tribuna march 15, 2009

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QUINZENRIO INDEPENDENTE AO SERVIO DAS COMUNIDADES DE LNGUA PORTUGUESA

2 a Quinzena de Maro de 2009 Ano XXIX - No. 1059 Modesto, California $1.50 / $40.00 Anual

Benvindos quem por bem vem!

CINEMA

Praia da Vitria - uma cidade de futuro - esta extraordinria fotografiapanoramica de Jos Enes (parcialmente aqui representada) mostra bem a beleza da Cidade da Praia da Vitria. Saudamos a comitiva praiense de visita California. Que levem todas as nossas saudades quando regressarem.

Antero de Quental em filmeProduzido pela RTP Aores e dirigido por Zeca Medeiros, estreou-se no Teatro Micaelense no dia 9 de Maro, o telefilme Antero - o Palcio de Aventura. Um filme que durou mais de cinco meses a realizar e que conta a histria de um dos nossos maiores poetas e escritores, nascido e morto em Ponta Delagada. Este telefilme ser exibido dentro de pouco tempo na Costa Leste. Seria importante que o pudessemos ver na California. CULTURA

Vale de San Joaquin um autntico poema

Maria F. Simes publica livroNo dia 22 de Maro na Casa dos Aores de Hilmar ter lugar a apresentao do livro de Maria F. Simes intitulado As Lavadeiras, suas lidas. A Casa dos Aores aproveita a ocasio para estrear o seu Grupo de Matanas, de Violas e Mar Bravo. No faltem.

Amendoeiras em Flor na estrada de acesso ao Pico dos Padres, Turlock

foto de jose avila

portuguesetribune@sbcglobal.net www.portuguesetribune.com www.tribunaportuguesa.com

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SEGUNDA PGINA

15 de Maro de 2009

Cada vez maior a confusoEDITORIAL

no Ensino de Portugus nos EU... assim dizem dois Conselheiros das Comunidades, Jos Joo Morais e Manuel Carrelo, das reas consulares de New York, Newark e Washington. Acusam o Governo Portugus de ter imposto dois Coordenadores e um Consultor de Lisboa, nomeados por critrios de confiana poltica, depois de terem dito que os concursos seriam pblicos. Estes dois Conselherios referem-se s nomeaes de Ana Cristina Sousa, que trabalha em Turlock desde Setembro de 2007 e Fernanda Costa que veio para a Costa Leste, em Dezembro de 2008. O consultor referido chama-se Joo Graxinha e trabalha no Departamento de Educao do Estado de Massachusetts. Segundo noticia a imprensa da Costa Leste, os dois Conselheiros afirmam que nunca foram consultados sobre estas nomeaes. Na carta em questo, os Conselheiros fazem diversas consideraes sobre os Coordenadores, seus cursos e vencimentos e afirmam que nos Estados Unidos teramos pessoas altamente qualificadas para assumirem aqueles cargos. Ana Cristina de Sousa, a Coordenadora colocada na California, j respondeu carta dos Conselheiros e afirma a certa altura na sua carta: No tenho conhecimento de qualquer grande polmica em relao minha nomeao em Setembro de 2007, data em que assumi a Coordenao do Ensino Portugus na Califrnia e outros Estados Ocidentais (CEP.CA). Muitos dos meus colegas professores e significativo nmero dos representantes das comunidades neste estado, j me conheciam do tempo em que fui Leitora de Lngua e Cultura Portuguesas na California State University, Stanislaus, em Turlock. Sendo natural haver discordncias de estratgias ou opinies entre pessoas envolvidas na mesma rea de actividade, no me sinto nem desajustada a um contexto que j conhecia anteriormente e agora passei a conhecer ainda melhor, nem nunca me tinham dito, at ao momento em que os Senhores Conselheiros assim o expressaram, que no possuo as qualificaes ou as competncias necessrias para este trabalho. Mais frente, Ana Cristina refere-se s QUALIFICAES DA COORDENADORA Normalmente no costumo publicitar o longo caminho que trabalhosamente percorri na minha carreira acadmica, mas vou fazer aqui um pequeno apanhado do que me parece mais relevante para a situao vigente: - 1 Diploma de concluso do Ensino Secundrio em Letras (Portugus, Ingls, Francs e Alemo) - 2 Licenciaturas: Lnguas e Literaturas Modernas, Variantes de Ingls/ Alemo e Portugus/Ingls - 1 Mestrado: Estudos Norte-Americanos, Literatura Norte-Americana - 1 Doutoramento (em fase de concluso): Formao de Professores de Portugus com apoio da tecnologia (cujo enfoque precisamente a Califrnia) - 1 Certificado de ps-graduao em Educao e Formao Online - 1 Certificado de ps-graduao em Facilitao e Tutoria online

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O terceiro ncleo...eria bom que todos lessem o interessantssimo artigo do Diniz Borges na pgina 10 deste jornal. Falar comunidade no to simples como parece.

