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  • 1. A GRAVURA DIGITAL E O PROCESSO CRIATIVO DEOTONI MESQUITA Prof. Esp. Valter Frank de Mesquita Lopes1 e-mail: valtermesquita@hotmail.comResumoEsse artigo resultado de um projeto de pesquisa (PIBIC), desenvolvido nos anos de 2004 e 2005 naUniversidade Federal do Amazonas, cujo objeto de estudo o processo de criao na arte digital do artistaplstico amazonense Otoni Mesquita, denominada gravura digital, na qual utiliza como meio tcnica,ferramenta ou material para suas criaes, o computador. Parte-se dos registros materiais da qual se serve oartista para compor seus trabalhos. Entre essa materialidade diversa, destacamos: cadernos de esboos, pastascom impresses grficas, CD-ROMs, arquivos digitais em formatos de imagens, som e vdeo gravados namemria do computador. Para analisar as informaes contidas nos documentos de processo, e mape-lasdentro do percurso criativo, valemos do arcabouo terica da semitica de Charles Sanders Peirce luz de LuciaSantaella e Ceclia Almeida Salles, que abre o leque de estudos da Crtica Gentica, estando aqui comometodologia para os estudos dos processos de criao. Este artigo est estruturado de forma a apresentar umadiscusso inicial sobre o processo de criao na arte digital. Em seguida, os estudos convergem para o processocriativo do artista pesquisado.Palavras-chave: Processo de criao, materialidade digital e cibercultura.Resumen Este artculo es el resultado de un proyecto de investigacin (PIBIC), desarrollado en los aos 2004 y2005 en la Universidad Federal de Amazonas, cuyo objeto de estudio es el proceso de creacin del arte digitaldel artista plstico amazonense Otoni Mesquita, llamado grabado digital, en que utiliza como un medio - latecnologa, herramienta o material - para sus creaciones, la computadora. Se trata de los registros de losmateriales que se sirve el artista para componer su trabajo. Entre la materialidad diversa, incluyen: cuadernos deesbozos, carpetas con impresiones grficos, CD-ROM, archivos digitales en formatos de imgenes, sonido yvdeo grabado en la memoria del ordenador. Para examinar la informacin contenida en el "documentos deprocesso ", y levantlos en el trayecto creativo, valemos el marco terico de la semitica de Charles SandersPeirce a la luz de Luca Santaella y Cecilia Almeida Salles, que abre la gama de estudios crticos de la Genticay est aqu como una metodologa para el estudio de los procesos de creacin. Este artculo est estructuradopara presentar un debate inicial sobre el proceso de creacin del arte digital. Luego de los estudios convergen ala bsqueda del proceso creativo artista.Palabras claves: Proceso creativo. Materialidad digital. Cibercultura.1 Introduo Este artigo visa aprofundar os estudos acerca da insero das mdias digitais noprocesso de criao artstica e apresentar uma nova tendncia emergente na cidade de Manausna obra do artista plstico Otoni Mesquita, denominada gravura digital, alm de investigar1 Professor do Departamento de Artes da Universidade Federal do Amazonas e membro do Grupo de Estudo ePesquisa em Arte e Tecnologias Interativas GEPATI do CNPq.

2. 2como os recursos tecnolgicos do computador e suas materialidades diversas so engendradosno movimento criador e de que forma esses recursos esto presentes no objeto artstico, edirecionar esses estudos para a produo desse artista e sua produo contempornea.O intuito de se estabelecer tessituras com os estudos do processo criativo em artedigital, parte da necessidade de se compreender o percurso criador que levou a determinadaobra. Tendo em vista que toda obra de arte fruto das mos e da mente do artista, e que esteutiliza materiais diversos existentes em sua poca, entendemos a partir de Benjamin (1980),quando aborda acerca da perda da aura da obra de arte, quebrando-se assim a viso do artistacomo dotado de inspirao divina.Pretendemos compreender e descrever as mudanas de paradigmas no que tange autilizao dos novos meios, em especial o computador, na obra desse artista. J que estaabrange as diversas mdias: visual, verbal e sonora, como tambm hbridas.Os estudos de processos criativos, inicialmente na literatura, permitiram uma novaabordagem para o entendimento da obra artstica que apresentada para o espectador. ACrtica Gentica, cincia que estuda os documentos de processo para melhor compreender oprocesso criativo, mostra-se como uma metodologia para o geneticista, pesquisador emCrtica Gentica, possibilitando um real acesso ao pensamento criador, no total, masparcialmente. A sustentao terica parte dos estudos de Ceclia Almeida Salles em Crtica Gentica.A autora apresenta uma abordagem substancial sobre o movimento criador, cuja preocupao analisar o percurso criativo, a gnese de uma obra de arte. Esses estudos, que ora estapesquisa se submete, s possvel graas a Teoria Semitica luz das autoras LuciaSantaella e Ceclia Almeida Salles , cincia que estuda os signos de toda e qualquerlinguagem, de Charles Sanders Peirce, na qual abre o campo de atuao