tribo fu #1

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editorial Um cineasta, uma estudante da história e outra das artes são os atores que recortam este filme. Filme de Festival, Cine PE. Tessituras construídas sobre o que nos atravessou, a partir de certas negociações, mediações e escolhas do que iríamos dixavar. Sem tantas pretensões megalomaníacas como as chuvas, buscamos mesmo foram os ventos. Os redemoinhos que nos prendesse ou repelisse. E tal como os movimentos do ar, escoamos esta edição piloto da Revista Tribo Fu. Tribo o quê? Fu. Para além do significante, o fonema do sopro: fffu. Dos ares do Festival pulsaram artérias e onde o oxigênio bateu mais forte fez sair o enxerto dessa revista. Até que nem tão esotérica assim, Jucélio Matos, Lorena Taulla e Paula Frassinetti l autores edição #1 recife, maio de 2011

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  • TRIBO

    FU

  • editorial Um cineasta, uma estudante da histria e outra das

    artes so os atores que recortam este filme. Filme de Festival, Cine PE.

    Tessituras construdas sobre o que nos atravessou, a partir de certas negociaes, mediaes e escolhas do que

    iramos dixavar.

    Sem tantas pretenses megalomanacas como as chuvas, buscamos mesmo foram os ventos. Os redemoinhos que nos prendesse ou repelisse. E tal como os movimentos

    do ar, escoamos esta edio piloto da Revista Tribo Fu. Tribo o qu? Fu. Para alm do significante, o fonema do sopro:

    fffu.

    Dos ares do Festival pulsaram artrias e onde o oxignio bateu mais forte fez sair o enxerto dessa revista.

    At que nem to esotrica assim,

    Juclio Matos, Lorena Taulla e Paula Frassinetti l autores

    edio #1 recife, maio de 2011

  • QUESTO DE LGICA

    A crtica chata e o pblico ingnuo. A obra a verdade e a crtica ingnua. O pblico a verdade e a crtica chata. A

    crtica ingnua e a obra chata.

    Assinale a alternativa que julgar correta:

    a) a crtica ingnua e o pblico chato

    b) o pblico a verdade e a crtica chata

    c) a obra chata e o pblico ingnuo

    d) a crtica a verdade e o pblico chato

    e) a obra a verdade e o pblico ingnuo

  • DIRIO DE UM ATOR, Direo: Cadu Pereira Por Paula Frassinetti

    Atuar? a tua!

    Oh vida, oh cus, oh azar Oito minutos e trinta segundos

    Pra que danado foi atuar? Quem sabe at domina o mundo

    Com essa graa no falar Nunca vi mais imundo

    Oito palavres parei de contar Ento esse poema vagabundo

    Pra no ter que esculachar.

  • DIRIO DE UM ATOR, Direo: Cadu Pereira Por Juclio Matos

    - Pgina preta com letras brancas.

    WTF? o.O

    - - Que pblico eu quero ter? Pergunta-se o constrangido festival.

    * What that fuck?

  • TEMPO DE CRIANA, Direo: Wagner Novais CAF AURORA, Direo: Pablo Polo Por Juclio Matos

    certo o que se tem falado sobre onde est locado, na produo brasileira, as principais discusses acerca das fronteiras do cinema contemporneo nos documentrios. Porm, h de se observar que a grande massa documental, ainda com seus tradicionalismos e solues genricas, domina a programao da maioria dos festivais nacionais. O pblico parece ainda no ter dissociado o filme sobre um personagem marcante, que geralmente o faz rir, do documentrio que avana limites e empurra o cinema para novos horizontes. No que estes sejam fatores indissociveis.

    J no campo das fices, o panorama parece ser outro. Mesmo com resistentes exibies de filmes de baixa qualidade e apelo popular, podemos acompanhar uma abertura para obras de maior impacto visual, sensorial e de maior vigor narrativo. O chamado cinema ps-industrial, termo cunhado pelo pesquisador Cezar Migliorin. Filmes onde o tempo se torna abrangente, o pensamento vigente, e o sensorial exubera. A tamanha presena destas obras em festivais como o Cine PE seria impensvel h alguns anos. Nesta direo, dois

  • curtas-metragem exibidos no mesmo dia: Tempo de criana e Caf Aurora.

    O curta-metragem carioca Tempo de criana nos fornece de maneira potica a vida de uma menina que se v responsvel pela casa e pela irm mais nova quando a me no est presente. Wagner Novais, roteirista e diretor, realiza um bom trabalho. As atrizes mirins esto excelentes com seus naturais gestos e maneirismos. Vale ressaltar tambm a cuidadosa direo de arte de Manara Carneiro. O filme lindo e bem cuidado em todos os aspectos.

    Por sua vez, Caf Aurora, curta-metragem pernambucano dirigido por Pablo Polo, mais uma obra com uma grande direo. E com um roteiro de embelezamento gradativo, nos revela dois personagens que vivenciam diferenciadas sensaes e se encontram. Sensaes estas que se refletem na percepo temporal do filme e que transmitem uma sensorialidade descomunal. A sinopse do filme traz: ... Um mundo em que as palavras valem menos do que a percepo, e que pode ser a resoluo de toda essa discusso, o parmetro para as fices de um novo tempo.

  • No julgar falso testemunho

    Por Paula Frassinetti

    Verbete Capital social: poder simblico relativo a rede social do indivduo, sendo elemento contribuinte para o seu acesso a certos espaos culturais, por exemplo.

    Vamos fazer uma ao

    28 de abril, quinta-feira, 19h e uns quebrados.

