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  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

    DEPARTAMENTO DE SADE

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO ENFERMAGEM E SADE

    AVALIAO DOS ASPECTOS DA GESTO EM SADE

    EM MUNICPIOS DE PEQUENO PORTE DA

    MICRORREGIO DE JEQUI BAHIA

    ROSELI MARIA CARDOSO RIBEIRO

    JEQUI/BA 2012

  • ROSELI MARIA CARDOSO RIBEIRO

    AVALIAO DOS ASPECTOS DA GESTO EM SADE

    EM MUNICPIOS DE PEQUENO PORTE DA

    MICRORREGIO DE JEQUI BAHIA.

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade, em nvel de Mestrado Acadmico do Departamento de Sade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB, com rea de concentrao Enfermagem em Sade Pblica, para obteno do ttulo de Mestre em Enfermagem e Sade.

    Linha de Pesquisa: Polticas, Planejamento e Gesto em Sade Orientadora: Prof. DSc. Alba Benemrita Alves Vilela

    Co-orientador: Prof. DSc. Cezar Augusto Casotti

    JEQUI/BA 2012

  • ROSELI MARIA CARDOSO RIBEIRO

    Ribeiro, Roseli Maria Cardoso. R372 Avaliao dos aspectos da gesto em sade em municpios de

    pequeno porte da microrregio de Jequi-Bahia/Roseli Maria Cardoso Ribeiro.- Jequi, 2012.

    108 f: il.; 30cm. (Anexos) Dissertao (Mestrado-Programa de ps-graduao em enfermagem e sade) - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 2012. Orientadora Prof. DSc. Alba Benemrita Alves Vilela.

    1. Sade pblica Gesto 2. Sade pblica SUS 3. SUS Polticas pblicas de sade I. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia II. Ttulo.

    CDD 614.0981

  • FOLHA DE APROVAO

    RIBEIRO, Roseli Maria Cardoso. Avaliao dos aspectos da gesto em sade em municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi Bahia. 2012. Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade. rea de Concentrao: Sade Pblica. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Jequi-BA.

    BANCA EXAMINADORA

    _______________________________________________________ Prof. DSc. Alba Benemrita Alves Vilela

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB (Orientadora e presidente da Banca)

    ______________________________________________________ Prof. DSc. Adriana Alves Nery

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB Examinadora

    _____________________________________________________ Prof DSc. Ana Anglica Leal Barbosa

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB Examinadora

    Jequi-BA, 01 de maro de 2012.

  • Sobre as guasSobre as guasSobre as guasSobre as guas Toque No Altar

    Se o sol se por E a noite chegar

    Tu s quem me guia. Se a tempestade me alcanar

    Tu s meu abrigo.

    Se o mar me submergir A tua mo

    Me traz a tona pra respirar E me faz andar Sobre as guas

    Tu s o Deus da minha salvao, s o meu dono, minha paixo, Minha cano e o meu louvor.

    Aleluia!

  • Deus, fonte de amor ilimitado, pela fora e sabedoria.

    Digno s, Senhor, de receber glria e honra,

    e poder, porque tu criaste todas as coisas,

    e por tua vontade so e sero criadas. (Apocalipse 4.11)

  • AGRADECIMENTOS

    A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ao Programa Ps-Graduao em Enfermagem e Sade (PPGES-UESB) e ao seu corpo docente pela dedicao, firmeza e saberes compartilhados; professora DSc. Alba Benemrita Alves Vilela, minha amada orientadora, pela motivao, dedicao e pacincia, e, por acreditar em mim, mesmo nos momentos de incerteza. Grande minha admirao por voc; Ao professor DSc. Cezar Augusto Casotti, meu co-orientador, pelo estmulo, solidariedade e ateno, que muito contriburam para a realizao deste trabalho; s professoras Cristina Setenta e Vitria Solange, presentes na qualificao, pelo tempo que dispuseram e pelas valiosas contribuies para a composio desse estudo; As professora DSc. Adriana Alves Nery e DSc. Anha Anglica Leal Barbosa pela disponibilidade e valiosa contribuio na concluso deste estudo; s Secretarias Municipais de Sade, por ter autorizado a coleta de dados; minha me, Leondia, mulher guerreira, que est ao meu lado em todos os momentos; Ao meu pai, Deodato, pelo carinho e admirao a mim dedicados. Aos meus filhos, Francielli e Jnior, por entenderem os momentos de ausncia e por verdadeiras heranas de Deus em minha vida; Aos meus netos, Gabriel e Joanna, por serem bnos em minha vida e por compreenderem os momentos que no pode compartilhar com vocs o uso do computador; minha irm, Rosendy, pelas palavras de f e de incentivo, pelo afeto e dedicao em ouvir meus desabafos. Agradeo a Deus pela sua vida e de sua famlia. D. Jlia, pelo carinho e pelas oraes em favor da minha vida. amiga, Ndja, companheira de todas as horas pelo apoio, carinho e pelas palavras de nimo nos momentos de cansao e ansiedade; Ao professor MSc. Jair Magalhes da Silva, meu amigo, pela disponibilidade em compartilhar saberes e experincias preciosas para a construo desse trabalho; Aos funcionrios do Mestrado, em especial a Neilma Souza Bispo pela pacincia e compreenso com que trataram nossas demandas. Vocs tambm contriburam para esta realizao; Aos colegas do Mestrado, desde a primeira turma, pelo carinho, companheirismo e incentivo e pelos momentos maravilhosos que passamos juntos. O meu sincero agradecimento;

  • colega Elisama Nascimento Rocha pelo apoio na realizao e transcrio das entrevistas; James, amigo/irmo, pela sabedoria e pacincia nos nossos projetos e artigos produzidos juntos, por compartilhar os conhecimentos durante o processo de construo desse trabalho; s minhas amigas e companheiras de trabalho, Karlla Bispo, Danuza Britto e Aparecida Cabral, pela motivao constante e pelas oraes que me sustentaram todos os dias de construo do trabalho; Aos meus irmos, da Igreja do Evangelho Quadrangular, por compreenderem a minha ausncia e pelas intercesses em favor de minha vida e de minha famlia; Maria da Graas Pereira, pela formatao desse trabalho. Sou eternamente agradecida. Aos informantes que aceitaram participar do estudo. Muito obrigado; todos que de alguma forma contriburam para o sucesso deste trabalho, minha eterna gratido!

  • RESUMO

    A descentralizao tem sido um elemento importante na construo de novas prticas de sade, considerando um sistema federativo especial, em que os municpios so entes federados, dotados de autonomia poltica, administrativa e financeira, com um papel de protagonista da gesto do sistema de sade em seu territrio, definido constitucionalmente. Essa pesquisa teve como objeto de estudo a avaliao dos aspectos da gesto em sade em municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA. O objetivo geral foi avaliar o processo de implementao do SUS em municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA; e os objetivos especficos foram caracterizar a estrutura organizacional do sistema de sade, identificar os fatores que contriburam para a implementao do SUS e conhecer os limites encontrados no processo de implementao do SUS. Foram abordadas algumas consideraes sobre polticas pblicas, processo da poltica de sade no Brasil e descentralizao em sade. A estratgia de pesquisa utilizada foi o estudo de caso por ser uma investigao emprica que investiga um fenmeno contemporneo em profundidade e em seu contexto de vida real. Utilizamos como tcnicas de coleta de dados a entrevista semi-estruturada, anlise documental e observao direta. Os sujeitos do estudo constituram-se em gestores e tcnicos/gestores da SMS. Tem como campo de investigao dois municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi. Na anlise dos dados foi utilizada a Tcnica de Anlise de Contedo de Bardin. Os dados empricos evidenciaram que existe uma dependncia do financiamento federal para o desenvolvimento das aes e servios de sade, alm da dificuldade com relao acessibilidade dos usurios aos servios especializados de mdia e alta complexidade. A inexistncia de Plano de Carreiras, Cargos e Salrios contribui para a rotatividade de profissionais nas diversas reas de atuao do sistema municipal de sade. Como avanos foram identificados elaborao de instrumentos bsicos de gesto de forma sistematizada, prticas de avaliao e planejamento e o conhecimento dos gestores a cerca da realidade local. Por tais razes, h necessidade de mudana de direcionalidade na poltica municipal de sade dos municpios-caso, tanto na gesto do sistema, quanto na reorganizao do modelo de ateno, visando reduzir as dificuldades e limites identificados e garantir uma assistncia de qualidade a populao. Palavras-chave: gesto em sade, polticas pblicas de sade e SUS.

  • ABSTRACT

    The decentralization has been an important element in the construction of new health practices, considering a special federative system, in which the municipalities are federal entities, given political, administrative and financial autonomy, with a lead role in the management of the health system in its territory, defined constitutionally. This research had as study object the evaluation of health management aspects in small municipalities in the micro region of Jequi-BA. The general objective was to evaluate the SUS implementation process in small municipalities in the micro region of Jequi-BA; and the specific objectives were characterize the organizational structure of the health system, identify the elements that contributed to the implementation of the SUS and to know the limits found in that process. Some considerations were made about public policies, the process of health policies in Brazil and the decentralization in health. The research strategy used was case study, because it is and empirical investigation that investigates a contemporary phenomenon in depth and in its real life context. We utilized as data collection techniques the semi structured interview, documental analysis and direct observation. The subjects of the study were managers and technical-managers of the SMS (municipal health office). It was conducted in two small-sized municipalities in the micro region of Jequi. In data analyze was used Bardin Analyzes of Content Technique. The empirical data showed the existence of a dependency of federal funding for the development of health initiatives and services, besides the difficulty in regards to user accessibility to the specialized services of average and high complexity. The nonexistence of Career Plans, Job Positions and Salaries contribute to the staff turnover in the several acting areas of the municipal health system. In terms of advancements there were identified, the systemized elaboration of basic managing tools, evaluation and planning practices and the managements knowledge regarding the local reality. For such reasons, there is need of a change of direction in municipal health policy in the case study municipalities, in regards to system management, as well as the reorganization of the healthcare, with the purpose of reducing the difficulties and limits identified and guarantee a quality assistance for the population. Keywords: Management in health, public policies in health and SUS.

  • LISTA DE TABELAS

    Tabela 01 - Caractersticas scio-demogrficas dos municpios, segundo as fontes IBGE e DATASUS. Bahia, 2011.

    46

    Tabela 02 - Taxa de Mortalidade infantil por municpio estudado. Bahia, 2005

    a 2009

    49

    Tabela 03 - Aspectos poltico-institucionais por municpio estudado. Bahia, 2011.

    51

    Tabela 04 - Proporo de recursos do tesouro municipal aplicados no setor sade por municpio estudado. Bahia, 2005 a 2009.

    58

    Tabela 05 - Aspectos organizacionais por municpio estudado. Bahia, 2011.

    60

  • LISTA DE QUADROS

    Quadro 01 - Caracterizao dos gestores municipais de sade, Bahia, 2011. 41

    Quadro 02 - Caracterizao dos coordenadores da Ateno Bsica e Vigilncia Sade, Bahia, 2011

    42

    Quadro 03 - Caracterizao dos tcnicos autorizadores de regulao, Bahia, 2011.

    44

    Quadro 04 - Caracterizao dos responsveis pela alimentao dos Sistemas de Informao, Bahia, 2011

    45

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 01 - Organograma da Secretaria Municipal de Sade do municpio 01. Bahia, 2011.

    72

    Figura 02 - Organograma da Secretaria Municipal de Sade do municpio 02.

    Bahia, 2011.

    76

  • LISTA DE SIGLAS

    AIS Aes Integradas de Sade

    BPC Benefcio de Prestao Continuada

    CAP Caixa de Aposentadoria e Penso

    CMS Conselho Municipal de Sade

    CNS Conferncia Nacional de Sade

    CONASEMS Conselho Nacional de Secretrios Municipais de Sade

    CONASP Conselho Nacional de Administrao da Sade Previdenciria

    CONASS Conselho Nacional de Secretrios de Sade

    COSEMS Conselho de Secretrios Municipais de Sade

    DNSP Departamento Nacional de Sade Pblica

    DIRES Diretoria Regional de Sade

    EPS Educao Permanente em Sade

    ESF Estratgia de Sade da Famlia

    IAP Instituto de Aposentadoria e Penso

    IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

    INPS Instituto Nacional de Previdncia Social

    LOAS Lei Orgnica da Assistncia Social

    LOS Lei Orgnica da Sade

    LOSS Lei Orgnica da Seguridade Social

    MS Ministrio de Sade

    NOAS Normas Operacionais de Assistncia Sade

    NOB Norma Operacional Bsica

  • OPAS Organizao Pan-Americana de Sade

    PACS Programa de Agentes Comunitrios de Sade

    PCCS Plano de Carreiras, Cargos e Salrios

    PDR Plano Diretor de Regionalizao

    PEA Populao Economicamente Ativa

    PIB Produto Interno Bruto

    PNEPS Poltica Nacional de Educao Permanente em Sade

    PMS Plano Municipal de Sade

    PPI Programao Pactuada e Integrada

    PREV-SADE Programa Nacional de Servios Bsicos de Sade

    PSF Programa de Sade da Famlia

    RAG Relatrio Anual de Gesto

    RSB Reforma Sanitria Brasileira

    SIAB Sistema de Informao da Ateno Bsica

    SMS Secretaria Municipal de Sade

    SUDS Sistema Unificado e Descentralizado de Sade

    SUS Sistema nico de Sade

    TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

    TMI Taxa de Mortalidade Infantil

    UESB Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

  • SUMRIO

    1 CONTEXTUALIZANDO O OBJETO DE ESTUDO 16

    2 REFERENCIAL TERICO 21

    2.1

    2.2

    2.3

    CONSIDERAES PRVIAS SOBRE POLTICAS PBLICAS

    UM POUCO DA HISTRIA DA SADE NO BRASIL

    DESCENTRALIZAO DA SADE

    22

    24

    29

    3 CAMINHO METODOLGICO 35

    4 RESULTADOS E DISCUSSO 40

    4.1

    4.2

    4.3

    4.4

    CARACTERIZAO DOS SUJEITOS DO ESTUDO

    CARACTERIZAO DOS MUNICPIOS

    ASPECTOS POLTICO-INSTITUCIONAIS

    ASPECTOS ORGANIZACIONAIS

    41

    46

    51

    60

    5 CONSIDERAES FINAIS 79

    REFERNCIAS 82

    ANEXOS 88

    ANEXO A: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

    ANEXO B: Roteiro de entrevista para o Secretrio Municipal de Sade

    ANEXO C: Roteiro de entrevista para o Coordenador da Ateno Bsica

    ANEXO D: Roteiro de entrevista para o Coordenador da Vigilncia em Sade

    ANEXO E: Roteiro de entrevista para o Coordenador de Sade Bucal

    ANEXO F: Roteiro de entrevista para o Diretor do Hospital

    ANEXO G: Roteiro de entrevista para o responsvel pela marcao de exames especializados

    ANEXO H: Roteiro de entrevista para o digitador

    ANEXO I: Ofcio CEP/UESB

    ANEXO J: Roteiro de Anlise Documental

    89

    90

    93

    97

    100

    102

    104

    106

    107

    108

  • Mas, pela graa de Deus sou o que sou.

    1 Corntios 15.10a

    1 CONTEXTUALIZANDO O OBJETO DE ESTUDO

  • 17

    A motivao e inquietao para estudar este tema iniciaram desde a concluso

    da graduao do Curso de Enfermagem, onde naquele momento as Polticas Pblicas

    de Sade vinham sofrendo influncia da Reforma Sanitria Brasileira e iniciava-se o

    processo de municipalizao no pas e mais de perto no municpio onde me encontrava

    sendo absorvida pelo mercado de trabalho. Neste contexto atuar como profissional de

    nvel superior na 13 Diretoria Regional de Sade (DIRES) em Jequi-BA,

    especificamente na condio de Supervisora dos Servios de Sade, momento em que

    acompanhei e monitorei alguns municpios de mdio e pequeno porte na microrregio

    de responsabilidade desta diretoria.

    Sendo assim, tive a oportunidade de vivenciar a implantao e construo do

    Sistema nico de Sade (SUS), desde o seu incio nos municpios desta regional.

    Mesmo reconhecendo que existem inmeros desafios a serem enfrentados com relao

    implementao do SUS e que ainda h vrias lacunas a serem preenchidas, possvel

    efetivar esta poltica pblica, tornando-a realidade em todo o territrio brasileiro,

    mesmo nos mais longnquos e pequeninos municpios de nosso pas.

    Vale ser ressaltado tambm minha vivencia no Movimento da Reforma

    Sanitria Brasileira; as Aes Integradas de Sade (AIS); o surgimento do Sistema

    Unificado e Descentralizado de Sade (SUDS), precursor do SUS; passando pelo

    perodo de edio da primeira Norma Operacional Bsica (NOB), em 1991 at o

    momento atual, onde est em vigor o Pacto pela Sade (BRASIL, 2006). Durante este

    perodo, atuamos em diversas reas da gesto, tanto em nvel estadual quanto

    municipal, com destaque para a funo de Instrutora/Supervisora do Programa de

    Agentes Comunitrios de Sade (PACS), e logo em seguida, como Coordenadora

    Regional e Municipal do PACS e Programa de Sade da Famlia (PSF), no municpio

    de Jequi-BA.

    Posteriormente, atuei no Departamento de Planejamento e logo em seguida na

    Assessoria de Controle, Avaliao e Auditoria da Secretaria Municipal de Sade

    (SMS) de Jequi, compreendo sua estrutura organizacional, bem como a complexidade

    do sistema de sade. Atualmente desenvolvemos nossas atividades profissionais no

    Ncleo Microrregional das Linhas de Cuidado e Educao Permanente para a Ateno

    Bsica (NMRLC).

  • 18

    De 1996 at 2006 podemos participar de vrios processos seletivos do PACS,

    tanto na regio da 13 DIRES como em outras regies de sade da Bahia.

    Acompanhamos ainda, a implantao do PSF nos municpios pertencentes a 13

    DIRES, desde a realizao da territorializao at a seleo dos trabalhadores que

    iriam atuar nas equipes.

    Cabe registrar que a autora desta investigao desde dezembro de 2001 passou a

    atuar enquanto docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ministrando a

    disciplina Enfermagem em Sade Coletiva III, na qual vem desenvolvendo atividades

    prticas nas reas de abrangncia das Unidades de Sade da Famlia (USF) e, em

    momentos pontuais ministrou ainda as disciplinas Polticas Pblicas de Sade, nos

    cursos de enfermagem e fisioterapia; Epidemiologia I e II, no curso de enfermagem;

    Sistema de Sade, no curso de Farmcia; Planejamento e Gesto e Gerenciamento em

    Enfermagem. A atuao nas diversas disciplinas por certo contribuiu muito para a

    construo e anlise desta investigao.

    Outro motivo que tambm contribuiu pela escolha deste objeto de pesquisa foi a

    nossa experincia a partir de 1999, como facilitadora do Treinamento Introdutrio para

    Equipes de Sade da Famlia no Plo de Capacitao, Formao e Educao

    Permanente de Pessoal para Sade da Famlia, em parceria com o Instituto de Sade

    Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), a Secretaria Estadual de

    Sade da Bahia (SESAB) e as Universidades Estaduais da Bahia (UESC, UESB,

    UEFS e UNEB), em nosso caso, em particular Universidade Estadual do Sudoeste da

    Bahia (UESB).

    Durante o processo de capacitao em que atuvamos enquanto facilitadora do

    processo construo do conhecimento, seguamos as atividades proposta pelo Manual

    do Treinamento Introdutrio, que definia para a primeira etapa, dois turnos de

    discusses sobre Poltica de Sade no Brasil. E no momento da segunda etapa, quando

    retornvamos aos municpios, podamos observar o quanto trabalhar este contedo

    contribua para a consolidao da Estratgia de Sade da Famlia (ESF).

    Relacionando esse contexto com as atividades docentes, surgiram as primeiras

    inquietaes quanto disciplina Enfermagem em Sade Coletiva III, resultando em

    adequaes no seu Plano de Curso durante estes dez anos de atuao, buscando que os

  • 19

    discentes pudessem articular a teoria com a prtica, atravs da discusso dos contedos

    terico-metodolgicos subsidiados por reflexes do desenvolvimento da poltica de

    sade no mbito municipal.

    Outra experincia marcante foi a de podermos acompanhar a implementao do

    SUS no municpio de Jequi, a sua habilitao na Gesto Plena da Ateno Bsica em

    1998, obedecendo s exigncias da NOB 01/96, ficando assim responsvel pela

    elaborao da programao municipal dos servios bsicos; gerncia de unidades

    prprias; reorganizao das unidades sob gesto pblica, introduzindo a prtica do

    cadastramento dos usurios do SUS, dentre outros, como tambm quando este assume

    uma nova e mais complexa responsabilidade ao conseguir a habilitao na Gesto

    Plena do Sistema Municipal de Sade em 21 de maro de 2001, cumprindo as

    determinaes contidas na NOAS 01/2002.

    Alm disso, atuando como integrante do Ncleo Microrregional das Linhas de

    Cuidado, enquanto facilitadora do Acolhimento Pedaggico, proposta que se soma ao

    processo de qualificao da Estratgia Sade da Famlia (ESF) do Estado da Bahia,

    buscando receber os trabalhadores na Estratgia com a perspectiva da significao dos

    conceitos, pressupostos e diretrizes do Sistema nico de Sade (SUS) e da Ateno

    Bsica a partir do cotidiano das equipes, nos inquietou ainda mais a estudar este tema.

    Com a vivncia em diversas reas da Sade Coletiva, e diante das dificuldades

    enfrentadas com relao implantao das aes de regulao, controle, avaliao e

    auditoria numa SMS, evidenciamos que no havia uma estrutura organizacional

    instituda para dar conta de todas as responsabilidades e prerrogativas a um municpio

    habilitado na Gesto Plena do Sistema Municipal de Sade.

    Na pesquisa ora realizada teve-se como inquietao principal e como objeto de

    estudo a avaliao dos aspectos da gesto em sade com as seguintes questes

    norteadoras:

    Como ocorreu o processo de implementao do SUS em municpios de

    pequeno porte da microrregio de Jequi-BA?

    Quais os fatores que contriburam para o processo de implementao do

    SUS em municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA?

  • 20

    Quais os limites encontrados no processo de implementao do SUS em

    municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA?

    Tais questes se traduziram nos seguintes objetivos:

    Geral: Avaliar o processo de implementao do SUS em municpios de

    pequeno porte da microrregio de Jequi-BA.

