tendencias da hermeneutica pentecostal

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Tendncias da Hermenutica PentecostalEsta uma parte da srie de palestras sobre Hermenutica Pentecostal dada no Seminrio de Teologia das Assembleias de Deus, Springfield, Missouri. Por Roger Stronstad Em 01 de janeiro de 1901, o movimento pentecostal nasceu. O mundo foi um berrio para o novo sculo; a cidadezinha do meio-oeste chamada Topeka, no Kansas, foi o berrio para o nascimento de um novo movimento. O sculo 20 nasceu para a celebrao pblica; o movimento pentecostal nasceu nas experincias individuais de um membro de uma pequena reunio de orao privada na Escola Bblica Betel. Embora o movimento pentecostal tenha se iniciado em humilde anonimato, hoje, com pouco mais de uma dcada antes de chegar ao seu centenrio, ele cresceu e se tornou em uma grande fora para a cristandade.

A Tradio do Pentecostalismo Clssico: Uma hermenutica "Pragmtica"

Charles F. Parham: Origens da Hermenutica "Pragmtica" Assim como Martinho Lutero a fonte do luteranismo, Joo Calvino da teologia reformada, e Joo Wesley da Igreja Metodista, assim Charles F. Parham a fonte do pentecostalismo. Parham no foi o primeiro a falar em lnguas. Em certo sentido, a honra vai para a senhorita Agnes N. 0zman.1 Em outro sentido, o nascimento do movimento pentecostal o clmax do crescente volume de experincias entre os

1

Mrs. Charles F. Parham, The Life of Charles F. Parham Founder of the Apostolic Faith Movement (Joplin, Mo.: Hunter Printing Company, 1930), 52,53,6568.

vrios avivamentos e movimentos de F Apostlica.2 O que fez Charles F. Parham o pai do pentecostalismo e de Topeka, Kansas, o foco do pentecostalismo, e Ozman Agnes, a primeira pentecostal, no foi a singularidade desta experincia, mas a nova compreenso bblica/hermenutica dessa experincia. Charles F. Parham legou ao movimento pentecostal a sua hermenutica definitiva e, consequentemente, a sua teologia e apologtica definitiva. Sua contribuio surgiu do problema da interpretao do segundo captulo de Atos e da sua convico de que a experincia crist do sculo 20 "deveria corresponder exatamente com a Bblia, [porm], nenhuma santificao nem uno existente... correspondia com o captulo 2 de Atos dos Apstolos."3 Assim ele relata: "Eu ponho os alunos para estudar diligentemente sobre qual a evidncia bblica do batismo no Esprito Santo para que possamos ir diante do mundo com algo que seja irrefutvel, pois corresponde absolutamente com a Palavra."4 Ele conta os resultados da sua busca com as seguintes palavras: "Deixando a escola por trs dias nesta tarefa, fui para a cidade do Kansas para trs dias de cultos. Voltei para a escola na manh anterior ao culto da Viglia Noturna do ano de 1900." "Por volta das 10:00 horas da manh, tocou a campainha chamando todos os alunos capela para obter o relatrio deles sobre o assunto. Para meu espanto, todos tinham a mesma histria, que, apesar de vrias coisas estarem ocorrendo quando caiu a beno pentecostal, a prova irrefutvel em cada ocasio era que eles falaram em outras lnguas ".5 No relato de Parham encontramos a distino essencial do movimento pentecostal, ou seja, (1) a convico de que a experincia contempornea deve ser idntica ao cristianismo apostlico, (2) a separao entre batismo no Esprito Santo e santificao2

J. Philip Newell, Scottish Intimations of Modern Pentecostalism: A.J. Scott and the 1830 Clydeside Charismatics, Pneuma, Vol. 4, No. 2 (1982): 118, Newell inicia o seu artigo com o seguinte relato: Em 28 de Maro de 1830, Mary Campbell, uma jovem devota escocesa de Clydeside, durante um ato de orao comunitria em sua prpria casa, falou em uma lngua desconhecida. Mary e aqueles que ouviram isso, acreditaram ser o ressurgimento do dom apostlico de lnguas. Sobre a histria da igreja Catlica Apostlica do mesmo perodo veja Larry Christensen, Pentecostalisms Forgotten Forerunner, em Aspects of Pentecostal-Charismatic Origins, editado por Vinson Synan (Plainfield, N.J.: Logos International, 1537. Compare Harold Hunter, Spirit-Baptism and the 1896 Revival in Cherokee County, North Carolina, Pneuma, Vol. 5, No. 2 (1983): 117, Donald W. Dayton, From Christian Perfection to the Baptism of the Holy Ghost, Melvin E. Dieter, Wesleyan Holiness Aspects of Pentecostal Origins: As Mediated Through the 19th-Century Holiness Revival, e William W. Menzies, The Non-Wesleyan Origins of Pentecostal Movement, em Synan, Aspects, 4098. 3 Parham, Life, 52. 4 Ibid. 5 Ibid.

