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TEXTO PARA DISCUSSO N 885

ISSN 1415-4765

DETERMINANTES DA RENDA DOTRABALHO NO SETOR FORMAL DAECONOMIA BRASILEIRA

Carlos Henrique CorseuilDaniel D. Santos

Rio de Janeiro, junho de 2002

Governo Federal

Ministrio do Planejamento,Oramento e Gesto

Ministro Guilherme Gomes DiasSecretrio Executivo Simo Cirineu Dias

Fundao pblica vinculada ao Ministrio do

Planejamento, Oramento e Gesto, o IPEA

fornece suporte tcnico e institucional s aes

governamentais, possibilitando a formulao

de inmeras polticas pblicas e programas de

desenvolvimento brasileiro, e disponibiliza,

para a sociedade, pesquisas e estudos

realizados por seus tcnicos.

Presidente

Roberto Borges Martins

Chefe de GabineteLuis Fernando de Lara Resende

Diretor de Estudos MacroeconmicosEustquio Jos Reis

Diretor de Estudos Regionais e Urbanos

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Diretor de Administrao e FinanasHubimaier Canturia Santiago

Diretor de Estudos SetoriaisLus Fer nando Tironi

Diretor de Cooperao e Desenvolvimento

Murilo Lbo

Diretor de Estudos SociaisRicardo Paes de Barros

TEXTO PARA DISCUSSO

Uma publicao que tem o objetivo dedivulgar resultados de estudosdesenvolvidos, direta ou indiretamente,pelo IPEA e trabalhos que, por suarelevncia, levam informaes paraprofissionais especializados e estabelecemum espao para sugestes.

As opinies emitidas nesta publicao so de

exclusiva e inteira responsabilidade dos autores,

no exprimindo, necessariamente, o ponto de vista

do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ou do

Ministrio do Planejamento, Oramento e Gesto.

permitida a reproduo deste texto e dos dados

contidos, desde que citada a fonte. Reprodues

para fins comerciais so proibidas.

TEXTO PARA DISCUSSO N 885

DETERMINANTES DA RENDA DOTRABALHO NO SETOR FORMAL DAECONOMIA BRASILEIRA*

Carlos Henrique Corseuil**Daniel D. Santos***

Rio de Janeiro, junho de 2002

ISSN 1415-4765

* Os autores agradecem a Reynaldo Fernandes e Narcio Menezes-Filho pelos comentrios e sugestes. Vera Marina do MTEe Ricardo Fride prestaram inestimvel contribuio, possibilitando o acesso base de dados utilizados.

** Da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA. kiko@ipea.gov.br

*** Da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA. ddsantos@ipea.gov.br

SUMRIO

SINOPSE

ABSTRACT

1 INTRODUO 1

2 BASE DE DADOS 1

3 O MTODO DE ESTIMAO E SUA IMPLEMENTAO 10

4 DETERMINANTES DO RENDIMENTO DO TRABALHO NO BRASIL:

NOVAS ESTIMATIVAS BASEADAS EM DADOS LONGITUDINAIS 11

5 CONCLUSO 14

APNDICE 1 15

APNDICE 2 17

BIBLIOGRAFIA 19

SINOPSE

O artigo busca estimar equaes de salrio tendo como universo de anlise ostrabalhadores do setor formal da economia. Diferentemente de outros artigos dognero, que aproveitam dados de pesquisas domiciliares (PNAD, PPV, PME etc.),neste estudo foram utilizados os microdados da Relao Anual de Informaes Sociais(Rais), registro administrativo coletado a partir das firmas. Alm da naturezadiferenciada dos dados, a Rais permite estimaes em painel, enriquecendo a anlise.Os resultados indicam uma influncia significativa da experincia do trabalhadorsobre o seu salrio e ausncia de um papel relevante para as caractersticas da firma.

ABSTRACT

This article aims to estimate wage equations, having the legally contracted(formal) workers as the universe of analysis. Contrarily to other related papersthat take household level data (from surveys like PNAD, PPV, PME, etc.), weused the Rais, a firm level database. Besides the differentiated nature of data, theRais allows panel data estimations and therefore a more complete analysis. Theresults show that wages are heavily influenced by tenure and do not depend onfirms characteristics.

texto para discusso | 885 | jun 2002 1

1 INTRODUOPelo menos dois fatores tm contribudo para a elevada popularidade e disseminaode investigaes sobre a natureza dos diferenciais salariais no Brasil. Por um lado, hum numeroso grupo de estudiosos preocupados em estudar o funcionamento domercado de trabalho e suas imperfeies, tais como discriminao (por cor e sexo),segregao (por setor de atividade e posio na ocupao) etc. Ao lado destes, um nomenos expressivo nmero de economistas tenta investigar a natureza da desigualdadede renda e pobreza atravs da presena de diferenciais salariais. Por outro lado, a altaqualidade e a facilidade de acesso aos dados das pesquisas domiciliares (PNAD, PED,PME, PPV etc.) facilitam a realizao desses estudos.

