

    5.1.3 Flavonides e Antocianinas

  • 45

    Na literatura no foram encontrados dados referentes ao teor de flavonides em cascas

    e/ou polpa e/ou fruto inteiro de Myrciaria cauliflora embora tenham sido identificados, em

    extrato metanlico de polpa e casca, os flavonides: quercetina, isoquercitrina,

    quercimeritrina, quercitrina e miricetina (REYNERTSON et al., 2006).

    Estudos realizados com os frutos de Myrciaria jaboticaba quantificaram 1,300 x 10-3

    g

    de quercetina/100 g de polpa (HOFFMANN-RIBANI et al., 2009). Embora de espcies

    diferentes, o resultado obtido (8,960 g de catequina/100 g) (Tabela 11) permitiu sugerir que a

    casca de jabuticaba contm maior teor de flavonides que sua polpa.

    O teor de antocianinas (0,6823 g de cianidina-3-glicosdeo/100g) (Tabela 11) condiz

    com o quantificado anteriormente (0,6 g de cianidina-3-glicosdeo/100 g) em cascas de

    jabuticaba extradas por incubao e agitao (SANTOS et al., 2010). Porm, quando

    comparado com o teor apresentado pelo extrato de polpa e casca (0,28 g cianidina-3-

    glicosdeo/100 g) (REYNERTSON et al., 2008) possvel perceber maior porcentagem deste

    pigmento nas cascas deste fruto.

    A maior proporo de flavonides e antocianinas na casca de jabuticaba justificada

    pela maior exposio desta a fatores ambientais o que ocasiona maiores estmulos produo

    destes metabolitos secundrios relacionados com a proteo contra estresses abiticos, como a

    radiao ultravioleta, alm de seu papel na atrao de organismos dispersores de sementes,

    dentre outros.

    Tabela 11. Flavonides (g de catequina /100g) e antocianinas (g de cianidina-3-glicosdeo/100g) na FCJ

    Flavonides Antocianinas

    8,960 0,17 0,6823 0,18

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro.

    A casca de jabuticaba apresenta teores mais elevados de antocianinas do que fontes

    conhecidas deste pigmento como a casca de Vitis labrusca (uva Isabel com 0,21 g de

    cianidina-3-glicosdeo/100 g) e a casca de Vitis labrusca x Vitis vinifera (uva Nigara rosada

    com 0,05 g de cianidina-3-glicosdeo/100 g) (SOARES et al.,2008). Este achado sugere a

    casca jabuticaba como fonte potencial de pigmentos naturais, sendo necessrios maiores

    estudos sobre a estabilidade destes e potencializao de sua extrao para melhor

    aproveitamento pelas indstrias alimentcias bem como pelas indstrias farmacuticas e

    qumicas.

  • 46

    Os teores de flavonides e antocianinas na FCJ sugerem que este resduo pode

    apresentar atividades biolgicas significativas. Estes compostos possuem propriedades

    antioxidantes que minimizam danos oxidativos causados ao organismo pelas espcies reativas

    de oxignio e nitrognio, prevenindo doenas crnicas no transmissveis, como aterosclerose

    (JACOB e BURRI, 1996), cnceres de clon, esfago, pulmo, fgado, mama e pele

    (ANGELO e JORGE, 2007), doena arterial coronria, acidente vascular cerebral e/ou doena

    vascular perifrica (VACCARI et al., 2009) e inflamaes (PUEL et al. ,2008). Rique et al.

    (2002) afirmam que mesmo que um indivduo no tenha somente acesso a produtos

    orgnicos, este deve ser incentivado a consumir frutas com cascas pelos benefcios dos

    fitoqumicos presentes nessas fraes dos vegetais.

    5.2 Contedo Mineral

    O potssio foi o mineral de maior proporo na FCJ, sendo seguido pelo fsforo. O

    mangans apresentou a menor concentrao dentre os minerais analisados (Tabela 12).

    Tabela 12. Composio em minerais (mg/100g) na FCJ

    Mineral Concentrao

    Clcio 11,33 0,01

    Fsforo 37,71 0,01

    Magnsio 6,550 0,00

    Potssio 106,0 0,03

    Cobre* 1,380 0,03

    Ferro* 3,230 0,01

    Mangans* 0,8700 0,00

    Zinco* 2,590 0,01

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro. * Microminerais.

    A maior proporo do potssio (106,0 mg/100 g) (Tabela 12) na FCJ condiz com a

    afirmao feita por Vanillo et al. (2006). Segundo esses autores, o potssio apresenta grande

    mobilidade nas plantas devido sua pouca afinidade em formar quelatos orgnicos o que

    justifica sua grande proporo nas frutas, principalmente nas cascas. O potssio aumenta o

  • 47

    teor de SS e AT, aumentando tambm o peso mdio e o dimetro do fruto. Este mineral eleva

    o teor de cido ascrbico que reduz as quinonas produzidas pela oxidao enzimtica,

    convertendo-se em cido de hidroascrbico e atuando como inibidor da atividade da enzima

    polifenoloxidase, responsvel pelo escurecimento interno da polpa.

    O teor razovel de fsforo (37,71 mg/100g) (Tabela 12, pg. 46) pode estar

    relacionado presena de fitina, reserva de fsforo para a germinao (LIMA, 2009).

    A quantidade pouco expressiva de magnsio (6,550 mg/100g) (Tabela 12, pg. 46)

    pode estar associada participao deste na colorao verde do fruto. Souza (1992) observou

    o acmulo deste mineral na casca de jabuticaba at prximo ao final do ciclo de maturao,

    podendo estar associado a alteraes na cor das antocianinas.

    Uma amostra de 100,0 g de FCJ fornece 1,133 e 5,771 % das necessidades dirias de

    ingesto (Anexo 1, pg. 119) de Ca e P, respectivamente, para homens e mulheres com idade

    entre 31 e 50 anos. Para essa mesma populao, 4,434 g de FCJ suficiente para fornecer

    100% das necessidades dirias de K (4,7 mg) conforme AI (adequate intake - ingesto mdia

    recomendada), das DRIs (INSTITUTE OF MEDICINE, 1997).

    Embora em menor proporo na FCJ, dentre os minerais avaliados, o Mn (0,8700

    mg/100g) (Tabela 12, pg. 46) fornecido por uma amostra de 100,0 g de FCJ corresponde a

    37,83 e 48,33% das necessidades dirias (Anexo 1, pg. 119) de homens e mulheres,

    respectivamente, com idade entre 31 e 50 anos.

    Uma amostra de 100,0 gramas de FCJ fornece o equivalente a 153,3% das

    necessidades dirias de Cu para homens e mulheres adultos (31 a 50 anos) (INSTITUTE OF

    MEDICINE, 2002). O fornecimento de alta proporo de Cu pela FCJ importante, pois este

    elemento fundamental na constituio de enzimas como a superxido dismutase, que

    protege as membranas celulares contra danos oxidativos alm de ser essencial em funes

    como mobilizao de ferro para sntese de hemoglobina.

    Todavia, a composio mineral em frutos pode ser influenciada por vrios fatores,

    como condies climticas (luz, temperatura, umidade), composio qumica do solo,

    diferenas genticas, prticas agrcolas e grau de maturidade (OLIVARES et al., 2004).

    5.3 Caractersticas Fsico-Qumicas

    A FCJ apresentou teores de slidos solveis (8,744 Brix) (Tabela 13, pg. 48)

    considerados adequados para promover sua maior conservao ps-colheita. Teores de SS

  • 48

    acima de 15 Brix indicariam sua rpida deteriorao e fermentao, com conseqente

    diminuio de sua vida til, uma vez que se relacionam presena de acares e cidos

    orgnicos.

    Tabela 13. Slidos Solveis (Brix), Acidez Total (g de cido ctrico hidratado/100g de FCJ) e pH da FCJ

    FCJ Teor

    SS 8,744 0,23

    AT 0,8661 0,02

    pH 3,190 0,01

    Resultados expressos em mdia de trs repeties desvio padro.

    O pH e a acidez total observados para a FCJ (Tabela 13) permitem classific-la como

    produto cido. Segundo o Instituto Adolfo Lutz (2005), produtos alimentcios cidos so de

    difcil ataque microbiano, sendo suas caractersticas conservadas mais facilmente. Alm disso,

    so importantes sob o ponto de vista do sabor e odor, sendo responsveis pelo sabor agri da

    casca. Esse achado permite sugerir a no necessidade de adio de cidos para ajuste do sabor

    quando da suplementao da FCJ em dietas e/ou produtos alimentcios.

    5. 4 Atividade Antioxidante

    5.4.1 Atividade Antioxidante por captura de radical-livre DPPH

    Foi possvel verificar na FCJ a existncia de compostos que atuam como doadores de

    hidrognio ao radical DPPH. A pequena quantidade de amostra capaz de reduzir 50% deste

    radical (3,184 g de FCJ/g DPPH) (Tabela 14, pg. 49) sugere a FCJ como portadora de alta

    capacidade antioxidante. O resultado encontrado neste ensaio influenciado, principalmente,

    pelo teor de compostos fenlicos, os quais representam a principal contribuio quanto

    capacidade de seqestrar radicais-livres.

    A menor quantidade de extrato de FCJ necessria para promover mesma porcentagem

    de reduo dos radicais-livres DPPH quando comparada com o extrato de polpa e casca deste

    fruto frente a este radical (138,0 g matria seca/g de DPPH) (RUFINO et al., 2010) sugere a

    casca de jabuticaba como de maior atividade antioxidante do que sua poro comestvel. A

  • 49

    FCJ foi cerca de 43,40 % mais eficinte na doao de eltrons aos radicais-livres DPPH do

    que o extrato citado. Este resultado condiz com a maior concentrao de compostos

    antioxidantes na casca deste fruto, como por exemplo, as antocianinas.

    A FCJ quando comparada com frutos com reconhecida atividade antioxidante, como o

    Euterpe oleracea (aa, 598,0 g matria seca/g de DPPH), Anacardium occidentale (caju,

    906,0 g matria seca/g de DPPH) e Spondias tuberosa (umbu, 276,0 g matria seca/g de

    DPPH) (RUFINO et al., 2010) apresenta excelente atividade frente ao radical DPPH o que

    confirma a grande proporo de compostos antioxidantes na casca deste fruto.

    O desempenho antioxidante de frutos e/ou resduos destes dependente de inmeros

    fatores, como origem geogrfica, condies climticas, perodo da colheita, armazenamento,

    temperatura de secagem, solvente extrator, teor de fenlicos, vitaminas, carotenides etc

    (MOURE et al., 2001).

    Tabela 14. Atividade antioxidante da FCJ por captao de radicais- livres DPPH (g de FCJ/g de DPPH),

    captao de radicais-livres ABTS.+

    (mol Trolox/g de FCJ) e reduo do Fe, FRAP, (mm de Fe2SO4/100 g de

    FCJ)

    Ensaio Resultado

    DPPH* 3,184 0,01 (77,50** 0,01)

    ABTS.+

    1017,8 0,04

    FRAP 167,68 0,02 Resultados expressos em mdias de 3 repeties desvio padro. * EC50 (amostra de FCJ necessria para

    reduzir em 50% a concentrao inicial do radical DPPH). ** 77,5 g de FCJ/mL soluo DPPH 0,06 mM.

    5.4.2 Atividade Antioxidante por captura de radical-livre ABTS+

    O mtodo ABTS foi usado para confirmar os resultados do teste de DPPH uma vez

    que se baseia em um mecanismo antioxidante semelhante. De maneira diferente

    apresentao do resultado para o DPPH, o maior valor em M trolox/g referente a uma

    maior concentrao de substncias com potencial antioxidante equivalente ao padro Trolox

    em um grama de amostra.

    A atividade antioxidante da FCJ frente ao radical ABTS+

    (1017,8 mol Trolox/g de

    FCJ) (Tabela 14) cerca de 12 vezes superior atividade antioxidante observada para a polpa

    (80 M trolox/g) de jabuticaba (Lima, 2009). Este resultado pode ser justificado pelo maior

    acmulo de metablitos secundrios, como os flavonides e as antocianinas, nos tecidos mais

    externos das plantas devido ao seu potencial papel na proteo contra as radiaes

  • 50

    ultravioleta, atuando como atrativos na disperso de frutos e como produtos qumicos de

    defesa contra patgenos e predadores.

    A FCJ apresenta alta capacidade de captura de radical ABTS+

    quando comparada

    com cascas de frutos como, por exemplo, Hymenaea courbaril (jatob), Callocarpum

    mamosum (coastal sapote) e Theobroma grandiflorum (cupuau) com respectivamente 428,0

    377,0 e 65,30 M trolox/g (CONTRERAS-CALDERN et al., 2010).

    5.4.3 Atividade antioxidante por reduo do Fe+3

    (FRAP)

    O extrato da FCJ mostrou-se efetivo tambm na promoo da atividade antioxidante

    pela reduo dos ons Fe+3

    (167,68 mm de Fe2SO4/100 g de FCJ) (Tabela 14, pg. 49).

    Quando comparado com o extrato liofilizado de casca e polpa da jabuticaba (63,50 mM

    Fe2SO4/100g) (RUFINO et al., 2010) foi possvel observar uma maior concentrao de

    substncias responsveis pela reduo de metais na casca deste fruto. A atividade antioxidante

    apresentada pelo extrato da casca de jabuticaba pelo mtodo FRAP foi 62,13% superior

    apresentada pelo extrato de casca e polpa, o que indica a diluio dos fitoqumicos,

    responsveis por essa atividade, no segundo extrato.

    A atividade antioxidante da FCJ pela reduo dos ons Fe+3

    foi elevada e superior

    apresentada por cascas de frutos conhecidos popularmente como: rom (82,11 mm

    Fe2SO4/100 g), goiaba (10,24 mm Fe2SO4/100 g), Kiwi (11,13 mm Fe2SO4/100 g), manga

    (10,13 mm Fe2SO4/100 g), banana (3,160 mm Fe2SO4/100 g) etc (GUO et al., 2003).

