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CAMILE VECCHI PACHECO - CADERNO TGI I 2016

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  • entre rio e cidade: o habitar alm da margem

  • C o m i s s o d e A c o m p a n h a m e n t o P e r m a n e n t e :P r o f . D av i d M . S p e r l i n gP r o f . J o u b e r t J . L a n c h aP r o f . L c i a Z . S h i m b oP r o f . L u c i a n a B . M . S c h e n k

    O r i e n ta d o r d e G r u p o d e Tra b a l h o :P r o f . J o o M a rc o s d e A . L o p e s

    S o C a r l o s - S PJ u l h o 2 0 1 6

  • C A M I L E V E C C H I P A C H E C O

    T R A B A L H O D E G R A D U A O I N T E G R A D O I 2 0 1 6I N S T I T U T O D E A R Q U I T E T U R A E U R B A N I S M O - U S P

  • Um aspecto pecul iar da urbanizao brasi le i ra no l i-toral surg iu como decorrncia dos processos socia is estruturadores da ocupao coste ira : a favel izao. A organizao das funes urbanas nas reas coste iras esteve int imamente l igada a processos socioeconmi-cos como o acesso pr iv i leg iado das c lasses socia is de a l ta renda s terras mais bem local izadas e aos terre-nos mais adequados urbanizao, com a consequente local izao das c lasses de baixa renda em setores ur-banos pouco valor izados. Em locais d istantes do centro urbano ou sobre reas legalmente protegidas se insta-lam e cont inuamente se expandem bairros res idencia is pobres, const i tu dos por sub-habitaes e carentes de infraestrutura .A construo por sobre terrenos a lagados por s i s no se caracter iza como um problema. O problema gera-do pela fa l ta de infraestrutura urbana, pr inc ipalmente saneamento, e consequente insalubr idade gerada pela a l ta densidade em caso de favelas constru das em pa-laf i tas . Essa s i tuao se agrava em casos de locao em rea de manguezal , apresentando um conf l i to de uso do meio ambiente onde a soluo se dar ia por meio de uma convivncia do homem em harmonia com a na-tureza .

    introduoConsiderando o perf i l sociopol t ico, a favela um terr i tr io onde a incompletude de pol t icas e de aes do Estado se fazem his-tor icamente recorrentes . E, sob o ponto de v ista do perf i l scio-urbanst ico, um terr i tr io de edi f icaes predominantemente caracter izadas pela autoconstruo, sem obedincia aos padres urbanos normat ivos governamentais . Entretanto, a favela possui um forte carter de convivncia so-cia l , com as suas d i ferentes manifestaes cultura is, art st icas e de lazer, e acentuado uso de espaos comuns, na r iqueza da sua p lural idade de convivncias de suje i tos socia is em suas d i-ferenas cultura is, s imbl icas e humanas, def in indo uma expe-r incia de sociabi l idade d iversa do conjunto da c idade. Por isso, necessr io reconhecer a leg i t imidade da presena das favelas e de seus moradores nas c idades, ta l como sua d ivers idade e complex idade h istr ica, econmica, socia l e cultural .

  • A favela significa uma morada urbana que resume as condies desiguais da urbanizao brasileira e, ao mesmo tempo, a luta de cidados pelo legtimo direito de habitar a cidade.

    (O QUE FAVELA, AFINAL?, PG. 97)

  • Acredita-se que seja possvel aprender com as favelas para engendrar uma atuao que colabore com uma mudana verdadeira nos arranjos socia is da produo de habitao de interesse socia l .Sabe-se, porm, que em casos de construo de habitaes de inte-resse socia l , pr inc ipalmente por parte de programas governamentais, a fa l ta de envolv imento da populao com o processo de construo das habitaes de interesse socia l , de certa forma, acentua a sensao de no pertencimento dos futuros moradores, tanto quanto ao uso interno das res idncias quanto ao uso dos espaos colet ivos . Assim, implantar o pro jeto com mo de obra de moradores locais, ass ist idos por pro jetos de qual i f icao prof iss ional , reverte no somente em gerao de renda para a populao local , mas resgata a c idadania e part ic ipao at iva no pro jeto .Em sua maior ia, a produo habitacional promovida por programas como o Minha Casa Minha Vida baseia-se muito mais na v iabi l idade econmica dos empreendimentos do que na lg ica da demanda e df ic i t habitacio-nal e nas d inmicas urbanas. O que torna ev idente a predominncia do negcio imobi l ir io sobre uma pol t ica habitacional .A lm disso, os grandes conjuntos habitacionais, pr inc ipalmente o atual Minha Casa Minha Vida, geram uma ocupao exclusivamente habitacio-nal , que no consideram espaos para comrcio e serv ios de v iz inhana. Apesar de, muitas vezes, os moradores no serem deslocados para reas to d istantes, acabam sendo a locados em espaos sem urbanizao.A d imenso desses condomnios, sua monofuncional idade, homogenei-dade socioeconmica e, muitas vezes, apropr iao pelo t rf ico de drogas favorecem a consol idao de est igmas, que se v inculam no apenas ao aspecto f s ico do condomnio, mas tambm a seus moradores .

