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Apontamentos sem fronteiras

Antnio Filipe Garcez Jos

Teoria Geral do Direito Civil

Universidade Autnoma de Lisboa

Regente do cursoProf. Doutor Fernando Pinto Monteiro

Aulas Prticas... Dra. Ndia Antunes

Apontamentos e resumos das aulas, realizados por Antnio Filipe Garcez Jos, aluno n 20021078

Manual de estudo

Teoria Geral do Direito Civil.DR.Carlos Alberto da Mota Pinto

2 semestre

VCIOS DO NEGCIO JURDICO

Divergncia entre a vontade e a declarao Vcios na formulao da vontade

Quando a normal relao de concordncia entre a vontade e a declarao afastada, por razes diversas e substituda por uma relao patolgica.

A divergncia entre a vontade real e a declarao pode ser

Divergncia Intencional

Quando o declarante emite, consciente e livremente, uma declarao com um sentido objectivo diferente da sua vontade real.

Divergncia no intencional

Quando a divergncia entre a vontade real e a declarao involuntria, ou porque o declarante se no apercebe da divergncia ou porque forado irresstivelmente a emitir uma declarao com um sentido diferente do seu real intento.

DIVERGNCIA INTENCIONALA divergncia intencional pode apresentar-se sob 3 formas principais :

Simulao

Reserva mental

Declaraes no srias

Simulao (art. 240)O declarante emite uma declarao com um sentido objectivo diferente da sua vontade real, por fora de um conluio com o declaratrio, com a inteno de enganar terceiros.

ARTIGO 240(Simulao)

1. Se, por acordo entre declarante e declaratrio, e no intuito de enganar terceiros, houver divergncia entre a declarao negocial e a vontade real do declarante, o negcio diz-se simulado.

2. O negcio simulado nulo.

Exemplo :

Venda fantstica

"A" finge vender um prdio a "B", por conluio com este, a fim de prejudicar os seus credores; no querem na realidade vender nem comprar, mas apenas criar uma aparncia danosa para aqueles terceiros.

Reserva mental (art. 244)O declarante emite uma declarao com sentido objectivo diferente da sua vontade real, sem qualquer conluio com o declaratrio, mas com a inteno de o enganar.

ARTIGO 244(Reserva mental)

1. H reserva mental, sempre que emitida uma declarao contrria vontade real com o intuito de enganar o declaratrio.

2. A reserva no prejudica a validade da declarao, excepto se for conhecida do declaratrio; neste caso, a reserva tem os efeitos da simulao.

Exemplo:"A" declara a "B" fazer-lhe uma doao, ou um emprstimo, sem que na realidade tenha essa inteno, pois visa apenas dissuadir "B" do suicdio, que este, em virtude da sua situao econmica precria, afirma ter em mente.

Declaraes no srias (art. 245)O declarante emite uma declarao com sentido objectivo diferente da sua vontade real, mas sem intuito de enganar qualquer pessoa (declaratrio ou terceiros)

O autor da declarao est convencido que o declaratrio se apercebe do carcter no srio da declarao.

ARTIGO 245(Declaraes no srias)

1. A declarao no sria, feita na expectativa de que a falta de seriedade no seja desconhecida, carece de qualquer efeito.

2. Se, porm, a declarao for feita em circunstncias que induzam o declaratrio a aceitar justificadamente a sua seriedade, tem ele o direito de ser indemnizado pelo prejuzo que sofrer.

Exemplo:

Pode tratar-se de declaraes jocosas, didcticas, cnicas, publicitrias, etc

DIVERGNCIA NO INTENCIONAL Erro-obstculo ou erro na declarao (art. 247) Falta de conscincia na declarao

Coaco fsica ou violncia absoluta

Erro-obstculo ou erro na declarao (art. 247)O declarante emite uma declarao com sentido objectivo diferente da sua vontade real, sem ter disso conscincia. (trata-se de um lapso, de um engano ou de um equvoco) Ver tambm o art. 250ARTIGO 247(Erro na declarao)

Quando, em virtude de erro, a vontade declarada no corresponda vontade real do autor, a declarao negocial anulvel, desde que o declaratrio conhecesse ou no devesse ignorar a essencialidade, para o declarante, do elemento sobre que incidiu o erro.

Exemplo:O caso da pessoa que quer comprar a Quinta do Mosteiro e declara querer comprar a Quinta da Capela, que um outro prdio, por julgar que a Quinta do Mosteiro se chama Quinta da Capela.

ARTIGO 250Erro na trasmisso da declarao1. A declarao negocial inexactamente transmitida por quem seja incumbido da transmisso pode ser anulada nos termos do artigo 247.2. Quando, porm, a inexactido for devida a dolo do intermedirio, a declarao sempre anulvel.

