tect“nica 4.1 – morena fases de deforma§£ohome.dgeo....

Download TECT“NICA 4.1 – Morena Fases de deforma§£ohome.dgeo. lopes/Tese/Tese-Parte_2.pdf  factores,

If you can't read please download the document

Post on 19-Jan-2019

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Captulo 4 Tectnica

4. TECTNICA

4.1 Caractersticas gerais da Tectonognese, dos Sectores de Estremoz Barrancos e Alter do Cho Elvas, da Zona De Ossa

Morena

4.1.1 Fases de deformao

Como j vimos nos captulos precedentes, a Zona de Ossa Morena

corresponde a uma das seis zonas paleogeogrficas que constituem o orgeno

varisco na Pennsula Ibrica (Ribeiro et al., 1979). A estruturao dos terrenos

que a constituem ocorre em trs perodos distintos, (1) Tectonognese

cadomiana precmbrica; (2) rifting fini-Precmbrico Paleozico inferior e (3)

Tectonognese varisca ps-devnica). indubitvel uma herana cadomiana

que ser responsvel pela nucleao e desenvolvimento, primeiro das bacias

de sedimentao e depois das estruturas tectnicas que edificam o orgeno

varisco peninsular.

As principais estruturas e a cinemtica das principais fases de

deformao para o Macio Oeste Ibrico foi esquematizada por Silva, (1998) e

encontra-se representada na Fig. 4.1. O mesmo autor (op. cit.) apresenta ainda

um esboo de uma transversal do Orgeno Varisco no SW Ibrico para o

final do Silrico (Fig. 4.2). Esta representao das estruturas anterior s fases

compressivas que edificaram o Orgeno Varisco, reala o carcter

transtensivo da evoluo geodinmica do Macio Ibrico e pe em evidncia a

actuao de uma tectnica extensional contempornea da sedimentao de

sequncias paleozicas que apoiada por inmeras observaes de campo.

Por exemplo no flanco ocidental do sinclinal de Terena, a 2Km a SE de

Amareleja na EN 385, encontram-se slumps e discordncias sinsedimentares

- 215 -

Captulo 4 Tectnica

escala mesoscpica indicando escorregamentos gravticos para a bacia

sedimentar que se estava a desenvolver a leste.

Fig. 4.1 - Cinemtica da fase D1 fase D2 no Macio Oeste Ibrico, segundo Silva, (1998).

A lineao de transporte D1 dobrada pela vergncia centrfuga da virgao durante a fase D2, explicada pela rotao sinistrgira do indentador (seta escura).

Fig. 4.2 - Esboo de uma transversal do Orgeno Varisco no SW Ibrico no final

do Silrico (retirado de Silva, J.B., 1998).

- 216 -

Captulo 4 Tectnica

Na descrio dos afloramentos, que em seguida expomos, utilizaremos

os conceitos e as convenes a seguir caracterizadas.

Relativamente s fases de deformao, de carcter dctil, que afectaram

a regio, se existe um consenso quanto ao nmero de fases regionais (D1 e

D2) o mesmo no se pode dizer acerca da cronologia e, por vezes, dos

critrios cinemticos que caracterizam as mesmas.

Regional e geometricamente, as fases de deformao podem ser

reconhecidas pelas seguintes estruturas:

Primeira Fase (D1) Encontram-se associadas dobras isoclinais e

cavalgamentos com direces NW-SE a N-S, com planos

axiais inclinando cerca de 20 para ENE e eixos de direco

varivel. A vergncia das estruturas far-se-ia para SW ou W,

perpendicularmente s estruturas, segundo Ribeiro et al.

(1979); no entanto outra interpretao aponta para a actuao

de o regime de cisalhamento simples esquerdo, congruente

com um sistema tangencial transpressivo/transtensivo com

enraizamento para NE e sentido de movimento para norte ou

noroeste ao longo da direco orognica e da lineao de

estiramento (Silva, 1997); esta segunda definio melhor

suportada pelos dados de campo. nesta fase que se forma a

xistosidade, frequentemente associada a fabric S/L,

particularmente expresso em regimes de andar estrutural

inferior.

Segunda Fase (D2) Ocorre em andar estrutural superior e origina uma

clivagem de crenulao de plano axial com direco NW-SE.

a principal responsvel pela orientao NW-SE das

macroestruturas da Zona de Ossa Morena. Redobra as

- 217 -

Captulo 4 Tectnica

estruturas formadas na primeira fase gerando padres de

interferncia, essencialmente do tipo 2, mas tambm do tipo

3 de Ramsay (1967). Num estado mais avanado esta fase

induz a ruptura por estiramento de dobras D2 geradas

precocemente.

Um dado muito importante a ter em conta que entre as duas fases

parece decorrer um processo de deformao continua. As diferenas entre as

estruturas que se formam so principalmente devidas ao andar estrutural em

que decorreu a deformao e s litologias envolvidas no processo.

