TORRÃO DO ALENTEJO: Arqueologia, História e Património ... ?· TORRÃO DO ALENTEJO: Arqueologia,…

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  • TORRO DO ALENTEJO: Arqueologia, Histria e Patrim nio Volume 2

    Coleco - Elementos para a Histria do Municpio de Alccer do Sal, n 4 http://www.cm-

    alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx

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  • TORRO DO ALENTEJO: Arqueologia, Histria e Patrim nio Volume 2

    Coleco - Elementos para a Histria do Municpio de Alccer do Sal, n 4 http://www.cm-

    alcacerdosal.pt/PT/Actualidade/Publicacoes/Paginas/EstudosdoGabinetedeArqueologia.aspx

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    Torro do Alentejo:

    Arqueologia, Histria e Patrimnio

    Volume 2

    Antnio Rafael Carvalho

    Edio Conjunta (on-Line)

    Junta de Freguesia do Torro

    Cmara Municipal de Alccer do Sal

    Alccer do Sal, 2009

  • TORRO DO ALENTEJO: Arqueologia, Histria e Patrim nio Volume 2

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    FICHA TCNICA

    Torro do Alentejo: Arqueologia, Histria e Patrimnio

    Volume 2

    Edio Conjunta (on-Line) Junta de Freguesia do Torro

    Cmara Municipal de Alccer do Sal

    Edio, 2009.

    Autor Antnio Rafael Carvalho

    Memrias Paroquiais de 1758, referentes ao Municpio de Alccer do Sal Transcrio de:

    Carla Macedo

    Composio Antnio Rafael Carvalho

    Fotos Antnio Rafael Carvalho

    Mrio Perna

    Fotos Antigas do Torro IGESPAR (Arquivo da ex- DGEMN)

    Design da Capa Clia Alexandre

    Cartografia Elaborada sobre bases digitais fornecidas por:

    Joo Pires (CMAS) Google Earth 2009

    Earth Explorer 5.0, da Motherplanet.com http://www.maps-for-free.com/ sobre base do Google Maps 2009

    Desenhos Antnio Rafael Carvalho

    (O livro teve que ser dividido em vrios volumes, de forma a poder ser inserido em formato digital no site

    do Municpio de Alccer do Sal)

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    ndice:

    Captulo 4

    in urru/Torro Aspectos da Presena Islmica no Mdio Sado

    1. A Primeira Fase.6 2. A Regio nos Sculos XII-XIII:..9

    2.1. Aspectos Gerais.9 2.2. A Anlise do Documento Rgio de D. Sancho I, a favor da Ordem de Santiago11

    2.2.1 Comentrio:12

    3. O Torro, em contexto Islmico Tardio15 3.1. As Etapas Finais da Presena Militar Islmica na Regio (1159-1233): Uma

    sntese Diacrnica..15 3.1.1. Nota Prvia...15 3.1.2. (I Fase) Autonomia Politica de Alccer e o assassinato do seu Soberano

    Al al-Wahb pelas Elites Locais (1159-1165).15 3.1.3 (II Fase). A transformao do in urru/Torro em Rib-Mualla

    Muwad frente a vora e Alccer (1184-1191)..16 3.1.4. (III Fase). Transformao de Alccer, em Qar-al-Fat e delegao da

    chefia do aghr al-Qar aos Ban Wazr. (1191-1212)..16 3.1.5. (IV Fase). A Obedincia Nominal dos Ban Wazr ao soberano

    Almada. (1212-1217)17 3.1.6 (V Fase). A resistncia Islmica no in urru/Torro, entre 1217 e

    1233 (?): Provvel ascenso a sede militar de mbito regional, frente aos portugueses instalados em Alccer e vora..18

    4. A Prtica da ihd no Torro.19

    Captulo 5.

    O Torro: Aps a Conquista Crist de 1233 (!)

