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www.unioeste.br/eventos/conape

II Congresso Nacional de Pesquisa em Cincias Sociais Aplicadas II CONAPE

Francisco Beltro/PR, 02, 03 e 04 de outubro de 2013.

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TEORIA DO CAPITAL HUMANO E GASTOS DO GOVERNO FEDERAL EM EDUCAO BSICA BRASIL: UMA ANLISE PARA O

PERODO DE 1995 A 2010 Keiti Aline Zang1

Roselaine Navarro Barrinha2

rea de conhecimento: Cincias Econmicas Eixo Temtico: Crescimento e Desenvolvimento Econmico

RESUMO A teoria do capital humano afirma que o investimento em capital intelectual se reflete no desenvolvimento socioeconmico de um pas, considerando, portanto a educao como ferramenta essencial. A partir da verificao dos gastos do governo federal em educao bsica no Brasil, de 1995 a 2010, bem como dos resultados destes oriundos, o presente artigo procurou apreender se o Estado brasileiro tem sido orientado pela perspectiva terica presente na teoria do capital humano. Vale ressaltar que no que diz respeito determinao dos resultados oriundos dos gastos em educao, utilizou-se como base os dados constantes do Relatrio "Education at a Glance 2012" - que analisou e comparou os sistemas de ensino dos pases membros da Organizao para a Cooperao e Desenvolvimento Econmico (OCDE) -, bem como os dados constantes do Programa Internacional de Avaliao PISA desenvolvido tambm pela OCDE. Os resultados da pesquisa apontaram significativa variabilidade dos gastos (investimentos) do governo federal em educao bsica, especialmente nos dez primeiros anos considerados, envolvendo aumento e reduo. Tal comportamento se modifica no perodo seguinte, quando a ampliao se apresenta de forma contnua.. A continuidade da postura dos ltimos anos poderia ser, portanto um indicativo da compreenso por parte do Estado da essencialidade da educao no combate pobreza e desigualdade social, bem como da influncia da teoria do capital humano na conduo da poltica de

educao brasileira.

Palavras Chave: Desigualdade Social. Educao e Renda. Gastos com Educao. Polticas Pblicas de Educao. Teoria do Capital Humano.

INTRODUO

A educao sempre foi considerada como um meio de engrandecimento do

esprito humano e de ampliao da capacidade do indivduo de interagir

produtivamente com o meio em que vive, gerando benefcios para si e para a

sociedade em geral.

A teoria econmica passou a dar importncia especial educao a partir de

1960, enfatizando-a como elemento fundamental na melhoria da produtividade do

fator humano mais especificamente da fora de trabalho. Um dos principais

1Graduada em Cincias Econmicas/Universidade Estadual do Oeste do Paran/

keitialinezang@hotmail.com 2 Doutora em Histria Social pela Universidade Federal Fluminense e docente no curso de Cincias

Econmicas da UNIOESTE, campus de Francisco Beltro/ roselainenbs@gmail.com.

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tericos a evidenciar a referida significncia foi Schultz (1973), expondo-a na obra

que levaria o nome da teoria por ele desenvolvida Teoria do Capital Humano, que

relacionava o aumento da produtividade do trabalho e da renda obtida do indivduo

ao aumento de suas habilidades (capital humano).

Para o referido autor, o investimento em educao condio bsica e,

portanto, essencial para se atingir o desenvolvimento econmico. Nesse sentido, o

investimento em educao desde o nvel bsico at o superior, bem como, a

qualificao/capacitao da mo de obra so fundamentais para a nao. isso o

que defende a teoria do capital humano. Em outros termos, a teoria do capital

humano desenvolvida por Schultz (1973) no trata apenas das condies que levam

melhoria da renda individual, para, alm disso, evidencia o processo necessrio

para que a nao seja econmica e socialmente prspera.

Portanto, uma sociedade que pretende avanar do ponto de vista econmico-

social deve necessariamente voltar a sua ateno para a rea educacional. A

intensidade dessa ateno se reflete, por sua vez, nos gastos (investimento) que o

Estado realiza com a educao. Tendo em conta o exposto questiona-se se o

Estado Brasileiro tem de fato partilhado da mesma percepo constante da Teoria

do Capital Humano e ainda, se esta percepo tem se refletido na evoluo e na

qualidade dos gastos com a educao de sua populao.