Relativamente idade destas fases, Silva (1996) refere que D1 j se teria

feito sentir antes do Devnico inferior onde favoreceria a abertura de bacias

do tipo half-graben sob um regime de deformao transcorrente progressiva

associada a transtenso e exumao do soco. Ribeiro (1983) precisa a idade

desta fase no Givetiano1 (Devnico mdio alto).

Quanto a D2, Ribeiro et al., (1979) referem o Vestefaliano superior

como idade mais provvel para a sua ocorrncia ao passo que para Silva

(1997) esta fase se teria seguido de modo diacrnico primeira, seria

contempornea da virgao Ibero-Armoricana e estaria relacionada com a

deposio sintectnica das bacias continentais do Carbnico superior na Zona

de Ossa-Morena e das bacias ocenicas da Zona Sul Portuguesa.

Em trabalho anterior (Lopes, 1995) considermos ainda a ocorrncia de

uma terceira fase, de carcter local, que corresponderia ao desenvolvimento de

corredores de deformao longitudinais em relao estrutura anticlinal de

Estremoz. Efectivamente estas estruturas no cortam indistintamente as

dobras D2 mas, embora com excepes, tendem preferencialmente a

localizar-se nos flancos estirados das mesmas e, por isso mesmo, tambm se 1 Ver discusso pormenorizada no Cap. 2.

- 218 -

Captulo 4 Tectnica

podem considerar como correspondendo a uma fase terminal em regime mais

frgil de D2. Nestas, em mais do que quaisquer outras estruturas, a

deformao progressiva e continua est bem representada.

Na regio de Barrancos tambm esta situao havia sido identificada

(Perdigo et al., 1982, p.42) tendo os autores identificado uma terceira fase de

deformao mas, tal como descrevemos acima para a regio de Estremoz2,

consideraram que mais provavelmente se trataria de um estado avanado da

segunda fase e no uma fase independente; esta observao demonstra o

carcter regional destes corredores de deformao.

Estes acidentes NNW-SSE, muito inclinados, com uma direco

praticamente constante, evidenciam critrios de deformao que variam desde

o domnio dctil, dctil-frgil e mesmo francamente frgil, quando

desenvolvem brechas tectnicas. Inicialmente evidenciando critrios

cinemticos esquerdos, estes acidentes podem ser retomados ento como

acidentes direitos, com expresso no terreno, num perodo provavelmente

contemporneo do acidente Porto Tomar que exibe o mesmo tipo de

movimento e que posterior sedimentao carbonfera (Silva, 1997).

A importncia econmica destas descontinuidades para a explorao

dos mrmores para fins ornamentais ser discutida no prximo captulo.

Justifica-se aqui uma chamada de ateno que desenvolveremos mais

adiante. Efectivamente, no anticlinal de Estremoz o mrmore brechificado,

com blocos de dimenso por vezes superior a um metro, com pouco interesse

ornamental, caracterstico destes corredores de deformao. No entanto

nem todas as brechas encontradas se enquadram nesta descrio, pois existem

outros casos onde a brechificao ocorreu durante o perodo distensivo

2 Na Fig. 2.30 podem-se observar os acidentes mais importantes, desta natureza, que controlam a estrutura na terminao periclinal SE do anticlinal de Estremoz.

- 219 -

Captulo 4 Tectnica

sinsedimentar ante-deformao e que no devem ser confundidas com as que

se formam nos corredores de deformao.

A fracturao tardi-hercnica tambm se faz sentir na regio atravs de

acidentes sub-verticais NNW SSE a NW-SE direitos e NNE-SSW a ENE-

WSW esquerdos, provavelmente conjugados. Em funo das litologias

afectadas e das dobras previamente formadas a atitude mdia destes acidentes

pode oscilar dentro daqueles valores. Verifica-se que o sistema esquerdo

(NNW-SSE) o que est mais desenvolvido, o que se pode explicar por uma

rotao do campo de tenses com a compresso mxima a tornar-se prxima

de N-S nos estdios finais pelo que natural o maior desenvolvimento do

sistema sinttico, facto que j havia sido assinalado por Ribeiro et al., (1979).

As caractersticas geomtricas e cinemticas dos principais episdios de

deformao Varisca, segundo vrios autores, para os Sectores de Alter do

Cho Elvas, Estremoz Barrancos e para o Domnio de vora Beja

foram sintetizadas por Rosas (2003) e encontram-se expressas no Quadro 4.1

que reproduzimos em seguida.

Uma caracterstica importante que ressalta dos modelos apresentados

(Quadro 4.1) que o sentido de transporte orognico deve assentar na

interpretao cinemtica das estruturas e no apenas deduzido com base em

critrios geomtricos. A sucesso de eventos de deformao pode ser

esquematizada como se representa na Fig. 4.3. O regime transpressivo

esquerdo tal como foi definido por A