    1. A Investigao da Historia Local em Contexto Espatrio: Limites e Objectivos20 2. O Desempenho dos Cavaleiros de Alccer na regio: Os seus reflexos no Torro entre 1218 e 1237..20

    2.1. Enquadramento Geral..20 2.2. A Insero Definitiva do Torro no Reino de Portugal: 1233 (!).23 2.3. O papel do Torro na apropriao do Territrio Islmico envolvente:..27

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    Captulo 6.

    Monumentos da rea Urbana do Torro: 1. Nota prvia..29 2. Imagens da Regio e da Vila do Torro, nos finais do sculo XIX e incios do XX.29

    2.1. Segundo Leite de Vasconcelos (1889)...29 2.2. Um passeio botnico ao Torro (publicado em 1902).31 2.3. Carta do Torro, publicado no Jornal Pedro Nunes de Alccer do sal, a 6 de Junho

    de 1908..32 3. Monumentos da rea Urbana33 4. Roteiro do Patrimnio..33

    4.1. Patrimnio Arqueolgico.33 5.1.1. O Castelo do Torro...33

    4.2. O Patrimnio Religioso.34 4.2.1. Igreja de Nossa Senhora da Assuno (Antiga Igreja Matriz de Santa

    Maria do Torro) .35 4.2.2. Nossa Sr da Albergaria......................................................36 4.2.3. Igreja do Carmo..37 4.2.4. Convento das Freiras Clarissas..37

    1. Introduo.37 2. Breve Nota Histrica sobre a Origem do Convento38 3. Breves Apontamentos Bibliogrficos: Anexo documental..40

    3.1. Nota Prvia: .40 3.2. As Freiras40

    4.2.5. Convento de S. Francisco.45 4.2.6. Ermidas da Freguesia do Torro45

    4.2.6.1. O papel das Ermidas no Espao rural do Torro..45 4.2.6.2. Ermida de S. Joo dos Azinhais.46 4.2.6.3. Ermida de S Fausto.47 4.2.6.4. Ermida de N S do Bom Sucesso47 4.2.6.5. Ermida de S. Joo Nepumoceno50

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    Captulo 4

    in urru/Torro Aspectos da Presena Islmica no Mdio Sado

    1. A Primeira Fase.

    O topnimo urru, usado em contexto islmico para o actual Torro, corresponde a uma adaptao fontica da palavra latina Turres, que no decurso da Antiguidade Tardia, sinnimo de villa romana.

    Como j foi anteriormente exposto, este topnimo latino seria atribudo colina onde vai ser edificado um castelo em contexto islmico.

    Trata-se de um topnimo bastante comum no al-Andalus e de difcil interpretao, porque est sujeita a vrias leituras.

    Na sequncia do que temos vindo a expor ultimamente, defendemos a hiptese de este turrus corresponder a uma ocupao tardo romana de vocao agrcola e que tambm daria apoio via romana, antes de esta atravessar a ponte do Xarrama.

    Tendo em conta a escassez de ocupao romana dentro da rea urbana do Torro, o melhor candidato a Turrus, poder ser a villa romana existente na rea da Fonte Santa, no qual o Penedo Minhoto, localizado a algumas centenas de metros, poderia corresponder sua necrpole!

    O perodo islmico no Torro, continua a ser um captulo ainda por escrever. Os nicos dados disponveis, permitem uma leitura para a fase final do sculo

    VII, ainda em contexto Visigtico, nas vsperas da conquista islmica. Nos sculos seguintes reina o silncio documental; e s a partir do sculo XII, voltamos a ter alguns elementos, coincidindo estes com a afirmao do poder Almada neste territrio, em disputa com o Reino de Portugal.

    As reservas do museu municipal de Alccer possuem um fragmento de cermica a torno lento e de pastas locais proveniente do Castelo do Torro.

