teoria geral da execução - texto para resumo - proc. civil iv

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1 Esboodeumateor iadaexecuocivil

Fr edieDidierJ r .Mestre(UFBA)eDoutorando(PUC/SP)emDireito.ProfessormestredeProcessoCivildaUniversidadeFederaldaBahia. ProfessorCoordenadordaPsGraduaoemDireitoProcessualCivildasFaculdadesJorgeAmado/JusPodivm.Membrodo InstitutoBrasileirodeDireitoProcessual.AdvogadonaBahiaeemPernambuco.

SUMRIO:1Afunojurisdicionale as diversas modalidades de tutela dos direitos 2 Direitos a uma prestao e direitos potestativos 3 Direito fundamental tutela executiva 4 Execuo e processo de execuo: os mdulos processuais executivos5Cognioeatividadeexecutiva6Mritoecoisa julgada 7 Espcies de execuo: 7.1. Execuo por sub rogao e execuopor coeroindireta7.2. Execuodettulo judicial e execuo de ttulo extrajudicial 7.3. Execuo provisriaeexecuodefinitiva8Princpios:8.1.Princpiode que no h execuo sem ttulo 8.2. Responsabilidade ou toda execuo real 8.3. Contraditrio 8.4. Princpio da proporcionalidade 8.5. Princpio da menor onerosidade possvel aoexecutado8.6.Princpiodadisponibilidadedaexecuo8.7. Princpio da tipicidade dos meios executivos 8.8. Princpio da utilidade 8.9. Autonomia 8.10. Responsabilidade do exeqente8.11. Maior coincidnciapossvel8.12. Dignidade dapessoahumana.

1. Afunojurisdicionaleasdiversasmodalidadesdetuteladosdir eitos A funo jurisdicional aquela pela qual os rgos investidos de jurisdio aplicamodireitoobjetivoaocasoconcreto.Tratasedafunopelaqualsetutelamosdireitos subjetivos, resolvendose as crises jurdicas que porventura existam em derredor de tais direitos. Apartirdotipodeproteo(tutela)quesepretenda,podemseridentificados trstiposdetutelajurisdicional:a)decerteza,oudeconhecimento,oudeclaratria:buscase doPoderJudicirioacertificao,comacoisajulgada,dedeterminadarelaojurdicab)de efetivao ou executiva: pretendesea efetivao de direitos subjetivosc) de segurana ou1

Tratase da reproduo da provaescrita do concurso para provimento do cargo de ProfessorAssistente (Mestre)deProcessoCivildaFaculdadedeDireitodaUniversidadeFederaldaBahia(UFBA),realizadanodia 23deabrilde2004,querecebeuanota10(dez)detodososmembrosdabancaexaminadora:WilsonAlvesde Souza(UFBA), Leonardo Greco(UFRJ)eVallisney deSouzaOliveira(UFAM).Mantevese otexto original, semrefernciasbibliogrficasounotasderodapopensamentodosdoutrinadorescitadoaolongodotexto, normalmentesemmenoobra.