    5.4.4 Atividade Antioxidante por inibio da oxidao lipdica (branqueamento do -

    caroteno)

    A capacidade da FCJ em inibir o branqueamento do -caroteno permite consider-la,

    nas trs concentraes analisadas (Tabela 15, pg. 51), como de elevada atividade

    antioxidante (acima de 70%) conforme classificao de Hassimotto et al. (2005). Este

    resultado soma-se ao j discutido e permite atribuir tambm casca de jabuticaba a atividade

    antioxidante por inibio da oxidao lipdica.

  • 51

    Tabela 15. Atividade antioxidante por inibio da oxidao lipdica (sistema -caroteno/cido linolico) em trs

    diferentes concentraes de FCJ

    Concentrao % de inibio

    500 mg/L 72,12 0,06

    1000 mg/L 75,96 0,11

    1500 mg/L 82,69 0,32 Resultados expressos em mdias de 3 repeties desvio padro.

    A atividade antioxidante da FCJ pelo mtodo -caroteno/cido linolico condiz com a

    anteriormente quantificada para a casca de jabuticaba nas concentraes de 500,00 e 1000,00

    mg/L (71,33 e 75,02 % de inibio do branqueamento do -caroteno) (LIMA, 2009).

    A menor concentrao avaliada do extrato da FCJ (500 mg/L) apresenta maior

    porcentagem de inibio da oxidao lipdica do que as apresentadas pelas concentraes

    4000, 2000 e 1330 mg/L da polpa deste fruto com, respectivamente, 57,05, 48,44 e 44,11 %

    de inibio (LIMA, 2009). Esse achado refora nossa afirmao de que a casca da jabuticaba

    apresenta maior quantidade de substncias com atividade antioxidante quando comparada

    com sua polpa e, condiz com os dados obtidos para os compostos fenlicos, flavonides e

    antocianinas em nosso estudo.

    Segundo Koleva et al. (2002), a oxidao lipdica um complexo processo em cadeia

    no qual esto envolvidos vrios tipos de radicais livres de diferentes reatividades e o exato

    mecanismo do antioxidante no sistema -caroteno/cido linolico difcil de ser explicado,

    especialmente ao se testar matrizes complexas, como o caso de extratos de resduos

    vegetais.

    5.5 Anlise estrutural

    5.5.1 Amostra RC4

    A amostra RC4 (0,06530 g) apresentou-se como um slido cristalino branco (ponto de

    fuso 134,5-136,6 C). O espectro de absoro na regio IV (Figura 10, pg. 53) evidencia sua

    natureza aliftica pela presena de absores intensas em 2935 e 2864 cm-1

    (atribudas

    deformao axial C-H) e ausncia de absores nas regies caractersticas de aromticos. A

    banda larga centrada em 3429 cm-1

    atribuda deformao axial de OH livre, sendo a

  • 52

    presena de hidroxila confirmada pela absoro em 1381 cm-1

    , atribuda deformao angular

    de OH no plano. A banda em 1465 cm-1

    atribuda deformao angular simtrica no plano

    de ligao CH (CH2). As absores em 1054 e 1021 cm-1

    so atribudas ao estiramento de C-

    O de alcois (SILVERSTEIN et al., 2007).

    O espectro de RMN de 1H (Figura 11, pg. 53) apresenta sinais mltiplos na regio

    entre H 0,7 e 2,3, sendo atribudos a tomos de hidrognio metnico, metilnico e metlico. O

    sinal em H 3,5 atribudo a hidrognio carbinlico e o sinal em H 5,3 atribudo a hidrognio

    olefnico (SILVERSTEIN et al., 2007).

    O espectro de RMN de 13

    C e o subespectro DEPT (Figuras 12 e 13, pg. 54) revelam a

    presena de 29 sinais de carbono. Os sinais em c 121,9 (CH) e 140,7 (C) so atribudos aos

    carbonos olefnicos e o sinal em c 72,03 (CH) ao carbono carbinlico. A confirmao

    estrutural e a atribuio dos demais sinais de carbono foram possveis por comparao dos

    deslocamentos qumicos de RMN de 13

    C, auxiliada pela anlise do subespectro DEPT, em

    comparao com dados da literatura (Tabela 16, pg. 55). Esses dados e a comparao com a

    literatura (VALADARES, 2009) sugerem que a amostra RC4 se trata do sitosterol.

    OH

    1

    2

    3

    4

    5 7

    8

    6

    10

    9

    11

    12

    13

    14

    17

    16

    15

    18

    19

    2120

    22

    23

    24

    28

    29

    26

    27

    25

    Figura 9. Estrutura do sitosterol.

  • 53

    Figura 10. Espectro de absoro na regio do IV de RC4. (KBr).

    Figura 11. Espectro de RMN de 1H de RC4 (CDCL3; 200 MHz)

    4200,0 3000 2000 1500 1000 500 370,0

    0,0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90

    100

    110

    122,7

    cm-1

    %T

    34 29,7

    29 60,1

    29 35,6

    28 64,8

    28 50,7

    23 59,7

    23 41,5

    17 12,4

    16 40,5

    14 65,2

    13 81,6

    13 31,9

    12 39,8

    11 92,0

    10 63,5

    10 21,9

    95 7,8

    83 8,1

    80 0,8 66 8,1

    10 54,3

    7.0 6.5 6.0 5.5 5.0 4.5 4.0 3.5 3.0 2.5 2.0 1.5 1.0 0.5 0.0 ppm

    0.6

    10

    .73

    0.7

    50

    .76

    0.7

    80

    .78

    0.8

    10

    .84

    0.8

    70

    .90

    0.9

    41

    .01

    1.0

    71

    .10

    1.1

    21

    .14

    1.1

    61

    .18

    1.2

    31

    .26

    1.3

    41

    .36

    1.4

    01

    .45

    1.4

    71

    .52

    1.5

    81

    .61

    1.6

    41

    .69

    1.7

    31

    .75

    1.8

    01

    .87

    1.9

    01

    .91

    1.9

    61

    .97

    2.1

    62

    .20

    2.2

    22

    .26

    3.4

    03

    .43

    3.4

    53

    .48

    3.5

    15

    .27

    5.2

    97

    .19

    8.7

    8

    57

    .71

    37

    .60

    22

    .95

    21

    .03

    6.6

    7

    2.9

    4

    2.8

    9

    1.0

    0

  • 54

    Figura 12. Espectro de RMN de 13

    C de RC4 (CDCl3; 50MHz).

    Figura 13. Subespectro DEPT 135 de RC4 (CDCl3; 50MHz).

    140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 ppm

    12

    .08

    12

    .20

    19

    .00

    19

    .26

    19

    .62

    20

    .05

    21

    .31

    23

    .29

    24

    .52

    26

    .29

    28

    .47

    29

    .37

    31

    .87

    32

    .13

    34

    .17

    36

    .37

    36

    .73

    37

    .48

    39

    .99

    42

    .54

    46

    .05

    50

    .35

    52

    .98

    56

    .28

    56

    .99

    72

    .03

    12

    1.9

    4

    14

    0.9

    7

    130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 ppm

    12

    .09

    12

    .21

    19

    .01

    19

    .26

    19

    .63

    20

    .05

    21

    .31

    23

    .30

    24

    .53

    26

    .30

    28

    .48

    29

    .38

    31

    .88

    32

    .15

    34

    .17

    36

    .38

    37

    .48

    40

    .00

    42

    .52

    46

    .06

    50

    .36

    56

    .28

    57

    .00

    72

    .04

    12

    1.9

    5

  • 55

    Tabela 16. Atribuio dos sinais do espectro de RMN de 13

    C de RC4 (50 MHz, CDCl3) e comparao com

    dados da literatura para o sitosterol (VALADARES, 2009)

    Carbono Sitosterol

    (,ppm)*

    Amostra RC4

    (, ppm)

    Tipo

    1 37,4 37,4 CH2

    2 31,8 31,8 CH2

    3 72,0 72,0 CH

    4 42,5 42,5 CH2

    5 140,9 140,9 C

    6 121,9 121,9 CH

    7 32,1 32,1 CH2

    8 31,8 31,8 CH

    9 50,3 50,3 CH

    1 36,7 36,7 C

    11 21,3 21,3 CH2

    12 40,0 39,9 CH2

    13 42,5 42,5 C

    14 56,9 56,9 CH

    15 24,5 24,5 CH2

    16 28,4 28,4 CH2

    17 56,2 56,2 CH

    18 12,0 12,0 CH3

    19 19,5 19,6 CH3

    20 36,3 36,3 CH

    21 18,9 19,0 CH3

    22 34,1 34,1 CH2

    23 26,3 26,2 CH2

    24 46,0 46,0 CH

    25 29,3 29,3 CH

    26 20,0 20,0 CH3

    27 19,2 19,2 CH3

    28 23,2 23,9 CH2

    29 12,1 12,2 CH3

    O sitosterol o principal fitoesterol encontrado nos alimentos, sendo sua estrutura

    parecida com a estrutura do colesterol. Vrias propriedades fisiolgicas so descritas para

    fitosteris, dentre elas, o efeito hipocolesterolmico que se observa em indivduos com

    moderada hipercolesterolemia (DUESTER, 2001).

    A atuao dos fitosteris envolve a inibio da absoro intestinal do colesterol e a

    diminuio da sntese heptica deste. Acredita-se que competem com o colesterol no

    momento da absoro intestinal, reduzindo sua concentrao plasmtica (MOGHANDASIAN

    e FROHLICH, 1999).

    Estudos mostram que o consumo de dietas ricas em gorduras monoinsaturadas, em

    substituio a gorduras saturadas, exerce efeitos fisiolgicos, pois reduzem os nveis de

  • 56

    colesterol total, triglicerdios e LDL sem, no entanto, alterar a frao HDL do plasma

    (REBOLLO et al., 1998).

    Tendo em vista as atividades farmacolgicas do sitosterol, sua presena na FCJ pode

    ser tambm uma das justificativas para a sua atividade biolgica de diminuio do colesterol

    total e HDL descrita posteriormente (pg. 103).

    5.5.2 Amostra RA4

    A amostra RA4 (0,0487 g) apresentou-se como um slido cristalino branco (ponto de

    fuso 148,8 - 151,3 C). O espectro de absoro na regio IV (Figura 15, pg. 57) mostra a

    existncia de hidroxila na molcula em virtude de banda de absoro larga e intesa em 3420

    cm-1

    , correspondendo deformao axial de O-H em ligao de hidrognio. A presena de

    hidroxila confirmada pela absoro em 1397 cm-1

    , atribuda deformao angular do OH no

    plano. A banda em 793 cm-1

    referente deformao angular de O-H fora do plano. A

    absoro em 2963 cm-1

    atribuda deformao axial de C-H metileno. A presena de

    carbonila verificada pela banda de absoro intensa em 1728 cm-1

    , referente deformao

    axial de C=O. A banda de absoro centrada em 1218 cm-1

    atribuda deformao axial de

    C-O (SILVERSTEIN et al., 2007).

    O espectro de RMN de 1H (Figura 16, pg. 58) apresenta sinal singleto em H 2,6 e 2,7

    referentes a tomos de hidrognios Ha e Hb, respectivamente (SPECTRAL DATABASE FOR

    ORGANIC COMPOUNDS-SDBS).

    O espectro de RMN de 13

    C e o subespectro DEPT (Figuras 17 e 18, pgs. 58 e 59)

    permitem sugerir a existncia de tomos de carbono em ambientes qumicos semelhantes. O

    sinal em c 44,5 referente ao nico CH2 existente na molcula. Todos os demais tomos de

    carbono quantificados no se encontram hidrogenados. A confirmao estrutural e a

    atribuio dos demais sinais de carbono foram possveis por comparao dos deslocamentos

    qumicos de RMN de 13

    C em comparao com dados da literatura (Tabela 17, pg. 58). Esses

    dados e a comparao com a literatura (SAGNE et al. 1998) sugerem que a amostra RA4

    referente ao cido ctrico.

  • 57

    OH COOHCOOH

    HOOC

    HaHb

    HaHb

    1

    34

    4

    2

    2

    Figura 14. Estrutura do cido ctrico (cido 3-hidroxi-1,2,3-propanotricarboxlico).

    Figura 15. Espectro de absoro na regio do IV de RA4 (KBr).

    4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 370,0

    -5,2

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    45

    50

    55

    59,8

    cm-1

    %T

    3420,0

    1994,6

    1728,3

    1629,1

    1397,7

    1218,4

    897,8

    793,3

    595,4

    2606,2

    2963,1

    1136,8

    1077,4

    1054,8

  • 58

    Figura 16. Espectro de RMN de 1H de RA4 (DMSO-d6; 50 MHz).

    Figura 17. Espectro de RMN de 13

    C de RA4 (DMSO-d6; 50 MHz).

  • 59

    Figura 18. Subespectro DEPT de RA4 (DMSO -d6; 50 MHz).

    Tabela 17. Comparao dos sinais do espectro de RMN de 13

    C obtido para RA4 (50 MHz, DMSO-d6) com

    dados da literatura para o cido ctrico (SAGNE et al. 1998)

    Carbono cido ctrico

    (, ppm)*

    Amostra RA4

    (, ppm)

    Tipo

    1 177,7 174,7 C

    2 174,4 171,5 C

    3 74,3 72,6 C

    4 44,3 42,9 CH2

    *Deslocamento em D2O (xido de Deutrio).

    Lima (2009) verificou maior concentrao de cido ctrico na casca de jabuticaba,

    gentipo Paulista, quando comparada com a polpa e as sementes e avaliada quanto ao teor de

    cidos orgnicos por cromatografia lquida de alta eficincia (CLAE). Segundo esses autores,

    o teor de cido ctrico superior ao de cido succnico, mlico, oxlico e actico, encontrados

    tambm na casca deste fruto.

