ucs revista - junho

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Edição 12

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  • 1revistaUCSJunho.2014 . Ano 2 . n 12

    LITERATURACASO BERNARDOOPINIO PBLICA AFETA

    AO DA JUSTIA

    O LEGADO DA VIVA

    DE JORGE LUIS BORGES

    JUNHO,UM ANO DEPOIS

    O FUNCIONAMENTO

    DO CORPO HUMANO

    FUTEBOL

    COMO AS REIVINDICAES

    POR DIREITOS AFETARAM

    A CIDADE E O PAS

  • 2CASO BERNANDO MOBILIZA OPINIO PBLICA10

    UCS ESTIMULA A

    INOVAO19

    Universidade de Caxias do SulReitor: Evaldo Antonio KuiavaVice-Reitor: Odacir Deonisio GraciolliPr-Reitor Acadmico: Marcelo RossatoPr-Reitor de Pesquisa e Ps-Graduao: Jos Carlos KchePr-Reitor de Inovao e Desenvolvimento Tecnolgico: Odacir Deonisio GraciolliChefe de Gabinete: Gelson Leonardo RechDiretor Administrativo: Cesar Augusto Bernardi

    Expediente: Assessoria de Comunicao da UCS/rea de Mdias Digitais (Edio: Paula Sperb; Redao: Ana Carolina Vivan, Vagner Espeiorin, Wagner Jnior de Oliveira, Fotos: Claudia Velho) | Tiragem: 6.000 exemplaresContato: (54) 3218.2116, @ucs_oficial, www.facebook.com/ucsoficialLeia tambm no site www.ucs.brFoto de Capa: Hugo Arajo

    ARTE

    ORION, CENTAURO, CARAVELA E MAIS CONSTELAES QUE PODEM

    SER VISTAS NO CU DA REGIO 13

    F E REDES SOCIAIS

    8

    A MAIOR DIVULGADORA

    DA OBRA DE BORGES

    16

    AS REFLEXES A PARTIR DA PASSEATA QUE REUNIU 35 MIL PESSOAS EM CAXIAS DO SUL4

    UMA RARA FLOR SURGE NA CIDADE UNIVERSITRIA18

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  • 3S h democracia quando existe participao. Esse foi um dos recados que o professor Paulo Csar Carbonari, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, deixou aos alunos do curso de especializao em Educao em Direitos Humanos, durante aula aberta realizada no final de maio. Para ele, a democracia brasileira ainda precisa avanar especialmente nos aspectos que envolvem a diminuio das desigualdades sociais e a democratizao dos meios de comunicao.

    Ele aproveitou ainda para condenar

    os casos de linchamento que se destacaram negativamente pelo pas. A sociedade no capaz de acreditar nos prprios meios de participao que ela criou, constatou ao lembrar do caso de uma mulher que foi espancada por populares na cidade de Guaruj, em So Paulo, aps ser confundida com uma imagem de retrato falado.

    Espero que isso sirva de alerta para as pessoas que promovem um discurso de violncia, que s leva a mais violncia, mais medo e destruio, finalizou.

    Use seu leitor de QR Code para ver mais fotos do Campus 8 da UCS e curta nossa pgina do Facebook (www.facebook.com/ucsoficial)

    Na edio 11 da Revista UCS, na matria A Copa nossa (p.15), faltou a informao de que a Alemanha tambm foi sede do campeonato mundial de 2006.

    O verde e amarelo estaro em alta na UCS em junho. Durante os jogos do Brasil na Copa, a Universidade vai contar com teles espalhados pela Cidade Universitria. Eles ficaro localizados em trs pontos: no UCS Cinema, no Centro de Convivncia e no Salo de Atos do Bloco A. Alm disso, televisores sero colocados nos blocos dos campi e ncleos para facilitar a torcida para Seleo e aquela secadinha para o time adversrio, claro.

    Durante os jogos do Brasil, no haver aulas. E a liberao dos alunos ocorre meia hora antes da partida e se estende at meia hora depois do encerramento do jogo. Traga sua torcida e vista seu uniforme.

    Recomenda-se tambm um casaco. Sabe como : Copa em junho + UCS = grandes chances de estar frio!

    Brasil x CrociaData: 12 de junho quinta-feiraHorrio do jogo: 17h Liberao: 16h30

    Brasil x MxicoData: 17 de junho tera-feiraHorrio do jogo: 16h Liberao: 15h30

    Brasil x CamaresData: 23 de junho segunda-feiraHorrio do jogo: 17h Liberao: 16h30

    CASOS DE LINCHAMENTO SO ALERTA

    MDIAS DIGITAIS

    FOI MAL

    EM RITMO DE COPA

    AS ARMADILHAS DO FRIO PARA MANTER A BOA FORMA

    No inverno, o metabolismo mais intenso para manter a temperatura do corpo. Como se perdem mais calorias para preservar o organismo aquecido, seria mais fcil emagrecer. Mas por que afinal a estao conhecida por ser o terror de quem deseja manter o peso? Simples: Esse menor consumo de energia no suficiente para permitir exageros alimentares. Alm disso, no inverno, temos a tendncia de diminuirmos a atividade fsica. O resultado o aumento de peso devido ao excesso alimentar e diminuio do gasto calrico, alerta a coordenadora do curso de Nutrio da UCS, professora Karina Giane Mendes.

    Ela tambm deixa algumas dicas para quem no quer fazer feio na balana ao final da estao que comea em junho. importante ter uma alimentao variada e colorida. Muitas vezes, deixamos de comer verduras e frutas por causa do frio, o que contraindicado, j que nesse perodo precisamos de um grande aporte de vitaminas e minerais para aumentar nossa imunidade.