da Crtica Gentica. atravs da Semitica de linha peirceana que se encontra, no processo criativo,ndices de materialidades diversas, do pensamento do artista e de seu relacionamento com omundo interior e exterior, e do dilogo com seu tempo, pois se v, atravs dos mecanismosengendrados pelo artista, materiais que s sua contemporaneidade lhe foi possvel oferecer. Apesar de desde a dcada de 1950 os artistas comearem a utilizar meios eletrnicosem suas produes, no Estado do Amazonas ainda se encontra uma produo artstica muitoincipiente com a utilizao desses meios, em especial o computador. O que torna aapresentao desse artigo relevante seu interesse est em descrever como se d o processode traduo de suporte, do analgico para o digital e vice-versa, a apropriao do computadorcomo meio para a realizao da obra e at onde encontraremos esse meio influenciando noprocesso. O computador aparece ento como um conjunto de materiais (hardwares), ferramentas(softwares) e tcnicas (no caso o conhecimento tcnico est aqui presente, na manipulao dehardware e software) como a infografia tcnica de aquisio, manipulao e criao deimagens de cunho digital (PLAZA; TAVARES, 1998).Torna-se importante, portanto, estudar o processo de criao em arte digital, pois pormeio destes estudos que se identifica na obra de Otoni Mesquita, experimentaes com o usodo computador. Acompanhar o incio destas experimentaes antes de sua propagaopossibilita compreendermos melhor a trama complexa presente na confeco de um objetoartstico. 3. 3Podemos ver que essas mudanas de suporte, materiais e tcnicas, no querendo negaras j existentes, mas sintetiz-las, pressupe um novo modo de ver a arte, cri-la, recri-la eexibi-la. Permitindo-nos compreender e escrever nossa prpria histria da arte.Este artigo est estruturado de forma a apresentar uma discusso inicial sobre oprocesso de criao na arte infogrfica. Em seguida, os estudos convergem para o processocriativo do artista pesquisado em gravura digital.2 Do Processo Criativo nas Artes Infogrficas Preliminarmente, o conhecimento tcnico do funcionamento, bem como a natureza dosrecursos computacionais que a mquina nos disponibiliza para a produo artstica,apresentam-se como fundamentais para a busca de generalidades acerca dos estudosgenticos. Como foi abordado por Julio Plaza e Monica Tavares (1998), Edson Pftzenreuter(1992) e Arlindo Machado (2001), que os meios interferem consideravelmente no ato criativoe, de certa forma, molda o aspecto da obra que este ato resulta, j no mera pretensoconsiderar a natureza dos recursos que so engendrados pelo artista no fazer artstico.Mesmo nas artes artesanais clssicas, os materiais, os instrumentos, as ferramentas, os procedimentos, as tcnicas de produo so fatores condicionantes que interferem substancialmente na forma, no estilo e por que no?- na prpria concepo das obras. (MACHADO, 2001, p. 11) Estamos falando de um meio digital especfico, o computador a qual sua qualidadematerial incorpora a qualidade imaterial (numrica) , ento devemos buscar os conceitosinerentes a tal natureza. Os estudos de processos criativos em infografia, sistema hbrido que incorpora todosos meios a partir do cdigo numrico (PLAZA; TAVARES, 1998), mostra-nos peculiaridadesna concepo, execuo e finalizao das obras digitais.Existe nesses processos de criao com a mdia computador, uma peculiaridade quedifere dos processos analgicos no caso dos meios artesanais e industriais usados na arte ,que o aspecto semitico da mquina, ou seja, referimo-nos ao estado icnico (qualidade),indicial (existente) e simblico (generalidade) (CP 1.328) das informaes e processostratados por este meio. Se nos propusermos a buscar onde essas caractersticas da imagem artstica esto naobra digital, ou at onde ela est presente na obra, definir que a natureza icnica, indicial esimblica do signo - obra de arte afetada pelo meio que o gera. Plaza e Tavares (1998, p.13), afirma que os modos de produo artstica (...) interferem substancialmente na natureza(...) da prpria obra de arte. Definimos o computador como uma mdia semitica (SANTAELLA, 1996). E comomeio de natureza terceira, entendemos que nele est embutida uma relao tridica, comoapresentada anteriormente. Creditamos esse fato na apresentao do aspecto digital damquina. O computador uma mquina eletrnica cuja arquitetura subscreve uma relao lgicaentre CPU, memria e dispositivos de entrada/sada2. Tal relao estabelece um vnculo, a nodissociao existente entre hardware3 e software4. Isso se d devido ao fato que todo osdispositivos que constituem a unidade fsica do computador necessitam que algo os controle2 S.M.H. Collin. Dicionrio de informtica, multimdia e realidade virtual. Trad. Antonio Carlos dos Santos eRegina Borges de Arajo. So Paulo: Companhia Melhoramentos, 2001. 4. 4ou os instrua na execuo de suas funes, ou seja, o hardware necessita dos softwares(sistema operacional, programas utilitrios e aplicativos, drivers, etc.). De modo semelhanteos softwares para atuarem, precisam est locado num meio fsico,