    O cido ctrico, isolado a partir do suco do limo por Carl Wilhelm Scheele em 1784,

    o responsvel pela acidez de frutas ctricas. Embora presente na maioria dos frutos, a oferta

    natural de cido ctrico bastante limitada, sendo sua demanda satisfeita por processos de

    220 210 200 190 180 170 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 ppm

    42

    .91

    17

    1.4

    9

  • 60

    fermentao biotecnolgica empregando o fungo Aspergillus niger. Na indstria de alimentos,

    o cido ctrico utilizado para estimular o flavor natural de frutas, prevenir a cristalizao da

    sacarose em balas, agir como estabilizante em sucos, como emulsificante em sorvetes, queijo

    e iogurte (BARI et al., 2010) O cido ctrico evita o escurecimento de alguns vinhos brancos

    alm de agir como acidulante e antioxidante na fabricao de refrigerantes, sobremesas,

    conservas de frutas, gelias, doces e vinhos. Tambm, utilizado na composio de sabores

    artificiais de refrescos em p e na preparao de alimentos gelatinosos. Evita a turbidez,

    prolonga a estabilidade da vitamina C e tampona o meio. Na indstria farmacutica

    empregado no preparo de sais efervescentes, como antioxidante, tampo, acidificador,

    utilizado em xampus e loes. Tambm, pode ser adicionado em produtos de limpeza como

    detergentes biodegradveis, limpadores e polidores de ao inoxidvel e outros metais. Os sais

    de citrato, como o citrato trissdico e o citrato tripotssico so usados na medicina para evitar

    a coagulao do sangue (SOCCOL et al., 2006).

    O cido ctrico pode estar relacionado atividade antioxidante verificada na FCJ.

    Segundo Arajo (2004), o cido ctrico, cido etilenodiaminotetractico (EDTA) e derivados

    do cido fosfrico tm atividade antioxidante, uma vez que imobilizam ons metlicos,

    aumentando significativamente a energia de ativao de reaes de oxidao.

    5.5.3 Amostra RA5

    A amostra RA5 (0,0353 g) apresentou-se como um slido cristalino branco (ponto de

    fuso 280,4 - 284,2 C). O espectro de absoro na regio IV (Figura 20, pg. 62) evidencia a

    natureza aliftica da amostra RA5, pela ausncia de absores nas regies caractersticas de

    aromticos e presena de bandas de absoro em 2959 e 2868 cm-1

    , atribudas a deformao

    axial de C-H de grupos alifticos. A banda larga centrada em 3378 cm-1

    atribuda ao

    estiramento de OH, apresentando ligao de hidrognio. As bandas entre 1106 e 1022 cm-1

    so atribudas aos estiramentos CO. As bandas registradas em 1464 e 1366 cm-1

    esto

    relacionadas com estiramentos CC e deformaes angulares de CH de grupos alquilas

    (SILVERSTEIN et al., 2007).

    O espectro de RMN de 1H (Figura 21, pg. 62) apresenta sinais mltiplos na regio

    entre H 0,6 e 1,1, sendo estes atribudos a metilas (H-18, H-19, H-21, H-26, H-27 e H-29). Os

    sinais entre 2,9 e 3,7 correspondem aos tomos do anel D - glicopiranosdeo + hidrognios

    ligados a carbonos hidroxilados. Os sinais entre H 4,8 e 4,2 podem ser atribudos aos

  • 61

    hidrognios hidroxlicos. O sinal em H 5,30, correspondente ao H-5, um hidrognio do

    esqueleto do sitosterol (SILVERSTEIN et al., 2007).

    Os sinais em C 140,3 e 121,1, no espectro de RMN de 13

    C, so caractersticos dos

    tomos de carbono C-5 e C-6, respectivamente do sitosterol (Figura 22, pg.63). A

    confirmao estrutural e a atribuio dos demais sinais de carbono foram possveis por

    comparao dos deslocamentos qumicos de RMN de 13

    C, bem como pela anlise do

    subespectro DEPT (Figura 23, pg. 63), em comparao com dados da literatura (Tabela 18,

    pg. 64). Esses dados e a comparao com a literatura (PACHECO, 2009) sugerem que a

    amostra RA5 se trata do sitosterol-D-glicopiranosdeo.

    O

    1

    2

    3

    4

    5 7

    8

    6

    10

    9

    11

    12

    13

    14

    17

    16

    15

    18

    19

    2120

    22

    23

    24

    28

    29

    26

    27

    25

    O

    OH

    OH

    OH

    OH

    1'2'

    3'

    4'5'

    Figura 19. Estrutura do sitosterol- D-glicopiranosdeo

  • 62

    Figura 20. Espectro de absoro na regio do IV de RA5 (KBr).

    Figura 21. Espectro de RMN de

    1H RA5 (DMSO-d6; 50 MHz).

    4000,0 3600 3200 2800 2400 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400,0

    0,0

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90

    100

    110

    120

    130

    140

    150

    160

    170

    180

    190

    203,0

    cm-1

    %T

    3378,2

    2959,5

    2932,8

    2868,3

    1734,0

    1464,1

    1378,6

    1366,7

    1256,1

    1166,4

    1106,4

    1073,7

    1022,2

    959,7

    885,4

    799,9

    621,0

    1440,5

  • 63

    Figura 22. Espectro de RMN de

    13C de RA5 (DMSO-d6; 50 MHz).

    Figura 23. Subespectro DEPT de RA5 (DMSO -d6; 50 MHz).

    140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 ppm

    0.0

    0

    11

    .69

    18

    .83

    19

    .01

    19

    .62

    20

    .50

    22

    .49

    23

    .76

    28

    .59

    29

    .17

    31

    .32

    35

    .38

    36

    .11

    36

    .72

    38

    .16

    38

    .57

    38

    .99

    39

    .41

    39

    .82

    40

    .24

    40

    .66

    41

    .75

    45

    .03

    55

    .32

    56

    .07

    60

    .99

    70

    .34

    73

    .35

    76

    .64

    10

    0.6

    7

    12

    1.1

    1

    14

    0.3

    4

    125 120 115 110 105 100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 ppm

    0.0

    0

    11

    .58

    11

    .69

    18

    .52

    18

    .83

    19

    .01

    19

    .62

    20

    .50

    22

    .50

    23

    .76

    25

    .30

    27

    .72

    28

    .60

    29

    .17

    31

    .26

    33

    .23

    35

    .39

    36

    .72

    38

    .21

    39

    .11

    41

    .75

    45

    .03

    49

    .48

    55

    .32

    56

    .07

    60

    .99

    70

    .05

    73

    .37

    76

    .66

    10

    0.6

    7

    12

    1.1

    3

  • 64

    Tabela 18. Comparao dos sinais do espectro de RMN de 13

    C obtido para RA5 (50MHz, DMSO-d6) com

    dados da literatura para o sitosterol- D-glicopiranosdeo (PACHECO et al., 2010)

    Carbono sitosterol- D-

    glicopiranosdeo

    (,ppm)

    Amostra RA5

    (, ppm)

    Tipo

    1 36,8 36,7 CH2

    2 31,3 31,3 CH2

    3 76,5 76,6 CH

    4 41,8 41,7 CH2

    5 140,5 140,3 C

    6 121,2 121,1 CH

    7 31,3 31,3 CH2

    8 31,4 31,3 CH

    9 49,6 49,5 CH

    10 36,2 36,1 C

    11 20,6 20,5 CH2

    12 39,2 39,4 CH2

    13 41,8 41,7 C

    14 56,3 56,1 CH

    15 24,9 25,3 CH2

    16 27,8 27,6 CH2

    17 55,3 55,3 CH

    18 11,7 11,7 CH3

    19 19,1 19,0 CH3

    20 35,5 35,4 CH

    21 18,6 18,8 CH3

    22 33,4 33,3 CH2

    23 25,5 25,3 CH2

    24 45,2 45,0 CH

    25 28,7 28,6 CH

    26 19,8 19,6 CH3

    27 18,6 18,8 CH3

    28 22,6 22,5 CH2

    29 11,9 11,7 CH3

    1 100,8 100,7 CH

    2 76,8 76,6 CH

    3 76,9 76,6 CH

    4 70,1 70,3 CH

    5 73,5 73,3 CH

    6 61,1 61,0 CH2

    Recentemente, fitosteris tm sido adicionados a alimentos comercialmente

    disponveis como alimentos funcionais e com a capacidade de reduzir os nveis de colesterol

    total e LDL (citado anteriormente, pg. 55). Foi provado que seu consumo como parte de uma

    dieta saudvel implica em diminuio no risco de doenas do corao em 25% (WEBER et al.

    2002, NTANIOS, 2001).

  • 65

    Quanto atividade antioxidante, estudos devem ser feitos a fim de averiguar os efeitos

    do acrscimo do anel glicosdico sobre a molcula do sitosterol. Segundo Seeram et al.

    (2002), o acrscimo de grupos glicosdeos em flavonides e antocianinas interfere na

    planaridade destes, diminuindo a possibilidade de transferncia de eltrons para os radicais

    livres.

  • 66

    6 CONCLUSES

    A farinha da casca de jabuticaba rica em fibras, sendo classificada como fonte de

    alto teor destas.

    Os teores de extrato etereo, fibras, protenas, cinzas e compostos fenlicos na FCJ so

    superiores aos descritos na literatura para a polpa deste fruto.

    A quantificao de fenlicos totais na FCJ foi maior quando extrados em metanol

    80%, etanol 80%, etanol 60% e acetona 60% bem como quando se utilizando do reagente

    Folin Denis.

    A FCJ fornece porcentagens significativas das necessidades humanas dirias de

    minerais como cobre, mangans e potssio.

    A FCJ mostrou atividades antioxidantes superiores s apresentadas na literatura para a

    polpa deste fruto.

    Os expressivos teores de fenlicos totais, flavonides e antocianinas na FCJ, alm do

    cido ctrico identificado, so os possveis responsveis por sua elevada atividade

    antioxidante por captura de radicais-livres (DPPH e ABTS+

    ), reduo do ferro (FRAP) e

    inibio da oxidao lipdica (-caroteno/cido linolico).

    O sitosterol e o sitosterol-D-glicopiranosdeo foram identificados pela primeira vez na

    espcie Myrciaria cauliflora.

    A FCJ produzida apresenta umidade e caractersticas fsico-qumicas (SS, AT e pH)

    satisfatrias classificao estabelecida pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria para

    farinhas.

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  • Captulo 2

    POTENCIAL HIPOLIPIDMICO IN VIVO DA

    FARINHA DA CASCA DE Myrciaria cauliflora

    (JABUTICABA)

  • 79

    1 INTRODUO

    As doenas cardiovasculares (DCV) constituem uma importante causa de morte nos

    pases desenvolvidos bem como naqueles em desenvolvimento onde, o crescimento

    significativo destas, alerta para seu potencial impacto nas classes menos favorecidas e para a

    necessidade de intervenes eficazes, de baixo custo e carter preventivo (RIQUE et al.,

    2002).

    A crescente incidncia das DCV no ltimo sculo originou uma busca incessante pelos

    fatores de risco (FR) relacionados ao seu desenvolvimento. Estudos epidemiolgicos tm

    sugerido que, dentre estes, esto alguns hbitos relacionados ao estilo de vida, como dieta rica

    em energia, cidos graxos saturados, colesterol e sal, bem como consumo de bebida alcolica,

    tabagismo e sedentarismo. Ainda, alm da susceptibilidade gentica e da idade, a hipertenso

    arterial, a obesidade, o diabetes mellitus e as dislipidemias predispe ao desenvolvimento

    dessas enfermidades. Dessa forma, a diminuio da exposio ou a remoo dos fatores de

    risco so pontos relevantes a serem considerados para a reduo da mortalidade e/ou reduo

    da prevalncia e/ou para o surgimento das DCV (PEARSON et al., 2002; LIMA et al., 2000).

    As dislipidemias so caracterizadas por distrbios nos nveis de lipdios circulantes e

    se associam a manifestaes clnicas diversas. As concentraes aumentadas de colesterol

    total (CT) e lipoprotena de baixa densidade (LDL) e diminudas de lipoprotena de alta

    densidade (HDL) esto associadas a leses avanadas de aterosclerose e maior risco de

    manifestaes clnicas dessa doena que se caracteriza pelo depsito de lipdios na camada

    ntima das artrias causando restrio ao fluxo sanguneo (MCGILL et al., 2000; HEBERT et

    al., 1997).

    Dentre os fatores dietticos, a ingesto excessiva de cidos graxos saturados tem sido

    apontada como uma das principais causas da elevao do colesterol plasmtico e da LDL,

    pois reduz os receptores celulares de remoo dessas partculas, alm de permitir maior

    entrada de colesterol nas mesmas. Assim, o tratamento e, ou a preveno das DCV bem como

    de seus fatores de risco, pode ser feito com o auxlio de medicamentos, programas de

    atividade fsica e atravs da terapia nutricional. A alimentao extremamente importante e

    deve ser considerada ao se determinar o risco para tais doenas (SANTOS, 2001; MAZUR et

    al.,1998).

  • 80

    Nos anos recentes, o interesse crescente na preveno de DCV e de seus FR, por meio

    de alimentos de origem vegetal, tem gerado numerosos estudos epidemiolgicos e clnicos

    (HU e WILLETT, 2002). Segundo HU (2003), tem-se postulado que o alto consumo de frutas

    e hortalias fator protetor contra as DCV, visto que esses alimentos so constitudos por

    nutrientes associados a este efeito, tais como fibras dietticas e substncias antioxidantes.

    Estudos adicionais para investigar os efeitos biolgicos de frutas e hortalias devem ser

    estimulados e, do ponto de vista da sade pblica, a ingesto desses alimentos deve ser

    encorajada.

    Dentro deste contexto, esto os resduos de frutos (partes usualmente no consumidas,

    tais como cascas e sementes). Estudos tm demonstrado que alguns destes resduos exibem

    grande potencial biolgico, uma vez que apresentam altos teores de fibras e substncias

    antioxidantes, tais como alguns compostos fenlicos e vitaminas. Adicionalmente, as

    concentraes desses compostos podem estar presentes em quantidades expressivamente

    superiores nestes resduos quando comparados a qualquer outra parte da planta (MOON e

    SHIBAMOTO, 2009; WOLFE et al., 2003).

    importante ressaltar tambm que os resduos de alimentos vegetais em geral so

    desperdiados em todos os pontos de sua cadeia produtiva, o que inclui a produo agrcola, a

    indstria e o consumidor, sendo muitas vezes destinados exclusivamente rao animal.

