universidade de so paulo programa . desenvolvimento energtico 40 a) eficincia energtica, ... figura...

Download UNIVERSIDADE DE SO PAULO PROGRAMA . Desenvolvimento energtico 40 A) Eficincia energtica, ... Figura 1 – Evoluo das tarifas de eletricidade – Brasil – 1995 a 2002

If you can't read please download the document

Post on 04-Mar-2018

214 views

Category:

Documents

2 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • UNIVERSIDADE DE SO PAULO PROGRAMA INTERUNIDADES DE PS-GRADUAO EM

    ENERGIA

  • UNIVERSIDADE DE SO PAULO PROGRAMA INTERUNIDADES DE PS-GRADUAO EM

    ENERGIA

    UM NOVO MODELO PARA O SETOR ELTRICO BRASILEIRO

    1a verso

    Ildo Sauer *

    Nem os erros do passado, nem o desastre do presente:

    um outro futuro possvel

    (*) Colaboraram Sonia Seger, Jos Paulo Vieira, Jos Luiz Juhas, Carlos Augusto Ramos Kirchner, Luiz Tado Siqueira Prado, Joaquim Francisco de Carvalho, Joo Eduardo Lopes, Dorival Gonalves Jnior.

    So Paulo Dezembro de 2002

  • UM NOVO MODELO PARA O SETOR ELTRICO BRASILEIRO 1. Apresentao

    1. Antecedentes 1

    1.1. Retrospecto histrico o contexto para a mudana 1

    1.2. Os problemas do modelo porque mudar 9

    1.3. Elementos do Debate Internacional Sobre Modelos e Reestruturao 17

    2. O Modelo proposto para o Brasil 24

    2.1. Princpios 24

    2.2. A retomada do planejamento 25

    2.3. A nova estrutura setorial e seu funcionamento 29

    2.3.1. O Ministrio de Minas e Energia 31

    2.3.2. Estrutura e operacionalizao do Pool 32

    2.3.2.1. Planejamento da expanso 35

    2.3.2.2. Comercializao 36

    A) Contratos 37

    B) Remunerao 38

    2.3.2.3. Operao 39

    2.3.2.4. Desenvolvimento energtico 40

    A) Eficincia energtica, conservao de energia, energias renovveis 41

    B) Universalizao do acesso e incluso social contribuio do setor energtico subsdios ou renda de cidadania?

    42

    2.4. Regulao e Controle Social 47

    2.4.1. Regulao 48

    2.4.2. Controle social 49

    2.5. A crise de sobra de energia e a implantao do major buyer pool: transio e estimativa de custos

    50

    2.5.1. Antecedentes da crise de sobra de energia 50

    2.5.2. Alternativas propostas para absoro das sobras 51

    2.5.3. O pool, as sobras de energia assegurada e as termeltricas 52

    2.5.4. Detalhamento para as empresas 55

    3. Base Jurdica para a mudana do modelo 58

    3.1. Introduo 58

    3.2. Conceito de servio pblico 61

    3.3. Fragilidades jurdicas do atual modelo 66

    3.4. Consumidores livres 70

    3.5. Produtores independentes de energia 73

    3.6. Comercializadores 77

    3.6. Planejamento determinativo para o servio pblico 78

    11. Anexos

    A.1. As medidas do governo FHC para superar a crise no setor eltrico: o Acordo geral e as compras emergenciais de energia

    A.2. A relevncia dos modelos de otimizao e simulao do sistema hidreltrico brasileiro

    A.3. Planejamento energtico questes e alternativas

    A.4. Uma poltica energtica nacional

    A.5. Energia assegurada vinculada aos contratos iniciais

    A.6. Energia Assegurada dos Contratos Iniciais e Similares

    A.7. Estimativa dos montantes de energia assegurada dos contratos bilaterais

    A.8. Previso de Expanso da Gerao

    A.9. Evoluo do Mercado de Energia no Sistema Interligado

    A.10. Evoluo das Energias Asseguradas - Sistema Interligado Nacional

    A.11. Sobras de energia

  • APRESENTAO

    Esta proposta um novo modelo para o setor eltrico brasileiro, submetido ao debate da Sociedade e considerao do novo governo, o resultado de um esforo empreendido na linha de pesquisa de Anlise Econmica e Institucional de Sistemas Energticos do Programa Interunidades (IEE-EP-FEA-IF) de Ps-graduao em Energia da USP (PIPGE-USP), atravs da anlise e acompanhamento dos processos de reestruturao dos Setores de Infra-estrutura, e de Energia em particular, em curso em diversos pases, especialmente no Brasil, ao longo da ltima dcada. Foram importantes tambm os debates desenvolvidos em seminrios, congressos e cursos nas Universidades, Assemblias Legislativas, Congresso Nacional, Sindicatos, Federaes, ILUMINA, CEEMA, MAB, o Frum de Defesa dos Consumidores de Energia e outras organizaes sociais. Embute, assim, a contribuio de colegas professores, pesquisadores e alunos do PIPGE-USP e se beneficiou da oportunidade de interao com todos os segmentos sociais. De modo particular, foram relevantes os debates e contribuies aportados ao longo do processo de elaborao da proposta de Programa de Governo para o Setor Eltrico, no Instituto Cidadania. Tambm foi significativa a interao realizada, em torno do tema, com os setores financeiro, industrial, de servios e com os trabalhadores, especialmente da FNU, SINERGIA e FUP.