  • A favela no a forma fsica de uma comunidade, mas sim as pessoas que moram l, de onde elas vm

    e principalmente o modo como elas se relacionam.

  • Histor icamente, o d inamismo econmico do l i tora l paul ista teve como base a re levncia do porto de Santos, as grandes indstr ias de base de Cubato e as infraestruturas produt ivas re lac ionadas cadeia de petr-leo e gs . A lm dessas, destaca-se o ve-ranismo, at iv idade econmica responsvel pela forte d inmica imobi l ir ia, que, com a construo de segundas res idncias, deu grande impulso d isperso da urbanizao em di ferentes munic p ios da Regio Metro-pol i tana da Baixada Sant ista .O processo de adensamento e ampl iao da rea urbana, que fo i acompanhado pelo surg imento das pr imeiras ocupaes i r re-gulares em reas de proteo e encostas de morros, esteve tambm associado ao interesse imobi l ir io . A concentrao de domic l ios de uso ocasional s igni f icat iva e revela uma forte segregao socioterr i to-r ia l , em que a or la ocupada, preferencia l-mente, por essas res idncias, e as pores mais inter ior izadas dos munic p ios, sepa-radas pela rodovia, so ocupadas

    contextopredominantemente por res idncias permanentes. Assim, quanto maior a prox imidade com a or la mar t ima, maior a renda e o preo dos imveis, e quanto mais prx imas das encostas da Serra do Mar, maior a concentrao de populao de renda mais baixa, bem como a maior parte dos assentamen-tos precr ios . Essa precar iedade caracter iza-se por i r regular idade fundir ia, ex istncia de s i tuaes de r isco geolgico e por prov iso inadequada e insu-f ic iente de serv ios, equipamentos e infraestruturas urbanas de saneamento bsico, sade, educao, entre outros .Observa-se, a inda, tenses ambientais geradas a part i r da grande quant idade de reas protegidas da regio, que tem cerca de 60% do terr i tr io inser ido em unidades de conservao. Nessa porcentagem, os manguezais ocuparam, in ic ia lmente, 10% da rea total da regio, funcionando como f i l t ro dos sedi-mentos carregados pelos r ios e garant indo a estabi l i zao dos processos de sedimentao do estur io e da baa de Santos.A expanso da ocupao em palaf i tas deu-se no in c io dos anos 60 com o crescente e rpido desenvolv imento da regio Sant ista atravs das constru-es de rodovias, pr inc ipalmente na crescente das obras de construo c iv i l , nas reas industr ia is e portur ias, que f izeram migrar mi lhares de pessoas pr incipalmente da regio Nordeste do Brasi l . Depois de quase todos os espa-os em direo s pra ias ocupados, Santos passou a se expandir no sent ido contrr io, nos dois lados da Avenida Nossa Senhora de Ft ima, em direo d iv isa com So Vicente . De forma que as reas caracter izaram-se pelas in-vases i legais, por meio da implantao de loteamentos c landest inos e ocu-pao de reas de proteo ambiental como: mangues e fa ixas junto aos r ios .

  • SantoSREA: 280.674 Km

    POPULAO: 433.966 hab.DENSIDADE: 1.546,16 hab./Km

  • MAPA DA REA INSULAR DE SANTOS E SUAS CENTRALIDADES

    O mapa destaca trs pr incipais reas consideradas como central idades da c idade: toda a reg io do Porto de Santos e o Centro, parte ant iga da c idade e de grande at iv idade econmica; a reg io prx ima or la da pra ia, de interesse tur st ico, co-mercia l e habitao de mdio/alto padro; e a Zona Noroeste, que destaca-se pela a l ta densidade populacional e independncia em re lao s outras centra l idades, concentrando comrcio, serv ios e habitao de mdio/baixo padro.

    ZONA NOROESTE

  • REGIO PORTURIA

    ORLA DA PRAIA

    CENTRO

  • A situao geogrfica de Santos no permite que a expanso de sua rea urbana ocorra de forma horizon-tal na periferia. Os pontos ainda desocupados possuem alto valor imobilirio ou fazem parte de mangues e reas de preservao ecolgica. Para a Secretaria de Planejamento (Seplan), a tendncia de ocupao a do adensamento pela verticali-zao das reas j ocupadas e mais valorizadas e o aumento do nmero de moradores de baixa renda, por metro quadrado, na regio central. O crescimento da populao nessa rea no tem sido acompanhado de uma maior oferta no nmero de imveis, o que resulta em aumento na quantidade de cortios.

    (DIRIO OFICIAL DE SANTOS, O D.O. URGENTE, 30 DE MAIO DE 1990)

  • VISTA AREA DE SANTOS: EVIDENCIA-SE A SATURAO DO TERRITRIO INSULAR, NO HAVENDO GRANDES REAS LIVRES PASSVEIS DE EXPANSO.

  • Zona noroeSteG ra n d e s t ra n s f o r m a e s n a o c u p a o d o e s p a o u r b a n o d e S a n t o s s e d o a p a r t i r d a a b e r t u ra d a V i a A n c h i e ta , n a d c a d a d e 1 9 4 0 , d ev i d o a