    Desta forma, pesquisas com tais resduos podem estimular o desenvolvimento de produtos

    que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e que possam ser includos no padro de

    consumo da populao, alm de diminuir o desperdcio de alimentos e agregar valor aos seus

    subprodutos (PEREIRA et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2002).

    Nesse contexto, os frutos exticos ocupam lugar de destaque, pois apresentam sabores

    marcantes e peculiares, com elevados teores de vitaminas, fibras e compostos bioativos,

    dentre outros (SILVA et al. 2001; ALMEIDA, 1998; BARBOSA, 1996). Em biomas do

    Cerrado, por exemplo, h um grande nmero de espcies com frutos comestveis, utilizados

    por populaes locais (BARBOSA, 1996). Esses frutos de espcies nativas, considerados

    exticos, so consumidos tanto ao natural, quanto na forma de doces, vitaminas, mingaus,

    bolos, pes, biscoitos, gelias e licores. Geralmente, suas cascas e/ou sementes so

    descartadas ou utilizadas para alimentao animal (SILVA et al., 2001; ALMEIDA, 1998).

    Dentre os frutos exticos, aqueles produzidos pela Myrciaria cauliflora so

    conhecidos popularmente como jabuticaba paulista, jabuticaba a ou jabuticaba ponhema.

    Esta rvore uma planta nativa do Brasil e vegeta diversos solos, podendo ser encontrada

    desde o Par at o Rio Grande do Sul. Seus frutos so do tipo baga globosa de at 3,00 cm de

  • 81

    dimetro, com casca preto-avermelhada, polpa esbranquiada, mulcilaginosa, agridoce,

    saborosa e, embora possa conter at 4 sementes, comumente apresenta uma nica semente.

    (SILVA et al., 2008; AGRA et al., 2008; MAGALHES et al. 1996).

    A jabuticaba pode ser consumida ao natural ou como gelia. Sua polpa fermentada

    produz licor, vinho e vinagre. A fabricao de gelias de jabuticaba despreza normalmente as

    cascas e sementes, que juntas, representam aproximadamente 50% da fruta (MAGALHES et

    al. 1996; BARROS et al. 1996). Sua casca adstrigente, til contra diarria e irritaes da

    pele. Tambm tem indicaes na medicina popular como antiasmtica, na inflamao dos

    intestinos e hemoptise (REYNERTSON et al., 2006).

    De acordo com Boari-Lima et al. (2008), a casca da jabuticaba contm grandes

    quantidades de fibras quando comparada com sua semente e polpa. Santos et al. (2010)

    encontraram altos teores de antocianinas e fenlicos totais tambm nesta parte do fruto.

    Porm, poucos dados so encontrados na literatura quanto ao seu uso como ingrediente em

    formulaes ou como alimento funcional. Essa casca comestvel , na maioria das vezes,

    descartada, tanto na cozinha domstica, quanto na industrial. Sua incorporao em

    formulaes poderia agregar valor a este fruto, alm de permitir o aproveitamento de seus

    nutrientes e/ou compostos bioativos disponveis a baixo custo e fcil acesso.

    Assim, a utilizao de subprodutos vegetais, na maioria das vezes descartados como

    resduo, pode fortalecer economias locais e gerar renda a partir da criao de novos produtos

    alimentares e industriais que atendam s variadas demandas de consumo. Logo, de extrema

    relevncia para o Vale do Jequitinhonha, a produo de conhecimentos que estimule a

    utilizao de frutas nativas na alimentao ou comercializao, como fontes de macro e micro

    nutrientes bem como de substncias biologicamente ativas e com efeitos fisiolgicos

    positivos.

  • 82

    2 OBJETIVOS

    O estudo realizado teve como objetivo avaliar o efeito hipolipidmico in vivo da

    suplementao diettica com a farinha da casca de jabuticaba, em trs diferentes propores,

    nos nveis sricos de lipdeos e glicemia bem como nos nveis de colesterol heptico e na

    excreo fecal de lipdeos de ratos.

  • 83

    3 REVISO DE LITERATURA

    3.1 Metabolismo de lipdeos

    3.1.1 Metabolismo do Colesterol

    O colesterol (Figura 1) um lipdeo presente nos tecidos e nas protenas plasmticas

    dos animais sob a forma livre ou combinada com cidos graxos (SPOSITO et al. 2007). Para

    Silva e Mura (2007), apesar de ser um lipdeo temido por apresentar correlao positiva

    com doenas cardacas, o colesterol essencial ao nosso organismo por desempenhar vrias

    funes. Dentre elas destacam-se a funo estrutural na constituio de todas as membranas

    dos animais, alm de ser precursor dos cidos biliares, da vitamina D3 (colecalciferol), dos

    hormnios esterides sexuais (testosterona, progesterona, estradiol), do cortisol e da

    aldosterona.

    OH

    1

    2

    3

    4

    5 7

    8

    6

    10

    9

    11

    12

    13

    14

    17

    16

    15

    18

    19

    2120

    22

    23

    24

    28

    29

    26

    27

    25

    Figura 1. Estrutura qumica do colesterol livre. ster de colesterol = 3 COOR.

    Para os seres humanos, o colesterol pode ser obtido por via endgena ou exgena

    quando sintetizado pelo prprio organismo ou ingeridos alimentos de origem animal,

    respectivamente.

    Aproximadamente 70% da sntese endgena do colesterol ocorre no fgado e o

    restante, no intestino, crtex adrenal, ovrios, testculos e placenta. O precursor da sntese de

    esterides a acetil-coenzima A, uma molcula produzida no metabolismo de protenas,

    carboidratos e lipdeo. Existem, no mnimo, 21 passos na via biossinttica do colesterol. Na

    primeira etapa, o mevalonato formado e a srie de reaes envolvidas catalisada por

  • 84

    enzimas microssomais, das quais a mais importante a 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A

    redutase (HMGR), pois a enzima limitante da sntese do colesterol. A partir deste ponto, por

    meio de uma srie de reaes de condensaes, o mevalonato transformado em

    hidrocarboneto de cadeia longa (esqualeno), que ciclizado e transformado em colesterol por

    meio de uma seqncia de vrias reaes (STIPANUK, 2000; ZUBAY, 1999) (Figura 2).

    2 acetil-CoA (2C)

    Acetoacetil-CoA tiolase

    Acetoacetil-CoA (4C)

    Acetil-CoA (2C) + HMG-CoA sintase

    3-hidroxi-3 metilglutaril-CoA (6C)

    HMG-CoA redutase (insulina +)

    Mevalonato (6C)

    Isopentenil-5-pirofosfato (5C)

    Geranil pirofosfato (10C)

    Farnesil pirofosfato (15C)

    Escaleno (30C)

    Colesterol (27)

    Figura 2. Principais etapas da sntese de colesterol a partir de acetil-CoA. Fonte: Silva e Mura (2007).

    Em muitas espcies animais, essa sntese inibida pelo colesterol da dieta, por meio

    da retroalimentao negativa. Estudos evidenciam que sua sntese em todo o organismo

    reduzida em grande parte dos indivduos quando o colesterol da dieta aumentado. A

    homeostase mantida por um mecanismo que coordena a digesto diettica de colesterol, a

    taxa de colesterol endgeno e a taxa de colesterol utilizado pelas clulas, sendo que tal

    mecanismo envolve um receptor especfico para as LDL (WIVIOTT e CANNON, 2006;

    MAYES, 1990).

    O colesterol proveniente da dieta encontra-se principalmente na forma esterificada e

    insolvel no meio aquoso intestinal, necessitando ser digerido, ou seja, hidrolisado em sua

    ligao ster com o cido graxo pela enzima colesterol esterase pancretica, visto que o

    colesterol livre atravessa a membrana intestinal, mas no os seus steres. Aps a digesto

    intestinal, o colesterol livre, fosfolipdeos, mono e diacilglicerois alm dos cidos graxos

    livres so reorganizados nos entercitos (clulas epiteliais do intestino) para formarem o QM.

    Uma vez formados, passam para o complexo de Golgi, onde so armazenados em vesculas

    Sntese do mevalonato

    Sntese do escaleno

    Ciclizao/converso a colesterol

  • 85

    secretoras e ento lanados na linfa intestinal sendo que, por meio do sistema linftico,

    alcanam a veia cava superior pelo duto torcico, atingindo a circulao sistmica (SPOSITO

    et al., 2007; SILVA e MURA, 2007).

    A absoro do colesterol no completa, cerca de 50% absorvido e o restante

    excretado nas fezes. Alguns fatores podem reduzir a absoro do colesterol presente no

    intestino, como por exemplo, os esteris de plantas, por inibio competitiva, as fibras

    solveis uma vez que aumentam a excreo fecal de sais biliares alm da dieta com baixo teor

    em gorduras, pela reduo da quantidade de cidos graxos disponveis para a formao de

    micelas (MAHAN e ARLIN, 1995; MAHSON et al., 1982).

    O colesterol transportado no organismo por meio das lipoprotenas, conjuntos

    macromoleculares contendo lipdeos e protenas em sua estrutura, sendo, o componente

    protico, conhecido como apolipoprotenas (Apo) ou apoprotenas, responsvel pela

    estabilidade estrutural, por ligar-se nas interaes lipoprotena-receptor e/ou atuar como co-

    fator nos processos enzimticos. As apolipoprotenas podem ser integrais (tipo B) ou

    perifricas (tipos A, C e E). As apolipoprotenas perifricas so trocadas entre diferentes

    lipoprotenas plasmticas e podem existir livres no plasma (AFONSO e SANTANA, 2008;

    GOODMAN e GILMAN, 2007).

    As lipoprotenas podem ser classificadas de acordo com a sua densidade, sendo, por

    ordem decrescente, as HDL (lipoprotenas de alta densidade), as LDL (lipoprotenas de baixa

    densidade), as IDL (lipoprotenas de densidade intermdia), as VLDL (lipoprotenas de muito

    baixa densidade) e os quilomcrons (QM). Quanto maior for a percentagem de protenas e

    menor a de triglicerdeos maior ser a sua densidade e menor o seu tamanho. As lipoprotenas

    mais ricas em triglicerdeos so os QM, seguidas pelas VLDL. As LDL e as HDL so muito

    pobres em triglicerdeos e ricas em colesterol e steres de colesterol (COSTA e PELUZIO,

    2008) (Figura 3).

    Figura 3. Composio dos QM, VLDL, LDL e HDL.

    0%

    100%

    QM VLDL LDL HDL

    Composio das Lipoprotenas

    Protena Colesterol

    Fosfolipdeos Triglicerdeos

  • 86

    A LDL funciona como fonte de colesterol necessrio para a formao de membranas e

    sntese de hormnios esterides. Logo, sua principal funo transportar do fgado o

    colesterol para os tecidos que dele necessitam. A molcula de Apo B-100 contida na LDL

    reconhecida tanto nos tecidos extra-hepticos quanto no fgado pelos receptores de LDL. Tais

    receptores so ativados ou regulados negativamente quando a demanda de colesterol alta ou

    quando a clula est repleta deste, respectivamente (COSTA e PELUZIO, 2008).

    As HDL apresentam efeito protetor visto que so as principais lipoprotenas

    envolvidas no mecanismo de remoo do colesterol dos tecidos extra-hepticos. Esta

    lipoprotena, originada no fgado e no intestino, adquire, por ao de enzimas, um ncleo

    lipdico de colesterol esterificado e se transforma em uma partcula esfrica madura chamada

    de HDL3. Ainda no plasma, a HDL3 continua a adquirir fosfolpides e colesterol, convertendo-

    se em HDL2 que poder transferir colesterol esterificado para outras classes de lipoprotenas,

    como QM, QM remanescentes e VLDL, as quais sero rapidamente removidas pelo fgado,

    caracterizando o transporte reverso do colesterol pela via indireta. Esta lipoprotena pode

    tambm transferir colesterol esterificado para o fgado por meio de receptores especficos,

    caracterizando a via direta de transporte reverso (EISENBERG, 1983).

    A principal via de excreo do colesterol sua transformao em cidos biliares que,

    ao serem liberados no intestino, participam de processos de emulsificao dos lipdeos da

    dieta (SILVA e MURA, 2007).

    Embora sejam produtos da degradao do colesterol, os cidos biliares no se

    apresentam como produtos destinados eliminao pelo organismo, pois cerca de 95% deles

    so reabsorvidos no jejuno e clon, por absoro passiva, ou no leo terminal, por absoro

    ativa, retornando ao fgado atravs da circulao portal. Os cidos biliares reabsorvidos

    inibem, no fgado, a sntese heptica de novos sais biliares, indicando que, qualquer

    substncia capaz de reduzir a reabsoro destes compostos promover maior converso de

    colesterol em produtos para a excreo, alm de ver aumentada sua eliminao nas fezes. Para

    obter mais colesterol, o fgado aumenta a expresso do receptor de LDL e com isso diminui a

    quantidade de LDL no sangue, diminuindo o risco de dislipidemias com conseqentes

    doenas cardiovasculares (SILVA e MURA, 2007; SPOSITO et al. 2007).

  • 87

    3.1.2 Metabolismo dos Triglicerdeos

    A maior parte dos lipdeos corporais encontra-se na forma de triglicerdeos (TG),

    estruturas que possuem trs ligaes steres entre um grupo polar, o glicerol, e trs molculas

    de cidos graxos (AG) (FERREIRA et al., 2003).

    Os cidos graxos variam de acordo com o comprimento e o grau de saturao da

    cadeia carbnica. Quanto ao comprimento da cadeia, podem ser classificados em cidos

    graxos de cadeia curta (AGCC), com 2 a 6 tomos de carbono; cidos graxos de cadeia mdia

    (AGCM) com 8 a 12 tomos de carbono; cidos graxos de cadeia longa (AGCL) com 14 a 18

    tomos de carbono e cidos graxos de cadeia muito longa (AGCML) com 18 ou mais tomos

    de carbono. Quanto ao grau de saturao, os AG podem ser saturados, monoinsaturados ou

    poliinsaturados caso no apresentem nenhuma dupla ligao, uma nica dupla ligao ou 2 ou

    mais, respectivamente (SILVA e MURA, 2007).

