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  • 1

    A TRIBUTAO DOS RENDIMENTOS DE CAPITAIS NO

    ACORDO DE DUPLA TRIBUTAO ENTRE PORTUGAL E

    MOAMBIQUE

    Francisco Sousa da Cmara

    Morais Leito, Galvo Teles, Soares da Silva & Associados, Lisboa

    I. INTRODUO

    No incio da dcada de 90 a Repblica de Moambique deu passos decisivos para

    fomentar o investimento privado, nacional e estrangeiro, em territrio moambicano.

    A par das diferentes leis moambicanas com relevo nesta rea especfica, que

    surgiram no Vero de 1993,1 cabe destacar a celebrao da primeira Conveno para evitar

    a dupla tributao sobre o rendimento e prevenir a evaso fiscal,2 assinada entre a

    Repblica de Moambique (doravante designada por Moambique) e a Repblica

    Portuguesa (doravante designada abreviadamente por Portugal) ADT P/ M.

    O esprito que presidiu sua celebrao ficou explicitado no prembulo da

    Conveno. Inditamente, no contexto da rede de Convenes ou Acordos para evitar a

    dupla tributao (doravante designados abreviadamente por ADT), celebrado por

    Portugal onde ficou a constatar o seguinte:

    A Repblica Portuguesa e a Repblica de Moambique, desejando fomentar as suas

    relaes econmicas e culturais pela eliminao da dupla tributao em matria de

    impostos sobre o rendimento e desenvolver a cooperao na rea da fiscalidade,

    acordaram nas disposies seguintes

    Desde ento, o investimento em Moambique tem vindo a aumentar, sobretudo

    atravs da criao de sociedades de Direito moambicano que associam quer capitais j

  • 2

    existentes em Moambique quer capitais estrangeiros (designadamente capitais

    portugueses).

    A estrutura e o contedo deste ADT P/M seguem de perto os modelos da

    Conveno da OCDE de 1997 e da ONU de 1980, pelo que nos dispensamos de

    proceder a uma anlise detalhada sobre o seu significado e a forma de aplicao de cada

    uma das suas disposies.3

    Ao longo do presente artigo procuraremos apenas analisar os artigos do ADT P/M

    relativos tributao dos principais rendimentos de capitais, cujas epgrafes so as

    seguintes: Dividendos (artigo 10.); Juros (artigo 11.); e os royalties (artigo 12.).

    No quadro convencional a tributao destes rendimentos assume um papel de grande

    importncia atenta a sua especial natureza, mas o seu estudo tambm merece um enfoque

    reforado merc do facto de os mesmos tanto poderem ser tributados no Estado da fonte

    como no Estado da residncia do preceptor do rendimento.

    Tendo em considerao que, em regra, os rendimentos de capitais afluem de forma

    peridica e regular ao patrimnio do receptor dos mesmos, apesar deste ltimo poder

    assumir um papel passivo (v.g. em regra, consistem na remunerao de um factor

    originado com um contrato celebrado anteriormente), estas categorias de rendimentos so

    conhecidas como rendimentos passivos, para as contrapor quelas em que o preceptor

    dos rendimentos desempenha um papel constante para as obter e que so reconhecidos

    como rendimentos activos (v.g. lucros comerciais ou outros rendimentos, como os

    obtidos com o trabalho).

    O percurso a trilhar circunscreve-se, portanto, anlise da tributao dos

    rendimentos passivos e limita-se a estudar cada uma das disposies acima citadas,

    procurando interpretar estas disposies e conjugar e harmonizar a sua aplicao com as

    demais disposies jurdica-tributrias domsticas. Assim sendo e por razes que se

    prendem essencialmente com a metodologia deste trabalho, apresentamos a ttulo

    preliminar, os textos dos artigos convencionais de forma a que possam ser apreciadas as

    similitudes e se observem facilmente os traos distintivos.

  • 3

    De seguida teceremos breves comentrios sobre a aplicao do ADT P/M,

    apresentaremos os traos gerais comuns aos trs artigos que nos propomos estudar e

    aludiremos sua primazia sobre o direito domstico de cada um dos Estados

    Contratantes (ponto II).

    Finda essa parte geral, dar-se- nota das especificidades de cada uma das disposies

    que nos propomos tratar artigos 10., 11. e 12. (ponto III) para, de imediato,

    verificar a tributao do fluxo desses rendimentos quer no contexto interno (ponto IV)

    quer cotejando as respectivas disposies domsticas com as normas convencionais

    (ponto V).

    Pareceu-nos interessante fazer sair este estudo da mera anlise conceptual, retratando,

    ainda que incidentalmente, algumas situaes com que o prtico se depara neste domnio.

