tense and aspect in english and portuguese: a contrastive ... primeira parte (capítulos 2 a 4)...

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    Tense and aspect in English and Portuguese:

    a contrastive semantical study

    Diana Maria de Sousa Marques Pinto dos Santos

    Junho de 1996

    RESUMO ALARGADO

    Esta tese surgiu da necessidade de descrever a lngua portuguesa de forma a ser processada por computador.

    O estudo do tempo (verbal) e aspecto em portugus foi escolhido por ser um domnio relacionado com a representao do conhecimento que os falantes do portugus fazem do conceito tempo, e pela sua presumvel aplicao quer na compreenso de narrativas em portugus quer na formalizao do raciocnio sobre aces em geral.

    Devido enorme literatura existente sobre o assunto em relao lngua inglesa, e de forma a poder, por um lado, fazer uso das propostas nela contidas, e, por outro, poder estudar o portugus na sua identidade prpria, decidi fazer um estudo contrastivo que pusesse em foco quer as semelhanas quer as diferenas das duas lnguas no que se refere informao temporal-aspectual. Tal trazia alm disso a vantagem de tornar o presente estudo interessante tambm para a traduo automtica entre as duas lnguas, que era um assunto no qual j tinha trabalhado e conhecia pois as carncias a nvel de estudos quer tericos quer prticos em relao ao par portugus-ingls.

    Visto que o meu conhecimento de ingls est muito aqum de uma proficincia nativa, imps-se o uso de textos originais (e suas tradues) como objecto de estudo. O recurso a corpora no esteve nunca em questo, contudo, visto que o considero metodologicamente necessrio em Engenharia da Linguagem.

    Esta tese corresponde por conseguinte a trabalho em reas que se encontram em geral separadas: semntica (computacional), traduo, e processamento de corpora. Um dos mritos do presente trabalho pois a capacidade de integrar perspectivas e mtodos de disciplinas diferentes.

    Aps uma descrio detalhada do contedo de cada captulo da tese, indicarei os

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    resultados que me parecem mais relevantes.

    Esquema da tese

    A tese composta de trs partes, mais uma introduo (captulo 1) e um pequeno captulo de observaes finais (captulo 15).

    A primeira parte (captulos 2 a 4) trata das questes tericas, tentando responder (parcialmente) s seguintes grandes questes: O que um estudo contrastivo? Qual a semntica do tempo e do aspecto? Como que se analisa a traduo em geral (e tradues em particular)?

    A segunda parte (captulos 5 a 8) contm as propostas prticas e a sua utilizao para a descrio do portugus e do contraste deste com o ingls, que , como antes afirmei, um dos objectivos do presente trabalho. Em particular, so sugeridos dois modelos computacionais que so depois empregues na descrio de um grande nmero de tradues constantes no corpus.

    Finalmente, a terceira parte (captulos 9 a 14) apresenta vrios estudos empricos detalhados com base no corpus, quer sobre o portugus apenas, quer versando o contraste das duas lnguas.

    Passo pois a descrever resumidamente o contedo de cada captulo, indicando a carregado o nmero das seces relevantes.

    O captulo 1, Introduo, relata de forma sucinta as dificuldades conceptuais de usar tradues como dados semnticos (1.1), introduz o tema do tempo e do aspecto (1.2), e apresenta a minha viso sobre a disciplina do Processamento de Linguagem Natural (tambm chamada Lingustica Computacional) (1.3). Alm disso, descreve sucintamente o corpus utilizado, discutindo criticamente algumas opes tomadas na sua constituio (1.4). Finalmente, os leitores so informados dos problemas com que me deparei pela necessidade de exprimir em ingls uma traduo da parte portuguesa de cada par original-traduo apresentado como exemplo, e a filosofia que segui nessa tarefa exposta em traos largos (1.6).

    O captulo 2, Lnguas em contraste, dedicado problemtica da comparao de duas lnguas. Nele exponho que, em geral, quer em estudos de semntica quer em sistemas de processamento de linguagem natural, comum, embora profundamente errado, assumir que as lnguas exprimem o mesmo significado por meios diferentes (2.1). Descrevo sucintamente (2.2) trs perspectivas bsicas no contraste de duas ou mais lnguas: a perspectiva universalista, a tipolgica, e a relativista, apresentando alguns exemplos de cada no domnio do tempo e do aspecto, e decidindo, aps criticar as anteriores, por uma posio relativista, convenientemente motivada (2.5). Noto

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    tambm que o facto das duas lnguas em presena serem da mesma famlia (a indo-europeia) no razo para modificar a forma de investigao do seu contraste (2.4), e menciono de passagem a disciplina dos estudos contrastivos (2.3).