    De acordo com Goldberg e Schonfeld (1985), os triglicerdeos alimentares so

    hidrolisados pelas lipases gstrica, intestinal e pancretica, gerando cidos graxos e

    monoglicerdeos que, nas vilosidades intestinais, so reesterificados, formando di e

    triglicerdeos. Estes, nas clulas epiteliais do intestino delgado se ligam ApoB48 e,

    juntamente com o colesterol da dieta, da bile e vitaminas lipossolveis formam os QM, que

    iro transport-los. Uma vez formados, passam para o complexo de Golgi, onde so

    armazenados em vesculas secretoras e ento lanados na linfa intestinal alcanando a veia

    cava superior pelo ducto torcico e atingindo a circulao sistmica.

    Na circulao sistmica, os QM sofrem a ao da enzima lipase lipoprotica (LpL) que

    se encontra na membrana basal das clulas endoteliais dos capilares sanguneos do tecido

    adiposo e do tecido muscular esqueltico. Os TG hidrolisados so incorporados nos

    adipcitos e nos micitos. Os quilomcrons resultantes so chamados de remanescentes

    (QMR) e so removidos da circulao pelo fgado por um processo que envolve a ligao da

    Apo-E com seu receptor neste rgo. Os QMR transportam lipdeos exgenos para o fgado

    (TG e colesterol) bem como vitaminas lipossolveis. (COSTA e PELUZIO, 2008; ASSIS et

    al., 1999).

    Os triglicerdeos hidrolisados no fgado e no tecido adiposo liberam a maioria dos AG

    para os tecidos extra-hepticos sendo os mesmos transportados pela albumina at estes. Uma

    vez transposta a membrana dos tecidos, os AG se ligam a uma protena, chamada de protena

    para ligao com os cidos graxos no citoplasma (cytoplasmic fatty acid binding protein -

    FABPC) que os transportam pelo citoplasma da clula at atingir a membrana externa da

  • 88

    mitocndria. Nos tecidos, os AG sofrem oxidao para produo de energia sendo que a

    oxidao completa destes at CO2, H2O e ATP envolve a etapa de -oxidao para a formao

    do acetil-CoA, ciclo de Krebs e cadeia transportadora de eltrons. (SILVA e MURA 2007;

    SPRIET, 2002).

    Vale ressaltar que no perodo ps-prandial (aps determinada refeio), o fgado

    sintetiza ativamente triglicerdeos que se somam queles provenientes dos QM. Estes,

    associados aos triglicerdeos da dieta bem como ao colesterol, fosfolpides, Apo B100 e

    ApoAI do origem s partculas de VLDL que, por exocitose so liberadas pelos hepatcitos.

    Na corrente sangunea, as VLDL incorporam apoprotenas, provavelmente oriundas das HDL,

    de modo semelhante aos QM, atingindo o estgio de VLDL madura. Concomitantemente a

    VLDL cede triacilglicerol, fosfolipdios, ApoC e ApoE para as HDL. Os remanescentes de

    VLDL gerados recebem a denominao de IDL. Uma frao das IDL retorna ao fgado (60 a

    70%) e o restante, aps novo ciclo de remoo de triacilglicerois pelos tecidos, origina as

    LDL que contm muito colesterol e ApoB100 como sua principal apoprotena. No que diz

    respeito s LDL, em condies normais, a maior parte dessas lipoprotenas e removida da

    circulao aps ligao com receptores celulares especficos (LOTTENBERG, 2009;

    SANTOS, 2001; GOLDBERG e SCHONFELD, 1985).

    Os triglicerdeos corporais so armazenados nos adipcitos, clulas que compem o

    tecido adiposo, e possuem funo de reserva de energia sendo que, independente do tipo de

    cido graxo presente, possuem a relao de 9 Kcal/g (SILVA e MURA, 2007).

    A sntese endgena dos TG ocorre no tecido adiposo e na glndula mamria,

    estimulada pelo excesso de acetil-CoA da oxidao da glicose e dos aminocidos. A

    regulao desta sntese ocorre, principalmente, pela acetil-CoA carboxilase que ativada pela

    insulina e inativada pelo glucagon. A acetil-CoA carboxilase catalisa a sntese de malonil-

    CoA, sendo o passo limitante da sntese de TG (WESTIN et al., 2007).

    A principal via de excreo corporal dos triglicerdeos a fecal, sendo eliminados por

    meio destas, apenas aqueles no hidrolisados pelas lpases gstrica, intestinal e pancretica.

    3.2 Dislipidemias x Dieta

    As dislipidemias so alteraes metablicas lipdicas, decorrentes de distrbios em

    qualquer fase do metabolismo de lipdeos e que ocasionem repercusso nos nveis sricos das

    lipoprotenas (SPOSITO et al., 2007). Tal patologia pode ser avaliada por meio do perfil

  • 89

    lipdico, que consiste na dosagem dos triglicerdeos, do colesterol total, do colesterol presente

    na LDL (tambm chamado de LDL), e do colesterol presente na HDL (HDL) (AMBROSI et

    al., 2008).

    De acordo com as diretrizes sobre dislipidemia, estudo conduzido em nove capitais

    brasileiras, envolvendo 8.045 indivduos com idade mediana de 35 10 anos, no ano de 1998,

    mostrou que 38% dos homens e 42% das mulheres possuem colesterol total maior que 200

    mg/dL. Neste estudo, os valores do colesterol total foram mais altos no sexo feminino e nas

    faixas etrias mais elevadas (SPOSITO et al., 2007).

    Na ltima dcada, as dislipidemias tm se estendido tambm faixa peditrica estando

    a prevalncia da mesma variando entre 24 e 33% na infncia e adolescncia sendo observado

    aumento progressivo, principalmente, em pases que sofreram ocidentalizao de seus

    hbitos. No Brasil, a prevalncia situa-se entre 28 e 40% das crianas e adolescentes, quando

    o critrio adotado o colesterol total srico superior a 170 mg/dL. Essa prevalncia, porm,

    pode estar subestimada, uma vez que a III Diretriz Brasileira de Preveno da Aterosclerose

    estabelece como valor mximo da normalidade 150 mg/dL (GIULIANO et al., 2005;

    GERBER e ZIELINSKY, 1997).

    Segundo Santos (2001), as dislipidemias podem ter duas classificaes: a classificao

    laboratorial e a classificao etiolgica. Na classificao laboratorial possvel ter a

    hipercolesterolemia isolada, que caracterizada pelo aumento de colesterol total e/ou de LDL;

    a hipertrigliceridemia isolada, caracterizada pelo aumento dos triglicerdeos; a hiperlipidemia

    mista, caracterizada pelo aumento do colesterol e dos triacilglicerdeos e a diminuio isolada

    do HDL ou associada ao aumento dos triglicerdeos ou LDL. Na classificao etiolgica, as

    dislipidemias podem ser primrias ou secundrias, sendo que as primrias so de origem

    gentica ao passo que as secundrias podem ser causadas por outras doenas (hipotireoidismo,

    diabetes melito, sndrome nefrtica, insuficincia renal crnica, obesidade, alcoolismo) ou

    medicamentos (diurticos em altas doses, corticosterides e anabolizantes).

    H um reconhecimento crescente de que os nveis altos de colesterol srico, LDL e TG

    associados com nveis diminudos de HDL promovam o desenvolvimento da aterosclerose

    que, por sua vez, a precursora da doena cardiovascular aterosclertica (MATAFOME et

    al., 2008; EVANS et al., 2004).

    Segundo Pizziolo et al. (2011) as tendncias observadas com relao a aumentos em

    casos dessa doena demonstram persistir, agravando ainda mais o quadro de morbidade e

    mortalidade nos pases em desenvolvimento. Sabe-se, hoje, que a aterosclerose responsvel

    por aproximadamente cinqenta por cento das mortes em pases ocidentais e, no Brasil, cerca

  • 90

    de 300.000 pessoas por ano so vtimas dessa patologia que acarreta, muitas vezes de maneira

    irreversvel, com conseqente incapacidade residual. A aterosclerose , portanto, uma doena

    inflamatria crnica que ocorre em resposta agresso endotelial sendo que o depsito de

    lipoprotenas na parede arterial, processo-chave no incio da aterognese, ocorre de maneira

    proporcional concentrao dessas lipoprotenas no plasma.

    O processo de aterognese se inicia com a reteno das partculas de LDL nas paredes

    dos vasos onde sofrem oxidao, tornando-se imunognicas e promovendo o surgimento de

    molculas de adeso leucocitria, tais como os macrfagos, na superfcie endotelial. Essas

    estruturas, repletas de lipdeos, recebem o nome de clulas espumosas e constituem o

    principal componente das estrias gordurosas, ou seja, das leses macroscpicas iniciais da

    aterosclerose. O estreitamento da luz do vaso pode levar obstruo e ao infarto do

    miocrdio, acidente vascular cerebral (AVC) e doena vascular perifrica (McGill et al. 2000;

    LEFANT e SAVAGE, 1995). De acordo com Hebert et al. (1997), a reduo em cerca de

    30% do LDL diminui em 33, 29 e 28% os riscos de infarto do miocrdio, AVC e mortalidade

    cardiovascular, respectivamente.

    As alteraes no metabolismo das lipoprotenas circulantes so causadas, alm dos

    fatores genticos, pelas mudanas nos hbitos alimentares e na adoo de um estilo de vida

    sedentrio e com estresse, observado a partir da segunda metade do sculo XX. Outrossim, a

    prevalncia de morbidades adquiridas como o diabetes mellitus, o hipotireoidismo, as doenas

    renais (sndrome nefrtica, insuficincia renal crnica), a obesidade, o alcoolismo e o

    tabagismo, alm do uso de medicamentos, como diurticos, betabloqueadores, corticides,

    anabolizantes e a terapia de reposio hormonal contribuem de modo significativo com o

    aparecimento dessas desordens (BATISTA e RIBEIRO, 2011; DINIZ et al. 2008).

    Diversos estudos tm evidenciado a relao entre as caractersticas qualitativas e

    quantitativas da dieta e a ocorrncia de dislipidemias uma vez que os hbitos alimentares

    apresentam-se como um de seus marcadores de risco. O consumo excessivo de cidos graxos

    saturados e colesterol, somados ao baixo consumo de fibras participam de sua etiologia

    (SCHAEFER, 2002; CERVATO et al., 1997).

    O tratamento e, ou a preveno das dislipidemias, pode ser feito com o auxlio de

    medicamentos, programas de atividade fsica e atravs da terapia nutricional.

    Para Magalhes (2004), os frmacos disponveis agem, principalmente, inibindo a

    sntese de colesterol e/ou afetando sua absoro gastrointestinal. Embora sejam considerados

    seguros e capazes de modificar favoravelmente o perfil lipdico, so tidos como insatisfatrios

    visto que se constituem em obstculos na preveno das complicaes da doena. Segundo

  • 91

    Batista e Ribeiro (2011), os inibidores da enzima HMGR ou estatinas inibem a biosntese do

    colesterol e, conseqentemente, reduzem as concentraes de LDL, os nveis de TG e VLDL

    alm de aumentar os teores de HDL de 5% a 10%. J os derivados do cido fbrico (fibratos)

    so agonistas de receptores nucleares e resultam em aumento na atividade da LpL e no

    aumento da expresso da ApoA-II resultando em redues significativas dos valores dos TG e

    modesto incremento no HDL. Quanto s resinas de troca aninica, estas se ligam aos cidos

    biliares, aumentam a converso heptica do colesterol em cidos graxos e a atividade dos

    receptores hepticos de LDL.

    Quanto aos tratamentos no medicamentosos, para Diniz et al. (2008), todos os

    pacientes portadores de dislipidemia devem realizar medidas relacionadas mudanas do

    estilo de vida, fundamentadas na reorientao diettica e realizao de atividade fsica de

    forma regular, alm da cessao do tabagismo.

    A alimentao extremamente importante e deve sempre ser considerada ao se

    determinar o risco para as DCV (MAZUR et al., 1998). A reduo da ingesto de gorduras

    saturadas e colesterol, associada ao aumento da ingesto de gorduras cis insaturadas so

    estratgias j conhecidas e eficazes. Alm disso, outras modificaes, como o aumento da

    ingesto de alimentos vegetais, tambm vm sendo reconhecidas com estratgias bem

    sucedidas no combate s dislipidemias (THEUWISSEN e MENSINK, 2008).

    A baixa ingesto de frutas e hortalias responsvel pelo desenvolvimento de 31%

    das cardiopatias isqumicas, de 11% dos AVCs, de 19% do cnceres gastrointestinais e de

    85% das doenas cardiovasculares (FIGUEIREDO et al., 2008). Liu et al. (2000) observaram

    em estudo realizado com quase 40.000 mulheres profissionais de sade, que os mais altos

    consumos de vegetais e frutas estavam associados aos mais baixos riscos de dislipidemias e

    doenas cardiovasculares, principalmente infarto.

    Uma ingesto de no mnimo 400g ou 5 pores por dia de frutas e hortalias, sendo

    aproximadamente 150 quilos/pessoa/ano recomendada. Esses alimentos tm papel

    fundamental em uma dieta saudvel, uma vez que so ricos em fibras, vitaminas, minerais,

    fitoesteris e substncias antioxidantes, que auxiliam na preveno de deficincias em

    micronutrientes como tambm na preveno de doenas crnicas no transmissveis, tais

    como as dislipidemias (FIGUEIREDO et al., 2008; LIU et al., 2000).

    Dentre os constituintes vegetais associados reduo dos nveis sricos de lipdeos,

    destacam-se as fibras dietticas. A Association of Official Analytical Chemists (AOAC)

    define fibra diettica como a poro comestvel de plantas ou carboidratos anlogos

  • 92

    resistentes digesto e absoro no intestino delgado, mas susceptveis fermentao

    parcial ou total no intestino grosso.