    Especficos:

    Caracterizar a estrutura organizacional do sistema de sade em municpios

    de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA;

    Identificar os fatores que contriburam para a implementao do SUS em

    municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA;

    Conhecer os limites encontrados no processo de implementao do SUS em

    municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi-BA.

    Por meio da realizao deste estudo, poderemos contribuir com a produo de

    conhecimentos, no sentido de superar alguns desafios nas prticas de Sade Coletiva

    nos municpios estudados, assim como, contribuir para suscitar um novo olhar

    singular e diferenciado dos gestores e tcnicos da rea de sade a respeito do

    processo de implementao do SUS, fornecendo-lhes subsdios para refletir sobre a

    organizao do sistema de sade no mbito municipal, o que poder proporcionar a

    reafirmao da importncia da construo coletiva deste processo entre os atores do

    SUS que transcende o simples fazer.

  • Mas os que esperam no Senhor renovaro

    as suas foras e subiro com asas como guia; correro e no se cansaro;

    caminharo e no se fatigaro.

    Isaias 40.31

    2 REFERENCIAL TERICO

  • 22

    2.1 CONSIDERAES PRVIAS SOBRE POLTICAS PBLICAS

    Nos dias atuais os conceitos de Polticas Pblicas na maioria das vezes se

    encontram vinculados a alguma instituio emanada do poder pblico (Prefeituras,

    Secretarias, Ministrios), podendo ser geradas atravs de algum rgo governamental,

    porm, nada impede que organizaes no governamentais ou institutos privados

    possam promov-las. Assim, Lucchesse (2004), considera que o acompanhamento dos

    processos pelos quais as polticas pblicas so implementadas e a avaliao de seu

    impacto sobre a situao existente deve ser permanente, por se materializarem atravs

    da ao concreta de sujeitos sociais e de atividades institucionais que as realizam em

    cada contexto e condicionam seus resultados.

    Lucchese (2004) define as polticas pblicas como o conjunto de disposies,

    medidas e procedimentos que traduzem a orientao poltica do Estado e regulam as

    atividades governamentais relacionadas s tarefas de interesse pblico, atuando e

    influindo sobre a realidade econmica, social e ambiental. Variam de acordo com o

    grau de diversificao da economia, com a natureza do regime social, com a viso que

    os governantes tm do papel do Estado no conjunto da sociedade, e com o nvel de

    atuao dos diferentes grupos sociais (partidos, sindicatos, associaes de classe e

    outras formas de organizao da sociedade).

    As polticas pblicas traduzem, no seu processo de elaborao e implantao e,

    sobretudo, em seus resultados, formas de exerccio do poder poltico, envolvendo a

    distribuio e redistribuio de poder, o papel do conflito social nos processos de

    deciso, a repartio de custos e benefcios sociais. Como o poder uma relao social

    que envolve vrios atores com projetos e interesses diferenciados e at contraditrios,

    h necessidade de mediaes sociais e institucionais, para que se possa obter um

    mnimo de consenso e, assim, as polticas pblicas possam ser legitimadas e obter

    eficcia (TEIXEIRA, 2002).

    Elaborar uma poltica pblica significa definir quem decide o qu, quando, com

    que consequncias e para quem. So definies relacionadas com a natureza do

    regime poltico em que se vive, com o grau de organizao da sociedade civil e com a

  • 23

    cultura poltica vigente. Nesse sentido, nem sempre polticas governamentais so

    pblicas, embora sejam estatais. Para serem pblicas, preciso considerar a quem se

    destinam os resultados ou benefcios, e se o seu processo de elaborao submetido ao

    debate pblico (TEIXEIRA, 2002).

    Polticas pblicas so diferentes das polticas sociais e governamentais, no s

    pelo fato de no emanarem apenas de propostas do poder pblico, mas tambm, pelo

    fato de exercer o direito a cidadania por parte dos sujeitos envolvidos no processo,

    utilizando-se para tanto, a democracia e a participao como meio de interferncia

    sobre o poder do Estado (PALMEIRA; LECHNER, 1996).

    Ao contrrio de como pensa o senso comum, as polticas pblicas, que

    poderiam apenas ser formuladas pelo poder pblico ou concebidas pelo setor

    governamental, so polticas abertas comunidade, tendo como caracterstica principal

    a forte participao dos sujeitos na formulao das propostas que visam melhoria de

    sua qualidade de vida. Em sua natureza e contedo, se originam do esforo de amplos

    setores da populao que lutam pela melhoria de suas condies de vida, exercendo

    assim, seu poder de participao poltica, ou seja, a democracia (PALMEIRA;

    LECHNER, 1996).

    importante considerar alguns tipos de polticas, para que se possa definir o

    tipo de atuao que se pode ter frente a sua formulao e implementao. Conforme

    Teixeira (2002), vrios critrios podem ser utilizados, tais como:

    Quanto natureza ou grau da interveno, podendo ser estrutural (voltadas

    para a renda e emprego) ou conjuntural (voltadas para uma situao

    temporria ou emergencial);

    Quanto abrangncia dos possveis benefcios, podendo ser universais (para

    todos os cidados), segmentais (para um segmento da populao por um

    fator determinante como idade, condio fsica ou gnero), fragmentadas

    (voltadas a grupos sociais dentro de cada segmento da sociedade), ou ainda,

    Quanto aos impactos que podem causar aos beneficirios, ou ao seu papel

    nas relaes sociais, podendo ser distributivas (voltadas para a distribuio

    de benefcios individuais), redistributivas (voltadas a adequar a distribuio

    de benefcios entre grupos sociais), regulatrias (voltadas definio de

  • 24

    regras e procedimentos que regulem comportamento dos atores para atender

    interesses gerais da sociedade).

    Entende-se como poltica uma dada distribuio do poder no Estado, na

    sociedade e instituies. Mais que princpios, diretrizes e planos de ao, as polticas

    de sade tm a ver com a distribuio dos poderes tcnico (informaes),

    administrativo (recursos) e poltico (mobilizao), no mbito setorial, e com as formas

    de apropriao e exerccio dos poderes poltico (fora), econmico (riqueza),

    ideolgico (saber) e simblico (representaes) no mbito societrio. Desde que no se

    confunda o pblico com o estatal, uma poltica pblica em sade corresponde s

    respostas sociais via Estado, empresas, o chamado terceiro setor e comunidade

    face s condies de sade e dos seus determinantes, bem como diante da produo,

    distribuio e regulao de bens, servios e ambientes que afetam a sade das pessoas

    e das populaes (PAIM, 2003).

    2.2 UM POUCO DA HISTRIA DA SADE NO BRASIL

    No final do sculo XIX, o Estado brasileiro no possua uma forma de atuao

    sistemtica sobre a sade da populao, atuavam pontualmente em situaes de

    epidemia. Naquele momento, a economia brasileira era essencialmente agrcola, cujo

    modelo vigente era agroexportador assentado na economia cafeeira. Sendo assim, o

    foco da ateno do governo brasileiro era o saneamento dos espaos de circulao de

    mercadoria e a erradicao ou controle de algumas doenas que poderiam prejudicar a

    exportao.

    Nesse contexto, foi criado o Departamento Nacional de Sade Pblica (DNSP)

    em 1923, marco inicial da atuao do governo federal na sade, para atender interesses

    do estado. No mesmo ano, foi criado atravs da Lei Eli Chaves, o embrio do que

    hoje conhecemos como previdncia social e sade previdenciria: as Caixas de

    Aposentadorias e Penses (CAPs). Estas eram organizadas por empresas, mantidas e

    geridas pelos patres e empregados. A lgica de seu surgimento partiu do pressuposto

    de que as empresas eram estratgicas para a economia nacional fundarem suas caixas,

  • 25

    que funcionavam como uma espcie de seguro social para garantir certos benefcios

    como a aposentadoria e, principalmente a assistncia mdica, apenas aos que pagavam

    tal contribuio (RONCALLI, 2003).

    Entretanto, com a extino das CAPs, so criados os Institutos de

    Aposentadorias e Penses (IAPs), onde passa a haver a participao do Estado, atravs

    de uma contribuio tripartite, ou seja, patres, empregados e o Estado. Os IAPs

    passam a se organizar por categorias e o primeiro a surgir o dos martimos em 1933,

    seguido dos comercirios e dos bancrios em 1934. Enquanto as CAPs privilegiavam a

    assistncia mdica como um dos principais benefcios, os IAPs, j com a participao

    do governo e, portanto, com uma poltica mais contencionista, privilegiam a

    previdncia social, mantendo a assistncia mdica num segundo plano.

    Em meados dos anos 60, a Medicina Previdenciria, torna-se cada vez mais

    importante para o Estado, conquistando espao e assumindo sua predominncia, poca

    em que ocorre a unificao de todos os Institutos de Aposentadorias e Penses (IAPs)

    numa nica instituio estatal: o Instituto Nacional de Previdncia Social (INPS).

    Tal fato contribuiu para a ampliao do modelo brasileiro de seguro social e de

    prestao de servios mdicos. Porm, o direito a assistncia sade era uma

    prerrogativa dos trabalhadores que tinham carteira assinada ou que contribuam com a

    previdncia.

    Alm de excludente, este modelo de prestao de servios era extremamente

    perverso, pois as caractersticas de sua prtica no guardavam nenhum compromisso

    com a melhoria dos nveis de sade da populao. Era um tipo de servio que, pelo

    fato de ser uma produo privada de servios, paga pelo Estado atravs da

    Previdncia, criava um estmulo corrupo. Os famosos escndalos da Previdncia

    Social estiveram em evidncia na dcada de 70, onde hospitais faturavam por

    procedimentos que no eram realizados.

    A partir do incio dos anos 80, com a abertura poltica, os movimentos em

    defesa de uma poltica de sade mais abrangente e disponvel para todos vo se

    estruturando, a partir de discusses acadmicas sobre as polticas de sade e da

    reestruturao das organizaes de trabalhadores da sade, fortalecendo o Movimento

    Sanitrio Brasileiro, que teve uma atuao marcante nos destinos do sistema de sade.

  • 26

    De acordo com Magalhes (2006) a capacidade do Estado em assumir os

    servios de sade, no mbito da sade pblica, hospitalar e ambulatorial foi

    determinada a partir de alternativas que encontraram algumas limitaes, a exemplo da

    proposta de implantao de estratgias importantes no processo de descentralizao da

    sade, das quais destacam-se o Programa de Interiorizao das Aes de Sade e

    Saneamento PIASS (1976), o Programa Nacional de Servios Bsicos de Sade

    PREV-SADE (1980), que na prtica nunca deixou de ser uma teoria, e foi seguido

    pelo Plano do Conselho Nacional de Administrao da Sade Previdenciria

    CONASP (1982). Este ltimo foi determinante na implantao das polticas das Aes

    Integradas de Sade AIS (1983) e do Sistema Unificado e Descentralizado de Sade

    SUDS (1987), a primeira aproximao estratgica para Sistema nico de Sade

    (SUS).

    Considerada como um divisor de guas no Movimento Sanitrio, a VIII

    Conferncia Nacional de Sade, constituiu o maior frum de debates sobre a situao

    de sade do pas e seu relatrio serviu de base para a proposta de reestruturao do

    sistema de sade brasileiro. Entre as propostas elencadas no relatrio, constam os

    conceitos ampliados de sade, onde esta entendida como resultante das condies de

    vida, alimentao, lazer, acesso e posse da terra, transporte, emprego, moradia. Alm

    disso, a sade colocada como direito de todos e dever do Estado.

    A implantao do SUS, aps seu surgimento na Constituio Federal (CF) de

    1988 e sua regulamentao nas Leis Orgnicas da Sade (LOS) n 8080/90 e n

    8142/90, passou por diversas fases. Contudo, todas as tentativas de organizar o sistema

    foram pautadas pelo financiamento federal, grifo meu, e no pelas necessidades de

    sade da populao. Assim, evidenciamos que a sua organizao foi muito mais

    centrada no financiamento do que nos ditames das leis que o regulamentam, os

    resultados pretendidos ou as necessidades do sistema (SANTOS; ANDRADE, 2007).

    Com a aprovao da nova CF, inicia-se a concretizao das propostas da

    Reforma Sanitria Brasileira (RSB) e a implementao do Sistema nico de Sade, o

    SUS. Na referida Constituio, foi includa, pela primeira vez, uma seo sobre a

    Sade, incorporando os conceitos e propostas do Relatrio da VIII Conferncia, ou

    seja, a Constituio incorporou as propostas da Reforma Sanitria.

  • 27

    Paim (2007) destaca que o estudo sobre a Reforma Sanitria Brasileira (RSB)

    no se resume ao movimento sanitrio. Supe analis-la como proposta, projeto e

    processo de reforma social e, como tal, requer uma anlise do desenvolvimento da

    formao social brasileira e de conjunturas especficas, tendo como referncia os

    conceitos gramscianos de revoluo passiva e transformismo. H, portanto, que

    identificar os diferentes graus de relaes de foras - quer sociais - estreitamente

    ligada estrutura, objetiva, independente da vontade dos homens quer polticas -, de

    acordo com a avaliao do grau de homogeneidade de autoconscincia e de

    organizao alcanada pelos vrios grupos sociais.

    A regulamentao do SUS se deu atravs das Leis Orgnicas da Sade (8.080 e

    8.142), aprovadas em 1990, depois de muita negociao do Ministrio da Sade com o

    movimento da Reforma Sanitria. Mesmo aps a aprovao das referidas leis, houve

    muita dificuldade de implantao do SUS, com resistncias claras do Ministrio da

    Sade ao processo de descentralizao, ao repasse automtico de recursos para os

    Estados e Municpios.

    Como um desdobramento da IX Conferncia Nacional de Sade, o Ministrio

    da Sade passou ento a utilizar as Normas Operacionais Bsicas como instrumento

    jurdico pelo qual so definidas as regras de organizao da gesto e do financiamento

    do SUS. Duas NOBs so particularmente importantes para a compreenso das regras

    formais de operao do SUS, a saber:

    Norma Operacional Bsica 01/93: estabeleceu distintas modalidades de

    habilitao municipal e estadual; estabeleceu mecanismos de gesto pluri-institucional

    com a criao das Comisses Intergestores bipartite e tripartite, que consolidou o

    cenrio da negociao entre os trs nveis de governo.

    Norma Operacional Bsica 01/96: implantou o Piso da Ateno Bsica;

    definiu as responsabilidades, prerrogativas e requisitos das condies de gesto para

    estados e municpios; promoveu a reorganizao do modelo de ateno adotando como

    principal estratgia a ampliao do Programa de Agentes Comunitrios de Sade

    PACS e Programa de Sade da Famlia PSF.

    Durante o perodo de vigncia das NOBs, podemos registrar que os Estados

    passaram a enfrentar dificuldades em atender s demandas dos municpios, face

  • 28

    incoerncia entre as estruturas administrativas e mtodos de trabalho existentes para o

    enfrentamento de novos objetivos colocados pelo avano do processo de

    descentralizao.

    Alm disso, segundo Viana e Machado (2009) a implementao do SUS revela

    esforos de fortalecer uma poltica de carter nacional em um cenrio federativo e

    democrtico, expressos na configurao institucional do sistema e na regulao da

    descentralizao.

    Diante dos impasses da gesto do sistema de sade, o Ministrio da Sade

    publicou a Norma Operacional da Assistncia Sade (NOAS-SUS) 01/01, que utiliza

    como base a macroestratgia de regionalizao, visando garantir o acesso de todos os

    cidados brasileiros as aes e servios de sade; criou mecanismos para

    fortalecimento da capacidade de gesto no SUS reiterando a conduo Programao

    Pactuada e Integrada (PPI) e procedeu atualizao dos critrios de habilitao de

    estados e municpios.

    Dando continuidade ao processo de descentralizao e organizao do SUS, foi

    publicada a Norma Operacional da Assistncia Sade NOAS-SUS 01/02 que

    ampliou as responsabilidades dos municpios na Ateno Bsica; estabeleceu o

    processo de regionalizao como estratgia de hierarquizao dos servios de sade e

    de busca de maior equidade; tambm criou mecanismos para o fortalecimento da

    capacidade de gesto no SUS e procedeu atualizao dos critrios de habilitao de

    estados e municpios. Entretanto, os aspectos referentes ao financiamento no foram

    contemplados neste instrumento jurdico, sendo os recursos financeiros transferidos

    conforme prerrogativas da NOB 01/96.

    Visando a consolidao do SUS, foi publicado o Pacto pela Sade, sendo o

    mesmo um conjunto de reformas institucional pactuado entre as trs esferas de gesto

    (Unio, Estados e Municpios) com o objetivo de promover inovaes nos processos e

    instrumentos de gesto, para alcanar maior eficincia e qualidade das respostas do

    SUS. Ao mesmo tempo, o Pacto pela Sade redefine as responsabilidades de cada

    gestor em funo das necessidades de sade da populao e na busca da equidade

    social (BRASIL, 2006a).

    O Pacto pela Sade possui trs dimenses, a saber:

  • 29

    Pacto pela Vida Constitudo por um conjunto de compromissos sanitrios,

    que devero expressar prioridades dos trs entes federativos, com definio das

    responsabilidades de cada um.

    Pacto em Defesa do SUS Reafirmao da fidelidade de todos com o

    sistema pblico que garanta a equidade e o acesso universal e a demonstrao de que

    os recursos financeiros existentes so insuficientes para a materializao dos princpios

    constitucionais.

    Pacto de Gesto Dever estabelecer as responsabilidades claras de cada

    ente federativo de forma a diminuir as competncias concorrentes e a tornar mais

    evidente quem deve fazer o qu, contribuindo com o fortalecimento da gesto

    compartilhada e solidria no SUS.

    Um dos avanos significativos com a publicao do Pacto pela Sade esta

    relacionado s formas de transferncia dos recursos federais para os estados e

    municpios, que foram modificadas, passando a ser atravs de cinco blocos de

    financiamento: Ateno Bsica, Assistncia da Mdia e Alta Complexidade,

    Vigilncia em Sade, Assistncia Farmacutica e Gesto do SUS, em substituio das

    inmeras caixinhas anteriormente utilizadas para essa finalidade.

    Paim e Almeida Filho (2000) destacam que, as condies polticas, sociais,

    econmicas, culturais e at geogrfico-ambientais para desenvolver o processo de

    municipalizao foram e ainda so muito favorveis (ou absolutamente desfavorveis)

    a depender das estratgias e dos critrios para sua operacionalizao, portanto,

    podemos inferir que tratar sobre a implementao do SUS em municpios de pequeno

    porte na Bahia como objeto de investigao pressupe desvelar os modos pelos quais

    ocorrem as conexes entre a formulao de diretrizes polticas e sua operacionalizao

    nos servios de sade.

    2.3 DESCENTRALIZAO DA SADE

    O Brasil um pas complexo, com dimenso geogrfica continental e marcada

    por uma estrutura econmico-social bastante heterognea, com grandes diferenas

  • 30

    regionais e distribuio profundamente desigual de servios e de profissionais de

    sade. Tal quadro aponta a importncia da descentralizao das polticas pblicas,

    inclusive na rea de sade, considerado um sistema federativo especial, em que os

    municpios so entes federados, dotados de autonomia poltica, administrativa e

    financeira, com um papel de protagonista da gesto do sistema de sade em seu

    territrio, definido constitucionalmente (SOLLA, 2006).

    A descentralizao tem sido um elemento importante na construo de novas

    prticas de sade. Tendo seu iderio construdo a partir do movimento internacional,

    do final da dcada de 70, conhecido como Movimento de Ateno Primria, que teve

    como pressuposto o conceito de universalidade do acesso (STER, 2009).

    Contrandiopoulos (2005) considera que a descentralizao um processo que

    procura criar e redistribuir espaos de deciso e capacidades estratgicas entre vrios

    nveis de interveno num sistema de sade, tendo como conseqncia a multiplicao

    dos centros de deciso e de ao. Poder-se-ia caracterizar um sistema mais

    descentralizado por uma multiplicidade de pontos ou centros de deciso. Um sistema

    de sade descentralizado diferente de um sistema totalmente integrado a uma

    autoridade hierrquica central. Assim, as polticas de descentralizao almejam uma

    modificao das interaes entre atores, permitindo confinar os atores em redes de

    tamanho menor, criar redes em escala de manejo mais fcil acompanhada da criao

    de nveis de governana intermedirios que controlam essas mesmas redes.

    A CF de 1988 consagrou a descentralizao com comando nico em cada esfera

    de governo e na prtica, esta tem se constitudo em um dos principais componentes do

    processo da reforma sanitria, cujas diretrizes foram aprovadas na 8 Conferncia

    Nacional de Sade (PAIM, 2006).

    A descentralizao se deu de maneira acentuada na dcada de noventa, o que

    ocasionou redistribuio de responsabilidades gestoras entre os trs nveis de governo

    Federal, Estadual e Municipal , a qual est expressa em toda a legislao

    complementar do SUS, particularmente instrumentalizada com as edies das Normas

    Operacionais Bsicas (NOB/SUS 01/93 e 01/96), e que acabou induzindo, com grande

    nfase, o processo de municipalizao da sade sem, contudo, dar conta de outras

  • 31

    mudanas tambm necessrias, no que se refere s novas atribuies de cada nvel de

    governo (VIEIRA-DA-SILVA, 2005).

    No Brasil, a descentralizao tem-se constitudo em um dos principais

    componentes do processo de RSB, cujas diretrizes foram aprovadas na VIII

    Conferncia Nacional de Sade em 1986 (PAIM, 2003). Tendo em vista as dimenses

    do Brasil, bem como a complexidade do processo de descentralizao envolvendo os

    trs nveis de governo, necessrio se faz a realizao de novas investigaes, visando

    suprir as lacunas existentes e que contribuam para a identificao de estratgias que

    permitam comparabilidade, alm de referenciais tericos que possam subsidiar a

    formulao de hipteses para explicar as diferenas encontradas, principalmente s

    relacionadas com a organizao da ateno. Sendo assim, para se compreender as

    repercusses do processo de descentralizao acerca da reorganizao da ateno

    sade, urge a necessidade da realizao de investigaes atravs de enfoques

    diferenciados, com vistas a captar a complexidade do objeto a partir de diferentes

    ngulos (VIEIRA-DA-SILVA, 1999).

    Viana e Machado (2009) destacam que o ritmo e a intensidade da

    descentralizao em sade da esfera federal para estados e municpios no Brasil

    variaram segundo quatro dimenses, representadas pela transferncia de: servios e

    servidores pblicos; responsabilidades e atribuies; recursos financeiros; poder sobre

    a poltica de sade. Este ritmo tambm diferiu entre os campos da poltica (assistncia

    ou vigilncia epidemiolgica e sanitria) e entre s estratgias, critrios e esfera-alvo

    do processo de descentralizao (municpios ou estados).

