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  • UNIVERSIDADE DE TAUBAT

    POLTICA E SOCIEDADE NO BRASIL CONTEMPORNEO

    A DINAMICA POPULACIONAL A PARTIR DA DECADA DE 1960 NO BRASIL

    Thas Schmidt Salgado Vaz de Castro thaissalgado@hotmail.com; Felipe Jos dos

    Santos latrins@hotmail.com; Erick Vaz de Castro erick449@hotmail.com; Cyro

    Rezende profcyro@yahoo.com.br; Edson Trajano trajano@unitau.br

    Universidade de Taubat, Departamento de Cincias Sociais e Letras, Rua Visconde do Rio Branco, n 22

    Centro Taubat / SP CEP: 12020-040, letras@unitau.br

    Resumo: Este artigo tem como objetivo demonstrar a dinmica populacional brasileira a partir da

    dcada de 1960. Primeiramente so apresentadas as teorias de crescimento populacional. A seguir forma apresentar os itens que devem ser levados em considerao ao estudar a dinmica populacional. So eles; crescimento vegetativo, movimentos migratrios, distribuio de renda, a economia e a educao. Dessa forma, foi concludo que a concentrao da populao est diretamente ligada a distribuio de renda e a educao. Como referencial terico utilizou-se de Milton Santos, Cyro Rezende e Marcio Rego.

    Palavras Chave: crescimento vegetativo; pirmide etria; renda; educao;economia.

    rea do conhecimento: Economia

    Introduo Este artigo tem como objetivo demonstrar a

    dinmica populacional brasileira a partir da dcada de 1960 at os anos 2000. Utilizou-se de estudos essenciais para compreender a dinmica populacional do Brasil. A economia, a distribuio de renda, a pirmide etria, a migrao e a educao foram analisados . Para isso, foram utilizados como referencial terico Jos Marcio Rego, Cyro Rezende, Ligia Terra e Milton Santos.

    Teorias de Crescimento populacional Quando se fala em dinmica populacional,

    necessrio descrever as teorias que explicam este assunto. A primeira delas foi criada em 1798 por Thomas Malthus. Batizada com o nome de seu criador, esta teoria tem basicamente dois pontos principais. A populao mundial cresceria em progresso geomtrica e a produo de alimentos cresceria em progresso artitimtica. Sendo assim, em 25 anos a populao iria duplicar e no haveria alimentos para todos os habitantes do planeta. Para evitar este desastre, Malthus

    sugeriu a abstinncia sexual para evitar o crescimento da populao. Sendo realizada no sculo XVI a coleta de dados foi limitada. Alm disso, no foi levado em conta o processo de urbanizao e as novas tecnologias aplicadas a agricultura. (MOREIRA, 1998, P.337) ) Hoje sabido que o principal fator que atinge o crescimento populacional e a produo de alimentos a distribuio de renda.

    Aps quase cento e cinqenta anos foi criada uma teoria para tentar explicar a grande incidncia de fome nos pases subdesenvolvidos. Segundo Moreira, as elevadas taxas de natalidade encontradas nos pases subdesenvolvidos exigem investimentos em educao e sade. Sendo assim ,faltam verbas para o investimento nos setores econmicos, como agricultura e a industria. Os nelmalthusianos ainda afirmam que quanto maior o numero de habitantes em um pais,menor a renda per capta. O autor ainda conclui que o crescimento da populao responsvel pela misria. A soluo seria propor programas de controle de natalidade e divulgar o use dos mtodos anticoncepcionais. .(MOREIRA, 1998, P. 339.)

  • A teoria Reformista afirma que a populao numerosa a conseqncia do subdesenvolvimento. Este fato se tornou agravante porque faltou investimentos na educao e na sade. Para mudar este quadro o autor sugere a concentrao nos problemas sociais e econmicos para que a demografia entre em equilbrio.(MOREIRA, 1998, P. 339.)

    Adotando a teoria Reformista como base terica, o prximo passo para compreender a dinmica populacional compreender a economia do perodo, que muito influenciou na mudana do carter populacional brasileiro.