    Apesar de se tratar de uma cermica descontextualizada e aparentemente nica at ao momento, corresponde a uma forma aberta que apresenta paralelos com formas coevas exumadas em contextos emirais de Alccer do Sal e Palmela.1

    Apesar deste indcio importante, a realidade que entre o ano 700 e 1184, o silncio documental parece ser quase total, o que permite sugerir o seguinte cenrio:

    1 As maiores diferenas encontradas na cermica do Torro, corresponde pasta, sugerindo um fabrico local, onde patente elementos no plsticos de gro mdio e grosseiro tpico das areias locais resultantes da eroso do substrato rochoso do Paleozico. Os parelelos identificados em Alccer do Sal (indito) e Palmela, correspondem a formas abertas similares, contudo paresentam uma menor espessura de parede e de capacidade interna. As pastas tambm so diferentes, utilizando as areias da bacia Terciria do Sado.

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    - Defendemos a hiptese de que ter existido uma presena humana neste

    espao, desde o incio do perodo islmico, sculo VIII, em moldes e ritmos de apropriao do territrio que nos escapam.

    Admitimos que o Torro ter sido, no Perodo Romano e durante a Islamizao,

    o centro administrativo deste territrio, contudo so necessrios mais elementos de anlise, para alm do topnimo e de uma ponte romana, que no deixou indiferentes as comunidades que ao longo dos sculos, por aqui ficaram.

    S em contexto medieval portugus, por volta de 1249, que a Vila do Torro emerge da documentao, como sede de municpio, emancipado de Alccer, aps atribuio de uma Carta de Foral, que entretanto desapareceu.2.

    Trata-se de uma situao similar com o que se passou com Santiago do Cacm. Em ambos os casos, estamos perante um padro que no nos parece ser

    coincidncia, mas antes, ser resultado de uma linha de aco por parte da Ordem de Santiago, que necessita de ser aprofundado, que escapa dos objectivos deste livro; mas que pode ser equacionado deste modo:

    - At que ponto, a ausncia de documentao j anteriormente referida, traduz

    ou no, ausncia de povoamento ou vazio administrativo. A nvel regional, exemplos no nos faltam; podemos mencionar a ttulo de

    exemplo, o caso paradigmtico de Palmela3, assim como Montemor-o-Novo em contexto Almada.4

    Pelo exposto, torna-se claro que fundamental analisar toda a documentao disponvel, associada a um conhecimento adequado do territrio em estudo, porque felizmente a anlise arqueolgica no se resume unicamente a fragmentos de cermicas ou de estruturas!

    Perante o exposto, parece-nos claro que o estudo da presena islmica no Torro, ter que seguir uma metodologia semelhante.

    Em termos geogrficos, o Torro localiza-se quase a meio caminho entre trs cidades importantes do Garb al-Andalus:

    - Al-Qasr/Alccer, vora e Beja. O acesso a estas medinas, ou entre elas, s podia ser efectuado por via

    terrestre. Este facto incentivava uma permanncia humana no Torro, para apoio

    virio e servir os interesses polticos das medinas vizinhas. Segundo as fontes, o poder instalado nas principais urbes do Garb no olhava

    com simpatia os nmadas, islamizados ou talvez no, que deambulavam por esta regio e que depreciativamente eram apelidados de berberes.

    2 Segundo a tradio, ter sido atribudo por um Mestre da Ordem de Santiago. 3 O castelo s referido nas fontes muulmanas e portuguesas em meados do sculo XII, contudo as escavaes arqueolgicas no seu interior, demonstraram a sua existncia, desde meados do sculo VIII. Pensamos que num quadro semelhante a este, que devemos olhar para o Torro. 4 Pela leitura do territrio avanamos em 2000, no I Encontro Internacional sobre Castelos/Palmela, que os castelos de Palmela e Montemor-o-Novo teriam que ter guarnies almadas para apoiar a base militar instalada em Alccer. Na altura em que apresentamos esta hiptese, no existia nenhuma documentao arqueolgica que fundamentasse essa leitura, por isso tivemos que nos apoiar na leitura do territrio, em sintonia com algumas fontes que nos falam da postura militar islmica. S em 2003/4 que apareceram as primeiras cermicas almadas nesses dois castelos, confirmando as hipteses anteriormente formuladas.

