um modelo social de design - victor margolin

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Design Social pelas idias de Victor Margolin - O que o Design pode fazer

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  • 1. Revista Design em Foco Universidade do Estado da Bahia designemfoco@uneb.br ISSN (Versin impresa): 1807-3778 BRASIL 2004 Victor Margolin / Sylvia Margolin UM MODELO SOCIAL DE DESIGN: QUESTES DE PRTICA E PESQUISA Revista Design em Foco, julho-dezembro, ao/vol. I, nmero 001 Universidade do Estado da Bahia Salvador, Brasil pp. 43-48 Red de Revistas Cientficas de Amrica Latina y el Caribe, Espaa y Portugal Universidad Autnoma del Estado de Mxico

2. RevistaDesignemFocov.In1Jul./Dez.2004 43 Victor Margolin & Sylvia Margolin Professores do Departamento de Histria da Arte e do Design, University of Illinois at Chicago (UIC). * Artigo originalmente publicado em ingls, na Revista Design Issues, Volume 18, N. 4, Outono 2002, MIT Press, gentilmente cedido pelos autores e pelo editor, para traduo e publicao nesta edio da Revista Design em Foco. Traduo: Paulo Fernando de Almeida Souza. Sobre os autores: Copyright Massachusetts Institute of Technology Um Modelo Social de Design: questes de prtica e pesquisa* A Social Model of Design: issues of practice and research 1. Introduo Quando a maioria das pessoas pensa em design de produto, visionam produtos para o mercado produzidos por um fabricante e dirigidos a um consumidor. Desde a Revoluo Industrial, o paradigma de design dominante tem sido o de desenhar para o mercado; alternativas tm recebido pouca ateno. Em 1972, Vitor Papanek, um desenhista industrial e, naquele tempo, diretor de design do California Institute of the Arts, publicou seu polmico livro Design for the Real World (Design para o Mundo Real) no qual ele fez sua famosa declarao que existem profisses mais prejudiciais que desenho industrial, mas bem poucas1 . O livro, inicialmente publicado em sueco dois anos antes, ganhou rapidamente popularidade mundial com sua chamada para uma nova agenda social para designers. Desde que Design for the Real World foi publicado, outros tm respondido ao chamado de Papanek e procurado desenvolver programas de design para necessidades sociais, estendendo-se desde as necessidades de pases em desenvolvimento at as necessidades especiais de idosos, pobres e portadores de deficincias2 . Estes esforos tm evidenciado que uma alternativa para o design de produtos para o mercado possvel, mas eles no tm levado a um novo modelo de prtica social. Comparado ao modelo de mercado, tem-se pouca teoria sobre um modelo de design de produto para necessidades sociais. A teoria sobre design para o mercado extremamente bem desenvolvida. Ela transita entre muitas reas do mtodo de design, estudos de gerenciamento e a semitica de marketing. A rica e vasta literatura sobre design de mercado tem contribudo para seu contnuo sucesso e sua habilidade de adaptar-se a novas tecnologias, circunstncias polticas e sociais, estruturas organizacionais e processos. De modo inverso, pouco se tem pensado sobre as estruturas, mtodos e objetivos do design social. A respeito do design para o desenvolvimento, algumas idias tm sido emprestadas do movimento tecnolgico intermedirio ou alternativo, que tm promovido solues tecnolgicas de baixo custo para problemas em pases em desenvolvimento, mas a respeito de um entendimento mais amplo de como o design para necessidades sociais pode ser comissionado, mantido e implementado, pouco tem sido feito3 . Nem to pouco se tem dado ateno para mudanas na educao de designers de produtos, que preparariam estes profissionais para desenhar para populaes necessitadas, ao invs de apenas para o mercado. A rea de psicologia ambiental tem tentado responder s necessidades ambientais dos vulnerveis. Aqueles que trabalham nessa rea usam uma abordagem interdisciplinar para pesquisar e implementar solues que criam melhores espaos de moradia para populaes como: portadores de deficincias psquicas, sem-teto e idosos4 . Arquitetos, psiclogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e outros profissionais tm trabalhado juntos para explorar as intersees das necessidades psicolgicas das pessoas e as paisagens, comunidades, bairros, habitaes e o espao interior que melhoram o sentimento de prazer, incitao, excitao e relaxamento; e diminuem sentimentos de medo e stress5 . Um esforo semelhante no tem acontecido em design de produtos. 1 Victor Papanek, Design for the Real World; Human Ecology and Social Change, 2nd ed. (Chicago: Academy Chicago, 1985), ix. Ns usamos a edio revisada de Papanek, 1985, ao invs da original de 1972, porque ele fez uma srie de modificaes entre uma edio e outra, e quisemos trabalhar com seus pensamentos mais atuais. Para uma discusso acerca do conceito de Papanek sobre design socialmente responsvel, ver Nigel Whiteley, Design for Society (London: Reaktion Books, 1993), 103-115. 2 Ver, por exemplo, Julian Bicknell e Liz McQuiston, eds., Design for Need; The Social Contribution of Design (Oxford: Pergamon Press, 1977). Este volume uma coleo de artigos de uma conferncia com o mesmo nome, que aconteceu no Royal College of Art, em abril de 1976. 