uma breve historia do tempo - stephen hawking

Download Uma breve historia do tempo - Stephen Hawking

Post on 07-Apr-2016

221 views

Category:

Documents

7 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

"...Senti, contudo, que nenhum deles abordava realmente as questões que me tinham levado a fazer investigação em cosmologia e teoria quântica: Donde surgiu o Universo? Como e por que começou? Irá ter um fim e, se assim for, qual? Estas questões interessam a todos nós. Mas, a ciência moderna tornou-se tão técnica que apenas um número muito pequeno de especialistas é capaz de dominar a matemática utilizada para as descrever."

TRANSCRIPT

  • Stephen W. Hawking

    Uma Breve Histria

    do Tempo

    Do Big Bang aos Buracos Negros

  • Introduo de Carl Sagan

    Ilustraes do texto por Ron Miller

    Traduo de Ribeiro da Fonseca

    Reviso, adaptao do texto e notas de Jos Flix Gomes Costa

    Verso do texto digitalizado: 1.0 (Portugus de Portugal)

    2 Reviso do texto: Arkanoid2004 (08-08-2004) Ver. 2.0 (Portugus do Brasil)

    Ttulo original ingls: A Brief History of Time From the Big Bang to BlackHoles

  • Stephen W. Hawking

    Stephen W. Hawking reconhecido internacionalmente como um dos gnios dosculo xx. fsico ingls de 46 anos de idade, ocupa hoje na universidade decambridge a ctedra que pertenceu a newton e , segundo a opinio geral, umforte candidato ao nobel da fsica. h alguns anos, foi anunciada a publicao deuma obra sua, considerada pelos especialistas de todo o mundo como um grandeacontecimento editorial. a sada do livro foi sendo, porm, sucessivamenteadiada. que Stephen Hawking vtima de uma doena estranha e terrvel que,em 1984, o deixou completamente paraltico. na altura, ainda podia falar. hojeno. mas o autor no desistiu e, com a ajuda de um computador que criou e trsdedos da mo esquerda, levou a cabo a empresa de escrever apaixonadamentebreve histria do tempo, recentemente publicado nos estados unidos e jtraduzido para vrias lnguas. Porqu? como nos diz o editor americano, o sonhodeste fsico ter o seu livro venda nos aeroportos, porque passa a maior partedo seu tempo a viajar para dar conferncias nas mais prestigiadas universidadesdo mundo inteiro.

    Breve Histria Do Tempo

    Pela primeira vez, Hawking escreve uma obra de divulgao, explorando oslimites do nosso conhecimento da astrofsica e da natureza do tempo e douniverso. o resultado um livro absolutamente brilhante; uma apresentaoclssica das idias cientficas mais importantes dos nossos dias e a possibilidadenica de poder seguir o intelecto de um dos pensadores mais imaginativos einfluentes do nosso tempo. Houve realmente um princpio do tempo? Haver umfim? O universo infinito ou tem limites? Pegando nestas questes, Hawkingpassa em revista as grandes teorias do cosmos e as contradies e paradoxosainda por resolver e explora a idia de uma combinao da teoria da relatividadegeral com a mecnica quntica numa teoria unificada que resolveria todos osmistrios. Uma Breve histria do tempo um livro escrito para os que preferemas palavras s equaes, onde, no estilo incisivo que lhe prprio, Hawking nosmostra como o "retrato" do mundo evoluiu at aos nossos dias brilhante.

    Este livro dedicado Jane

  • Agradecimentos

    Resolvi tentar escrever um livro popular sobre o espao e o tempo depois de terproferido, em 1982, as conferncias de Loeb, em Harvard. J havia umaquantidade considervel de livros sobre o Universo primitivo e os "buracosnegros", desde os muito bons, como o livro de Steven Weinberg, The First ThreeMinutes (1), aos pssimos, que no vou identificar. Senti, contudo, que nenhumdeles abordava realmente as questes que me tinham levado a fazer investigaoem cosmologia e teoria quntica: Donde surgiu o Universo? Como e por quecomeou? Ir ter um fim e, se assim for, qual? Estas questes interessam a todosns. Mas, a cincia moderna tornou-se to tcnica que apenas um nmero muitopequeno de especialistas capaz de dominar a matemtica utilizada para asdescrever. No entanto, as idias bsicas sobre a origem e destino do Universopodem ser formuladas sem matemtica, de forma a que as pessoas semconhecimentos cientficos consigam compreend-las. Foi o que tentei fazer nestelivro. O leitor ir julgar se o consegui ou no.__(1) Traduo portuguesa: Os Trs Primeiros Minutos, UmaAnlise Moderna da Origem doUniverso, com prefcio e notas de Paulo Crawford doNascimento, Gradiva, Lisboa, 1987 (*N. do R.*).__

    Algum me disse que cada equao que eu inclusse no livro reduziria as vendaspara metade. Assim, resolvi no utilizar nenhuma. No entanto, no final, inclu

    mesmo uma, a famosa equao de Einstein: E = mc2. Espero que isso noassuste metade dos meus potenciais leitores.

    exceo de ter tido o azar de contrair a doena de Gehrig ou neuropatiamotora, tenho sido afortunado em quase todos os outros aspectos. A ajuda e oapoio da minha mulher Jane e dos meus filhos Robert, Lucy e Timmy , fizeramcom que me fosse possvel levar uma vida razoavelmente normal e ter umacarreira bem sucedida. Tambm tive a sorte de escolher fsica terica, porquetudo feito mentalmente. Por isso, a minha incapacidade no tem constitudouma verdadeira objeo. Os meus colegas cientistas tm dado, sem exceo,uma boa ajuda.