    Colaboraram diretamente, para a elaborao e redao final, sendo seus co-autores: Sonia Seger, Jos Paulo Vieira, Jos Luiz Juhas, Carlos Augusto R. Kirchner, Luiz Tado S. Prado, Joaquim Francisco de Carvalho, Joo Eduardo Lopes, Dorival Gonalves Jnior. Contriburam tambm, atravs de debates, comentrios e revises, Cludio Scarpinella, Rogrio da Silva, Eduardo de Arruda Sampaio, Srgio Barillari, Luiz Fernando Vieira, Maria Odette de Carvalho, Riolando Longo, Hlvio Rech, Cludio Paiva de Paula.

    Para o aprimoramento desta proposta, em processo de evoluo e construo, sero bem-vindas as crticas, sugestes, e comentrios.

    Instituto de Eletrotcnica e Energia da USP, Dezembro de 2002.

    ILDO LUS SAUER

    illsauer@iee.usp.br

  • 1. Antecedentes

    1.1. RETROSPECTO HISTRICO O CONTEXTO PARA A MUDANA

    A liberalizao econmica do setor eltrico brasileiro, que ficou conhecida como sua reestruturao, inseriu-se no mbito do antigo Programa Nacional de Desestatizao (PND), representando um dos mais importantes eixos para a poltica de reforma institucional e ajuste econmico, nos moldes exigidos pelo Fundo Monetrio Internacional, desenvolvido na esfera de governo federal na dcada de 1990 - e descentralizado de forma sistemtica, em certo sentido, para os estados da federao. Almejado desde o governo Collor de Mello, o processo de reestruturao do setor eltrico ganhou mpeto e urgncia no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, vindo a representar, por suas ambiciosas metas, praticamente o carro-chefe do programa de desestatizao daquele governo.

    Sob a justificativa da crise institucional e econmica do Estado brasileiro, e com base em argumentos tais como ampliao do atendimento com maior qualidade e menores tarifas, idealizou-se uma profunda e radical quebra de paradigma setorial, com a adoo de um modelo baseado em: desverticalizao da indstria, distinguindo-se segmentos monopolistas (regulados) transmisso e distribuio - e no monopolistas gerao, comercializao; privatizao, e instituio de um modelo comercial baseado em comportamento competitivo dos agentes, e regulao tcnica e econmica (independente) das atividades do setor. Conquanto no representasse a nica alternativa, terica ou operacional, para enfrentar os problemas que ocorriam e, tampouco, a forma mais adequada s caractersticas do sistema eltrico brasileiro, este modelo foi implementado, desconsiderando as manifestaes contrrias ao longo do processo.

    Situando o marco inicial da reforma em 1993, ano da promulgao da Lei 8.6311, ou em 1995, ano da regulamentao das concesses do servio pblico2 e do incio das privatizaes no setor, fato que, em menos de uma dcada, os resultados alcanados pela pretensa reestruturao no apenas foram pfios, do ponto de vista macroeconmico, como redundaram em prejuzos concretos economia do pas e populao, sobretudo a de mais baixa renda. De um ponto de vista objetivo podem-se destacar, logo de incio, os baixos valores alcanados na venda das concesses3, diante do valor econmico das empresas; a perda da qualidade dos servios, com a dispensa macia de corpos tcnicos amplamente qualificados em dcadas de formao do setor; o aumento progressivo das tarifas, sobretudo no segmento residencial (Figura 1), favorecendo a ampliao da excluso, e, por fim, a queda acentuada dos investimentos em expanso e manuteno dos sistemas de gerao e distribuio, tanto por aspectos concernentes s caractersticas da poltica econmica adotada (investimentos como dficit pblico), como pela alegao de falta de atratividade, mediante os excessivos riscos da prestao desses servios no pas. Do ponto de vista

    1 Dispe sobre a fixao dos nveis das tarifas para o servio pblico de energia eltrica, extingue o regime de remunerao garantida e d outras providncias. 2 Lei 8.987/95 - Dispe sobre o regime de concesso e permisso da prestao de servios pblicos previsto no art. 175 da Constituio Federal, e d outras providncias. 3 Ver tambm: Sauer et al. A privatizao da CESP: consequncias e alternativas. 2a edio. Campo Grande: Editora da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2000.

    1

  • estratgico, a perda foi ainda maior, com a renncia, pelo Estado, de seu papel de planejador e orientador de polticas em um setor de vital importncia para o desenvolvimento social e econmico do pas.

    EVOLUAO das TARIFAS de ELETRICIDADE 1995 a 2002

    58,68

    110,2

    130,1

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    160

    180

    Residencial Industrial Comercial Rural IPC da FIPEEm %

    182,6

    130,3

    Figura 1 Evoluo das tarifas de eletricidade Brasil 1995 a 2002. Fonte: www.aneel.gov.br/ Tarifas Praticadas e www.fipe.com

    Aps quase uma dcada de reformas, as promessas de ampliao de oferta, qualidade, confiabilidade e preos compatveis com a realidade no se realizaram. Ao contrrio disso, a exacerbao de um ambiente de incerteza e falta de regras claras, diante de um precipitado processo de desverticalizao e privatizao j, ento, em curso, levou, entre os anos de 2001/2002, a um racionamento de 25% do consumo de eletricidade, sob condies hidrolgicas normais (3 anos com afluncias acima da mdia e 2 abaixo da mdia), que afetou o crescimento econmico e as condies de vida de toda a sociedade5 abaixo.

    Co

Recommended

View more >