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    Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia, So Paulo, 14: 367-377, 2004.

    As informaes sobre a existncia de stios

    com arte rupestre no Amap so poucas. Na

    bibliografia publicada sobre este estado, encontrei

    apenas duas informaes, uma registrada por

    Aureliano Lima Guedes (1898) e a outra por

    Simes e Arajo Costa (1978).

    A mais antiga delas, datada de 1896, refere-se

    a um lugar conhecido como Buraco, e foi visitado

    por Aureliano Lima Guedes (1898: 46) durante a

    viagem que fez aos rios Marac e Anauera-puc.

    Lima Guedes informa que neste lugar,

    Em uma pequena gruta em forma de salo

    completamente aberto de um lado e tendo

    como fundo uma seco de lages talhadas

    verticalmente, v-se nesta parede uma figura

    pintada a dedo pelos ndios que naturalmente

    segundo penso, queriam experimentar suas

    tintas preparadas com protoxico de ferro que

    se acha em algumas pedras nestes lugares.

    Um pouco adiante, neste mesmo salo

    v-se um buraco produsido numa pedra, tendo

    a forma interna de um gral parecendo ter sido

    feito pelo uso continuo de ali os ndios moerem

    fragmentos de pedra para a extrao da mesma

    tinta. No posso furtar ao desejo de apresentar

    aqui uma cpia de tal figura para maior elucidao.

    Esta figura tem cerca de 80 centmetros de

    altura e falta-lhe a perna esquerda que no

    apparece por se ter desagregado fragmentos

    de pedra onde estava ella pintada.

    Apesar de Lima Guedes expressar o desejo de

    apresentar uma cpia da figura pintada, esta no

    aparece no seu artigo acima referido. Tal pintura

    reproduzida em uma das estampas que Emlio

    Goeldi pretendia divulgar em um livro que no

    chegou a ser publicado (Hagmann s/d) (Fig. 1).

    TRS STIOS COM ARTE RUPESTRE NO AMAP, BRASIL

    Edithe Pereira*

    A outra informao sobre arte rupestre no

    Amap foi publicada por Simes e Arajo Costa

    (1978:68), com base nas informaes de Willians

    C. Farabee. Trata-se de um abrigo-sob-rocha com

    pinturas rupestres, localizado na regio do Igarap

    do Lago, no rio Marac.

    Pode-se afirmar com base nas publicaes

    acima mencionadas e em relatrios tcnicos ainda

    inditos que, at o presente, foram registrados trs

    stios com arte rupestre no Amap. Os trs stios

    conhecidos so: Abrigo do Tracu, registrado por

    Chmyz e Sganzerla (1991); Gruta do Buraco do

    Laranjal, registrado por Hilbert e Barreto (1988);

    e Pedra do ndio, registrado por Pereira (2001)

    (Fig. 2). Destes, os dois primeiros encontram-selocalizados no municpio de Mazago, no sul do

    Amap, nas proximidades da Serra do Laranjal. A

    vegetao nessa rea caracterizada como sendo

    uma rea intermediria onde se misturam regies

    fitoecolgicas de savana e de floresta ombrfila

    (Projeto Zoneamento 1990). O stio Pedra do

    ndio est localizado no municpio de Ferreira

    Gomes, cerca de 100 km ao norte de Macap. A

    vegetao nessa rea de savana, caracterizada

    por formaes campestres onde, com vegetao

    gramneo-lenhosa baixa, se alternam s vezes

    pequenas rvores isoladas e galerias florestais ao

    longo dos rios. (id ibid).

    Abrigo do Tracu

    Em 1991, Igor Chmyz e Eliane Maria Sganzerla

    percorreram a rea que seria afetada pela constru-

    o de um trecho na rodovia BR-156 (trecho rio

    Preto Laranjal do Jari) com objetivo de realizar o

    levantamento do patrimnio arqueolgico existente

    nessa rea e que comporia o Estudo de Impacto

    Ambiental dessa rodovia. Entre os dez stios

    arqueolgicos registrados, apenas um apresentava

    arte rupestre. Denominado de Abrigo do Tracu, o

    stio encontra-se localizado a cerca de 500 metros

    da rodovia BR-156, em um extenso afloramento

    (*) Museu Paraense Emlio Goeldi.

    edithe@museu-goeldi.br

    Edithe Pereira.pmd 9/4/2006, 13:58367

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    Fig. 1 Reproduo da estampa IX (Hagmann s/d) onde a figura 72 corresponde pintura rupestre

    observada por Aureliano Lima Guedes no lugar conhecido como Buraco.

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    PEREIRA E. Trs stios com arte rupestre no Amap, Brasil. Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia, So Paulo, 14: 367-

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    Fig. 2 Localizao dos stios com arte rupestre no Amap.

    arentico com paredes e diversos abrigos muitos

    dos quais com condies favorveis a habitao.