    At a metade da dcada de noventa, o processo de descentralizao reflete os

    embates dos anos oitenta contra a centralizao do perodo autoritrio. Entretanto, no

    caso da sade, por conta da existncia do Conselho Nacional de Secretrios

    Municipais de Sade (CONASEMS), essa influncia se prolonga at hoje. A oposio

    do movimento municipalista centralizao de recursos e a um papel federal forte na

    regulao afetou as concepes da descentralizao da sade, principalmente at

    meados dos anos noventa. De 1990 a 2002, ocorreu um processo de descentralizao

    poltico-administrativa na sade sem precedentes, sob regulao do MS. As

    caractersticas da descentralizao nos vrios momentos tanto condicionaram como

  • 32

    foram condicionadas pela dinmica de reconfigurao do papel federal no perodo. As

    lacunas de atuao federal na coordenao federativa, relacionadas a questes mais

    gerais da atuao do Estado e s diferentes agendas de reforma em curso, delimitaram

    as possibilidades da descentralizao em sade (VIANA; MACHADO, 2009).

    Trevisan e Junqueira (2007) consideram que a descentralizao da gesto de

    sade sofreu uma soluo de continuidade com a edio da NOAS/SUS-01/2001,

    confirmando plenamente a observao de que o SUS foi esculpido a golpes de

    portaria, pois a NOAS/SUS/01 tinha como objetivo ampliar as responsabilidades dos

    municpios na ateno bsica, mas, efetivamente, aumenta as responsabilidades (e o

    poder!) das Secretarias Estaduais de Sade na gesto do SUS no que diz respeito aos

    subsistemas de pr-pagamento. Alm disso, a forma de regionalizao colocada nesta

    norma acaba reduzindo a autonomia municipal na gesto de sade.

    Na construo do SUS ocorreu um processo de normatizao muito intenso.

    Partiu de um perodo em que os municpios no tinham qualquer participao e os

    estados uma participao muito limitada na gesto da sade, para o cenrio atual em

    que o processo de descentralizao tem transferido responsabilidades, prerrogativas e

    recursos do nvel federal para os governos estaduais e municipais (COLLINS;

    ARAJO; BARBOSA, 2000).

    O Pacto pela Sade editado em 2006 representa um esforo para a definio

    mais precisa quanto s responsabilidades sanitrias de cada esfera de governo do SUS,

    buscando reduzir as competncias concorrentes entre os entes federados. Alm de

    pretender aumentar a autonomia dos Estados e municpios na alocao dos recursos

    financeiros, mas com maior controle de sua utilizao pelo governo federal

    (VILASBAS, 2006).

    Diante das fragilidades para a consolidao do SUS, faz-se necessrio a

    ampliao do debate sobre o Pacto pela Sade e a repolitizao do SUS, pois, para

    que o Pacto avance dever haver uma maior socializao de informaes sobre o

    mesmo, bem como uma efetiva coparticipao dos Estados, por meio dos Conselhos

    dos Secretrios Municipais de Sade (COSEMS). Estes veem assumindo a

    coordenao do processo, dando nfase na implantao da regionalizao e dos

  • 33

    colegiados de gesto regional, bem como na assinatura do Termo de Compromisso de

    Gesto Municipal (TCGM) (BRASIL, 2007a).

    Estratgias desenvolvidas pelos municpios, estados e Unio para a implantao

    do Pacto pela Sade: regionalizao, colegiados, financiamento, PPI, gesto e Termo

    de Compromisso de Gesto (TCG). Tomando a regionalizao como o eixo que dever

    orientar a descentralizao das aes e servios de sade e os processos de negociao

    e pactuao entre os gestores (BRASIL, 2007a).

    Durante este perodo de vinte e trs anos de SUS, o processo de

    descentralizao dos servios de sade no Brasil teve um avano considervel, e as

    diversas experincias inovadoras de descentralizao da sade por certo contriburam

    para a elaborao de polticas de sade a nvel nacional.

    Outra questo a falta de parceria entre Estados e municpios na construo da

    PPI, criada para redistribuir os recursos financeiros da sade dentro do Estado, e a

    definio simplesmente cumprir a lei. De acordo com levantamento realizado, na

    maioria dos Estados no existe processo de reviso da PPI, determinando baixos

    parmetros desta programao (BRASIL, 2007d).

    O conjunto de dificuldades operacionais para efetiva descentralizao da sade

    acelera a demanda por um pacto de gesto. Apesar das arestas de resistncia que

    ainda persistem no sistema, a responsabilidade pela qualidade de vida da populao

    precisa ser compartilhada pelas distintas esferas de governo. No podemos esquecer de

    que pacto significa negociao entre iguais, respeitada a autonomia, visando objetivo

    integrador de responsabilidade sanitria, no mercado de servios, nem to pouco

    mera relao de compra e venda que obedece lei da oferta e da procura. O Pacto de

    Gesto pressupe outro quadro de utilizao de recursos, de processos e de

    ordenamento de fluxo no atendimento da demanda, exigindo articulao intersetorial,

    com ativa participao da populao, devendo ter mltipla perspectiva de tempo,

    aceitando a curta, mdia ou longa durao. Alm disso, a construo do pacto de

    gesto poder dar outra operacionalidade ao SUS, no remdio milagroso, nem

    ter o poder de superar as dificuldades operacionais da rede, mas, poder assimilar

    outra forma de superao das dificuldades das aes em rede do SUS (TREVISAN;

    JUNQUEIRA, 2007).

  • 34

    O SUS nico para todo o territrio brasileiro, devendo-se assegurar o direito

    ao acesso ao sistema de sade para toda a populao. Entretanto, nossa experincia

    profissional, demonstra que esta no se realiza da mesma forma em todos os lugares,

    devido s diferenas territoriais e heterogeneidades presentes no pas. Sendo assim, a

    regionalizao, como principal estratgia da descentralizao, precisa ser um processo

    poltico que trabalhe com a diversidade do prprio SUS e a sua relao com as

    desigualdades do territrio brasileiro, tornando dessa forma, o processo de

    regionalizao complexo do ponto de vista analtico, institucional e poltico.

    Solla (2006) enfatiza que os avanos obtidos no processo de descentralizao

    do SUS no devem ser atribudos exclusivamente a um dos nveis de gesto do

    sistema, pois so resultado de uma somatria de esforos e de um processo decisrio

    que soube construir pactuaes entre os trs nveis de gesto. Ressalta tambm, que

    muitas das polticas, hoje assumidas como prioritrias pelo MS, decorreram de

    iniciativas inovadoras locais, que foram progressivamente se multiplicando, ao ponto

    de criarem referncia para a construo de uma poltica nacional, tais como a

    Estratgia de Sade da Famlia, o SAMU e o processo de contratualizao da rede

    hospitalar do SUS.

    Um aspecto a ser ressaltado que, embora o processo de descentralizao no

    setor sade apresenta diversas vantagens, nos mbitos administrativo, poltico e

    econmico, ele no um fim em si mesmo, nem tampouco temos a garantia de que

    todas as gestes descentralizadas iro assegurar a sua realizao. Pelo contrrio,

    muitas delas iro desempenhar um exerccio da gesto do sistema de sade com

    caractersticas semelhantes ao observado pela gesto anteriormente centralizada de

    cunho poltico conservador. No entanto evidente que um sistema de sade

    descentralizado, com um processo eficiente de transferncia de recursos e autoridade

    s instncias subnacionais (estados e municpios, no caso brasileiro), gera maiores

    possibilidades de impactos positivos na gesto e na ateno sade (SOLLA, 2006).

  • Porque o Senhor d a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento.

    Provrbios 2.6

    3 CAMINHO METODOLGICO

  • 36

    Foi realizado um estudo de caso, caracterizado como uma investigao emprica

    que indaga um fenmeno contemporneo em profundidade e em seu contexto de vida

    real, especialmente quando os limites entre o fenmeno e o contexto no so

    claramente evidentes. Diante dessas caractersticas, este mtodo de pesquisa comum

    na psicologia, sociologia, cincia poltica, antropologia, assistncia social,

    administrao, educao, enfermagem e planejamento comunitrio. Pode ser utilizado

    atravs de uma mistura de evidncia quantitativa e tem um lugar diferenciado na

    pesquisa de avaliao (YIN, 2010).

    A escolha dos municpios estudados foi intencional visto que este estudo faz

    parte de um projeto de pesquisa maior do Programa de Ps-graduao em Enfermagem

    e Sade, intitulado A Organizao do Processo de Trabalho e da Assistncia Sade

    nos Municpios de Pequeno Porte da 13 Diretoria Regional de Sade do Estado da

    Bahia vinculado ao Projeto de Pesquisa Prioritria para o SUS (PP SUS), financiado

    pelo Ministrio da Sade, e que tem por objetivo traar o perfil de dez municpios de

    pequeno porte da 13 Diretoria Regional de Sade do Estado da Bahia com relao

    gesto do trabalho na perspectiva de fortalecer os Sistemas locoregionais.

    O trabalho de campo foi desenvolvido no perodo de maro a agosto de 2011.

    Previamente a realizao da coleta de dados, os sujeitos da pesquisa foram

    devidamente esclarecidos sobre o sigilo e anonimato das informaes dadas, bem

    como do seu direito de pedir a qualquer instante para deixar de fazer parte da pesquisa.

    Foi realizada inicialmente para cada um dos sujeitos da pesquisa a leitura cuidadosa do

    Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), seguida de sua assinatura

    (ANEXO A), respeitando a Resoluo de n. 196/1996 do Conselho Nacional de

    Sade (BRASIL, 1996). No houve nenhuma recusa dos sujeitos do estudo para

    participar do estudo.

    Neste estudo foram utilizadas trs tcnicas de coleta de dados: entrevista semi-

    estruturada, anlise documental e observao direta.

    A entrevista semi-estruturada uma fonte de expresso das idias e dos valores

    dos sujeitos da pesquisa, sendo atravs da comunicao orientada que o pesquisador

    pode captar a subjetividade do entrevistado, bem como outras informaes mais

    profundas do objeto a ser investigado. Ao mesmo tempo, concede voz ativa aos

  • 37

    sujeitos para se expressarem sobre a temtica em questo, oferecendo dessa maneira

    um significado particular sua atividade, e, por conseguinte, produzindo um novo

    conhecimento de mundo. Alm de combinar perguntas abertas e fechadas,

    possibilitando ao entrevistado discorrer sobre o tema sem se prender a indagao

    formulada (MINAYO, 2008).

    As entrevistas foram realizadas utilizando-se os instrumentos de coleta de dados

    elaborados para o projeto PP SUS (ANEXOS B, C, D, E, F, G e H), sendo que destas

    foram exploradas as questes relacionadas a gesto em sade, o que permitiu detalhar

    os temas de interesse. A durao das entrevistas variou entre 15 e 30 minutos, sendo

    todas gravadas e, posteriormente, transcritas pela investigadora. As entrevistas foram

    previamente agendadas e ocorreram na sede da SMS dos municpios estudados, nos

    prprios setores onde cada entrevistado atua.

    A segunda tcnica de coleta de dados utilizada foi anlise documental

    (ANEXO J), que classificada como uma fonte secundria de obteno de dados. Esta

    tcnica a tentativa de evidenciar as relaes existentes entre o fenmeno estudado e

    os outros fatores que esto sendo estudados. Na anlise documental o pesquisador

    procura estabelecer as relaes necessrias entre os dados obtidos e as hipteses

    formuladas (LAKATOS, 2003). Para este estudo foram analisados os documentos

    relacionados ao processo de organizao do sistema municipal de sade, sendo eles: o

    Plano Municipal de Sade 2010-2013, os Relatrios de Gesto Municipal do ano de

    2010, as Programaes Anuais de Sade do ano de 2010, o Livro Ata do Conselho

    Municipal de Sade, o Relatrio da Conferncia Municipal de Sade 2011 e ainda as

    informaes dos municpios disponibilizadas nos sites do Ministrio da Sade e da

    Secretaria de Estado da Sade do Estado da Bahia.

    Para proceder anlise documental os documentos foram reunidos, em seguida

    realizou-se leitura e fichamento das partes consideradas essenciais para atender aos

    objetivos deste trabalho.

    A ltima tcnica de coleta utilizada foi observao direta, sendo esta

    classificada como uma fonte primria de coleta de dados. Ela foi realizada no ambiente

    natural do caso, presumindo que os fenmenos de interesse no tenham sido

  • 38

    puramente histricos, tornando alguns comportamentos relevantes ou condies

    ambientais disponveis para a observao (YIN, 2010).

    As observaes variaram das atividades de coletas de dados formais e

    informais. Formalmente, atravs dos instrumentos observacionais elaborados para o

    projeto de pesquisa PP SUS. As menos informais foram obtidas durante as

    observaes diretas, durante as visitas de campo. Elas foram realizadas durante as

    visitas para a coleta de dados nos municpios casos, durante as Conferncias

    Municipais de Sade, vez que a investigadora participou como conferencista no

    municpio 02; em encontros com gestores e tcnicos da gesto durante a realizao das

    entrevistas. Essa atividade foi complementada pelo registro sistemtico das

    informaes e impresses do pesquisador durante as visitas aos municpios.

    Previamente a realizao da coleta de dados os gestores municipais foram

    devidamente informados sobre os mtodos que seriam utilizados pelo estudo, e

    concordaram com o seu uso.

    As impresses obtidas em campo, ao trmino da visita ao municpio, foram

    anotadas em um dirio de campo, e posteriormente foram digitadas.

    Todos os dados obtidos por meio das entrevistas, anlise documental e

    observao direta, foram organizados pela pesquisadora para que a mesma pudesse

    realizar a triangulao destes durante a anlise do material obtido pela pesquisadora

    neste estudo.

    A anlise dos dados qualitativos pautou-se na Tcnica de Anlise Temtica de

    Contedo de Bardin (2009) seguindo as etapas propostas pela autora: leitura flutuante

    das entrevistas, em seguida retirada as unidades de fala consequentemente a

    construo do corpus de onde emergiram as categorias analisadas nos resultados desta

    pesquisa. Os dados quantitativos foram analisados no programa Excel for Windows,

    tendo sido calculados frequncias absolutas, percentuais, medidas de tendncia central

    e indicadores de sade.

    Na apresentao dos resultados da pesquisa, os participantes no foram citados

    pelo nome e sim pelo cargo/funo que exerciam seguido pela numerao dos

    municpios. Os entrevistados tambm foram divididos por grupos a que pertencem,

    para no possibilitar a sua identificao. Assim, eles foram classificados em sete

  • 39

    grupos: Secretrio Municipal de Sade (SMS), Coordenador da Ateno Bsica

    (CAB), Coordenador de Vigilncia Sade (CVS), Coordenador de Sade Bucal

    (CSB), Diretor do Hospital (DH), Tcnico autorizador de regulao (TAR) e

    Responsvel pela alimentao dos Sistemas de Informao (RASI).

    Para apresentar os resultados obtidos por este estudo optou-se por categoriz-los

    nos seguintes temas:

    1. Caracterizao dos sujeitos - estabeleceu o perfil dos gestores e

    tcnicos/gestores responsveis pela conduo do sistema municipal de

    sade.

    2. Caracterizao dos municpios compreendeu a anlise das caractersticas

    scio-demogrficas e indicadores sociais.

    3. Aspectos poltico-institucionais se relaciona continuidade administrativa,

    transferncia de recursos, formas de administrao, desprecarizao do

    trabalho e Poltica de Educao Permanente em Sade.

    4. Aspectos organizacionais diz respeito configurao da rede, oferta de

    servios e aes de sade, instrumentos de gesto em sade, prticas de

    planejamento e avaliao em sade e gesto do trabalho.

    O projeto de pesquisa que originou este estudo foi submetido ao Comit de

    tica em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB),

    tendo sido aprovado sob o nmero de protocolo 080/2009, conforme Ofcio

    CEP/UESB 265/2009, em 04 de setembro de 2009 (ANEXO I).

  • Pois ser como a rvore plantada junto a ribeiros de guas, a qual d o seu fruto na estao prpria, e

    cujas folhas no caem, e tudo quanto fizer prosperar.

    Salmos 1.3

    4 RESULTADOS E DISCUSSO

  • 41

    Neste estudo, propomos a avaliao dos aspectos da gesto em sade em dois

    municpios de pequeno porte da microrregio de Jequi - Bahia. Os resultados foram

    apresentados em quatro blocos: o primeiro caracteriza os sujeitos do estudo, o segundo

    caracteriza os municpios-caso e os dois seguintes trazem a anlise dos aspectos

    poltico-institucionais e organizacionais.

    4.1 CARACTERIZAO DOS SUJEITOS DO ESTUDO

    A partir dos dados das entrevistas estabelecemos o perfil dos trabalhadores do

    setor sade responsveis pela coordenao dos departamentos da Secretaria de Sade

    dos dois municpios-caso. A partir dos resultados encontrados foi possvel identificar a

    existncia de semelhana entre o perfil dos profissionais que atuam na Secretaria de

    Sade dos municpios pesquisados.

    Gestores Municipais de Sade

    Quadro 01 Caracterizao dos gestores municipais de sade, Bahia, 2011.

    CATEGORIAS MUNICPIO 01 MUNICPIO 02

    Gnero Feminino Masculino

    Residem no municpio Sim Sim

    Experincia prvia na gesto Sim Sim

    Formao Superior Completo Superior Incompleto

    Ps-graduao Sim No

    O gestor do municpio 01 do gnero feminino e o do municpio 02 do gnero

    masculino, possuem domiclio na cidade onde atuam e tiveram experincia prvia em

    gesto pblica.

  • 42

    A Secretria de Sade do municpio 01 j havia ocupado o mesmo cargo no

    municpio em outra gesto, tendo ainda atuado como Diretora do Departamento de

    Assistncia Sade em um municpio de mdio porte da mesma microrregio. O

    Secretrio de Sade do municpio 02 tambm possuiu experincia na gesto da sade

    uma vez que ocupou este cargo em outro municpio da microrregio.

    A mdia de idade destes profissionais foi de 43,0 anos (DP4,2), sendo que a

    gestora do municpio 01 graduada em enfermagem, possui ps-graduao Lato Sensu

    em Sade Pblica, Sade da Famlia e Urgncia e Emergncia. O gestor do municpio

    02 est concluindo o curso de graduao em Administrao.

    Vale ressaltar que nos municpios pesquisados os gestores possuem vnculo

    empregatcio temporrio com o municpio onde estes possuem cargos atravs de

    nomeao pelo gestor local.

    Coordenadores da Ateno Bsica, Vigilncia Sade e Sade Bucal

    Quadro 02 Caracterizao dos coordenadores da Ateno Bsica e Vigilncia Sade, Bahia, 2011.

    CATEGORIAS MUNICPIO 01 MUNICPIO 02

    Gnero Feminino Feminino

    Tempo no cargo < 1 ano < 1 ano

    Experincia prvia na gesto No No

    Formao Superior Completo Superior Completo

    Ps-graduao Sim Em concluso

    Nos municpios pesquisados, as coordenaes da Ateno Bsica, Vigilncia

    Sade e Sade Bucal so ocupadas por indivduos do gnero feminino. No municpio

    01, duas enfermeiras respondem respectivamente pela coordenao da Ateno Bsica

    e da Vigilncia, sendo que a coordenadora da Ateno Bsica no reside no municpio

    e ambas foram nomeadas para o cargo. Enquanto no municpio 02, uma mesma

  • 43

    enfermeira responsvel pela coordenao da Ateno Bsica e da Vigilncia Sade,

    sendo ela residente no municpio e foi nomeada para ocupar os cargos.

    A mdia de idade das coordenadoras da Ateno Bsica foi de 30,5 anos

    (DP0,7) e das de Vigilncia Sade 28,0 anos (DP4,2). Com relao ao tempo em

    que atuam no cargo, tanto as coordenadoras da Ateno Bsica como para a Vigilncia

    Sade, desenvolvem esta atividade a menos de um ano, e no possuam experincia

    prvia na gesto.

    As coordenadoras da Ateno Bsica e de Vigilncia Sade do municpio 01

    possuem ps-graduao Lato Sensu em Urgncia e Emergncia, j a coordenadora da

    Ateno Bsica do municpio 02 est cursando ps-graduao Lato Sensu em

    Obstetrcia.

    Somente o municpio 01 possui coordenao de Sade Bucal, sendo ela ocupada

    por uma cirurgi dentista, com idade de 30 anos. Vale ressaltar, que esta profissional

    ocupa o cargo h menos de um ano, no possui residncia no municpio e o seu vnculo

    trabalhista com o municpio mediante contrato.

    Observa-se que o gnero feminino predomina nos cargos citados e com isto

    confirma-se o que, autores da ps-modernidade pregam, a cada dia a mulher ocupa

    cargos de relevncia nas estruturas do poder e nos servios sendo protagonista de sua

    histria. Com as conquistas femininas, o que se faz atualmente restabelecer a

    memria, sendo um trabalho importante que visa restituir mulher o espao que lhe

    de direito (BEDASEE, 1999).

    Leone (2003) enfatiza que as diferenas de trabalho masculino e feminino esto

    diminuindo, no somente pela capacidade das mulheres de entrarem no mercado

    reservado aos homens, mas tambm pela participao conjunta de homens e mulheres

    nos empregos considerados precrios que hoje o mercado de trabalho oferece a ambos

    os sexos.

    A forma como as mulheres lidam com a desigualdade tem possibilitado a

    elevao de sua escolaridade, a queda da taxa de fecundidade e novas representaes

    acerca do papel da mulher na sociedade, fazendo com que cada vez mais ocupem

    cargos de prestgio (NEVES, 2002).

  • 44

    Entretanto, no podemos esquecer que a conquista de espaos no mercado de

    trabalho e nas organizaes, se deve aos movimentos feministas de muitos anos antes,

    que acreditavam na transformao a partir da conscientizao, visando romper com as

    formas de dominao do masculino sobre o feminino em todas as esferas da vida

    (LANIADO; MILANI, 2007).

    Diretor de Hospital

    Somente o municpio 02 possui rede hospitalar prpria.

    Neste municpio o diretor do Hospital do gnero masculino, graduado em

    administrao hospitalar, tem 37 anos de idade. Este profissional ocupa a funo h

    trs anos, sendo seu vinculo empregatcio nomeado.

    Vale ressaltar que o diretor do hospital possui residncia no municpio e j

    possua experincia prvia na gesto.

