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  • CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAP Curso: Direito PEC 2014.1 Disciplina: Direito Financeiro e Tributrio II Prof. Ilza Maria da Silva Facundes

    UNIDADE II CRDITO TRIBUTRIO: 2.1 Conceito; 2.2 Constituio do crdito tributrio; 2.3 Lanamento tributrio; 2.4 Modalidades de lanamento: 2.4.1 Direto ou de ofcio; 2.4.2 Por declarao; 2.4.3 Por homologao ou autolanamento.

    2 - CRDITO TRIBUTRIO TTULO III, CAPTULO I, ARTIGOS 139 - 146, CTN

    2.1. Conceito O crdito tributrio corresponde ao direito do Estado de exigir o tributo, ou melhor, de exigir o objeto da obrigao tributria principal do sujeito passivo. Este direito do Poder Pblico decorre da realizao do fato gerador por parte do sujeito passivo. A partir do momento em que algum realiza a hiptese prevista em lei, ou hiptese de incidncia tributria, instaura-se a relao jurdica tributria. Essa relao, de acordo com o que j foi estudado, ser entre a pessoa poltica competente para arrecadar o tributo (sujeito ativo) e a pessoa que realizou o fato gerador ou que tem responsabilidade de recolher o tributo (sujeito passivo direto ou indireto devedor da obrigao tributria). O sujeito passivo deve entregar determinada quantia ao sujeito ativo, que tem o direito de exigi-la. Esse direito corresponde, portanto, ao crdito tributrio.

    A doutrina costuma ensinar que se d a denominao de crdito tributrio ao direito da Fazenda Pblica de exigir a prestao pecuniria do respectivo sujeito passivo. Em verdade, a expresso crdito tributrio, ora usada no sentido de indicar o direito ao recebimento da dvida, ora utilizada para se referir ao prprio valor devido.

    Relevante no momento abordarmos certo problema que envolve o tema. O direito percepo da dvida tributria j existe em favor da Fazenda, desde o instante do acontecimento do fato gerador. Desde o momento em que se concretiza a situao prevista na lei como ensejadora da obrigao tributria, temos o direito de crdito em prol do Fisco e o respectivo dever contra o sujeito passivo. De efeito, em verdade, o crdito tributrio elemento integrante da prpria obrigao, e surge na ocorrncia do fato gerador. O problema aludido vem tona em face do disposto no art. 142 do CTN, que dispe categoricamente que o crdito tributrio constitudo pelo ato administrativo de lanamento. A regra no pode ser tomada no sentido de que a dvida surge quando da realizao do lanamento, eis que ela decorrncia do fato gerador e sua exigncia feita lavando-se em conta a legislao vigente quela poca (CTN, art. 144, caput).

    A dvida no surge pelo ato da autoridade. Esta no tem o poder de criar a dvida tributria. A dvida tributria existe, eis que a lei a determina em funo da ocorrncia de certo fato. Portanto, ela devida desde o fato gerador e segundo a lei poca vigente.

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    2.2. Constituio do crdito tributrio O crdito tributrio nasce da obrigao tributria principal, vale dizer que resulta da obrigao de pagar tributo ou penalidade pecuniria, como prescreve o artigo 139, sendo formalizado pelo ato administrativo denominado LANAMENTO.

    Art. 139. O crdito tributrio decorre da obrigao principal e tem a mesma natureza desta.

    ATENO: cuidado com a pegadinha de concurso de que o crdito decorre do lanamento, ele decorre da obrigao tributria e constitudo pelo lanamento.

    Em verdade, o crdito nada mais do que a obrigao aps a realizao das etapas de verificao que compem o lanamento, previstas no art. 142, que ser analisado na sequncia de nosso estudo, que acabam por lhe dar vida prpria no mundo jurdico.

    O art. 140 apenas refora a autonomia que ganha o crdito com relao obrigao que lhe deu origem:

    Art. 140. As circunstncias que modificam o crdito tributrio, sua extenso ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilgios a ele atribudos, ou que excluem sua exigibilidade no afetam a obrigao tributria que lhe deu origem.

    Portanto, qualquer modificao que houver com o crdito, ressalvada a sua extino, que obviamente extingue tambm a obrigao, no afeta esta ltima.

    Exemplificando, se for atribudo uma hipoteca como garantia a um crdito, este fato no altera a obrigao para a hipotecria. Da mesma forma, se houver um lanamento incorreto, este poder ser corrigido dentro do prazo decadencial, uma vez que a obrigao l estava sem ser prejudicada pela errnea constituio do crdito.

    Quando o CTN classifica a iseno como hiptese de excluso do crdito, e no de extino, significa que, na operao isenta, apenas no ser feito lanamento, persistindo, no entanto, a obrigao da forma como foi gerada, embora alguns doutrinadores, como Paulo de Barros Carvalho, critiquem esta escolha do legislador que, respeitada a opinio do ilustre mestre, nos parece extremamente coerente.