    Na primeira fase "clssica" da minha carreira, os meus principais assistentes ecolaboradores foram Roger Penrose, Robert Geroch, Brandon Carter e GeorgeEllis. Estoulhes grato pela ajuda que me deram e pelo trabalho que juntos

  • fizemos. Esta fase foi coligida no livro The Large Scale Structure of Spacetime,que escrevi juntamente com Ellis em 1973. No aconselharia os leitores destelivro a consultarem essa obra para informao posterior: altamente tcnica ebastante ilegvel. Espero que, de ento para c, tenha aprendido a escrever deforma mais compreensvel.

    Na segunda fase "quntica" do meu trabalho, a partir de 1974, os meuscolaboradores principais tm sido Gary Gibbons, Don Page e Jim Hartle. Devo-lhes muitssimo a eles e aos meus alunos de investigao, que me auxiliarambastante tanto no sentido terico como no sentido fsico da palavra. Ter deacompanhar os meus alunos tem constitudo um grande estmulo e impediu-me,espero, de ficar preso rotina.

    Neste livro, tive tambm a grande ajuda de Brian Whitt, um dos meus alunos.Em 1985, apanhei uma pneumonia, depois de ter escrito o primeiro esboo. Foinecessrio fazeremme uma traqueotomia que me retirou a capacidade de falar,tornando-se quase impossvel a comunicao. Pensei no ser capaz de o concluir.Contudo, Brian no s me ajudou a revlo, como me arranjou um programa decomunicao chamado "Living Center" que me foi oferecido por Walt Woltosz,da Word Plus Inc., em Sunnyvale, Califrnia. Com ele posso escrever livros eartigos e falar com as pessoas utilizando um sintetizador da fala oferecido pelaSpeech Plus, tambm de Sunnyvale, Califrnia. O sintetizador e um pequenocomputador pessoal foram incorporados na minha cadeira de rodas por DavidMason. Este sistema realizou toda a diferena: com efeito, posso comunicarmelhor agora do que antes de ter perdido a voz.

    Muitas pessoas que leram as verses preliminares fizeram-me sugestes paramelhorar o livro. Em particular, Peter Guzzardi, o meu editor na Bantam Books,que me enviou pginas e pginas de comentrios e perguntas sobre pontos queconsiderava no estarem devidamente explicados. Tenho de admitir que fiqueibastante irritado quando recebi a sua grande lista de coisas para alterar, mas eletinha razo. Estou certo que o livro ficou muito melhor por ele me ter obrigado amanter os ps na terra.

    Agradeo muito aos meus assistentes, Colin Williams, David Thomas e Ray mondLaflamme; s minhas secretrias Judy Fella, Ann Ralph, Chery l Billington e SueMasey ; e minha equipe de enfermeiras. Nada disto teria sido possvel sem oapoio s minhas despesas mdicas e de investigao dispensado pelos Gonvilleand Caius College, Science and Engineering Research Council e pelas fundaes

  • Leverhulme, McArthur, Nuffield e Ralph Smith.

    Estou-lhes muito grato.

    20 de Outubro de 1987.Stephen Hawking

  • Introduo

    Vivemos o nosso quotidiano sem entendermos quase nada do mundo. Refletimospouco sobre o mecanismo que gera a luz solar e que torna a vida possvel, sobre agravidade que nos cola a uma Terra que, de outro modo, nos projetaria girandopara o espao, ou sobre os tomos de que somos feitos e de cuja estabilidadedependemos fundamentalmente. Excetuando as crianas (que no sabem osuficiente para no fazerem as perguntas importantes), poucos de ns dedicamosalgum tempo a indagar por que que a natureza assim; de onde veio o cosmosou se sempre aqui esteve; se um dia o tempo fluir ao contrrio e se os efeitosiro preceder as causas; ou se haver limites definidos para o conhecimentohumano. H crianas, e conheci algumas, que querem saber qual o aspecto dos"buracos negros"; qual o mais pequeno pedao de matria; por que que noslembramos do passado e no do futuro; como que, se inicialmente havia o caos,hoje existe aparentemente a ordem; e por que h um Universo.

    Ainda habitual, na nossa sociedade, os pais e os professores responderem maioria destas questes com um encolher de ombros, ou com um apelo apreceitos religiosos vagamente relembrados. Alguns sentem-se pouco vontadecom temas como estes, porque expressam vividamente as limitaes dacompreenso humana.

    Mas grande parte da filosofia e da cincia tem evoludo atravs de taisdemandas. Um nmero crescente de adultos quer responder a questes destanatureza e, ocasionalmente, obtm respostas surpreendentes. Eqidistantes dostomos e das Estrlas, estamos a expandir os nossos horizontes de exploraopara abrangermos tanto o infinitamente pequeno como o infinitamente grande.

    Na Primavera de 1974, cerca de dois anos antes da nave espacial Viking terdescido na superfcie de Marte, eu estava em Inglaterra numa reuniopatrocinada pela Royal Society of London para discutir a questo de comoprocurar vida extraterrestre. Durante um intervalo para o caf reparei que estavaa decorrer uma reunio muito maior num salo adjacente, onde entrei porcuriosidade. Em breve percebi que estava a assistir a uma cerimnia antiga, ainvestidura de novos membros da Royal Society , uma das organizaesacadmicas mais antigas do planeta. Na fila da frente, um jovem numa cadeirade rodas estava a assinar muito lentamente o seu nome num livro que continhanas primeiras pginas a assinatura de Isaac Newton. Quando finalmenteterminou, houve uma ovao estrondosa. J ento Stephen Hawking era umalenda.

    Hawking atualmente o Professor Lucasiano (2

View more >