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Terceira edição da Revista Crase.

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  • CRASE#3

    Outubro - 2010

    Tropa de EliteA inverso moral do personagemCapito Nascimento

    O perigo da criao de um 4 Poder absoluto

    A Imprensa que nos imprensa

    Espelho, espelho meu...

    Do outro lado do arco-ris

    O declnio da criatividade musical

    De volta moda do anos 80

  • ndiceEditorialp. 08

    A moda foca na diversidade de triboscom o arrojo oitentista

    Do outro lado do arco-risp. 34

    O escritor por trs do autorO universo do Ghostwriter

    p. 10

    Os altos e baixos do intercmbio de culturasSimbiose Culturalp. 16

    A inverso moral do personagem Capito Nascimento

    Tropa de Elitep. 22

  • A moda foca na diversidade de triboscom o arrojo oitentista

    A responsabilidade por trsda liberdade.

    Onde fica o limite entre a inspirao e a cpia?

    A IMPRENSA QUE NOS IMPRENSA

    p. 38

    A psicloga e educadora fala sobre as fr-geis e limitadas imitaes do ser humano

    CRASE CONVIDA

    Eliane Farahp. 50

    p. 44

    Agenda Culturalp. 56

    Espelho, Espelho Meu...

  • REVISTA

    CRASE

    DIRETORIA Direo-Geral: Dans Souza e Rafael Farah

    Diretor de Criao: Dans Souza Diretor de Redao: Rafael Farah

    REVISTA CRASERedatores: Cadu Senra, Gui Liaga, Emlio Farah,

    Nicolas Dani, Clarissa AffonsecaColunistas: Cadu Senra, Rafael Farah

    Revisor: Gui LiagaPublicitrios: Ramon Loureno, Guilherme Amaral

    ARTE Diretor de Arte: Dans Souza

    Diagramador: Dans Souza, Fernanda Arajo

    FOTOGRAFIA Editor-Assistente: Diego Val

    INTERNET Desenvolvedor: Dans Souza, Makerz

  • No Brasil, como no mundo inteiro, a imita-o algo natural. Seja na poltica, na msica e seus covers ou em telas de cinema, a linha entre a criao e a rplica hoje em dia bastante deli-cada. Tornou-se difcil distinguir a cpia do original e vice-versa. Estaria o velho guerreiro Chacrinha certo? Baseando-se no histrico da raa humana, pode se dizer que sim. Todas as criaes atuais so resultados da transformao de algo j existente, ou seja, so cpias. O homem apenas copia, no cria, mas o faz deixando a sua marca, sua singularidade.

    Essa imitao no se d apenas por tendn-cias. O velho ditado a vida imita a arte descreve com perfeio outro exemplo dessa confuso de realidades. Mas como saber realmente quem imita quem? Somos todos produtos de uma sociedade onde a mdia, junto com as artes (cinema, msica, etc), dita as regras. Somos criados por essa sociedade e depois representados nesses mesmos meios, como em Tropa de Elite 2, sequncia do blockbuster brasi-

    Editorial

  • leiro de Jos Padilha. Neste ms, a CRASE reservou seu maior espao para a apresentao e representao da pelcula, onde Nicolas Dani abre tpicos pouco discuti-dos anteriormente, como a criao do heri brasileiro e alienao txica.

    Ainda neste ms, apresentamos a querida Cla-rissa Affonseca, nossa mais nova redatora. Clarissa nos dar mensalmente seu parecer inteligente e cra-seano sobre moda, alm de complementar a presena feminina em nossa redao, que vem crescendo cada vez mais.

    A CRASE vem recebendo feedbacks maravilho-sos. A participao dos leitores essencial para a con-tinuao do trabalho de qualidade que vem sendo feito, ento urgimos aos novos leitores que faam o mesmo. Suas opinies, crticas ou sugestes so valiosas demais para ficarem presas, sem respostas. No faa como a maioria, exponha sua opinio.

    Rafael Farah

  • 10

    Quantos leitores j pararam para pensar que as linhas que esto prestes a ler no foram escritas por seu autor? Essa indagao p a r e c e a b s u r d a p a r a muitos e causa surpresa. Contudo, o servio de ghostwriter, escritor-fan-tasma, existe h sculos e est presente em diver-

    sos meios de comunica-o. O seu trabalho con-siste, basicamente, em dar forma a uma idia de outrem. Pode ser de jeito sutil, como um trabalho de faculdade, ou algo mais cauteloso, como um artigo em revista.

    O g h o s t w r i t e r quem fica por trs de

    O escritor portrs do autor

    por Gui Liaga

  • 11

    grandes feitos na escrita. E , s im, isso legal . O Canad, por exemplo, um dos pases que lega-lizou de fato a profisso. No Brasi l , raro c i tar esse t ipo de emprego, mas qual a empresa de assessoria de comunica-o que no utiliza esse recurso? Quantos clien-t e s n o e n c o m e n d a m l ivros, biografias, art i -gos e projetos a tercei-ros e publicam com o seu nome? Pode soar falso e causar discrdia, porm faz parte de um contexto do mundo global izado, onde o marketing tudo.

