transformacao do eb

Click here to load reader

Post on 01-Jul-2015

90 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

2 EDIO

2

APRESENTAO

Por meio deste documento, o Estado-Maior do Exrcito (EME) pretende dar partida ao "Processo de Transformao do Exrcito". As concepes nele contidas so o resultado dos estudos, diagnsticos, formulaes e concepes surgidas no EME ao longo dos trabalhos relativos Estratgia Nacional de Defesa, elaborao da Estratgia Brao Forte e ao planejamento do SIPLEX 2011/2014. Foram colhidos subsdios em um amplo conjunto de fontes: militares da ativa e da reserva, oficiais de naes amigas, civis e especialistas em diversos setores. Experincias anteriores foram estudadas, no Brasil e no exterior, colhidas em muitas horas de estudos, pesquisas, palestras, brainstorm, painis, debates e seminrios. Contou ainda com a contribuio espontnea de um grande nmero de oficiais de vrias Organizaes Militares (OM) e da Reserva Remunerada. O presente volume inclui trs captulos. O primeiro, "Transformao Militar conceituao e his"Transformao Militar: trico", trico" tem um carter essencialmente informativo. Traz por objetivo difundir conceitos e uniformizar as percepes. Apresenta estudo de casos e relata as transformaes empreendidas pelo Exrcito Brasileiro (EB) nas dcadas de 1970 e 1980. O Captulo II: Por que transformar o Exrcito no tem Exrcito, 3

a pretenso de constituir-se em um diagnstico da Fora, at por no ser fruto da aplicao de metodologias cientficas. Apresentanos, contudo, um pano de fundo sobre o patamar em que se encontra o Exrcito, em termos relativos, considerando os avanos por que passam as Foras Armadas estrangeiras, a Marinha e a Fora Area Brasileiras, bem como os nveis de conhecimento encontrados em diversos setores da sociedade civil. Busca parmetros em eventos recentes por que passou o Exrcito e termina apresentando uma proposta de embasamento poltico-estratgico, como orientao para a trajetria de evoluo. Por ltimo, no Captulo III: Como transformar o Exrcito, Transformao ransformao, to so apresentados os Vetores de Transformao eixos que orientaro todas as aes relativas ao Processo de Transformao. Os seis Vetores propostos so na verdade o desdobramento de trs reas bsicas: doutrina, recursos humanos e gesto, em cujo mbito ocorrero as mudanas. A operacionalizao das atividades ser regulada em Diretriz a ser expedida pelo EME, devendo a reunio n 268 do Alto Comando do Exrcito (ACE) de 20 e 21 de Maio marcar formalmente o desencadeamento do processo. H que se considerar, contudo, que as atividades esto apenas em seu incio e ser principalmente por intermdio da liderana e do engajamento de todos os setores do Exrcito que os trabalhos obtero a profundidade e a amplitude indispensveis obteno do xito e concretizao dos objetivos traados. Braslia, 10 de maio de 2010

Gen Ex FERNANDO SRGIO GALVO Chefe do Estado-Maior do Exrcito

4

SUMRIOIntroduo Transformao Captulo I - Transformao Militar: conceituao e histrico Transformao Militar, o que ..........................................10 Adaptao, Modernizao e Transformao ......................10 Aplicao desses Conceitos no EB ...................................11 A Evoluo do Exrcito .....................................................11 A Transformao do EB no Perodo 1964 - 1984 ..............11 Estudo de Caso: ..............................................................13 A Transformao dos Exrcitos da Espanha e do Chile Por Captulo II - Por que transformar o Exrcito Lies do Haiti .................................................................18 A Questo da Relevncia .................................................19 A Questo Oramentria .................................................20 A Estratgia Nacional de Defesa ......................................21 A Estratgia Brao Forte ...................................................21 O SISFRON .....................................................................23 Reflexos da Estratgia Brao Forte ....................................24 Capacidades Necessrias ao EB de 2030 .........................26 Captulo III - Como transformar o Exrcito Os Vetores de Transformao .............................................30 1 Vetor: Doutrina ...........................................................31 2 Vetor: Preparo e Emprego ...........................................32 3 Vetor: Educao e Cultura ...........................................34 4 Vetor: Gesto de Recursos Humanos ..........................37 5 Vetor: Gesto Corrente e Estratgica ...........................38 6 Vetor: C&T e Modernizao do Material .....................39 7 Vetor: Logatica ............................................................41 Concluso Glossrio 5

