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TEXTO PARA DISCUSSO N 133

TEORIA ECONMICA, EMPRESRIOS E METAMORFOSES NA EMPRESA INDUSTRIAL

Joo Antonio de Paula

Hugo E. A. da Gama Cerqueira Eduardo da Motta e Albuquerque

Fevereiro de 2000

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Ficha catalogrfica

33(091) P324t 2000

Paula , Joo Antnio de.

Teoria econmica, empresrios e metamorfoses na empresa industrial / por Joo Antnio de Paula, Hugo E. A. da Gama Cerqueira, Eduardo da Motta e Albuquerque Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar, 2000.

23p. (Texto para discusso ; 133) 1. Economia Histria. 2. Industria. 3. Inovaes

tecnolgicas. I Cerqueira, Hugo E. A. da Gama II. Albuquerque, Eduardo da Motta e. III.Universidade Federal de Minas Gerais. Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional. IV. Ttulo. V. Srie.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE CINCIAS ECONMICAS

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO REGIONAL

TEORIA ECONMICA, EMPRESRIOS E METAMORFOSES NA EMPRESA INDUSTRIAL

Joo Antonio de Paula Hugo E. A. da Gama Cerqueira

Eduardo da Motta e Albuquerque

Do CEDEPLAR/FACE/UFMG.

CEDEPLAR/FACE/UFMG BELO HORIZONTE

2000

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SUMRIO INTRODUO: PROMETEU E FAUSTO, SCHARD OU COINTET ................................................ 9 ORIGENS DA FIGURA DO EMPRESRIO NA TEORIA ECONMICA ......................................... 10 MARX, OS CAPITALISTAS E A LGICA DA ACUMULAO ..................................................... 14 DE MARSHALL A VEBLEN: O AUGE E A DECADNCIA DO HERI ......................................... 15 SCHUMPETER, PENROSE E CHANDLER: FUNES EMPRESARIAIS E A EMERGNCIA DA EMPRESA INDUSTRIAL MODERNA ............................................................... 17 CONCLUSO ......................................................................................................................................... 21 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .................................................................................................... 22

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Resumo: O artigo discute os papis atribudos a figura do empresrio na teoria econmica. Tomando a elaborao de Schumpeter como um fio-condutor, o texto discute as contribuies precursoras de Cantillon e Bentham, bem como as diferentes abordagens de Marx, Veblen e Sombart. Discute ainda a requalificao do papel do empresrio em funo da emergncia da grande empresa, tomando por base os trabalhos de Schumpeter, Penrose e Chandler. Abstract: This paper discusses the roles of the entrepreneur in the economic theory. Taking the elaboration of Schumpeter as a reference, the paper analyses the forerunner contributions of Cantillon and Bentham, as well as the different approaches of Marx, Veblen and Sombart. The changing role of the entrepreneur after the emergency of the modern corporations is discussed, following the works of Schumpeter, Penrose and Chandler.

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INTRODUO: PROMETEU E FAUSTO, SCHARD OU COINTET

A cultura ocidental tem buscado, ao longo do tempo, fixar seus heris fundantes. Valores como a fora, a inteligncia, a prudncia, a ousadia, a inventividade fazem parte de um repertrio de virtudes que estariam na base do desenvolvimento material e espiritual da humanidade. So estas as virtudes bsicas do grande heri, o mais genuinamente humano dos grandes personagens da mitologia grega, que foi o Odisseu. Tambm os gregos criaram outro mito, o de Prometeu, que generalizando-se, tornou-se quase um arqutipo do esprito empreendedor, da inveno e da criatividade. Se com o mito de Prometeu h evocao da positividade do gesto criador, pleno de luz, de sentido progressivo, no referente ao mito de Fausto indisfarvel a sombra, a presena do trgico, da negatividade.

H. Hango, em 1895, escreve Fausto e Prometeu. Em nossa poca, David Landes escreve O Prometeu Desacorrentado, em que se l tica faustiana, o senso de dominao da natureza e das coisas. (Landes, 1994: 30). Trata-se de uma reiterao significativa: a busca por parte da burguesia de uma mitologia capaz de justificar-qualificar sua ao, seus interesses. Esta dimenso progressiva, a obra revolucionria da burguesia, foi reconhecida por Marx e Engels no Manifesto Comunista, numa anlise que reproduz a tensionada trajetria de uma classe que liberta-revoluciona-abre caminho para o novo e neste mesmo movimento constri as condies para a sua prpria superao. Este destino trgico, faustiano, o outro lado de uma imagem bifronte que tambm apresenta o brilho equilibrado de uma racionalidade colocada a servio da inveno, do desenvolvimento material.

A teoria da ideologia nos ensina que se a dominao social depende de um aparato repressivo capaz de garantir a propriedade e a ordem burguesa, depende tambm da produo e reproduo permanente de idias-smbolos-valores cimentadores da legitimao da ordem dominante. Neste sentido, tem lugar especial a construo do mito do empresrio prometico, heri da civilizao burguesa. Henry Ford ou Bill Gates seriam, entre outros, as encarnaes dos heris do tempo burgus.