    A m o d e r n i d a d e no possui espao para a calma. Com o boom tecno-lgico, a informatizao e o enraizamento do capita-

    lismo, a sociedade anseia por mais e o que precisa de tempo para surgir , d e s a p a r e c e . P o u c a s dcadas atrs, um autor levava dois ou mais anos para escrever a sua obra. Hoje, para se consagrar nos holofotes e entrar na lista de best-sellers, melhor produzir um livro atrs do outro ou lanar mo das famosas sries, algumas at com 12 livros. Por isso, muitas editoras oferecem esse servio ao autor, montando uma equipe para escrever com ele e por ele.

    A f o r m a m a i s comum em discursos (speachwriters), princi-palmente polticos. Como um trabalho de assesso-ria e relaes pbl icas

  • 12

    como a equipe de cam-panha de um candidato. Todo o discurso em que o pblico concorda e acre-dita, no so palavras de seus escolhidos. A proble-mtica no est no fato de esse tipo de profisso existir, e, sim, que a popu-lao despreparada para isso. Tal fato que a incredibilidade alta por parte dos leitores nessa situao.

    O lado pos i t ivo que essa ferramenta possibil ita a publicao de novas obras, incenti-vando aqueles que pos-suem uma boa histria, mas no sabem como escrev-la. Desse plano p o d e m s u r g i r t i m o s livros independente do gnero literrio. Entre os

    acordos de ghostwriter, o autor pode optar por ocultar ou no o nome do escritor. Cecily Von Ziege-sar uma autora conhe-cida dos adolescentes por ter sries como Gossip Girl e It Girl, mas na folha de rosto de seus l ivros o leitor pode encontrar a seguinte frase: Criado por Cecily, escrito por... J as obras do ex-presi-dente dos Estados Unidos John F. Kennedy foram acusadas de terem sido escritas por seu asses-

    O ghostwriter quem fica por trs de gran-des feitos na escrita.

  • 13

    sor Theodore Sorenson, mas ambos negaram as afirmaes ainda mais depois de a coletnea ter ganhado o Prmio Pulitzer.

    To d o e s s e u n i -verso de fantasmas que permanecem escondidos da populao, s mostra como pouco sabem os leitores. Como impor-tante se informar e no se de ixar enganar . O profissional de Comuni-cao aprende que pre-ciso questionar sempre, indagar sobre o que est

    lendo no importando quo antiga e confivel seja o meio de publicao. O ser humano possui inte-resses e, por mais impar-cial que ele precise ser, sempre ir jogar para defender o seu lado. No julgue o servio de um ghostwriter, apenas pro-cure saber mais do que se trata e controverta at o seu autor preferido s assim para concretizar suas verdadeiras opini-es no mundo literrio e pensante.

  • CRASERECOMENDA Literatura

    Livro: BudapesteAutor: Chico BuarqueEditora: Companhia das Letras

    Este aclamado livro de Chico traz a dua-lidade como tema principal. Narrado em primeira pessoa, Jos Costa um

    ghostwriter de enorme talento com as palavras, que se v diante da exausto. Vivendo quase uma vida dupla, o autor lana mo da combinao de humor com tenso para compor um excelente protagonista em uma nar-rativa inteligente.

    Livro: Admirvel Mundo NovoAutor: Aldous HuxleyEditora: Globo

    Escrito em 1932, este livro causa fortes impresses nos leitores. A obra, conhe-cida como uma anteviso de um futuro

    dominado pela mecanizao e cincia, revela uma socie-dade desumanizada. Esta fico cientfica surpreende pelos pontos comuns de diferentes pocas. Questes como a crescente incapacidade do homem moderno de lidar com o fracasso um dos aspectos discutidos.

  • 16

    O e s c r i t o r b r i -t n i c o G e r a l d Brenan certa vez escre-veu: todos ns altera-mos ou somos alterados por tudo. Estamos sempre absorvendo pores uns dos outros ou ag indo contra elas e, atravs dessas aquisies e repul-ses involuntrias, modi-ficamos nossa natureza.

    A p a r t i r d e s s a a f i rma o , po ss ve l uma breve anl ise de esti los de vida de dife-rentes culturas. claro que cada cultura tem seu diferencial, mas se obser-varmos de perto pode-mos ver tambm inme-ras similaridades, quase como se as muitas delas fossem co-dependentes.

    SimbioseCultural

    por Rafael Farah

    Os altos e baixos dointercmbio de culturas

  • 17

    Esse um processo con-tnuo e quase simbitico, o qual as mantm separa-das por singularidades e unidas pela globalizao.

    O que a cultura brasileira? Para respon-der tal pergunta basta uma simples observao do sistema capitalista ameri-cano, que copiado por grande parte dos pases do mundo. O brasileiro bombardeado constan-temente por tendncias formadas no pas do Tio Sam e, muitas vezes abre mo de uma personali-dade nica e abrasi lei-rada para imitar o estilo de vida estadunidense, gerando ssias que vo desde a utilizao de bor-

    des at o estilo de vida ostentoso e sedentrio dos americanos.

    i n c o n t e s t v e l que os norte-americanos so ideal izadores - se essas ideias so rouba-das, compradas ou manu-faturadas, outra histria - e, em um mundo globa-lizado, nada mais natu-ral do que essas ideias serem exportadas para o resto do mundo, algumas vezes criando sombras, cpias, quebrando bar-reiras ou simplesmente

    . . .A indiv idual i -dade no se iguala

    a singularidade.

  • 18

    alimentando aquele Gre-mlin to conhecido

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