A nossa comunidade vista a trinta mil ps de altitude no a mesma como a vista da porta da nossa casa. Penso at que a nossa Comunidade so trs ncleos comunitrios distintos inseridos neste grande Estado o primeiro, acaba nos fins de cinquenta, o segundo comea nos sessenta at a meados de oitenta e o terceiro, o mais importante para o futuro, comeou nos oitenta at agora. O terceiro ncleo, o mais novo da nossa comunidade realmente o mais rico em termos culturais, cientificos, intelectuais, mas encontra-se esvado na comunidade americana, o que muito bom e de louvar. O problema est em querermos que esse ncleo seja to conhecido nas nossas mais antigas comunidades como conhecido e admirado pela comunidade americana. Ento, o que que teremos de fazer? Como que podemos trazer de volta, nem que seja por dois ou trs dias por ano, essa juventude (os nossos filhos, os nossos netos) para que possamos partilhar com eles o futuro de todos ns. Quem percorre as pginas das revistas da UPEC, da Luso-American e outras organizaes e v as centemas e centenas de jovens a quem foram dados bolsas de estudo, pergunta Onde estar toda esta gente, hoje com 30, 40 anos? Que feito deles? O Tribuna vai tentar encontrar muitos deles e partilhar com todos vs esse achamento. Ajudem-nos tambm. Em tempo devido solicitmos ao Presidente da SATA uma entrevista, mas at ao fecho desta edio ainda no recebemos a sua concordancia. Pode ser que na nossa prxima edio a possamos partilhar convosco. jose avila

Depois, a Coordenadora interroga-se sobre se a A COORDENAO NOVA OU NO NOVA? A CEP.CA uma nova coordenao. Seria incorrecto afirmar o contrrio, pois nunca existiu nada semelhante na Califrnia. Pessoalmente sintome muito honrada por estar aqui no preciso momento em que possvel levar a cabo este modelo de coordenao, como j antes me aconteceu quando vim inaugurar o 1 Leitorado de Portugus no Vale Central. A uma nova poltica de lngua, correspondem neste caso novas estruturas de coordenao. Por isso se fala de novo. Mas como sabemos, o novo tem sempre uma histria e por isso as novas Coordenadoras tentam conhecer o trabalho das Coordenaes anteriores. Por exemplo, estive a fazer a actualizao das listas elaboradas pela Dr Graa Castanho, a anterior Conselheira em Washington, contendo o nmero de alunos e de escolas que ensinam Portugus na Califrnia. E para o ano que vem terei de rever novamente essa lista, pois o nmero de alunos no um dado fixo, j que o trabalho em educao est sempre em fluxo e no se pode dizer que alguma coisa est feita de uma vez por todas e para todo o sempre. E mais disse, numa longa carta, defendendo sempre a seriedade e as qualificaes da sua escolha. jose avila

Year XXIX, Number 1059, March 15, 2009

COLABORAO

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Tribuna da Saudade

Ferreira Moreno

Na companhia de bois (2)por isso de muita procura o corao de boi preto, porque por meio dele se praticavam vrios bruxedos, e se alcanam vrios favores. Diz-se que por meio dele se pode dar cabo duma pessoa que nos seja importuna, ainda mesmo que viva em Reinos Estrangeiros, sem haver necessidade de sairmos de nossa casa, e assim dar lugar a que pessoa alguma saiba das nossas intenes. Seguidamente, Mendona Dias transcreve as diferentes prticas ou mtodos no emprego do corao do boi preto, com o devido acompanhamento de determinadas rezas e invocaes. Visto que no pretendo repetir essas mirabolantes lengalengas, aqui fica a referncia. Carreiro da Costa, na srie Tradies, Costumes & Turismo (Outubro 1964), anotou que tanto o boi como a vaca ocupam posio de destaque no quadro das supersties populares aorianas, o que no de admirar, uma vez que desde remotas eras, nos Aores, os bois marcaram presena saliente em consequncia de terem pertencido ao nmero dos primeiros animais aqui espalhados a fim de apoiar os trabalhos dos povoadores. Relativamente ao boi, prossegue Carreiro da Costa, trata-se dum animal que tem sido considerado como sagrado, devido sem dvida, no apenas a certas reminiscncias mitolgicas, como tambm ao facto de prestar servios apreciveis aos trabalhos da lavoura. Pra poupar tempo e espao, no vou agora enveredar pla carreira de supersties associadas com o boi, como sejam aquelas lendrias e curiosas crnicas alusivas ao aparecimento providencial desse animal, cuja carne concorria prs tradicionais bodos do Divino Esprito Santo, como est amplamente patente em diversas pginas do livro Aores, Lendas & Outras Histrias, de ngela Furtado Brum. No quero deixar em branco que, em portugus, temos olho-deboi aplicado chamada clarabia (skylight, em ingls), ou seja, aquela abertura envidrada existente no alto de edifcios e destinada a iluminar e ventilar o interior. A expresso passo de boi significa andar devagar, enquanto andar com o carro adiante dos bois indica fazer qualquer coisa ao contrrio. E bom ser lembrar que em vo se leva um boi a beber gua quando ele no tem sede, nem to pouco se vende um boi por dois carniceiros. Dito isto, vamos agora aos adgios: o boi com muito vio d com o corno no toutio. O boi pelo corno e o homem pela palavra. Quem no tem bois, trabalha com vacas. Quem seu carro unta, os seus bois ajuda. No vai o carro adiante dos bois. Onde vai o carro, vo os bois. O boi depois de morto vaca. Boi bravo em terra alheia fica manso. Boi farto no comedor nem lambedor. Boi que campeia, sinal de mau tempo. Boi solto lambe-se todo; boi amarrado, s um bocado. Boi que engorda na canga, engana o companheiro. Boi velho, dem-lhe d