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cautelar: buscase do Estadojuiz uma providncia que assegure/garanta a efetivao da prestao jurisdicional de certificao ou de execuo, tendo em vista a circunstncia inexorveldequetodoprocessojurisdicionalnecessitadetempoeotempopodefazerque direitossejamlesadosouperdidos. Nesserpidopainel,podesevislumbraropapeldatutelaexecutiva:promover a efetivao dos direitos subjetivos, garantindo com que o resultado prtico, que o titular dessedireitopretendealmejar,seja,efetivamente,concretizado. 2. Dir eitosaumaprestaoedireitospotestativos Humaclssicadivisodosdireitos,muitoutilizadapelosprocessualistas no estudodatutelajurisdicional.Tratasedadistinoquesefazentredireitosaumaprestaoe direitospotestativos. Direito a uma prestao opoder jurdico,conferido aalgum,de exigir de outremocumprimentodeumaprestaoconduta,quepodeserumfazer,umnofazer, ou um dar coisa prestao essa que se divide em dar dinheiro e dar coisa distinta de dinheiro.Odireitoaumaprestaoprecisaserconcretizadonomundofsicoasuaefetivao arealizaodaprestaodevida.Quandoosujeitopassivonocumpreaprestao,falase eminadimplementoouleso.Comoaautotutela,emregra,proibida,otitulardessedireito, emboratenhaapretenso,notemcomo,porsi,agirparaefetivaroseudireito.Tem,assim, de recorrer ao Poder Judicirio, buscando essa efetivao, que, como visto, ocorrer com a concretizao da prestao devida. So direitos a uma prestao. Por exemplo: a) direitos absolutos(reaisepersonalssimos),quetmsujeitopassivouniversalecujocontedouma prestaonegativa.b)obrigaes,quepodemterporcontedoqualquerprestao. Direito potestativo opoder jurdico conferido a algum de alterar, criar ou extinguirsituaesjurdicas.Osujeitopassivodetaisdireitosnadadevenohcondutaque preciseserprestadaparaqueodireitopotestativosejaefetivado.Odireitopotestativoefetiva se no mundo jurdicodas normas, no no mundo dos fatos,comoocorre,demododiverso, com os direitos a uma prestao. A efetivao de tais direitos consiste na alterao/criao/extino de uma situao jurdica, fenmenos que s se operam juridicamente,semanecessidadedequalqueratomaterial(mundodosfatos).Exemplifique se. O direito de anular um negcio jurdico um direito potestativo estaanulao darse com a simples deciso judicial trnsito em julgado, no ser necessria nenhuma outra providncia material, como destruir o contrato, por exemplo. Como j disse um autor, a

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efetivao,nessescasos,dsepeloverbo,nopeloatoconcreto,material. Osdireitosaumaprestaorelacionamseaosprazosprescricionaisque,como prevoart.189doCC.2002,comeamacorrerdaleso/inadimplementonocumprimento pelosujeitopassivodoseudever. Como nos direitos potestativos no h dever, prestao, conduta, a ser cumprida pelo sujeito passivo a doutrina denomina de estado de sujeio a situao jurdicadosujeitopassivo,nosepodefalardeleso/inadimplementoassim,aprescrio no est relacionada a tais direitos. Na verdade, os direitos formativos submetemse, se houverprevisolegal,aprazosdecadenciais. Poisbem. Oqueessadistinotemavercomtutelajurisdicionalexecutiva? Quandosepensaemtutelaexecutiva,pensasenaefetivaodedireitosauma prestao falase de um conjunto de meios para efetivar a prestao devida falase em execuodefazer/nofazer/dar,exatamenteostrstiposdeprestaoexistentes.Nopor acaso, nem coincidncia, que a tutela executiva pressupe inadimplemento fenmeno exclusivodosdireitosaumaprestao.Executarforarocumprimentodeumaprestao. Reputamosessarelaoentredireitomaterialeprocessofundamentalparaacompreensodo fenmenoexecutivo. Aefetivaodeumdireitopotestativocarecedeexecuo,nosentidodotermo aqui utilizado. Asentena que reconhea umdireitopotestativo j o efetiva com o simples reconhecimentoeaimplementaodanovasituaojurdicaalmejada.Asentenaqueacolhe umademandaqueveiculeumdireitopotestativoumasentenaconstitutiva,que,portanto, exatamente por isso no gera atividade executiva posterior, em razo da absoluta desnecessidade. 3. Dir eitofundamentaltutelaexecutiva Ateoriadosdireitosfundamentaisconsideradapormuitosconstitucionalistas aprincipalcontribuiodoconstitucionalismodopsSegundaGuerraMundial. Aprocessualstica,desdemuitocedo,apercebeusedaimportnciadeestudar seoprocessoluzdaConstituioveja,porexemplo,otrabalhodeJosFredericoMarques aindanadcadade50dosculoXX. Mais recentemente, os processualistas avanaram no estudo do tema, agora 3