    Segundo Isken et al. (2010) as fibras dietticas podem ser classificadas de acordo com

    sua solubilidade em gua como insolveis ou solveis. As fibras estruturais ou no viscosas

    (ligninas, celulose e algumas hemiceluloses) so insolveis em gua e encontradas em maior

    proporo nos gros de cereais, como milho e trigo. Essas fibras so responsveis pelo

    incremento do bolo fecal e auxiliam na regulao dos movimentos intestinais. As fibras

    viscosas ou formadoras de gis (pectinas, gomas, mucilagens) so solveis em gua e

    encontradas em maior proporo em feijes secos, aveia, cevada a em algumas frutas e

    hortalias.

    Estudos de interveno controlada vm mostrando que, dentre as fibras dietticas, as

    fibras solveis so as principais responsveis por efetivamente reduzir o CT e o LDL, sem

    afetar os nveis de HDL ou de TG. estimado que cada grama adicional de fibra solvel na

    dieta, corresponde a uma reduo de 0,028 mml/L e 0,029 mml/L, nos nveis de CT e LDL,

    respectivamente (THEUWISSEN e MENSINK, 2008).

    Os mecanismos exatos pelos quais as fibras solveis reduzem o LDL e o CT ainda no

    so totalmente conhecidos. Evidncias sugerem que estas fibras interferem no metabolismo

    dos cidos biliares, aumentando sua excreo e, consequentemente, promovendo maior

    captao de colesterol srico para a sntese de novos cidos biliares pelo fgado. Outras

    sugerem mecanismos que incluem a inibio da biossntese heptica de colesterol por meio

    dos produtos de fermentao dessas fibras e h aquelas que ainda insinuam que estas reduzem

    a absoro intestinal de gorduras em geral, incluindo o CT e os triglicerdeos (ISKEN et al.,

    2010; RIQUE et al., 2002).

    Entretanto, apesar de ser postulado que as fibras solveis so as responsveis pelo

    efeito hipocolesterolemiante, estudos recentes tem demonstrado que algumas fibras insolveis

    tambm podem promover uma reduo significativa nos nveis de CT e LDL sricos (HSU et

    al., 2006; CHAU et al., 2004).

    Adicionalmente, nem todos os tipos de fibras so de fato efetivos em seu efeito

    hipocolesterolemiante. Pesquisas tm demonstrado que o consumo de fibras de feijo, cevada,

    farinha de aveia, farelo de aveia, casca de arroz (MARLETT et al., 2002), bagao de cenoura

    (HSU et al., 2006) e trigo sarraceno podem reduzir os lipdeos e o colesterol sricos, enquanto

    o farelo de trigo no (ANDERSON et al., 1991). O amido resistente, geralmente, considerado

    uma fibra solvel, no afetou os lipdeos sricos no estudo de JENKINS et al. (1998).

  • 93

    Para Potty (1996), a efetividade das fibras dietticas em reduzir o colesterol e outros

    lipdeos sricos depende da fonte de fibras. Adicionalmente, esta efetividade tambm

    regulada pelo tamanho da partcula da fibra, sua capacidade de reteno de gua, a proporo

    dos seus vrios constituintes, sua solubilidade em fase aquosa, sua afinidade com sais biliares

    e fermentabilidade no intestino grosso.

    De acordo com Hu (2003), as fontes dietticas de fibras disponveis para a populao

    em geral so os alimentos vegetais, especialmente as frutas e hortalias. Assim, esse autor

    sugere que pesquisas voltadas para a identificao dos tipos de fibras desses alimentos, bem

    como a avaliao de suas propriedades fsico-qumicas e efeitos biolgicos devem ser

    estimulados e, do ponto de vista da sade pblica, a ingesto desses alimentos deve ser

    encorajada.

    Alm das fibras, acredita-se que substncias antioxidantes e fitoesteris sejam

    responsveis, ao menos em parte, pelos efeitos benficos das dietas ricas em frutas e vegetais,

    recomendadas mundialmente para a preveno de dislipidemias (SIES et al., 2005).

    Tem sido observado que populaes com dietas ricas em vitamina E, pigmentos

    carotenides, vitamina C, flavonides e outros compostos fenlicos apresentam baixa

    incidncia de aterosclerose coronria, j que tais substncias aumentam a resistncia da LDL

    oxidao e vm sendo associadas com a reduo de risco para coronariopatias (SPOSITO et.

    al., 2007; RIQUE et al., 2002).

    Experimentos realizados em ratos mostraram que os antioxidantes, dentre eles os

    flavonides, apresentam efeitos na reduo dos nveis sanguneos de CT e TG podendo, tais

    efeitos, serem explicados pelo aumento da atividade das enzimas lecitina-colesterol

    aciltransferase (LCAT) e lpase lipoproteica (LpL). A LCAT, presente na superfcie das HDL,

    esterifica o colesterol. Esse processo tende a formar HDL3, que contem, principalmente,

    steres de colesterol. Tais steres so transferidos para as VLDL e LDL, por ao da protena

    transportadora de ster de colesterol (CETP), ou so seletivamente captados pelo fgado, em

    um processo dependente de receptores ligantes de HDL. J a LpL catalisa a hidrlise dos

    triglicerdeos presentes nos QM. Os quilomcrons remanescentes contm apoB48 e apoE,

    sendo que, atravs desta, ligam-se aos receptores hepticos que os levam para dentro dos

    hepatcitos por endocitose (OLIVEIRA et al., 2010; LIMA e COUTO, 2006).

    Foi relatado tambm por Oliveira et al., (2010) que os flavonides reagem com os

    radicais livres prevenindo a oxidao da LDL relacionada formao de placas de ateroma

    que bloqueiam a passagem da corrente sangunea aumentando o risco de aterosclerose e de

    adeso plaquetria relacionada trombose.

  • 94

    Para Pizziolo et al. (2010), plantas com atividade antioxidante comprovada podem ser

    direcionadas para estudos farmacolgicos e clnicos para hiperlipidemia, hipercolesterolemia

    e aterosclerose tornando-se alvos potenciais para desenvolvimento de novas drogas ou como

    terapia adjuvante no tratamento e preveno de doenas. Segundo Rique et al. (2002),

    possvel citar, como principais substncias antioxidantes, a vitamina E, os pigmentos

    carotenides, a vitamina C, os flavonides e outros compostos fenlicos

    Os fitoesteris so tambm encontrados apenas nos vegetais e desempenham funes

    estruturais anlogas ao colesterol em tecidos animais, j que parecem competir com este no

    momento da absoro intestinal, reduzindo, portanto, sua concentrao plasmtica (SANTOS,

    2001; MILNER, 1999). De acordo com Normn et al. (2000), para que o colesterol diettico

    se torne solvel, h a necessidade de ser incorporado s micelas no intestino, caso contrrio,

    permanecer insolvel e ser eliminado nas fezes. Quando os fitosteris, presentes na dieta,

    so quebrados em esteris livres e cidos graxos que so introduzidos nas micelas, impedindo

    a entrada ou o deslocamento do colesterol para elas, bloqueando, dessa forma, sua absoro,

    ou seja, reduzindo a capacidade de transporte do colesterol pela micela. O colesterol no

    absorvido eliminado nas fezes juntamente com os fitosteris, que so muito pouco

    absorvidos.

    O sitosterol o principal fitosterol encontrado nos alimentos, extrado dos leos

    vegetais, sendo que sua esterificao melhorou sua solubilidade, possibilitando que fosse

    adicionado aos alimentos (RIQUE et al. 2002). Em um estudo duplo-cego realizado em So

    Paulo, a adio de 20,00 g de margarina enriquecida com fitosteris (1,68 g/dia), promoveu

    reduo do CT e LDL, respectivamente, em 10 e 12%, quando comparado com a fase basal de

    admisso e 6% e 8% quando comparado com a fase placebo (LOTTENBERG et al., 2002).

    Uma dieta balanceada, com quantidades adequadas de vegetais, fornece de 200 a 400

    mg de fitosteris. A ingesto de 3 a 4 g/dia destes compostos pode ser utilizada como

    adjuvante ao tratamento hipolipemiante visto que promove a reduo da LDL em torno de

    10% a 15%, ainda que no influencie as concentraes sricas de HDL e de TG (SANTOS,

    2001; MILNER, 1999).

    3.3 Potencial hipolipidmico de frutos e resduos de frutos exticos

    A necessidade de dispor de agentes ativos frente a alteraes do perfil lipdico tem

    levado a pesquisas de produtos naturais que tenham efeito na reduo do colesterol e lipdeos

  • 95

    plasmticos uma vez que os hipolipemiantes existentes apresentam grande quantidade de

    efeitos colaterais (NWOZO et al. 2011; PIZZIOLO et al. 2010).

    As plantas representam importante fonte de drogas considerando a grande quantidade

    de molculas com potencial medicinal, podendo contribuir efetivamente na busca de novos

    produtos bioativos. Os potenciais benefcios teraputicos e preventivos de alimentos vegetais

    e fitoqumicos tm sido objeto de estudos exaustivos e, muitos componentes naturais foram

    descobertos com significativa atividade farmacolgica, incluindo agentes hipolipemiantes,

    hipoglicmicos e com propriedades anti-hipertensivas alm de cardioprotetores e

    antihipercolesterolmicos (KUMARI e AUGUSTI, 2007; WANG e NG, 1999)

    Zhang et al. (2002) verificaram que o Crataegus pinnatifida, conhecido como

    pirliteiro, aumenta a excreo de colesterol nas fezes, diminui 50,8% o colesterol/g na aorta

    alm de diminuir em 23,4% e 22,2% os valores de CT e TG no plasma, respectivamente. Tais

    resultados correspondem a anlises realizadas aps doze semanas, em coelhos tratados com

    dieta rica em colesterol + 2% do p da fruta, em comparao com coelhos tratados com dieta

    CTRL. O valor do colesterol diminuiu de 95,2 para 58,0 mol por grama de fgado.

    Luo et al. (2004) estudaram frutos secos e triturados de Lycium barbarum,

    denominados popularmente como Goji, e perceberam que o extrato aquoso liofilizado e

    posteriormente dissolvido em soluo salina, diminuiu em 51,8% os nveis de CT e em 71,2%

    os nveis de TG. Perceberam tambm que os ndices de HDL aumentaram em 53,7% em

    coelhos com hiperglicemia induzida.

    Chau et al. (2004) compararam efeito hipolipidmico da frao de fibra insolvel

    obtida das cascas de Citrus sinensis com os efeitos produzidos pela celulose. A dieta contendo

    a frao analisada reduziu em 45% os nveis de TG sricos em ratos contra uma reduo de

    apenas 14% apresentada pela celulose. Tal resultado sugere a interferncia dos tipos de fibras

    presentes nas cascas deste fruto na absoro dos TG bem como no aumento da exceo de

    gordura fecal. No que diz respeito ao CT, a frao proveniente das cascas de Citrus

    demonstraram reduzir em 47% os nveis de tais componentes enquanto a celulose diminuiu

    em 30% tais valores.

    Em 2010, Matsumoto et al. observaram que a farinha de frutos jovens e maduros de

    Diospyros kaki (caqui), quando administrados em 2 e 5% a ratos machos, diminuram LDL e

    VLDL, aumentaram os cidos biliares fecais alm de aumentar a expresso do gene para a

    enzima colesterol 7 -hidroxilase (CYP7A), sugerindo um aumento da sntese de cidos

    biliares pelo fgado. A quantidade de 5% aumentou tambm a expresso do gene sterol

    regulatory element-binding protein - 2 (SREBP2), fato que resultou no aumento do receptor

  • 96

    de LDL. Constatou-se que caquis jovens apresentam grande quantidade de taninos

    condensados que se ligam aos cidos biliares aumentando sua excreo fecal de forma dose-

    dependente sendo a dose de 2% suficiente para reduzir riscos de doena cardaca coronariana.

    Sancheti et al., (2010) estudaram o extrato metanlico do marmelo chins

    (Chaenomeles sinensis) em ratos com diabetes induzida e sugeriram que o extrato reduziu o

    colesterol por estabelecer ligaes com cidos biliares aumentando sua excreo, diminuindo

    a absoro intestinal, diminuindo a sntese de cidos graxos e aumentando o catabolismo das

    LDL.

    Yang et al. (2010) observaram que amoras (Morus alba L.) secas e pulverizadas

    diminuiram o colesterol total em 16,0%, os triglicerdeos em 35,7% e os LDL em 23% em

    animais alimentados com dieta rica em lipdeos + 10% do p deste fruto.

    Rai et al. (2010) acrescentaram extratos de cascas de frutos verdes de goiaba (Psidium

    guajava), dieta de ratos com hiperglicemia induzida (400 mg de extrato/kg), e observaram

    uma reduo dos nveis de TG a valores prximos aos promovidos pela tolbutamida (controle

    positivo). J os nveis de reduo do LDL foram significativos, assim como os valores

    correspondentes ao aumento da HDL.

    Em 2011, Esteves et al., avaliaram a atividade hipocolesterolemiante, em ratos,

    promovida pela suplementao da dieta com farinha do arilo da copaba (Copaifera

    langsdorffii). O arilo da copaba, frao geralmente no consumida, quando acrescido a 10%

    sob a forma de farinha dieta de animais experimentais, reduziu em 12,25 e 27,79% os nveis

    de CT e LDL.

  • 97

    4.0 MATERIAL E MTODOS

    4.1 Animais e condies experimentais

    Foram utilizados ratos machos da raa Wistar com peso inicial entre 90,00 e 124,00 g

    e provenientes do biotrio do Centro de Cincias Biolgicas e da Sade da Universidade

    Federal de Viosa, MG. O experimento foi conduzido no Laboratrio de Nutrio

    Experimental da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) em

    ambiente termoneutro (22-24 C), com gaiolas individuais de ao inox e em ciclo claro-escuro

    de 12 horas.

