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  • TTULO: POLUIO DO AR E ATENDIMENTOS DE EMERGNCIA POR HIPERTENSO ARTERIAL EMSO CAETANO DO SULTTULO:

    CATEGORIA: CONCLUDOCATEGORIA:

    REA: CINCIAS BIOLGICAS E SADEREA:

    SUBREA: ENFERMAGEMSUBREA:

    INSTITUIO: UNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SO CAETANO DO SULINSTITUIO:

    AUTOR(ES): ELAINE REGINA MORETTOAUTOR(ES):

    ORIENTADOR(ES): BRIGITTE RIECKMANN MARTINS DOS SANTOSORIENTADOR(ES):

    COLABORADOR(ES): ALFSIO LUIS FERREIRA BRAGA, BRIGITTE RIECKMANN MARTINS DOSSANTOS, CICERA CRISTINA VIDAL ARAGO, JOSSIELEN BOTARELLICOLABORADOR(ES):

  • 1

    Resumo:

    Introduo: A poluio atmosfrica nos centros urbanos est

    predominantemente ligada s emisses realizadas pelos veculos automotores.

    Nas cidades onde ainda existe um parque industrial dentro ou prximo das

    reas residncias soma-se uma fonte adicional de emisso de poluentes.

    Polticas pblicas, tais como, melhoria de tecnologia embarcada, inspeo

    veicular, incentivo ao transporte coletivo mais limpo, tem buscado reduzir as

    emisses de poluentes atmosfricos e, portanto, reduzir o risco do

    aparecimento ou manifestao de doenas nos perodos mais poludos. So

    Caetano do Sul, cidade da Regio Metropolitana de So Paulo tem frota

    prpria de veculos, rota de passagem entre as demais cidades da regio e

    possui parque industrial ativo. Objetivos: estimar os efeitos da variao diria

    na concentrao dos poluentes atmosfricos e das condies meteorolgicas

    nos atendimentos de emergncia por hipertenso. Mtodos: o nmero dirio

    de atendimentos por hipertenso arterial de pessoas com 15 anos ou mais

    atendidas no Pronto-Socorro municipal da cidade, responsvel pelo

    atendimento de todos os casos dos pacientes que usam o Sistema nico de

    Sade foi includo como varivel dependente em modelos lineares

    generalizados de regresso de Poisson tendo os poluentes atmosfricos

    (valores dirios, mdias mveis e polinmios de terceiro grau) como variveis

    independentes, temperatura mnima e umidade como variveis de confuso e

    controlando-se para sazonalidade e tendncia de curta durao (dias da

    semana). Os efeitos foram apresentados como aumento percentual nos

    atendimentos para cada aumento interquartil na concentrao do poluente.

    Resultados: Apenas o PM10 apresentou efeito robusto sobre os atendimentos

    por hipertenso arterial. Para cada variao de 22,4 g/m3 na concentrao

    deste poluente observou-se um aumento de 8,6 % (IC 95% 2,7 14,7) nos

    atendimentos de pronto-socorro para o perodo de at sete dias aps a

    exposio. O efeito predominantemente agudo no dia da exposio e diminui

    de forma contnua nos dias subsequentes. Concluso: Mesmo com os

    esforos para a reduo da emisso de material particulado nos grandes

    centros urbanos, a exposio a este poluente resultou em aumento de

    atendimentos de emergncia por hipertenso arterial entre os adultos.

  • 2

    Introduo

    A poluio do ar composta por uma mistura heterognea de

    compostos que incluem monxido de carbono (CO), oznio (O3), compostos de

    enxofre (SOx), compostos de nitrognio (NOx), compostos orgnicos

    (hidrocarbonetos, lcoois, aldedos, cetonas, cidos orgnicos), compostos

    halogenados e material particulado (PM). O material particulado classifica-se

    em partculas totais em suspenso (PTS), fumaa (FMC) e partculas inalveis

    (PM). A composio dos poluentes do ar varia bastante, pois dependem da

    fonte do poluente, fatores ambientais, como as condies meteorolgicas,

    horrio e dia da semana, atividade industrial e densidade do trfego. Os

    poluentes primrios so aqueles emitidos diretamente pelas fontes de emisso.

    J os poluentes secundrios so formados atravs da reao qumica entre

    poluentes primrios e componentes naturais da atmosfera (Miller, Shaw et al.,

    2012).

    As principais fontes de emisso de material particulado para a atmosfera

    so: veculos automotores, processos industriais, queima de biomassa e

    resuspenso de poeira do solo. O material particulado pode se formar na

    atmosfera a partir de gases como SO2, NOx e compostos orgnicos volteis,

    que so emitidos principalmente em atividade de combusto, transformando-se

    em partculas. As partculas inalveis podem ser finas (PM2,5 (

  • 3

    Dentre os efeitos desencadeados pela exposio aos poluentes do ar

    destacam-se: hipertenso arterial (Choi, Xu et al., 2007; Christiani, 2009;

    Johnson e Parker, 2009); crises de angina, alteraes na coagulao,

    vasoconstrio (Brook, Brook et al., 2002), descompensao de pacientes com

    insuficincia cardaca congestiva (Chen, Zhang et al., 2013), alteraes na

    frequncia cardaca e arritmia (Park, O'neill et al., 2008) e reduo da funo

    endotelial (Krishnan, Adar et al., 2012). Estudos sugerem que a exposio a

    agentes pr-oxidantes e com efeitos pr-inflamatrios podem desempenhar

    papel importante no desenvolvimento de leses aterosclerticas (Araujo, 2011;

    Miller, Shaw et al., 2012). A maioria dos estudos indica que os efeitos adversos

    so maiores entre os idosos, mas tambm foram identificadas alteraes nos

    nveis plasmticos de endotelina-1 (Caldern-Garcidueas, Vincent et al.,

    2007) em crianas, consideradas mais susceptveis aos efeitos da poluio

    ambiental que adultos uma vez que passam mais tempo ao ar livre.