    O municpio 01 tem uma policlnica privada onde so atendidos alguns casos de

    urgncia e emergncia, sendo outros encaminhados para os municpios de referncia,

    atravs da pactuao e de recursos do tesouro municipal.

    Tcnico autorizador de regulao

    Quadro 03 Caracterizao dos tcnicos autorizadores de regulao, Bahia, 2011.

    CATEGORIAS MUNICPIO 01 MUNICPIO 02

    Gnero Feminino Masculino

    Tempo na funo 6 anos 2 anos

    Tipo de vnculo Concursado Concursado

    Formao Superior Incompleto Mdio Completo

    Residem no municpio Sim Sim

  • 45

    Verificou-se que o perfil desses tcnicos apresenta semelhana entre os

    municpios estudados, uma vez que a mdia de idade foi de 33,5 anos (DP0,7) e

    possuem residncia fixa no municpio.

    Com relao ao gnero, o do municpio 01 do gnero feminino e do municpio

    02 masculino. Quanto formao, o do municpio 01 esta cursando Assistncia Social

    e o do municpio 02 possui nvel mdio completo.

    No que se refere ao tipo de vnculo empregatcio, ambos so concursados. O

    profissional do municpio 01 ocupa esta funo h seis anos e o do municpio 02 a dois

    anos.

    Responsvel pela alimentao dos Sistemas de Informao

    Quadro 04 Caracterizao dos responsveis pela alimentao dos Sistemas de Informao, Bahia, 2011.

    CATEGORIAS MUNICPIO 01 MUNICPIO 02

    Gnero Feminino Feminino

    Tempo na funo 6 anos < 1 ano

    Tipo de vnculo Contratado Concursado

    Formao Mdio Completo Mdio Completo

    Residem no municpio Sim Sim

    A mdia de idade destes profissionais foi de 27,5 anos (DP2,1), sendo nos

    municpios a funo desempenhada por pessoa do gnero feminino, com residncia no

    municpio e com nvel de escolaridade mdio completo.

    Com relao ao vnculo e tempo que ocupa o cargo, a do municpio 01

    contratada e exerce a funo h seis anos e a do municpio 02 concursada e ocupa a

    funo h menos de um ano.

  • 46

    4.2 CARACTERIZAO DOS MUNICPIOS

    Segundo dados do IBGE e SIAB, os municpios pesquisados apresentam as

    caractersticas scio demogrficas e indicadores sociais apresentados na tabela 01.

    Tabela 01 Caractersticas scio-demogrficas dos municpios, segundo as fontes IBGE e SIAB. Bahia, 2011.

    CRITRIO / INDICADORES MUNICPIO 01 MUNICPIO 02 Taxa de Urbanizao em %** 63,0 75,0 Populao** 15.193 12.693 Populao menor de 20 anos em %** 35,6 26,2 Populao de 20 a 60 anos em %** 51,8 60,4 Populao maior de 60 anos em %** 12,6 13,4 IDH (2000)** 0,62 0,65 PIB per capta (2008)** 5.423,52 3.678,25 Mdia de pessoa por domiclio* 3,6 3,3 % pop residente com rendimento nominal: At de salrio mnimo** 8,1 8,2 Incidncia da Pobreza (%)** 48,9 42,6 ndice de GINI** 0,38 0,39 % da pop analfabeta** 32,3 28,3 % de crianas de 7-14 anos fora da escola* 16,0 22,3 % de domiclios sem abastecimento de gua da rede geral* 31,8 25,3 % de domiclios sem ligao rede pblica de esgoto* 39,1 77,5 % de domiclios sem coleta pblica de lixo* 33,2 21,3 Prioridades do Governo Federal (Fome Zero, Semirido) NO SIM *Dados do SIAB, 2010. **Dados do IBGE, 2010.

    Ao comparar os municpios se observa que so de pequeno porte, com:

    caractersticas scias demogrficas semelhantes, baixos indicadores sociais, alto ndice

    de pobreza e analfabetismo, ainda apresentando baixas taxas de acesso aos servios de

    saneamento bsico, abastecimento de gua e coleta de lixo.

    Com relao distribuio etria da populao residente nos municpios,

    verifica-se maior proporo de indivduos com idade entre 20 e 60 anos e menos de 20

    anos no municpio 01 enquanto que no municpio 02 h uma maior proporo de

    pessoas acima de 60 anos. Vale ressaltar que nos dois municpios a proporo de

    pessoas com mais de 60 anos superior encontrada no estado da Bahia e no Brasil

    (IBGE, 2010).

    O envelhecimento populacional , hoje, um proeminente fenmeno mundial. No

    caso brasileiro, pode ser exemplificado por um aumento da participao da populao

  • 47

    maior de 60 anos no total da populao nacional: de 4% em 1940 para 8,6% em 2000.

    Nos ltimos 60 anos, o nmero absoluto de pessoas com mais de 60 anos aumentou

    nove vezes. Em 1940 era de 1,7 milho e em 2000, de 14,5 milhes. Projeta-se para

    2020 um contingente de aproximadamente 30,9 milhes de pessoas que tero mais de

    60 anos (BELTRO; CAMARANO; KANSO, 2004).

    Em seus estudos sobre o crescimento populacional no Brasil, Camarano (2002)

    coloca que o crescimento da populao idosa consequncia de dois processos: a alta

    fecundidade no passado, observada nos anos 1950 e 1960, comparada fecundidade de

    hoje, e a reduo da mortalidade da populao idosa. Por um lado, a queda da

    fecundidade modificou a distribuio etria da populao brasileira, fazendo com que a

    populao idosa passasse a ser um componente cada vez mais expressivo dentro da

    populao total, resultando no envelhecimento pela base. Por outro, a reduo da

    mortalidade trouxe como consequncia o aumento no tempo vivido pelos idosos, isto ,

    alargou o topo da pirmide, provocando o seu envelhecimento.

    O envelhecimento da populao acompanhado pelo envelhecimento do

    indivduo, de outros segmentos populacionais, como a Populao Economicamente

    Ativa (PEA) e as famlias (crescimento do nmero de famlias nas quais existe pelo

    menos um idoso, verticalizao das famlias dentre outros). Esse processo altera a vida

    do indivduo, as estruturas familiares e a sociedade (CAMARANO; KANSO; MELLO,

    2004).

    A taxa de urbanizao maior no municpio 02 (75%), sendo este valor

    semelhante ao encontrado no Estado da Bahia (74,1%) e regio Nordeste (76,2%) e

    inferior a do Brasil, 85,8% (IBGE, 2010). Estes dados causam surpresa, pois como so

    municpios de pequenos portes, imaginava-se que seus habitantes ainda continuavam

    com a vida cotidiana fixada no campo, mas percebe-se que aos poucos, mesmo que de

    forma tmida esto saindo da zona rural e se fixando na cidade.

    Os municpios pesquisados apresentam baixo ndice de Desenvolvimento

    Humano (IDH) e alta incidncia de pobreza. O PIB per capta do municpio 02 est

    abaixo da mdia nacional, o que possibilitou seu enquadramento nas Prioridades do

    Governo Federal, com a Lei de Proteo Social n 8.212/91 configurada como Lei

    Orgnica da Seguridade Social (LOSS) que abrange um conjunto integrado de aes de

  • 48

    iniciativa dos poderes pblicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo

    sade, previdncia e assistncia social. Esta obedece aos princpios e diretrizes

    envolvendo: universalidade da cobertura e do atendimento; equidade na forma de

    participao no custeio; carter democrtico e descentralizado da gesto

    administrativa, com a participao da comunidade, em especial de trabalhadores,

    empresrios, aposentados, entre outros (BRASIL, 1991).

    O municpio 02 est inserido nos programas de proteo social da Seguridade

    Social no que se refere Assistncia Social como: Bolsa Famlia; Fome Zero e

    Semirido (IBGE, 2010), pois a Assistncia Social encarada como poltica social

    atende s necessidades bsicas da populao. Traduzida como proteo famlia,

    maternidade, infncia, adolescncia, velhice e s pessoas portadoras de

    deficincia de um modo geral, mesmo que esta pessoa nunca tenha contribudo

    diretamente com a seguridade social (BRASIL, 1991). O municpio 01 est inserido

    apenas no programa Bolsa Famlia.

    A Previdncia Social, outro trip da Seguridade Social, tem por escopo garantir

    aos seus beneficirios que por motivo de incapacidade/idade avanada/desemprego

    involuntrio/encargos de famlia e recluso ou morte daqueles de quem dependiam

    economicamente, englobando o Benefcio de Prestao Continuada (BPC) e

    aposentadorias mediante a Lei Orgnica da Assistncia Social (LOAS) (BRASIL,

    1991).

    No Brasil, segundo dados do IBGE 9,6% da populao com idade de 15 anos ou

    mais se autodeclaram analfabetos, equivalendo a um contingente de 13.933.173

    pessoas, sendo destes 39,2% com idade superior a 60 anos (IBGE, 2010). Segundo

    dados do IBGE o analfabetismo e o porte populacional so diretamente proporcionais,

    vez que os municpios de pequeno porte apresentam maior proporo de pessoas que

    se autodeclaram analfabetos.

    Ainda analisando os dados de analfabetismo no Brasil, verifica-se que estes

    dados variam segundo a localizao geogrfica. Em municpios da regio Nordeste,

    com populao de at 50 000 habitantes, 28% dos residentes com idade superior a 15

    anos se autodeclaram analfabetos. Vale ressaltar que nos municpios pesquisados os

  • 49

    valores observados (32,3% e 28,3%) esto acima da mdia esperada para a referida

    regio (IBGE, 2010).

    A discusso sobre indicadores de situao de pobreza no Brasil atual e carece

    de maiores definies. O prprio governo brasileiro utiliza diferentes cortes de renda

    per capita para selecionar beneficirios para os programas e polticas sociais

    implantados. O Programa Bolsa Famlia, por exemplo, considera extremamente pobre

    as famlias com renda domiciliar per capita de at R$ 70,00 e pobres aquelas com at

    R$ 140,00. O BPC beneficia pessoas idosas e pessoas com deficincia com rendimento

    domiciliar per capita inferior a de salrio mnimo (IBGE, 2010).

    Nos municpios pesquisados aproximadamente 8% dos residentes sobrevivem

    com uma renda mensal per capta inferior a meio salrio mnimo (at de salrio

    mnimo). Enquanto a proporo mdia brasileira de pessoas que vivem com at R$

    70,00 de rendimento domiciliar per capita era de 6,3%, nos municpios estudados essa

    proporo foi superior.

    No tocante infraestrutura urbana, chamou ateno o caso do municpio 02,

    onde 77,5% dos domiclios no possuem ligao rede pblica de esgoto, sendo que

    73% fossa. Evidenciam-se ainda nos municpios deficincia no destino final do lixo

    para 33,2% e 21,3% dos domiclios dos municpios 01 e 02, onde ele no ofertado.

    Ainda chama ateno a proporo de domiclios sem acesso a rede pblica de

    abastecimento de gua para o consumo humano, uma vez que no municpio 01 e 02

    respectivamente 31,8% e 25,3% (SIAB, 2010).

    Tabela 02 Taxa de Mortalidade infantil por municpio estudado. Bahia, 2005 a 2009.

    MUNICPIO 2005 2006 2007 2008 2009 01 26,9 13,9 21,7 5,3 26,6

    02 40,0 22,6 30,3 19,4 4,8

    Fonte: DATASUS.

    A taxa de mortalidade infantil (TMI) apresentada pelo municpio 01 ficou em

    torno de 26 bitos/1.000 nascidos vivos nos anos de 2005 e 2009, embora em 2008

    tenha sido de 5,3 bitos/1.000 nascidos vivos, divergente do apresentado nos anos

  • 50

    anteriores. No municpio 02, a referida taxa foi de 40 bitos/1.000 nascidos vivos em

    2005 para 4,8 bitos/1.000 nascidos vivos em 2009, repetindo a divergncia

    apresentada pelo municpio 01.

    A taxa de mortalidade infantil vem sendo utilizada como indicativo de

    condies de vida e de sade de uma populao, pois alm de expressar causas

    biolgicas, reflete tambm determinaes de ordem socioeconmica e socioambiental.

    Este indicador influenciado por condies de saneamento, higiene, moradia, trabalho,

    renda, nvel de informao, acesso e qualidade dos servios de sade e de proteo

    social (OLIVEIRA; MENDES, 1999).

    De 1990 a 2007 a TMI no Brasil apresentou tendncia de queda, passando de

    47,1/1000 nascidos vivos em 1990 para 19,3/1000 em 2007, com uma reduo mdia

    de 59,0%. Diversos fatores tm contribudo para esta mudana, entre os quais se

    destacam: o aumento do acesso ao saneamento bsico, queda da taxa de fecundidade,

    melhoria geral das condies de vida, da segurana alimentar e nutricional e do grau de

    instruo das mulheres, maior acesso aos servios de sade e ampliao da cobertura

    da Estratgia de Sade da Famlia, entre outros. Apesar do declnio observado, a

    mortalidade infantil permanece como uma grande preocupao em Sade Pblica. Os

    nveis atuais so considerados elevados e incompatveis com o desenvolvimento do

    Pas, alm de que h srios problemas a superar, como as persistentes e notrias

    desigualdades regionais, com concentrao dos bitos na populao mais pobre, alm

    das iniquidades relacionadas a grupos sociais especficos (BRASIL, 2009b).

    A subnotificao de bitos no Pas ainda um problema a ser enfrentado,

    especialmente nas regies Norte e Nordeste. A omisso do registro do bito em

    cartrio compromete o real dimensionamento do problema e a identificao das aes

    adequadas de sade para a diminuio das taxas de mortalidade. Da mesma maneira, a

    baixa qualidade das informaes nas declaraes de bito, prejudica a anlise dos

    fatores que influenciam a mortalidade e, consequentemente, dificulta as aes de

    interveno. necessrio, portanto, esforo especial e mobilizao dos gestores e das

    equipes de sade para a identificao do bito infantil e fetal, qualificao das

    informaes e incorporao da avaliao dos servios de sade para melhoria da

    assistncia (BRASIL, 2009b).

  • 51

    4.3 ASPECTOS POLTICO-INSTITUCIONAIS

    Ao discorrermos sobre as questes relacionadas aos aspectos polticos

    administrativos nos municpios em anlise nos reportamos s reflexes realizadas

    CONASEMS quando realiza e traz orientaes aos novos gestores municipais de

    sade, deixa evidenciado que:

    A responsabilidade do governo municipal pela sade de seus cidados no termina nos limites do municpio. A garantia do atendimento integral a este cidado, ou seja, a eventual necessidade de complementaridade da assistncia, mesmo fora do municpio, uma corresponsabilidade da gesto municipal (BRASIL, 2009a, p.13).

    Diante de tal entendimento deste conselho apresentamos na tabela 03 os dados

    que representam os aspectos poltico-institucionais dos municpios em estudo.

    Tabela 03 Aspectos poltico-institucionais por municpio estudado. Bahia, 2011.

    Fonte: Entrevistas, SIOPS, IBGE e Relatrio Anual de Gesto 2010.

    A tabela 03 e os discursos que se seguem apresentam os dados referentes aos

    aspectos Poltico-institucionais das Secretarias Municipais de Sade dos municpios

    estudados.

    Pode-se verificar que no municpio 01 houve continuidade administrativa, vez

    que no houve mudana no projeto poltico-administrativo nos ltimos anos, pois o

    prefeito foi reeleito e o mesmo grupo poltico continua na gesto. No municpio 02 a

    situao bem diferente vez que gesto municipal est em seu primeiro mandato e foi

    CRITRIO / INDICADORES MUNICPIO 01 MUNICPIO 02 Ano de criao do municpio 1958 1935 Continuidade administrativa da prefeitura (2004 e 2008) SIM (reeleio) NO Transferncia recursos do SUS (Unio - 2010) 828.160,38 1.331.133,26 Transferncia de convnio (capital) Unio para o SUS (2010) -- 55.000,00 Transferncia de convnio (capital) do Estado para o SUS (2010) -- 255.132,04 Transferncia de convnio do Estado para o SUS (2010) -- 90.000,00 Transferncia de recurso do Estado para Programas de Sade (2010) 15.000,00 -- Incentivo Estadual ESF 4.500,00 7.500,00 Desprecarizao do trabalho Parcial Parcial Aes de Educao Permanente em Sade Parcial NO

  • 52

    eleito em oposio a um grupo que estava frente da administrao municipal h

    vrios anos.

    Outro elemento importante que diferencia os dois municpios foi o recebimento

    de recursos para o SUS, oriundos da Unio e do Estado referentes s transferncias de

    recursos, nas quais se pode observar que o municpio 02 recebeu repasses bem maiores

    que o municpio 01.

    Isto fica evidenciado quando em documento do CONASEMS (BRASIL, 2009a,

    p.14) exposto que:

    De acordo com a Constituio Federal, os municpios so autnomos em relao ao governo do Estado e Unio. O SUS deve ser construdo com base em uma relao harmoniosa, solidria e de respeito autonomia de cada ente federado e com decises baseadas em consenso. No h hierarquia entre as diferentes esferas de governo.

    Assim sendo, cada municpio possui autonomia em tomar suas prprias decises

    polticas administrativas, o que mais uma vez fica evidenciado na anlise dos

    documentos oficiais destes, a exemplo de seus planos.

    Ao analisarmos os instrumentos bsicos de gesto (Plano Municipal de Sade e

    Relatrio Anual de Gesto) e o discurso dos gestores, podemos inferir que nos

    municpios analisados a Ateno Bsica foi colocada como rea prioritria.

    Os programas do Ministrio de uma forma geral [...] quero que acontea o preconizado. Quando eu falo nos programas estou falando no geral. A questo da Ateno Bsica [...] a Ateno Primria Sade que est atrelada aos programas tambm, que o municpio est se disponibilizando a fazer e tem por obrigao fazer (SMS/M01).

    [...] Nessa nossa gesto agora ns temos investido muito na questo da sade preventiva, que vem os PSF [...] aonde a gente ta dando maior foco, e agente observa que a populao comeou a absorver isso [...] a questo preventiva, que tai a urgncia e emergncia que o hospital, mas que de fato a sade acontece nas unidades de sade, ento tai o que nos chamamos de ateno bsica. De fato ns estamos investindo na ateno bsica, uma prioridade nossa [...] (SMS/M02).

    Segundo o Ministrio da Sade, a Ateno Bsica caracteriza-se por um

    conjunto de aes de sade, no mbito individual e coletivo, que abrange a promoo e

    a proteo da sade, a preveno de agravos, o diagnstico, o tratamento, a

    reabilitao, reduo de danos e a manuteno da sade com o objetivo de desenvolver

  • 53

    uma ateno integral que impacte na situao de sade e autonomia das pessoas e nos

    determinantes e condicionantes de sade das coletividades. desenvolvida por meio

    do exerccio de prticas de cuidado e gesto, democrticas e participativas, sob a forma

    de trabalho em equipe, dirigidas a populaes de territrios definidos, pelas quais

    assume a responsabilidade sanitria, considerando a dinamicidade existente no

    territrio em que vivem essas populaes (BRASIL, 2011).

    desenvolvida com o mais alto grau de descentralizao e capilaridade,

    prxima da vida das pessoas, alm de que deve ser o contato preferencial dos usurios,

    a principal porta de entrada e centro de comunicao da Rede de Ateno Sade.

    Baseia-se nos princpios da universalidade, da acessibilidade, do vnculo, da

    continuidade do cuidado, da integralidade da ateno, da responsabilizao, da

    humanizao, da equidade e da participao social, como tambm considera o sujeito

    em sua singularidade e insero sociocultural, buscando produzir a ateno integral

    (BRASIL, 2011).

    Durante a ltima dcada, o Brasil experimentou grandes mudanas na

    organizao, financiamento e oferta de servios de sade, sendo que a ateno bsica

    tem merecido especial ateno, com a introduo de programas inovadores e

    estratgicos para a mudana do modelo assistencial no SUS. Entre as caractersticas

    inovadoras incluem-se a nfase em reorganizar os servios de ateno bsica,

    centrando-os na famlia e na comunidade e integrando-os aos outros nveis de ateno

    (OPAS, 2006).

    Destarte que para Ferreira et al. (2009, p.899) colocam que:

    A organizao tecnolgica do processo de trabalho tem se constitudo em um forte analisador da organizao da assistncia sade, por revelar a paradoxal relao entre o trabalho morto e trabalho vivo no ncleo produtivo do cuidado.

    A dependncia do financiamento federal tem tornado a gesto financeira

    vulnervel ao recebimento destes recursos. Os secretrios entrevistados estavam

    convictos que h uma insuficincia de recursos financeiros para garantir a realizao

    das aes e servios ofertados pelo sistema municipal de sade.

  • 54

    [...] Eu acho que a maior dificuldade hoje do SUS, do funcionamento do SUS a questo do financiamento do SUS, que infelizmente ainda no cobre com o mnimo que se necessita pra fazer um bom trabalho [...] mas o financiamento dele que complicado [...] infelizmente pouco, porque a gente tenta atender uma demanda muito grande uma populao toda e infelizmente a gente no consegue botar, o que est no papel [...] o que est nos planos de sade que so desenvolvidos em prtica [...] hoje a maior dificuldade questo financeira [...] (SMS/M02).

    Os recursos destinados sade em um municpio so provenientes da

    arrecadao fiscal direta e das transferncias entre entes federados. possvel

    identificar alguns limites e constrangimentos institucionais impostos ao financiamento

    pblico da sade no Brasil, como: a forma como se estrutura a diviso das

    competncias tributrias (que nvel de governo administra e arrecada cada tributo); os

    dispositivos que determinam a partilha intergovernamental de recursos; e o carter das

    transferncias federais para o financiamento das aes e servios descentralizados de

    sade, que so influenciadas pela capacidade instalada e de produo de aes e

    servios de sade nos estados e nos municpios (LIMA, 2007).

    Ainda Lima (2007) enfatiza que se estados e, principalmente, os municpios

    foram beneficiados pela descentralizao tributria, dificilmente essas instncias

    poderiam dar conta dos compromissos de universalizao e integralidade assumidos na

    Constituio e leis nacionais sem as transferncias federais destinadas especificamente

    sade. Alm disso, a Emenda Constitucional 29 (EC 29), ao definir patamares

    mnimos de despesas em sade nos oramentos descentralizados, no resolve o

    problema das desigualdades na capacidade de arrecadao e de apropriao de

    transferncias constitucionais pelas instncias federadas.

