tese corrigida formatada

Click here to load reader

Post on 07-Jan-2017

230 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

1

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CINCIAS DA EDUCAO

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO

MARIVAL COAN

EDUCAO PARA O EMPREENDEDORISMO: IMPLICAES EPISTEMOLGICAS, POLTICAS E PRTICAS

Florianpolis 2011

2

3

MARIVAL COAN

EDUCAO PARA O EMPREENDEDORISMO: IMPLICAES EPISTEMOLGICAS, POLTICAS E PRTICAS

Tese submetida ao Programa de Ps- Graduao em Educao do Centro de Cincias da Educao da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a obteno do ttulo de Doutor em Educao. Orientadora: Prof Eneida Oto Shiroma, Dra. Coorientao: Prof. Ftima Antunes, Dr

Florianpolis, 2011

Catalogao na fonte pela Biblioteca Universitria

da

Universidade Federal de Santa Catarina

.

C652e Coan, Marival

Educao para o empreendedorismo [tese] : implicaes

epistemolgicas, polticas e prticas / Marival Coan ;

orientdora, Eneida Oto Shiroma. - Florianpolis, SC, 2011.

540 p.: il., grafs., tabs., mapas

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina,

Centro de Cincias da Educao. Programa de Ps-Graduao

em Educao.

Inclui referncias

1. Educao. 2. Trabalho. 3. Empreendedorismo. 4.

Trabalhadores - Treinamento. I. Shiroma, Eneida Oto. II.

Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Ps-

Graduao em Educao. III. Ttulo.

CDU 37

5

6

7

Dedico este trabalho a todos e todas que pensam que o modo capitalista de produo no se justifica e mantm a firme e utpica convico da necessidade de sua superao por outra ordem sociometablica na qual os

produtores de todas as riquezas participem da mesa da partilha.

Carinhosamente para LISANI, LUIZ, LETICIA E GABRIEL.

8

9

AGRADECIMENTOS

Este estudo somente se concretizou graas contribuio de uma srie de pessoas s quais sou muito grato, sobremaneira os familiares, colegas da rea de Cincias Humanas e direo do Instituto Federal de Santa Catarina IF-SC, do Programa de Ps-Graduao em Educao (PPGE) e Programa de Ps-Graduao em Educao Cientfica e Tecnolgica (PPGECT) da UFSC, Universidade do MINHO/Portugal e demais parceiros do Programa DINTER, sobremaneira, a Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES) e Fundao de Amparo Pesquisa e Inovao do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Universidade do MINHO/Portugal. Dessas instituies, registro meu especial agradecimento s pessoas mais diretamente envolvidas: Consuelo S. dos Santos, Maria Clara k. Schneider, professores Ari Paulo Jantsch (in memoriam), Lucdio Bianchetti, Eneida Oto Shiroma, Jos Pinho e Ftima Antunes.

Em Portugal, alm da valiosa contribuio da professora Ftima Antunes, tive tambm a ajuda dos colegas do crculo de estudos do Instituto de Educao da UMINHO organizado pela referida professora que me permitiram conhecer um pouco melhor os meandros das polticas educacionais em Portugal. Ainda em Portugal quero agradecer todo apoio que recebi do Ministrio da Educao de Portugal por meio da Direo Geral de Inovao e de Desenvolvimento Curricular (ME/DGIDC) na pessoa do Dr. Vitor Figueiredo e de todos os diretores das escolas, coordenadores, professores e alunos participantes do Projeto Nacional de Educao para o Empreendedorismo (PNEE) nas seguintes instituies: Agrupamento de Escolas de Peso da Rgua, Escola Tecnolgica, Artstica e Profissional (ETAP), Plo de Valena; Escola Secundria de Maximinos (Braga), Escola Secundria Emdio Garcia (Bragana), Agrupamentos de Escolas do Peso da Rgua, Agrupamento de escolas de Gualtar, Instituto Profissional de Tecnologias Avanadas (IPTA) do Porto, ao Instituto Empresarial do MINHO (IEMINHO) na pessoa de Rui Fernandes e aos amigos do alm-mar Gervsio e Florinda e sua famlia pelos momentos de intenso convvio.

Agradecimento especial aos professores da disciplina de empreendedorismo do IF-SC, campus Florianpolis que se dispuseram a colaborar com a pesquisa prestando valiosa informaes.

10

Durante a realizao das disciplinas, encontramos diversos colegas, tanto do Programa DINTER, quanto do mestrado e doutorado regular do PPGE e PPGECT com quem debatemos muitas ideias, principalmente nas aulas do professor Ari que animava o grupo com suas piadas filosficas e seu jeito prprio de ser. Na banca de qualificao tive ajuda decisiva para concluir este trabalho e agradeo as contribuies dos professores(as): Georgia Ca, Jefferson Mainardes, Olinda Evangelista, Paulo Srgio Tumolo e Marilda Rodrigues. Na banca de defesa tive tambm as contribuies do professor Fernando Ponte de Souza.

