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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAR INSTITUTO DE TECNOLOGIA FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

ANA BEATRIZ SOARES DA SILVA ELIAS SOARES CARVALHO FERNANDA DE MIRANDA AMORIM

CONHECIMENTO CIENTFICO

BELM 2013

ANA BEATRIZ SOARES DA SILVA ELIAS SOARES CARVALHO FERNANDA MIRANDA DE AMORIM

CONHECIMENTO CIENTFICO

Trabalho avaliativo apresentado a ( o ) Professor ( a ) Ceclia Basile da disciplina Introduo ao Conhecimento Cientfico da Universidade Federal do Par.

BELM 2013

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Sumrio Contextualizao histrica ..................................................................................................... 4 Conceituao........................................................................................................................ 14 Caractersticas ...................................................................................................................... 28 Relao com o conhecimento tecnolgico ......................................................................... 34 Relao com a Arquitetura .................................................................................................. 36 Concluso ............................................................................................................................. 37 Referncias ........................................................................................................................... 38

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CONTEXTUALIZAO HISTRICA No existe uma nica concepo de cincia. Podemos dividi-la em perodos histricos, cada um com modelos e paradigmas tericos, diferentes a respeito da concepo de mundo, de cincia e de mtodo. O que era conhecimento verdadeiro para o sbio da Antiguidade, j no o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do sculo XVIII pode j no o ser para o cientista em nossos dias. Assim, diz-se tambm que a cincia falvel, ou seja, pode ser exata apenas para determinado perodo. O conceito cientfico que o homem tem do mundo cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas est ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histrico da cincia, lgico pressupor que o cientista do final do sculo XXI dispor de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje. Podemos dividir em quatro fases: a cincia primitiva, a cincia grega, que abrange o perodo que vai do sculo VIII a.C. at o final do sculo XVI, a cincia moderna, do sculo XVII at o incio do sculo XX, e a cincia contempornea que surge no incio deste sculo at nossos dias. Cincia Primitiva

1.

Os homens denominados primitivos viviam sob a ameaa das foras da natureza (tempestades, raios troves, animais ferozes) e carentes de recursos (alimento, vesturio, etc...). Mediante essas condies e tomados de sentimento de medo, impotncia e terror chegaram ao seguinte dilema: Desenvolver poder sobre as foras naturais ou submeter-se a elas. Assim nasce a cincia: compreender para controlar, ter poder. Surge, portanto de determinada necessidade e servindo a algum interesse.

2.

Cincia Grega (Sculo VII AC at final do sculo XVI)

Conhecida como filosofia da natureza tinha como preocupao a busca do saber a compreenso da natureza das coisas e do homem. Conhecimento este desenvolvido pela filosofia, que hoje distinta da cincia. Os pr-socrticos comearam a substituir a concepo do mundo catico concebido pela mitologia, na qual os fenmenos ocorriam devido a foras espirituais e sobrenaturais (Deuses), pela ideia do cosmos de que existe uma ordem natural no universo no influenciado pelos Deuses. O mtodo usado pelos filsofos o da especulao racional: O que so, de que so feitas, como so feitas e de onde vm as coisas que so percebidas? Por julgar que a experincia - que utiliza o testemunho dos sentidos - fonte de erros, preocuparam-se em elaborar teorias racionais. Segundo eles, os princpios ordenadores

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da natureza das coisas, por estarem debaixo das aparncias, no podiam ser percebidos pelos sentidos, mas apenas pela inteligncia. Cabia inteligncia a tarefa de elaborao e esclarecimento da possvel ordem que havia por trs da aparente desordem dos fenmenos sensveis e perceptveis. So duas as principais correntes do pensamento grego: Abordagem Platnica e Abordagem Aristotlica. A abordagem platnica:

Plato estabeleceu uma distino entre a "doxa" (opinio) e a "episteme" (cincia). Ele dizia que uma pessoa comum, no educada para a cincia, ficava limitada em seus conhecimentos por suas percepes sensoriais e suas paixes. Pois aquilo que os sentidos percebem muitas vezes no corresponde realidade, pode ser somente uma iluso criada pela forma de olhar. J o filsofo aquele que poderia atingir o verdadeiro conhecimento, que seria a cincia, pois aprende a lidar com o mundo das ideias. Para Plato, o conhecimento da verdade seria um conhecimento perfeito e, por isso, imutvel. Uma vez atingida a verdade, ela valeria para todo o sempre. Plato preocupa-se em utilizar a razo para descobrir, em um mundo de aparncias e em constante mudana, aquilo que pertence ao mundo perfeito e imutvel das ideias. Para ele o real no est na experincia adquirida (empiria), e nos fatos e fenmenos adquiridos pelos sentidos. Para ele o verdadeiro mundo o que est nas ideias, que contm os modelos e as essncias de como as aparncias devem se estruturar, e o que nos fornece o que so as coisas a inteligncia conseguida atravs da busca da verdade com o dilogo, ou lgica desenvolvida por teses. Nesta interpretao, de desvalorizao dos sentidos, a percepo sensorial apenas tem a funo de confundir, de proporcionar as sombras da realidade.