    Alm da insuficincia de recurso financeiro, os gestores e coordenadores da

    ateno bsica tm dificuldade com relao acessibilidade dos usurios aos servios

    especializados de mdia e alta complexidade.

    [...] Pactuados baseado na PPI que a quantidade no suficiente e agente complementa com recurso extra SUS [...] fazer a PPI funcionar como foi proposto. A PPI que vai reger e vai dar condies pr gente [...] (SMS/M01). [...] a populao ela quer ser assistida, ela no ta preocupada com o que o sistema est oferecendo, de que forma o sistema oferece, quais so as regras que so aplicadas pr se prestar um servio, no, ela quer ser atendida, isso requer que o municpio oferea o melhor possvel e procedimentos que s vezes a gente no tem [...] (SMS/M02).

  • 55

    Ai que ta a dificuldade que eu te falei, dependendo do problema a gente no consegue [...] a gente no acha vaga [...] para Salvador que era um apoio que a gente tinha ta difcil demais, a gente fica com o paciente acamado com fratura de fmur, meses [...] Quando a gente consegue por via de emergncia ai a gente consegue, se mandar por ambulncia para arriscar a ser atendido (CAB/M01). [...] porque s vezes a gente depende assim de outros municpios pra ta enviando, a s vezes a gente no acha vaga [...] (CAB/M02).

    Na sade, haveria que distinguir inicialmente as necessidades de sade e as

    necessidades de servios de sade, o que remeteria para a separao, com fins

    analticos, entre desigualdades nas condies de vida e sade, de um lado, e

    desigualdades no acesso e consumo de servios de sade, de outro (ALMEIDA, 2002).

    Para Gasto (2007), a responsabilidade macro-sanitria volta-se para a

    regionalizao do Sistema, buscando a definio precisa do qu compete a quem. Para

    isto, seria fundamental a criao de um organismo em cada regio de sade, com poder

    para estabelecer planos regionais, acompanhando e avaliando a gesto regional.

    Significa definir que modalidade e que volume de ateno caberia a cada municpio.

    Dentro de cada cidade, estabelecer do que se encarregar cada servio hospitalar, de

    especialidades ou de urgncias, criando assim responsabilidade macrosanitria

    tornando efetivo e transparente o encargo sanitrio de cada cidade e de cada

    organizao do Sistema. E, com base neste encargo, estabelecer compromissos de

    cofinanciamento entre os entes federados, bem como possibilitar a gesto do acesso, de

    maneira que todos os necessitados de cada regio tenham acolhimento equnime.

    Diante de todo o exposto vale salientar que:

    A experincia nacional demonstra que um sistema estadual de sade organizado est diretamente relacionado com a capacidade de mobilizao e organizao dos gestores municipais, atravs do COSEMS (BRASIL, 2009a, p.79).

    Demonstrando ainda que os rgos representativos dos secretrios municipais

    de sade (COSEMS) juntamente com o Conselho Nacional de Secretrios Municipais

    de Sade (CONASEMS), buscam constantemente permanecer num processo de

    evoluo administrativa, tcnica e poltica, entendo ser a participao da gesto

    municipal inclusive no financiamento de sua instituio representativa fundamental

  • 56

    para garantir uma melhor capacidade de pactuao e organizao do sistema estadual

    de sade e de seu prprio municpio (BRASIL, 2009a, p.79).

    Com relao forma administrativa de acesso ao servio pblico, esta se d nos

    dois municpios por meio de concurso e seleo pblica. Entretanto, nenhum dos

    municpios estudados possui Plano de Carreiras, Cargos e Salrios (PCCS).

    [...] seleo pblica e concurso pblico [...] No, a gente ta como meta agora para 2011, alis, ta entrando no meu Plano Municipal at 2012 para a gente elaborar (SMS/M01). A maioria concurso e REDA [...] Por a gente no ter toda equipe, no caso nosso, concursados, a gente trabalha aqui com processo seletivo, ento no tem como a gente instalar, a maioria dos mdicos so contratos, os enfermeiros e auxiliares de enfermagem so processo seletivo, ento no tem como fazer plano de carreira, se todos fossem concursados era mais fcil (SMS/M02).

    A Lei 8.142/90 define condicionantes para as transferncias de recurso fundo a

    fundo: o estabelecimento dos Fundos de Sade e Conselhos de Sade; a elaborao de

    Plano de Sade; a existncia de contrapartida de recursos no respectivo oramento

    receptor; e constituio de uma comisso para elaborar um PCCS (BRASIL, 1990).

    Entretanto, j se passaram mais de vinte anos e nota-se a inexistncia de polticas

    voltadas fixao de profissionais, ausncia de piso salarial e nem mesmo a criao de

    carreira nos municpios estudados.

    A heterogeneidade de vnculos um dado importante na atualidade, s novas

    formas de contrato mudam radicalmente os mecanismos de ingresso e manuteno

    do trabalhador, estabelecendo novas relaes de trabalho, definindo tambm a

    necessidade de se adquirir competncias que habilitem trabalhadores e gestores como

    negociadores das condies de trabalho, s vezes em condies adversas do ponto de

    vista oramentrio, para operar avanos significativos nas negociaes, mesmo quando

    os pleitos dos trabalhadores so reconhecidos como legtimos. Diante disto, o

    Conselho Nacional de Secretrios de Sade (CONASS) vem dedicando ateno

    especial discusso da precarizao do trabalho e busca de caminhos para reverter a

    situao instalada (BRASIL, 2007b).

  • 57

    Percebe-se certa fragilidade no desenvolvimento de aes de educao

    permanente, vez que nenhum dos dois municpios tem instituda a Poltica de

    Educao Permanente em Sade.

    Aqui no, a gente se limita a fazer a nossa educao em sade nossa mesmo, todo o enfermeiro que sai ele produz um relatrio do que foi e repassa para os demais, ento a gente tem uma coisa interna (SMS/M01). Essa poltica tem tido uma dificuldade, agora que a gente conseguiu a com a equipe da unidade, esse acolhimento pedaggico, que eu acredito que , mas a DIRES de fato d cobertura. O municpio no tem [...] precisa sempre que haja capacitao com os profissionais [...] (SMS/M02).

    A Poltica Nacional de Educao Permanente em Sade (PNEPS) uma

    proposta de ao estratgica que visa a contribuir para transformar e qualificar as

    prticas de sade, a organizao das aes e dos servios de sade, os processos

    formativos e as prticas pedaggicas na formao e desenvolvimento dos trabalhadores

    de sade. A implantao desta Poltica implica em trabalho intersetorial capaz de

    articular desenvolvimento individual e institucional, aes e servios e gesto setorial,

    e ateno sade e controle social (BRASIL, 2004).

    Mesmo de forma incipiente, vem ocorrendo o desenvolvimento de aes de

    Educao Permanente em Sade (EPS) como pode ser verificado nos discursos dos

    entrevistados.

    [...] a educao permanente, a coordenadora anterior a mim ela j tinha comeado a dar incio. Infelizmente, eu no tive condies pela sobrecarga. Ento eu tento assim, me reunir com eles [...] a gente vai discutindo assim o que ta mais em alta [...] (CAB/M02). [...] A gente montou no incio do ano aqui um cronograma de aes voltadas no s para a vigilncia, mas a questo de informao para todos os grupos da secretaria [...] a gente tem geralmente uma vez ao ms, mas tem ms que a gente faz duas vezes estas capacitaes (CVS/M01). [...] normalmente a gente reuni, a depender de qual for o tipo da capacitao [...] a reunio s vezes apenas com os coordenadores, com as enfermeiras. s vezes agente reuni com os profissionais da sala de vacina, ou a depender do tema, com a equipe toda [...] A gente j fez duas capacitaes em sala de vacina [...] capacitao em hansenase, tuberculose, sade do trabalhador, isso pra toda a equipe (CVS/M01). [...] uma grande dificuldade que ns temos ainda. Esta s em projeto, precisamos capacitar esse povo, enquanto no capacitar difcil (DH/M02).

  • 58

    Portanto, Ceccim (2005, p.167) argumenta que a EPS um processo e no uma

    capacitao estanque. Se formos atores ativos das cenas de formao e trabalho

    (produtos e produtores das cenas, em ato), os eventos em cena nos produzem diferena,

    nos afetam, nos modificam, produzindo abalos em nosso ser sujeito, colocando-nos

    em permanente produo. O permanente o aqui-e-agora, diante de problemas reais,

    pessoas reais e equipes reais.

    Todavia diante desse entendimento vemos que nos municpios-caso h

    necessidade de se investir na educao incorporada rotina de trabalho como um

    processo efetivo, contnuo e ajustado s necessidades do cotidiano, e esta estratgia

    deve se constituir em prioridade de gesto. O grande desafio buscar estratgias para

    facilitar o complexo processo de interao, articulao e pactuao, entre os diversos

    atores envolvidos no processo de educao permanente.

    Tabela 04 Proporo de recursos do tesouro municipal aplicados no setor sade por municpio estudado. Bahia, 2005 a 2009.

    MUNICPIO 2005 2006 2007 2008 2009 01 15,01 16,70 19,07 19,19 21,46 02 20,10 19,70 18,72 15,12 17,12

    Fonte: SIOPS/DATASUS.

    A srie histrica do percentual de aplicao de recursos prprios em sade nos

    municpios-caso permite visualizar como se deu o esforo municipal de financiamento

    das aes e servios pblicos de sade acima do preconizado pela EC 29. Observa-se

    no municpio 01 uma tendncia crescente da aplicao de recurso saindo de 15,01%

    em 2005 para 21,46% em 2009. J no municpio 02, o gestor investiu um maior

    percentual dos recursos do tesouro municipal em 2005 (20,10%), e foi reduzindo at

    chegar em 2009 com 17,12%, aplicando de sua arrecadao fiscal um valor prximo ao

    mnimo estabelecido pela EC 29. Neste municpio o trabalho do setor sade tornou-se

    fonte de legitimao poltica da administrao municipal, que alm dos investimentos

    na Ateno Bsica, tm investido tambm na reforma do Hospital Municipal.

    Pode-se inferir que os gestores tm conhecimento da realidade local e estes

    foram se capacitando no processo, acumulando conhecimentos e experincias que

  • 59

    ampliaram sua prtica na gesto, configurando uma maior legitimidade no

    desenvolvimento de suas funes.

    [...] a gente lida aqui com a hipertenso, complicaes de diabetes, as parasitoses intestinais de uma forma geral [...] a gente estritamente, basicamente rural mesmo, a nossa populao muito concentrada na rea rural [...] (SMS/M01). [...] eu tenho uma dificuldade como gestor o profissional [...] quando ele sai da faculdade ele no consegue se adaptar a realidade que props a sade, o SUS [...] A realidade totalmente diferente [...] por mais que o ministrio tem insistido que a secretaria de sade tenha um fundo prprio, [...] todas as secretarias hoje tem, mas infelizmente a gente fica muito preso administrao [...] Uma das maiores dificuldades a questo da gesto sade com a gesto administrativa [...] (SMS/M02).

    Para administrar uma poltica descentralizada, os mecanismos de tomada de

    deciso precisam ser ampliados no sistema, com participao social e construo de

    alianas entre os principais atores envolvidos, representando uma grande inovao na

    governana em sade no Brasil, permitindo que maior nmero e variedade de atores

    participem do processo de tomada de deciso e definam reas de responsabilidade

    institucional com mais clareza que no passado, assegurando que cada nvel de governo

    apoiem a implementao da poltica nacional de sade (PAIM, 2011).

    A inovao da gesto pblica em sade consiste em incluir novos atores na

    formulao, gesto e proviso dos servios pblicos em sade. Os conhecimentos e

    prticas dos trabalhadores so fonte de conhecimento para desenvolver prticas de

    avaliao da ateno em sade que possam promover o fortalecimento das aes

    integrais e prticas avaliativas (PINHEIRO; SILVA JR., 2008).

    H uma diferena pequena na formao da equipe tcnica da Secretaria

    Municipal de Sade dos municpios pesquisados. No municpio 01 esta formada por

    secretrio, coordenao da ateno bsica, coordenao de sade bucal, coordenao

    de vigilncia sade, tcnico autorizador de regulao e digitador dos Sistemas de

    Informaes em Sade. O municpio 02 tem a mesma composio, exceto a

    coordenao de sade bucal. Ficou evidente que a composio da referida equipe

    tcnica restrita e constituda basicamente por profissionais recm-formados.

    Entretanto, o compromisso com a consolidao do sistema municipal de sade vem

    superando as dificuldades encontradas.

  • 60

    4.4 ASPECTOS ORGANIZACIONAIS

    Por compreendermos que os aspectos organizacionais proporcionam as

    instituies viabilidade e planejamento em suas aes administrativas levando a um

    bom andamento nos seus planejamentos de gesto. Assim sendo, na tabela que segue

    buscamos descriminar estes aspectos dos municpios em estudo.

    Tabela 05 - Aspectos organizacionais por municpio estudado. Bahia, 2011.

    Fonte: Entrevistas, DATASUS, SIAB, Relatrio Anual de Gesto.

    No processo da implementao do SUS, foram identificados algumas

    incoerncias, inconsistncias, lacunas quanto ao entendimento que os entrevistados

    possuem sobre o SUS.

    SUS uma Poltica de Sade [...] tem seus percalos [...] facilmente identificado a questo de autonomia do gestor, muita coisa no acontece por isso [...] e outra coisa a gente precisa de um melhor acompanhamento, de uma melhor cobrana no sentido de acompanhamento e cobrana do prprio Estado, do prprio governo federal onde se desenvolva estratgias que venham a dar um suporte maior, t mais prximo aos gestores (SMS/M01).

    CRITRIO / INDICADORES MUNICPIO 01 MUNICPIO 02 Prticas de Avaliao SIM SIM Instrumentos e Prticas de Planejamento SIM SIM Conselho Municipal de Sade SIM SIM Pacto de gesto assinado SIM SIM Unidades Bsicas de Sade 04 06 Hospital Geral -- 01 Policlnica 02 -- Unidade de Vigilncia em Sade -- 01 Unidade Mvel Terrestre -- 01 Ano de implantao do PACS 1992 1992 Cobertura do PACS 62,06 -- Ano de implantao do PSF 2005 2001 Cobertura do PSF 22,67 100,00 N de equipes de SF 03 05 N de famlias cadastradas na ESF (2011) 3.695 3951 N de usurios cadastrados na ESF (2011) 12.873 13.102 Consulta mdicas bsicas / habitante (2010) 0,93 0,73 Acesso a Procedimentos de Mdia e Alta Complexidade Pactuao/Contratao Pactuao Complexo Regulador NO NO Sistema de referncia e contra-referncia Apenas referncia Apenas referncia Sistemas de informao em Sade SIM SIM

  • 61

    Com o surgimento do SUS, se abriu a uma nova histria [...] mas o que a gente observa [...] que de fato o SUS ainda t longe daquilo que a gente pretende, daquilo que proposto pelo prprio SUS, que a questo do desenvolvimento das aes que ainda tem alguns impasses devido a questo financeira [...] s vezes a gente no alcana devido aos recursos que so poucos [...] mas o projeto SUS um projeto brilhante. Muitas vezes ta s no papel [...] um dos melhores projetos que est a no mundo, mas o financiamento dele que complicado [...] infelizmente a gente no consegue botar, o que est no papel [...] o que est nos planos de sade que so desenvolvidos em prtica [...] (SMS/M02).

    Nestes depoimentos fica evidenciado que estes gestores pensam o SUS

    enquanto uma poltica em busca de atender e resolver questes inerentes sade nos

    mais distintos municpios brasileiros.

    [...] eu acho que o SUS deixou de engatinhar e esta caminhando a passos largos, eu acho que melhorou, mas ainda precisa melhorar muita coisa [...] o que oferecido hoje, [...] quando eu entrei na faculdade no existia [...] eu acho que melhorou muito e tende a melhorar muito mais [...] o SUS o melhor modelo de sade que eu j vi [...] (CAB/M01). [...] Sistema nico de Sade, que veio pra modificar o sistema de sade que existia no pas [...] ainda deixa muito a desejar [...] o que a gente v no papel se a gente fosse colocar em prtica no tinha nada melhor, ento o SUS perfeito [...] um sistema [...] pra mim maravilhoso [...] porque como a gente v iguala as pessoas [...] as pessoas tendo o mesmo acesso, tendo os mesmos direitos, s que infelizmente o que ta institudo no nosso pas difcil voc colocar em prtica [...] (CAB e CVS/M02).

    Nestes depoimentos seus gestores percebem que o SUS proporciona mudanas

    na assistncia sade nos municpios onde este em pleno funcionamento na

    perspectiva de atender os seus princpios, mas percebem as dificuldades enfrentadas

    em ser colocado em prtica tudo o que foi preconizado devido a uma falta de

    sustentao por parte de rgos superiores.

    [...] eu tenho uma viso do SUS como o Sistema nico que tem que garantir os servios de qualidade para toda a comunidade, s que na realidade a gente v um pouquinho diferente [...] as coisas no acontecem como a gente quer que aconteam, como preconizado, sei que avanou muito [...] precisa ainda avanar [...] ainda falta muita coisa para que garanta a qualidade da sade para a populao (CVS/M01). Um programa que busca o atendimento das pessoas que no tem condies de conseguir atravs do plano de sade, levar a sade para todas as pessoas independente do nvel social, basicamente isso que o SUS (CSB/M01).

  • 62

    [...] Tudo que oferecido pelo governo [...] tudo que o habitante do municpio tem direito [...] direito independente do municpio [...] no que o municpio d, mas o paciente ele tem aquele direito, porque fornecido pelo governo (RASI/M01).

    Nas afirmaes que seguem percebe-se que os gestores veem o SUS enquanto

    programa e sistema de sade oferecido pelo governo proporcionando a todos,

    indiferente de sua classe social, uma qualidade no acompanhamento de sade do

    indivduo, famlia e comunidade.

    [...] muito amplo, a maior conquista que ns temos [...] que a populao tem que valorizar o SUS (DH/M02).

    um Sistema nico de Sade [...] antes dele a sade no era pra todo mundo [...] nem todo mundo tinha acesso, e depois do SUS [...] muita gente tem acesso a exames, atendimento que no tinha [...] depois dele facilitou bastante para a populao. A populao foi beneficiada por causa dele, por causa do SUS (RASI/M02). [...] O SUS o que oferece exames para todos. O SUS na verdade direito de todos, [...] ta faltando muita coisa [...] outras pessoas no entende o que SUS [...] eles falam pelo atendimento que no so bem atendidos [...] eles reclamam de tudo e na verdade a gente observa [...] no SUS o atendimento um, quando se diz que particular o atendimento outro (TAR/M01). Que um convnio [...] que precisa ser melhorado [...] porque a demanda grande e a oferta muito pequena, ento o SUS precisa ser melhorado (TAR/M02).

    Destarte que todos estes discursos nos leva a reflexes do profissional que se

    encontra prestando assistncia a estas populaes atendidas pelo SUS, e como esta

    ocorrendo a sua formao acadmica. Todas essas nossas inquietaes vem sendo

    debatida em vrios fruns competentes da Sade e da Educao. Existe no Brasil um

    evento que debate com todas as profisses e instituies formadoras a respeito de

    como pode estes rgos minimizar estes enfrentamentos, ou melhor, formar para

    atender os princpios do SUS, denominado REDE UNIDA.

    A formao dos profissionais de sade deve ser entendida como um projeto

    educativo que extrapola a educao para o domnio tcnico-cientfico da profisso e se

    estende pelos aspectos estruturantes de relaes e de prticas em todos os componentes

    de interesse ou relevncia social que contribuam elevao da qualidade de sade da

    populao, tanto no enfrentamento dos aspectos epidemiolgicos do processo sade-

  • 63

    doena, quanto nos aspectos de organizao da gesto setorial e estruturao do

    cuidado sade. O desafio da gesto pblica do setor da sade deve estar assentado no

    ordenamento de polticas de formao, como prev a Constituio Nacional no Brasil

    (CECCIM; FEUERWERKER, 2004).

    O que se observa nas falas dos entrevistados um conceito reducionista do que

    vem a ser o SUS. Assim, o entendimento sobre o SUS nica e exclusivamente como

    um programa, um convnio ou mesmo o que oferece exames para todos afeta

    diretamente a implementao do sistema, uma vez que a falta deste entendimento tem

    dificultado a realizao das aes e servios pautados nas necessidades de sade da

    populao. importante ainda destacar a questo da valorizao do SUS pela

    populao enquanto um direito de cidadania e no de forma verticalizada e imposta

    pelos gestores.

    No que se refere organizao e oferta de servios, podemos verificar a

    existncia de algumas barreiras para coloc-las em prtica no atual cenrio do Sistema

    de Sade Municipal.

    [...] Os prprios da Ateno Bsica [...] Os contratados so todas as especialidades [...] Pactuados baseado na PPI [...] a quantidade no suficiente e agente complementa com extra SUS [...] a gente libera tudo, a gente fornece tudo, a gente dispensa tudo [...] a gente no deixa sem soluo as solicitaes aqui. Com esse aparato que eu tenho de levar para fora, com recursos extra SUS [...] (SMS/M01). [...] Servios mais essenciais [...] Convnios: Neurologista, Otorrino [...] os servios essenciais a gente tem [...] temos um hospital de urgncia e emergncia [...] a populao tem acesso e a populao tem facilidade de chegar [...] ns temos cinco equipes de PSF, [...] a populao tem acesso a essas unidades de sade (SMS/M02). A gente ta fazendo agora demanda organizada, antes era demanda espontnea [...] faz educao em sade, a gente faz eventos que possam sensibilizar e mobilizar [...] apresentao em rdio [...] faz sala de espera que no deixa de ser uma educao em sade [...] Todas as datas comemorativas do calendrio de sade a gente faz (CAB/M01). [...] Tem a oferta organizada e tem a demanda espontnea [...] o pessoal procura fazer os agendamentos [...] quem chega unidade por demanda espontnea no volta sem ser atendido [...] levar informao pra comunidade, pra t prevenindo, [...] a gente fez algumas feiras de sade [...] palestras, sala de espera [...] a questo de gravidez precoce, do envolvimento com drogas [...] (CAB/M02).

  • 64

    A oferta de servio no supre a demanda porque a procura grande [...] na minha data de marcao do SUS [...] a gente tem uma data [...] exame de laboratrio, raios-X, [...] distribui senha, quem pegar senha e tiver vaga dos exames ele vai marcando [...] (TAR/M01). [...] mamografia, a gente tem um pouco de dificuldade, de tomografia [...] a demanda muito grande pra oferta [...] Houve melhoras em alguns servios, no caso de mamografia, de tomografia, de ressonncia magntica [...] Se a pactuao for pra Jequi, a gente marca pra Jequi, se for Itabuna pra Itabuna e se for pra Salvador a gente marca pra Salvador tambm, onde for necessrio (TAR/M02).