6

INTRODUO

A economia mundial adquiriu dinamismo sem precedentes com o apoio das inovaes tecnolgicas, principalmente na rea da informtica, ao mesmo tempo em que demonstrou ter incorporado novos elementos de incerteza e instabilidade. A revoluo tecnolgica em andamento, impulsionada pelos avanos nas reas espacial, nuclear, da biotecnologia, nanotecnologia e robtica, provoca a acelerao dessa dinmica e o acesso facilitado tecnologia fez com que as ameaas paz e segurana internacionais adquirissem carter mais contundente. Rrecentes previses de analistas mostram o Brasil na posio de 5 economia mundial j durante a dcada que se inicia. At l, o Pas poder estar desfrutando, tambm, da condio de membro permanente no Conselho de Segurana da Organizao das Naes Unidas. Ter, portanto, alcanado o patamar dos atores globais de primeira linha. Diante desse quadro, a questo que naturalmente sobrevm est em sabermos se o Exrcito est em condies de desenvolver as capacidades necessrias para que o Pas possa fazer valer suas decises, respaldar a poltica exterior e atuar de maneira afirmativa em suas reas de interesse estratgico. E mais, seremos capazes de projetar foras com prontido e mant-las por prazos indefinidos, sustentando as capacidades que lhes assegurem o xito no cumprimento das misses? Se for verdadeira a percepo generalizada de que so necessrias mudanas em nossas concepes estratgicas, doutrinrias, tecnolgicas e de gesto, quais seriam elas exatamente?

7

Por geraes sucessivas, temos atribudo a agentes externos Fora a responsabilidade pelas dificuldades que nos afligem persistentemente. Mas foroso admitir que as ltimas mudanas qualitativas de vulto realizadas por nossa iniciativa ocorreram nas dcadas de setenta e oitenta. A questo est em definir em que medida a situao atual decorre tambm da nossa dificuldade para elaborar e executar estratgias capazes de superar os bices advindos da conjuntura oramentria desfavorvel e de projetar o Exrcito para o futuro. Novamente: se isso for verdade, a Nao ter o dever de questionar se temos as capacidades necessrias para fazer face a uma contingncia e, mais ainda, se so elas compatveis com as do Exrcito de um pas que busca tornar-se relevante na cena internacional.

8

CAPTULO I

TRANSFORMAO MILITAR: CONCEITUAO E HISTRICO

"Hoje as mudanas so to rpidas que a adaptao, modernizao ou transformao das foras armadas dever ser uma atividade permanente e no resultante de planos adotados periodicamente." (Brigadeiro Covarrubias - Exrcito do CHILE). . 9

TRANSFORMAO MILITAR, O QUE O conceito de transformao surgiu na dcada de 1970, a partir da discusso sobre Evoluo em Assuntos Militares (EAM) e Revoluo em Assuntos Militares (RAM), combinando dinmica do progresso gradual com a necessidade de periodicamente se romper paradigmas na busca da plena capacidade de superar oponentes e cumprir misses. Com o surgimento das novas tecnologias relacionadas ao processamento e transmisso de dados, robtica e aos sistemas de armas, firmou-se a tendncia de sistematizar as aes necessrias para o aproveitamento militar dessas vantagens potenciais, por intermdio do processo de transformao. Tecnologia da informao, ciberntica, capacidades espacial e nuclear, nanotecnologia, robtica, C4ISR, biotecnologia, so alguns dos parmetros com os quais as foras militares esto se deparando nos conflitos atuais e nos visualizados para o futuro.

ADAPTAO, MODERNIZAO E TRANSFORMAOO significado da ao de "transformar" foi discutido em artigo publicado na edio brasileira da Military Review, de novembro-dezembro de 2007, intitulado "Trs Pilares de uma Transformao Militar", de autoria do Brigadeiro Covarrubias, do Exrcito do Chile. Afirma o autor que as instituies militares podem ser submetidas a trs tipos de mudanas: adaptao, modernizao e transformao. "A adaptao consiste em ajustar as estruturas existentes para continuar cumprindo as tarefas previstas; a modernizao corresponde otimizao das capacidades para cumprir a misso da melhor forma; e transformao o desenvolvimento das novas capacidades para cumprir novas misses ou desempenhar novas funes em combate." Verifica-se que a modernizao incide sobre as estruturas fsicas da Fora, trazendo-a do passado para o presente; j a transformao altera as concepes, projetando a Fora para o futuro. Prossegue o autor, apresentando os "pontos que marcam uma transformao": transio da estrutura de paz para a de guerra; compresso operativa, que significa diminuir o ciclo que vai do planejamento at a execuo; interoperabilidade, em relao a outras foras, pases e agncias; desenvolvimento dos sistemas de armas; e gesto da informao.

APLICAO DESSES CONCEITOS NO EBEm nosso Exrcito, a continuada carncia de recursos imps o surgimento de uma cultura que atribui alta relevncia capacidade de adaptao, para ajustar as estruturas e procedimentos existentes, com a finalidade de continuar cumprindo as tarefas previstas.

10

Na tentativa de amenizar essa situao, uma das aspiraes legtimas da Fora, comum a todos os nveis decisrios, tornou-se a busca pela modernizao, para otimizar as capacidades operacionais com base em novos equipamentos e procedimentos. Contudo, no cenrio atualmente vivido pelo Exrcito, e para o futuro prximo, a adaptao e a