    Os poluentes primrios, isto , partculas inalveis PM10 e partculas

    finas PM2,5; dixido de enxofre SO2 e de nitrognio NO2 e o monxido de

    carbono (CO) so os que mais agridem o sistema cardiovascular (Lall, Ito et al.,

    2011; Lepeule, Laden et al., 2012; Oliveira, Ignotti et al., 2012; Patel, Chillrud et

    al., 2013; Weichenthal, Godri-Pollitt et al., 2013). O oznio, poluente secundrio

    formado a partir de reaes qumicas entre poluentes primrios catalisados

    pela luz solar, tambm tem sido associado a efeitos cardiovasculares (Carlsen,

    Forsberg et al., 2013).

    Municpio de So Caetano do Sul

    O municpio de So Caetano do Sul localiza-se na Regio Metropolitana

    de So Paulo e na microrregio de So Paulo. Sua populao composta por

    149.263 habitantes distribuda em uma rea total de 15,3 km2 (IBGE, 2010).

    Apresenta o melhor IDH do Brasil (Pnud, 2013) e atualmente ocupa a 13

    posio pelo ndice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) da Federao

    das Indstrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). Possui o 8 maior PIB

    per capita do Estado de So Paulo (IBGE, 2010).

    So Caetano do Sul pertence regio do ABC Paulista, marcada pelo

    desenvolvimento industrial e automobilstico. uma cidade 100% urbanizada,

    ou seja, no apresenta reas rurais e tambm no possui favelas.

  • 4

    O clima da cidade subtropical. Seu vero pouco quente e chuvoso, o

    inverno ameno e seco.

    Em 2012, o municpio contava com uma frota de 131.668 veculos e

    apresentava uma relao de 1,13 habitantes por veculo (Ibge, 2010). No

    entanto, deve-se levar em considerao o fato de que um nmero ainda maior

    de automveis cruza a cidade ao se deslocarem de outros municpios que

    fazem divisa, como So Paulo, So Bernardo do Campo e Santo Andr.

    Uma vez que a maioria dos estudos sobre os efeitos do ar na sade

    foram realizados na cidade de So Paulo, que possui distribuio de renda e

    fatores sociais bastante heterogneos justifica-se realizar este estudo em uma

    cidade que possui excelentes indicadores de qualidade de vida, alm de

    nmero de indstrias e frota de veculos crescente.

    Objetivo

    Estudar a associao da poluio atmosfrica (PM10

    , SO2, NO

    2 e O

    3) e das

    condies meteorolgicas (temperatura mnima e umidade relativa do ar) sobre

    os atendimentos de urgncia e emergncia por doenas cardiovasculares de

    adultos e idosos na Cidade de So Caetano do Sul, entre janeiro de 2010 a

    dezembro de 2011.

    Metodologia

    O presente trabalho um estudo ecolgico de sries temporais. Os dados

    dirios de atendimento de pronto-socorro por doenas cardiovasculares

    (Classificao Internacional de Doenas, 10a Reviso (CID 10 - I00 a I99)

    foram obtidos atravs da coleta de dados de pronturios do Hospital de

    Emergncias Albert Sabin, no perodo de 1 de janeiro de 2010 a 31 de

    dezembro de 2011. Os nveis mdios dirios dos poluentes atmosfricos (PM10,

    NO2, SO2 e O3) foram obtidos junto CETESB. O projeto foi aprovado pelo

    Comit de tica em Pesquisa da Fundao Municipal de Sade de So

    Caetano do Sul (FUMUSA) parecer no 042/2011-A e pelo Comit de tica em

    Pesquisa da Universidade Municipal de So Caetano do Sul (USCS).

    Desenvolvimento

  • 5

    Este estudo um estudo do tipo ecolgico de sries temporais, tambm

    denominada srie histrica, ou seja, uma sequncia de dados obtidos em

    intervalos regulares de tempo durante um perodo especfico, sendo que os

    indicadores refletem aquilo que acontece na comunidade. (Rothman, Greeland

    et al., 1998; Carneseca, Achcar et al., 2012)

    Os dados de atendimento de urgncia e emergncia por doenas

    cardiovasculares para a populao adulta e idosa do municpio de So

    Caetano do Sul, atendida no Hospital de Emergncias Albert Sabin, no perodo

    de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, foram coletados atravs de registros

    de pronturios. As doenas foram codificadas de acordo com a Classificao

    Internacional de Doenas (CID) 10 Reviso. Foram includos no estudo os

    atendimentos de urgncia e emergncia por doenas cardiovasculares. No

    foram utilizadas informaes constantes dos pronturios que pudessem