    Desta forma, na iseno, a obrigao permanece existindo, uma vez que a excluso do crdito NO afeta a obrigao que deu origem, determinando apenas a no-realizao do lanamento. Ver esquema em sala de aula.

    Uma vez constitudo o crdito tributrio, somente se modifica, extingue ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluda nas hipteses previstas no prprio CTN, responsabilizando-se o funcionrio que no acatar o dispositivo legal, nos termos do art. 141 do referido diploma legal.

    Art. 141. O crdito tributrio regularmente constitudo somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluda, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais no podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivao ou as respectivas garantias.

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    A transgresso dos deveres funcionais, de acordo com o citado art. 141, sujeita o agente pblico s sanes administrativas e, se for ocaso, s penais.

    A autoridade ou funcionrio pblico, a quem cabe lanar, deve cumprir a lei de ofcio. Sua atividade vinculada e obrigatria, sob pena de responsabilidade funcional. Dever exigir do sujeito passivo exatamente o que a lei determina.

    Desta forma, considerando a letra do CTN, podemos representar o art. 141 da seguinte forma:

    O STF no julgamento do mrito da ADInMC n 1.917-DF, em 25/04/2007, decidiu pela inconstitucionalidade da lei que criava hipteses de extino no prevista no art. 156 do CTN. Todavia em outra ao ADI-MC 2.405-RS, na concesso da medida cautelar, decidiu, 06.11.2002, DJ 17.02.2006, pela possibilidade de criao. EM JUNHO DE 2009 HOUVE PEDIDO DE VISTA DO GOVERNADOR DO RS, TENDO EM VISTA ALTERAO DA LEGISLAO IMPUGNADA, COM POSSIBILIDADE DE PERDA DO OBJETO, AINDA QUE PARCIAL. Resta aguardar o julgamento do mrito. De acordo com o ltimo andamento, em 19/04/2012, houve substituio do relator.

    2.3 Lanamento tributrio O CTN determina que, acontecido o fato gerador, tem a Fazenda Pblica

    o nus de efetuar o lanamento (art. 142). A premissa fundamental no entendimento do assunto a de que o lanamento um ato administrativo. Sua funo, como dito, no fazer nascer a dvida, eis que esta decorre do fato gerador, mas dar a essa dvida certa segurana, para que seja exigida.

    Uma relao jurdica como exemplo a tributria no se mostra no mundo fsico, trata-se de mera construo do direito. Portanto, para que a prestao possa ser exigida pelo credor, deve existir um mnimo de segurana, corporificada em documento que demonstre a existncia da obrigao. Em mbito de direito privado, regra geral, as obrigaes se demonstram por meio de documentos, tais como contratos, escrituras lavradas em cartrio, confisses de dvida, etc.

    O crdito tributrio (regularmente inscrito) somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa

    ou excluda, nos casos previstos no CTN...

    fora dos quais no podem ser dispensadas a sua efetivao ou as respectivas garantias...

    sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei.

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    De efeito, a relao tributria tambm carece de meio documental que exteriorize segurana quanto existncia e quanto ao valor da dvida. O lanamento tributrio o meio atravs do qual isso obtido.

    O lanamento, como espcie de ato administrativo, possui o atributo da presuno relativa de legitimidade. Vale dizer, a conduta administrativa, at que exista prova em contrrio, reputa-se legtima, ou seja, ajustada ao ordenamento jurdico. O ato de lanamento consiste, basicamente, na atividade da Administrao de, atravs de servidor competente, confirmar a existncia da dvida (atestando sua certeza), bem como mensurar com exatido seu valor (atestando sua liquidez). Esta verificao de certeza e liquidez, realizada pela Administrao, presume-se exata, permitindo que o Fisco possa exigir seu crdito. Vale dizer, se a Administrao declara que certa dvida existe e em especfico valor, isso vale como verdade, at que se prove o contrrio.

    A realizao dessa atividade administrativa o lanamento corporificada em documento, onde so descritos os fatos verificados e mencionados os dispositivos legais que impem a respectiva dvida. Tal documento notificado ao sujeito passivo, para que possa exercer seu direito de defesa, se for o caso. A tal documento d-se o nome de notificao de lanamento.

    Podemos dizer que o lanamento tributrio no cria a dvida, mas apenas a torna exigvel. Estamos diante, pois, da decorrncia de mais um atributo dos atos administrativos, a imperatividade, que significa a possibilidade de o ato da autoridade, que unilateral, impor seus efeitos a terceiros (contribuinte).

    Embora a dvida j exista desde o acontecimento do fato gerador, ela no possui ainda a exigibilidade. A possibilidade de exigncia alcanada pela realizao do lanamento.

    Em sntese, ajustado sustentar que o lanamento uma providncia necessria, a cargo da Administrao, que d dvida tributria a presuno de certeza e liquidez, possibilitando sua exigncia contra o sujeito passivo.

    Portanto, o CTN, ao proclamar que o lanamento constitui o crdito tributrio, usa a expresso crdito tributrio para mencionar especificamente a dvida j

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