paraencararosinstitutosprocessuaisnosaluzdaConstituio,mas,sim,pelaperspectiva deumdeterminadotipodenormaconstitucional,quesoaquelasqueprescrevemosdireitos fundamentais. Falase,ento,doestudodoprocessoluzdosdireitosfundamentais. AConstituioFederalde1988deuumgrandeimpulsoaessatendncia,pois, no rol dos direitos e garantias fundamentais, inclui uma srie de dispositivos de natureza processual,emnmerosemprecedentenanossahistriaconstitucional. Sotantosetodiversosdispositivosquehojenosepodenegaraautonomia didticadadisciplinaTutelaConstitucionaldoProcesso. Vrios autores se tm destacado no exame do processo luz dos direitos fundamentais. Podemos citar aqueles cujas contribuies so as mais relevantes: NELSON NERY JR., MARCELO GUERRA, WILLIS SANTIAGO GUERRA FILHO, LEONARDO GRECO, JOS ROGRIO CRUZ E TUCCI, ROGRIO LAURIA TUCCI, LUIZ GUILHERME MARINONI, CARLOS ALBERTOALVARODE OLIVEIRAEDELOSMARMENDONA JR. Dois dosdispositivos constitucionais mencionados merecem, neste momento, umaatenoespecial:a)direitofundamentalaumprocessodevido(dueprocessoflaw)b)o direito fundamental a apreciao pelo Poder Judicirio de qualquer alegao de leso ou ameaadeleoadireito. Aclusuladodevidoprocessolegalconsideradaanormame,aquelaque gera os demais dispositivos, as demais regras constitucionais do processo. Dela derivam, por exemplo, a garantia do contraditrio, da proibio de provas ilcitas, da motivao da sentenaetc.EmborasemprevisoexpressanaConstituio,falasequeodevidoprocesso legalumprocessoefetivo,processoquerealizeodireitomaterialvindicado. OPactodeSanJosdaCostaRica,ratificadopeloBrasil,prescreveodireitoa umprocessocomduraorazovel,dondeseretiraoprincpioconstitucionaldaefetividade. Comoaclusuladodevidoprocessolegalabertae,almdisso,olegislador constituintedeixouclaroqueoroldosdireitosegarantiasfundamentaisnoexaustivo(art. 5,1e2,CF/88),incluindooutrosprevistosemtratadosinternacionais,adoutrinamais modernafala,portanto,nodireitofundamentaltutelaexecutiva. Esse posicionamento reforado pela moderna compreenso do chamado princpiodainafastabilidade,que,conformeclebreliodeKAZUO WATANABE,deveser

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entendido no como uma garantia formal, uma garantia de pura e simplesmente bater s portas do Poder Judicirio, mas, sim, como garantia de acesso ordem jurdica justa, consubstanciadaemumaprestaojurisdicionalclere,adequadaeeficaz.Tambmsepode retirar o direito fundamental tutela executiva desse princpio constitucional, do qual seria corolrio. Firmada a existncia de um direito fundamental tutela executiva, cumpre verificar de que modo isso repercute na atuao judicial. Em primeiro lugar, o magistrado deveinterpretaressedireitocomoseinterpretamosdireitosfundamentais,ouseja,demodoa darlhe o mximo de eficcia. Em segundo lugar, o magistrado poder afastar, aplicado o princpio da proporcionalidade, qualquer regra que se coloque como obstculo irrazovel/desproporcionalefetivaodetododireitofundamental. Mais frente, na anlise da tipicidade dos meios executivos, voltaremos ao tema. 4. Execuoeprocessodeexecuo:osmdulospr ocessuaisexecutivos Atutelajurisdicionalexecutivapodeoperarsededuasformas:a)ounobojo deumarelaojurdicaprocessualespecialmenteformadacomesseobjetivob)oucomofase de um processo j instaurado fase complementar, por certo. Falase de dois mdulos processuaisexecutivos. Noprimeiro caso, temos oprocessode execuo, relao jurdica processual com predominante funo executiva no segundo caso, a execu