Falta de conscincia da declarao (art. 246)O declarante emite uma declarao, sem sequer ter a conscincia (a vontade) de fazer uma declarao negocial, podendo at faltar completamente a vontade de agir.

ARTIGO 246(Falta de conscincia da declarao e coaco fsica)

A declarao no produz qualquer efeito, se o declarante no tiver a conscincia de fazer uma declarao negocial ou for coagido pela fora fsica a emiti-la; mas, se a falta de conscincia da declarao foi devida a culpa, fica o declarante obrigado a indemnizar o declaratrio.

Exemplo:

Um indivduo entra num leilo e faz um gesto de saudao a um amigo; segundo as praxes do lugar esse gesto corresponde a uma oferta de certa importncia pelo objecto leiloado, sem que a pessoa disso se tenha apercebido.

Coaco fsica ou violncia absoluta (art. 246)O declarante forado a dizer ou escrever o que no quer, pelo emprego de uma fora fsica irresistvel que o instrumentaliza e leva a adoptar o comportamento.

Exemplo:

Algum agarrando a mo de outrm, o obriga a desenhar a sua assinatura num documento.

Divergncia entre a vontade e a declarao PROBLEMTICA

O interesse do declarante

aponta para a invalidade do negcio, cujo sentido objectivo no coincide com a sua vontade real.

O interesse do declaratrio

aponta para a irrelevncia entre o querido e o declarado, para a proteco das suas legtimas expectativas

Os interesses gerais do comrcio jurdico

apontam para a validade do negcio e a produo dos efeitos correspondentes ao sentido objectivo da declarao

Os interesses de terceirosApontam para o interesse dos subadquirentes, credores, etc, que do declarante ou do declaratrio derivam direitos ou deles os adquiriram.

Teorias que visam resolver o problema :

Teoria da vontade Teoria da "culpa in contraendo" Teoria da responsabilidade

Teoria da declaraoTeoria da vontadePropugna a invalidade do negcio desde que se verifique uma divergncia entre a vontade e a declarao e sem necessidade de mais requisitos

Teoria da "culpa in contraendo"Parte da teoria da vontade, mas acrescenta-lhe a obrigao de indemnizar o "interesse contratual negativo" a cargo do declarante, uma vez anulado o negcio com fundamento na divergncia, se houve dolo ou culpa deste na divergncia entre a vontade e a declarao e houve boa f por parte do declaratrio.

Indemnizao do interesse contratual negativo (art. 227)Visa repor o declaratrio, lesado com a invalidade, na situao em que estaria se no tivesse chegado a concluir o negcio.

Teoria da responsabilidadeAssenta na mesma ideia da teoria anterior, com a diferena de, em caso de dolo ou culpa do declarante, e estando o declaratrio de boa f, o negcio ser vlido.

Teoria da declaraoEsta teoria d relevo fundamental declarao, ao que foi exteriormente manifestado.

Esta teoria comporta vrias modalidades :

Modalidade primitivaSe a forma ritual foi observada, produzem-se efeitos, mesmo que no tenham sido queridos

Doutrina da confiana A divergncia entre a vontade real e o sentido objectivo da declarao, s produz a invalidade do negcio, se for conhecida ou cognoscvel do declaratrio.

Doutrina da aparncia eficaz ( posio adoptada pelo Cdigo Civil) !!!!Subscreve os resultados da doutrina da confiana, mas limita-a, propugnando a invalidade, tambm para a hiptese de o declaratrio, ter compreendido um terceiro sentido.

Posio do Cdigo Civil As solues, dadas a cada uma das formas que a divergncia entre a vontade e declarao reveste (arts. 244, 245, 246, 247) mostram estar subjacente ao sistema do actual Cdigo uma soluo declarativista , correspondente teoria da confiana, mais precisamente doutrina da aparncia eficaz, que se apresenta como a mais justa e mais conforme aos interesses do trfico, ao pensamento de proteco da confiana.

(art. 240) ConceitoEst explcitamente formulado no n 1 do artigo 240SUBSECO V

Falta e vcios da vontade

ARTIGO 240(Simulao)

1. Se, por acordo entre declarante e declaratrio, e no intuito de enganar terceiros, houver divergncia entre a declarao negocial e a vontade real do declarante, o negcio diz-se simulado.

2. O negcio simulado nulo.

Elementos integradores da simulao :

Intencionalidade da divergncia entre a vontade e a declarao

Acordo entre declarante e declaratrio (conluio) Intuito de enganar terceiros

Modalidades da simulaoSimulao inocente (sem interesse civilstico)

Mero intuito de enganar terceiros, sem os prejudicar.

Simulao fraudulentaSe houve o intuito de prejudicar terceiros ilcitamente ou de contornar qua