3 H uma extensa literatura sobre tecnologia apropriada. Para uma introduo crtica ao assunto, ver Witold Rybczynski, Paper Heroes; A Review of Appropriate Technology (Garden City, NY: Anchor Press/Doubleday, 1980). 3. RevistaDesignemFocov.In1Jul./Dez.200444 2. Um Modelo Social de Prtica de Design Neste artigo, ns queremos comear uma nova discusso sobre design para necessidades sociais, propondo em modelo social de prtica do design de produtos e sugerindo uma agenda de pesquisa que examinaria e desenvolveria esse modelo da mesma forma que a pesquisa comparada tem contribudo com o design para o mercado e a psicologia ambiental. Apesar de muitas atividades de design poderem ser consideradas como desenho socialmente responsvel desenho de produtos sustentveis, moradia acessvel, e re-desenho de impostos governamentais e formulrios de imigrao, por exemplo ns iremos limitar este artigo na discusso de design de produtos dentro de um processo de interveno de servio social. Apesar de basearmos nossa discusso no modelo de interveno usado por assistentes sociais, um modelo semelhante tambm poderia ser aplicado a colaboraes com profissionais de sade em hospitais e outros estabelecimentos de sade, alm de agregar projetos com professores e administradores educacionais em estabelecimentos de ensino. O modelo poderia funcionar com equipes de especialistas envolvidos em projetos em pases em desenvolvimento. O objetivo primrio do design para o mercado criar produtos para venda. De modo contrrio, o objetivo primordial do design social a satisfao das necessidades humanas. Contudo, ns no propomos o modelo de mercado e o modelo social como opostos binrios, mas sim v-los como dois plos de uma constante. A diferena definida pelas prioridades da encomenda ao invs de um mtodo de produo ou distribuio. Muitos produtos desenhados para o mercado tambm atendem s necessidades sociais, mas ns argumentamos que o mercado no consegue, e provavelmente no pode, cuidar de todas as necessidades sociais, uma vez que algumas delas so relacionadas a populaes que no constituem uma classe de consumidores no sentido de mercado. Ns nos referimos aqui a pessoas com baixa renda ou portadoras de necessidades especiais devido idade, sade ou incapacidade. Para desenvolver um modelo social ns iremos usar como recurso a literatura de assistncia social, uma pratica cujo objetivo principal o de suprir as necessidades das populaes injustiadas ou marginalizadas. No centro da teoria da assistncia social est a perspectiva ecolgica6 . Os assistentes sociais avaliam a transao que ocorre entre o sistema de seus clientes (uma pessoa, famlia, grupo, organizao ou comunidade) e os domnios dentro do ambiente com o qual o sistema de clientes interage. Os vrios domnios que tm um impacto sobre o funcionamento humano so o biolgico, psicolgico, cultural, social, natural e fsico/espacial7 . O domnio fsico/espacial, que nos interessa neste artigo, constitudo de todas as coisas criadas por seres humanos como objetos, edifcios, ruas, e sistemas de transporte. reas inadequadas ou fisicamente inferiores e produtos podem afetar a segurana, oportunidade social, nvel de stress, sentimento de pertencer a um lugar, auto-estima e at a sade fsica de uma pessoa ou pessoas em uma comunidade. Uma adaptao pobre a um ou mais domnios-chave pode ser a raiz do problema no sistema do cliente, criando, neste sentido, uma necessidade humana. Por exemplo, algumas crianas na pr-escola apresentam problemas de disciplina. Um diagnstico inicial culpa os pais de possurem uma habilidade baixa em educar. Um assistente social convidado a organizar os pais em um grupo para ensin-los melhores prticas de educao. Assume-se aqui que os pais iro aplicar esses ensinamentos e o comportamento das crianas ir melhorar. Quando o grupo se encontra com o assistente, descobre-se que os pais esto sobre tremendo stress devido a vrios problemas: falta de dinheiro devido impossibilidade de 4 As histrias intelectuais de treze pensadores de primeira gerao sobre meio ambiente e estudos do comportamento so apresentadas em Environment and Behavior Studies: Emergence of Intellectual Traditions, Irwin Altman e Kathleen Christensen, eds. (New York and London: Plenum Press, 1990). 5 Ver Jack L. Nasar, The Evaluative Image of Places, in Person-Environment Psychology: New Directions and Perspectives, 2nd ed., W. Bruce Walsh, Kenneth H. Crain, e Richard H. Price, eds. (Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2000). 6 Esta mesma perspectiva usada em psicologia ambiental. 7 Ver L. Allen Furr, Exploring Human Behavior and the Social Environment (Boston: Allyn and Bacon, 1997), 3-12 e C. B. Germain e A. Gitterman, The Life Model Approach to Social Work Practice Revisited in Social Work Treatment: Interlocking Theoretical Approaches, Francis J. Turner, ed. (New York: The Free Press, 1986), 618-643. Copyright Massachusetts Institute of Technology 4. RevistaDesignemFocov.In1Jul./Dez.2004 45 conseguir emprego; baixos salrios nos empregos