    As falas dos gestores convergem para a compreenso dos diferentes nveis de

    complexidade do sistema de sade, e de que h uma insuficincia de oferta de servios,

    sendo necessria a utilizao de recursos do tesouro municipal para garantir o acesso

    da populao a tais servios. Cabe destacar que os coordenadores da ateno bsica

    dos municpios estudados citaram a oferta organizada e demanda espontnea como

    estratgias para organizao do sistema. No entanto, os tcnicos autorizadores de

    regulao, compreendem que a demanda maior que a oferta ocasionando quantidade

    insuficiente de procedimentos que atenda a necessidade de toda a populao.

    Neste sentido, o conceito de sade assegurado na legislao brasileira constitui-

    se como um direito da cidadania a ser garantido pelo Estado, e para garantir a

    universalidade da ateno faz-se necessrio a formulao de um modelo social tico e

    equnime norteado pela incluso social e solidariedade humana. Entretanto, temos

    vivenciado o impasse com a concretizao do acesso universal aos servios de sade,

    requerendo assim uma luta constante pelo fortalecimento da sade como um bem

    pblico, como direito individual e coletivo atravs do redimensionamento de uma nova

    prtica construda a partir de uma gesto democrtica e participativa (ASSIS; VILLA;

    NASCIMENTO, 2003).

    O Pacto pela Sade define que uma das responsabilidades sanitrias do

    municpio no Termo de Compromisso de Gesto promover a equidade na ateno

    sade, considerando as diferenas individuais e de grupos populacionais, por meio da

    adequao da oferta s necessidades como princpio de justia social, e ampliao do

    acesso de populaes em situao de desigualdade, respeitadas as diversidades locais

    (BRASIL, 2006a).

  • 65

    Nos sistemas fragmentados de ateno sade a ateno primria no se

    comunica fluidamente com a ateno secundria e esses dois nveis tambm no se

    comunicam com a ateno terciria, nem com os sistemas de apoio (MENDES, 2010).

    As caractersticas estruturais de um sistema de sade podem determinar o seu grau de

    integrao, sendo que os sistemas de sade pblicos universais apresentam vantagens

    comparativas para a integrao em relao aos sistemas segmentados (MENDES,

    2007).

    Ainda Paim (2011) destaca que a prestao de servios especializados no SUS

    problemtica, pois a oferta limitada e o setor privado contratado muitas vezes d

    preferncia aos portadores de planos de sade privados. Alm disso, a ateno

    secundria pouco regulamentada e os procedimentos de mdia complexidade

    normalmente so preteridos em favor dos procedimentos de alto custo, fazendo com

    que o SUS seja altamente dependente de contratos com o setor privado, principalmente

    no caso de servios de apoio diagnstico e teraputico; apenas 24,1% dos tomgrafos e

    13,4% dos aparelhos de ressonncia magntica so pblicos e o acesso desigual.

    Em relao organizao e oferta de servios, cabe destacar as aes de sade

    bucal. Para a consulta odontolgica os usurios so atendidos de acordo com um plano

    de tratamento proposto. O agendamento das consultas feito de forma programada,

    ocorrendo o atendimento e realizao de todos os procedimentos que o usurio

    necessita at receber alta.

    [...] a questo da visita do tcnico para fazer preveno porque isso evita ta quebrando equipamento [...] para evitar parar o funcionamento [...] e a outra a questo do almoxarifado [...] a organizao de todo esse material [...] priorizar de 0 a 14 anos e urgncia e emergncia [...] so atendidas, questo de dor, abscesso, tudo isso para odontologia uma urgncia [...] escovao supervisionada, palestras nas escolas [...] tambm no consultrio [...] aplicao de flor [...] orientao de higiene bucal [...] para aumentar o impacto seria levando informao [...] (CSB/M01).

    A incorporao das aes de sade bucal na Estratgia de Sade da Famlia

    constitui-se um novo espao que exige prticas a serem construdas e uma reorientao

    do processo de trabalho da sade bucal no mbito dos servios de sade, pois, de

    acordo com as diretrizes do MS, as equipes de sade bucal devem atender as demandas

  • 66

    da populao com aes e servios de promoo, preveno e recuperao, por meio

    de medidas de carter coletivo e individual (BRASIL, 2006b).

    Destacamos dentre as atribuies especficas do cirurgio-dentista a realizao

    de diagnstico com a finalidade de obter o perfil epidemiolgico para o planejamento e

    a programao em sade bucal, realizao da ateno sade em sade bucal

    individual e coletiva a todas as famlias, a indivduos e a grupos especficos, de acordo

    com planejamento da equipe, com resolubilidade e a coordenao e participao de

    aes coletivas voltadas promoo da sade e preveno de doenas bucais

    (BRASIL, 2011).

    Corroborando com Roncalli (2006) quando coloca que as mudanas das prticas

    no servio, com priorizao para as aes coletivas, tomando por base os estudos

    epidemiolgicos e a incorporao de estratgias de avaliao, proporcionariam a

    consolidao de um modelo que pode produzir resultados significativos.

    No processo de organizao do sistema de sade um dos aspectos fundamentais

    a serem discutidos e implementados esto relacionados aos instrumentos e prticas de

    planejamento.

    O Plano Municipal de Sade [...] parte de necessidades que a gente j conhece [...] muda muito pouco de um lugar para outro [...] parte das observaes, do desenvolvimento das aes, ento cada eixo temtico [...] vai sentindo a necessidade vai se reunindo com os profissionais e vai elaborando [...] depois deste levantamento das necessidades termina vindo mais que pr mim para consolidar, para fechar [...] tenho hoje uma consultoria e essa consultoria tem me dado suporte nisto [...] implementei o relatrio trimestral [...] atravs desses relatrios j ajudou a formar o Relatrio Anual de Gesto [...] dentro das orientaes de como se elabora [...] O Planejamento [...] toma muito como base o que foi elaborado a nvel de Plano Municipal de Sade, [...] acompanhando indicador, [...] basicamente em cima dos instrumentos legais [...] (SMS/M01). O plano municipal foi construdo [...] reunies junto com o conselho municipal [...] foi discutido entre as coordenaes, entre as unidades de sade, colocamos a comunidade e dali ns traamos algumas necessidades que a comunidade tambm apresentou e as necessidades tambm que a prpria equipe observou [...] O relatrio de gesto a gente se reuni [...] a coordenadora da ateno bsica fica de fato responsvel [...] avaliao atravs dos relatrios de sade, atravs do plano municipal, atravs do plano anual [...] tenta colocar em prtica, ns ainda fazemos uma avaliao particular aqui do prprio municpio [...] (SMS/M02).

  • 67

    [...] fazendo o levantamento das necessidades, dos nossos problemas, quais so as reas que a gente mais observa necessidade de implementar aes, toda a equipe envolvida. (CVS/M01). Na realidade sentou eu, o gestor e uma das enfermeiras da unidade [...] elaboramos baseado no que a gente via que tinha mais necessidade. (CAB e CVS/M02). Participo das reunies dando opinies, passando informaes quando necessrias. (DH/M02).

    Nos municpios estudados os gestores referiram a utilizao dos instrumentos de

    planejamento, institudos pela Portaria n 3.085/2006 servindo como base de

    organizao e funcionamento do Sistema de Planejamento do SUS e precisam ser

    elaborados por imposies legais. Foi possvel identificar a existncia de prticas de

    planejamento com distintos formatos nas falas dos entrevistados, sendo que o processo

    de elaborao destes aproximava-se da noo de prticas estruturadas de planejamento,

    vez que dispunham de uma determinada padronizao normativa, externa

    organizao.

    Planejamento um termo largamente utilizado no cotidiano da poltica e da

    administrao, tanto na esfera pblica quanto na esfera privada, entendido como um

    processo de racionalizao das aes humanas que consiste em definir proposies e

    construir a sua viabilidade, com vistas soluo de problemas e atendimento de

    necessidades individuais e coletivas (TEIXEIRA, 2010).

    Vilasbas (2006) afirma que o ato de planejar consiste em desenhar, executar e

    acompanhar um conjunto de propostas de ao com vistas interveno sobre um

    determinado recorte da realidade, e, que esta ao realizada por atores sociais,

    orientada por um propsito relacionado com a manuteno ou modificao de uma

    determinada situao. Afirma ainda, que quando o objeto do estudo so as prticas de

    sade realizadas em uma instituio, pode-se admitir que as prticas de planejamento

    agissem sobre a organizao das prticas de sade de modo a torn-las coerentes com

    os princpios orientadores da finalidade da ao institucional, contribuindo para a

    implementao das polticas de sade.

  • 68

    Complementando os aspectos referentes ao planejamento em sade, torna-se

    necessrio a incorporao de prticas avaliativas e, nesse sentido destacam-se as

    seguintes falas:

    Atravs dos relatrios, eu cobro muito relatrio das aes, atravs dos prprios sistemas, de sentar para avaliar o SIAB, de ver as notificaes como que esto [...] esse acompanhamento [...] dou uma olhada no consolidado [...] sinalizo alguma coisa e ai fica a critrio das meninas [...] (SMS/M01). A avaliao [...] vem atravs do relatrio de gesto [...] dessas informaes a gente avalia [...] faz uma apresentao para todas as equipes das unidades de sade [...] vai traar o que ns alcanamos o que foi pactuado e avaliado. A gente tem a coordenadora da ateno bsica que responsvel de fato por esta avaliao [...] (SMS/M02). Com este estudo do pacto que a gente est comeando a avaliar [...] uma coisa nova. Quem participa so os enfermeiros coordenadores e odontlogos, mdicos a gente no pode contar [...] (CAB/M01). [...] todo final de ano feito uma superviso de tudo que foi desenvolvido durante o ano [...] a comunidade que responde, atravs de um questionrio [...] o que que eles acham do servio, de cada profissional, do servio que a unidade ta oferecendo, eles colocam sugestes [...] uma forma de buscar melhoria [...] uma avaliao que feita pela populao [...] (CAB e CVS/M02). Agora eu to fazendo avaliao do processo de trabalho a partir das fichas [...] aes de vigilncia [...] orientando as equipes, esta encaminhando para as equipes as informaes [...] (CVS/M01). A gente faz uma anlise baseada nas notificaes que as unidades mandam [...] todas as informaes que vem, sejam das unidades ou do hospital [...] passa a analisar e ver o que que a populao ta tendo mais [...] (CVS/M02).

    [...] porque a gente tem representaes da comunidade, temos parceiros [...] atravs de um simples administrador de um distrito [...] diretamente no, mas, indiretamente sim, tem participao. (SMS/M01). [...] um dos maiores objetivos nosso [...] levar comunidade hoje a ter uma participao, pra que ela possa entender, de fato, que a sade acontece [...] ns temos investido muito nesse papel aqui de trazer a comunidade [...] que a comunidade participe de fato. A conferncia municipal [...] ns temos levado pela primeira vez a pr-conferncia zona rural [...] pr que de fato a comunidade venha participar, tenha a sua participao. (SMS/M02). A comunidade ela s participa nas pr-conferncias [...] tem a proposta de fazer os conselhos locais de sade [...] (CAB/M01).

    Pode-se perceber nos discursos dos entrevistados a iniciativa de introduzir

    prticas de avaliao para organizar o processo de trabalho na SMS, sendo que os

  • 69

    instrumentos de planejamento aparecem como base para a realizao das prticas

    avaliativas. Identificamos a realizao do diagnstico situacional e do

    acompanhamento das aes desenvolvidas, como tambm o incentivo a participao

    popular, embora apaream contradies com relao a esta participao.

    Vieira-da-Silva (2005) refere-se avaliao como o julgamento que se faz sobre

    uma interveno ou qualquer um dos seus componentes para auxiliar a tomada de

    decises, diferente do monitoramento que diz respeito ao processo avaliativo,

    envolvendo a coleta, processamento e anlise sistemtica de informaes e indicadores

    de sade selecionados a fim de observar se aes programadas esto sendo realizadas

    de acordo com o planejado e se esto alcanando os resultados esperados.

    A implementao do SUS no Brasil vem exigindo a incorporao de uma nova

    cultura e prticas de avaliao da gesto, em decorrncia do complexo processo de

    descentralizao da sade e da necessidade cada vez maior de adequar a linha do

    cuidado prestada pelos servios de sade as necessidades e demandas da populao

    (BRASIL, 2007c).

    A avaliao da satisfao dos profissionais no exerccio de sua funo

    apresentada nas falas a seguir:

    Eles esto satisfeitos [...] no pode generalizar, a gente ta trabalhando com concursado isso mudou muito a cara da satisfao [...] as pessoas s v os direitos deles e no v os deveres [...] (SMS/M01). A gente nunca mediu [...] a maioria trabalha aqui com satisfao [...] tem uma preocupao na questo de dar melhores condies de trabalho pra eles, a questo financeira tambm, de pagar em dia [...] (SMS/M02). Esto insatisfeitos [...] principalmente a nossa categoria com relao a salrio, valorizao profissional, PCSS, desprecarizao do servio, tudo isso gera insatisfao. A gente no tem insalubridade, a gente no tem nada (CAB/M01). [...] agradar o ser humano muito complicado [...] eles nunca esto satisfeitos [...] difcil voc consegui dizer que eles esto assim super satisfeitos [...] o municpio tem tentado proporcionar condies de trabalho, materiais, proporcionar salrio em dia [...] (CAB/M02).

    Incongruncias aparecem quanto satisfao dos trabalhadores de sade, alm

    da divergncia entre o discurso dos gestores e coordenadores da ateno bsica, onde

    os gestores consideram que os trabalhadores esto satisfeitos, enquanto observa-se nos

  • 70

    discursos dos coordenadores certo descontentamento no que se refere s condies de

    trabalho, destacando a ausncia de Plano de Carreira, Cargos e Salrios (PCCS),

    resultando na precarizao do servio, desvalorizao profissional e baixos salrios.

    Diante da complexidade e dos problemas enfrentados na gesto de pessoas, o

    Ministrio da Sade criou em 2004, por meio da Portaria GM/MS n. 626, de 8 de abril

    de 2004, uma Comisso Especial para elaborao das Diretrizes do Plano de Carreira,

    Cargos e Salrios do mbito do SUS, considerando que o principal problema

    identificado em relao ao trabalhador de sade a ausncia de um PCCS, associada

    indefinio de uma poltica para o campo e ausncia de aes de planejamento e

    programao, levando a uma situao de remunerao insuficiente, diversidade de

    contratos e precarizao das relaes de trabalho (BRASIL, 2007b).

    Enquanto que Vidal (2010) enfatiza que o processo de trabalho em sade

    complexo, dinmico, diversificando-se, principalmente, de acordo com os atores, com

    os saberes utilizados, pelas necessidades de sade a serem atendidas e o cenrio/local

    da prtica de sade a ser elaborada, e que o trabalhador em sade deve lembrar sempre

    que o seu fazer atende a necessidades no-materiais e subjetivas, e isto nos leva a

    refletir acerca de sentimentos, incertezas, inseguranas e fragilidades do ser humano, e,

    o existir ou no do resultado final, o meio utilizado para alcan-lo e a finalidade ali

    embutida, podem refletir em ganhos ou prejuzos vida do usurio e tambm do

    trabalhador.

    As dificuldades encontradas no exerccio da funo podem ser observadas nas

    falas dos informantes.

    S com profissionais, eu tenho autonomia graas a Deus, eu tenho liberdade para atuar [...] a questo so os profissionais, os recursos humanos (SMS/M01). A dificuldade [...] no alcanar aquilo que gostaramos [...] de fazer acontecer o que de fato o SUS pretende [...] a gente tem como fazer mais, mas no consegue devido a algumas barreiras, tem a questo financeira, administrativa e outras coisas (SMS/M02). Dificuldade sempre existe [...] dificuldade muitas vezes de recursos humanos [...] tem um pouco de dificuldade no desenvolvimento das aes [...] (CAB/M01).

  • 71

    [...] uma das que se torna mais difcil a questo da pessoa, dos profissionais [...] mas quando voc ta na coordenao [...] voc fica na espera da atividade de algum, voc tem que ta cobrando [...] pra mim um dos pontos mais complicados (CAB/M02). [...] dificuldades que eu mais estou tendo com relao ao sistema [...] os profissionais no sabem a importncia da notificao [...] recebo muita notificao semanal negativa [...] (CVS/M01). [...] a maior dificuldade [...] que a gente tem que ta alimentando o sistema [...] essa informao elas demoram de chegar [...] s vezes elas chegam tardiamente [...] a maior dificuldade esta, a informao vir da unidade at a gente [...] isso dificulta a gente ta alimentando o sistema [...] a gente tem prazos pra cumprir [...] (CVS/M02). [...] mo de obra precisa ser qualificada [...] aptido dos funcionrios [...] dificuldades na questo de um suporte maior, de uma referncia maior nos casos de emergncia e urgncia (DH/M02). [...] a logstica e a estrutura, [...] a gente no tem um computador especfico [...] a Secretaria de Sade tambm um pouco pequena pra o atendimento [...] (TAR/M02).

    A maioria dos informantes, a exceo do tcnico autorizador de regulao,

    entende que a maior dificuldade esta relacionada ao desempenho dos trabalhadores de

    sade, que em sua maioria no conseguem dar contar de cumprir suas atribuies no

    exerccio da funo.

    Diante desta situao, o sistema de sade brasileiro incorporou a terceirizao

    de servios, mas o faz de modo igualmente preocupante para a formao harmnica

    das equipes e para a boa conduo das polticas e prticas, tanto na assistncia quanto

    nos setores responsveis pela gesto, nas trs esferas de governo. Assim, emerge a

    necessidade de incorporao de novas competncias dos trabalhadores e gestores, o

    que implica redefinir as formas de recrutar, selecionar, atualizar e manter os

    profissionais em suas respectivas atividades, utilizando instrumentos gerenciais que de

    respostas s necessidades de organizao do sistema e diminuam as barreiras com

    relao ao seu funcionamento (BRASIL, 2007b).

    A gesto do trabalho pressupe que o gestor tenha clareza de que s ser

    possvel a consolidao do SUS se implementarem uma poltica de valorizao do

    trabalhador de sade. Para tanto, o trabalhador deve ser visto como um sujeito no seu

    processo de trabalho que pode contribuir significativamente com o planejamento,

    formulao e execuo das aes de sade. importante que ele participe das decises

  • 72

    e se sinta co-responsvel na execuo das aes. Para que isto acontea, necessrio

    promover um ambiente de trabalho democrtico, saudvel e participativo que

    possibilite o sentimento de pertencimento (BRASIL, 2009a).

    Doravante passaremos a discorrer sobre as informaes referentes anlise

    documental.

    A SMS do municpio 01 foi criada atravs de Lei de 479 de 22 de Julho de

    1999. Em 23 de dezembro de 2009, a Lei N 646/2009 altera o captulo 8 art.65; art

    66; art. 67 da lei 479 de 22 de julho de 1999 e altera Anexo I Cargos

    Comissionados da Lei Municipal 637, de 20/02/2009 (Dispe sobre a organizao e

    estrutura da Secretaria Municipal de Sade, fixa princpios e diretrizes de gesto e d

    outras providncias). Ficando a sua estrutura organizacional da seguinte forma

    (Figura 01):

    Figura 01 Organograma da SMS do municpio 01, Bahia, 2011.

    CO

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    SECRETRIO MUNICIPAL DE SADE

    CONSELHO MUNICIPAL DE SADE

    DIRETORIA DE ASSISTNCIA SADE

    DIRETORIA GESTO DE FUNDOS E CONTROLE

    DE PROGRAMAS DE SADE

    DIRETORIA DE ATENO BSICA E

    VIGILNCIA SADE

  • 73

    Ao analisarmos a estrutura organizacional legalmente instituda, temos uma

    divergncia com relao ao identificado no momento das observaes in loco, pois na

    prtica no encontramos os cargos que aparecem no organograma da SMS (Figura 01).

    O Plano Municipal de Sade (PMS) 2010- 2013 do municpio 01 se apresenta

    bem estruturado, contemplando os momentos estabelecidos no mbito do Sistema de

    Planejamento do SUS, a anlise de situao de sade; identificao dos problemas e

    prioridades e a formulao dos objetivos, diretrizes e metas. Na anlise de situao de

    sade encontra-se o processo de identificao, formulao e priorizao de problemas.

    As condies de sade da populao esto bem sistematizadas, compreendo aspectos

    geogrficos, aspectos demogrficos e aspectos econmicos.

    So apresentados ainda, os dados referentes produo ambulatorial,

    internaes hospitalares, aes da vigilncia epidemiolgica, produo de servios da

    vigilncia sanitria e indicadores de sade, no aparecendo os dados dos levantamentos

    epidemiolgicos da Sade Bucal. Com relao aos objetivos, diretrizes e metas,

    identificamos algumas fragilidades, vez que esto apresentadas para os quatro anos de

    vigncia do PMS.

    Na referida anlise identificou-se ainda as seguintes vertentes: Vigilncia

    Sade, Ateno Bsica, Assistncia ambulatorial especializada, Assistncia hospitalar

    e Assistncia Farmacutica (PMS/M01).

    O Relatrio Anual de Gesto (RAG) 2010 do municpio 01 foi elaborado com

    base no modelo disponibilizado pelo MS atravs do Sistema de Apoio Construo do

    Relatrio de Gesto (SARGSUS). Neste apresenta-se a avaliao dos resultados

    alcanados com a execuo da Programao Anual de Sade (PAS) detalhada por linha

    de ao, porm a maioria das metas programadas no foi alcanada. Aparecem os

    dados demogrficos, epidemiolgicos e de morbi-mortalidade. Apresenta tambm a

    rede fsica da ateno bsica e os indicadores do Pacto, sendo que estes apresentaram

    resultados inferiores meta programada.

    O demonstrativo da utilizao de recursos informado no Sistema de

    Informaes sobre Oramentos Pblicos em Sade (SIOPS) e os indicadores

    financeiros esto detalhados no RAG, destacando que o municpio apresentou uma

    participao de 17,44% da receita prpria aplicada em sade, maior do que o

  • 74

    estabelecido pela EC 29/2000. O demonstrativo oramentrio foi bem detalhado. Nas

    consideraes finais so destacadas algumas metas da PAS que devero ser priorizadas

    em 2011, a saber: ampliar a cobertura populacional da estratgia de Sade da Famlia;

    qualificar os Conselheiros Municipais de Sade e divulgar as aes dos Conselhos de

    Sade a nvel municipal e local (RAG 2010/M01).

