trecho vida apos a morte

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Confira o trecho de Vida Após a Morte, lançamento de abril da editora Benvirá

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  • 1. Traduo Magda Lopes EXISTE VIDA MORTE APOS A THERESA CHEUNGDa mesma autora de Como ver seus anjos Depoimentos emocionantes sobre o que nos espera do outro lado

2. 11 1 O que aconteceria se...? O que aconteceria se voc dormisse? E o que aconteceria se, durante o sono, voc sonhasse? E se, em seu sonho, voc fosse at o cu e l colhesse uma bela flor? E se, quando acordasse, tivesse a flor em sua mo? E ento? Samuel Taylor Coleridge As duas ltimas dcadas da minha vida foram dedicadas a di- fundir que a vida aps a morte existe. No lamento um nico segundo desses anos todos e, embora tenham ocorrido muitos pontos de crise e momentos de grande medo e dvidas ao longo do caminho, no fundo sempre acreditei na existncia do cu. Acredito que os entes queridos nos observam do outro lado. Eles podem nos enviar mensagens e usar sinais sutis para nos tranquilizar e nos guiar. Tambm acredito que esta vida muito certamente no termina com a nossa existncia fsica. Ns continuamos. Na verdade no morremos, porque o cerne real da nossa existncia espiritual, no fsico. Minhas primeiras lembranas de criar um vnculo intenso e poderoso com a vida aps a morte ocorreram cerca de qua- renta anos atrs, com recordaes de minha tia-av Rose, uma mulher notvel, de fala suave e brilhantes olhos azuis. Eu era ainda muito pequena provavelmente tinha 6 ou 7 anos 3. quando comecei a ir s suas demonstraes semanais. Na poca eu gostava de ir porque isso significava que poderia ir para a cama mais tarde do que o habitual, mas tambm gos- tava das reunies porque era fascinante sentar no fundo da sala e observar os adultos. Eles geralmente ficavam zanzando pela sala, parecendo distantes, srios e formais, e ento minha tia-av comeava a falar, e eu os via se transformar brevemente em pessoas que me davam uma sensao agradvel e das quais eu poderia gostar. Sua expresso se tornava mais suave. Eles co- meavam a conversar uns com os outros, a sorrir ou at mesmo a chorar, e toda essa espontaneidade os fazia parecer mais bon- dosos, menos duros. Tambm me lembro claramente de que, quando os adultos entravam na sala no incio da sesso, nunca pareciam me notar, mas, quando a sesso terminava e eles se preparavam para se retirar, de repente tomavam conhecimento de minha presena. Eu me tornava importante. Eles sorriam ou piscavam para mim, ou at se aproximavam e conversavam comigo. Eu era algum que merecia receber ateno, e isso me proporcionava uma sensao maravilhosa. Infelizmente, no consigo me lembrar muito bem do que minha tia-av dizia nas reunies. Foi o impacto de suas pa- lavras sobre quem frequentava as reunies que me marcou mais. Entretanto, h algumas lembranas fortes ou eu deve- ria dizer instantneos luminosos? que perduraram e ficaram permanentemente gravadas em meu corao e em minha mente. Naquela poca elas no tinham nenhum sentido para mim e me faziam pensar que ser adulto era algo muito com- plicado; mas agora, revendo o passado com a ajuda de minhas prprias experincias de vida, consigo entender plenamente 4. por que certo senhor caiu no choro quando Rose lhe disse que seu pai em esprito estava orgulhoso dele, ou por que uma moa sorriu e chorou quando lhe foi dito que o seu beb agora estava dormindo em paz no cu. Rose no era a nica mdium em minha famlia. Minha av e minha me tambm nasceram com esse dom, e, en- quanto eu crescia, era normal conversar sobre perceber, sentir e se comunicar com espritos. Claro que houve momentos de desconforto como na ocasio em que minha me falou para um dos meus professores que sua falecida me sabia que ele era gay e que queria que ele soubesse que ela aceitava aquele fato , mas houve muito mais momentos maravilhosos. Ento, quando voc leva em conta que nasci em uma fam- lia de espiritualistas, provavelmente no nenhuma surpresa eu no ter dvidas sobre a existncia da vida aps a morte. Na verdade, talvez voc diga que sou tendenciosa e subjetiva em minhas crenas. Concordo inteiramente com voc nesse aspecto, mas s porque acredito que continuamos a viver aps a morte no quer dizer que voc tambm tenha de acreditar. Meu objetivo no convenc-lo de que o outro lado existe, mas simplesmente apresentar as evidncias que reuni durante os mais de 25 anos em que venho escrevendo e pesquisando sobre o mundo psquico para que voc possa decidir por si mesmo. Considero essas evidncias bastante convincentes, mas na verdade no importa o que eu penso ou em que acre- dito. O que importa mesmo o que voc pensa. No entanto, como este captulo inicial em grande parte sobre minhas prprias experincias com a vida aps a morte, trazendo as evidncias que eu mesma posso apresentar, ser til 5. neste momento voc saber que, apesar de ter sido criada em uma famlia de espiritualistas, demorei quase quatro longas d- cadas para realmente fazer contato pessoal com o mundo dos espritos e receber provas de que h vida aps a morte. Adoraria dizer