(os movimentos de santidade j haviam separado isso da converso/iniciao), e (3) que o falar em lnguas era a evidncia irrefutvel ou prova do batismo no Esprito Santo. A descoberta de que o falar em lnguas era a prova bblica irrefutvel do batismo no Esprito Santo, foi confirmada no dia seguinte, a experincia de uma aluna da Escola Bblica Betel, Agnes Ozman. Ela testificou que: "O esprito de orao estava sobre ns durante a noite. Era quase sete horas do dia primeiro de Janeiro, quando veio em meu corao pedir ao irmo Parham para colocar as suas mos sobre mim, para que eu pudesse receber o dom do Esprito Santo. Quando as suas mos foram impostas sobre a minha cabea, ento o Esprito Santo desceu sobre mim e comecei a falar em outras lnguas, glorificando a Deus. Falei em vrias lnguas, era claramente manifesto quando um novo dialeto estava sendo falado."6 Agnes Ozman foi a primeira, mas no a ltima pessoa a falar em lnguas na Escola Bblica. Em 03 de Janeiro de 1901, outros alunos, e at mesmo o prprio Parham, falaram em lnguas. Quando questionado sobre a sua experincia, a senhorita Ozman "apontou-lhes as referncias bblicas, mostrando que [ela] tinha recebido o batismo de acordo com Atos 2.4 e 19.1-6."7 Assim, na semana que encerrou a temporada de Natal de 1900 e do Ano Novo de 1901, as lnguas foram identificadas como a evidncia bblica do batismo no Esprito e foram confirmadas pela experincia contempornea (sculo 20). Essa identificao das lnguas bblicas e da experincia carismtica contempornea ocorreu por causa de uma hermenutica pragmtica. Essa hermenutica pragmtica passou para o recente movimento pentecostal como uma "tradio oral". Essa tradio foi posteriormente "recebida" pelo conselho das igrejas e codificada em declaraes doutrinais. Como resultado dessa codificao da hermenutica e teologia de Parham, a hermenutica pentecostal permaneceu em um vcuo analtico por boa parte da sua breve histria. Na verdade, a hermenutica pentecostal tem sido mais exposta do que investigada e analisada. Contudo, essa hermenutica pragmtica tornou-se o baluarte da apologtica pentecostal e o pilar do pentecostalismo clssico, que, embora possa ser articulada com maior clareza, elegncia e sofisticao, manteve-se inviolada at recentemente.6 7

Ibid., 66. Ibid.

Carl Brumback: Um Exemplo de Hermenutica Pentecostal Clssica "Pragmtica" Assim como o fogo impulsionado pelo vento atravs da pradaria seca, assim, nas dcadas seguintes aos decisivos eventos na Escola Bblica Betel, os ventos do Esprito varreram as chamas do pentecostes sobre os coraes espiritualmente secos. O recente avivamento pentecostal avanou e cresceu, tornando-se rapidamente mais internacional do que a tbua das naes do primeiro pentecostes cristo (Atos 2.9-11). O avivamento espalhou-se rapidamente a partir do Kansas e Missouri, at o Texas e Califrnia.8 E dali para os confins da terra. Contrariamente s expectativas e desejos da maioria do incipiente movimento, ele coligou-se em vrias estruturas denominacionais. Depois de 50 anos ele foi cautelosamente admitido na principal corrente do evangelicalismo.9 Atravs desse caleidoscpio de variedades que caracteriza o pentecostalismo localmente, nacionalmente e at mesmo internacionalmente, um aspecto permaneceu constante - a hermenutica pragmtica que olhou para o pentecostes como o padro para a experincia contempornea. Escrevendo sobre o meio caminho andado entre o incio do movimento pentecostal at o presente, um expositor declarou: "Cremos que a experincia dos cento e vinte em Atos 2.04 - 'E todos foram cheios do Esprito Santo e comearam a falar em outras

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Veja o captulo 3, The Revival Spreads to Los Angeles (19011906, em William W. Menzies, Anointed to Serve (Springfield, Mo.: 1971), 4159. 9 Veja o captulo 9, Cooperation: From Isolation to Evangelical Identification, em Menzies Anointed, 177227.

lnguas, conforme o Esprito Santo lhes concedia que falassem' o padro bblico para os crentes de toda era da igreja."10 Essa afirmao foi escrita por Carl Brumback, a quem escolhi como um exemplo de hermenutica pentecostal.11 Essa afirmao da hermenutica pentecostal, no entanto, poderia ter sido escrita em qualquer dcada da histria do movimento, ou por qualquer pessoa pertencente ao movimento. Isto porque a hermenutica pentecostal tradicional e, portanto, essencialmente intemporal e annima. Em seu livro, "What Meaneth This?: A Pentecostal Answer to a Pentecostal Question", Brumback no se cansa de afirmar esse Pentecostes como o padro de orientao hermenutica. Por exemplo, "O batismo ou enchimento com o Esprito Santo, conforme registrado em Atos", escreve ele, "deve ser o padro para os crentes de hoje"; alm disso, "nos dias apostlicos o falar em lnguas acompanhava constantemente o batismo com o Esprito Santo, e assim deve ser nestes dias"; ainda mais, "falar em lnguas formou o padro para cada batismo ou revestimento carismtico semelhante"; e finalmente, "as lnguas de Pentecostes... definiram o padro para o futuro batismo no Esprito Santo."12 Para os pentecostais, ento, as lnguas so normativas para sua experincia, assim como elas foram normativas na experincia da Igreja Apostlica registrada em Atos. Apesar de normativa, as lnguas no so o propsito do batismo. Para os pentecostais, em geral, e Brumback em especial: "Jesus estabeleceu o propsito do batismo ou o enchimento com o Esprito Santo em Lucas 24.49 - 'permanecei, pois, na cidade, at que do alto sejais revestidos de poder.' Novamente em Atos 1.8 Ele disse: 'mas recebereis poder, ao descer sobre vs o Esprito Santo.'"13 Admiti