    Ocorreu na Europa do sculo XIX um surto populacional provocado pela melhoria nas condies de vida na populao. A primeira mudana que deve-se ser destacada a estabilizao da oferta de alimentos. Tendo uma vida mais regrada a expectativa de vida cresce consideravelmente. Os hbitos de higiene, o uso do sabo, da anestesia e o avano nos estudos da medicina contriburam para a queda da taxa de natalidade.

    Economia O modelo de substituio de importaes

    iniciado por Vargas e aperfeioado pelos governos militares (a partir de 1964) aprofundaram as mudanas que afetavam a populao brasileira. Alm do modelo econmico, fora necessrio aprofundar ainda mais a mudana de certos paradigmas sociais e culturais.

    A crena na indstria como fermentadora do crescimento e a opo pela indstria de bens de consumo durveis tiveram como conseqncia a criao de novas necessidades a fim de manter uma demanda.

    Tambm a opo pela indstria resultou em uma opo pela vida urbana, j que o modelo industrial inerente as cidades. A urbanizao, j crescente desde a dcada de 40, tornou-se uma tendncia irresistvel a partir da dcada de 60.

    Essa variao nos ndices de urbanizao (35% -1950 a 75% em 1990 (Skidmore, 1998, p.284) tiveram como conseqncia a queda do crescimento vegetativo, alm de influenciar na renda e na escolaridade e os movimentos migratrios .

    Movimentos Migratrios O processo de urbanizao sofreu

    variaes no tempo e tambm variaes regionais. A poltica econmica adotada pelos governos militares incentivavam esse xodo

    em direo as cidades em funo das necessitadas de mos de obra. As dcadas de 60 e 70 foram marcadas pelo movimento em direo aos grandes centros urbanos, sendo que essa migrao pra So Paulo tornou ares de um movimento nacional. E a regio nordeste fora o principal irradiador de mo de obra e So Paulo, o principal destino.

    Durante o perodo considerado, migraes internas de reas rurais para centros urbanos provocaram mudanas na dinmica urbana. O nmero de cidades com mais de 100 mil, 500 mil habitantes vieram a aumentar conforme o quadro abaixo.

    As migraes

    100-200*

    200-500

    500-1000

    1000

    1960 18 6 4 2 1970 38 15 8 5 1980 56 32 13 9 1996 90 61 24 12

    * mil habitantes (SANTOS, 2008, p. 208) Enquanto na dcada de 60, 70 e 80 os

    grandes centros eram atrativos de mo de obra. O processo de descentralizao em que os meios de produo encontram-se migrando para o interior trouxe novas caractersticas para essa dinmica. A partir da dcada de 80, houvera um aumento de metrpoles regionais maior em comparao com as metrpoles nacionais.

    Outros movimentos podem ser

    caracterizados principalmente a partir da dcada de 90. Passaram a existir outras dinmicas, como migraes inter-estaduais ou mesmo movimentos intra municipais.

    Crescimento Vegetativo Entende-se como crescimento vegetativo a

    relao ente o nmero de nascimento com o ndice de mortes em um intervalo de tempo. No perodo considerado, a evoluo do crescimento vegetativo brasileira pode ser descrito atravs do grfico.

    O Crescimento Vegetativo no Brasil

    Perodo Taxa mdia geomtrica de incremento anual da populao residente

    1940/1950 2,39

    1950/1960 2,99

  • Perodo Taxa mdia geomtrica de incremento anual da populao residente

    1960/1970 2,89

    1970/1980 2,48

    1980/1990 1,93

    1991/2000 1,64

    http://www.ibge.gov.br/series_estatisticas/exibedados.php

    Entretanto, esses nmeros no so absolutos, havendo variaes de acordo com as regies e estados. A seguir, uma comparao do crescimento entre as regies Sudeste e Nordeste

    Crescimento do Sudeste

    Perodo Taxa mdia geomtrica de incremento anual da populao residente

    1940/1950 2,14

    1950/1960 3,06

    1960/1970 2,67

    1970/1980 2,00

    1980/1991 1,77

    1991/2000 1,62

    Site do IBGE, disponvel em http://www.ibge.gov.br/series_estatisticas/exibedados.php, acessado 01 ago.2010.