que fui uma daquelas crianas que conse- guiam ver pessoas mortas, como o menino daquele fabuloso filme de 1999 com Bruce Willis, O sexto sentido, mas no fui. Posso ter assistido a reunies espirituais e observado minha tia-av e minha me fazer contato com o mundo dos espri- tos e transmitir mensagens emocionantes para uma audincia ansiosa, mas eu mesma no conseguia ver, ouvir nem sentir nada. Nunca sequer sonhei com espritos. Na verdade, fui uma criana completamente normal se que isso existe. Havia muitas evidncias de histrias contadas por pessoas que eu amava e em quem confiava, mas nenhuma comprovao vinda de mim mesma. Entretanto, a bem da verdade, essas evidncias eram mais do que suficientes para mim. Eu no conseguia ver, sentir ou ouvir os espritos e, por isso, simples- mente aceitava que no possua o dom, mas isso no era importante para mim. Eu aceitava que o cu resolvera no se comunicar diretamente comigo, mas isso no alterava a minha crena na vida aps a morte. Ainda acredito que o mundo dos espritos est todo minha volta. Afinal, desde muito cedo me foi ensinado que a verdadeira f consiste em acreditar sem necessidade de provas. Ento, em minha mente, eu no pre- cisava de comprovao. Achava que simplesmente sabia. In- conscientemente, posso at ter me sentido um pouco aliviada por no conseguir fazer contato direto, pois, embora o mundo dos espritos me fascinasse profunda e intensamente e fosse 6. a fora que dirigia a minha vida, uma parte de mim temia e no tinha nenhuma certeza se eu conseguiria lidar com ele. Como muitas pessoas atradas para o lado espiritual das coi- sas, eu me conformei com o papel de crente e observadora. No iria vivenciar diretamente aquele mundo, mas isso no me incomodava. Sem que eu pudesse imaginar, quando cheguei aos 33 anos meu ncleo de confiana e aceitao seria profundamente abalado. Nada jamais voltaria a ser igual. J contei essa hist- ria muitas vezes, mas torno a reviv-la cada vez que a relato e percebo que h algo novo que me inspira e me guia. O fato aconteceu h muitos anos, porm sempre parece recente e indito, como uma realidade constante e um ponto de refe- rncia para toda a minha vida, antes e depois. Os eventos profundamente espirituais so com frequncia difceis de des- crever em palavras, porque no h neste mundo um voca- bulrio que possa falar do que essencialmente no daqui, mas me esforcei ao mximo para lhe transmitir os detalhes essenciais. Espero que eles cheguem at voc. Sou eu Perto do final da dcada de 1990, quando estava morando e trabalhando nos Estados Unidos, fiquei a poucos segundos da morte. Estava atrasada para um compromisso e conduzia meu carro em direo a um cruzamento com trfego intenso, tentando virar esquerda. Sentia-me frustrada porque estava presa atrs de dois caminhes de entrega amarelos, imensos 7. e sujos, que andavam muito devagar. Para aumentar minha aflio, vi que ambos pretendiam tambm virar esquerda e, portanto, eu iria continuar atrs deles, andando a passo de tartaruga. Foi naquele momento que ouvi claramente a voz da minha me me dizendo para eu virar direita. A voz veio de dentro da minha cabea, mas soou como uma voz real. Minha me falecera havia muitos anos. A voz era to firme e clara que foi impossvel ignor-la, e, contrariando toda lgica pois virar direita me levaria para longe do local aonde eu precisava ir , virei direita. Mal sabia naquele momento que, se tivesse virado esquerda, como realmente preten- dia, teria certamente morrido em um acidente envolvendo um co sem dono, um caminho e vrios carros. O acidente matou trs pessoas, uma das quais teria sido eu, pois quem faleceu ali foi o motorista do carro que estava bem atrs de mim no cruzamento. Naquele momento, claro, eu no tinha nenhuma ideia da coliso iminente, e minha deciso irracional de virar di- reita me confundiu e depois me deixou furiosa, porque aquilo significava que eu teria de dar uma longa volta para chegar ao meu destino. Para piorar as coisas, como no consegui chegar l a tempo, terminei perdendo um compromisso importante. Mais tarde, porm, quando voltava para casa, minha con- fuso e minha raiva se transformaram em choque e horror quando o trnsito se tornou muito mais lento e pouco a pouco fui me aproximando da cena de um terrvel acidente. Naquele entroncamento, o caminho que estava minha frente tinha guinado para fora da pista. Vrios carros era difcil dizer quantos, em meio ao caos haviam batido no caminho e 8. uns nos outros. O carro que estava atrs dele que teria sido o meu estava totalmente irreconhecvel, e os outros dois que vinham a seguir estavam destrudos. H quatro anos eu ansiava por algum sinal ou contato de minha me, mas sempre achei que isso ocorreria em circuns- tncias belas e edificantes no nesse cenrio de tragdia e horror. claro que a minha primeira reao foi um sentimento de jbilo. Dizendo-me para virar direita, a voz da minha me tinha salvado a minha vida. Eu jamais havia esperado receber esse tipo de prova de que existe vida aps a morte, mas ali es- tava ela. No entanto, naquela noite, quando vi na TV as ima- gens do acidente, aquel