    No aparece no PMS 2010-2013 nem RAG 2010 do municpio 01, a

    composio do Conselho Municipal de Sade (CMS) do municpio 01, porm no

    momento da observao direta constatamos o funcionamento do CMS atravs do livro

    de ata. Este composto por doze conselheiros, sendo que a presidente representante

    dos trabalhadores de sade.

    No municpio 02, o PMS no apresenta nenhum organograma da estrutura

    organizacional da SMS, porm descreve a sua composio: Gabinete do Secretrio

    Municipal de Sade; Departamento de Assistncia Sade: Coordenao das Unidades

    de Sade da Famlia, Ncleo de Informao em Sade, Assistncia Farmacutica

    Bsica e Diretor do Hospital Municipal; Departamento de Vigilncia Sade:

    Coordenao de Vigilncia Sanitria e Coordenao de Vigilncia Epidemiolgica;

    Departamento da Ateno Bsica (PMS 2010-2013/M01).

    Em consonncia com o estabelecido pelo Sistema de Planejamento do SUS, o

    PMS 2010-2013 do municpio 02 apresenta a maioria dos momentos indicados, anlise

    da situao de sade, identificao dos problemas e prioridades e programao

    operativa. Entretanto, apesar de ser elencada como momento prioritrio, a

    programao oramentria para custear as aes propostas no est discriminada, no

    apresentando nenhum demonstrativo financeiro nem oramentrio. A parte inicial da

    anlise de situao de sade apresenta inconsistncia na sua elaborao, s aparecem

    dados demogrficos e indicadores de sade selecionados (cobertura vacinal,

    coeficiente de mortalidade geral, CMI), no apresentando tambm levantamento

    epidemiolgico em sade bucal.

    No PMS 2010-2013 foram trabalhados todos os momentos do planejamento e

    programao local em sade, identificao dos problemas de sade da populao e dos

    problemas do sistema de servios de sade; priorizao de problemas; construo da

  • 75

    rede explicativa dos problemas priorizados atravs da rvore de problemas;

    estabelecimento de objetivos por reas de compromisso prioritrias, a saber:

    Reduo da Mortalidade Infantil e Materna;

    Controle de Doenas e Agravos Prioritrios;

    Reorientao do Modelo Assistencial e Descentralizado;

    Melhoria da Gesto, do Acesso e da Qualidade das Aes e Servios de

    Sade;

    Desenvolvimentos de Recursos Humanos do setor Sade;

    Qualificao do Controle Social;

    Vigilncia Sanitria.

    Cabe salientar que para cada rea de compromisso prioritria foi elaborada uma

    programao operativa contendo os objetivos, as metas, as atividades, os responsveis

    pela execuo das atividades, o prazo de realizao de cada atividade e os indicadores

    de avaliao (PMS 2010-2013/M02).

    No RAG 2010 do municpio 02 a estrutura organizacional da SMS aparece

    devidamente colocada no organograma a seguir (Figura 02).

  • 76

    Figura 02 Organograma da SMS do municpio 02, Bahia, 2011.

    O CMS do municpio 02 est em funcionamento e a sua composio foi

    detalhada no PMS, sendo composto por doze membros, os quais esto distribudos de

    forma paritria: seis com representao de trabalhadores de sade, governo e

    prestadores de servio e seis representantes de usurios, em consonncia com o que

    est disposto na Resoluo n 333, de 04 de novembro de 2003, do Conselho Nacional

    de Sade. As reunies so normalmente realizadas no final de cada ms na sede da

    SMS (PMS 2010-2013/M02).

    A tabela 05 ainda descreve a estrutura da Ateno Bsica, indicadores de

    avaliao selecionados e sua relao com os demais nveis de complexidade do sistema

    de sade.

    PSFs

    PCE

    PSE SADE

    MENTAL

    VISAM

    VIEP HOSPITAL

    MUNICIPAL

    CONSELHO MUNICIPAL

    ATENO BSICA

    VIGILNCIA SADE

    ATENO HOSPITALAR

    CENTRAL DE A. FARMACUTICA

    PREFEITURA MUNICIPAL

    SECRETARIA MUNICPAL DE SADE

  • 77

    O PACS foi implantado nos dois municpios estudados no ano de 1992,

    enquanto a ESF foi implantada nos municpios 01 e 02 respectivamente nos anos de

    2005 e 2001. No municpio 01 a cobertura da ESF de 84,73, sendo 22,67 % de PSF e

    62,06% de PACS, enquanto no municpio 02 de 100%. Considerando o que dispe a

    Portaria n 2.488, de 21 de outubro de 2011, que cada equipe de sade da famlia deve

    ser responsvel por, no mximo, 4.000 pessoas, sendo a mdia recomendada de 3.000

    pessoas, no municpio 01 o nmero de famlias cadastradas no SIAB encontra-se acima

    do preconizado, j no municpio 02 abaixo do preconizado.

    Nos indicadores de avaliao da ateno bsica, encontra-se o nmero de

    consultas mdicas nas especialidades bsicas, sendo que no municpio 01 foi de 0,93 e

    o municpio 02 apresentou 0,73 consultas mdicas bsicas/hab./ano, os dois esto

    abaixo do preconizado pelo MS, de acordo com a Portaria n 1.101, de 12 de junho de

    2002, que estabelece os parmetros de cobertura assistencial no mbito do SUS, sendo

    de 1,06 a 1,67 consultas mdicas bsicas/hab./ano. E de forma intrigante, o RAG do

    municpio 02 apresenta um nmero de consultas ambulatoriais no hospital (n=14.287)

    maior que as consultas realizadas na ESF (n=9536), mesmo tendo 100% de cobertura

    da ESF. O municpio 01 s dispe de dados disponibilizados pela ESF com relao

    consulta mdica, vez que no possui nenhuma outra unidade de sade cadastrada para

    este tipo de atendimento ambulatorial.

    Na avaliao da mdia complexidade, o municpio 01 dispe de alguns servios

    (patologia clnica, diagnose e consultas especializadas), mesmo no recebendo recurso

    para prestar assistncia nesse nvel de ateno sade, s contando com uma

    policlnica privada credenciada ao SUS. Entretanto, grande parte dos procedimentos de

    mdia complexidade e todos de alta complexidade so referenciados. O municpio 02

    possui um hospital municipal e por conta disso grande parte dos procedimentos de

    mdia complexidade realizada no prprio municpio, porm todos os procedimentos

    de alta complexidade so referenciados.

    No existe complexo regulador nos municpios-caso, a regulao feita pelo

    municpio de referncia, tanto dos servios ambulatoriais, procedimentos eletivos

    quanto das urgncias e emergncias. As consultas e exames especializados so

    marcados on line atravs de um Sistema de Regulao, Controle e Avaliao

  • 78

    disponibilizado pelo municpio de referncia. Os procedimentos eletivos so realizados

    mediante autorizao prvia do mdico autorizador tambm do municpio de

    referncia. No que diz respeito s urgncias e emergncias, so reguladas pelo Servio

    Mvel de Urgncia (SAMU) ou pela Central de Regulao de Leitos, de acordo com

    cada caso.

    Observando ainda a tabela 05 e as informaes contidas nos instrumentos de

    gesto, verificamos que os municpios pesquisados possuem todos os Sistemas de

    Informao em Sade disponibilizados pelo MS, e, estes so alimentados

    regularmente, mas apresentam inconsistncias, como: recebimento de nmero

    excessivo de notificaes negativas, atraso no envio das informaes levando ao no

    cumprimento do prazo para alimentar os sistemas de informao. As suas

    potencialidades no tm sido exploradas para servir de base ao planejamento das aes

    e sua utilizao est focada no monitoramento dos indicadores de produo dos

    servios e pactuaes realizadas.

  • (...) no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando

    nem ainda uma delas havia.

    Salmos 139.16b

    5 CONSIDERAES FINAIS

  • 80

    Neste estudo, descrevemos o processo de implementao do SUS em

    municpios de pequeno porte, que apresentou avanos significativos. Entretanto,

    muitos desafios foram encontrados, a exemplo da dependncia do financiamento

    federal para o desenvolvimento das aes e servios de sade, tornando a gesto

    financeira vulnervel ao recebimento destes recursos; dificuldade com relao

    acessibilidade dos usurios aos servios especializados de mdia e alta complexidade,

    fazendo com que os gestores tenham que recorrer aos recursos do tesouro municipal

    para arcar com estas despesas, investindo parcela maior de recursos do que o

    estabelecido na Emenda Constitucional 29.

    Outra dificuldade enfrentada pelos municpios-caso foi inexistncia de

    polticas voltadas fixao de profissionais, ausncia de piso salarial e nem mesmo a

    criao de Plano de Carreiras, Cargos e Salrios, resultando na heterogeneidade de

    vnculos que por certo contribui para a rotatividade de profissionais nas diversas reas

    de atuao do sistema municipal de sade.

    A ausncia de instituio da Poltica de Educao Permanente foi evidenciada

    nos dois municpios estudados, e isto por certo tem interferido na realizao de

    trabalho intersetorial e a articulao, interferindo dessa forma no desenvolvimento

    individual e institucional.

    No h dvida da necessidade do aprimoramento do processo de planejamento

    em sade nos municpios pesquisados, vez que este se constitui numa ferramenta

    valiosa para nortear a tomada de deciso, resultando em melhoria das condies de

    sade da populao. Embora tenham tomado como referncia o enfoque situacional,

    privilegiando a identificao, descrio e anlise de problemas de sade e do sistema

    de sade.

    Os achados dessa pesquisa reforam os pressupostos de que apesar do avano

    na forma de gesto dos municpios estudados, esses encontram dificuldades no

    desempenho das atividades assumidas no Pacto de Gesto. Estas esto relacionadas

    carncia de pessoal qualificado, insuficiente articulao entre os diversos nveis do

    sistema de sade, no cumprimento da pactuao por parte dos municpios referncia,

    tanto na microrregio como na macrorregio.

  • 81

    Esses resultados levam a considerar que, os avanos expressos de forma

    positiva tanto nos instrumentos bsicos de gesto, quanto nos relatos dos entrevistados,

    sobre o processo de implementao do SUS em municpios de pequeno porte da Bahia,

    ainda so insuficientes para impactar nas condies de vida da populao.

    Tais consideraes levam a reflexo sobre as relaes entre as trs esferas de

    gesto, to importantes para o processo de descentralizao de polticas pblicas e

    implementao do SUS, principalmente em municpios de pequeno porte, os quais

    valorizam a poltica de descentralizao como uma possibilidade de captar recursos

    financeiros da Unio, aumentando o montante de recursos financeiros para serem

    aplicados na sua sade no seu territrio.

    Enfim, faz-se necessrio uma mudana de direcionalidade na poltica municipal

    de sade dos municpios-caso, tanto na gesto do sistema, quanto na reorganizao do

    modelo de ateno, por meio de maior relao com os trabalhadores de sade e

    usurios do sistema de sade, que pode contribuir para superao de prticas

    burocrticas, clientelistas e ritualsticas que ainda permanecem no cotidiano da gesto

    pblica em sade.

  • 82

    REFERNCIAS

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  • ANEXOS

  • 89

    ANEXO A: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

  • 90

    ANEXO B: Roteiro de entrevista para o Secretrio Municipal de Sade

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO ENTREVISTA PARA O SECRETRIO MUNICIPAL DE SADE N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 Municpio ( ) 02 Idade ( ) 03 Gnero Masculino ( 1 ) Feminino ( 2 ) 04 Reside no municpio? Sim ( ) No ( ). 05 - Em caso afirmativo, h quanto tempo? ____________ 06 Escolaridade: fund. Inc.( 1 ) fund. completo( 2 ) mdio incompl.( 3 ) mdio completo( 4 ) sup. incompl ( 5 ) sup. completo( 6 ) ps-graduado( 7 ) 07 - Formao graduao __________________________________________________ 08 - Formao ps-graduao _______________________________________________ 09 - Tempo de ocupao do cargo: _____________________ 10 - J atuou em outro cargo de gesto? Sim ( ) No ( ) 11 - Em caso afirmativo, qual? ______________________________________________________________________ 12 - Tem vnculo empregatcio com este municpio? Sim ( ) No ( ) 13 - Em caso afirmativo, qual tipo de vnculo? Contratado ( 1 ) concursado( 2 ) 14 - Qual a funo exercida no vnculo supracitado? ______________________________________________________________________ 15- Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 16 - Qual:__________________________________________________________________ 17 - Onde: ______________________________________________________________________ 18 - Tempo de durao: ______________________________________________________________________ 19 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 20 - Onde: ______________________________________________________________________ 21 - Em funo do seu cargo atual, identifica a necessidade de educao permanente? Sim ( ) No ( ) 22 - Em caso afirmativo, em qual rea: ______________________________________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 23 - Qual o seu entendimento sobre SUS?

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    III PLANEJAMENTO E AVALIAO 24 - Quais os principais problemas/necessidades de sade enfrentados por este municpio? 25 - Quais os principais problemas/necessidades enfrentados pelos servios de sade? 26 - Quais as reas prioritrias em sua gesto? 27 - Por qu? 28 - Como se d o planejamento das aes de sade em sua gesto? 29 - Quem responsvel pela conduo do planejamento? ______________________________________________________________________ 30 - Qual a formao desse responsvel? ______________________________________________________________________ 31 - Como construdo o Plano municipal de sade? (processo, sujeitos envolvidos, etapas) 32 - Voc participa da elaborao do plano municipal? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 33 - O CMS participa da elaborao do Plano Municipal? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 34 - Os indicadores de sade so utilizados para elaborao do plano? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) De que forma? 35 - A gesto envolve a comunidade no planejamento e acompanhamento das aes em sade? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 36 - Em caso afirmativo como acontece esta participao? 37 - Na sua gesto so realizadas aes de avaliao das aes em sade no municpio? Sim ( ) No ( ) 38 - Em caso afirmativo, como so realizadas as avaliaes? 39 - Quem responsvel pela conduo das avaliaes? _____________________________ 40 - Qual a formao desse responsvel? _________________________________________ 41 - Como construdo o Relatrio de gesto no municpio? 42 - Voc participa da elaborao do Relatrio de gesto no municpio? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 43 - O Conselho Municipal de Sade participa da elaborao do Relatrio de Gesto? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 44 A SMS alimenta algum sistema de informao para dados de mdia e alta complexidade? Sim ( ) No ( ) Qual? 45 A demanda reprimida da Mdia e alta complexidade analisada? Sim ( ) No ( ) Como ocorre? ______________________________________________________ 46 - Os dados desse sistema so analisados? Sim ( ) No ( ) s vezes ( ) 47 - Esses dados so utilizados pela gesto para planejamento das aes? Sim ( ) No ( ) De que forma? _______________________________________________________________ 48 - realizado planejamento das aes de Mdia e Alta Complexidade no municpio? Sim ( ) No ( ) Como ocorre? IV ORGANIZAO DO SERVIO 49 - Qual a sua avaliao a respeito da infra-estrutura disponibilizada pelos servios pblicos de sade deste municpio? pssima( 1 ) ruim( 2 ) regular( 3 ) boa( 4 ) tima( 5 ) 50 - Voc avalia o acesso e a cobertura dos servios pblicos no municpio satisfatria? Sim ( ) No ( ) 51 - Por qu? 52 - Quais os servios prprios, conveniados/contratados e pactuados?

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    V GESTO DO TRABALHO 53 - Quais tm sido as formas de contratao de profissionais no municpio? Concurso ( ) Contrato ( ) terceirizao ( ) 54 - O municpio dispe de Plano de Cargos Carreira e Salrio? Sim ( ) No ( ) 55 - Se no, existe inteno da gesto de implantar? Sim ( ) No ( ) Fale um pouco sobre isso. 56 - Existe poltica de educao permanente com os profissionais de sade? Sim ( ) No ( ) Como ocorre? 57 - Como voc avalia a satisfao dos profissionais de sade que atuam nos servios? (esto satisfeitos, no esto satisfeitos, com que base voc afirma isso, existe mecanismo de verificao do grau de satisfao) 58 - Existe colaborao dos profissionais do municpio para o planejamento, avaliao e melhoria da qualidade da assistncia a sade no municpio? De que forma acontece? 59 - Existe rotatividade dos profissionais de sade? 60 Em caso afirmativo, a que voc atribui? VI PROCESSO DE TRABALHO 61 - A SMS estabelece parcerias com outras secretarias do municpio? Sim ( ) No ( ) 62 - Com quais secretarias acontece e de que forma? 63 - Existe algum projeto conjunto em andamento? Qual? 64 - Como a relao da SMS com a Secretaria de Estado da Bahia? 65 - De que forma ela contribui com a gesto municipal? 66 - Como se da a relao da SMS com o Ministrio da Sade? 67 - De que forma ele contribui com a gesto municipal? 68 - O Municpio contrata alguma empresa de consultoria? Sim ( ) No ( ) 69 - Em caso afirmativo, quais servios so prestados por esta empresa? VII - OUTROS 70 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 71 - Quais?

    ___________________________________________________________________________

    ___________________________________________________________________________

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    ANEXO C: Roteiro de entrevista para o Coordenador da Ateno Bsica

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA COORDENADOR DA ATENO BSICA

    N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 - Municpio ( ) 02 - Idade ( ) 03 Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 - Reside no municpio? Sim ( ) No ( ). 05 - Em caso afirmativo, h quanto tempo? ____________ 06 Escolaridade: fund. Inc.( 1 ) fund. completo( 2 ) mdio incompl.( 3 ) mdio completo( 4 ) sup. incompl ( 5 ) sup. completo( 6 ) ps-graduado( 7 ) 07 - Formao graduao __________________________________________________ 08 - Formao ps-graduao _______________________________________________ 09 - Tempo de ocupao do cargo: _____________________ 10 - J atuou em outro cargo de gesto? Sim ( ) No ( ) 11 - Em caso afirmativo, qual? ______________________________________________________________________ 12 - Tem vnculo empregatcio com o municpio? Sim ( ) No ( ) 13 - Em caso afirmativo, qual tipo de vnculo? contratado( 1 ) concursado( 2 ) 14 - Qual a funo exercida no vnculo supracitado? _______________________________________________________________ 15 - Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 16 - Qual:__________________________________________________________________ 17 - Onde: ______________________________________________________________________ 18 - Tempo de durao: ______________________________________________________________________ 19 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 20 - Onde: ______________________________________________________________________ 21 - Em funo do seu cargo atual, identifica a necessidade de educao permanente? Sim ( ) No ( ) 22 - Em caso afirmativo, em qual rea: ______________________________________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 23 - Qual o seu entendimento sobre o SUS?

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    III PLANEJAMENTO E AVALIAO 24 - O municpio realiza planejamento das aes da Ateno Bsica? Sim ( ) No ( ) 25 - So utilizados os indicadores de sade como instrumento no planejamento? Sim ( ) No ( ) 26 - Existe o envolvimento dos demais setores da SMS no planejamento da AB? Sim ( ) No ( ) 27 Em caso de afirmativo quais seriam estes setores e de que forma acontece? 28 - As estratgias de implantao e implementao da ESF so planejadas junto com o CMS? Sim ( ) No ( ) 29 - Existe envolvimento da comunidade no planejamento e acompanhamento das aes de sade? Sim( ) No ( ) 30 - Como ocorre esta participao? 31 - So desenvolvidas aes preventivas e de promoo da sade? Sim( ) No ( ) 32 - Por que elas foram priorizadas? 33 - Como elas tem sido desenvolvidas? 34 - Voc participa da elaborao do Plano Municipal Sade? Sim( ) No ( ) 35 - Como sua participao na elaborao do Plano Municipal Sade? 36 - Voc participa do processo da Programao e Pactuao Integrada (PPI) ? Sim( ) No ( ) 37 - So realizadas avaliaes das aes da Ateno Bsica? Sim( ) No ( ) 38 - Como ela acontece? (periodicidade / sujeitos envolvidos / processo como ela ocorre) 39 - As solicitaes e encaminhamentos para a Mdia e Alta Complexidade so monitoradas pela Ateno Bsica? Sim( ) No ( ) De que forma? 40 - feita anlise da demanda reprimida dos procedimentos de mdia e alta complexidade? Sim( ) No ( ) Como ocorre? 41 - As informaes geradas pelo Sistema de Informao da Ateno Bsica e demais

    Sistemas de Informao so utilizadas para avaliar as aes da Ateno Bsica e demandas de outros nveis de ateno? De que forma?

    42 - A satisfao dos usurios com a Ateno Bsica avaliada pela gesto? Sim( ) No ( ) De que forma ela ocorre? Quais os instrumentos que so utilizados nesta avaliao? IV ORGANIZAO DO SERVIO 43 - N de Equipes de Sade da Famlia ______________ 44 - Nmero de Unidades de Sade da Famlia existentes no municpio __________________ 45 - Qual a cobertura da ESF? ___________________ 46 - Existe PACS? Sim( ) No ( ) 47 - Qual cobertura do PACS? ____________________ 48 - Existem Unidades Bsicas de Sade tradicionais no municpio? Sim( ) No ( ) 49 A estrutura fsica das unidades de sade atendem s necessidades da equipe e da populao? Sim( ) No ( ) 50 - Elas atendem as exigncias mnimas do Ministrio Sade? Sim( ) No ( ) 51 - A SMS conta com apoio tcnico para construo/reformas/manuteno de unidades? Sim( ) No ( ) 52 - As unidades dispem dos equipamentos necessrios para o atendimento a populao? Sim( ) No ( ) Em parte ( ) 53 - Existe manuteno peridica para estrutura fsica e equipamentos? Sim( ) No ( ) 54 - Possui equipe de sade bucal em todas as ESF? Sim( ) No ( ) 55 - Qual a cobertura em sade bucal? _________________

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    56 - Existe coordenao de sade bucal? Sim( ) No ( ) 57 - Os medicamentos da farmcia bsica esto sendo ofertados? Sim( ) No ( ) Em parte( ) 58 - Os materiais de consumo so disponibilizados de forma satisfatria? Sim( ) No ( ) V - PROCESSO DE TRABALHO 59 - So desenvolvidas aes conjuntas com outros setores/departamentos da SMS? Sim( ) No ( ) 60 - Em caso afirmativo, como tem sido sua experincia? 61 - So desenvolvidas atividades educativas para a populao no que diz respeito ao SUS, ESF e controle social pela equipes de sade da Famlia? Sim( ) No ( ) 62 - Existe articulao intersetorial em seu municpio (aes com outras secretarias do

    municpio, rgo do Estado e Unio, ONGs)? Sim( ) No ( ) 63 Qual a periodicidade da alimentao do Sistema de Informao da Ateno Bsica? (1) diria (2) semanal (3) quinzenal (4) Mensal (5) outros ____________________ 64 - Por qu? 65 - Essas informaes tm sido analisadas e dado retorno para as Equipes de Sade da Famlia? Sim( ) No ( ) 66 - Em caso negativo por qu? 67 - Como ocorre a relao da Ateno Bsica com a Mdia e Alta Complexidade no municpio? 68 - So realizados atendimentos s pequenas urgncias nas Unidades de Sade da Famlia? Sim( ) No ( ) 69 - Por qu? 70 - A referncia e contra-referncia so utilizadas? Sim( ) No ( ) Como ocorre? 71 - Existe instrumento prprio para referncia e contra-referncia? Sim( ) No ( ) 72 - Como voc caracteriza a oferta de servios de seu municpio? ( 1 ) demanda espontnea ( 2 ) oferta organizada ( 3 )demanda reprimida Por qu? 73 - Existem problemas de acesso aos servios da Ateno Bsica? Sim( ) No ( ) Fale sobre isso. 74 - Existem problemas de acesso aos servios da Mdia e Alta Complexidade? Sim( ) No ( ) Fale sobre isso. VI - GESTO DO TRABALHO 75 - Qual a forma de contratao dos trabalhadores para a Ateno Bsica? ( 1 ) Contrato ( 2 ) Concurso ( 3 ) Terceirizao 76 - priorizada a contratao de pessoal com formao especfica para atuar na ateno bsica? Sim( ) No ( ) 77 - Em caso negativo por qu?