Figura 1 - Conhecimento para Plato, como crena verdadeira e justificada.

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A abordagem aristotlica:

J o modelo aristotlico prope uma cincia (episteme) que produz um conhecimento que pretende ser um fiel espelho da realidade, por estar sustentado no observvel e pelo carter de necessidade e universalidade. Desenvolve um conhecimento da essncia das causas, respondendo s perguntas O que ? E porque ? Para Aristteles, a cincia produto de elaborao do entendimento em ntima colaborao com a experincia sensvel. No primeiro momento, devia-se iniciar pelo que vinha em primeiro lugar no conhecimento, que seriam os fatos percebidos pelos sentidos (nada introduzido no intelecto sem antes passar pelos sentidos) e, depois agrupar as observaes, pelo processo de induo, em uma generalizao que proporcionasse a forma universal, isto a substncia, a identidade inteligvel e real que permaneceria independente das mudanas. Na cincia grega no h destaque ao processo de descoberta. Havia um processo de demonstrao, de justificao dos princpios universais. Conhecimento cientfico era o demonstrado como certo e necessrio atravs de argumentos lgicos. A cincia grega era uma cincia do discurso, em que no havia o tratamento do problema que desencadeia a investigao, e sim a demonstrao da verdade no plano sinttico. Sob esse enfoque que nasceram e se desenvolveram a fsica, a biologia, a aritmtica, a metafsica, a esttica, a poltica, a lgica, a cosmologia, a antropologia, a medicina e tantas outras cincias.

3.

Cincia Moderna (Sculo XVII at incio do sculo XX)

Na Europa dos sculos XVI, XVII e XVIII acontecia uma grande mudana social e poltica, uma revoluo, que tinha como principal causa o desenvolvimento de uma nova classe social, a burguesia. Os burgueses se opunham aos interesses da aristocracia, e desejavam governar-se independentes do poder dos reis e de seus herdeiros. Os reis absolutistas caem, na Inglaterra, em 1688; e em 1789, na Frana, com a revoluo francesa. O sculo XVIII fica conhecido como o Sculo das Luzes. O Iluminismo propaga uma viso de mundo na qual os seres humanos no dependem mais do desgnio da divina providncia, mas devem traar seus prprios destinos, tendo o conhecimento cientfico como ferramenta. Durante o sculo XIX, a cincia passa por um enorme desenvolvimento. A Fsica, a Biologia, a Geologia e a Astronomia passaram a apresentar descobertas e teorias cada vez mais surpreendentes. O uso do microscpio e do telescpio possibilitou novas e revolucionrias descobertas, como os seres vivos microscpicos e suas relaes com a sade

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humana, e os novos corpos celestes como as nebulosas e os planetas Urano e Netuno, invisveis a olho nu. No sculo XVII, durante o Renascimento a chamada revoluo cientfica moderna introduz a experimentao cientfica, modificando radicalmente a compreenso e concepo terica do mundo, da cincia, conhecimento e mtodo. A Partir do sculo XIII, por influncia do uso da matemtica, da observao e da experimentao na tecnologia latente na Idade Mdia, e a exigncia de mtodos precisos de investigao e explicao no campo das cincias naturais conduziu tentativa de uso de mtodos matemticos e experimentais. Opondo-se cincia grega e ao dogmatismo religioso que imperava na poca, os renascentistas, principalmente Galileu (1564-1642) e Bacon (1561-1626), rejeitaram o modelo aristotlico. Bacon props a necessidade de se inventar um novo instrumento, um mtodo de investigao. Para isso seriam necessrias a observao sistemtica e a experincia dos fenmenos e fatos naturais. Cabia experincia confirmar a verdade. Defendia, portanto, o mtodo emprico para a obteno do conhecimento cientfico e props o mtodo indutivo como forma de se chegar a novas teorias. Mas no na forma entendida por Aristteles, como a enumerao simples da observao de diversos casos e da criao de uma regra geral com base nesses casos. Para Aristteles, por exemplo, se forem observadas diversas araras e todas elas forem vermelhas, podemos chegar concluso por induo de que todas as araras so vermelhas. Para Bacon a coleta simples de informaes como as das araras podem nos levar ao erro, pois a informao seguinte pode ser o conhecimento de uma arara azul. Sua reflexo filosfica busca um mtodo para o conhecimento da natur