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1

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE LETRAS

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ESTUDOS DE LITERATURA

DOUTORADO EM LITERATURA COMPARADA

MARLEIDE ANCHIETA DE LIMA

UMA CMERA NO CORPO DA LINGUAGEM:

A POTICA CINEMATOGRFICA DE MANUEL GUSMO

Niteri

2015

2

MARLEIDE ANCHIETA DE LIMA

UMA CMERA NO CORPO DA LINGUAGEM:

A POTICA CINEMATOGRFICA DE MANUEL GUSMO

Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao

em Estudos de Literatura da Universidade Federal

Fluminense, como requisito parcial para a

obteno do Grau de Doutor em Literatura

Comparada. rea de Concentrao: Literatura

Comparada. Linha de Pesquisa: Perspectivas

Interdisciplinares dos Estudos Literrios.

Orientadora: Profa. Dra. IDA MARIA SANTOS FERREIRA ALVES

Niteri

2015

3

Ficha Catalogrfica elaborada pela Biblioteca Central do Gragoat

L732 Lima, Marleide Anchieta de.

Uma cmera no corpo da linguagem: a potica cinematogrfica de

Manuel Gusmo / Marleide Anchieta de Lima. 2015.

268 f.

Orientadora: Ida Maria Santos Ferreira Alves.

Tese (Doutorado em Literatura Comparada) Universidade Federal

Fluminense, Instituto de Letras, 2015.

Bibliografia: f. 223-253.

1. Poesia portuguesa; histria e crtica. 2. Gusmo, Manuel, 1945.

3. Cinema. 4. Literatura portuguesa. 5. Literatura comparada. I. Alves,

Ida Maria Santos Ferreira. II. Universidade Federal Fluminense,

Instituto de Letras. III. Ttulo.

CDD 869.1009

4

MARLEIDE ANCHIETA DE LIMA

UMA CMERA NO CORPO DA LINGUAGEM:

A POTICA CINEMATOGRFICA DE MANUEL GUSMO

Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao em

Estudos de Literatura da Universidade Federal

Fluminense, como requisito parcial para a obteno do

Grau de Doutor em Literatura Comparada. rea de

Concentrao: Literatura Comparada. Linha de

Pesquisa: Perspectivas Interdisciplinares dos Estudos

Literrios.

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________________

Profa. Dra. Ida Maria Santos Ferreira Alves Orientadora

Universidade Federal Fluminense (UFF)

____________________________________________________________________

Prof. Dr. Alberto da Silva

Universit Paris-Sorbonne Paris IV

_____________________________________________________________________

Prof. Dr. Jorge Fernandes da Silveira

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

_____________________________________________________________________

Prof. Dra. Silvana Maria Pessa de Oliveira

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

_____________________________________________________________________

Prof. Dra. Sofia Maria de Sousa Silva

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

_____________________________________________________________________

Prof. Dra. Tatiana Pequeno da Silva - Suplente

Universidade Federal Fluminense (UFF)

_____________________________________________________________________

Prof. Dra. Maria Jos Cardoso Lemos - Suplente

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

5

A Ida Alves, pela partilha do sensvel, por uma escrita

de afeto e de confiana e, principalmente, por sua grande

lio contra todas as evidncias em contrrio, a

alegria.

A minha famlia do corao, pelo poema-vida, cujos

sentidos no cabem nestas pginas.

6

AGRADECIMENTOS

A Deus, pela vida, esse poema inacabado, e pela possibilidade de desfrut-la a cada

dia.

A minha famlia, pela compreenso, pacincia e pelo carinho apesar da ausncia em

momentos to significativos.

A minha orientadora, Ida Alves, por tecer comigo os fios desta escrita. Grata pela

confiana e amizade construdas a cada dia. Grata por tudo!

Aos professores Jorge Fernandes, Alberto da Silva, Silvana Pessa, Sofia Sousa,

Tatiana Pequeno e Mas Lemos, pela delicadeza da leitura, essa conversa humana que no

cessa.

Aos professores da UFF com quem tive o privilgio de estudar e conviver. Agradeo

especialmente aos professores do NEPA pela acolhida, companheirismo e palavras de

incentivo.

Aos professores da UERJ, sobretudo Iza Quelhas e Regina Michelli, profissionais e

amigas que perceberam minhas afinidades com o texto potico.

Ao Manuel Gusmo, pela poesia e pela presena significativa neste trabalho. Grata

pela ateno e generosidade.