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    78 - Como voc avalia a satisfao dos profissionais de sade que atuam nos servios? (esto satisfeitos, no esto satisfeitos, com que base voc afirma isso, existe mecanismo de verificao do grau de satisfao) 79 - Existe colaborao dos profissionais do municpio para o planejamento, avaliao e melhoria da qualidade da assistncia a sade no municpio? De que forma acontece? 80 - Existe rotatividade dos profissionais de sade? Sim( ) No ( ) 81 Em caso afirmativo, a que voc atribui? 82 - Existe poltica de educao permanente para os trabalhadores da AB na sua gesto? Sim( ) No ( ) 83 - Em caso negativo por qu? 84 - Existem mecanismos de avaliao de desempenho dos servidores? Sim( ) No ( ) VII - OUTROS 85 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 86 - Quais? ______________________________________________________________________

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    ANEXO D: Roteiro de entrevista para o Coordenador da Vigilncia em Sade ou Epidemiolgica

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB

    Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O COORDENADOR DA VIGILNCIA EM SADE OU EPIDEMIOLGICA

    N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 - Municpio ( ) 02 - Idade ( ) 03 - Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 - Reside no municpio? Sim ( ) No ( ) 05 - Em caso afirmativo, h quanto tempo? ____________ 06 - Formao graduao: __________________________________________________ 07 - Formao ps-graduao: _______________________________________________ 08 - Tempo de ocupao do cargo: _____________________ 09 - J atuou em outro cargo de gesto? Sim ( ) No ( ) 10 - Em caso afirmativo, qual? ______________________________________________________________________ 11 - Qual tipo de vnculo com o municpio: contratado( 1 ) concursado( 2 ) nomeado( 3 ) 12 - Trabalhava no municpio antes de exercer a funo atual? Sim ( ) No ( ) 13 - Em caso afirmativo, qual era a funo?_______________________________________________________________ 14 - Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 15 - Qual?__________________________________________________________________ 16 - Onde? ______________________________________________________________________ 17 - Tempo de durao: ______________________________________________________________________ 18 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 19 - Onde? ______________________________________________________________________ 20 - Em funo do seu cargo atual, identifica a necessidade de capacitao? Sim ( ) No ( ) 21 - Em caso afirmativo, em qual rea? ______________________________________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 22 - Qual o seu entendimento sobre o SUS?

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    III ORGANIZAO DO SERVIO 23 - Como composta a equipe da Vigilncia em sade no municpio? 24 - A Vigilncia Epidemiolgica possui rede de frio? Sim ( ) No ( ) 25 - Em caso negativo por qu? 26 - A estrutura fsica, do departamento de vigilncia em sade satisfatria? Sim ( ) No ( ) 27 - Por qu? 28 - Os equipamentos e materiais de consumo do departamento de vigilncia em sade so satisfatrios? Sim ( ) No ( ) 29 - Por qu? 30 - Qual a periodicidade de alimentao do Sistema de Informao? SIM - ( ) dirio ( ) semanal ( ) quinzenal ( ) mensal ( ) Outros ________________________ SINAN - ( ) dirio ( ) semanal ( ) quinzenal ( ) mensal ( ) Outros ________________________ SINASC - ( ) dirio ( ) semanal ( ) quinzenal ( ) mensal ( ) Outros ________________________ API- ( ) dirio ( ) semanal ( ) quinzenal ( ) mensal ( ) Outros ________________________ 31 - Por qu? 32 - Voc monitora diretamente essa alimentao? Sim ( ) No ( ) 33 - Em caso negativo por qu? 34 - Quem responsvel pela alimentao dos Sistemas? 35 - So desenvolvidas aes das vigilncias: Epidemiolgica ( ) Sanitria ( ) Sade do Trabalhador ( ) ambiental ( ) IV PROCESSO DE TRABALHO 36 - realizada anlise da situao de sade em seu municpio? Sim ( ) No ( ) 37 - Em caso afirmativo, quando e como acontece? 38 - So utilizados os indicadores de sade como instrumento no planejamento de aes em sade? Sim ( ) No ( ) De que forma? 39 - O municpio monitora situao alimentar e nutricional? Sim ( ) No ( ) Como acontece? ____________________________________________________________ 40 - realizada avaliao de risco para doenas infecto-contagiosas? Sim ( ) No ( ) Como acontece? _____________________________________________________________ 41 - realizada avaliao de risco para doenas crnico-degenerativa, violncias e acidentes? Sim ( ) No ( ) Como acontece? ______________________________________________ 42 - A Vigilncia Epidemiolgica faz recomendaes de aes de promoo e preveno para a Ateno Bsica e demais setores da SMS? Sim ( ) No ( ) 43 - Em caso afirmativo, como isso realizado? 44 - As aes recomendadas so realizadas pela SMS? 45 - Voc participa da elaborao do Plano Municipal de Sade? Sim ( ) No ( ) 46 - De que forma? 47 - Os dados dos sistemas de informao tm sido analisados? Sim ( ) No ( ) 48 - Com que freqncia? 49 - Os dados analisados so enviados de volta para as equipes de sade? Sim( ) No ( ) 50 - Como isso realizado?

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    51 - O municpio desenvolve capacitao para os trabalhadores no mbito da Vigilncia em Sade? Sim ( ) No ( ) Como acontece? 52 - A Vigilncia em Sade desenvolve aes com outras secretarias municipais, organizaes comunitrias ou ONGs? Sim ( ) No ( )

    V - OUTROS 55 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 56 - Quais? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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    ANEXO E: Roteiro para entrevista com o Coordenador de Sade Bucal

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO PARA ENTREVISTA COM O COORDENADOR DE SADE BUCAL

    N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 - Municpio ( ) 02 - Idade ( ) 03 - Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 - Reside no municpio? Sim ( ) No ( ). 05 - Em caso afirmativo, h quanto tempo? ________________________________________ 06 - Possui ps-graduao? Sim ( ) No ( ). 07 - Qual? __________________________________________________________________ 08 - Tempo de ocupao do cargo: _______________________________________________ 09 - J atuou em outro cargo de gesto? Sim ( ) No ( ) 10 - Em caso afirmativo, qual? __________________________________________________ 11 - Tem vnculo empregatcio com o municpio? Sim ( ) No ( ) 12 - Em caso afirmativo, qual tipo de vnculo? contratado( 1 ) concursado( 2 ) 13 - Qual a funo exercida no vnculo supracitado? ________________________________ 14 - Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 15 - Qual:__________________________________________________________________ 16 - Onde: _________________________________________________________________ 17 - Tempo de durao: ______________________________________________________ 18 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 19 - Onde: _________________________________________________________________ 20 - Em funo do seu cargo atual, identifica a necessidade de educao permanente? Sim ( ) No ( ) 21 - Em caso afirmativo, em qual rea: ___________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 22 - Qual o seu entendimento sobre o SUS? III - PLANEJAMENTO E AVALIAO 23 - O municpio realiza anlise de sade bucal de sua populao? Sim ( ) No ( ) 24 - realizado planejamento das aes de sade bucal no municpio? Sim ( ) No ( ) 25 - As aes so planejadas junto com a Ateno Bsica e outros setores da SMS? Sim ( ) No ( ) 26 - Com que periodicidade? 27 - Como realizado? 28 - Voc participa da elaborao do Plano Municipal de Sade? Sim ( ) No ( ) 29 - De que forma voc participa? 30 - O municpio avalia as aes de sade bucal? Sim ( ) No ( ) 31 - Com que freqncia?

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    32 - De que forma acontece? 33 - Voc participa da elaborao do Relatrio de Gesto? 34 - De que forma? 35 Voc considera resolutiva as aes de sade bucal?

    IV - ORGANIZAO DO SERVIO 36 - Qual a estrutura da Sade Bucal da Secretaria Municipal de Sade? 37 - Qual a cobertura de sade bucal no municpio? ______ 38 - Qual a sua avaliao a respeito da infra-estrutura disponibilizada para o atendimento pblico em sade bucal? pssima( 1 ) ruim( 2 ) regular( 3 ) boa( 4 ) tima( 5 ) 39 - O municpio dispe dos equipamentos necessrios para o atendimento em sade bucal?

    Sim ( ) No ( ) 40 - Os equipamentos tm manuteno preventiva? Sim ( ) No ( ) 41 - Quantos profissionais de sade bucal existe no municpio? _______ 42 - Este nmero satisfatrio? Sim ( ) No ( ) 43 - Os materiais e insumos so disponibilizados de forma satisfatria para as unidades? Sim ( ) No ( ) Fale sobre isso. V - PROCESSO DE TRABALHO 44 - Qual a atual estratgia de organizao da demanda por servios odontolgicos na

    Secretaria Municipal de Sade? 45 - Existem grupos priorizados? Sim ( ) No ( ) 46 - Se sim, quais so e como se d a captao desta clientela? 47 - Quais os critrios utilizados para a determinao dos grupos ou aes priorizadas? 48 - Como feita a triagem dos pacientes? 49 - So atendidas pequenas urgncias na ESF? 50 - Como se articulam os diferentes nveis de complexidade (hierarquizao, referncia e contra-referncia)? 51 - So realizados o procedimentos odontolgico nas escolas? Sim ( ) No ( ) Como? 52 - H articulao entre a assistncia na rede bsica e nas escolas? Sim ( ) No ( ) Como? 53 - Existe problema de acesso ao servio de sade bucal no municpio? Sim ( ) No ( ) 54 - De que forma, os problemas de acesso tm sido resolvidos (do ponto de vista fsico, cultural, etc.)? 55 - Tm sido implementadas aes preventivas em sade bucal? 56 - Que aes de preveno vm sendo implementadas? 57 - De que forma elas so desenvolvidas? 58 - Que outras aes poderiam ser feitas no sentido de aumentar o impacto das aes de sade bucal da Secretaria Municipal Sade? 59 - O municpio tem enfrentado dificuldades com as aes de sade bucal? Sim ( ) No ( ) 60 - Quais as dificuldades encontradas? VI - OUTROS 61 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 62 - Quais? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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    ANEXO F: Roteiro para entrevista para o Diretor do Hospital

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO PARA ENTREVISTA PARA O DIRETOR DO HOSPITAL N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 Municpio ( ) 02 Idade ( ) 03 Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 Reside no municpio? Sim ( ) No ( ) 05 Em caso positivo, h quanto tempo? ____________ 06 - Escolaridade ( ) fund. ( ) mdio incompl. ( ) mdio completo ( ) sup. incompl ( ) sup. completo ( ) ps-graduado 07 - Formao graduao __________________________________________________ 08 - Formao ps-graduao _______________________________________________ 09 - Tempo de ocupao do cargo: _____________________ 10 - J atuou em outro cargo de gesto? Sim ( ) No ( ) 11 - Em caso afirmativo, qual? ________________________________________________ 12 - Qual tipo de vnculo com o municpio?Contratado (1) Concursado(2) Nomeado(3) 13 - J trabalhava no municpio antes de exercer o cargo de diretor? Em que funo?____________________________________________________________________ 14 - Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 15 - Qual:______________________________________________________________ 16 - Onde: _____________________________________________________________ 17 - Tempo de durao: ___________________________________________________ 18 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 19 - Onde: _____________________________________________________________ 20 - Em funo do seu cargo atual, identifica a necessidade de educao permanente? Sim ( ) No ( ) 21 - Em caso afirmativo, em qual rea: ______________________________________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 22 - Qual o seu entendimento sobre o SUS? III ORGANIZAO DO SERVIO 23 - Qual a natureza da instituio? Municipal ( 1 ) Estadual( 2 ) Filantrpico( 3 ) 24 - A administrao da instituio : direta ( 1 ) indireta ( 2 ) 25 - Quantos leitos possui? _____ 26 - Quantos funcionrios de nvel mdio? _____ 27 - Quantos funcionrios de nvel superior? _____ 28 - Como ocorre a contratao de funcionrios para a instituio? ( 1 )Contrato ( 2 )Concurso ( 3 )Terceirizao 29 - Existem dificuldades na contratao de profissionais? Sim ( ) No ( )

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    30 - Em caso afirmativo, quais as dificuldades encontradas? 31 - Quais as especialidades atendidas e quais servios so oferecidos na Unidade Hospitalar? 32 - Oferecem servios de emergncia? Sim ( ) No ( ) IV PLANEJAMENTO E AVALIAO 33 - O municpio realiza planejamento dos servios hospitalares? Sim ( ) No ( ) 34 - Em caso afirmativo, como ocorre o planejamento destas aes? 35 - So utilizados os indicadores de sade como instrumento no planejamento dos servios hospitalares? Sim ( ) No ( ) 36 - Quais? E como? 37 - Ao longo dos anos a procura por atendimento hospitalar tem: aumentado( 1 ) diminudo( 2 ) se mantm ( 3 ) 38 - O hospital faz levantamento dos tipos de atendimentos realizados periodicamente? Sim ( ) No ( ) 39 - Os motivos pelos quais os usurios procuram o servio tem se modificado? Sim ( ) No ( ) 40 - Em que sentido? Fale sobre as caractersticas da demanda nos ltimos anos. 41 - A oferta de servios tem sido suficiente para atender a demanda? Sim ( ) No ( ) 42 - Utiliza algum sistema de informao? Sim ( ) No ( ) 43 - Qual? 44 - Os dados desse sistema so analisados? Sim ( ) No ( ) 45 - Quem responsvel por essa alimentao? 46 - Voc participa da elaborao do plano municipal de sade? Sim ( ) No ( ) 47 - De que forma voc participa? V- PROCESSO DE TRABALHO 48 So realizados procedimentos eletivos? Sim ( ) No ( ) 49 - Como so agendados os procedimentos eletivos? 50 - Com quais municpios feita a pactuao? 51 - Quais as maiores necessidades de encaminhamentos para outros municpios? 52 - Como ocorre o processo de transferncia de paciente para outros municpios? 53 Encontra dificuldades para efetuar as tranferncias? Quais? 54 - Como a relao entre o hospital com os demais setores da SMS? 55 - A referncia e contra-referncia utilizada? Sim ( ) No ( ) 56 - Como ocorre? 57 - Em caso afirmativo, existe instrumento prprio? Sim ( ) No ( ) 58 - Existe capacitao para os trabalhadores do hospital?

    VI - OUTROS 59 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 60 - Quais? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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    ANEXO G: Roteiro de entrevista para o responsvel pela marcao de exames especializados

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRODE ENTREVISTA PARA O RESPONSVEL PELA MARCAO DE

    EXAMES ESPECIALIZADOS

    N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 - Municpio ( ) 02 - Idade ( ) 03 - Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 - Reside no municpio? Sim ( ) No ( ) 05 - Em caso afirmativo, h quanto tempo? ____________ 06 Escolaridade: fund. Inc.( 1 ) fund. completo( 2 ) mdio incompl.( 3 ) mdio completo( 4 ) sup. incompl ( 5 ) sup. completo( 6 ) ps-graduado( 7 ) 07 - Tempo de exerccio da funo? _____________________ 08 - J atuou em outra funo na SMS? Sim ( ) No ( ) 09 - Em caso afirmativo, qual? __________________________________________________ 10 - Qual tipo de vnculo com o municpio? contratado( 1 ) concursado( 2 ) 11 - Realizou algum curso de capacitao para a funo atual? Sim ( ) No ( ) 12 - Qual?______________________________________________________________ 13 - Onde? _____________________________________________________________ 14 - Tempo de durao: ___________________________________________________ 15 - Tem feito atualizaes/aperfeioamento? Sim ( ) No ( ) 16 - Onde? _____________________________________________________________ 17 - Em sua funo atual, identifica a necessidade de capacitao? Sim ( ) No ( ) 18 - Em caso afirmativo, em qual rea: __________________________________________ II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 19 - Qual o seu entendimento sobre o SUS? III PLANEJAMENTO E AVALIAO 20 - Quais os critrios utilizados para o estabelecimento da oferta dos servios especializados?

    (para estabelecer quantidades de exames, consultas, etc.) 21 - A oferta de servios especializados suficiente para atender a demanda? Sim( ) No ( ) 22 - Por qu? 23 - Ao longo dos anos a demanda por servios especializados tem: aumentado( 1 ) diminudo( 2 ) se mantm ( 3 ) IV ORGANIZAO DO SERVIO 24 - Com quais municpios realizada a pactuao? 25 - A prestao de servios pelos municpios pactuados est sendo satisfatria? Sim ( ) No ( ) 26 - Por qu? _______________________________________________________________

  • 105

    V - PROCESSO DE TRABALHO 27 - Como ocorre o processo de marcao de consultas e procedimentos especializados no

    municpio? (O que o usurio precisa fazer e o que acontece at o agendamento ser efetivado)

    28 - As solicitaes e encaminhamentos oriundos da ESF so avaliados junto com a Ateno Bsica? Sim ( ) No ( ) 29 - Em caso negativo, por qu? 30 - De que forma funcionam os Tratamentos Fora de Domiclio? 31 - Como se d a relao entre os setores da regulao com os demais setores da SMS? 32 - Voc participa da elaborao do plano municipal de sade? Sim ( ) No ( ) 33 - Como tem sido sua participao? VI - OUTROS 34 - No exerccio de sua funo voc encontra dificuldades? Sim ( ) No ( ) 35 - Quais? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • 106

    ANEXO H: Roteiro de entrevista para digitador

    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Autorizada pelo Decreto Estadual n 7344 de 27.05.98

    Programa de Ps-Graduao em Enfermagem e Sade

    ROTEIRO ENTREVISTA PARA DIGITADOR N _________________ Data ___/ ____ / ____ I PERFIL (formulrio) 01 Municpio ( ) 02 Idade ( ) 03 Gnero: Masculino( 1 ) Feminino( 2 ) 04 Reside no municpio? Sim( ) No ( ) 05 Em caso positivo, h quanto tempo? ____________ 06 Escolaridade: fund. Inc.( 1 ) fund. completo( 2 ) mdio incompl.( 3 ) mdio completo( 4 ) sup. incompl ( 5 ) sup. completo( 6 ) ps-graduado( 7 ) 07 - Profisso: ____________________________________________________________ 08 - H quanto tempo voc trabalha nesta funo neste municpio?_______________________ 09 - Qual o tipo de vnculo com a Secretaria de Sade? contratado (1 ) concursado ( 2 ) prestador de servio ( 3 ) 10 - Antes de comear a trabalhar nesta funo voc passou por treinamento? Sim ( ) No ( ) 11 - Em caso afirmativo qual o treinamento recebeu? _____________________________________________________________________________ 12 - Qual foi a durao? ________________________ 13 - So programados cursos / capacitaes para vocs que atuam nesta funo? Sim ( ) No ( ) 14 - Quem oferece estes cursos? Prefeitura ( ) DIRES ( ) ESAB ( ) Governo Federal ( ) 15- De quanto em quanto tempo ocorrem os cursos / capacitaes para a funo que exerce? _________________________________________________________________________ 16.- H quanto tempo houve a ltima capacitao / curso para os profissionais deste setor? _______________________________________________________________________ 17 - Atualmente, voc acha que esta precisando participar de alguma capacitao / curso? Sim ( ) No ( ) II CONHECIMENTO ACERCA DO SUS 18 - Qual o seu entendimento sobre SUS? III DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES 19 - Como que ocorre o fluxo de coleta e armazenamento dos dados para a alimentao dos

    diferentes sistemas de informao em sade? _________________________________________ 20 - Os dados epidemiolgicos gerados a partir dos sistemas de informao em sade so utilizados? Sim( ) No ( . ) 21 - Como eles so utilizados? 22 - Onde eles so utilizados? 23 - Quem que os utiliza?

  • 107

    ANEXO I: Ofcio CEP/UESB

  • 108

    ANEXO J: Roteiro de Anlise Documental

    MUNICPIO ___________________________________________ Documentos a serem solicitados

    Organograma da SMS Plano Municipal de Sade Relatrio de Gesto PPI Atas do CMS Composio do CMS

    Anlise do organograma

    Cargos e funes Relao e hierarquizao dos cargos

    Anlise dos Planos Municipais

    Etapas do planejamento Existncia de aes propostas para os problemas identificados Utilizao do Sistema de Informao reas priorizadas A sade da famlia estabelecida como estratgia de organizao da ateno bsica Aes curativas/preventivas Pr-teste

    Anlise dos relatrios de gesto

    Ano de implantao do PACS Ano de implantao do PSF Cobertura do PACS/PSF a cada ano N de equipes Nmero de procedimentos de mdia e alta complexidade reas priorizadas/contempladas pela gesto Principais aes de cada nvel de ateno Coerncia com o planejamento, a agenda e a programao das atividades Cumprimento da PPI

    Anlise da composio do CMS

    Paridade e representao conforme a resoluo do CNS

    Anlise das atas do CMS Regularidade de reunies Participao dos segmentos Aprovao de projetos e planejamentos e prestao de contas

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