    Os animais foram mantidos, manipulados e sacrificados de acordo com os princpios

    ticos para uso de animais de laboratrio do Colgio Brasileiro de Experimentao Animal -

    COBEA (www.cobea.org.br).

    4.2 Dietas experimentais

    4.2.1 Preparo da farinha

    Frutos maduros de Myrciaria cauliflora foram coletados na cidade de Diamantina na

    regio noroeste do Estado de Minas Gerais, Brasil, em latitude de 181458S e longitude de

    433601 oeste de Greenwich, em novembro, 2009. Os frutos foram levados imediatamente

    ao laboratrio de Tecnologia de Biomassas do Cerrado da UFVJM, onde foram selecionados

    excluindo-se aqueles ainda verdes ou com rachaduras. Em seguida, foram lavados e

    higienizados com hipoclorito de sdio (200mg/L) por imerso de 10 minutos. Aps esse

    procedimento, os frutos foram despolpados manualmente sendo separada a casca da polpa e

    sementes. As cascas foram submetidas a secagem (40 5 oC / 7dias), em estufa com

    renovao e circulao de ar forado (DeLeo/tipo A.8.C), sendo posteriormente trituradas

    em liquidificador industrial (Metvisa/Tipo LQ-6) e peneiradas (80 mesh) para a obteno de

    uma farinha homognea. A farinha obtida foi imediatamente acondicionada em sacos

    plsticos sendo estes revestidos com papel pardo a fim de evitar a degradao dos

    componentes pela incidncia de luz e, posteriormente, armazenada a -18 oC.

    http://www.cobea.org.br/

  • 98

    4.2.2 Preparo das dietas

    Dietas semipurificadas foram formuladas com composio baseada nas

    recomendaes do American Institute of Nutrition (AIN93M) (REEVES et al., 1993). Tais

    dietas foram rotuladas como PADRO (PDR), CONTROLE (CTRL), JABUTICABA 1

    (JAB1), JABUTICABA 2 (JAB2) e JABUTICABA 3 (JAB3). A dieta PDR apresentou a

    composio semelhante dieta AIN93M. A dieta CTRL apresentou a composio da dieta

    padro acrescida de 7% de banha de porco. As demais dietas experimentais tiveram sua

    composio semelhante CTRL, porm suplementadas com farinha de casca de jabuticaba

    em trs propores diferentes sendo 7, 10 e 15% para JAB1, JAB2 e JAB3, respectivamente,

    conforme Tabela 1.

    Aps o preparo, as dietas foram devidamente acondicionadas em sacos plsticos e

    refrigeradas at sua utilizao.

    Tabela 1. Composio das dietas experimentais* e densidade calrica (Kcal/Kg)

    Ingredientes Quantidade em g/kg**

    PDR CTRL FCJ7% FCJ10% FCJ15%

    Casena 164,7 164,7 164,7 164,7 164,7

    Amido dextrinizado 155 155 155 155 155

    Sacarose 100 100 100 100 100

    Celulose microfina 50 50 50 50 50

    leo de soja 40 40 40 40 40

    Mix mineral 35 35 35 35 35

    Mix vitaminas 10 10 10 10 10

    L-cistina 1,8 1,8 1,8 1,8 1,8

    Bitartarato de colina 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5

    Gordura de porco 0 70 70 70 70

    FCJ 0 0 70 100 150

    Amido de milho 441 371 301 271 221

    Densidade calrica 3802,8 4152,9 4076,2 4043,4 3988,7

    * Baseada na dieta AIN93M; **PDR= Dieta AIN93M; CTRL = Dieta AIN93M + 7% de banha de porco;

    FCJ7%=CTRL + 7% FCJ; FCJ 10% = CTRL + 10% FCJ; FCJ15% = CTRL + 15%FCJ.

  • 99

    4.3 Desenho experimental

    O estudo teve durao de 28 dias (Figura 4). Antes do incio do experimento, os

    animais foram alimentados por um perodo de sete dias com rao comercial para roedores,

    sob as condies ambientais de experimentao, com o objetivo de se adaptarem. Aps este

    perodo, os 35 animais foram pesados e distribudos aleatoriamente em gaiolas individuais

    sendo sete animais por grupo correspondente a cada dieta, a saber: PDR, CTRL, JAB1, JAB2

    e JAB3. Durante todo o perodo experimental, os animais tiveram acesso ad libittum s dietas

    e gua filtrada.

    Figura 4. Desenho experimental

    A ingesto alimentar foi monitorada a cada dois dias. O peso corporal foi registrado

    semanalmente no 1, 7, 14, 21 e 28 dias experimentais. Nos ltimos trs dias do

    experimento (72 horas) foram realizadas coletas de fezes que, imediatamente aps a pesagem,

    foram congeladas at o momento das anlises.

    Ao final do perodo experimental, aps jejum de 12 horas, os animais foram

    anestesiados e o sangue foi coletado por puno cardaca, sendo sacrificados por ruptura da

    aorta. Os fgados foram tambm retirados, imersos em soluo salina, secos em papel filtro,

    pesados e congelados para posterior extrao e quantificao do colesterol total.

    4.4 ndices e Parmetros Avaliados

  • 100

    4.4.1 Ingesto Alimentar (IA), Ganho de Peso (GP) e Coeficiente de Eficincia Alimentar

    (CEA)

    A ingesto alimentar foi calculada, computando-se o peso (g) de cada comedouro

    cheio com dieta menos o peso (g) de cada comedouro vazio menos o peso (g) das sobras, a

    cada dois dias. A ingesto total durante o experimento foi calculada por meio da somatria

    das ingestes parciais (a cada dois dias).

    O ganho de peso foi calculado a partir da diferena entre o peso corporal final (ltimo

    dia do experimento) e o peso corporal inicial (primeiro dia do experimento)

    O coeficiente de eficincia alimentar (CEA) foi determinado pela equao 1:

    CEA = Ganho de peso/Ingesto alimentar (1)

    4.4.2 Anlises de sangue

    Aps a coleta do sangue, o soro foi obtido por centrifugao a 1500 rpm durante 5

    minutos (centrfuga Centribio/Mod. 80-2B). Foram dosados os nveis de CT, HDL, TG e

    glicose, por mtodos espectrofotomtricos, utilizando Kits comerciais (Labtest Diagnstica),

    seguindo as especificaes do fabricante.

    4.4.3 Anlises hepticas

    Aps o sacrifcio dos animais experimentais, retirou-se os fgados que foram

    imediatamente imersos em soluo salina, secos e pesados. Foi ento calculado o peso

    relativo de cada fgado conforme a equao 2:

    Peso relativo do fgado (PRfig) = Peso fgado x 100/ Peso corporal final (2)

    Para a quantificao do CT as amostras congeladas de fgado foram submetidas

    secagem em estufa com renovao e circulao de ar forado a 60 5 C durante 72 horas

    com posterior triturao. Os lipdeos foram extrados pelo mtodo proposto por Folch et al.

    (1957). Seguindo a metodologia, 0,50 g de fgado seco e modo foram acrescidas de 1,90 mL

    de soluo clorofrmio:metanol (2:1), homogeneizadas, adicionadas de 0,40 mL de metanol e

    centrifugadas por 10 minutos a 3000 rpm. Retirou-se o sobrenadante e acrescentou-se 0,80

  • 101

    mL de clorofrmio e 1,92 mL de NaCl 0,73%, seguido por nova centrifugao nas mesmas

    condies. A fase superior foi desprezada e a parede do tubo lavada por 3 vezes com 0,60 mL

    de soluo de Folch. Os tubos contendo os lipdeos extrados deste rgo foram levados para

    a secagem em estufa a 40 C overnight. Aps secagem, os tubos foram pesados e o extrato

    lipdico ressuspenso em 1,00 mL de isopropanol. Procedeu-se a quantificao do CT

    utilizando o kit enzimtico marca Labtest Diagnstica de forma semelhante realizada para

    as anlises do soro e em conformidade com as especificaes do fabricante.

    4.4.4 Anlises fecais

    As fezes coletadas nos ltimos 3 dias experimentais (72 horas) foram devidamente

    identificadas, pesadas e congeladas at a realizao dos testes desejados.

    O material fecal foi levado estufa com circulao forada de ar a 105 C por 72 horas

    (Curti, 2003) aps tal procedimento, as amostras resultantes foram trituradas e pesadas

    (balana analtica Shimadzu AX200), sendo retirados 0,10 g para a determinao do pH

    fecal em pHmetro digital de bancada (Phtek/tipo phs-3B). Procedeu-se tambm a retirada de

    amostras de 1,00 g para a extrao e quantificao dos lipdeos totais. Para tanto, utilizou-se

    da metodologia 920.85 da AOAC (2005), processo gravimtrico baseado na extrao contnua

    e exaustiva em aparelho tipo Sohxlet (SPLabor

    /modelo Q388-268) por meio de solvente

    orgnico (ter etlico).

    4.5 Anlises Estatsticas

    Todos os resultados foram expressos em mdias desvios padres. Foi utilizada a

    anlise de varincia (ANOVA) para avaliar as diferenas entre os tratamentos e o teste de

    comparao mltipla de Tukey, posteriori, quando necessrio. Para todas as anlises

    estatsticas, foi adotado como nvel de significncia p < 0,05 sendo utilizado o software

    Statistica verso 7.0 (Statsoft Inc., 2004).

  • 102

    5.0 RESULTADO E DISCUSSO

    5.1. Ingesto Alimentar, Ganho de Peso e Coeficiente de Eficincia Alimentar

    No houve diferena significativa para o ganho de peso entre os grupos experimentais

    (p>0,05). O grupo PDR apresentou maior ingesto alimentar (p0,05). A dieta JAB1 apresentou maior mdia de

    CEA, todavia, com diferena significativa apenas em relao a JAB3, com menor valor,

    significando que esta promoveu menor aumento do peso corporal quando da ingesto de

    mesma quantidade de dieta (p

  • 103

    desta em relao aos demais nutrientes, reduz o consumo alimentar em funo da maior

    densidade energtica, ou seja, da maior oferta de energia em uma mesma quantidade de dieta.

    Resultados semelhantes foram tambm obtidos por Lee et al. (2006). Esses autores avaliaram

    o potencial hipolipidmico promovido pelo acrscimo de 5% de p de folhas do caqui

    (Diospyros kaki) em uma dieta rica em gordura, em ratos. Os animais alimentados com dietas

    hiperlipdicas apresentaram menor ingesto alimentar quando comparados com o grupo

    submetido dieta normal.

    Apesar da maior IA dos animais alimentados com a JAB3, estes foram os menos

    eficientes em ganhar peso. De acordo com Boari-Lima et al. (2008), as casca de jabuticaba

    contem alto teor de fibras (33,8 g/100g), sendo a maior parte, fibras insolveis (27,03

    g/100g). Chau et al. (2004) ao analisar tambm a suplementao da dieta hipercolesterolmica

    com fibras insolveis obtidas a partir dos resduos descartveis da carambola (Averrhoa

    carambola) tambm no observaram ganho de peso significativamente diferente entre os

    grupos de animais experimentais. Segundo Raupp et al. (2002) as fibras interferem no

    processo da digesto e absoro de nutrientes conjuntamente ingeridos na dieta. Assim, este

    achado indica a possvel interferncia do maior contedo de fibras existente nesta dieta,

    advindas da FCJ, na absoro de nutrientes capazes de promover o ganho de peso corporal.

    5.2 Anlises bioqumicas do sangue

    Os animais alimentados com a dieta CTRL tiveram elevao nos nveis de CT srico

    na ordem de 42,74% em relao aos animais do grupo PDR (p

  • 104

    comparao com a JAB2 (p0,05). Quando comparada com a CTRL, embora no

    significativo, a dieta JAB3 promoveu reduo da glicemia em 8,31% (Tabela 3).

    Tabela 3. Concentraes sricas (mg/dL) de colesterol total, triglicerdeos, HDL e glicose em animais

    experimentais submetidos a dietas hiperlipidicas suplementadas com farinha da casca de jabuticaba em

    diferentes propores

    Dietas* Colesterol Total Triglicerdeos HDL Glicose

    PDR 75,23b 5,83 72,79

    c 15,53 35,87

    bc 5,37 117,07

    ab 14,29

    CTRL 107,38a 14,7 139,52

    a 10,11 41,14

    bc 8,22 125,12

    ab 14,86

    JAB1 79,00b 6,54 49,81

    b 9,66 33,28

    c 7,10 121,81

    ab 8,71

    JAB2 68,99b 4,65 66,01

    c 8,98 43,55

    b 1,32 140,96

    a 14,33

    JAB3 71,60b 2,94 61,88

    bc 3,56 55,13

    a 2,93 114,71

    b 22,85

    *PDR = dieta AIN93M; CTRL = Dieta AIN93M + 7% de banha de porca; JAB1 = Dieta CTRL + 7% de farinha

    de casca de jabuticaba; JAB2 = Dieta CTRL + 10% de farinha de casca de jabuticaba; JAB3= Dieta CTRL +

    15% de farinha de casca de jabuticaba; Mdias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si

    (p 0,05) pelo teste de Tukey.

    Os incrementos nos nveis de CT e TG, promovidos pela dieta hiperlipdica

    administrada ao CTRL, indicam que a suplementao com 7% de banha de porco foi eficiente

    para promover dislipidemia (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) nos animais.

    Adicionalmente, o acrscimo de qualquer uma das trs propores de FCJ, mesmo o

    menor (7%), foi suficiente para produzir alteraes benficas, uma vez que no permitiu a

    elevao do CT e dos TG plasmticos dos animais aos nveis observados no grupo CTRL.

    Ainda, reduo do colesterol pelas diferentes propores de FCJ e o aumento do HDL

    promovido pelo acrscimo de 15% desta, foram mais expressivos do que os achados de

    Salgado et al. (2008). Estes autores suplementaram a mesma dieta hiperlipdica (7% de banha

    de porco) com 5, 15 e 25% da farinha de abacate (Persea americana Mill) e verificaram

    reduo de 20,7% dos nveis de CT e aumento de aproximadamente 4% nos nveis de HDL

    em relao ao CTRL, quando da administrao da dieta adicionada de 15% de farinha de

    abacate. Por outro lado, a suplementao com farinha de ma gala a 5, 15 e 25%, tambm em

    dieta hiperlipdica, reduziu o CT em 0,77; 19,3 e 20,7%, respectivamente, em comparao

    com o grupo CTRL, sem, no entanto, alterar os nveis de HDL (CURTI, 2003). Assim, a FCJ

    demonstrou ao hipocolesterolemiante expressiva.