Contudo, no se veja este processo como linear, consensual ou unvoco. Tanto no plano das artes, da literatura, quanto no do pensamento econmico, na sociologia a fixao do papel-significado do empresrio no admite simplificaes.

Veja-se Balzac. Este que talvez tenha sido o maior observador-historiador da consolidao da hegemonia burguesa no campo da literatura nos deu diversos tipos emblemticos de empresrios. O Baro de Nucingen a encarnao do banqueiro; Gobsek a personificao do agiota; Csar Birotteau, o perfumista, reproduz em sua trajetria de grandeza e decadncia o destino comum de uma coletividade; Baltasar Cls, a voragem da busca do absoluto, a danao da pesquisa alqumica, a vertigem de uma inteligncia, de uma racionalidade que desafia limites e precipita-se nos caos da alucinao, de uma razo ensandecida; David Schard, um dos dois poetas das Iluses Perdidas, o poeta da inveno, uma espcie de Fausto inteiramente voltado para a luz do progresso material e tecnolgico. Sua pesquisa sobre a produo de papel, sua inveno de uma nova tcnica de produo deste veculo das luzes, deste instrumento por excelncia da disseminao do saber o melhor e mais nobre da lio do Prometeu/Fausto. Mas, no contraponto a David Schard, nas figuras dos irmos

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Cointet, que Balzac revelar a sua viso rigorosamente crtica e ctica sobre o destino burgus. Os irmos Cointet so a encarnao do capital triunfante, o capital que no inventa, que no tem compromisso com as luzes, que est longe de qualquer herosmo, mas que acaba sendo o grande beneficirio e monopolista da inveno, do desenvolvimento cientfico e tecnolgico. A vitria da mediocridade sobre o talento, da mesquinharia sobre o gnio, da venalidade sobre a cincia.

Os irmos Cointet na crueza de suas aes, na eficcia de suas estratgias de controle, so a mais fiel reposio do papel efetivo do capitalista, seu destino e natureza so personificaes do capital, isto , so movidos pelas motivaes e interesses do capital; seus coraes e crebros de carne e sangue, tm a espessura e o desejo das mquinas e coisas que buscam acumular incessantemente.

No plano do pensamento econmico, a figura do empresrio tambm foi representada de diferentes maneiras. Discutir os papis atribudos a este personagem nas teorias econmicas o objetivo deste artigo. A elaborao de Schumpeter fornece, de certa forma, o fio-condutor do texto, na medida em que nela a figura do empresrio ganha um papel destacado. O texto est organizado em cinco sees, alm desta introduo. A prxima seo apresenta os primeiros indcios da figura do empresrio na teoria econmica, destacando-se as abordagens de Cantillon e de Bentham, que antecipam as contribuies de Knight e Schumpeter. As duas sees seguintes enfocam a posio de Marx e as formulaes de Veblen e Sombart, sugerindo a ascenso e queda da figura herica do empresrio. A quinta seo discute a requalificao do papel do empresrio em funo da emergncia da grande empresa, tomando por base os trabalhos de Schumpeter, Penrose e Chandler. Finalmente, a sexta seo apresenta algumas concluses. ORIGENS DA FIGURA DO EMPRESRIO NA TEORIA ECONMICA

Se procurarmos pelo papel empresrio nas teorias econmicas convencionais, o que chamar nossa ateno exatamente a relativa ausncia desse personagem, que permaneceu por muito tempo negligenciado (Casson, 1990: 13). Se ele figura que ocupa lugar destacado nos debates sobre poltica econmica ou desenvolvimento, sua funo nos modelos e teorias microeconmicas , quando muito, secundria.

No deixa de ser curioso que a razo desse descaso com a figura do empresrio possa ser encontrada nas prprias caractersticas da teoria neoclssica da firma (Baumol, 1968; Casson, 1986). Nela, a empresa deve decidir sobre quantidades e preos de insumos e produtos, de modo a maximizar seu retorno, tomando por base um conjunto conhecido de funes de produo que relacionam de modo determinado os insumos e produtos. O que a firma faz executar uma srie de clculos, reagindo s mudanas externas do ambiente econmico, de modo a assegurar-se de que continuar maximizando seu resultado. A conseqncia desse estilo de anlise clara:

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Obviously, the entrepreneur has been read out of the model. There is no room for enterprise or initiative. (...) One hears of no clever ruses, ingenious schemes, brilliant innovations, of no charisma or any of the other stuff of which outstanding entrepreneurship is made; one does not hear of them because there is no way in which they can fit into the model. (Baumol, 1968: 67).

Isso no quer dizer que no haja vestgios da figura do empresrio na histria do pensamento econmico. Ele certamente pode ser encontrado na obra dos clssicos do sculo XVIII e XIX, como Cantillon, Say e Marshall. Mais re

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