Ao professor Nuno Jdice, pelas contribuies terico-crticas durante a pesquisa em

Lisboa.

s professoras Rosa Martelo e Cristina Santos, pelo acolhimento e indicaes

bibliogrficas acerca do discurso lrico e do dilogo interartes.

professora Teresa Martins pela calorosa recepo em Lisboa e pela gentileza de me

conceder um exemplar especial da tese do Manuel Gusmo.

A Taylor Reis e Tnia Fres, porque a vida sempre vale a pena.

Aos meus queridos amigos Jlio Cattapan e Tamy Pimenta, pelo incentivo, afeto e

pela amizade imensurvel. Muito obrigada!

Aos tantos amigos, pelas conversas, pelo carinho das palavras e dos gestos: Leonardo

Gandolfi, Carla Miguelote, Denise Grimm, Eduardo da Cruz, Ana Comandulli, Ana Beatriz,

Kigenes, Aline Erthal, Rafael Santana, Aderaldo Souza, Claudia Duncan, Valdomiro, Raquel

Menezes, Paulo Braz, Rodrigo Machado, Beatriz Helena, Vanessa Matos, Andr Ramos,

Kssia Fernandes, Rosimar Arajo, Viviane Vasconcelos, Ivan Takashi, Caio Medeiros,

7

Mariana Caser, Mariana Andrade, Glaucia Campos e todos que partilharam esse percurso

comigo.

A Maura, pelos sucos, sorrisos e abraos que alegraram os meus dias na UFF.

s amigas portuguesas ngela Sarmento e Graa Santos, pela generosidade e ateno.

Aos amigos da UMEI Alberto de Oliveira, pela fora, compreenso, incentivo e

amizade. Aos meus alunos com quem partilho a palavra potica cotidiana.

A todos os funcionrios da UFF, pela gentileza e dedicao. Agradeo especialmente

aos que atuam na Secretaria de Ps-Graduao, pela eficincia e pelo respeito com que nos

tratam.

Ao CNPq, pela bolsa de pesquisa, e CAPES, pela bolsa-sanduche, o que me

possibilitou a realizao deste trabalho investigativo.

A todos, muito obrigada!

8

[...]

E a grande cidade agora cheia de sol

E a hora real e nua como um cais j sem navios,

E o giro lento do guindaste que como um compasso que gira,

Traa um semicrculo de no sei que emoo

No silncio comovido de minhalma...

(Fernando Pessoa/ lvaro de Campos, Ode martima,

Poemas de lvaro de Campos, 1999, p.63)

[...]

Somente as coisas tocadas

pelo amor das outras

tm voz.

(Fiama H. P. Brando, Da voz das coisas, Obra breve,

2006, p.717)

9

RESUMO

Anlise da dinmica cinematogrfica presente na escrita de Manuel Gusmo poeta e

ensasta literrio portugus , e de seu trabalho com a sonoridade, com os movimentos, com o

jogo de luzes e sombras a co-mover a materialidade verbo-visual dos poemas. Nesse sentido,

desenvolvem-se reflexes acerca de uma teorizao da imagem e de uma tica do olhar

oriundas dos prprios procedimentos imagticos que se estabelecem no lirismo crtico do

referido poeta, no mbito da poesia portuguesa contempornea. Com sua escrita em

movimento, ele nos d a ver seu cinepoiesis, em que se vale da lentido, da frenagem rtmica

e de uma memria afetiva, a fim de problematizar a visualidade excessiva e indiscernvel, o

imediatismo, a velocidade e a anestesia que, cada vez mais, caracterizam as experincias

cotidianas na sociedade ocidental globalizada. Articulando o poder sensvel e cognoscvel da

poesia, objetiva-se tambm ressaltar sua potica de afetos, lugar dialgico de encontros e

desencontros, de uma constelao espaciotemporal de vozes a propor uma antropognese e a

reiterar a cintica constante das palavras, das imagens e do mundo.

Palavras-chave: poesia portuguesa contempornea; Manuel Gusmo; cinema; crtica potica;

literatura portuguesa; literatura comparada

10

ABSTRACT

This work aims at the analysis of the cinematographic dynamic of Manuel Gusmos writing

Portuguese poet and literary essay writer and his work with sonority, movements, the

game of lights and shadows as a co-mmove of the verbal-visual materiality of the poems. In

this sense, reflections are developed about the theorization of image and the ethics of the act

of looking upcoming from the imagetic procedures themselves, which are established in the

critic lyricism of the mentioned poet, in the scope of the Portuguese contemporary poetry.

With his moving writing, he makes us see his cinepoiesis, achieved by means of slowness, the

rhythmic restraint and affective memory, in order to problematize the excessive and

indiscernible visuality, as well as the immediatism, the speed and the anaesthesia which,

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