    Desse modo, aps a explicao dos conceitos do ADT P/M e feita j a correlao

    com o direito domstico de cada um dos Estados contratantes, procuraremos colorir a

    aplicao prtica da Conveno com alguns exemplos prticos (ponto IV).4

    Finalmente, far-se- referncia, ainda que de forma sinttica, aos regimes especiais

    que regulam o investimento e a circulao de capitais em Moambique e Portugal e que

    podem restringir o pagamento efectivo daqueles rendimentos (ponto VI).

    No abordaremos ex professo a temtica respeitante aos benefcios fiscais que podem

    ser concedidos aos investidores que procuram desenvolver actividade em Moambique ou

    em Portugal, uma vez que tal incurso alongaria demasiado este estudo. Em qualquer

    caso, cabe mencionar que essa realidade nunca poder ser ignorada num investimento

    porque o concurso de normas dupla tributao pode ser meramente aparente.

    E, nesse caso, ocorrer at questionar se o ADT P/M efectivamente aplicvel, em

    virtude de no existir dupla tributao a evitar. Esta situao particularmente

    interessante para as empresas Portuguesas que investem em Moambique no mbito de

    um contrato de investimento estrangeiro previamente negociado e que preveja a

    atribuio de isenes fiscais.

  • 4

    Sobretudo, porque ficou consagrada uma clusula de crdito de imposto fictcio (tax

    sparing clause) a favor dos investidores em Moambique que forem residentes em

    Portugal [cfr. Artigo 23. (2) do ADT P/M], permitindo que, em certas circunstncias, o

    rendimento originado em Moambique tambm no seja tributado ou seja tributado de

    forma moderada em Portugal.5

    A concluir procuraremos sintetizar algumas das principais reflexes que este estudo

    nos sugeriu (ponto VII).

    N.os Artigo 10.

    Dividendos

    Artigo 11.

    Juros

    Artigo 12.

    Royalties

    1 Os dividendos pagos por

    uma sociedade residente

    de um Estado

    Contratante a um

    residente do outro

    Estado Contratante

    podem ser tributados

    nesse outro Estado.

    Os juros provenientes de

    um Estado Contratante e

    pagos a um residente do

    outro Estado Contratante

    podem ser tributados

    nesse outro Estado.

    As royalties provenientes

    de um Estado

    Contratante e pagas a um

    residente do outro

    Estado Contratante

    podem ser tributadas

    nesse outro Estado.

    2 Esses dividendos podem,

    no entanto, ser

    igualmente tributados no

    Estado Contratante de

    que residente a

    sociedade que paga os

    dividendos e de acordo

    com a legislao desse

    Estado, mas se a pessoa

    que recebe os dividendos

    No entanto, esses juros

    podem ser igualmente

    tributados no Estado

    Contratante de que

    provm e de acordo com

    a legislao desse Estado,

    mas se a pessoa que

    recebe os juros for o seu

    beneficirio efectivo, o

    imposto assim

    Todavia, essas royalties

    podem ser igualmente

    tributadas no Estado

    Contratante de que

    provm e de acordo com

    a legislao desse Estado,

    mas se a pessoa que

    receber as royalties for o

    seu beneficirio efectivo,

    o imposto assim

  • 5

    for o seu beneficirio

    efectivo, o imposto assim

    estabelecido no exceder

    15% do montante bruto

    desses dividendos. As

    autoridades competentes

    dos Estados Contratantes

    estabelecero de comum

    acordo a forma de aplicar

    estes limites. Este

    nmero no afecta a

    tributao da sociedade

    pelos lucros dos quais os

    dividendos so pagos.

    estabelecido no exceder

    10% do montante bruto

    dos juros.

    As autoridades

    competentes dos Estados

    Contratantes

    estabelecero, de comum

    acordo, a forma de

    aplicar este limite.

    estabelecido no exceder

    10% do montante bruto

    das royalties.

    As autoridades

    competentes dos Estados

    Contratantes

    estabelecero, de comum

    acordo, a forma de

    aplicar este limite.

    3 O termo dividendos,

    usado neste artigo,

    significa os rendimentos

    provenientes de aces

    ou bnus de fruio,

    partes de minas, partes de

    fundador ou outros

    direitos, com excepo

    dos crditos que

    permitam participar nos

    lucros, assim como os

    rendimentos derivados de

    outras partes sociais

    sujeitos ao mesmo regime

    fiscal que os rendimentos

    de aces pela legislao

    No obstante o disposto

    no n. 2, os juros

    provenientes de um dos

    Estados Contratantes

    sero isentos de imposto

    nesse Estado se:

    a) O devedor dos juros

    for o Governo do dito

    Estado Contratante ou

    uma sua subdiviso

    poltica ou administrativa

    ou uma sua autarquia

    local; ou

    b) Os juros forem pagos

    ao Governo do outro

    Estado Contratante ou a

    O termo royalties,

    usado neste artigo,

    significa as retribuies

    de qu

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