    Dentre os constituintes qumicos da FCJ potencialmente responsveis pelo seu efeito

    hipocolesterolemiante e hipotrigliceridemiante, destacam-se as fibras e substncias

    antioxidantes da classe dos polifenis. De acordo com Boari-Lima (2008), a casca de

  • 105

    jabuticaba liofilizada apresenta 6,77 e 27,03 g/100g de fibras solveis e insolveis,

    respectivamente. Tais valores permitem a classificao deste resduo, conforme a Agncia

    Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA, 1998), como fornecedor de alto teor de fibras.

    As fibras, especialmente as solveis, podem ligar-se irreversivelmente aos cidos

    biliares carregando-os para as fezes, impedindo a sua absoro pelo fgado e fazendo com

    que este rgo sintetize-os novamente utilizando o colesterol sanguneo e, conseqentemente,

    reduzindo suas concentraes sricas. Adicionalmente, podem reduzir a absoro de

    nutrientes, o que inclui as gorduras da dieta, por aumentar a viscosidade do meio,

    promovendo uma barreira absoro dos mesmos (CAMIRE e DOUGHETY, 2003;

    SAVAIANO e STORY, 2000). O tipo e o tamanho das partculas de fibras insolveis tambm

    podem influenciar no seu efeito hipocolesteroleminate. Estudos recentes tm demonstrado que

    algumas fibras insolveis tambm podem promover uma reduo significativa nos nveis de

    CT, LDL e triglicerdeos sricos (CHAU et al., 2004; HSU et al., 2006). Em estudo realizado

    por Chau et al. (2004), uma frao de fibra insolvel a 5%, isolada de cascas de laranja

    (Citrus sinensis L.) e adicionada dieta hiperlipidmica, foi capaz de promover reduo de

    45% nos nveis sricos de triglicerdeos em animais experimentais.

    Quanto composio em polifenis, Santos et al. (2010) determinaram teores de

    antocianinas de 6,168 mg de cianidina-3-glicosdeo/g e de fenlicos totais de 35,854 mg

    GAE/g em extrato etanlico das casca de jabuticaba. Tais teores so superiores aos

    encontrados em fontes j conhecidas destes compostos, como por exemplo, a uva de mesa nas

    variedades Isabel e Nigara rosada.

    Os compostos fenlicos poderiam aumentar a atividade das enzimas LCAT e LpL.

    Segundo Oliveira et al. (2010), Lima e Couto (2006) a LCAT, presente na superfcie das

    HDL, esterifica o colesterol formando HDL3, que contem, principalmente, steres de

    colesterol. Tais steres so transferidos para as VLDL e LDL, por ao da CETP, ou so

    seletivamente captados pelo fgado, em um processo dependente de receptores ligantes de

    HDL. J a LpL catalisa a hidrlise dos TG presentes nos QM. Os quilomcrons remanescentes

    contm apoprotenas que os permitem ligar aos receptores hepticos que os levam para dentro

    dos hepatcitos por endocitose.

    Diante disso, pode-se tambm sugerir que, provavelmente a presena e a quantidade

    de pigmentos antocinicos e, possivelmente, outros compostos fenlico na FCJ tambm

    influiu no seu efeito hipocolesterolemiante e hipotrigliceridemiante. Kwon et al. (2007),

    observaram que as antocianinas extradas do gro de soja preta (Glycine max L.) e

    suplementadas em 10% em dieta hiperlipdica, foram eficazes na melhoria do perfil lipdico

  • 106

    de animais experimentais, especialmente dos TG (reduo de 45,2% em relao ao controle).

    Outros relatos cientficos apontam as antocianinas como favorveis no apenas no controle de

    dislipidemias, mas tambm no controle da presso arterial, em propriedades antiinflamatrias,

    preveno do cncer, mal de Alzheimer e doenas cardiovasculares, devido a suas

    propriedades antioxidantes que reduzem a oxidao do LDL (VACCARI et al., 2009;

    BASHO e BIN, 2010).

    No foi possvel observar resultados claros em relao glicemia dos animais. Tal fato

    pode ter ocorrido devido durao do experimento, que pode ter sido insuficiente para causar

    alteraes claras no metabolismo glicdico, associada substituio de parte do contedo de

    amido das dietas experimentais por FCJ, o que reduziu o contedo de carboidratos fornecidos.

    5.3 Anlises do fgado

    O acrscimo de lipdeos (adio de 7% de banha de porco) dieta PDR e a

    suplementao com FCJ nas propores de 7, 10 e 15%, no promoveu alteraes

    significativas (p>0,05) no peso corporal final, no peso do fgado e no peso relativo deste

    rgo nos animais aps os 28 dias de experimento (Tabela 4).

    Houve diferena significativa, para os nveis de colesterol heptico, apenas entre o

    grupo CTRL e JAB3, sendo este 36,31% menor que o CTRL. As dietas JAB1 e JAB2

    apresentaram nveis do colesterol heptico semelhantes aos do grupo PDR (Tabela 4).

    Tabela 4. Peso corporal final (g), Peso do fgado (g), Peso relativo do fgado (g) e Colesterol total (mg/dL)

    heptico de animais experimentais submetidos dieta hiperlipidica suplementada com 7, 10 e 15% de farinha da

    casca de jabuticaba

    Dietas* Peso final Pesofig** Prelfig*** Colesterolfig****

    PDR 248,16 a 21,60 8,80

    a 1,12 3,54

    a 0,21 161,90

    ab 36,46

    CTRL 246,30 a 49,42 8,41

    a 2,36 3,37

    a 0,32 220,53

    a 50,07

    JAB.1 266,84 a 16,73 8,78

    a 0,69 3,29

    a 0,12 193,90

    ab 52,22

    JAB.2 238,97 a 13,45 8,05

    a 0,57 3,37

    a 0,15 170,20

    ab 53,04

    JAB.3 248,06 a 14,39 8,27

    a 0,79 3,33

    a 0,19 140,45

    b 44,12

    *PDR = dieta AIN93M; CTRL = Dieta AIN93M + 7% de banha de porca; JAB1 = Dieta CTRL + 7% de farinha

    de casca de jabuticaba; JAB2 = Dieta CTRL + 10% de farinha de casca de jabuticaba; JAB3= Dieta CTRL +

    15% de farinha de casca de jabuticaba; **Pesofig= Peso final do fgado; ***Prelfig= Peso relativo do fgado

    (Pesofig X 100)/Peso corporal final; ****Colesterolfig= colesterol encontrado no fgado. Mdias seguidas de

    letras diferentes nas colunas diferem entre si (p

  • 107

    A ausncia de diferenas nos pesos totais e relativos dos fgados, quando da

    suplementao de dieta hiperlipdica com FCJ (7, 10 e 15%), sugere que no houve desvio do

    colesterol srico para este rgo, de modo a promover seu acmulo. As concentraes

    hepticas de colesterol reforam este achado. Assim, pode-se inferir que a FCJ reduziu os

    nveis de colesterol sricos e, por outro lado, impediu seu acmulo no fgado.

    Este resultado tambm pode ser atribudo, em parte, ao provvel contedo de fibras da

    FCJ. As fibras, em nvel intestinal, promovem reduo na reabsoro de sais biliares pelo

    intestino, ocasionando a utilizao do colesterol srico para a sntese heptica de novos cidos

    biliares, o que evitaria seu acmulo neste rgo (CAMIRE e DOUGHERTY, 2003;

    SAVAIANO e STORY, 2000; ELHARDALLOU, 1992). Adicionalmente, as fibras solveis e

    em menor extenso as insolveis, quando fermentadas pela microbiota intestinal, produzem

    cidos graxos de cadeia curta, tais como actico, propinico e butrico, que podem ser

    absortivos e utilizados para diversos fins (MAFFEI, 2004; SAAD, 2006) Segundo Salgado et

    al. (2005), o cido propinico, alm de acelerar o peristaltismo intestinal, inibe a sntese de

    colesterol endgeno no fgado, por reduzir a atividade da enzima HMGR. Desta forma, menos

    colesterol produzido. Ambos os efeitos supracitados podem ter contribudo para os menores

    nveis de colesterol hepticos, especialmente no grupo da dieta JAB3.

    5.4 Anlises das fezes

    Os animais alimentados com dietas suplementadas com as diferentes porcentagens de

    FCJ (7, 10 e 15%) apresentaram aumento significativo (p0,05) entre

    os grupos experimentais (Tabela 5, pg. 108).

    Houve reduo (p

  • 108

    Tabela 5. Peso mido (Pufe), Peso seco (PSfe), % de lipdeos (Lip.fezes) e pH das fezes de ratos submetidos a

    dietas hipercolesterolmicas com adio de farinha da casca de jabuticaba em diferentes propores

    Grupos* Pufe PSfe % Lip.fezes pH fezes

    PDR 17,07c 2,61 11,03

    c 0,89 4,53

    a 2,04 7,65

    a 0,20

    CTRL 14,39c 4,50 9,39

    c 2,32 5,05

    a 0,93 7,27

    b 0,22

    JAB1 23,57b 3,09 14,65

    b 1,40 5,27

    a 1,21 6,67

    d 0,12

    JAB2 22,87b 2,57 15,12

    b 1,58 4,91

    a 3,88 6,57

    d 0,06

    JAB3 32,48a 4,78 18,48

    a 1,80 3,48

    a 0,72 6,32

    c 0,05

    *PDR = dieta AIN93M; CTRL = Dieta AIN93M + 7% de banha de porca; JAB1 = Dieta CTRL + 7% de farinha

    de casca de jabuticaba; JAB2 = Dieta CTRL + 10% de farinha de casca de jabuticaba; JAB3= Dieta CTRL +

    15% de farinha de casca de jabuticaba; Mdias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si

    (p

  • 109

    putrefativos. Quantidades aumentadas de cidos graxos de cadeia curta tambm mediam o

    crescimento do epitlio intestinal como fonte direta de energia e via estimulao do hormnio

    do crescimento. Estes efeitos resultam em aumento da espessura e sade da parede intestinal.

  • 110

    6. CONCLUSES

    A FCJ apresentou efeito hipocolesterolemiante e hipotrigliceridemiante, sendo este

    maior com o aumento da quantidade suplementada.

    A reduo nas concentraes sricas de colesterol, paralela a reduo dos nveis de

    colesterol heptico, associadas ausncia efeitos na excreo fecal de lipdeos totais, permite

    especular que o efeito hipocolesterolemiante da FCJ ocorreu, pelo menos, em parte, devido

    reduo da sua sntese heptica.

    A reduo das concentraes sricas de triglicerdeos pode ter ocorrido pela menor

    absoro intestinal. No entanto, este efeito no repercutiu claramente na excreo fecal desses

    nutrientes.

    Possivelmente, o efeito hipolipidmico da FCJ advm dos efeitos biolgicos

    promovidos pela sua composio em fibras e substncias antioxidantes, tais como as

    antocianinas.

    O conhecimento da composio em fibras e compostos bioativos deste resduo

    essencial. Essas informaes podero ser utilizadas para melhor compreender os efeitos

    metablicos da FCJ e garantir a segurana da sua ingesto como alimento.

  • 111

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  • 119

    ANEXO 1

    Consumo recomendado de nutrientes minerais/dia

    Minerais

    Categoria Idade (anos e

    meses)

    Clcio

    (mg)

    Fsforo

    (mg)

    Magnsio

    (mg)

    Ferro

    (mg)

    Zinco

    (mg)

    Cobre

    (g)

    Mangans

    (mg)

    Potssio

    (mg)

    Bebes 0 a 6 m

    7 a 12 m

    210

    270

    100

    275

    30

    75

    0,27

    11

    2

    3

    200

    220

    0,003

    0,6

    0,4

    0,7

    Crianas 1 a 3 anos

    4 a 8 anos

    500

    800

    460

    500

    80

    130

    7

    10

    3

    5

    340

    440

    1,2

    1,5

    3,0

    3,8

    Homens 9 a 13anos

    14 a 18 anos

    19 a 30 anos

    31 a 50 anos

    51 a 70 anos

    > 70 anos

    1300

    1300

    1000

    1000

    1200

    1200

    1250

    1250

    700

    700

    700

    240

    410

    400

    420

    420

    420

    8

    11

    8

    8

    8

    8

    8

    11

    11

    11

    11

    11

    700

    890

    900

    900

    900

    900

    1,9

    2,2

    2,3

    2,3

    2,3

    2,3

    4,5

    4,7

    4,7

    4,7

    4,7

    4,7

    Mulheres 9 a 13anos

    14 a 18 anos

    19 a 30 anos

    31 a 50 anos

    51 a 70 anos

    > 70 anos

    1300

    1300

    1000

    1000

    1200

    1200

    1250

    1250

    700

    700

    700

    240

    360

    310

    320

    320

    320

    8

    15

    18

    18

    8

    8

    8

    9

    8

    8

    8

    8

    700

    890

    900

    900

    900

    900

    1,6

    1,6

    1,8

    1,8

    1,8

    1,8

    4,5

    4,7

    4,7

    4,7

    4,7

    4,7

    Gestantes de 18 anos

    19 a 30 anos

    31 a 50 anos

    1300

    1000

    1000

    1250

    700

    700

    400

    350

    360

    27

    27

    27

    13

    11

    11

    1000

    1000

    1000

    2

    2

    2

    4,7

    4,7

    4,7

    Lactantes de 18 anos

    19 a 30 anos

    31 a 50 anos

    1300

    1000

    1000

    1250

    700

    700

    360

    310

    320

    10

    9

    9

    14

    12

    12

    1300

    1300

    1300

    2,6

    2,6

    2,6

    5,1

    5,1

    5,1

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