Para dar conta da problemtica proposta o estudo se estruturou em 2 partes

alm da introduo e da concluso. A primeira se preocupou em explicitar o

referencial terico norteador da pesquisa, qual seja, a teoria do capital humano,

enfatizando os seguintes pontos: o contexto histrico no qual ela surge e o seu

contedo terico principal. A segunda parte, que expe os resultados e discusses

propriamente ditos foi desenvolvida da seguinte forma: inicialmente explicitou-se a

evoluo dos gastos federais com a educao bsica entre os anos de 1995 a 2010

e na sequncia se realizou a anlise dos resultados oriundos de tais gastos. No que

diz respeito a este ltimo aspecto, vale ressaltar que tomou-se por base os

seguintes documentos: Relatrio "Education at a Glance 2012" (Olhar sobre a

Educao 2012, que analisou e comparou os sistemas de ensino dos pases

membros da Organizao para a Cooperao e Desenvolvimento Econmico

(OCDE), bem como os dados constantes do Programa Internacional de Avaliao

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PISA desenvolvido tambm pela OCDE e que mede o nvel educacional de

jovens de 15 anos por meio de provas de Leitura, Matemtica e Cincias.

Os dados quantitativos utilizados na pesquisa foram coletados das seguintes

fontes: banco de dados dos seguintes rgos/instituies: OCDE, Secretaria de

Planejamento do Governo federal, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica -

IBGE, Ministrio da Educao MEC, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

Educacionais Ansio Teixeira INEP.

Cabe ressaltar que as fontes consultadas foram basicamente de carter

secundrio. Com relao ao perodo utilizado para a coleta dos dados, o mesmo foi

determinado a partir de duas questes essenciais: 1) a partir da dcada de 1990

que a teoria do capital humano passa a exercer maior influncia a nvel nacional,

inclusive em funo da abertura comercial e da insero nacional na chamada

globalizao econmica; 2) Devido s dificuldades de obteno de dados seguros,

com relao aos gastos em educao antes de 1995 decidiu-se por efetuar a anlise

a partir de 1995.

1 REFERENCIAL TERICO

1.1 A Teoria do Capital Humano de Schultz e contexto histrico que a produz

O termo capital humano faz parte da teoria econmica h algum tempo, tendo

nela ganho destaque especialmente a partir da dcada de 1960. No entanto, h que

se ressaltar que o seu uso extrapola tal rea, sendo encontrado tanto nas cincias

sociais quanto nas humanas.

Mas o que especificamente significa o referido termo? Do que ele trata?

Sandroni (1994) traz uma definio bastante simples e geral. Para ele o capital

humano o conjunto de investimentos destinados formao educacional e

profissional de determinada populao. Em outras palavras, o conjunto de

aptides e habilidades pessoais que capacitam o indivduo para o desempenho

profissional, permitindo-lhe assim auferir renda. Nesse sentido, pode-se dizer que as

aptides naturais tambm fazem parte do conjunto de habilidades desenvolvidas via

processo de aprendizagem. Tal processo atuaria, portanto, potencializando as

habilidades naturais j possudas e desenvolvendo novas habilidades.

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As primeiras teorias econmicas tratavam da produo como resultado da

atuao de trs fatores, terra, capital e trabalho. A combinao eficiente desses

fatores e, mais especificamente o desenvolvimento de cada um deles sempre foi

uma preocupao da economia. No que diz respeito especialmente ao fator trabalho,

vale ressaltar que j na obra dos economistas clssicos est presente a ideia de que

o aperfeioamento da fora de trabalho eleva a capacidade produtiva.

Ainda de acordo com os economistas clssicos, os indivduos poderiam sair

de uma condio de detentores apenas da fora de trabalho para detentores de

capital, portanto, meios de produo. Para tanto, a condio seria se privar no

presente de determinados prazeres (sacrificar consumo presente) a fim de poupar

para promover o referido salto. Ou seja, a restrio no momento presente seria uma

condio necessria e racional para melhorar a condio futura. Em resumo, seria

uma escolha que cada um deveria realizar. Da mesma forma, pode-se dizer que

para a teoria do capital humano cada indivduo tambm deve realizar uma escolha,

investir em si mesmo exigiria no presente certos sacrifcios no apenas financeiros

-, tendo em vista um melhor desfrute no futuro. essa a perspectiva presente na

teoria do capital humano, ou seja, a idia de que o indivduo gasta