    Crescimento do Nordeste

    Perodo Taxa mdia geomtrica de incremento anual da populao residente

    1940/1950 2,27

    1950/1960 2,08

    1960/1970 2,40

    1970/1980 2,16

    1980/1991 1,83

    1991/2000 1,31

    Site do IBGE, disponvel em http://www.ibge.gov.br/series_estatisticas/exibedados.php, acessado 01 ago.2010.

    Alguns dados devem ser considerados

    quando da analise da evoluo do crescimento

    vegetativo. O primeiro deles tem em vista as informaes relativas aos nascimentos. A taxa de fertilidade do Brasil vem sofrendo uma sensvel queda nas ultimas dcadas, o que significa uma reduo numrica das quantidades de nascimentos com a conseqente diminuio do tamanho da famlia brasileira.

    Ano Taxa bruta de natalidade

    1950 43,50

    1960 44,00

    1970 37,70

    1980 31,87

    1990 23,72

    2000 21,06

    Site do IBGE, disponvel em http://www.ibge.gov.br/series_estatisticas/exibedados.php?idnivel=BR&idserie=POP201, acessado 24 ago. 2010

    Essa diminuio na quantidade de

    nascimento em parte atenuada com uma diminuio no nmero de mortes de crianas at um ano, a chamada natalidade infantil. (taxas de mortalidade). Isso deve-se, entre outros fatores, estabilizao da oferta de alimentos, hbitos de higiene, o uso do sabo, da anestesia e o avano nos estudos da medicina.

    O terceiro dado que deve ser levada em considerao o aumento da mdia de expectativa de vida do brasileiro. Segundo o IBGE em 1950 a previso de vida ao nascer era de 45,9 anos, no ano de 2000 passou para 68,55 anos.

    Pirmide Etria Os efeitos desse processo podem ser vistos

    ao se comparar as pirmides etrias. No inicio da dcada de 60, a pirmide etria tinha uma larga base formada por indivduos mais jovens e um topo bastante afunilado formado por brasileiros idosos.

    As razoes so diversas, mas so fruto principalmente em melhorias na economia. A urbanizao denota em maior participao da mulher no mercado de trabalho, alem da diminuio no nmero de filhos.

    J no ano 2000, pode ser observado uma diminuio justamente na base da pirmide e

  • um aumento na justamente no topo da pirmide. Em outras palavras, um aumento de aposentados a viverem de previdncia social e uma diminuio da populao economicamente ativa. Desta forma, pode se dizer que a demografia brasileira encontra-se em transio.

    Distribuio de renda A distribuio de renda no Brasil sempre foi

    desigual. Em 1881, o nordeste concentrava 48,6% do total brasileiro recebia metade de um salrio mnimo. Este ndice subiu para 58,3 em 1997. J o sudeste neste ano quase metade de seus habitantes recebiam de cinco a dez salrios mnimos. Esta populao de classe mdia contentava se nas reas metropolitanas dos estados, e a mais pobre se encontrava - se com nas reas rurais. (SANTOS, 2008, p.222)

    A renda concentrada pela parcela mais rica da populao (1%) detm a mesma riqueza que os 50% mais pobres. Segundo os dados do Almanaque Abril de 2008, 75% da riqueza nacional est nas mos de apenas 10% da populao. Quando os ndices so divididos por regio, 87% dos nordestinos vivem com at dois salrios mnimos enquanto 69,8% do sudeste vivem com este salrio.

    Escolaridade O nvel de instruo faz parte do ndice de

    Desenvolvimento Humano (IDH), criado pela ONU pare medir as condies de vida da populao mundial. baseado, junto com a escolaridade, a expectativa de vida ao nascer e a renda per capta.

    O PIB per capta mostra a diferena da parcela real e ideal da diviso da riqueza do pas pelo numero de habitantes. A expectativa de vida uma projeo da idade de morte dos habitantes. Quanto melhor a condio de sade, de alimentao e saneamento bsico, melhor a expectativa de vida.

    Quanto a escolaridade, se entende pela porcentagem de crianas em idade escolar que estejam matriculados. Entre 1940 e 1997 as matriculas no ensino fundamental cresceu 10,4 vezes. J as matriculas do ensino mdio cresceram 37,7 vezes de 1940 at 2008. Mas nada se compara ao nvel superior, que passou de 93.202 alunos em 1940 para 1.377.286 alunos em 1980. Depois dessa exploso de matriculas, o ingresso nas universidades se estabilizou.