    O captulo 3 intitula-se Traduo e tem como principal objectivo investigar como comparar duas lnguas atravs da sua traduo, sem partir da hiptese de que a traduo preserva o sentido. A primeira parte oferece uma panormica das abordagens a essa questo, na disciplinas da traduo automtica (3.1) e da lingustica (3.2). A segunda parte foca a questo da descrio de pares original-traduo, investigando o conceito de "desajuste na traduo" ("translation mismatch") (3.3) e demonstrando que, se esse conceito apropriado em traduo automtica, no se adequa s necessidades da anlise de tradues humanas, sobre as quais este estudo versa (por serem consideradas dados semnticos). Em alternativa, uma tipologia de pares original-traduo sugerida, em funo do grau de preservao da informao na traduo (3.4). Em seguida, o fenmeno da interferncia da lngua origem nos textos traduzidos na lngua destino, designado por traduts ("translationese") apresentado (3.5), e feita breve meno questo complexa da qualidade de uma traduo (3.6). Esta segunda parte coroada por uma discusso de algumas das consequncias do exposto at ao momento (3.7): em particular, afirmo que impossvel contar com (sequer) uma maioria simples de pares original-traduo que preservem o significado, e que no realista esperar que a tarefa de anlise de tradues humanas (j feitas) seja mais fcil do que a implementao de tradues automticas (por fazer), argumentando contra o que me parece um optimismo injustificado por parte de alguns investigadores. Finalmente, a terceira parte deste captulo, sem dvida a mais importante, argumenta a favor do uso de corpora traduzidos para a comparao e contraste de duas lnguas, argumento que reputo original (3.8.1), e esboa uma proposta de metodologia geral para esse tipo de estudos (3.8.2). Esta proposta representa uma reflexo sobre as possibilidades de investigao na rea, mas no reflecte, contudo, por posterior, os estudos empricos descritos no resto da tese. Concluo (3.9) afirmando, entre outras coisas, que a nica maneira correcta de comparar duas lnguas atravs do estudo de tradues independentes, mas que, no s preciso analisar a relao de sentido subjacente a cada relao de traduo, como

    as lnguas diferem mais no que dizem do que naquilo que conseguem dizer.

    O captulo 4, sobre a Semntica do tempo e do aspecto, pretende iniciar o leitor nos assuntos que me parecem mais relevantes na vastssima literatura na rea, sempre atravs da expresso das minhas opinies pessoais, por vezes polmicas. Primeiro (4.1), distingo trs tipos de questes sobre as quais me vou pronunciar: problemas de definio, de descrio/explicao e de clculo. Segue-se a sua discusso. Dois assuntos

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    a que dou particular importncia so a questo da ontologia (aquilo sobre o qual se fala) (4.3.2 e 4.3.4), em que proponho uma distino irredutvel entre acontecimentos ("events"), estados ("states") e qualidades ("properties"), e a questo da vagueza ("vagueness") (4.4.3), que defendo como uma das propriedades essenciais da linguagem natural como veculo de transmisso de informao. Para o leitor apressado, termino (4.5) listando as concluses mais importantes do captulo.

    O captulo 5 apresenta Um modelo descritivo para tempo e aspecto e sua traduo, contendo, primeiro, a minha redefinio da rede aspectual ("aspectual network") proposta por Moens (1987) (5.1). O sistema de tempo e aspecto do ingls seguidamente descrito e discutido brevemente nesse enquadramento (5.2). Finalmente, sugiro um modelo para a descrio de tradues basado no acoplamento de duas redes aspectuais diferentes, a rede de traduo ("translation network") (5.3). A essncia destas propostas ser apresentada mais abaixo.

    O captulo 6 totalmente dedicado a Um esboo do sistema de tempo e aspecto do portugus, contendo contudo algumas seces que ultrapassam esta questo: O uso das categorias propostas por Vendler (1967) para lnguas que no o ingls duramente criticado, sendo, pelo contrrio, feita a apologia do mtodo proposto por este investigador para a descoberta das categorias subjacentes a cada lngua (6.1). Esse mtodo seguido neste captulo, que defende (6.2 a 6.5) que existem trs categorias (aspectuais) principais em portugus: Propriedades (ou estados permanentes), Estados (temporrios), e Acontecimentos, e que estes ltimos so conceptualizados quer como Mudanas quer como Obras. (Mudanas so acontecimentos que se resumem a ter um resultado; Obras so acontecimentos que levam tempo.) As propriedades, por seu lado, so divididas, por critrios lingusticos, entre Propriedades essenciais e Propriedades sociais. Finalmente, outras classes compostas so identificadas e discutidas: Aquisies, Moradas, Estados, Sries, Obra+Mudana, e Mudana+Obra. O problema do ponto de vista ("perspectival aspect") e da quantificao em portugus, mencionados no captulo 4 como relevantes em geral, so tambm tratados brevemente neste captulo (6.6 e 6.7). Em seguida, apresentada uma descrio de alguns tempos verbais em portugus (6.8), terminando com uma descrio da lngua em forma de rede aspectual (6.9). de salientar que, apesar de no ter sido dada muita ateno nesta tese a fenmenos de quantificao, uma sugesto de alargamento do modelo geral nesse sentido avanada (6.9.2). O captulo termina com uma explicao, luz do material nele exposto, de porque que os testes