    Chmyz e Sganzerla (1991: 24) informam ainda

    que as pinturas rupestres esto localizadas nas

    paredes e teto de vrios desses abrigos. O abrigo do

    Tracu corresponde a um desses locais. Este abrigo

    mede 16 metros de comprimento por 3 metros de

    largura e 2,30 metros de altura mxima do teto em

    relao ao piso atual. No seu interior raros fragmen-

    tos de cermica foram encontrados em superfcie e

    em sub-superfcie. Um fragmento de hematita com

    marcas de uso e com a mesma tonalidade das

    pinturas tambm foi encontrado nesse abrigo.

    As pinturas rupestres so vermelhas e foram

    executadas com os dedos. Elas representam dois

    antropomorfos (sendo um completo e o outro

    apenas a cabea), um crculo concntrico e trs

    traos cheios (Fig. 3).

    Edithe Pereira.pmd 9/4/2006, 13:58369

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    Gruta do Buraco do Laranjal

    Em 1988, Klaus Hilbert e Mauro Barreto

    percorreram a regio do rio Marac (sul do

    Amap) com o objetivo de identificar evidncias da

    presena de grupos caadores-coletores de um

    horizonte pr-cermico. Entre os nove stios

    registrados, um apresentava pinturas rupestres.

    Trata-se do stio AP-MZ-17: Gruta do Buraco do

    Laranjal. Segundo esses autores, a gruta est

    localizada no sop da Serra do Laranjal e faz parte

    de uma extensa formao arentica, cujas lajes

    desprendidas formam pequenos abrigos.

    As pinturas rupestres, sempre em vermelho,

    foram observadas em alguns pontos no interior desses

    abrigos. Os motivos predominantes so os grafismos

    puros representados, entre outros, por crculos

    concntricos e espirais. As figuras antropomorfas

    so raras (Figs. 4 e 5).

    A escavao realizada nesta gruta evidenciou,

    aos 50 cm de profundidade, alguns artefatos lticos

    e os restos de uma fogueira. Evidncias cermicas

    no foram encontradas.

    Pedra do ndio

    Em julho de 2000, tcnicos do Museu

    Histrico do Amap Joaquim Caetano da Silva,

    encontraram um stio arqueolgico com gravuras

    rupestres na localidade de Tracajatuba, municpio

    de Ferreira Gomes (AP). A descoberta do stio foi

    comunicada 2a SR/Iphan pela Fundao Estadual

    de Cultura do Amap (Fundecap) que solicitou

    ainda a avaliao tcnica de um arquelogo sobre

    tal descoberta. Atendendo solicitao da ento

    superintendente da 2a SR/IPHAN, Sra. Elizabeth

    Nelo Soares, visitei, em novembro de 2000, o stio

    Pedra do ndio, com o objetivo de proceder a

    avaliao solicitada pela Fundecap.

    Este stio est localizado em terreno de

    propriedade do Sr. Joo lvares Rocha Rodrigues,

    conhecido como seu Divino. O acesso ao stio

    feito atravs da BR-156 que liga Macap cidade

    do Oiapoque.

    O stio Pedra do ndio apresenta um conjunto

    de gravuras rupestres dispersas em um mataco e

    em um extenso lajeiro arentico. Os temas observa-

    Fig. 3 Decalque feito por Chmyz e Sganzerla

    (1991) para as pinturas do Abrigo do Tracu.

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    Fig. 4 Decalque feito por Hilbert e Barreto (1988) para as pinturas da Gruta

    do Buraco do Laranjal.

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    Fig. 5 Decalque feito por Hilbert e Barreto (1988)

    para as pinturas da Gruta do Buraco do Laranjal.

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    PEREIRA E. Trs stios com arte rupestre no Amap, Brasil. Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia, So Paulo, 14: 367-

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    dos so, basicamente, grafismos puros (Fig. 6),

    entre os quais destacam-se os crculos, as espirais e

    as cruzes. Muitas dessas gravuras so de difcil

    visualizao devido camada de liquens que se

    formou na superfcie da rocha.

    A partir da visita que fiz a este stio, apresentei

    ao Iphan uma srie de recomendaes com vistas a

    salvaguardar a integridade do stio, que se encontra

    ameaado de destruio pela intemprie, por agentes

    biolgicos e, principalmente, pela ao humana.

    Algumas consideraes sobre os trs stios

    Localizao

    Os stios Gruta do Buraco do Laranjal e o

    Abrigo do Tracu parecem formar parte de um

    conjunto de abrigos situados em um extenso

    afloramento arentico cujo desabamento de lajes

    propiciou a formao de diversos abrigos, muitos

    deles favorveis moradia. Ao que parece, as

    pinturas existem em vrios desses abrigos, mas

    apenas nesses dois, at o momento, elas foram

    registradas.

    Tanto Hilbert e Barreto, quanto Chmyz e

    Sganzerla, afirmam ter visitado o mesmo stio

    descrito por Lima Guedes. No entanto, o fato de

    os p