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  • 4REBELDESCOMCAUSASDE DIFCIL COMPREENSO, AS RAZES

    DOS PROTESTOS DE JUNHO DE 2013

    REVERBERAM UM ANO APS A

    MOBILIZAO DE MILHARES DE PESSOAS

    PAULA SPERB | psperb@ucs.br

  • 5O sol j havia cedido seu lugar para a noite mais longa do ano quando 35 mil pessoas se reuniram no Centro de Caxias do Sul. Um dos momentos mais marcantes da histria recente da cida-de aconteceu em 21 de junho de 2013, durante o solstcio de inverno. Naquele ms, centenas de manifestaes ocor-reram em todo o Brasil. Os 35 mil que protestaram em Caxias equivalem a 8% da populao local. Proporcionalmente, os caxienses eram mais numerosos que os paulistas. Na vspera, 100 mil pes-soas protestaram em So Paulo, pouco menos do que 1% da populao daque-la cidade. Somando todos os protestos de junho passado, estima-se que 2 mi-lhes de brasileiros tenham sado de casa para clamar por mudanas.

    Um ano depois, ainda se procura entender o que mobilizou tantos bra-sileiros, que no estavam organizados como no caso de uma greve, por exem-plo. Em um primeiro momento, parecia tudo diludo, lembra Carlos Roberto Winckler, mestre em Sociologia e pro-fessor da UCS. As manifestaes de ju-nho foram um desaguadouro do que j vinha ocorrendo no mnimo h dois ou trs anos, em vrios locais. Elas esto li-gadas principalmente ao transporte p-blico, relembra Winkler sobre o aumen-to da passagem de nibus em diversas cidades, o estopim dos protestos.

    Entretanto, as reivindicaes no fo-ram apenas por um preo justo ou pas-sagens gratuitas de nibus. Movimentos gay, de igualdade de gnero e ambien-talistas tambm aderiram aos protestos. Nesses casos, os motivos esto mais claros. O que intriga a muitos justa-mente a participao de jovens sem li-gao a nenhuma causa especfica ou partido. Havia um componente mais popular: jovens que ascenderam so-cialmente nos ltimos anos a partir das polticas sociais como Bolsa Famlia, aumento do salrio mnimo, oportunida-

    de de emprego e, consequentemente, aumento do consumo, opina Winkler. Para o professor, a ascenso econmi-ca tambm elevou o nvel de exigncia sobre os servios pblicos. Houve uma relativa melhora social, mas as pesso-as querem mais, diz Winkler, lembran-do que, alm da sade e segurana, a educao de qualidade tambm foi uma bandeira.

    REIVINDICAES MULTIFACETADAS

    Esferas vermelhas e redondas ador-navam os narizes de muitos manifestan-tes que aguardavam o incio da cami-nhada na rua Marqus do Herval. Por volta das 18:00, palhaos, mascarados como Guy Fawkes soldado rebelde ingls, morto em 1606, que se popula-rizou na verso anarquista das histrias em quadrinhos e encasacados (era a primeira noite de inverno, afinal) se deslocaram pela rua Pinheiro Macha-do em direo ao bairro So Pelegrino. De l, retornaram pela Sinimbu, quando o grupo se dividiu entre os que foram prefeitura, os que voltaram praa Dante Alighieri e os que foram embora com receio de alguma ao violenta. Ningum sabia muito bem o que es-perar. No Facebook tinha muita gente confirmada no evento, mas no fim aca-bou tendo mais gente na rua do que no Facebook, conta Andressa Marques, 18 anos, estudante de Servio Social da UCS e uma das coordenadoras do Di-retrio Central de Estudantes (DCE) da Universidade. A referncia rede social obrigatria porque o encontro foi com-binado pela internet, com 27 mil confir-maes virtuais. No mundo real, 35 mil pessoas compareceram. Apesar de as manifestaes no terem foco, algumas pautas que levaram o pessoal para a

    Hug

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    ajo

  • 6rua foram justas. No tinha por que eu no ir para a luta junto. A inteno era boa, diz Andressa sobre sua razo para participar da marcha. Milhares de pessoas chegaram ao protesto atravs da divulgao no Facebook. E outras tantas se informaram sobre o desenro-lar da manifestao atravs das redes, e no por meio da imprensa tradicional. Breno Dallas, de 28 anos, formado em Filosofia pela UCS e produtor cultural, participou do protesto para realizar uma cobertura multimdia alternativa divulga-da no Facebook do grupo Mdia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ao). A maior parte das pessoas presentes no sabia o que estava fazen-do l, parecia mais uma festa, uma co-memorao. E no era. Estavam todos felizes cantando o hino do Brasil e do Rio Grande do Sul. Eu no conseguia sorrir e ver graa em nada daquilo. Pa-recia que estava diante de um bando de autmatos, relembra Breno. Para ele, faltou conscincia poltica aos atos. A reivindicao genrica do ser contra a corrupo no respondia mais ao que realmente se necessitava, analisa.

    Com uma perspectiva mais otimis-ta sobre os atos de junho, Ramone Mincato, doutora em Cincia Poltica e professora da UCS, percebe que havia o receio de que o protesto fosse instru-mentalizado pelos partidos. A partici-pao de rgos polticos seria legtima, mas as prprias pessoas que foram s ruas rejeitaram a organizao parti-dria, conforme a professora. Segun-do ela, tambm porque boa parte da populao no se sente representada pelos partidos. No foi o movimento de um partido