    Em uma anlise superficial, existiria uma relao intrnseca, no caso brasileiro, entre

    renda e nvel de escolaridade. Os estados com menores taxas de analfabetismo seriam justamente os estados das regies com maiores PIBs. Conforme mostra a tabela abaixo.

    As regies do Brasil e seu PIB

    NorteNordensteCentro OesteSudesteSul

    56,5

    8,9

    13,1

    16,6

    5,0

    Fonte : Almanaque Abril (2008).

    Alm das diferenas regionais, existem

    ainda diferenas entre classes sociais, principalmente no que tange a freqncia e quantidade de anos de estudos freqentados. Entre 1998 e 2008, o quadro geral de pessoas com mais de 15 anos era a seguinte:

    1) Em 1970, 33,6% de analfabetos.

    2)Em 2007, 10% de analfabetos, segundo o PNAD de 2007.

    3) Cerca de 52% esto no nordeste. (Jornal o globo, 23/08/09).

    Mdia de anos de estudo de pessoas de 25 anos ou mais por faixa de renda.

  • 0

    2

    4

    6

    8

    10

    12

    20%pobres 2,5 3,4 4,3

    20% mais

    ricos

    9,5 9,8 10,3

    1998 2003 2008

    (Fonte: MENEZES, Masa. Metade dos maiores de 25

    anos no concluiu o ensino mdio. O Globo. Rio de Janeiro, 10 outubro 2009.)

    Pelo grfico acima, em 2008, a mdia de anos de estudo entre indivduos com uma renda que os coloca entre 20% com melhor renda de 10,3 anos.

    CONCLUSO Os rumos decididos para a economia

    brasileira a partir da dcada de 50, com a opo pela industrializao, provocou uma urbanizao acelerada, mudando o paradigma rural at ento.

    Inicialmente migraes internas do meio rural para o meio urbano, posteriormente surgiram deslocamentos populacionais dentro do prprio ambiente urbano.

    Com a urbanizao da sociedade, algumas caractersticas urbanas marcaram sobremaneira a nova dinmica populacional. A necessidade de menos filhos provocou impactos nos ndices de natalidade e nas taxas de incremento populacional, que caram em relao a 1950.

    Essa situao demogrfica acompanha a distribuio geogrfica de riqueza no Brasil. A regio Sudeste e Sul, com maior PIB possuem menores ndices de crescimento populacional se comparados ao Norte e ao Nordeste.

    Como efeito dessa situao nos ndices sociais, pode-se verificar que a educao seguiu a mesma tendncia. A relao economia-social clara quando verificou-se a

    diferena entre os ndices educacionais entre as regies seguiu as diferenas no PIB.

    Como concluso, as mudanas econmicas tiveram como conseqncia um impacto a mdio prazo na demografia brasileira, provocando uma mudana nas caractersticas da sociedade brasileira.

    Referncias Bibliogrficas ALMANAQUE ABRIL 2008 MENEZES, Masa. Metade dos maiores de

    25 anos no concluiu o ensino mdio. O Globo. Rio de Janeiro, 10 outubro 2009.)

    MENEZES, Masa. Metade dos maiores de 25 anos no concluiu o ensino mdio. O Globo. Rio de Janeiro, 10 outubro 2009.)

    REGO, Jos Marcio & ROSA, Maria Marques. Economia Brasileira. 2 ed. So Paulo: Saraiva, 2003.

    REZENDE FILHO, Cyro de Barros. Economia Brasileira Contempornea. So Paulo: Contexto, 1999.

    SANTOS, Milton & SILVEIRA, Maria L. O Brasil: Territrio e Sociedade no inicio do sculo XXI. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

    SENE, Eustquio de. & MOREIRA, Joo Carlos. Geografia: Espao geogrfico e globalizao. So Paulo: Scipione, 1998.

    SKIDMORE, Thomas E. Uma Histria do Brasil.So Paulo; Paz e Terra, 1998.

    TERRA, Lgia & ARAUJO, Regina & GUIMARES, Raul B.. Conexes: Estudos de Geografia Geral e do Brasil. Vol. nico. 1 ed. So Paulo: So Paulo, 2008.

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