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    Sobre esta questo interessante analisar o relato que chegou at ns do ataque de Ordonho a vora, onde a dado passo referido a preocupao por parte da elite poltica de Badajoz, sobre uma medina de vora em runas, mas que poderia vir a ser ocupada por bandos de berberes ostis, que regularmente circulam pelo Alentejo.

    Outro dado interessante que nos parece interessante constatar, o aparente desinteresse dos Banu Danis instalados em Alccer, em anexar vora, quando esta ficou despovoada.

    A iniciativa de recuperar vora, coube unicamente ao soberano de Badajoz, que deste modo pode instalar um aliado nesta cidade e reforar a aliana que tinham com os alcacerenses.

    Aps uma fase aparentemente estvel durante o Perodo Califal, ao longo do sculo X, nos incios do sculo XI, esta regio regressou novamente instabilidade poltica, que ir afectar gravementea estrutura econmica e demogrfica de toda esta rea.

    Nesta fase, o Torro localizava-se na linha de fronteira que foi estabelecida entre os dois reinos de Taifas mais importantes do Garb; - Sevilha e Badajoz.

    Os vrios autores muulmanos que laconicamente referem esta zona, so unnimes em frisarem a enorme insegurana que ento se vivia.

    Segundo Ibn Idari5 (p. 1667-168) Conflitos de los primeiros aftases: En el 421/1030 hubo conflictos y guerras entre Ismail bn di-l-Wizaratayn Abi-l-

    Qasim el qadi con Ibn al-Aftas. El sevillano pidi ayuda a Ibn Abd Allah al-Birzali,

    5 Citado por Prez Alvarez, 1992, Fuentes rabes de Extremadura, p. 166-170. Mantivemos o texto original em espanhol.

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    sahid de Carmona, centro de la fitna, y este cerco a Ibn al-Aftas en Baya (Beja), le mato a muchos hombres e hizo prisionero al hijo de Ibn al-Aftas y lo encarcel. Lleg esta algaza de Ibn al-Aftas hasta el limite... 6

    (p. 169) Y de las cosas sabidas de memoria est que al-Mutadid continu la

    guerra con Ibn al-Aftas en los meses del ao 442/1050-51 y que conquisto gran nmero de castillos que uni a su amal, los fortifico con sus hombres; destruy sus amplas edificaciones, arraso sus cosechas y arrebato su ganado. No fue capaz al-Muzaffar de defenderse un solo palmo y se refugio en Badajoz, de donde no sali ni un solo caballero. Al quejarse de su situacin a sus aliados no encontro ningn partidrio ni defensor. Cuando concluy al-Mutadid el sometimiento de su territrio, decidi volver a Sevilla en sawwal de ese ao.7

    provvel que a estabilidade s chegue de uma forma clara aps 1094, quando os Almorvidas anexam a Taifa Aftssida de Badajoz ao seu imprio e criam uma regio administrativa de fronteira denominada al-Qasr, com sede em Alccer do Sal.

    Os perodos de paz em termos documentais, coincidem quase sempre com vazios de informao, dado que a quase totalidade dos relatos conhecidos s descrevem actos blicos.

    Mais uma vez, a regio do Torro regressa ao seu longo silncio.

    2. A Regio nos Sculos XII-XIII: 2.1. Aspectos Gerais.

    Aps 1145, o Emirato Almorvida em crise, entra em colapso e acelera o desvio de tropas para o Magreb onde luta pela sua sobrevivncia fase revolta Almada.

    No al-Andalus, perante um vazio da autoridade Almorvida e o emergir de movimentos de natureza sufista, eclodem vrias revoltas cujos reflexos tero chegado a esta regio.

    O vazio de valores e de legalidade de natureza poltica, criam gradua...