Como a maioria das bases de dados domiciliares no permite acompanhar osmesmos indivduos ao longo do tempo, grande parte dos trabalhos utiliza tcnicasestatsticas em cross-section para estimar os determinantes da renda do trabalho, maseste tipo de abordagem vem perdendo espao na literatura internacional para o uso dedados longitudinais associados a modelos de efeitos fixos.

O objetivo principal deste artigo precisamente adotar este tipo de modelo,ainda pouco utilizado no caso brasileiro, aplicado aos microdados da Relao Anualde Informaes Sociais (Rais), do Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE). Almde comparar a abordagem em painel com as tradicionais estimaes em cross-section,destacam-se o relativo ineditismo do uso de informaes, provenientes das firmas (aoinvs das famlias, como de praxe) neste tipo de estudo, e a comparao dosresultados obtidos com estes dois tipos de dados.

O texto se divide em cinco sees, sendo a primeira delas esta introduo. NaSeo 2, comparamos a base de dados utilizada com a j conhecida e disseminadaPesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (PNAD). Na Seo 3, comentamossobre a implementao do mtodo de estimao mencionado. Na Seo 4,apresentamos os resultados das estimaes e, na ltima, as concluses do trabalho.

2 BASE DE DADOS

2.1 A RELAO ANUAL DE INFORMAES SOCIAIS (Rais)

A Rais um registro de informaes encaminhadas, idealmente, por todas asempresas ao MTE. Em princpio, essas informaes deveriam abranger todos ostrabalhadores empregados, mas no se pode garantir que os estabelecimentosefetivamente encaminhem as informaes solicitadas. H motivos para acreditar queisso no acontea, pois sabido que existem estabelecimentos que funcionam emsituao irregular perante a legislao.

Em particular, de se esperar que os trabalhadores empregados informalmenteno estejam contemplados neste registro, o que faz com que qualquer relaoestimada a partir desses dados s possa ser atribuda ao universo de empregados se ascaractersticas dos trabalhadores do setor informal forem as mesmas do setor formal.Caso o emprego formal seja prefervel ao informal espera-se que aqueles ocupados nosetor informal tenham alguma qualidade em nvel inferior ao dos alocados no setorformal. Essa diferena, que pode ser relacionada a alguma caracterstica no

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observvel, possivelmente faz com que os mecanismos de determinao dos salriosno funcionem da mesma forma nos dois setores.

Uma vez que as informaes sobre os trabalhadores so reportadas pelasempresas, sua qualidade depende diretamente do comprometimento dostrabalhadores com as empresas e dos estabelecimentos com o ministrio.Eventualmente, algumas informaes podem estar distorcidas, em particular aquelasque necessitam ser constantemente atualizadas e as que dependem da sinceridade dostrabalhadores, e essas distores podem causar erros de medida. Por outro lado, casoparte das firmas decida no responder ao questionrio da Rais, possvel que aamostra fique viesada. O incentivo para que os estabelecimentos respondam aoquestionrio uma multa aplicada pelo ministrio s empresas omissas.

2.2 ESTATSTICAS DESCRITIVAS RELACIONADAS DISTRIBUIO DOSEMPREGADOS E DE SEUS RENDIMENTOS: COMPARAORAIS VERSUS PNAD

A PNAD do IBGE , sem dvida, a principal fonte de dados sobre caractersticas dafora de trabalho no Brasil. Ao contrrio da Rais, a PNAD tem sido fartamenteutilizada em investigaes sobre os determinantes do diferencial salarial, como aproposta neste estudo, de modo que uma comparao com essa base torna-se til,visto que sua qualidade tida como alta. Sero apresentadas estatsticas bsicasrelacionadas distribuio de indivduos segundo caractersticas socioeconmicaspresentes nas duas bases de dados, com a finalidade de descobrir semelhanas ediferenas que possam revelar importantes limitaes de exerccios mais sofisticadosque sero realizados na prxima etapa do trabalho.1

Vale ressaltar que essas bases possuem duas diferenas metodolgicasfundamentais. A primeira diz respeito data de referncia das informaes. A amostrada PNAD coletada na ltima semana de setembro, enquanto a Rais se baseia no dia31 de dezembro. Isto pode afetar as informaes relativas a variveis cujocomportamento muda ao longo do ano, como remunerao e horas trabalhadas, porexemplo. A outra derivada da natureza da base, pois a Rais um registroadministrativo com dados supostamente censitrios fornecidos por firmas, enquanto aPNAD uma pesquisa domiciliar por amostragem. Alm disso, e ao contrrio daPNAD, os microdados da Rais apresentam caractersticas de longitudinalidade,permitindo o acompanhamento de um conjunto de trabalhadores ao longo dotempo.

Os resultados que sero apresentados contrastam as estatsticas da Rais com ouniverso de empregados no setor formal da economia da PNAD.2 No caso da Rais, osregistros de 1998 somam 24.491.635 observaes, ao passo que na PNAD 1998 aamostra (para esse universo considerado) de 56.630 indivduos.3 Supondo que aamostragem da PNAD represente de fato a populao total de empregados do setor