Na UFSC agradeo ainda toda equipe de apoio, principalmente secretaria do PPGE na pessoa da Sonia e ao grupo de estudos do GEPETO que possibilitou discutir o tema desta pesquisa, bem como, outros assuntos pertinentes ao trabalho e polticas educacionais e entender que a pesquisa no deve excluir momentos de convvio e lazer.

Agradeo a meus familiares e amigos que souberam entender esse perodo de concentrao e dedicao aos estudos.

A Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior CAPES por ter contribudo com o pagamento de bolsa para a realizao de Doutorado Sandwich na Universidade do Minho de Portugal no perodo de 09/2009 a 02/2010.

11

AGRADECIMENTO ESPECIAL

Agradecimento especial a minha orientadora, professora Eneida Oto Shiroma e

coorientadora professora Ftima Antunes pela pacincia, dedicao e esforo em me

orientar para trabalhar um tema relativamente difcil como este da educao para o

empreendedorismo.

Meno especial ao professor Ari Paulo Jantsch (in memoriam)!

12

13

Somente a classe operria pode emancipar-se das tiranias dos padres, fazer da cincia um

instrumento no de dominao de classe, mas sim uma fora popular; fazer dos prprios cientistas no alcoviteiros dos prejuzos de classe parasitas do Estado espera de bons

lugares e aliados do capital, mas sim agentes livres do esprito. A cincia s pode jogar seu

verdadeiro papel na repblica do trabalho. Marx (2004, p. 103). A guerra civil na

Frana, Werke 17.

14

15

RESUMO

A temtica do empreendedorismo e sua vinculao ao campo educacional ganhou relevo nos ltimos tempos. A expanso de pesquisas e projetos que visam educar para o empreendedorismo expressam o desejo e a necessidade de se formar um trabalhador de novo tipo caracterizado como trabalhador/empreendedor com perfil e esprito inovador, criativo e proativo, capaz de criar seu prprio negcio ou agir como se fosse dono da organizao ou como intra-empreendedor evidenciando o carter liberal centrado no papel social do indivduo abstrado das determinaes estruturais, notadamente de ordem econmica. Essa proposio de educar para o empreendedorismo precisa ser questionada. Afinal, o que significa educar para o empreendedorismo? Procurando responder a essa e outras indagaes, esta pesquisa postulou como objetivo geral compreender as implicaes epistemolgicas, polticas e prticas decorrentes da incorporao do empreendedorismo pelo campo educacional investigando seu carter ideolgico, principalmente, na formao de um novo perfil de trabalhador, bem como analisar seus desdobramentos em experincias concretas como a do governo portugus por meio do Projeto Nacional de educao para o empreendedorismo (PNEE) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC). Como objetivos especficos tem-se: estudar a origem histrica do empreendedorismo, identificando suas origens e pressupostos e sua vinculao educao; compreender os propsitos da educao para o empreendedorismo e investigar como ocorre sua incorporao no campo educacional, notadamente por projetos associados pedagogia empreendedora; investigar a educao para o empreendedorismo a partir de autores que defendem essa proposta e autores crticos sua insero do empreendedorismo na educao na perspectiva de apresentar subsdios tericos que possibilitem compreender as implicaes inerentes proposta da educao para o empreendedorismo; estudar as implicaes da adoo do empreendedorismo na educao a partir da experincia posta em prtica pelo Ministrio da Educao de Portugal e contribuir para a compreenso das contradies da implementao de princpios e propostas do empreendedorismo no espao escolar. A hiptese formulada a de que a educao para o empreendedorismo tem o propsito de formar o homem de novo tipo: o trabalhador/empreendedor e, de modo simultneo, construir um novo modelo de escola: a escola

16

empreendedora. O pressuposto terico-metodolgico seguido o do materialismo histrico e dialtico, considerando-se as relaes existentes entre a produo da existncia e do conhecimento e se utiliza diversas tcnicas de pesquisa, como entrevistas, anlise documental, observao e para uma melhor compreenso da experincia de educao para o empreendedorismo na Unio Europeia e em Portugal se utiliza a abordagem do ciclo de polticas. Apresentam-se dados acerca da constituio histrica do empreendedorismo, inicialmente, considerando-se os autores do campo de economia clssica que instituram a ideia do empreendedor como aquele que corre todo tipo de risco para criar um novo negcio, posteriormente o empreendedor como o inovador advindo das teorias do campo da administrao. Essas abordagens foram assumidas e apropriadas por autores do campo das cincias humanas e sociais que formularam as concepes em torno do perfil e caractersticas do homem empreendedor e trouxeram a temtica ao campo educacional. Desse modo, articulou-se a necessidade de a educao escolar formar para o empreendedorismo. Esta pesq