    Finalmente chega a hora de entrar naquele bendito cinema. Festival do audiovisual e nosso caminho de escrever algumas percepes sobre o que se pe a mostra.

    Oa, eu s sei que na hora de pegar o ingresso, mal botei a mo no buraco e a moa da bilheteria foi colocando para fora uma placa grande, preta e pontiaguda. Depois do susto medonho pude ouvir quando a fofa falou pela

  • segunda vez, vendo minha transfigurao incrdula diante do objeto: ESGOTADO!

    No, pensei. Vai ter um jeito. Na fila de entrada, que corria escadaria abaixo, me pus a esperar. Perto de entrar conclu que mesmo que ficasse de fora escreveria algo sobre o ocorrido. Drama dos barrados no baile.

    Entrada: ops, cad meu bilhete? Ai... que perdi meu bilhete... srio, confundi os papeizinhux.

    - olha, que... Pode faltar lugar e...

    - Tudo bem, fico quieta num canto l dentro.

    Mas no que mesmo com meu pecado tenebroso consumado ainda sobraram lugares vazios no cinema?

    Entre especulaes sobre os fulanos ausentes e suas poltronas presentes nem senti o peso da mea culpa 1.

    1 Termo latino de recorrente uso cristo. Por exemplo, o ato

    de contrio: Por minha culpa, minha to grande culpa!.

  • CU, INFERNO E OUTRAS PARTES DO CORPO, Direo: Rodrigo John.

    Por Juclio Matos

    A animao de Rodrigo John (oi? Rodrigo Joo?) conta a estria de um co tentando lidar com o fim de um relacionamento.

    Realizado em 2D, com um traado mais rstico (voltando a ser tendncia), o filme pe em foco um personagem em seu mundo co. Bombardeado pela sociedade facnora na qual vive, com o seu terno, gravata e maleta executiva, se sente necessitado a abandonar seu corao e crebro para enfrent-lo, na batalha do dia-a-dia (vulgo labuta do pobre).

    Esta anlise difana que o filme faz do homem e da sociedade contempornea pode ser comparada a do mestre tcheco da animao Jan Svankmajer, com a natural desfragmentao de si e pelo capitalismo antropofgico que sempre sublinhado na ao dos personagens (uia, que inteligente). Contudo, Cu, inferno e outras partes do corpo segue uma linha de leveza e comicidade, bem mais atrativa ao pblico da maioria dos festivais brasileiros. Svankmajer diria: Non non non, borbinho, quiero mas melancohia.

  • AEROPORTO, Direo: Marcelo Pedroso.

    Por Juclio Matos

    Percorri alguns rios at alcanar o vale dos Jilderads 2. Seres pequeninos e exuberantes. Me fascinei ao conhec-

    los h alguns anos em uma conferncia antropolgica. So o espelho tribal-futurista da nossa civilizao. deslumbrante como Ferdinand Sol

    3 conseguiu encontrar o grande desejo

    sapiensiano, de unio dos sucessos do pretrito com os desejos para o futuro sem imperativos, em uma civilizao que s se permitiu ser descoberta no sculo XXI.

    Logo nos dias iniciais, fui arrematado por um interesse atroz pelo outro. No entanto, a inquietao no me surgia pela descoberta do novo, pelo fascnio que seus exotismos sociais pudessem oferecer. O eldorado que resplandeceu em meu olhar se delineou nas similaridades que aqueles seres, de no mais que 20 cm de altura, tinham comigo. Assim passei a perceber como estive sempre em busca do outro para achar a mim mesmo. E nos poucos dias que acompanhei aquela tribo, teci grandes laos afetivos. Hoje recordo com carinho e reconhecimento, mesmo aqueles com quem no obtive um estreitamento de relaes. estranho, mas me parecem seres com os quais no se faz necessrio o compartilhamento de inmeros momentos juntos para afirmar que os conhece Partindo do

    2 Jilderads: civilizao que gosta de comer farofa. 3 Ferdinand Sol: historiador que descobriu os Jilderads.

  • pressuposto que sejas uma pessoa que convivas sinceramente consigo mesmo.

    O registro se tornou um dos focos do meu trabalho exploratrio, mesmo com a velha civilizao j tendo bastante acesso a imagens dos nossos novos amigos. Fiz fotografias, coletei sons do ambiente e depoimentos de alguns dos Jilds (como passei a cham-los). Cavina, com o seu tom despojado, Rimely e o seu pronome possessivo e Trotin com a sua espiritualidade latente me despertaram o desejo por registr-los a meu modo e apresent-los ao mundo atravs da minha grande angular retiniana. E se me for necessrio utilizar de meios narrativos subjugados para lanar a emoo do encontro com eles comigo mesmo a todos vocs, utilizarei. Msica tambm faz bem aos olhos.

    Nos ltimos dias de minha estadia, tive a oportunidade nica de conhecer o ancio dos Jilds. Aquele que nunca sai da cabana, o mestre dos magos, lder espiritual da tribo. Ele me contou algumas lendas, me preveniu de alguns problemas de sade do corpo fsico e, por fim, com um sbio sorriso jovial me disse: Os homens do outro mundo so iguais aos homens deste mundo, filho. E esse reconhecimento de emoes o que far a lgrima estar eternamente ligada ao sorriso.

    Assim, pude partir.

    *Juclio Matos nunca esteve no vale dos Jilderads. No foi alm do Aeroporto. E sonhou atravs dos que l estiveram.

  • PALAVRA PLSTICA, Direo: Lo Falco

    Por Lorena Taulla

    O documentrio Palavra Plstica foi produzido a partir da exposio Carlos Pena Filho 50 Anos de Memria realizada no Santander Cultural. Em meio